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Marcos Guterman

O anti-semitismo teima em se revelar no drama hondurenho. Depois que o presidente deposto Manuel Zelaya acusou o “Estado judeu” de querer matá-lo, foi a vez do diretor da Rádio Globo, que foi fechada por apoiar Zelaya, atacar os judeus. David Romero disse, em entrevista, que Hitler deveria ter “cumprido sua missão histórica”, que era “terminar com essa raça”. Para Romero, os judeus “causam dano” a Honduras.

menos de 50 famílias de judeus em Honduras, mas isso parece irrelevante para as teorias da conspiração do anti-semitismo bolivariano – usado basicamente como instrumento político pelos chavistas. Por isso, as declarações de Romero e Zelaya não deveriam surpreender.

Abaixo, os principais trechos do “raciocínio” da base zelaysta:

“Hay veces que me pregunto si Hitler no tuvo, tuvo la razón de haber terminado con esa raza con el famoso Holocausto. Si hay gente que hace daño en este país son judíos, los israelitas. Yo quiero esta tarde aquí en Radio Globo decir, con nombre y apellido, quienes son los dos oficiales del ejército judío que están trabajando con las Fuerzas Armadas de nuestro país y que se están encargando de hacer todas estas actividades de conspiración y acciones encubiertas y todo lo que le está pasando al Presidente de la República.

Después de que me he enterado me pregunto por qué, por qué no dejamos a Hitler que cumpliera su misión histórica. Discúlpenme la expresión grotesca de repente. Pero me pregunto después de que me doy cuenta de esto y muchas cosas más. Yo creo que debió haber sido justo y valedero que Hitler hubiese terminado su visión histórica”

As declarações de Romero podem ser ouvidas abaixo:

Dica preciosa do blog Olhos da Eternidade, do nosso amigo Justo.

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Em sua coluna de hoje na Folha, Elio Gaspari sustenta que Lula está certo ao defender a volta imediata de Manuel Zelaya ao poder em Honduras. Para ele, os que depuseram Zelaya “encarnam a praga golpista que infelicitou a América Latina por quase um século”, razão pela qual “Lula não deve ter azia com os ataques que sofre por conta de sua ação”.

É difícil discordar de Gaspari. A história mostra que o Brasil, cujo peso na América Latina é indiscutível, sempre teve papel crucial na preservação das democracias do continente. Por esse motivo, a atitude de Lula, de defender firmemente o restabelecimento do governo eleito de Honduras, é incontestável.

Mas nem sempre as coisas são como parecem, em se tratando de América Latina. Em primeiro lugar, está claro que Lula apóia a democracia só quando lhe convém. Senão, como aceitar o fato de que ele se aproximou de gente do quilate de Kadafi, Mugabe e Bashir? Ora, a democracia não deveria servir para todos?

Em segundo lugar, e isso é o mais importante, parece que os conceitos políticos estão embaraçados propositalmente, de modo a atender interesses retóricos. Há quem diga que o caso hondurenho criou a figura do “neo-golpe”, porque não foi um golpe clássico, mas sim um golpe feito de acordo com “a lei”. Por esse raciocínio, podemos dizer também que os governos “bolivarianos” da América Latina – e Zelaya queria se juntar a eles – são “neo-ditaduras”, porque não são ditaduras clássicas, mas sim regimes de exceção que se estabeleceram e se consolidaram com respaldo das “regras democráticas”.

Ou seja, o caso de Honduras é apenas o sintoma de um momento de confusão institucional na América Latina, muito longe de ser acidental, como a comprovar a persistente fragilidade da própria idéia de democracia no continente.

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O Brasil caminha a passos largos para se tornar potência mundial relevante, se é que já não chegou lá. A julgar pelos acontecimentos em Honduras, porém, o país ainda precisa de um tempo para aprender a lidar com esse poder.

Na última reunião da OEA, o embaixador brasileiro irritou-se com a falta de consenso a respeito de Honduras e disse que a entidade “está caminhando para um absoluto estado de irrelevância“. Lembrou os melhores tempos de George W. Bush, quando o presidente americano declarou, pouco antes da invasão do Iraque, que a ONU corria o risco de se tornar uma “sociedade de debate irrelevante e ineficiente” se não se juntasse ao esforço americano contra Saddam Hussein.

O governo brasileiro, encastelado em suas certezas, parece ter concluído que aqueles que não apóiam suas posições a respeito de Honduras estão contra a história. É mais ou menos como pensava Bush, com sua “clareza moral”. O problema é que o bom senso manda que se tenha cautela diante da complexidade do caso hondurenho, e a falta de uma posição comum na OEA talvez reflita essa dificuldade. É hora de seguir a tradição diplomática brasileira em favor do diálogo, e não de dizer, como Bush: “Ou estão conosco, ou estão contra nós”.

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Finalmente alguém deu às coisas os nomes corretos: o embaixador dos EUA na OEA, Lewis Amselem, disse que a volta de Manuel Zelaya a Honduras sem um prévio acordo foi uma atitude “irresponsável“. O caso todo pode desembocar num banho de sangue – e, como disse Amselem, os países que facilitaram o retorno de Zelaya (leia-se Brasil e Venezuela) terão de se responsabilizar por isso.

