Está sendo lançado nesta semana o Occupy This Album, uma caixa de quatro CDs com as músicas que embalam o Occupy Wall Street, movimento que protesta contra o “1%”, isto é, os banqueiros malvados. A propósito, são 99 músicas, para representar os demais “99%”, que são aqueles que se dizem vítimas do sistema.
Tem Joan Baez, como não poderia deixar de ser. Mas um dos destaques notáveis é o cineasta Michael Moore cantando The Times They Are A-Changin’, de Bob Dylan. Essa pérola pode ser ouvida aqui.
Alguns integrantes da Comissão da Verdade – que investigará violações de direitos humanos cometidas no Brasil entre 1946 e 1988 – acharam por bem esclarecer que seu objeto serão somente os crimes do regime militar, desconsiderando os cometidos pela luta armada. “Acho que essa questão de ‘dois lados’ não é a maneira correta de ver o tema”, disse o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro. “A comissão está centrada nas vítimas e é o lado delas que interessa.” Esse tipo de declaração afronta um script habitual desde a Abertura – afim de não melindrar os generais, sempre pareceu necessário acentuar que os grupos guerrilheiros também cometeram crimes. Esse constrangimento tornou o debate acerca da ditadura refém do medo institucional que os brasileiros temos dos quartéis. Não à toa: nos cento e poucos anos de república, o Brasil experimentou uma série de golpes e de tentativas de golpe originados na caserna, a começar pela própria Proclamação da República – que o povo achou tratar-se de um desfile militar e que inaugurou a nossa prática política como pantomima de liberdade cidadã, tutelada pelo paternalismo atávico da elite, civil ou fardada.
No caso específico de 1964, os militares rasgaram a Constituição a título de defendê-la, o que é uma óbvia afronta. Contra esse estado de coisas, levantaram-se organizações de esquerda. Alguns desses grupos pegaram em armas – e, de fato, assaltaram bancos, explodiram bombas e mataram inocentes. Numa comissão que se dedica a extrair a “verdade” desse momento histórico, porém, não é possível atribuir pesos semelhantes entre a violência cometida pela guerrilha e a violência dos militares, por uma razão simples: os militares representavam o Estado, controlavam as forças de segurança, a Justiça e o Legislativo, de modo que as leis da ditadura e o aparelho montado para que elas fossem cumpridas jamais respeitaram os ritos do chamado “Estado de Direito”, e sim os do estado de exceção. Eis um crime de fato, sob qualquer ponto de vista. Considerar que são criminosos do mesmo jeito os guerrilheiros que se insurgiram contra essa óbvia barbaridade é embaralhar conceitos morais de modo a transformar a vítima em culpada, coisa típica dos regimes totalitários.
Mas os militares não fazem essa leitura e muitos deles ainda insistem, como nos anos 60, que estavam a cumprir a tarefa histórica de salvar o Brasil do comunismo. A certeza dessa missão era tão cristalina que muitos generais consideravam perda de tempo e dinheiro manter um departamento de propaganda – a Assessoria Especial de Relações Públicas da Presidência da República, chefiada pelo coronel Octávio Costa – para reforçar as virtudes do governo militar; afinal, para eles, a necessidade da tarefa de desenvolver o Brasil e evitar que ele caísse na órbita de Moscou, mesmo ao custo de suprimir direitos básicos, era evidente por si mesma. Nem os religiosos têm tamanha certeza moral.
Do lado dos que lutaram pela guerrilha, também há tabus. Muitos fingem que não é com eles quando se prova que seu programa revolucionário incluía o estabelecimento de uma ditadura do proletariado, algo muito distante da democracia que hoje invocam para justificar sua ação. A própria presidente Dilma Rousseff afirmou em seu programa eleitoral e, depois, em seu belo discurso de posse que como guerrilheira lutou “contra o arbítrio e a censura” e é, portanto, “naturalmente amante da mais plena democracia e da defesa dos direitos humanos”. Não é possível duvidar dos compromissos democráticos atuais de Dilma, aliás muito mais firmes que os de seu antecessor, mas também não é possível ignorar que, em um momento importante de seu passado, a presidente não queria a democracia. Ponto.
Nada disso, porém, autoriza enxergar simetria moral entre o que faziam os militares e os guerrilheiros. Em nome da salvação do Brasil, a ditadura permitiu e, em muitos casos, incentivou a formação de um poderoso Estado paralelo, em que “inimigos” reais e imaginários eram sumariamente julgados e condenados, não sem antes sofrerem inomináveis torturas. É isso que a Comissão da Verdade precisa resgatar, e nada mais. Ao compreender como o Brasil engendrou o período mais cinzento de sua história, será possível purgar esse passado para que, enfim, tornemo-nos definitivamente uma democracia madura, impermeável à retórica segundo a qual a suspensão das liberdades pode ser considerado algo legítimo.
