Ter amigos artistas requer algumas obrigações éticas, como comparecer em seus eventos.
Me senti no dever de ir ao Shopping Eldorado, num sábado à noite, para ver o meu amigo LEO JAIME, flamenguista, astrólogo, taurino como eu, no palco do Teatro das Artes.
A turma do pôquer de dadinhos ia. Mas deu o cano!
LEO já fez teatro, já o vi em cena e gostei. Me falou por alto que se tratava de um show de stand up comedy carioca. Fui com um pé atrás [ôps, no sentido figurado...]. Porque o gênero americano se popularizou de tal forma no Brasil, que nos oferece coisa boa, mas muita porcaria.
É interessante como demorou para pegar. Me lembro da GRACE, de quem sou amigo há… Melhor não falar, ela pode me bater. Com MARCELO MANSFIELD e ANGELA DIP, no AEROANTA.
Não faziam exatamente stand up comedy, eles tropicalizaram a coisa. Era uma síntese entre o besteirol e o stand up.
A TERÇA INSANA movimentou atores de stand up, mas que diferem do gênero americano, pois representam personagens, enquanto o original é aparentemente um desabafo de um cara comum. Gênero que movimenta tanto dinheiro nos EUA quanto o teatro. E que dominou o horário nobre da TV [Carson, Letterman, Seinfeld, Jay Leno].
Vi há uns anos os stand ups dos meninos que agora estão no CQC, Rafinha Bastos, Oscar Filho, e confesso que vibrei. Sim, era possível o gênero americano se instalar e se desenvolver no Brasil. Apesar de parte da classe teatral torcer o nariz.
Num mês, vi 3 show do ainda desconhecido Danilo Gentili. Um inclusive no bar do ESPAÇO PARLAPATÕES, de onde não arredo o pé [outra expressão figurada...]
E aplaudi de pé [chega, vai!] o moleque que quase não repetia as piadas.
Agora, há páginas nos guias culturais indicando os shows de stand up. Pegou.
+++
Cheguei naquele shopping abarrotado, intransitável, inestacionável, cruzei a praça de alimentação, que mais parecia a cela de uma delegacia super lotada.
Entrei por último no teatro. Imaginei ouvir uma quantidade enorme de piadas bobas, que falam de pum, coco, bichas, sogras, e com muitos palavrões, porque, mágica, alguém sempre ri quando se diz um palavrão. Dercy sabia disso muito bem.
O que vi foi um dos mais técnicos e sofisticados shows de stand up. E muito engraçado, lógico.
Do grupo COMÉDIA EM PÉ, que há anos pratica o gênero no Rio, se autodenomina o primeiro grupo de stand up do Brasil, pesquisa o assunto, viaja para Nova York só para se aprimorar, lê tudo quanto é livro sobre o gênero, explora a técnica e até já escreveu livros e manuais.
LEO JAIME, piadista de plantão, não decepcionou.
Cláudio Torres Gonzaga é o “mestre de cerimônia”, e já emplaca várias piadas sensacionais. A começar por um cara procurando vaga num estacionamento do shopping. “Sou daqueles que pegam o ticket e coloca na boca. Poderiam dar um sabor pra a gente ficar chupando, enquanto procuramos vaga.”
Eu também coloco o ticket na boca. A identificação rola na hora. Pronto, tá aí o segredo. Mostrar o ridículo das coisas banais.
O cara é ator e diretor de teatro, redator da Globo, onde escreveu para Escolinha do Professor Raymundo, Sai de Baixo. Atualmente é redator de A Grande Família. E está naquele quadro do Fantástico, EXAGERADOS, a única coisa boa do programa, junto com os gols da rodada.
Entram Paulo Carvalho, experiente ator de teatro, e Leo Lins, o único que não é ator, diretor, nem produtor. É comediante stand-up! Escreveu um livro sobre o gênero. E começou perguntando: “Alguém me viu no Fantástico?” Dois caras levantaram a mão. “Que estranho, nunca apareci no Fantástico”, ele disse.