O problema todo é que Zelaya transformou a Embaixada do Brasil em bunker, a partir do qual montou um teatro de péssima qualidade – como se fosse o “astro de um filme antigo”, na feliz definição de Amselem. O deposto disse até mesmo que está sendo torturado por “mercenários israelenses“, o que mostra o nível pedestre da encenação.

Zelaya não poderia ter sido destituído da forma como foi, e a pressão internacional por seu restabelecimento é correta, mas o Brasil não pode se deixar usar como palanque para um incendiário – que, de resto, foi defenestrado do poder porque tinha o objetivo de se transformar no Chávez da América Central.

O chanceler Celso Amorim já pediu que Zelaya calasse a boca, mas é perda de tempo, porque ele sabe que só sua estridência manterá o caso em evidência.

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O governo cubano começa a desmontar a imensa estrutura paternalista que garante tudo subsidiado para os trabalhadores do país há décadas. O motivo é simples: a economia não suporta mais.

A alimentação gratuita será o primeiro ponto a ser modificado – os funcionários receberão um reforço no salário em troca do fim do fornecimento. Além disso, a famosa “libreta de racionamiento”, instrumento para racionar alimentos e produtos de consumo em larga escala, usado desde 1962, também deve ser abandonada. Só os mais necessitados continuarão a ter o direito.

“É preciso eliminar os gastos que são simplesmente insustentáveis, que têm crescido ano a ano e que, além disso, estão fazendo com que as pessoas sintam que não têm necessidade de trabalhar”, disse Raúl Castro.

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O Irã escondeu durante anos dos inspetores internacionais uma instalação para processar combustível nuclear. A revelação foi feita pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para quem o programa secreto iraniano “é um desafio direto aos fundamentos da não-proliferação”. A comunidade internacional, pelo menos a sua parte adulta, prepara novas sanções ao Irã, por razões evidentes.

É com esse país que o Brasil quer fazer negócios, e que o presidente Lula chamou de “grande sócio“.

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Um informe jurídico preparado para o Congresso dos EUA diz que a destituição de Manuel Zelaya respeitou a Constituiçao hondurenha e que, portanto, não se pode falar em golpe de Estado. Já a expulsão de Zelaya do país foi ilegal, diz o relatório.

O deputado republicano Aaron Schock, que divulgou o informe, defendeu que os EUA restabeleçam o envio de recursos a Honduras e que haja anistia geral para os envolvidos no caso.

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Como anunciado, o presidente Lula encontrou-se nesta quarta-feira em Nova York com seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Deu-lhe um caloroso aperto de mão e, em entrevista posterior, disse que “não é constrangimento nenhum” reunir-se com Ahmadinejad, que há alguns dias declarou que o Holocausto é uma “mentira”. Para Lula, o fato de o presidente iraniano negar o Holocausto “é problema dele” e “não compromete as relações com o Brasil”. Lula considera o Irã de Ahmadinejad, alvo de pesadas sanções comerciais e financeiras da comunidade internacional, um “grande sócio“.

Felizmente, outros governos não pensam como o de Lula. Durante o discurso de Ahmadinejad na ONU, representantes de vários países se retiraram em protesto. Entre os que manifestaram seu repúdio estava o delegado da Alemanha, justamente o país que arquitetou o Holocausto, a catástrofe humana cuja veracidade foi questionada de modo obsceno pelo iraniano.

É uma prova de que, mesmo em diplomacia, mesmo invocando-se interesses comerciais, há coisas que deveriam ser consideradas inaceitáveis.


Aqui, Lula cumprimenta Ahmadinejad, o “grande sócio” do Brasil

Dida Sampaio/Agência Estado


Aqui, o representante da Alemanha se retira durante o discurso de Ahmadinejad na ONU

Justin Lane/Efe


Aqui, Ahmadinejad destila seu ódio para um plenário vazio

Peter Foley/Efe

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O presidente Lula aceitou receber em Nova York a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. É difícil saber o que o Brasil tem a ganhar ao tirar Ahmadinejad do isolamento diplomático, principalmente na semana em que o iraniano reafirmou seu anti-semitismo ao negar o Holocausto.

A diplomacia do governo Lula parece entender que considerações morais não podem atrapalhar o projeto de tornar o Brasil um protagonista geopolítico.

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O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, voltou ao país e refugiou-se na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. O governo brasileiro jura de pés juntos que não sabia dos planos de Zelaya. A versão, confusa demais para que se acredite nela sem reservas, é plausível apenas se considerarmos o histórico atabalhoado do candidato a caudilho bigodudo. A escolha da missão brasileira não foi casual: o Brasil parece disposto a fazer o que for possível para restabelecer o governo de Zelaya e, ademais, buscar ajuda do Brasil é muito diferente de buscar ajuda da Venezuela chavista. A óbvia identificação de Zelaya com Chávez já lhe custou o cargo.

Do lado brasileiro, resta saber o que o Brasil ganha ao dar abrigo a Zelaya, intrometendo-se diretamente na política interna de outro país – logo o Brasil de Lula e Celso Amorim, tão orgulhoso em sua defesa da “autodeterminação dos povos”.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

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