A americana Emmelyn Roettger é uma menina esperta. Seu QI é de 135 – pouco menos que os 160 de Einstein e Stephen Hawking. Aos três anos de idade, ela é a mais jovem integrante da Mensa, entidade que agrega gênios.
A garota escreve, lê, faz contas e, apaixonada por astronomia, sabe bastante coisa sobre estrelas, planetas e buracos negros. Ah, sim, e sabe que a divisão celular se chama mitose. Embora seja um orgulho para os pais, eles sabem que Emmelyn corre o risco de não encontrar um lugar no mundo. “Há um estigma social para aqueles que são muito inteligentes”, disse Frank Lawlis, psicólogo da Mensa.
Um fenômeno como esse, porém, não ficaria muito tempo longe da vida de celebridade. Convidada a participar de um programa de entrevistas na TV, a menina não parou quieta, como dá para ver abaixo. E mostrou que, apesar de ser muito mais inteligente do que a maioria das pessoas, segue sendo uma criança como qualquer outra – ela interrompeu a entrevista ao pedir insistentemente para fazer cocô.
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A Time faz uma provocação para o Dia das Mães. Junto com a pergunta “Você é mãe o suficiente?”, a revista mostra em sua capa uma mãe, Jamie Lynne Grumet, de 26 anos, dando de mamar a seu filho de quatro anos.
A reportagem diz respeito a uma corrente de especialistas que defende a maternidade total, isto é, amamentar filhos por anos e deixá-los dormir na cama junto com os pais quando quiserem, entre outras demonstrações de proximidade extrema.
Ibrahim al-Asiri é hoje “a face do terrorismo mais temida pelas autoridades americanas”, na definição da rede de TV ABC. Ele é o sujeito que desenvolveu a “cueca-bomba”, protagonista da última tentativa de atentado da Al Qaeda contra os EUA. Também inventou uma bomba que foi escondida no ânus de um terrorista suicida em missão na Arábia Saudita. Segundo a ABC, Al-Asiri criou artefatos que podem ser escondidos em câmeras, computadores e até mesmo cachorros, de modo a escapar dos equipamentos de detecção.
“Ele é muito inovador e inteligente”, diz Seth Jones, ex-conselheiro do Comando de Operações Especiais dos EUA. Some-se a isso, segundo Jones, o fato de que Al-Asiri nutre “ódio absoluto” pelos americanos e pelos “valores ocidentais” e temos uma combinação, digamos, explosiva.
Os EUA têm tentado matar Al-Asiri no Iêmen com seus drones, os letais aviões não-tripulados. Para Jones, será inútil matá-lo, porque a Al Qaeda já mostrou que pode encontrar alguém para substituí-lo – talvez não tão brilhante, mas certamente com a mesma disposição para trucidar civis americanos inocentes.
O presidente dos EUA, Barack Obama, declarou-se, nesta quarta-feira, favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Foi uma atitude corajosa: metade dos americanos é contra, e muitos dos quais são visceralmente contra – razão pela qual os advogados da causa gay não conseguiram ganhar nenhum referendo sobre o tema no país. Isto é, ao se posicionar tão claramente sobre um assunto tão problemático, Obama aceitou correr riscos eleitorais óbvios – a Fox chegou a dizer que o presidente “declarou guerra ao casamento (heterossexual)”.
Mas Obama está de olho no eleitorado jovem, que o apoiou na primeira eleição e ameaça abandoná-lo, já que a “mudança” prometida na campanha de 2008 e que eletrizou tanta gente está se transformando no velho e bom pragmatismo da Grande Política de Washington.
Por outro lado, Obama tira o foco da economia e joga uma bola espinhosa para o campo de seu adversário na corrida eleitoral, o republicano Mitt Romney, que será obrigado a reafirmar sua oposição ao casamento gay. E ele já o fez: “Quando esse assunto foi levantado no meu Estado, Massachusetts, indiquei meu ponto de vista, que é contrário ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, e eu não sou favorável às formas de união civil que sejam idênticas ao casamento, mudando só o nome”.
Certamente o casamento gay não decidirá a eleição americana, mas terá o poder de transformar uma campanha apenas morna em um incêndio de grandes proporções.
Eleitores da Carolina do Norte aprovaram na terça-feira uma emenda constitucional que bane o casamento gay, a união civil e outras formas de parcerias entre pessoas do mesmo sexo.
Os EUA são divididos em relação ao tema: 38 Estados vetam o casamento gay, informa o Washington Post. Nas 31 vezes em que a questão foi levada às urnas desde 1998, porém, os defensores da união homossexual perderam todas. Ou seja: enquanto o casamento gay é cada vez mais comum nas séries de TV dos EUA, na privacidade das urnas os americanos superam o receio de serem chamados de homofóbicos e expressam sua oposição ao reconhecimento formal da união matrimonial entre pessoas do mesmo sexo.
