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Marcos Guterman


Deripaska, o mais rico: sufoco

Os oligarcas russos, como se sabe, são aqueles empreendedores que ficaram bilionários à custa do loteamento da indústria soviética quando a URSS acabou. Tornaram-se famosos por seus gastos excêntricos e por suas relações controversas com o poder na Rússia. A riqueza deles, garantida pelas obscuras estruturas da economia do país, parecia infinita, mas a crise internacional os pegou em cheio.

O governo russo aprovou nesta quarta-feira um pacote de ajuda aos oligarcas. Serão US$ 10 bilhões para que os empresários possam refinanciar suas dívidas com bancos ocidentais, que, em tempos de crise internacional, não estão para brincadeira. Um dos principais beneficiados é o homem mais rico da Rússia, Oleg Deripaska, que controla a Rusal, maior produtora de alumínio do mundo. Só ele receberá US$ 4,5 bilhões.

Em troca, para honrar o favor do Kremlin, os oligarcas terão de continuar fazendo o que sempre fizeram: bajular Putin, ficar longe da política e aceitar o Estado russo como sócio.

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Francis Fukuyama, um dos pilares do movimento neoconservador americano e que já foi entusiasta do governo Bush, declarou seu voto no democrata Barack Obama.

Autor do famoso artigo “O Fim da História?”, em que expôs a tese de que a história como disputa ideológica havia chegado ao fim com a derrota da URSS e o triunfo da democracia liberal, Fukuyama justificou sua inusitada escolha eleitoral em texto no The American Conservative.

“Vou votar em Barack Obama por uma razão muito simples”, escreveu Fukuyama.Para ele, diante do “desastre da presidência de Bush”, que resultou numa “guerra desnecessária” e no “colapso do sistema financeiro americano”, seria uma distorção “premiar os republicanos depois de um fracasso tão retumbante”. Eis a razão pela qual, diz o cientista político, John McCain “está tentando desesperadamente fingir que nunca teve nada a ver com o Partido Republicano”.

E Fukuyama argumenta sobre seu voto: “Obama está muito mais bem posicionado para reinventar o modelo americano e certamente apresentará uma face muito diferente e mais positiva da América para o resto do mundo”.

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John McCain deveria pensar seriamente na possibilidade de mudar-se para a Geórgia. A ex-república soviética é um dos raríssimos países do mundo em que o republicano é mais apreciado que o democrata Barack Obama, conforme pesquisa Gallup para a revista Foreign Policy. Por outro lado, Obama seria eleito rei do Quênia, onde tem apoio de 86% dos entrevistados.

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McCain ao telefone: Obama é o diabo

A agressividade da campanha de John McCain à presidência dos EUA chegou ao telefone, com apoio explícito do candidato. Um mecanismo faz ligações automáticas para eleitores, e uma voz gravada destila uma diatribe contra Barack Obama. A seguir, os melhores momentos:

* “Você precisa saber que Barack Obama e seus aliados em Illinois se opuseram a um projeto de lei que manda os médicos cuidarem de bebês que conseguem escapar de tentativa de aborto.”

* “Barack Obama e seus colegas democratas puseram Hollywood acima da América. No mesmo dia em que nossos líderes eleitos estavam reunidos em Washington para resolver a crise financeira, Barack Obama gastou apenas 20 minutos com conselheiros econômicos, mas horas numa festa de arrecadação de fundos com celebridades de Hollywood. Onde estão as prioridades democratas?”

* “Os democratas no Congresso querem agora dar direitos civis aos terroristas.”

* “Os democratas vão implantar uma agenda de extrema esquerda se eles tomarem o controle de Washington.”

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27.outubro.2008 10:01:44

Nu com a mão no bolso

O Partido Popular, legenda de centro-direita da Espanha, acusa o governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero de não saber lidar corretamente com os efeitos da crise financeira internacional no país. A ala jovem do PP, intitulada Novas Gerações, fez o protesto abaixo, que dispensa tradução.

