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Marcos Guterman

A Suíça tem 400 mil muçulmanos numa população de 7,5 milhões de habitantes. Não parece muito, mas foi o suficiente para levar 57% dos suíços a dizer “sim” à proposta esdrúxula de proibir a construção de minaretes – as torres características das mesquitas. Esdrúxula porque há pouquíssimos minaretes na Suíça e porque os muçulmanos que vivem no país são, em sua maioria, seguidores moderados da religião. Nada disso importa. O que interessava a quem fez a proposta – a extrema direita suíça – e a quem aprovou foi mandar uma mensagem: a de que o avanço do islamismo na Europa está causando medo.

Por temer eventuais processos por violação de direitos humanos, o governo suíço, que se opôs à medida, mandou mensagem aos muçulmanos enfatizando que ela não significa perseguição. Mas a Suíça está longe de ser caso isolado na Europa: a França também discute o banimento de um símbolo islâmico, o véu das mulheres, e a Alemanha já debateu os minaretes.

A crescente presença islâmica no continente parece ressuscitar velhíssimos fantasmas religiosos europeus. E a reação não vem mais em forma de cruzadas, claro, mas de decisões judiciais e políticas.

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O governo iraniano mandou às favas a exigência da ONU para interromper o trabalho numa usina de enriquecimento de urânio que tentou manter secreta. Além disso, anunciou neste domingo sua disposição de construir dez outras, conforme mostra o New York Times.

Pois é esse mesmo Irã que o governo Lula defende. Como comentou o Washington Post, Lula está fazendo uma força danada para dar razão a seus críticos.

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Obama com os penetras: tão pertinho…

Michaele e Tareq Salahi, o casal de penetras que causou furor por ter entrado numa recepção na Casa Branca, chegaram a cumprimentar Obama na ocasião, como mostra a foto acima.

A imagem acrescenta ainda mais constrangimento ao serviço secreto americano, responsável pela segurança do presidente americano – que esteve à mercê de um par de desconhecidos.

Mark Sullivam, diretor do serviço secreto, reconheceu o óbvio: que “os protocolos não foram seguidos”.

Foto Samantha Appleton/Casa Branca, via Associated Press

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Lula convidou oito presidentes da região amazônica, além do presidente francês, Nicolas Sarkozy, para uma cúpula sobre o clima, em Manaus. O presidente brasileiro estava tão empenhado no sucesso do encontro que telefonou pessoalmente aos colegas. Mas o “cara” levou um cano coletivo: apenas o presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, e Sarkozy vieram. Considerando-se que o francês só deu as caras porque está interessado em vender aviões a Lula, pode-se dizer que foi um fiasco nunca antes visto na história deste país.

O constrangimento é ainda maior porque aconteceu no momento em que o governo Lula dá evidentes sinais de que se julga capaz de exercer influência em assuntos de grande envergadura, como a questão do Oriente Médio. Pode ter sido só um episódio isolado, mas pode também sinalizar que ainda há um longo caminho até que o Brasil seja realmente um “player” diplomático de peso. Ou alguém consegue imaginar gente do calibre de Obama, Medvedev, Brown, Hu e Sarkozy passando vexame semelhante?

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Nos anos 50, o mágico John Mulholland recebeu US$ 3 mil da CIA para escrever um manual de truques para o trabalho dos espiões. Acreditava-se que todos os exemplares dessa preciosidade tivessem desaparecido, mas o texto foi recuperado e está disponível inclusive na Amazon.

No manual, há lições sobre como colocar pílulas na bebida de alguém, como esconder um parceiro dentro de uma caixa e como se comunicar por meio do cadarço do sapato, como dá para ver na ilustração abaixo, publicada no Boston Globe:

Uma parte fundamental do manual de truques da CIA é como mudar a expressão facial para não despertar suspeitas. A ideia é parecer meio bocó.

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As crenças religiosas são favorecidas pela seleção natural e estão encravadas nos circuitos cerebrais humanos desde antes da dispersão dos nossos ancestrais a partir da África. É o que sustenta o jornalista Nicholas Wade, do New York Times, no livro “The Faith Instinct: How Religion Evolved and Why It Endures”.

Para Wade, esse aspecto “genético” da religião explica por que razão ela está presente em todo o desenvolvimento das sociedades em qualquer parte do mundo. Em sua opinião, a religiosidade confere coesão social – que pode ser usada para o bem ou para o mal.

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O governo Lula não se constrangeu em receber o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, um negador do Holocausto que preside um regime que persegue minorias religiosas e sexuais, prende e tortura opositores e frauda eleições. Para quem o critica por seu silêncio a respeito desses temas, Lula diz tratar-se de “questões internas” do Irã, que não interessam ao Brasil.

No entanto, o mesmo governo Lula não se constrangeu em interferir em questões internas do Uruguai, ao manifestar apoio a um dos candidatos à Presidência daquele país. Além de deselegantes, atitudes como essa revelam uma tentação imperialista que não condiz com a história republicana do país.

