ir para o conteúdo
 • 

Marcos Guterman

A Justiça americana considerou inconstitucional a norma que obriga fabricantes de cigarros a colocar nos maços advertências grandes e com fotos chocantes sobre os riscos à saúde dos fumantes. No entendimento do juiz Richard Leon, trata-se de violação do direito à liberdade de expressão – o governo ainda pode recorrer.

Leon considerou que as advertências não são feitas para ampliar a conscientização dos fumantes sobre os riscos de fumar, mas sim para provocar uma “forte reação emocional” contra o cigarro. Segundo ele, o governo americano tem várias outras maneiras de advertir sobre os riscos do tabagismo sem afrontar a Constituição.

comentários (43) | comente

Roger Cohen, colunista do New York Times conhecido por suas posições pacifistas, foi taxativo: “Armemos os rebeldes sírios”. “A esta altura, não há política a respeito da Síria que não envolva risco significativo. Mas o único cessar-fogo que não se transformará num efêmero pedaço de papel é aquele baseado no equilíbrio de forças. Por isso, o Exército Livre da Síria deve receber armas”, escreveu Cohen.

Por outro lado, Gideon Rachman, colunista do jornal Financial Times igualmente moderado, se declarou frontalmente contrário à intervenção no conflito sírio. “A questão-chave para qualquer intervenção externa não é apenas se ela vai interromper a matança, mas também se ela pode decisivamente influir no equilíbrio em favor de uma solução política pacífica e sustentável. Sem isso, uma intervenção externa pode simplesmente intensificar o conflito.”

Rachman diz entender os apelos por uma ação para impedir que o ditador Bashar Assad continue a matar os sírios. Já os políticos e diplomatas, afirma o colunista, são obrigados a ponderar se a intervenção não estará a criar um mal maior. Para Cohen, porém, essa ponderação é irrelevante agora, porque “ninguém poderá mais fazer o gênio (da matança) voltar à garrafa”.

Rachman considera que, para os jornalistas e ativistas dos direitos humanos que viram de perto os crimes de Assad, a urgência da intervenção tornou-se algo natural. “Mas, às vezes, o distanciamento é importante. Uma resposta emocional nem sempre é a resposta correta.” Já Cohen não tem dúvida: “A mulher de Assad comprou algumas propriedades em Londres. Vamos obrigá-la a usá-las e vamos libertar o povo sírio”.

comentários (35) | comente

Uma série de experimentos divulgada pela Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que pessoas ricas são mais inclinadas que as pobres a mentir para ter vantagem na disputa de prêmios, a enganar em negociações e a burlar a lei ao dirigir, informou a Bloomberg.

Num dos trabalhos, uma jarra com doces foi mostrada a estudantes que desempenharam o papel de “ricos” e de “pobres”. Os pesquisadores lhes disseram que os doces eram para crianças de um laboratório ao lado, mas que eles poderiam pegar alguns, se quisessem. Os estudantes “ricos” pegaram mais doces que os “pobres”.

Segundo os autores dos estudos, algumas pessoas das classes mais altas parecem considerar a cobiça como um valor positivo. Elas seriam mais focadas em si mesmas, colocando sempre os objetivos pessoais em primeiro lugar; já as pessoas pobres, que dependem da comunidade em que vivem, teriam mais preocupação com os padrões de comportamento dessa comunidade.

“Não é que os ricos sejam inerentemente maus, mas quando alguém sobe na vida – seja uma pessoa ou um primata – se torna mais auto-centrado”, explica um dos autores. Segundo ele, porém, nem tudo está perdido: “Pode-se mudar esse comportamento estimulando os ricos a pensar sobre as necessidades dos outros. É o suficiente para melhorar seu altruísmo.” Bill Gates e Warren Buffett que o digam.

comentários (33) | comente

Desde setembro do ano passado, acabou nas Forças Armadas dos EUA a política do “não pergunte, não fale”, que regulava a presença de homossexuais na caserna. Portanto, na prática, os militares americanos podem assumir sua homossexualidade. Foi o que fez o fuzileiro naval Brandon Morgan.

Ao voltar de mais uma temporada a serviço das forças americanas no exterior, ele foi recepcionado calorosamente por seu namorado, Dalan Wells, como dá para ver na foto acima. Morgan postou a foto no Facebook e a imagem rapidamente se tornou viral. “Obrigado por escolher o caminho da coragem, do heroísmo e da dignidade, tanto como soldado quanto por amar publicamente seu parceiro”, disse uma leitora. Outros não gostaram tanto: “Você é um comunista e essa foto é uma desgraça para os americanos”.

comentários (41) | comente

O Ministério Público Federal quer retirar de circulação o Dicionário Houaiss. No entendimento dos procuradores, a publicação é racista ao definir “cigano” como “aquele que trapaceia; velhaco, burlador”.

