A propósito da crise no Paraguai, topei hoje com um texto fantástico. Divulgado em vários blogs “progressistas”, o artigo sugere que os EUA estão por trás do que ele chama de “golpe” no Paraguai.
Mas isso não é tudo. Segundo o texto, os EUA estão por trás também da denúncia do mensalão. E tem mais: ele sugere que Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira são meros agentes a serviço do serviço secreto americano para desestabilizar o Brasil.
Poucos artigos resumiram com tanta precisão a que ponto chega a obsessão de parte da esquerda brasileira com os EUA. Se os americanos não existissem, esse pessoal trataria logo de inventar.
Que o atual governo dos EUA não gosta do atual governo de Israel, e vice-versa, não é segredo para ninguém. Basta lembrar que, após o primeiro encontro entre o presidente Barack Obama e o premiê Binyamin Netanyahu, o israelense confidenciou a amigos que não ficou particularmente impressionado pelo intelecto do colega americano. Depois, ficou furioso com a insistência de Washington de exigir o congelamento dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, dizendo que “Jerusalém não é um assentamento, é nossa capital”. No ano passado, Bibi e a secretária de Estado Hillary Clinton trocaram um violento telefonema, no qual o premiê se queixou do plano americano de endossar um Estado palestino nas “fronteiras anteriores a 1967”.
Mas os sinais de distanciamento parecem mais evidentes, apesar das tradicionais juras de amor e dos panos quentes. Primeiro, Obama já está terminando seu primeiro mandato e, embora já tenha ido a vários países do Oriente Médio e cortejado o mundo árabe e islâmico, ainda não visitou Israel. Agora, os EUA lançaram o Fórum Global de Contraterrorismo, um espaço para que países atingidos por terrorismo possam discutir estratégias conjuntas de combate, e não convidaram Israel – um dos países que mais sofreram com o terror árabe e que só conseguiram interromper a espiral de violência graças a uma combinação de inteligência, reforço de vigilância e a construção de uma barreira para dificultar a entrada de terroristas.
A desculpa da Casa Branca é que os EUA já mantêm contato com Israel a respeito do tema e que outros países que são alvo do terror também não foram convidados. Mas o que se sabe é que a Turquia, que integra o Fórum, não quis a presença de Israel, e a exigência foi atendida pelos EUA.
A britânica Zina Saro-Wiwa produziu um documentário sobre mulheres negras americanas que, como ela, estão “transitando” do cabelo alisado quimicamente para penteados mais naturais. É uma mudança e tanto. Como Zina mostra em ótimo vídeo que pode ser visto aqui, o cabelo liso predomina entre as estrelas negras do mundo pop americano.
Em pequeno texto publicado pelo New York Times, Zina conta que não pretendia ser personagem de seu próprio filme. “Mas, ao incluir minha história, eu me vi obrigada a pensar sobre como eu me sentia sobre meu cabelo com uma honestidade que jamais tive”, explicou ela.
Segundo Zina, há muitas mulheres negras “transitando” sem fazer alarde. “Não é um movimento movido pela raiva”, diz a cineasta. “As mulheres não estão dizendo que sua motivação é combater os ideais eurocêntricos de beleza. Em vez disso, é um movimento caracterizado pela autodescoberta e pela saúde.”
Mas Zina reconhece a dimensão política do fenômeno, porque o cabelo negro e o corpo negro são historicamente vinculados a lutas sociais nos EUA e ao imaginário americano. “Demonstrar esse nível de auto-aceitação”, isto é, aceitar o cabelo como ele é, “representa uma poderosa evolução na expressão política negra”, diz Zina. A verdadeira transformação começa dentro de si mesmo: “Dizer em voz alta ‘eu sou negra e me orgulho disso’ é uma coisa; acreditar nisso silenciosamente é outra”.
