A Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU, afirmou que o Irã tem quase duas toneladas e meia de urânio enriquecido. A informação mostra que o “acordo” obtido pelo Brasil e pela Turquia no Irã não representa nada, senão o desejo iraniano de enganar os tolos.
O tal “acordo”, como se sabe, prevê o envio de 1,2 tonelada de urânio iraniano ao exterior e sua troca por material nuclear enriquecido para uso médico. A iniciativa repete os termos do acerto entre as potências mundiais e o Irã oito meses antes – defendido pelos EUA na época porque, em tese, deixaria os iranianos sem urânio suficiente para fazer a bomba. O Irã posteriormente recuou desse acordo. Agora, Teerã diz aceitar os termos, num teatro montado com Lula e o premiê turco, Recep Erdogan. Os americanos, russos e chineses não engoliram a farsa porque desconfiavam que o Irã passara a ter muito mais material nuclear do que declarava. A ONU acaba de lhes dar razão. Mais do que isso: o relatório mostra como os iranianos não cooperam com os inspetores da AIEA, negando-lhes acesso a instalações nucleares e deixando de responder às questões técnicas mais significativas.
Diante disso, resta reproduzir as palavras de Avner Cohen, historiador israelense que é malvisto pelo governo de Israel por ter dissecado o programa nuclear do país. Disse ele à Folha, a respeito do “acordo” entre Brasil, Turquia e Irã:
“É um mau acordo, que foi obtido por amadores com o objetivo de descarrilar o trem das sanções na ONU. Uma manobra para permitir que o Irã ganhasse tempo. Nem o premiê da Turquia nem o distinto presidente do Brasil têm experiência em negociações nucleares. É um acordo risível feito por amadores tentando marcar pontos na arena internacional. Superficialmente o acordo se parece com a proposta de outubro de 2009, mas na realidade tem muitos buracos e temas não resolvidos”.
A Marinha de Israel abordou de modo desastrado, nesta segunda-feira, uma frota de barcos carregados de militantes da causa palestina, provocando um número ainda indeterminado de mortes. Com a ação, os israelenses conseguiram atrair críticas pesadas mesmo dos EUA. Em termos de relações públicas, Israel definitivamente se aparta do resto do mundo, enquanto os palestinos ganham ainda mais apoio e cacife moral, que era precisamente o que tinham em mente os organizadores do protesto.
Nada justifica o que Israel fez, nem do ponto de vista militar nem sob o aspecto político. Ainda que se prove que alguns dos militantes estavam armados; ainda que se argumente que Israel tem direito de defender sua soberania; ainda que se mostre que, para o Hamas, quanto mais militantes morressem, melhor seria para sua estratégia de propaganda: nada disso é suficiente para explicar a desinteligência israelense.
Desde sua vitória espetacular na Guerra dos Seis Dias (1967), Israel embebedou-se de certezas morais que parecem cegá-lo para o fato de que precisa de amigos. Os EUA são os únicos amigos de Israel, mas mesmo os americanos, agora sob Obama, parecem enfastiados com as repetidas tentativas israelenses de fazer o que bem entendem, em franca desconsideração pelo que pensa o resto do mundo e mesmo pelas regras elementares do pragmatismo político. Sua ação contra os barcos pró-palestinos nesta segunda-feira enquadra-se nessa categoria de erro, e toda crítica será interpretada pelos “falcões” israelenses como parte de uma orquestração para minar o país e, por tabela, como manifestação de antissemitismo.
O episódio dos barcos terá efeitos imprevisíveis, mas já dá para estimar o tamanho do estrago para Israel e em sua capacidade de impor sua agenda nas questões do Oriente Médio.
Aconteceu, enfim: um partido formado só como piada venceu uma eleição. Reeditando o sucesso do rinoceronte Cacareco, “eleito” vereador em São Paulo em 1958, o partido “The Best”, formado em novembro do ano passado, foi o mais votado nas eleições de Reykjavik, a capital da Islândia.
Como se sabe, o país ainda não se recuperou de sua grave crise econômica, o que cria campo fértil para a contestação da política tradicional. “The Best” pegou esse espírito e, à base de uma porção de promessas esdrúxulas, escancarou a fragilidade da democracia.
