O presidente Lula fez nesta terça-feira um esforço danado para manter a tal “neutralidade brasileira” no caso do Sudão, cujo ditador, Omar Bashir, é acusado de crimes contra a humanidade por causa das atrocidades cometidas em Darfur.
No almoço dos líderes árabes e sul-americanos na cúpula de Doha, Lula comia a entrada quando percebeu que Bashir se sentaria ao lado dele. Então o brasileiro se levantou, disse que precisava atender a um telefonema e se mandou.
O Brasil, portanto, continua sem se pronunciar sobre Bashir, que tem ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional. Já a presidente do Chile, Michele Bachelet, também presente ao encontro, defendeu a decisão do TPI: “Há momentos em que a soberania de um país não basta. Há valores que são universais, que são os dos direitos humanos”.

Dayana mostra suas qualidades geopolíticas
A venezuelana Dayana Mendoza, eleita Miss Universo em 2008 com efusivos cumprimentos do presidente Hugo Chávez, acaba de visitar a base americana de Guantánamo (Cuba) a convite das Forças Armadas americanas, com o objetivo de elevar o moral da tropa.
Em seu blog, Dayana registrou todo o seu encantamento com a base. “Foi uma experiência incrível”, relatou. Ela passeou num barco militar (“muuuuuuuuita diversão”) e conheceu os cães do Exército, aqueles mesmos que foram usados para intimidar prisioneiros. Os animais “demonstraram suas habilidades” para ela.
Dayana conheceu também o local onde estão os presos da “guerra ao terror”. “Visitamos os campos e vimos as celas, onde eles tomam banho, onde eles se divertem com filmes, aulas de arte, livros. Foi muito interessante.”
A Miss Universo elogiou seus anfitriões (“os caras do Exército foram muito legais conosco”) e deu suas impressões finais sobre Guantánamo: “Eu não queria ir embora. É um lugar tão relaxante, tão calmo e bonito.”
O presidente Lula terá nesta terça-feira uma grande chance de mostrar ao mundo que é um estadista. Ele estará cara a cara com um chefe de governo formalmente acusado de crimes contra a humanidade, o sudanês Omar Bashir. A oportunidade se dará na cúpula de países árabes e sul-americanos no Catar.
Como signatário do Tribunal Penal Internacional, o governo brasileiro está obrigado a cumprir a ordem de prisão contra Bashir, emitida pela corte de Haia. Como é improvável que Lula dê voz de prisão ao ditador sudanês, espera-se pelo menos que o presidente não endosse o eventual apoio da cúpula a Bashir.
O Brasil já se absteve de condenar na ONU o regime sudanês quando teve a oportunidade. Agora, se Lula formalizar sua solidariedade a Bashir, então saberemos que ele realmente dá mais importância aos US$ 20 bilhões do comércio entre Brasil e países árabes do que às centenas de milhares de vítimas de um ditador sanguinário.
Quando os EUA capturaram Abu Zubaida e o prenderam em Guantánamo, há sete anos, ele foi classificado pelo então presidente americano, George W. Bush, de “chefe de operações da Al Qaeda”. Devidamente torturado a mando da Casa Branca, Zubaida contou detalhes de vários planos de atentados que estavam sendo preparados. Com base nessas informações, os serviços de inteligência dos EUA despacharam agentes ao redor do mundo para desmontar essas conspirações.
Aparentemente, porém, nenhum complô apontado por Zubaida estava efetivamente sendo preparado. As informações que ele deu sob tortura não tiveram nenhuma utilidade, informa o Washington Post. Pior: sabe-se agora que Zubaida nem mesmo é membro efetivo da Al Qaeda, muito menos um de seus líderes.
Um vexame completo.
A revista Time publicou interessante gráfico sobre a crise americana, que pode ser visto abaixo. O quadro mostra a curva do desemprego, cujo comprimento é a duração em meses, a partir do pico de emprego em todos os grandes períodos críticos da história americana desde a Grande Depressão, em 1929. São “seis recessões e uma depressão”, como diz o título. A crise atual está em azul claro, e a alta do percentual de desempregados é visível em comparação com outros momentos de recessão, o que mostra a gravidade do momento. Mas não se compara com a curva rosa, a da depressão.

Desde a emergência dos EUA como potência, o país é acusado de exercitar seus músculos econômicos e militares – o chamado “hard power” – para fazer prevalecer seus interesses ao redor do mundo, constrangendo nações a fazer as vontades emanadas de Washington. Os críticos antiamericanos dão a isso o nome genérico de “imperialismo”.
Pois parece agora que a China, cujo crescente poder militar tem preocupado o Pentágono, segue o mesmo caminho. Festejada como contraponto ao tal imperialismo ianque, Pequim tem feito uso do hard power, e a vítima da vez foi a África do Sul.
O comitê organizador da Copa do Mundo na África do Sul havia convidado o dalai-lama, líder espiritual do Tibete, para uma conferência de paz que incluiria Nelson Mandela e Desmond Tutu. Mas o governo sul-africano negou-lhe o visto de entrada. “É uma traição total à nossa história de luta”, protestou o arcebispo Tutu.
O governo do presidente Kgalema Motlanthe admitiu que a decisão foi tomada tendo em vista a relação da África do Sul com a China. Um quinto do comércio chinês na África é feito com o país, e os sul-africanos dependem do dinheiro da China para manter seus principais bancos funcionando.

