ir para o conteúdo
 • 

Marcos Guterman

O senador independente Joe Lieberman disse à Fox que o Iêmen será o novo front da “guerra ao terror” dos EUA se as forças americanas não “agirem preventivamente” para acabar com as bases da Al Qaeda naquele país.

Para o New York Times, porém, essa guerra já começou, silenciosamente. Há um ano, disse o jornal, a CIA trabalha com agentes especiais no Iêmen, treinando forças de segurança do país para atuar contra os terroristas.

A Al Qaeda estabeleceu campos de treinamento no Iêmen para seus jihadistas, como o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, preso depois de tentar explodir um voo americano entre Amsterdã e Detroit na véspera do Natal. O grupo terrorista assumiu o complô, como vingança pelo recente ataque americano a seus militantes no Iêmen.

Abdulmutallab, estudante no Reino Unido, recebeu orientação sobre o atentado num campo no Iêmen. Por isso, Londres disse temer que o Iêmen tenha se tornado o destino de jovens britânicos interessados em militar em grupos terroristas.

O caso de Abdulmutallab, a propósito, é bastante curioso. Ele não se enquadra no perfil do “terrorista padrão”, isto é, ele está longe de ser um jovem miserável sem perspectivas, ou um pobre refugiado de alguma das guerras ocidentais, como a propaganda anti-ocidental costuma definir os “militantes” que se explodem e matam mulheres e crianças. Filho de um banqueiro nigeriano, com excelente histórico escolar e elogiado por sua ótima educação, Abdulmutallab cortou relações com a família e decidiu aderir ao terrorismo “seguindo um chamado do islã“. É um jihadista clássico, que enxerga na luta contra os EUA um conflito cósmico, metafísico, sem qualquer nexo com questões políticas ou econômicas. É fanatismo puro.

Em textos escritos na internet quando tinha 18 anos, Abdulmutallab explicou suas “fantasias jihadistas“: “Eu imagino como a grande jihad acontecerá. Como os muçulmanos vencerão e dominarão o mundo. Tenho de ser mais claro?”

Não.

comentários (57) | comente

  • A + A -
28.dezembro.2009 00:19:17

Até a volta

Amigos

Este blog entra em férias a partir de terça-feira e volta no dia 20.

Os comentários serão publicados na medida do possível. Conto com a compreensão de todos. Vou me lembrar com carinho de vocês quando eu estiver tomando cerveja em Ubatuba.

Um grande abraço a todos!

comentários (9) | comente

  • A + A -

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, encontrou uma maneira de qualificar seu principal inimigo no continente: disse que a Colômbia é a “Israel da América do Sul“. A comparação esdrúxula, que já havia sido feita antes, pode ser explicada mais ou menos assim: a Colômbia seria o “braço imperial” dos EUA, assim como Israel – aliás, chamado recentemente por Chávez de “braço homicida do império ianque”.

Mas o “raciocínio” chavista não é só fruto de sua obsessão pornográfica por Israel. Ele também pode ser explicado como uma estratégia pedestre de propaganda. “Israel” é o nome que inspira ódio nos anticapitalistas, nos anti-ocidentais e nos antiamericanos. É a palavra mágica que une gente com objetivos tão díspares como os supostos defensores dos direitos humanos, os terroristas islâmicos e os “revolucionários” bolivarianos. Chávez conhece o poder dessa palavra – é o mesmo poder que tem a palavra “judeu” desde pelo menos o século 19, quando o “judeu” deixou de ser o inimigo religioso e passou a ser o inimigo político.

Assim, quando põe Israel no meio, Chávez não está fazendo uma comparação involuntária. Ele sabe que, ao reduzir tudo a uma questão binária, isto é, do “bem” contra o “mal” – sendo que o mal é encarnado pela Israel dos judeus –, sua audiência não refletirá sobre as particularidades da questão colombiana. Na estratégia da construção do inimigo, a irreflexão é central, porque não se pode permitir que se façam objeções às conclusões do líder.