Um ataque “cirúrgico” de drone matou no Paquistão o número dois da Al Qaeda, Abu Yahya al-Libi, informou o governo americano nesta terça-feira. Trata-se de um dos mais duros golpes que os EUA já assestaram contra a cúpula da organização terrorista utilizando sua frota de aviões não tripulados. É também mais uma prova de que o presidente Barack Obama não está para brincadeira.
Obama tem saído melhor que a encomenda. Na campanha eleitoral de 2008, os republicanos diziam que, se ele se tornasse presidente, os EUA seriam alvo fácil para os terroristas, já que o jovem senador de Illinois não tinha nenhuma experiência para lidar com as graves questões de segurança nacional. Pois bem. Sob a Presidência de Obama, os EUA estão mais determinados do que nunca em sua “guerra ao terror”. E consta que Obama reserva para si a decisão final sobre os assassinatos seletivos. Pode-se dizer que é ele quem puxa o gatilho, como mostrou recente reportagem do New York Times.
É interessante notar o “timing” do vazamento de informações detalhadas sobre as operações secretas com drones no Paquistão, em especial sobre como se comporta Obama, que surge desses relatos como líder implacável contra os inimigos dos EUA. No momento em que a intenção de voto no presidente balança, por causa da crise econômica, pode fazer muito bem a Obama posar de justiceiro com aquilo roxo.
Uma intervenção militar na Síria, a título de acabar com os massacres ora em curso, pode causar violência ainda maior. Essa opinião, expressa tantas vezes pelo governo brasileiro, é compartilhada pelo ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger.
Em artigo no Washington Post, Kissinger faz uma arqueologia das relações internacionais para mostrar que a diplomacia da Primavera Árabe substituiu o princípio da ordem internacional baseada na soberania dos Estados, em vigor desde o século 17, pelo princípio da intervenção humanitária. Ou seja: a “comunidade internacional” exige que o governo negocie uma transferência de poder pacífica, o que ele jamais fará sem a ameaça ou a perspectiva de intervenção armada. Segundo Kissinger, essa doutrina não leva em conta primariamente questões como o interesse nacional, que não se enquadram na perspectiva moral implícita na ação de inspiração humanitária. E isso cria um problemão para os EUA.
A razão é simples: se a questão central não é o interesse nacional, mas uma demanda moral, então os EUA teriam de apoiar todos os levantes em todas as partes do mundo – inclusive na Arábia Saudita, que é um de seus maiores aliados no Oriente Médio a despeito de ser uma tirania. Ademais, só intervir para derrubar um regime assassino não basta: uma ação desse tipo pressupõe responsabilizar-se por ajudar na reconstrução do país, o que implica custos e desgaste político e diplomático; lavar as mãos significa permitir que terroristas ocupem os espaços deixados pela queda do regime.
E então surgem as perguntas. Uma intervenção na Síria seria interessante, do ponto de vista americano, porque derrubaria um governo que apoia Irã, Hizbollah e Hamas, vistos como problemáticos em Washington; por outro lado, os EUA estão finalizando a desgastante aventura no Iraque e no Afeganistão e têm poucos motivos para querer um novo confronto no Oriente Médio. Mais importante: quem substituiria Bashar Assad? Quem são os rebeldes? Quais são as chances de financiar gente que, depois, se tornará um pesadelo para os EUA, como aconteceu com o Taleban no Afeganistão?
Kissinger recomenda que, antes de derrubar Assad, os EUA e as outras potências interessadas no que acontece na Síria costurem um acordo político amplo, que evite a guerra civil e que tenha amplo apoio internacional, inclusive do ponto de vista da segurança. O ex-secretário, no entanto, diz duvidar dessa possibilidade, dadas as atuais circunstâncias. E é sombrio sobre o horizonte sírio: “Ao reagir a uma tragédia humana, temos de ter cuidado para não permitir outra. Na ausência de um conceito estratégico claramente articulado, uma ordem mundial que borra fronteiras e mistura guerras civis e internacionais jamais pode relaxar”.
Estreia hoje na TV americana um reality show chamado Push Girls. Ele reúne cinco moças que sofreram acidentes ou tiveram doenças que as obrigam a andar de cadeira de rodas. A ideia é mostrar que, a despeito das óbvias limitações, elas podem levar uma vida quase normal.
