
Sulzberger: feminino? Foto – Divulgação
O Wall Street Journal, de Rupert Murdoch, tem trabalhado duro para minar o império do New York Times, de Arthur Sulzberger. A guerra é comercial – recentemente, soube-se que o WSJ terá um caderno de negócios voltado para a cidade de Nova York, o coração do concorrente. Mas há espaço também, claro, para golpes menos ortodoxos.
A primeira página do Journal’s Weekend, suplemento do WSJ, trouxe uma reportagem a respeito da preferência das mulheres por homens de traços “femininos”. Um quadro mostra fotos de vários desses homens – e um deles, acredite, é Arthur Sulzberger.
Como diz a Vanity Fair, não é a primeira vez que Murdoch ridiculariza seu rival, mas parece que os limites do magnata da mídia estão ficando bastante largos nessa “guerra psicológica”.
Tony Judt é um dos mais importantes historiadores que o Reino Unido já produziu. Sua obra mais conhecida no Brasil é o monumental “Pós-Guerra – Uma História da Europa desde 1945”. Conhecido por suas críticas aos pós-modernistas, aos comunistas e a Israel, Judt sofre de esclerose lateral amiotrófica, doença neurológica degenerativa que o torna dependente de terceiros para fazer tudo na vida. Talvez por causa da atrofia progressiva de seu corpo e de sua mente, ele decidiu escrever uma espécie de “testamento” antes que sua capacidade de se comunicar cesse. O texto, uma reflexão sobre os problemas políticos e sociais atuais, começa assim:
“Há algo profundamente errado no modo como vivemos hoje. Nos últimos 30 anos fizemos da busca de interesses materiais privados uma virtude: de fato, essa mesma busca constitui agora o que restou de nossos propósitos coletivos. Nós sabemos o quanto custam as coisas, mas não temos ideia do quanto elas valem. A qualidade materialista e egoísta da vida contemporânea não é inerente à condição humana. Muito do que aparenta ser ‘natural’ hoje data dos anos 80: a obsessão pela criação de riqueza, o culto à privatização e ao setor privado, a crescente disparidade entre ricos e pobres; E, acima de tudo, a retórica que acompanha tudo isso: admiração acrítica dos mercados livres, desdém pelo setor público, ilusão do crescimento sem fim. Não podemos continuar vivendo assim”.
A partir desse ponto, Judt faz uma crítica à social-democracia (britânica, claro, mas que serve também à brasileira, que nela se inspirou). Ele afirma que essa corrente continua sendo a melhor opção entre as existentes, mas diz que isso já não é o bastante para realizar as necessárias reformas do Estado. A busca pela eficiência e pela produtividade, mantra dos governos social-democratas nos anos 90, não terá efeito se não vier acompanhada da ampliação das conquistas sociais, diz Judt. A busca pela igualdade deve ser uma finalidade política. “Se permanecermos grotescamente desiguais, perderemos todo nosso senso de fraternidade”, escreve o historiador, para quem a fraternidade é a condição necessária à própria política. E seu texto termina assim:
“George Orwell notou certa vez que o que atrai os homens comuns ao socialismo e os faz arriscar sua pele por isso é a ‘mística’ do socialismo, a ideia de igualdade. Ainda é assim. É a crescente desigualdade dentro e entre as sociedades que gera tantas patologias sociais. Sociedades grotescamente desiguais são também sociedades instáveis. Elas geram divisões internas e, cedo ou tarde, conflitos internos, que geralmente terminam em soluções antidemocráticas. Como cidadãos de uma sociedade livre, temos o dever de olhar criticamente para o nosso mundo. Mas isso não é o suficiente. Se achamos que sabemos o que é errado, temos de agir de acordo com esse conhecimento. Os filósofos, como já se observou, têm se limitado até agora a interpretar o mundo; é hora de mudá-lo”.
Diferenças culturais são uma coisa divertida.
A União Europeia acaba de autorizar uma cervejaria alemã a registrar o nome “Fucking Hell” para um de seus produtos, informa a Der Spiegel. Em inglês, trata-se de uma expressão pouco elegante. Em alemão, porém, “hell” é a cerveja clara – a conhecida “loura”, para os brasileiros. E “Fucking” é o nome de um vilarejo austríaco – cujo prefeito ficou furioso com a história.
Para a UE, porém, “a combinação de palavras não contém nenhuma indicação semântica que possa fazer referência a uma pessoa ou a um grupo de pessoas”. Ah, bom.
Um artigo corajoso, o que Maureen Dowd publicou no New York Times a respeito do interminável escândalo de pedofilia na Igreja Católica. Como solução para a epidemia de padres pedófilos, ela sugere que a Igreja passe a permitir a ordenação de mulheres. Mais: ela diz que a inacreditável omissão de Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, ao ser informado sobre casos escabrosos – como o do padre que abusou de 200 meninos surdos –, não aconteceria se o papa fosse uma mulher.
“As freiras, historicamente, têm limpado a bagunça dos padres”, escreveu Dowd. “E essa é uma bagunça histórica. Bento XVI deveria ir para sua casa na Baviera. E os cardeais deveriam enviar fumaça branca pela chaminé, proclamando ‘Habemus Mama’.”
Dowd não é a primeira voz com peso na imprensa a pedir a, digamos, “demissão” do papa diante do escândalo. A revista alemã Der Spiegel publicou recentemente um texto que dizia o mesmo a respeito de seu compatriota no Vaticano. “Por que o papa ainda está no cargo?”, perguntou Peter Wensierski no artigo. Para ele, assim como para Dowd, o “Rottweiler de Deus” está perdendo a autoridade moral para dizer o que os católicos devem ou não devem fazer.
