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Marcos Guterman

Um site na Alemanha, o spickmich.de, tornou-se febre no país ao permitir que alunos, protegidos pelo anonimato, avaliassem seus professores. As notas são as mesmas dadas nas escolas aos estudantes – de 1 a 6, sendo 6 a pior avaliação.

Uma professora de alemão cuja média ficou em 4,3 entrou na Justiça para pedir a suspensão do site, sob o argumento de que invadiu sua privacidade. Na terça-feira, o tribunal considerou sua reclamação improcedente – a liberdade de expressão dos alunos, nesse caso, é soberana.

Para a maior parte da imprensa alemã, a decisão foi correta. Afinal, se hotéis e restaurantes podem ser avaliados pelos consumidores anônimos em sites na internet, professores também podem.

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O YouTube acaba de inaugurar uma página em que reúne depoimentos de jornalistas americanos sobre técnicas e dicas de reportagem. É um achado – funciona como uma escola virtual. Entre os “professores” estão gente do calibre de Bob Woodward, Nicholas Kristof e Ariana Huffington.

A idéia do YouTube é ajudar os chamados “jornalistas cidadãos” a melhorar a qualidade do que difundem. Ou seja: para o bem ou para o mal, a atividade jornalística cada vez mais tende a ser apreendida longe das escolas formais.

A página pode ser vista AQUI.

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O governo americano enviou ajuda militar urgente à Somália, que luta contra milícias islâmicas apoiadas pela Al Qaeda. O temor, óbvio, é que os muçulmanos fundamentalistas tomem o poder, como fizeram no Afeganistão, e transformem o estratégico país no Chifre da África num novo abrigo do terror.

A Somália, abandonada pela comunidade internacional, não tem governo formal desde 1991. A administração do país é feita por um consórcio de forças mediadas pela ONU.

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O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi deposto no domingo pelo Exército, a pedido do Judiciário. Em linhas gerais, foi um golpe de Estado, pronta e adequadamente condenado pela comunidade internacional, inclusive pelos EUA, cuja história de influência sobre Honduras não é nada edificante.

Dito isso, é preciso, no entanto, olhar o caso de perto e perceber que a coisa não é assim tão simples. Seguindo o modelito chavista, Zelaya estava a caminho de dar ele mesmo um golpe de Estado, ao mudar a Constituição para se permitir a reeleição indefinida. O instrumento para isso seria o referendo popular, velho instrumento chavista para dar verniz democrático a rupturas institucionais. Foi flagrado no meio do caminho pela Suprema Corte e pelo próprio Parlamento hondurenho, que se recusaram a realizar a consulta popular. Diante da insistência de Zelaya, a destituição foi a culminação óbvia desse processo.

Golpes de Estado deveriam fazer parte de um passado distante na América Latina, e causa espécie que ainda ocorram. A ruptura hondurenha deve ser objeto da mais veemente crítica e repúdio. Mas não podemos perder de vista que não há inocentes nessa história.

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Mohammad Hassan Ghadiri, embaixador do Irã no México, acusou a CIA de estar por trás do assassinato de Neda Agha-Soltan, a mártir da oposição iraniana.

Além de ser, como bem lembrou Pedro Dória, mais uma indecência do governo iraniano nessa crise, a declaração de Ghadiri alimenta o mito ridículo da infalibilidade da CIA, tão apreciado por regimes de vocação totalitária.

Se a agência de inteligência dos EUA tivesse todo o poder que os antiamericanos atribuem a ela, não teria ocorrido o papelão da Guerra do Iraque, e as Torres Gêmeas provavelmente ainda estariam de pé.

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Michael Jackson, que acaba de morrer, era um sujeito em crise com seu tempo – confuso e amoral – e talvez por isso tenha sido um de seus grandes representantes.

Abaixo, alguns dos itens de sua coleção pessoal, que quase foram a leilão recentemente. Nada mais eloqüente sobre sua personalidade.

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“Há vezes em que um aborto é necessário. Eu sei disso. Quando você tem um negro e uma branca. Ou um estupro.”

RICHARD NIXON, em frase lapidar, gravada em 1973, quando ainda era presidente americano. O registro foi recentemente publicado nos EUA.

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Extrato dos mapas da repressão no Irã: itinerário do terror

Uma usuária do Google Maps, que se apresenta como Xárene Eskandar, está colocando no ar, diariamente, mapas com a localização dos protestos em Teerã e informações atualizadas sobre mortes, espancamentos e outros desdobramentos da crise.

Apesar de virtual, toda a tensão está ali.

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Desde que começou, o governo Obama tem se empenhado em ampliar a ação do Estado na vida dos cidadãos americanos, e não somente no aspecto mais vistoso, o econômico. Para desespero dos conservadores, que vêem nisso uma intromissão indevida nas liberdades individuais e no desenvolvimento da responsabilidade pessoal, Obama tem estimulado os americanos a se “comportar melhor”.

Como mostra o Wall Street Journal, a ambição do governo vai desde os grandes impasses ambientais até as pequenas questões cotidianas, como cuidar da saúde. Por meio de ações de “esclarecimento”, os americanos têm recebido informações sobre como seu comportamento pode influenciar, positiva ou negativamente, o bem comum.

O Journal lembra que a idéia não é nova nos EUA. Reagan, por exemplo, fez campanha pessoal contra as drogas. Já no Brasil, a tentação do Estado de orientar coletivamente a sociedade para moldar seu comportamento em nome do “bem comum” teve um exemplo significativo na ditadura militar.

A Aerp (Assessoria Especial de Relações Públicas), órgão responsável pela formulação da imagem do “novo país” que a ditadura estava pretendendo criar, bolou campanhas cujo objetivo era educar os brasileiros para um ambiente “harmonioso” e “saudável” – portanto, impermeável às influências desagregadoras da subversão da ordem.

Uma das campanhas mais duradouras foi a do personagem Sujismundo, que pode ser vista abaixo. A mensagem vinculava a “limpeza” – sanitária e moral – ao “desenvolvimento”, que significava a construção de uma identidade coesa para o “Brasil Grande”.

Para quem se interessar pelo assunto, o melhor livro sobre o tema é “Reinventando o Otimismo – Ditadura, Propaganda e Imaginação Social no Brasil”, do brilhante historiador Carlos Fico.

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O moderado Mir Hossein Mousavi é a face política do levante iraniano. Mas há quem veja nele um embuste. Said, poeta alemão-iraniano, expressou seu ceticismo em entrevista ao jornal Die Welt:

Die Welt – Mousavi era descrito como pró-Ocidente durante a campanha.

Said – A mídia ocidental vendeu Mousavi como reformista, e isso é inaceitável. O sujeito foi primeiro-ministro nos anos 80, os piores anos. Ele sabia das prisões, dos assassinatos e das execuções. A pergunta é: por quanto tempo pode-se enganar todo um povo?

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

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