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26.outubro.2008 20:03:24

Israel: direita, volver


Livni anuncia sua desistência: sem espaço para moderação

A chanceler Tzvipi Livni tentou durante várias semanas formar o governo e se tornar premiê de Israel. Fracassou diante da impossibilidade de conciliar a agenda de seu partido, o Kadima (centro), com o Shas (direita religiosa). Entre outras coisas, o Shas queria mais assistência do Estado a famílias grandes – as famílias ortodoxas têm de oito a dez filhos – e exigia que Jerusalém ficasse fora da negociação com os palestinos. Livni se disse chantageada e desistiu, o que deve levar à convocação de eleições, nas quais ela provavelmente terá de enfrentar o ministro da Defesa e líder trabalhista, Ehud Barak, e o ex-premiê Benjamin “Bibi” Netanyahu, líder do Likud e porta-voz do endurecimento das negociações com os árabes.

Nesse cenário, ganha força a direita israelense, não só devido ao episódio do Shas, mas também pela necessidade que Livni teve de compor com Shaul Mofaz, líder do bloco de centro-direita do Kadima, que constantemente a ameaçou de sabotagem. Isso tudo num contexto em que Bibi aparece como favorito numa eventual eleição.

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O cérebro: prova de evolução, mas não para todos

Um grupo de neurocientistas está convicto de que a mente é algo imaterial, que está além do cérebro e que seria o lugar da consciência das forças sobrenaturais. Reunidos em simpósio, alguns deles classificaram o momento como uma “guerra cultural”, isto é, uma disputa decisiva entre pesquisadores materialistas, que são os bandidos, e os pesquisadores não-materialistas, que são os mocinhos.

Segundo a New Scientist, o movimento não-materialista está tentando ressuscitar o dualismo cartesiano, idéia segundo a qual cérebro e mente são coisas fundamentalmente distintas. O objetivo é colocar a ciência a serviço da busca pela alma.

Cientistas desse grupo assinaram um manifesto chamado “Dissensão científica do darwinismo”, em que sustentam a tese do “design inteligente” – que tem no presidente Bush um de seus maiores entusiastas e que sugere que a vida é complexa demais para ser explicada somente pela evolução.

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Sarah Palin: sorriso milimetricamente projetado

Sarah Palin é a prova de que política é, basicamente, imagem.

Primeiro, descobriu-se que em duas semanas a candidata a vice-presidente gastou US$ 150 mil em roupas, quase US$ 50 mil a mais do que ela ganha por ano como governadora do Alaska. Como o dinheiro é do Partido Republicano, e a lei americana proíbe o uso de verba eleitoral em causa própria, a moça terá de se desfazer dos vestidinhos.

Agora, a campanha republicana informou que Palin fez uso de uma maquiadora de estrelas de seriados de TV, Amy Strozzy, ao custo de US$ 22,8 mil nas duas primeiras semanas de outubro. No mesmo período, Randy Scheunemann, principal conselheiro do candidato John McCain para política externa, levou US$ 20,5 mil.

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Barack Obama gravou sua primeira propaganda totalmente em espanhol. Soa tão verdadeiro quanto uma nota de três dólares, mas vale tudo para não perder na Flórida.

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Greenspan discute com Adam Smith: cadê o manual de instruções?

Em depoimento à Câmara dos EUA, Alan Greenspan, o mitológico presidente do Federal Reserve, guru da desregulamentação do mercado nas últimas décadas, declarou: “Eu cometi um erro ao presumir que os interesses das organizações, especificamente de bancos e outras, eram tais que seriam o melhor meio de proteger seus próprios acionistas”. Numa espécie de revisão crítica que remonta a Adam Smith, cuja “Riqueza das Nações” foi considerada por Greenspan como “uma das grandes conquistas da humanidade”, ele afirmou, sobre a ideologia do livre mercado: “Encontrei um defeito. Eu não sei quão significativo ou permanente ele é. Mas estou bastante preocupado com isso”.

Um deputado quis saber se, de fato, Greenspan estava renegando tudo aquilo que passou a vida defendendo. “Esta é precisamente a razão pela estou chocado, porque eu passei os últimos 40 anos com evidências bastante consideráveis de que [o livre mercado] estava funcionando excepcionalmente bem”.

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Marcos Guterman

    Marcos Guterman é jornalista profissional desde 1989. Trabalhou por 15 anos na Folha e desde 2006 está no Estadão, onde edita a Primeira Página. É historiador, com graduação e mestrado pela PUC-SP. Atualmente faz doutorado em História na USP, tendo o nazismo como tema de pesquisa. É autor do livro "O Futebol Explica o Brasil". Sua pátria é o Santos Futebol Clube.
    Contato: marcos.guterman@grupoestado.com.br

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