Enquanto isso, Bento 16 disse neste domingo que não se intimidará diante de “fofocas sem importância”.
É muito provável que a justiça tenha sido feita no caso da menina Isabella. Havia evidências suficientes para condenar o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, pelo cruel assassinato da filha de Nardoni. Há, contudo, aspectos perturbadores no que diz respeito à reação de parte da sociedade não só ao crime, mas ao processo e, sobretudo, a seu desfecho.
Os rojões que algum infeliz teve ideia de soltar quando saiu o veredicto ressoaram como uma terrível lembrança de patologias sociais latentes. Não se comemorava “justiça”, que todo cidadão deve prezar e desejar, mas sim “vingança”. Se não houvesse os muros do tribunal e a corrente de policiais entre a massa e os réus, certamente teria havido linchamento.
A agravante é que, estimulada pela mídia sensacionalista, essa massa parecia não distinguir realidade de ficção. Esperava-se o desfecho do caso como um dia de eliminação do Big Brother Brasil. Houve uma emissora de TV que, horas antes do veredicto, pôs no ar uma enquete para que o telespectador decidisse se o casal era “culpado” ou “inocente”. O linchamento, que poderia ser físico, se deu de modo virtual.
Uma sociedade que assim se comporta é cúmplice da violência que supostamente repudia. Mesmo sem antecedentes criminais, os réus foram mantidos presos durante dois anos, até seu julgamento, sob o argumento de que era necessária a “preservação da ordem pública” e também porque havia um “clamor público” causado pelo crime. Ou seja: a vingança parece ter começado antes do julgamento. É a confissão da falência do sistema.
Os desocupados que foram à porta do tribunal clamar pelo sangue do casal Nardoni tinham consigo o conforto moral que somente as massas fascistas possuem. Não havia entre eles nenhum traço de dúvida ou de contestação a respeito do caso, somente certezas. O prazer de assistir à condenação de dois assassinos de uma menininha conferiu a eles uma sensação de poder que em seu dia a dia lhes é sistematicamente negada. Depois de satisfazer sua sede de vingança, os desocupados se dispersaram e voltaram a seus afazeres medíocres. Sumidos no anonimato e em sua apatia bovina, eles continuarão sem reação ante as verdadeiras injustiças de seu cotidiano.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, parece que se cansou, ele mesmo, da farsa que montou no país e a que dá o nome de “democracia”. Até agora, os opositores do regime geralmente vinham sendo presos por “sonegação de impostos” ou outra desculpa esfarrapada qualquer. Isso mudou: Guillermo Zuloaga, presidente da rede de TV Globovisión, foi preso nesta quinta-feira sob a acusação de ter “ofendido” Chávez. Ou seja: cometeu crime de opinião.
A “ofensa” de Zuloaga foi formulada em declarações feitas em reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa, em Aruba, na semana passada. “Não se pode falar em liberdade de expressão em um país quando o governo usa a força para fechar meios de comunicação”, discursou Zuloaga na ocasião. “O presidente Chávez ganhou umas eleições e conta com legitimidade de origem, mas tem se dedicado a ser o presidente de um grupo de venezuelanos, dividindo os cidadãos.”
O pedido de prisão foi feito pela Assembleia Nacional. A presidente desse pseudo-Parlamento a serviço do chavismo, Cilia Flores, disse que há uma “campanha internacional” da direita venezuelana em favor de Zuloaga, com vista a evitar a “grande vitória do povo” nas eleições do dia 26 de setembro. Ou seja: apelou à surrada tese de conspiração golpista para justificar a perseguição a quem discorda de Chávez. “A Venezuela se respeita, não é o quintal de ninguém, e esses porta-vozes (da direita) não têm nenhuma qualidade para questionar o país”, discursou a deputada, negando a um cidadão venezuelano o direito de criticar seu governo.
Para Flores, claro, não há presos políticos na Venezuela: “O que há é justiça”. O presidente Lula certamente há de concordar.
Acaba de ficar claro, se é que alguém era suficientemente ingênuo para crer no contrário, que o Brasil não tem a menor condição de exercer alguma influência sobre o Irã. Ficou-se sabendo nesta quarta que Rússia e China pediram que Teerã aceitasse o acordo com a ONU sobre seu projeto nuclear – que, na prática, o impediria de ter um arsenal atômico. Mas o regime iraniano ignorou solenemente a pressão.
Ora, se China e Rússia não conseguem convencer o Irã a colaborar, o que faz o presidente Lula pensar que o Brasil conseguirá? Em uma palavra: megalomania.
A floresta de Darwen, pequena cidade inglesa, era usada pelos jovens moradores locais como aconchegante ambiente para sexo casual. Diante disso, as autoridades não tiveram dúvida: mandaram derrubar as 6.000 árvores, para acabar com a pouca-vergonha.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Londres anunciou uma experiência bem-sucedida para observar a atividade cerebral relativa a traços de memória. Trocando em miúdos, trata-se de um scanner capaz de “ler a mente”, mostra o La Repubblica.
Na experiência, voluntários foram convidados a relembrar cenas de pequenos filmes que haviam visto momentos antes. O scanner foi capaz de decodificar esses traços de memória e “adivinhar” o pensamento dos participantes.
Os pesquisadores advertem que a pesquisa está apenas no início. Mas não é difícil imaginar suas imensas possibilidades de utilização no futuro.
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