Reflexão e pensamento, aliás, não são nem podem ser o forte de regimes autoritários, caso do chavismo, cuja liderança é aluna aplicadíssima das lições de Goebbels, como esta: “A atividade intelectual é um perigo para a construção do caráter”. Ou esta: “A verdade é inimiga do Estado”.

comentários (19) | comente

  • A + A -

A duríssima repressão policial a manifestantes em Teerã faz crer que a grande ameaça ao governo do Irã é o movimento de oposição. Não é bem assim. Para Selig Harison, especialista em Ásia do Center for International Policy, a maior ameaça ao regime islâmico estabelecido em 1979 são as minorias separatistas não-persas.

Somadas, elas constituem 44% da população total do país. Para Harison, se elas se unissem aos opositores, seriam capazes de derrubar os aiatolás – o problema é fazer os opositores, que são persas, aceitarem essa associação.

Os EUA, com a ajuda de Israel, têm insuflado os separatistas há bastante tempo. Harison questiona se, hoje, é uma boa medida: “Apoiar o separatismo e buscar o diálogo com o atual regime são coisas completamente incompatíveis”.

comentários (3) | comente

  • A + A -

Minxin Pei é um especialista em China que frequentemente expressa seu ceticismo sobre a capacidade do país de se tornar uma sólida potência mundial. Em sua mais recente observação, feita na Newsweek, ele contesta a sensação geral de que a China saiu-se como a “grande vencedora” da crise mundial.

Segundo Minxin, o sistema bancário chinês emprestou US$ 1,2 trilhão somente na primeira metade de 2009. Como a maior parte desse dinheiro foi para a especulação com ações e imóveis, é bastante provável que esses ativos se tornem “tóxicos”, ameaçando quebrar os bancos.

Além disso, o grande investimento do governo chinês foi no setor industrial, mas houve pouco estímulo ao consumo. Ou seja: as fábricas estão produzindo muito, mas os consumidores chineses não estão comprando (tampouco os ocidentais, lembra Minxin, porque a crise ainda não passou).

comentários (11) | comente

  • A + A -

Em 21 de dezembro, o jornal inglês The Guardian publicou uma reportagem intitulada “Israel admite que extraiu órgãos de palestinos”. O interesse era óbvio. Em agosto, um jornal sueco causou sensação ao acusar soldados israelenses de arrancar os órgãos de palestinos mortos para serem usados em transplantes. A reação do governo de Israel e dos judeus na ocasião foi veemente: tratava-se de uma mentira cruel, uma forma de reafirmar o anti-semitismo em seu estado mais primitivo – aquele que, na Idade Média, atribuía a judeus uma série de crimes rituais, como tirar o sangue de crianças cristãs para fazer pão ázimo. A reportagem do Guardian, no entanto, parecia confirmar a acusação.

Mas só parecia. Nesta quinta-feira, o jornal inglês publicou a seguinte correção a respeito da reportagem: “Aquele título não corresponde ao texto, que deixa claro que os órgãos não eram retirados apenas de palestinos. Foi um sério erro de edição, e o título foi alterado na edição online para refletir o texto escrito pelo repórter”.

A reportagem em questão dizia que, até os anos 90, um instituto médico-legal perto de Tel Aviv extraiu pele, córneas, válvulas cardíacas e ossos de cadáveres de soldados israelenses, cidadãos israelenses, palestinos e trabalhadores estrangeiros, frequentemente sem permissão dos parentes. Ou seja: as vítimas não eram apenas, ou não especificamente, palestinos. Portanto, o crime não era étnico, como o título dava a entender. A reportagem enfatizou ainda que não havia evidências de que os israelenses haviam matado palestinos para lhes retirar os órgãos, como acusara o jornal sueco.

A pergunta óbvia, diante disso, é: por que o jornalista que editou a reportagem optou por um título que mencionava somente os palestinos? Qual era sua intenção?

Há várias explicações possíveis, e incompetência profissional é somente a mais fácil delas. Mas o caso inspira uma reflexão um pouco menos rasa. É provável que o jornalista do Guardian tenha destacado os palestinos no título por causa do barulho produzido pelo jornal sueco. Era uma forma de relacionar as duas coisas, como a comprovar a acusação tão negada pelos israelenses.

E aqui entramos no segundo – e perverso – aspecto do episódio. O jornalista do Guardian parece não ter refletido sobre o texto que leu antes de escrever o título. Seu impulso imediato foi pensar num título que incriminasse Israel em relação aos palestinos. A razão disso é muito simples: incriminar Israel é muito mais fácil do que não incriminar.