“As pessoas de nosso convívio conseguiram lidar com a paralisia e perceberam que não era uma tragédia”, disse Mia Schaikewitz, de 33 anos, paraplégica desde os 15. “O legal do programa é que os telespectadores vão ver isso.”
As jovens só se conheceram depois que ficaram paraplégicas e agora são muito amigas, quase irmãs, segundo dizem. O elo entre elas foi a modelo Angela Rockwood, que ficou tetraplégica há 11 anos num acidente de carro. Foi por meio de Angela que o programa tomou forma: ela queria mostrar o dia a dia das amigas e como elas são felizes.
“Acho que as pessoas temem se aproximar de nós e temem ter relacionamentos conosco porque acham que vão encontrar algo negativo”, lamenta Mia. “Se eles nos vissem como somos em nosso cotidiano, saberiam que isso (a cadeira de rodas) é apenas um acessório.”
Apareceu em minha caixa postal por esses dias um e-mail enviado por Deus (ou Allah). Ele diz que resolveu fazer o contato porque pareço ser um cara que já ouviu falar n’Ele. Dizendo tratar-se de uma questão urgente, Deus me diz que, como membro da “mídia internacional”, eu estou qualificado a reportar o “progresso da Ressurreição”. Para começo de conversa, ele diz que é importante salientar que “Deus está vivo e bem”.
A notícia mais importante, porém, é que o endereço que Ele sugere como contato fica na Califórnia. Ou seja: toda a briga em torno da Terra Santa tem sido uma perda de tempo. Deus é americano, o que talvez explique toda aquela megalomania d’Ele.
Abaixo, a íntegra do e-mail divino.
Dear Friend,
Your email was suggested as someone who may have heard of God (Allah) and it was suggested I reach out to you, personally. I am God Allah and looking to people for purposes previously explained by the church or mosque i.e. The Resurrection. If you’d like to help get something started, email Me back. You were also noted as a member of the INTL Media. I am looking for an ongoing media relationship in order to report progress on The Resurrection. For example, for starters, I report God Allah is alive and well.
Emergency Message,
ALLAH
P.O. Box 701
San Mateo, CA 94401
+1-650-458-7524
NOTE: I apologize, however, this is an emergency.
Gustin Reichbach, de 65 anos, é juiz em Nova York. Ele publicou um artigo no New York Times em que literalmente implora aos legisladores que aprovem o uso medicinal da maconha. Paciente de câncer no pâncreas, Reichbach é submetido a um tratamento que causa náusea violenta e que torna o hábito de comer e dormir um verdadeiro sofrimento diário. Ele diz que só encontra alívio ao fumar a droga.
“Em vez de testemunhar meu sofrimento, amigos meus escolheram correr riscos pessoais e me trazer a substância. Descobri que umas tragadas de maconha antes do jantar me dão munição para a batalha que é comer. Outras poucas tragadas na cama e eu consigo aquilo de que desesperadamente preciso, que é dormir”, escreveu o juiz.
Para ele, não se trata de uma questão jurídica, mas de direitos humanos: “Quando o tratamento paliativo é entendido como um direito médico e humano fundamental, a maconha para uso medicinal deveria estar acima de qualquer controvérsia”. Reichbach considera que proibir uma droga que é eficiente contra os efeitos do tratamento de câncer e que tem poucos efeitos colaterais é simplesmente um ato de “barbárie”.
Basicamente, não há nada que uma mulher faça que um homem também não possa fazer. É esse raciocínio que está por trás de uma crescente tendência nos EUA – homens jovens que não conseguem arranjar emprego em áreas nas quais estavam habituados a atuar e acabam encontrando ocupação em tarefas majoritariamente femininas.