A decisão do MPF foi tomada em razão de reclamações de ciganos, que se sentiram ofendidos. Segundo os procuradores, editoras de outros dicionários acataram pedidos para alterar o verbete, mas o Houaiss aparentemente revolveu mantê-lo.

Os procuradores consideram que, mesmo qualificando a definição de “pejorativa”, o dicionário dá valor à acepção que trata o cigano de modo discriminatório e ajuda a consolidar a imagem negativa. “O direito à liberdade de expressão não pode albergar posturas preconceituosas e discriminatórias, sobretudo quando caracterizadas como infração penal”, disse o procurador Cléber Eustáquio Neves.

A intenção do MPF de atacar o racismo é nobre, mas os procuradores escolheram o alvo errado. Um dicionário serve para registrar as várias acepções das palavras, entre elas a pejorativa. No verbete “judeu”, por exemplo, o Houaiss fala em “pessoa usurária, avarenta”, entre outras tantas definições.

Por mais que grupos étnicos ou religiosos eventualmente se ofendam com algumas acepções das palavras que os designam, o dicionário não é responsável senão por mostrar que elas existem e que são eventualmente usadas.

Para o procurador Neves, o sentido pejorativo oferecido pelo dicionário “será internalizado, levando à formação de uma postura interna pré-concebida em relação a uma etnia que deveria, por força de lei, ser respeitada”. É um exagero sob vários pontos de vista – e a decisão de retirar um livro de circulação, como conseqüência disso, ignora o fato óbvio de que a língua é uma construção de expressões boas e ruins, como retrato fiel da sociedade em que ela é usada.

comentários (47) | comente

Então é assim.

Um soldado americano na base de Bagram (Afeganistão) jogou fora alguns exemplares do Corão, e os livros quase foram incinerados junto com outros papeis – funcionários afegãos os salvaram das chamas.

O episódio deflagrou mais uma onda de violência contra os ocidentais no Afeganistão – nesta quinta-feira, um soldado afegão matou dois militares americanos como parte da reação.

Nem os veementes pedidos de desculpas do governo americano foram suficientes para acalmar a fúria religiosa. Para os fanáticos, é lícito matar pessoas que supostamente violaram a sacralidade de um livro.

Pode-se concordar com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, para quem o soldado americano mostrou ignorância a respeito da importância do Corão para o islã.

No entanto, não é possível compreender que uns pedaços de papel em forma de livro possam ser considerados mais importantes que a vida de uma pessoa.

comentários (206) | comente

O palestino Khader Adnan, membro do grupo terrorista Jihad Islâmica, passou 66 dias em greve de fome para protestar contra sua prisão em Israel. Ele voltou a comer nesta terça-feira, depois que as autoridades israelenses aceitaram soltá-lo antes do tempo previsto – ele sairá em abril, e não mais em maio. A pressão por causa de seu estado de saúde era evidente: a morte de Adnan na prisão certamente seria o estopim de uma revolta dos palestinos. O caso, porém, é mais importante porque mostra os limites legais e éticos da chamada “guerra ao terror”, uma vez que Adnan estava preso sem acusação formal, com base numa lei israelense que permite deter suspeitos de terrorismo por seis meses, período renovável indefinidamente.

Países democráticos que sofrem com o terrorismo tiveram de elaborar uma legislação específica para lidar com o problema, por razões óbvias: sociedades cujos filhos morrem assassinados por homens-bomba quando estão em pizzarias ou discotecas demandam uma resposta excepcionalmente firme a essa covardia. O problema é que essa legislação com frequência se choca com direitos individuais consagrados no Estado democrático de direito, como o de ampla defesa e o da presunção da inocência.

Um exemplo paradigmático é o da prisão de Guantánamo, onde os EUA mantêm suspeitos de terrorismo presos indefinidamente, sem direito a julgamento e submetidos a tortura, enquanto se reúnem as evidências contra eles ou enquanto eles possam ser úteis para fornecer informações que ajudem a evitar atentados. Os presos vivem um limbo jurídico, uma vez que não são acusados formalmente de nada. É precisamente o caso de Adnan e de outras centenas de presos em Israel.

Adnan não é um santo. Já foi preso diversas vezes, inclusive pelos próprios palestinos. Contudo, Israel não revela o motivo pelo qual o deteve desta vez, sob o argumento de que as investigações correm em sigilo – e é esse o problema central.

