O governo israelense decidiu travar a guerra de Gaza também na internet. Há um canal das Forças Armadas de Israel no YouTube com os vídeos dos ataques contra o Hamas. Um deles, abaixo, mostra o “ponto de vista do míssil”.
“Nós, do Brasil, vamos trabalhar junto a outros países para achar um jeito daquele povo parar de se matar.”
De Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, ao comentar o conflito no Oriente Médio, esquecendo-se de que o país que ele preside tem uma taxa de homicídios dolosos de cerca de 30 por 100 mil habitantes, uma das mais altas do mundo. Para efeito de comparação, o índice de mortos em conflitos em Israel e nos territórios palestinos entre 2004 e 2007 não chega a 9 por 100 mil habitantes, conforme dados fresquinhos divulgados pela ONU, que podem ser lidos na íntegra aqui. É o caso de perguntar: qual é o povo que precisa mesmo “parar de se matar”?

Dave Chameides e seu lixo: recicle ou morra
Em 1º de janeiro de 2008, o americano Dave Chameides resolveu iniciar uma experiência curiosa: durante um ano, ele não jogaria nada fora, ou seja, todo o lixo que ele produzisse seria armazenado em sua casa. O objetivo era ver quanto lixo um ser humano é capaz de produzir – e, diante dessa visão certamente estarrecedora, entender que as preocupações ambientais não são simplesmente um capricho. Depois disso, a mudança de hábitos parece inevitável.
O resultado da experiência está no divertido blog de Dave, em que ele, a poucos dias do fim de sua prova, convida os leitores a fazer o mesmo por apenas uma semana.
No vídeo abaixo, Dave dá dicas sobre o que levar numa mochila para não precisar usar nada descartável no dia-a-dia.
No dia seguinte ao Natal, dezenas de pessoas foram mortas a golpes de machados, tacos de beisebol e espadas dentro de uma igreja católica na República Democrática do Congo. O Exército de Uganda e o grupo rebelde Exército de Resistência do Senhor (ERS) se acusaram pelo massacre, que pode ter deixado até 150 vítimas. Elas haviam buscado refúgio na igreja.
O Exército de Uganda, o do Sudão e o do próprio Congo estão em ofensiva coordenada contra o ERS, guerrilha ugandense acusada de crimes de guerra e de desestabilizar a região. Seu líder, Joseph Kony, se declara “porta-voz de Deus” e pretende estabelecer em Uganda um regime teocrático, cujas leis seriam os Dez Mandamentos.

Obama observa resto de foguete do Hamas, em Sderot
Muito se especula sobre como o futuro presidente americano, Barack Obama, vai se comportar a respeito da atual guerra em Gaza quando assumir o cargo, em 20 de janeiro. Um pouco de memória, no entanto, talvez ajude.
Em julho passado, quando visitou Israel durante sua campanha eleitoral, Obama deu uma passadinha em Sderot, a cidade israelense que vive sendo atacada pelos foguetes do Hamas. Na ocasião, ele declarou:
“Eu vim a Sderot comprometido com a segurança de Israel. Israel tem o direito de se defender, e a paz não pode significar ameaça à sua segurança. Os israelenses não devem sofrer ameaça à sua vida, às suas escolas. Se mísseis estivessem caindo onde minhas duas filhas estivessem dormindo, eu faria tudo para acabar com isso”.

O livro de Rosenblat: invenção
Em 1985, o judeu Benjamin Wilkomirski publicou um livro chamado “Fragmentos”, lançado no Brasil pela Companhia das Letras, em que descrevia suas memórias de infância durante o Holocausto. Em 1998, descobriu-se que, na verdade, Benjamin Wilkomirski se chamava Bruno Grosjean, que ele era protestante e que inventara tudo. O escândalo obviamente serviu para toda sorte de discussão acerca do registro do Holocausto – Grosjean/Wilkomirski chegou a ser chamado de “ladrão de memória”. Passados dez anos, um novo caso surge: é o de “Angel at the Fence: The True Story of a Love that Survived”, ou “o anjo na cerca: a verdadeira história de um amor que sobreviveu”. Como acaba de se revelar, a história em questão não tem nada de “verdadeira”.
Trata-se do relato da relação entre o então adolescente Herman Rosenblat, o autor do livro, e uma menina, separados pela mencionada cerca de arame farpado, no campo de concentração de Buchenwald. Segundo o livro, ela lhe levava maçãs e pão, correndo risco de ser pega pelos nazistas. Anos depois da guerra, eles se encontraram por um incrível acaso em Nova York e se casaram. Ao entrevistar o casal, Oprah Winfrey chegou dizer que se tratava da “maior história de amor” que ela já apresentara em seu programa.
Agora, sabe-se que a tal história de amor é uma mentira. Vários especialistas em Holocausto já haviam questionado Rosenblat, dizendo que os encontros na cerca, do modo como foram descritos, seriam impossíveis nas circunstâncias de Buchenwald. Andrea Hurst, a agente literária responsável pelo livro de Rosenblat, ainda tenta descobrir como foi enganada: “Eu me pergunto por que nunca questionei a história. Eu acreditei nela”. O livro, cujo lançamento estava marcado para fevereiro, foi cancelado. Há ainda um filme sendo produzido sobre o tema.
Rosenblat de fato esteve em Buchenwald. Outros sobreviventes, inclusive gente que conhece Rosemblat, disseram não entender por que ele inventou tudo, e agora temem que mais esse episódio dê munição para aqueles que negam o Holocausto. Sidney Finkel, amigo de Rosenblat e também um sobrevivente, resumiu o problema: “Nós damos palestras. Nós contamos nossa história, e agora algumas pessoas vão questionar o que vivemos”.
Por meio de sua agente, o autor explicou que falsificou seu passado para ajudar a disseminar uma mensagem de amor. “Eu queria levar felicidade às pessoas. Minha motivação era fazer o bem neste mundo.”
A Defesa israelense divulgou imagens do mapeamento que fez dos alvos do Hamas em Gaza. Abaixo, algumas delas:











Huntington: proposta de mexicanização do Brasil
Samuel Huntington, um dos mais polêmicos pensadores do século passado, morreu em 24 de dezembro, informou o site de Harvard, onde ele lecionou. Sua obra mais conhecida é “Choque de Civilizações”, muito mais citada do que lida, na qual ele tenta mostrar que o mundo do pós-Guerra Fria deixaria de lado as tensões ideológicas e assumiria o perfil de conflitos entre culturas – mormente entre o Ocidente e o Oriente, aí incluídos os muçulmanos e os chineses.
Huntington, no entanto, tinha interesse no Brasil, e um de seus trabalhos mais importantes a respeito foi “Approaches to Political Decompression”, escrito durante o governo Médici. No texto, Huntington explica que “o relaxamento dos controles num sistema político autoritário pode ter um efeito explosivo no qual o processo escapa ao controle de quem o iniciou”, razão pela qual ele sugere ao Brasil adotar um regime de partido forte, como no México do PRI.
Huntington considerava que a experiência da transição brasileira – da qual ele mesmo, modestamente, se dizia participante, por causa de seus conselhos – era “o mais impressionante exemplo de democratização introduzida de cima, por uma elite militar que reconhecia a necessidade de abertura”. Segundo Elio Gaspari, no livro “A Ditadura Derrotada”, o general Golbery do Couto e Silva, que conheceu Huntington, leu o trabalho do professor de Harvard sobre a “descompressão” e o considerou “pedestre”.
Israel lançou neste sábado sua maior ofensiva militar contra Gaza desde a Guerra de 1967. Em cinco minutos, mais de 40 alvos do Hamas, mapeados durante meses pela inteligência israelense, foram atingidos por mísseis. Os mortos passam de 200. É improvável, a julgar pela ferocidade da ação, que os planos israelenses tenham levado em conta de forma especial o destino dos civis eventualmente atingidos. Afinal, de acordo com a opinião pública israelense, refletida em seu governo, os constantes ataques de foguetes do Hamas contra civis no sul de Israel justificam um contra-ataque nos mesmos termos; além do mais, é praxe entre os líderes do Hamas esconder-se covardemente entre a população civil, o que denota o desprezo desses dirigentes pela vida dos palestinos que eles dizem defender.
Mas o ataque israelense parece ter sido propositalmente desproporcional. A estratégia de Israel não é simplesmente retaliar; é obter o máximo de destruição possível e eliminar a liderança militar do Hamas antes que seja pressionado pela comunidade internacional a interromper a ação, como costuma ocorrer. O “timing” da ofensiva sugere também que Israel quer elevar suas condições de negociação antes da posse de Barack Obama, quando se espera que um novo jogo comece no Oriente Médio – os israelenses parecem já ter obtido apoio tácito do Egito contra o Hamas e costuram uma negociação com a Síria, numa clara jogada para isolar tanto os radicais palestinos quanto o Irã. Finalmente, os israelenses irão às urnas em fevereiro, e a demanda por algum tipo de endurecimento contra os palestinos é grande.
Assim como na última guerra no Líbano, porém, o dilema israelense é saber qual é a hora de parar.
Um artigo divulgado nesta segunda-feira no Public Library of Science Biology, dos EUA, afirma que o veto ao casamento entre primos, aquele que faz a delícia dos romances baratos, não tem razão científica.
Escrito pelos cientistas Diane B. Paul, dos EUA, e Hamish G. Spencer, da Nova Zelândia, o texto sugere que a taxa de deformidades em crianças geradas da relação entre primos (entre 2% e 3%) não justifica uma lei que a proíba – os EUA são o único país desenvolvido que tem legislação a respeito. Mulheres com mais de 40 anos têm risco semelhante de dar à luz crianças com problemas, e nem por isso são proibidas de engravidar, dizem os especialistas. Donde se deduz que a lei tem justificativas meramente culturais, e não biológicas.
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