E Fábio Porchat, ator, diretor e autor teatral. Que faz uma hilária performance de como ligar para a NET. “É preciso de um dia de folga do trabalho para ligar para a NET.” Ele também está em EXAGERADOS, que renovou a participação no programa dominical.
Bem, são descolados, estão no Youtube, Twitter, e, incrível, levando para o teatro pencas de adolescentes, o que há muito eu não via. Jantei com os caras depois, e me contaram alguns truques e garantiram que repetem pouco as piadas.
Vou levar a turma do pôquer e checar.
+++

Bem, agora sim, é a última semana da peça A NOITE MAIS FRIA DO ANO no Rio, hoje e amanhã, 21h, e só.
Fizemos na raça, pagando do bolso as passagens, só para mostrarmos a peça para esta cidade tão importante no cenário cultural brasileiro.
Muita gente pergunta se irá para outras cidades, me cobra. “Vem pra Goiana”. “Traz a peça pra Salvador.” Não é bem assim.
Iremos para Lorena, dia 2 de dezembro e talvez fiquemos de novo em cartaz no ESPAÇO PARLAPATÕES, a nossa casa, em fevereiro de 2010.
Não, não irá para outras cidades, porque é absolutamente inviável fazer teatro itinerante sem patrocínio. E eu lamento isso, porque minhas primeiras peças viajavam o Brasil sem patrocínio, de Porto Alegre a Manaus, e davam lucro.
Havia o “frentista”, produtor local que agendava as pautas, arrumava hotel e ganhava a sua parte da bilheteria. Tínhamos amigos na VARIG, TRANSBRASIL ou VASP, para quem ligávamos para pedir descontos nas passagens.
A da VARIG, de quem eu não me lembro o nome, era amiga de toda a classe teatral.
É, sou do tempo em que não existiam as leis de fomento. Teatro era um produto. Vendíamos o nosso talento.
As leis de fomento e incentivo alimentaram a cena teatral alternativa, ressuscitou o teatro, trouxe público, especialmente o jovem, novidades, gerou grandes companhias, autores, diretores inovadores, atores sem os vícios do naturalismo.
Mas nos deixou dependentes e viciados numa relação mercantil fantasiosa.
Para alguns grupos, o público passa a ser secundário. Prioritário é patrocínio, o projeto- objetivo e justificativa, orçamentos-, a montagem.
O truque da meia entrada era o que faltava para transformar o teatro num hobby para quem faz, já que costumamos gastar mais do que ganhar. 80% pagam meia: esteliotato e falsidade ideológica.
Não estou reclamando. Ao menos, graças às leis, ao SESC, editais, prêmios, ainda temos a chance de fazer teatro nesse País em que uma família prioriza o CARRO ZERO, não a cultura de todos.
O dinheiro que sobra não é gasto em livros, peças e filmes para os filhos. Vai para a indústria automobilística.
Stand up tragedy… será que pega? rs
Poker de dadinhos…vício da turma…hehehe
Vc iria adorar os dadinhos que comprei, metalizados, numa caixinha…lindos
Espero muito poder ver A Noite mais fria do ano no Espaço Parlapatões. Não tive a oportunidade de ir na vez passada. Voltem!!
Mais uma oportunidade de ir para SP, assim levo o novo namorado e não arrumo confusão!
Gostaria muito de ver a A Noite mais fria do ano*
mas acho que e quase impossivel
Marcelo vc ja esteve ou pensou em vim para Manaus?
Marcelo, estou louuuca pra ver A noite mais fria do ano! Vai ter em dezembro em Lorena, perto da minha cidade! haha Não vou perder, sou muito fã sua! Beijooos!
marceloooo… acabei de ler o post com a comparacao de Ensaio sobre a cegueira e Blecaute!!
juro que quando li o livro do Saramago na hora relacionei com o Blecaute!!! até comentei no meu blog na epoca!!
vou deixar o link se vc qser dar uma olhada…
http://brunamion.arteblog.com.br/82111/O-melhor-dos-Ensaios/
Moro em NY e gosto de acompanhar os stand up por aqui, mas tem uns bem ruins tbm viu cara?