Israel, assim como os EUA, o Reino Unido, a Espanha e outros países que são alvos de terroristas, entende que o combate a eles só pode se dar nas sombras, de modo assimétrico e irregular, porque eles não são criminosos comuns. Há uma boa dose de razão nessa estratégia, porque os terroristas são fanáticos que obedecem a regras completamente diferentes das regras da sociedade que atacam. O alvo considerado “legítimo” pelos terroristas é simplesmente qualquer um – crianças, mulheres e idosos, inclusive – porque o objetivo é disseminar o pânico de modo permanente.

No entanto, a legislação excepcional para lidar com o terrorismo, com todos os dilemas éticos que ela carrega, dá munição aos simpatizantes dos grupos radicais, que cinicamente fazem equivalência moral entre o terror e suas vítimas. Gente como Adnan acaba sendo objeto de campanhas humanitárias estridentes, com a óbvia intenção de constranger países ocidentais que são alvo de terrorismo, enquanto as vítimas inocentes dos terroristas recebem desses “humanistas” apenas o silêncio cínico.

Nada disso, porém, deve servir de desculpa para o fato de que, no frigir dos ovos, o palestino Adnan e outros tantos como ele, por mais assassinos frios e sanguinários que sejam, tiveram sonegados os direitos que são universais. Em nome da luta contra a barbárie, governos democráticos estão descendo ao nível dos bárbaros.

comentários (174) | comente

No final de 2010, o menino britânico Zach Avery, então com três anos de idade, decidiu que queria ser uma menina. Ele sofre de transtorno de identidade de gênero, o que o faz sentir-se uma garota presa no corpo de um menino, relata o jornal Telegraph.

A mãe de Zach, Theresa, de 32 anos, disse que o garoto era “normal” até que, um dia, anunciou: “Mamãe, eu sou uma menina”. Então, ele resolveu usar vestidos e deixar o cabelo crescer.

Theresa achou que era apenas uma fase passageira, mas os médicos que ela consultou acabaram chegando ao diagnóstico de transtorno de gênero. E Zach reagia com violência quando se referiam a ele como menino – ameaçava até mesmo cortar seu pênis fora.

A escola onde Zach estuda, em Essex, criou um banheiro “neutro” para atender o aluno. O problema será quando ele ficar mais velho, diz Theresa, e não houver banheiros “especiais” para ele nas escolas.

A mãe diz que a família apóia Zach. “Ele quer ser apenas uma garotinha e é muito feliz com seu longo cabelo loiro, sua cama cor-de-rosa e seu guarda-roupa cheio de vestidinhos. Ainda colocamos roupas de meninos no armário, caso ele decida usá-las. Deixamos a ele a decisão de vestir ou não – se ele mudar de ideia e quiser ser um menino de novo, então ele poderá vestir; mas, se ele não quiser, tudo bem. Eu adoraria ter meu filho de volta, mas eu quero que ele seja feliz. Se esse é o caminho que ele quer seguir, se isso o deixa feliz, então que seja. Eu dou a ele todo o meio apoio.”

comentários (40) | comente

20.fevereiro.2012 10:00:51

Conspiração no Vaticano

O clima atual no Vaticano é de conspiração, mostra o jornal espanhol El País. A reportagem relata o vazamento de uma denúncia de corrupção e mesmo de um complô para matar o papa Bento 16, o que sinalizaria uma disputa intestina pelo poder na Santa Sé.

Aos 85 anos e doente, Bento 16 é um “humilde pastor que não recua diante dos lobos”, segundo um editorial publicado no Osservatore Romano. Os “lobos” estariam interessados em recolocar um italiano na cadeira de Pedro, o que não acontece desde 1978. Seria um papa que, sugere o El País, refreasse a reforma que Bento 16 promoveu ao impor mais transparência nas contas do Vaticano e ao abrir a Igreja ao escrutínio em meio ao escândalo de pedofilia.

comentários (8) | comente

O jornal israelense Haaretz – que pode ser acusado de tudo, menos de ser de direita ou de apoiar o governo de Israel – publicou interessante reportagem que mostra o incitamento ao ódio veiculado cotidianamente na TV da Autoridade Nacional Palestina – com quem Israel, por suposto, deverá negociar a paz.

Segundo o jornal, a TV veicula programas que glorificam terroristas que assassinaram civis inocentes em Israel, comentários que negam o Holocausto e reportagens que consideram Tel Aviv e Haifa como parte da “Palestina ocupada”.

comentários (11) | comente

  • Quem Faz

    Quem Faz

    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

Arquivo

Seções

Diversão pura

Jornalismo

Meus blogs favoritos

Blogs do Estadão