Agora, os moradores de Reykjavik terão toalhas grátis nas piscinas públicas, uma Disneylândia no aeroporto da cidade e um urso polar no zoológico local, segundo a plataforma do “The Best” – liderado por Jon Gnarr, o principal comediante islandês.
Veja aqui o vídeo de campanha do partido.
Reportagem da Newsweek constata que os gays americanos que se aposentam estão se recusando a se tornar “invisíveis” – ou seja, assumem sua homossexualidade mesmo numa idade em que o preconceito é ainda maior do que em relação aos jovens homossexuais. Mais que isso: como não têm filhos que os sustentem, e geralmente são brigados com o resto da família, esses senhores se preocupam muito mais cedo com a aposentadoria, amealhando patrimônio para a velhice.
E o mercado americano já percebeu isso, oferecendo-lhes a oportunidade de morar em comunidades exclusivas para gays e, sobretudo, oferecendo planos de saúde que reconheçam os direitos dos parceiros homossexuais. “Eles querem as mesmas coisas que os aposentados heterossexuais”, diz Veronica St. Claire, que criou a Associação Gay e Lésbica para Aposentados. “Eles querem um lugar seguro e tranquilo para ficar.”
“A carga tributária do Brasil em relação ao PIB é a maior do hemisfério ocidental. E adivinhe só: o país está crescendo à beça. Os ricos estão ficando cada vez mais ricos, mas eles estão tirando as pessoas da pobreza. Há uma certa fórmula que costumava funcionar conosco e nós abandonamos – para nossa lástima, em minha opinião. Do meu ponto de vista, muitos países deviam aumentar sua arrecadação de impostos.”
HILLARY CLINTON, durante seminário no Brookings Institution. A secretária de Estado dos EUA ressaltou que falava em seu nome, e não em nome do governo.
Há duas maneiras de ler a agora famosa carta do presidente dos EUA, Barack Obama, a Lula a respeito do programa nuclear iraniano. Uma maneira é a oficial, que o Itamaraty tratou de espalhar: de acordo com essa versão, a mensagem mostra que Obama defendia o mesmíssimo acordo que subsequentemente foi alcançado por Lula em Teerã. Ao apostar nessa interpretação, o governo brasileiro tem um objetivo muito claro: pintar os EUA como intransigentes, dispostos unicamente a punir o Irã. Daqui, parte-se para a conclusão de que os americanos, no fundo, ficaram irritados porque as tais “potências emergentes” (Brasil e Turquia) se intrometeram onde não foram chamadas. Ou seja: o episódio da carta de Obama tem uma importância transcendental, ao revelar os últimos suspiros do decadente “império ianque”.
A outra maneira de ler a carta é menos militante. Em seu texto, Obama se dedica a mostrar a Lula que confiar no presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não é prudente. Como forma de provar isso, o americano relembra que a oferta anterior sobre a troca de combustível nuclear foi aceita e, depois, rejeitada por Teerã. Obama deixa claro que se refere a algo do passado, que não existe mais. A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, disse que a carta não pode ser tomada isoladamente, fora de seu contexto – o que é uma coisa óbvia, a não ser para os antiamericanos.
Diferentemente do que sustenta a versão ingênua, a carta não defende aquele acordo tal como havia sido formulado – afinal, as circunstâncias haviam mudado. Na verdade, Obama defendeu apenas o espírito daquele acordo, que visava a comprometer o Irã a respeitar as exigências da comunidade internacional no que concerne ao enriquecimento de seu material nuclear. Como o Irã, depois de assinar o acordo com Brasil e Turquia, garantiu que continuaria a enriquecer seu urânio, contrariando o que exige a ONU, ficou claro que Lula foi usado numa encenação caprichada, apenas para ganhar tempo. Nada disso escapou aos diplomatas de quase todo o Conselho de Segurança da ONU, que mantiveram viva a perspectiva de impor novas sanções ao Irã, a despeito do tal “acordo”.