Lula precisa decidir qual é a política externa brasileira, sob pena de jogar fora décadas de trabalho na construção da credibilidade de que ainda desfruta nossa diplomacia.

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Não é difícil saber quem saiu ganhando com a problemática visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil. Pressionado pelas maiores potências mundiais a respeito de seu programa nuclear e enfrentando graves problemas internos, o regime iraniano precisa desesperadamente criar fatos para sair de seu isolamento. Lula, prestativo, deu uma mãozinha preciosa.

Até aqui, o Irã contava somente com o apoio de países exóticos ou párias. Nem mesmo a Rússia e a China, movidos exclusivamente por interesses comerciais, conseguem dar sustentação irrestrita aos iranianos. Agora, depois que o Brasil estendeu o tapete vermelho a Ahmadinejad, Teerã passou a ter a seu lado a força de uma potência emergente e com livre trânsito nos corredores da diplomacia mundial. Não é pouca coisa. Some-se a isso o fato de que o governo Lula não condenou publicamente as ameaças genocidas de Ahmadinejad contra Israel – manifestadas não somente em declarações públicas, mas no financiamento a grupos terroristas cujo objetivo é destruir o Estado judeu – e teremos o melhor dos mundos para o presidente iraniano.

Por outro lado, para o Brasil, fica o duvidoso bônus de surgir como “mediador” nas questões que envolvem o Irã e o Oriente Médio. Duvidoso, entre outras razões, porque o Brasil não tem força militar para servir como elemento de dissuasão. Na hipótese plausível de Ahmadinejad ignorar eventuais apelos do Brasil para que desista de se comportar como delinqüente, qual poderia ser a resposta brasileira? Como o Brasil espera convencer o Irã a respeitar as regras da boa convivência internacional? Com um bom bate-papo na Granja do Torto? Ou com mais um “jogo da paz” com a seleção brasileira?

Não se pode condenar o Brasil por perseguir o diálogo, mesmo com aqueles países que usam essa oportunidade para alimentar inconfessáveis projetos de poder. No entanto, e exatamente por essa razão, há níveis de contato diplomático que o Brasil poderia ter experimentado com o Irã antes de seu presidente oferecer publicamente abraços, sorrisos e bons negócios.

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Preocupado com o clima sorumbático que se abateu sobre Teerã depois das controversas eleições presidenciais e da repressão a dissidentes, a prefeitura local resolveu criar “clubes do riso“. São lugares em que os iranianos vão tentar recuperar sua “capacidade de rir”, a partir de terapia importada da Índia.

Se a idéia funcionar, bem que poderíamos adotá-la aqui no Brasil. Seria muito útil nesta segunda-feira, quando receberemos o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Talvez assim consigamos rir quando ele reiterar seu desejo de ver Israel sumir do mapa, quando ele voltar a negar o Holocausto e quando ele jurar que não quer a bomba atômica.

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O ministro da Justiça, Tarso Genro, sugeriu que Cesare Battisti – ativista político condenado pela Justiça italiana por homicídio – não deveria ser extraditado porque a Itália está tomada de crescente fascismo, e isso poderia agravar a perseguição ao esquerdista. Disse Tarso: “A Itália não é um país nazista nem fascista, mas vem sendo constatado um crescimento preocupante do fascismo em parte da população italiana. O fascismo vem ganhando força inclusive em setores do governo”.

Quanto à Itália, Tarso está certo. A atual coalizão de governo é integrada pelos chamados partidos “pós-fascistas”, como a Liga Norte e a Aliança Nacional, xenófobos e nacionalistas ao extremo. O próprio premiê Silvio Berlusconi já chegou a dizer que o ditador Benito Mussolini não tinha sido “tão mau assim“. Os resultados da última eleição parlamentar, em abril de 2008, mostraram um avanço considerável da direita. Talvez isso tudo explique por que o mundo político italiano nem reagiu às declarações de Tarso – e, afinal, a relação da Itália com seu passado fascista é suficientemente ambígua para que poucos italianos se ofendam com isso.

Por outro lado, a Itália é uma democracia e suas instituições funcionam razoavelmente bem, pelo menos tão bem quanto as do Brasil de Tarso Genro. Achar que o esquerdista Battisti possa ser vítima de perseguição política porque o governo é de direita, como fez Tarso, é, isso sim, ofensivo. Seria o mesmo que supor que Tarso, ex-militante comunista, deixou-se guiar por sua ideologia, e não por critérios jurídicos, ao entregar os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara à ditadura cubana, mesmo sabendo que os dois seriam tratados como dissidentes por Havana.

Assim, se não há razões para acreditar que Tarso agiu segundo suas convicções políticas, não é correto concluir, como fez o ministro, que o governo e a sociedade da Itália irão perseguir Battisti por causa de divergências ideológicas.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

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