Fidel, o Babe Ruth do socialismo
A seleção cubana de beisebol foi eliminada pelo Japão de um importante torneio mundial disputado nos EUA. O resultado, o pior nas seis décadas de história da Cuba revolucionária, foi encarado na ilha como uma tragédia. Na volta da equipe, os jogadores foram recebidos pelo presidente Raúl Castro, em traje militar, que os exortou a “continuar se superando no futuro”. Mas foi o vice-presidente Esteban Lazo quem castigou os atletas. Saudando-os como “filhos que voltam de uma cruenta batalha”, Lazo mandou que os jogadores fizessem um exame “rigoroso” de seu desempenho e, para isso, lessem o artigo escrito pelo “companheiro Fidel” a respeito da derrota.
“A reflexão de hoje do companheiro Fidel, que vocês receberão ao terminar o ato, deverá ser estudada com profundidade por vocês e por todos os diretores e técnicos do esporte, como um guia de aperfeiçoamento que devemos realizar em vários sentidos, avaliando-o sistematicamente”, discursou Lazo.
No artigo que os jogadores de beisebol de Cuba foram obrigados a decorar, intitulado “Os culpados somos nós”, o não-tão-ex-ditador Fidel escreveu: “Dormimos sobre os louros e estamos pagando agora as conseqüências”. Ele admitiu que a escalação do time fora “sugerida desde Cuba, com assessoria de especialistas”, mas criticou duramente a direção do time, classificada de “péssima”. Jornalistas cubanos, como é óbvio, disseram que a análise de Fidel “terá conseqüências imediatas”.
Para Fidel, o Japão demonstrou uma capacidade técnica que Cuba não teve, graças ao treinamento espartano de seus atletas. Os japoneses “se vêem obrigados a realizar 400 lançamentos por dia”, e fazem isso com prazer, como um “autocastigo”. “Eles vão adquirindo assim um controle muscular notável, que obedece às ordens do cérebro. É por isso que seus lançadores assombram por sua capacidade de colocar as bolas nos pontos exatos que escolhem.”
Mas, como de hábito, Fidel conseguiu encontrar rapidamente um bode expiatório, além do pobre técnico. Ele pôs a culpa na organização do torneio, a quem acusou de perseguição por ter colocado Cuba numa chave difícil: “O que importava aos organizadores era eliminar Cuba, país revolucionário que tem resistido heroicamente e não foi vencido na batalha das idéias”.
A consolidação de Benjamin Netanyahu como chefe de governo em Israel é recebida com apreensão em Washington – enquanto a chanceler americana, Hillary Clinton, defendia a solução de dois Estados durante seu giro por Israel, Netanyahu discursava em favor de soluções “inteligentes”, isto é, permitir que os palestinos reconstruam sua infra-estrutura, sem necessariamente falar de um Estado.
O presidente Barack Obama considerou “insustentável” a situação atual, indicando que o rolo compressor diplomático americano está calibrado para tentar revertê-la. Netanyahu, atento ao movimento, atraiu para suas fileiras o Partido Trabalhista, com o objetivo de dar um verniz “pacifista” à sua coalizão formada majoritariamente por partidos de direita e antiárabes.
O líder trabalhista Ehud Barak vê a inusitada aliança como uma forma de forçar Netanyahu a negociar com os palestinos. Nesta quarta, o futuro premiê disse que os palestinos “deveriam entender que eles têm em nosso governo um parceiro para a paz, a segurança e o rápido desenvolvimento econômico”. Na verdade, porém, a iniciativa trabalhista de aderir ao novo governo pode apenas estender os impasses por mais tempo em vez de superá-los, graças a um ambiente de irreversível desconfiança, acentuado pela radicalização também do lado palestino.
A história nos mostra, porém, que os governos de direita em Israel são capazes de fazer a paz com os mais ferozes inimigos do Estado. Em 26 de março de 1979, há exatos 30 anos, eram oficialmente concluídos os acordos de Camp David, entre Israel e Egito, depois de três décadas de guerras e conflitos. Israel era governado então pelo direitista Menachem Begin, que naquele momento preferiu o pragmatismo à ideologia.
Apesar de sua grande prosperidade e da relativa estabilidade, a Rússia está às voltas há alguns anos com uma ameaçadora crise demográfica. Um estudo da ONU, citado pelo New York Times, mostra que a população do país deve recuar dos atuais 141 milhões para 116 milhões em 2050, uma queda de 18%.
Menos gente significa menos mão-de-obra, menos soldados, menos consumidores e menos contribuintes. Por isso, o Kremlin está pagando para que os russos tenham mais filhos e, há dois anos, começou a convidar os emigrados a voltar.
Moscou estima em 25 milhões os russos espalhados pelo mundo, a maioria morando em ex-repúblicas soviéticas. Até agora, porém, com mais de US$ 300 milhões gastos, pouco mais de 10 mil aceitaram voltar.
Cinco dias antes de tomar posse, o presidente Barack Obama assinou um contrato pelo qual receberá US$ 500 mil pela publicação da versão infanto-juvenil de seu livro autobiográfico, “Dreams From My Father”, informou o Washington Times.
Em 2008, Obama levou US$ 2,5 milhões pelas vendas de “Dreams From My Father” e de “The Audacity of Hope”, outra obra sua.
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