Não foi apenas o governo americano que farejou trapaça no teatrinho de Ahmadinejad. As gestões contra os iranianos ganharam apoio de China e Rússia, tradicionais aliados de Teerã – Moscou chegou a acusar o iraniano de fazer “demagogia”, uma definição bastante precisa. Logo, é antiamericanismo tosco singularizar a posição dos EUA a respeito do tema, já que outros países, de diferentes matizes ideológicos, compartilham da opinião de Washington.
O vazamento da carta de Obama, que em si é uma indelicadeza diplomática, está claramente voltado para demonizar os EUA, com óbvios objetivos políticos – trata-se de mais uma tentativa do atual governo brasileiro de se afirmar por meio da oposição à Casa Branca. Mostra ainda que o Itamaraty está mais empenhado na construção do prestígio de Lula, à custa dos americanos, do que em engajar-se seriamente na resolução do impasse com o Irã. A diplomacia brasileira, que sempre se notabilizou pela inteligência, está se prestando a uma agenda que lhe é estranha e que ameaça comprometer sua boa imagem no mundo.

Saddam e seu amante, no South Park
O grupo de agentes da CIA que atuaram no planejamento da invasão do Iraque, em 2003, teve várias ideias para uma campanha psicológica cujo objetivo era desacreditar o ditador Saddam Hussein aos olhos dos iraquianos – a meta era ganhar os “corações e mentes” dos nativos para a causa de sua “libertação”. Uma das possibilidades aventadas pelos espiões foi produzir um vídeo fake no qual Saddam apareceria fazendo sexo com um adolescente. A intenção era “inundar o Iraque com esses vídeos” do “Saddam gay”, conta o blog de Jeff Stein no Washington Post.
Um vídeo chegou a ser feito: mostrava um Osama bin Laden bêbado divertindo-se com garotões em volta de uma fogueira. Segundo os agentes ouvidos pelo blog, os atores escolhidos tinham “a pele escura”.
O projeto não foi adiante porque enfrentou oposição da chefia da CIA. Segundo um ex-agente, as ideias eram de arapongas que haviam feito carreira na América Latina e no leste da Ásia e que não conheciam nada da realidade do Oriente Médio.
“Mostrar Saddam brincando com meninos não teria nenhum efeito no Oriente Médio. Simplesmente ninguém lá dá a mínima para isso”, disse outro ex-agente. “Pensar numa campanha como essa mostra total desconhecimento do alvo. Nós (americanos) sempre achamos que os nossos tabus são tabus universais, quando, na verdade, eles são apenas os nossos tabus.”
Thomas Friedman, um dos principais articulistas políticos dos EUA, enfim comentou o apoio dado por Lula e pelo governo turco ao Irã. E ele não deixou dúvida sobre o que viu:
“Turquia e Brasil são ambas nascentes democracias que superaram um histórico de ditadura militar. Por isso, o fato de seus líderes apoiarem um presidente iraniano que usa seu Exército e sua polícia para reprimir e matar democratas iranianos – pessoas que estão buscando a mesma liberdade de expressão e de escolha política que turcos e brasileiros agora desfrutam – é vergonhoso”.
Para Friedman, aqueles que hoje defendem os “direitos” de um regime tirânico como o dos aiatolás iranianos terão de prestar contas à história quando a democracia enfim florescer no Irã.
Texto de João Pereira Coutinho publicado nesta terça-feira, na Folha. Com a devida licença:
Noam Chomsly foi impedido de entrar em Israel. Ocorreu na semana passada: o famoso linguista do M.I.T. desejava entrar no país. Para ensinar na Universidade Birzeit, em Ramallah, e ter um encontro com o premiê da Autoridade Palestina, Salam Fayyad.
Um guarda travou os intentos de Chomsky, interrogou o octogenário durante horas e disse-lhe no fim: Israel não gosta do que você escreve.
O ministro do Interior israelense, instado a comentar a atitude do guarda, afirmou tratar-se de um “mal-entendido”. E garantiu que a autorização da entrada de Chomsky seria “reavaliada”.