Ou seja: enquanto cada vez mais mulheres se especializam e obtêm espaço em profissões dominadas por homens, os homens admitem a possibilidade de fazer o trabalho “de mulheres”, coisa que “seus pais jamais considerariam fazer”, como diz o New York Times. São os chamados “pink collars” (colarinhos rosa, que trabalham no setor de serviços), em contraponto aos “white collars” (colarinhos brancos, ou trabalhadores de escritório) e “blue collars” (colarinhos azuis, ou operários), que são normalmente masculinos.
Miguel Alquicira, 21, é um dos casos citados pelo jornal. Sem diploma universitário e com a escassez de vagas na construção civil e na indústria, Alquicira fez um curso médico e conseguiu trabalho num consultório odontológico como assistente. No Texas, dobrou o número de homens registrados como enfermeiros. Fenômeno semelhante ocorreu entre professores primários, caixas de banco e recepcionistas, profissões em que as mulheres ainda são maioria.
Estudiosos mostram ainda que o perfil dos homens que buscam ocupações “femininas” também está mudando: antes, eram imigrantes, que não falavam inglês e com baixo nível educacional; agora, são homens de todas as raças e nacionalidades, com o equivalente ao ensino médio completo.
A tendência dos “pink collars” masculinos está diretamente vinculada ao clima de recessão nos EUA. Para os especialistas, assim que a situação mudar, os rapazes vão voltar a procurar trabalho em seu meio tradicional, porque, como lembra a economista Heather Boushey, os garotos não dizem que querem ser enfermeiros quando crescerem. No entanto, diz o Times, muitos rapazes “pink collars” afirmam que pretendem continuar com o trabalho “feminino” mesmo quando a economia voltar ao normal, porque se sentem mais satisfeitos agora.
E, afinal, mesmo em empregos tipicamente para mulheres, os homens ganham salários melhores.
Os líderes comunistas da China adoram falar mal dos EUA, mas, na hora de escolher uma boa escola para os filhos, eles não ficam na dúvida. Dos nove integrantes mais graduados do Politiburo chinês, pelo menos cinco têm filhos ou netos que estudaram ou estão estudando nas melhores (e mais caras) instituições de ensino dos EUA, informa o Washington Post.
“Há algo sobre o elitismo que diz que, se você nasceu na família certa, você irá à escola certa para perpetuar a glória da família. Ir a uma escola de elite é uma extensão natural disso”, diz Hong Huang, enteada de Qiao Guanhua, que foi chanceler de Mao. Ela fez parte de uma das primeiras gerações dos chamados “princelings”- os “príncipes herdeiros”, isto é, os filhos dos líderes comunistas chineses – que foram estudar nos EUA.
Ou seja, existe uma presunção, entre esses privilegiados burocratas, de que a vanguarda comunista deve ter mais do que os outros chineses. Embora as universidades chinesas tenham melhorado muito, e várias delas competem de igual para igual com as americanas, o que importa para a elite do país é matricular seus filhos nas caríssimas escolas dos EUA – como um insuperável sinal de status. Orville Schell, que dirige um comitê de relações sino-americanas em Nova York, resumiu tudo: “Na China, há um grande fascínio com marcas: assim como eles querem vestir Hermès ou Ermenegildo Zegna, eles querem ir para Harvard. Eles acham que isso os coloca no topo da cadeia alimentar”. Houve o caso de uma “princeling” que gastou US$ 7.500 por um cursinho de 15 dias no MIT para executivos com “curiosidade intelectual”, somente para poder botar o nome do prestigiado instituto no currículo.
O mais famoso “princeling” é Bo Guagua, filho de Bo Xilai, que se tornou uma estrela no Partido Comunista Chinês por defender o retorno aos ideais igualitários previstos na Revolução Cultural maoísta e por atacar a política econômica voltada para o mercado. Mas esses princípios não serviram para o filho. Bo Guagua levava uma vida de playboy quando estudava em Oxford e em Harvard, como dá para ver na foto abaixo. Como se sabe, Bo Xilai caiu em desgraça em março, num escândalo que misturou traição, espionagem e corrupção.
Bo Guagua: aprendendo muito nos EUA
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