O hospital Memorial Hermann, de Houston (Texas), convidou internautas a acompanhar uma cirurgia de retirada de um tumor cerebral de uma mulher. A operação está marcada para começar às 9h30 desta quarta-feira, horário de Brasília. O @houstonhospital vai usar a hashtag #Mhbrain. Haverá vídeos, fotos e textos sobre o procedimento, que deve durar quatro horas. Um dos médicos da equipe estará à disposição para falar com os internautas.
Todos os passos serão mostrados, inclusive a abertura do crânio. Em seu site, o hospital alerta que as cenas serão impróprias para estômagos fracos.
Enquanto os líderes israelenses e palestinos não mostram nenhuma disposição em superar suas divergências, um grupo de heavy metal tem conseguido transpor as fronteiras impostas pelo ódio para encontrar pontos em comum entre povos que os radicais teimam em ver como inimigos.
A banda Orphaned Land, de Israel, é, há um par de anos, o catalisador de fãs não só de seu país, mas de vários lugares do Oriente Médio, inclusive onde o rock não é exatamente bem visto. Nessa rede que se formou em torno do grupo, que tomou o Facebook e outras redes sociais, aparecem judeus, muçulmanos e cristãos, de países como Líbano, Síria, Turquia e Irã. Uma revista iraniana de rock, aliás, dedicou sua capa ao Orphaned Land em 2010, como dá para ver abaixo.
O segredo do sucesso da banda é a “fusão do heavy metal com instrumentos tradicionais, melodias e ritmos do Oriente Médio”, escreve o comentarista israelense Roi Ben-Yehuda. “Ao fazer isso, eles conseguem não apenas explorar a sensibilidade estética regional, mas também demonstrar que o povo judeu tem raízes no Oriente Médio, e que o engajamento com a globalização não necessariamente tem de levar ao abandono da cultura local.” Ele explica que o Orphaned Land usa em suas letras trechos da Torá, do Novo Testamento e do Corão, numa “visão ecumênica de espiritualidade”.
Na mais recente demonstração de pacifismo, Johanna Fakhri, dançarina libanesa, apresentou-se com a banda mostrando uma bandeira de seu país, lado a lado com a bandeira de Israel, como dá para ver abaixo.
Depois desse show, o Orphaned Land caiu na estrada acompanhado de artistas da Tunísia e da Argélia para fazer, nas palavras de Ben-Yehuda, “a primeira turnê de heavy metal judaico-islâmica de que se tem notícia”. É como diz a página dos fãs da banda na internet: “O Orphaned Land é bem-sucedido onde os políticos fracassam!”.
Não se espere que François Hollande derrube totalmente a Bastilha da austeridade. Quando muito, o presidente eleito da França representa um socialismo “aguado”, na feliz expressão de meu amigo e mestre João Batista Natali em artigo na Folha desta segunda-feira (aqui, só para assinantes). Ademais, é bom ficar claro que Hollande não ganhou a eleição francesa por ser socialista, ou não principalmente por isso, e sim porque ele prometeu aliviar o torniquete da contenção de gastos, imposto pelo pacto fiscal franco-alemão. Os votos nele foram votos de protesto contra a austeridade, e mesmo assim pode-se dizer que a França está dividida – o desacreditado e cada vez mais direitista Nicolas Sarkozy teve quase metade dos votos. A desmontagem da austeridade na França pelo voluntarioso Hollande terá de ser concertada com Berlim, que já sinalizou um apoio apenas brando à resolução da crise pela via da retomada da expansão econômica.
A responsabilidade pela desmoralização dos planos de recuperação da economia europeia por meio do estímulo e do crescimento foi da crise grega, interpretada como um sinal do que acontece quando o déficit público sai do controle. Então, a Europa deu marcha à ré, Keynes levou um pontapé e a austeridade tornou-se um mantra, a título de “recuperar a credibilidade” dos países ante os mercados. No entanto, numa economia deprimida, cortar gastos significa matar o paciente, e foi contra isso que os franceses se insurgiram. A opção “socialista” era a que estava à mão, mas convém lembrar que, no primeiro turno, a extrema direita teve um desempenho expressivo também.
Nesse aspecto, a vitória relativa dos neonazistas na Grécia é significativa. Do ponto de vista geopolítico, ela não representa grande coisa – afinal, a Grécia não é a Alemanha, no sentido de que um eventual regime ultranacionalista num país pobre e marginal como a Grécia de hoje não tem o mesmo potencial de estrago continental (e mundial) que tinha um regime ultranacionalista num país rico, povoado e central como a Alemanha que Hitler pegou para governar. Mas quando neonazistas declarados chegam ao poder em qualquer país europeu, mesmo desimportante como a Grécia, talvez seja hora de a União Europeia repensar se a visão tecnocrata da economia, que considera o desemprego como fator de reequilíbrio fiscal, entre outras barbaridades, é mesmo um caminho prudente.
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