Chomsky não deseja ser “reavaliado”, muito menos por um governo que ele compara regularmente com o regime sul-africano em pleno apartheid. Ou, pior, com a União Soviética: em declarações ao jornal “Haaretz”, disse o professor que o comportamento de Israel fazia lembrar o Kremlin do camarada Stálin.
A comparação talvez soe um pouco excessiva, uma vez que Chomsky não foi fuzilado de imediato ou, em alternativa, enviado para um campo de concentração na Sibéria local. Mas entendo o estado de espírito do professor Chomsky.
Entendo e solidarizo-me com ele: a ser verdade que o Estado de Israel impediu conscientemente a entrada de Chomsky no território, a atitude é lamentável. E lamentável porque constitui uma negação da democracia pluralista que Israel representa -coisa única no Oriente Médio.
Os textos e as posições de Chomsky contra Israel não são do agrado das autoridades? Fato. Como também é um fato que não deve fazer as delícias de Israel as defesas que Chomsky fez de negacionistas do Holocausto, como o infame Robert Faurisson, que teve um prefácio do norte-americano num dos seus livros antisemitas.
Mas pretender punir os críticos externos de qualquer regime, por mais extremistas ou lunáticos que esses críticos sejam, deve merecer o repúdio de qualquer alma liberal que se preze.
Pena que essas almas não abundem por aí. Ou, melhor, só abundam em determinadas situações.
Apareceram agora, com o caso Chomsky, prontas a cavalgar a onda antisionista. Nunca aparecem, por exemplo, quando universidades ocidentais desejam boicotar acadêmicos israelenses com o intuito de os impedir de ensinar como forma de punição pelas ações do governo de Israel. Chomsky, nesse capítulo, tem sido exemplar no incitamento ao boicote, no M.I.T. ou em Harvard.
Curiosamente, essa forma de intolerância não perturba os humanistas. E, no entanto, ela sempre me pareceu mais grave e mais insidiosa do que a mera interdição de entrada a Chomsky.
No caso do professor, existe pelo menos um comportamento público do personagem que podemos singularizar: uma oposição feroz a Israel, muitas vezes com termos de uma profunda violência moral. Nada disso justifica ações de retaliação, repito. Mas essas ações não nascem do nada: elas são uma reação a qualquer coisa de tangível.
O boicote a acadêmicos israelenses nada tem de tangível ou racional. É sempre uma atitude covarde e impessoal, destinada a punir de forma indiscriminada categorias inteiras de seres humanos.
Imitando o pior do pensamento totalitário, os boicotes regularmente promovidos por humanistas como Chomsky enfiam no mesmo saco indivíduos de procedências distintas, com formações e até posições distintas face ao governo de Israel.
Não existem dois israelenses iguais, como não existem dois brasileiros iguais. E é até provável, tendo em conta o pluralismo intrínseco da sociedade de Israel, que dois israelenses tenham posições radicalmente contrárias sobre o conflito com os palestinos. Basta ler os jornais do país, a sua literatura, o seu cinema.
Mas isso não perturba a grosseira estupidez dos intolerantes. Como nos piores momentos do século 20, a punição é coletiva: ser “israelense” é sempre um crime, tal como na Alemanha do Reich já era um crime ser “judeu”. As patrulhas julgam, condenam e fuzilam. A identidade do réu; sua história; sua eventual defesa -nada é considerado nos julgamentos sumários da Academia.
Impedir Chomsky de entrar em Israel é um ato vergonhoso; impedir qualquer israelense de ensinar nas universidades ocidentais é um ato imoral. Tão imoral como discriminar povoações inteiras de negros simplesmente porque são negros.
A mentalidade do apartheid existe, sim, mas não onde Chomsky imagina.
A China quer ter um hotel 7 estrelas, a exemplo do Burj Al Arab, em Dubai. A extravagância vai se chamar Haikou Millennium Hotel e será construída numa ilha artificial, como dá para ver na ilustração acima. O projeto está orçado em US$ 408 milhões.
Segundo o Diário do Povo, o hotel terá um serviço de empregados 24 horas, uma “reminiscência da antiga sociedade aristocrática inglesa”.
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