Israel é um país muito malvisto, graças sobretudo a uma intensa propaganda negativa por parte de “humanistas” que, a título de defender os palestinos, na verdade exercem o mais tosco anti-semitismo, ao negar o direito de Israel de existir. Não importam os enormes avanços técnicos e científicos que a sociedade israelense produziu para o mundo todo; não importa o trabalho solidário de diversas entidades israelenses em relação aos árabes; não importam os esforços dos israelenses para tentar conviver com vizinhos que, se pudessem, já os teriam dizimado. Será sempre Israel o elemento criminoso da equação, uma entidade irremediável, um monstrengo que só produz sofrimento e desolação.

É por isso que foi tão fácil ao jornalista do Guardian “errar” em seu título. Para ele, como para muitos outros, tudo o que envolve Israel em relação aos palestinos está sempre eivado de crueldade, mesmo que não tenha relação com a realidade. É a força da ideologia, que comprova a resiliência brutal do anti-semitismo.

comentários (43) | comente

  • A + A -

A conversa não é nova, mas tomou ares de disputa bíblica nos EUA: o Natal se tornou uma data meramente comercial?

Para os grupos ultraconservadores americanos, não há dúvida. Um deles, o Focus on the Family, convidou seus simpatizantes a avaliar a postura das lojas em relação ao Natal: se são “amistosas”, “negligentes” ou “ofensivas”. No site da organização, é possível ver a lista das lojas e sua respectiva votação.

Uma das campanhas de maior sucesso, que já tem quatro anos, é a Advent Conspiracy, que propõe “adorar mais, gastar menos, dar mais e amar a todos”. Para o movimento, o Natal se tornou uma “época de estresse, congestionamentos e listas de compras” – e, quando tudo acaba, fica-se com as dívidas a pagar e com a “sensação de um propósito perdido”. “É isso o que queremos do Natal?”

Por outro lado, já tem gente que vê nessa polêmica uma boa oportunidade comercial. A Boss Creations, empresa de decoração, oferece árvores de Natal que mostram a cruz de Cristo, como dá para ver abaixo. É uma maneira de “recolocar Cristo de volta no Natal”, como diz seu slogan.

comentários (20) | comente

  • A + A -

Desesperada porque não conseguia fazer o filho de 14 anos parar de jogar videogame, uma americana de Massachusetts ligou para o 911, o telefone de emergência da polícia.

Ela conta que tomou a decisão ao ver o filho jogando às 2h30 da manhã, horas depois de ter mandado que ele fosse dormir. “Eu chamei a polícia porque, se você não respeita sua mãe, o que será da sua vida?”, explicou.

O policial que atendeu ao chamado conversou com o garoto por telefone e conseguiu convencê-lo a desligar o jogo e ir dormir.

comentários (4) | comente

  • A + A -

Depois de passar os últimos anos estigmatizando Israel, comparando o regime israelense ao do apartheid sul-africano, o ex-presidente americano Jimmy Carter pediu desculpas aos judeus dos EUA.

“Temos de reconhecer as conquistas de Israel sob circunstâncias difíceis, ainda que lutemos para que o país melhore suas relações com as populações árabes, mas não devemos permitir que as críticas estigmatizem Israel”, escreveu Carter em sua mensagem.

Ele pediu perdão pelas coisas que disse no passado e que possam ter contribuído para que isso acontecesse.

comentários (13) | comente

  • A + A -

A revista americana Newsweek publicou suas previsões para o ano que vem. As principais:

1) Fidel Castro vai morrer, e os pilares do regime cubano – perseguição a opositores e homossexuais, censura e prisões arbitrárias – deverão ser atenuados, em nome da transição e da aproximação com os EUA.

2) Haverá um novo golpe de Estado na Venezuela. Segundo a revista, o projeto socialista de Chávez está fazendo água e deve ser desafiado pela força.

3) A China vai afundar em 2010. Em seu lugar, o Brasil surgirá como a potência emergente número um, com crescimento de 8% e dividendos preciosos do petróleo.

comentários (23) | comente

  • A + A -
  • Quem Faz

    Quem Faz

    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

Arquivo

Seções

Diversão pura

Jornalismo

Meus blogs favoritos

Blogs do Estadão