Qdo fui ao Brasil, só assisti ao Terça Insana pq trabalho na HP e era época que a HP patrocinava. O pessoal de MKT e Vendas me atormentou dizendo q era bom. Fui, com o pé atrás, mas gostei demais.
Sai de lá rindo horrores, como é bom se enganar não é? Então, vi q o negócio foi para frente, tem uns caras bons.
Se a sua peça não vai pelo Brasil, nem vou questionar se vem para cá rsrss
Abraços, cara!
PS> Andréa Lacerda, vc é a mesma q trabalhou na HP?
hahaha
O stand up o deixou de bom humor.
É, já ouvi muita gente falando mal de stand up, mas eu acho legal. Claro que, como disse, tem muita coisa ruim, mas ruim mesmo. Para mim é como comer frutos do mar fora de casa, tem que confiar muito em quem oferece o serviço. Mas tbm quando o cara é bom ele salva o gênero.
(Mal sei o que é pôquer, de dadinhos então… Mas deu vontade de ser da turma)
Poxa… que triste… queria tanto ver a peça.
(o cartaz ficou bem legal, gosto muito, parabéns a quem o fez)
Tem como conseguir o texto, pelo menos?
São Paulo e fevereiro me parecem tão distantes…
essa sacada do fantástico, foi fantástica…
e quem não coloca o ticket na boca? principalmente no eldorado!
O Danilo Gentilli é muito bom..
O cara começava o show falando de amigos chatos.
Tenho um amigo que é tão chato mais tão chato que o apilído dele é Galvão Bueno.
Cara, e os seus gatos?
Você já veio a Manaus, Marcelo? Tem que trazer suas peças pra cá de novo, hein!
Olá Marcelo sou um fã desde os tempos de fanzine na tv cultura mais faça um favor não use o blog para defender a loira da uniban ela é a unica errad dessa historia certo ! Seria legal se você defender os caras do mst movimento dos sem terra como você sabe a bant a tv e as radios da band a dband news fm sempre criticam de maneira pesada o mst .
E fale sobre os artistas famosos que fazem comercial de refrigerante como o mv bill , até mais !!
Caro Marcelo, queria fazer um comentário mais geral e te agradecer por compartilhar suas neuroses urbanas. Para mim, tudo que você escreve, além de ser muito bem redigido me traz um gostinho do nosso país e do pastel da Dona Maria. Tudo de bom.
Paguei um mico indo te pedir um autógrafo do seu novo livro, para um presente especial, há alguns meses. Era sua vizinha, e agora passo frio na Holanda. Espero que tenha gostado de re-assistir os filmes do Scorcese.
Um forte abraço com gostinho de Stropwaffels!
Prezado jornalista, que tal pensar em iniciar uma campanha contra a violência no trânsito como o ABSURDO que se viu ontem em Campo Grande, onde um bebê foi baleado e morto por um jornalista ofendido?
Não me causa estranheza que a imprensa nacional esteja dando tão pouco destaque ao ocorrido com o colega… Médicos também sempre acobertam médicos, é do jogo.
Mas penso que vc é diferente, por isso lhe escrevo. Por favor, use dos recursos de que dispõe para ajudar a humanizar este Brasil!
Adoroo peça no teatro do Eldorado! Facilita tanto!Pena que nessa época fique péssimo de estacionar…
Eles estão em cartaz quais dias da semana?
E o Léo Jaime é o músico? “Fórmula do amor” e tals?
Beijos!
Léo Lins Marcelo, Léo LINS…
Bem que eu tava achando essa história muito esquisita…rs
é o leo jaime, o lins entra depois, leia direito
E Chico Anysio, Jô Soares, Costinha, Juca Chaves, Zé Vasconcelos ??
Até Plínio Marcos !
Isso sempre existiu por aqui.
ei, deixo aqui a sugestão de uma peça MARAVILHOSA da Elisa Lucinda, no Teatro Jaraguá, às sexta-feiras. PAREM DE FALAR MAL DA ROTINA. Não é stand up mas é muito boa, fala de temas do dia a dia com um senso de humor fenomenal e uma sensibilidade muito especial…
2012
2011
2010
2009
Deixe um comentário: