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Marcelo Rubens Paiva

25.julho.2010 13:04:17

essas ninfas…

Olha aí, ó:

Pedofilia em discussão.

Pedofilia?

Não só isso, lógico.

Ninfas que perturbam.

Arte do CARCARAH, fotos da THAYS BITTAR, filha de peixões.

 

 

 

Trechos:

CACAU

Oi, prazer, sou sua filhinha querida. Não sou mais virgem. Pronto, contei o principal. Para quebrarmos o gelo… não é assim que se diz?

DIRCEU [pega a sacola de free shop]

O que mais você trouxe?

 CACAU

Daddy, minha primeira vez foi aos 14 anos. Eu tava loucaça… é assim que se diz? Tinha tomado um MMD numa festa, desmaiei e acordei no banheiro, toda revirada, com a camisa rasgada e um cara em cima de mim. Foi uma doidera. Afetamina me abaixa a pressão, viu que louco?

 DIRCEU

E você chamou a polícia?!

 CACAU

Ele era da polícia. Meu vizinho. Aí, fiquei grávida e fiz um aborto. Aborto aqui no Brasil não é liberado, né? Que sorte que não moro aqui.

 DIRCEU

Quantos abortos você já fez?

 CACAU

Nem te conheço, isso é um assunto íntimo. Uns quatro. Eu não puxei a mamãe, que é contra o aborto. Se ela fosse a favor, eu não tinha nascido.

DIRCEU

Você trepa sem camisinha?

CACAU

Viu que louco? Mas só com quem confio. Problema que sou ingênua, confio em todo mundo.

 

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DIRCEU

Você tem Euros?

 CACAU

Tenho mil problemas. Melhor eu ir embora.

 DIRCEU

Com drogas?

 CACAU

Não tem Euro na Inglaterra, bobão. É, já tomei ácido, E, e ópio. Já fumei haxixe, skank, tailandês. Cheirei duas carreiras de herô. Mas só duas. Já tomei peiote, chá de lírio, de cogumelo e uma garrafa inteira de absinto. Teve uma época que fui viciada em hoipinol com rum. Pirei, cara, pirei… Não é assim que se fala? Meu professor de português quem me ensinou. Meu professor de português era o meu traficante. Sabe que eu pedia para ele me deixar um chupão no pescoço? Acho tão sexy sair na rua com um chupão no pescoço… Você pode escrever um livro sobre mim. Mas mudei, cara. Larguei tudo. Minha vida é uma superação. Eu te conto tudo, até os detalhes. “Cacaauuu, The Bitch!”

 

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BARROS

LV são ótimas, a qualidade do material, o zíper, o couro bem tratado.

 CACAU

Não são sexy?

 DIRCEU (EXPULSANDO O BARROS.)

Obrigado pela carona.

 BARROS

Você prefere LV do que Prada?

 CACAU

Tenho uma Gucci também, deliciosa.

 BARROS

Minha carteira é Gucci, tão excitante?

 CACAU

E no pulso, Rolex?

 BARROS

Bulgari.

 CACAU

Ufa! Ainda bem. Rolex é uó.

 BARROS

Eu queria um Patec.

 CACAU

Tudo!

 BARROS

Mas, no Brasil… Seria uma ostentação.

 DIRCEU

Esse papo tá do caralho…

 CACAU

Tem loja da Bulgari aqui?

 BARROS

Tem todas!

 DIRCEU

Até logo.

 CACAU

Tenho uma tatu linda. Quer ver?

 DIRCEU EXPULSA O BARROS.

 CACAU

Nossa, que gostoso, que olhos, que mãos. Culto… Viu aqui, a barriguinha, adoro aquela entrada (põe a mão no quadril), passei mal no carro, e ele ficou me comendo com os olhos. Será que ele só quer me comer?

 

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+++

 

A PLAYBOY mais esperada do ano.

E ela ainda pediu para não retocarem as fotos.

Se aparecer uma celulite, deixar assim.

Serão 80 páginas.

Fotos do genial BOB WOLFENSON.

O lobo e a ninfeta.

Como diria, desculpem as feias, mas beleza…

Calma, balzacas.

Vocês são bem quentes, sedutoras, sábias…

Calma, maduras.

Vocês são mais ainda.

Assim como vocês adoram ver surfista saindo do MAR, tirar a roupa de borracha, se alongar, e até fantasiam passar PARAFINA na prancha do garoto [ainda se passa parafina em pranchas?], nós também gostamos de ver a beleza de uma provocante guria.

E admirar os caprichos de Deus.

Parabéns ao FABIU OBRIGADUUU e à diva GLORIA PIRES.

 

cleo

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23.julho.2010 11:51:49

tudo pode dar certo?

Brasileiro sofre.

Especialmente quando as regras são criadas em gabinetes fechados, sem a consulta de quem realmente interessa, a parte fraca [fraca?!] das relações comerciais: o consumidor.

Na privatização das telefônicas, criaram o entulho do “código da operadora”.

Durante meses, tínhamos que nos acostumar com o “xis xis”, o código da operadora”.

Pois abriram o mercado, tiraram o monopólio da EMBRATEL, e a decisão por qual operadora usar passou a depender do digitar de cada telefonema do usuário.

021

036

071

014

Lembro-me de reconfigurar meu celular e acrescentar em todos os telefones nele registrado um 036, código da minha operadora.

Em 1 ano, ela se associou ao 021, e tive de reconfigurar tudo de novo.

Num hotel em PALMAS, eu precisava dar um telefonema urgente e não sabia qual a operadora o hotel utilizava. Tentava 021, 036, números randômicos. Nada.

E explicar isso para amigos estrangeiros ou avós?

Em nenhum país do mundo é assim.

Já é automática a escolha da operadora, não é preciso escolher em cada telefonema.

Convivemos com este nonsense criado em gabinete, e a vida continua.

O mesmo ocorreu recentemente com a troca de tomadas.

Todos os aparelhos que o brasileiro tem em casa tornaram-se obsoletos, pela regras criadas por 1 instituto.

E lá fomos nós nos entender com os 3 pinos que só existem no Brasil e, lógico, comprar adaptadores.

E enriquecer alguém.

O último transtorno foi adquirido pelos antigos clientes do UNIBANCO, comprado pelo ITAÚ.

Desde JUNHO, a transição virou uma enxaqueca daquelas.

Mudaram os números de agências e contas.

Novas senhas precisaram ser boladas.

Há 1 mês não consigo mexer nas minhas contas.

Ambas já no vermelho.

E nem com duas visitas à agência reformada, o problema se resolveu.

Pois para tudo eu precisava de um cartão que o ITAÚ não mandou.

Nele, uma misteriosa senha com a qual eu poderia movimentar a minha grana.

Como ele não chega, nada feito.

Pensei que eu era o cara mais azarado da cidade, até encontrar na agência amigos do bairro com o mesmo problema, e com as suas pessoas físicas e jurídicas reféns.

Quem bolou esta transição merece 1 prêmio, o de conseguir paralisar os negócios de milhares de clientes.

Valeu…

 

+++

 

MALU DE BICICLETA ganhou 3 prêmios ontem no encerramento do FESTIVAL DE PAULÍNIA: melhor atriz [FERNANDINHA FREITAS], R$ 30 mil, melhor ator [MARCELO SERRADO], R$ 30 mil, e melhor diretor [FLÁVIO TAMBELLINI], R$ 35 mil.

Demais.

Parabéns.

Merecidíssimos.

E cada 1 me deve um jantar.

Mas um detalhe me chamou a atenção.

Lá vou eu, o neurótico, melar a comemoração.

O prêmio para atriz coadjuvante, melhor figurino, montagem, som, fotografia, R$ 15 mil, é o mesmo que para melhor roteiro [RAFAEL DRAGAUD, de 5 X FAVELA].

Mais interessante, o prêmio de roteiro de melhor curta, R$ 10 mil,

Para um longa, é preciso mais de 100 páginas para se contar uma história.

O roteiro de um curta não tem mais que 10.

E aí, esta proporção é justa?

Nada se começa sem um roteiro, com o qual se gasta anos de trabalho.

É a partir dele que se orça 1 filme, se inscrevem nas leis, capta dinheiro, escala atores, ensaiam, rodam. Merece mais, vai…

Devemos 1 jantar e uma feira pro DRAGAUD!

 

+++

 

Campanha para salvar o cine BELAS ARTES, que perdeu o patrocínio do HSBC e pode fechar as portas, ganhou aliados saborosos.

Restaurantes como AMADEUS, ARÁBIA, DONA ONÇA, ICI BISTRÔ, LA CASSEROLA, LA FRONTERA, MARTIN FIERRO, MESTIÇO e outros oferecem ingressos a uma sessão para quem comer lá.

E o cinema oferece uma sobremesa a quem carimbar 1 ingresso e comer nos restaurantes.

Genial!

Vamos nessa, engordar…

Colesterol e cultura nas veias.

 

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22.julho.2010 01:33:22

eu é um outro

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Estreamos ontem o filme MALU DE BICICLETA no FESTIVAL DE CINEMA DE PAULÍNA.

Casa cheia.

Parece que o público gostou.

A crítica também.

Pelo jeito, não gostaram dos filmes anteriores.

Leia abaixo por que desconfiei.

Anunciado como comédia romântica, logo tentei “desrotular” o filme.

Esse é um problema que me persegue, como definir a minha obra: comédia, drama, tragicomédia, melodrama, comédia romântica, ficção científica.

É sempre assim. BLECAUTE dizem ser ficção científica. É nada.

MALU DE BICICLETA, comédia romântica. Comédia? Quem conhece o livro e viu ontem o filme sabe que o final é uma paulada.

Me pediram recentemente para classificar minha peça O PREDADOR ENTRA NA SALA, que estreia semana que vem, quarta-feira, no PARLAPATÕES. Não consigo. É cômica até a última e polêmica cena. Então não é comédia?

Até FELIZ ANO VELHO, taxado de engraçado, é impossível definir.

Engraçado? O moleque, filho de 1 desaparecido político, fica tetraplégico!

O problema deve ser comigo.

Ou como escreveu Rimbaud, o rebelde de vida dupla [definição de Edmund Wilson]:

“Eu é um outro.”

Resumo da incapacidade de nos conhecermos.

Resultado de tantos tabus e repressões.

Não sei quem eu sou.

Nem o que quero ou defendo.

Nem o que gostaria de ser.

Não consigo deixar de rir da tragédia humana, da piada que é o caos da vida.

Nem levar a sério o ridículo nas pessoas, escravas de nossos clichês.

Talvez possa definir tudo o que escrevo como “drama para rir”.

E ser taxado como o autor que não consegue se levar e sério.

Aliás, como já definiram o nosso País.

MALU DE BICICLETA estreia mesmo dia 4 de novembro.

Posso dizer que está honesto, lindo, sensível, surpreendente e “elegante”, como disse na coletiva de hoje [quarta-feira] à tarde o diretor FLÁVIO TAMBELLINI.

Entrevista em que um repórter gaúcho disse: “Olha, tinha de tudo para não gostar do filme, vim ver para não gostar, mas gostei.”

Quando contei isto para a minha irmã VEROCA, ela disse: “E vocês perguntaram por que ele disse que foi para não gostar?”

Não, não perguntamos. Deveríamos, né?

Como alguém vai ver uma coisa para não gostar?

Então, não somos todos ridículos?

 

Aqui vai o que meus colegas da imprensa falaram do filme:

 

DANIEL CASTRO [do R7]

 

Estrelado por Marcelo Serrado e Fernanda de Freitas, o longa Malu de Bicicleta surpreendeu público e crítica em sua primeira projeção, ontem (20) à noite no terceiro festival de cinema de Paulínia.

Após a exibição, jornalistas especializados em cinema respiraram aliviados. Por ter recebido antecipadamente o rótulo de comédia romântica, Malu de Bicicleta poderia se revelar mais uma bobagem, apesar de o currículo do diretor, Flávio Tambellini (de Bufo & Spallanzani), contar a favor.

Baseado em livro de Marcelo Rubens Paiva (que também assina o roteiro), Malu de Bicicleta é basicamente a história de um cara rico e mulherengo que se apaixona por uma mulher que o atropela no calçadão do Leblon (Rio).

Luís Mário (Marcelo Serrado), um homem que ouvia “vozes” de seios e vaginas, mergulha então numa neurose de traição que remete a Dom Casmurro. Malu (Fernanda de Freitas) tem um quê de Capitu. A química entre os dois atores funciona.

“Eu reli Dom Casmurro. Durante as filmagens, o Flavio [Tambellini] sempre me falava para não esquecer da dúvida”, contou Fernanda, em debate sobre o filme hoje (21) à tarde.

Marcelo Rubens Paiva lembrou que seu livro “é sobre esse mundo de hoje, de galinhagem, de alta rotatividade de parceiros”. Mas isso não se traduz numa obra superficial. “Eu não queria fazer um filme machista. No filme, as mulheres é que são fortes”, falou o diretor Tambellini.

Marcelo Serrado disse que se inspirou em filmes de Woody Allen para compor seu personagem: “O menos é mais neste filme”.

Malu de Bicicleta é um filme “BO” (de baixo orçamento). Inicialmente orçado em R$ 2,5 milhões, foi feito com apenas R$ 1,3 milhão.

“Isso criou uma maneira de fazer o filme, dentro de um espaço de tempo, com um dinheiro limitado. Foi bom, porque a partir daí a gente fez um filme de cinema, com gente a fim de fazer, com pessoas do teatro, pessoas que se apaixonaram pelo projeto, que se deram”, afirmou Tambellini.

 

HEITOR AUGUSTO [Cineclick]

 

PAULÍNIA 2010: Malu de Bicicleta, ufa, oxigena o ar do festival

Homem solteiro procura; e quando acha, não sabe o que fazer. A frase pode resumir a trama de Malu de Bicicleta, filme recebido pelo público e pela crítica aqui do Festival de Paulínia como uma espécie de “alívio” muito bem-vindo, após alguns dias de exibições pesadas que, digamos assim, não corresponderam às expectativas de quem esperava curtir um bom cinema. Eufemismo é bom e a gente usa.

Com roteiro de Marcelo Rubens Paiva, a partir de seu próprio livro, Malu de Bicicleta prova que é perfeitamente possível e viável o desenvolvimento de um tipo de cinema brasileiro que ao mesmo tempo tem grandes qualidades e conversa bem com seu público. Já é hora de cair por terra a falsa teoria de que o Brasil só produz (1) ou filme que só a crítica e os intelectuais gostam, (2) ou filmes de favela e violência e (3) ou filmes popularescos que conseguem grande público mas não tem qualidade.

 

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Malu de Bicicleta tem potencial de dialogar com as grandes platéias, não subestima a inteligência e o bom gosto do público, é tecnicamente irretocável, e também traz todos os elementos para agradar à crítica e ao consumidor mais exigente que busca um cinema mais inteligente. Faz rir e faz pensar. Tem ótimas interpretações e é dirigido com segurança e ritmo. Não é um Chabrol (e nem quer ser), mas disseca com competência o sofrimento do ciúme, o “inferno do amor possessivo”. Enfoca com leveza a questão da insegurança masculina diante da simples possibilidade da estabilidade e de felicidade, por mais rimas que a frase possa conter.

A direção é de Flávio Tambellini, mais conhecido como o produtor (função que assina em mais de 20 longas) que propriamente como diretor, já que este é o seu terceiro longa, após Bufo & Spallanzani (2001) e O Passageiro – Segredos de Adulto (2007).

É drama? É comédia? Romance? Responde Marcelo Rubens Paiva: “Queria que o público se libertasse um poucos dos rótulos. O longa é engraçado, mas tem uma parte do filme que é bem dura. Ele não é apenas uma comédia romântica, é cinema”, afirmou.

 

MARCO TOMAZZONI [IG]

 

Em sua reta final, com apenas mais um filme para ser exibido, a competição de longas-metragens de ficção do Festival de Paulínia conheceu, depois de Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos, mais um filme digno. Dirigido por Flávio Ramos Tambellini (O Passageiro, Segredos de Adulto, Bufo & Spallanzani), Malu de Bicicleta mostra com competência algo que Dores & Amores ficou longe de fazer. Mais do que discutir os relacionamentos do mundo moderno e a busca pelo amor, o filme também envereda pelo lado sombrio dessa discussão, o ciúme.

O paralelo com o maior símbolo do ciúme na cultura brasileira, a Capitu de Dom Casmurro, é evidente, até pelo ponto de vista da história: sabe-se de tudo através do protagonista e as ações de Malu continuam um mistério para o espectador. O acerto de Tambellini é conseguir manter a tensão da trama acesa o tempo inteiro, atiçando-a rumo ao desfecho, sem meter os pés pelas mãos, com cadência, elegância. A montagem de Sérgio Mekler e Quito Ribeiro e a trilha sonora de Dado Villa Lobos só deixam tudo mais fluente.

Além de Fernanda de Freitas e Serrado, que enfim faz um papel competente no cinema, o bom elenco de apoio serve tanto para potencializar o eixo dramático quanto as cenas de humor, encabeçadas por Thelmo Fernandes e Marcos Cesana, naquele que é seu último trabalho nas telas (Cesana morreu, vítima de um AVC, em maio). Destaque também para Otávio Martins e a global Marjorie Estiano, desglamurizada. Malu de Bicicleta é sério concorrente aos prêmios principais.

 

ADRIANO CONTER  EPTV.com]

 

Filme “Malu de Bicicleta” é obra prima de Marcelo Rubens Paiva e Flávio Tambellini

Paulistano, Luiz Mário não tem vergonha de ser galinha. Usa cada garota que conquista para depois jogá-la fora. Vê o corpo de uma mulher como um chamado, até que uma maluca não aceita o fora, pega uma faca e a coloca em seu pescoço. Assustado, ele viaja para o Rio de Janeiro, onde é atropelado por Malu, que andava de bicicleta.

É assim que começa o melhor filme já apresentado no terceiro Paulínia Festival de Cinema, “Malu de Bicicleta”. Uma obra prima do roteirista Marcelo Rubens Paiva e do diretor Flávio Tambellini exibida nesta terça-feira (21).

Aos poucos, o longa envolve o espectador de uma forma a causar-lhe angústia, sedento por uma resolução, a medida que todos os personagens vão deixando a narrativa para sobrar somente a loucura de Luiz. O filme começa como uma comédia romântica, mas termina como um suspense psicológico.

Com atuações muito boas, “Malu de Bicicleta” faz rir e pensar ao mesmo tempo, com uma história com a qual qualquer um pode se identificar.

Antes da exibição, Marcelo Rubens Paiva revelou que a equipe do filme era pequena, mas era formada por amigos de bar. A cumplicidade transparece em cenas lindas, como quando Malu derruba uma lágrima, deitada ao lado de Luiz, após ser pedida em casamento.

 

ANDRÉ MIRANDA [O GLOBO]

 

Paulínia: ‘Malu de bicicleta’ fala de amor pelo olhar masculino

Depois de duas tentativas mal-sucedidas (“As doze estrelas”, exibido na sexta-feira, e “Dores e amores”, exibido na segunda), enfim uma comédia romântica adulta mostrou qualidades e agradou o público da 3ª edição do Festival de Paulínia. Último longa-metragem das sessões de terça-feira, “Malu de bicicleta”, de Flávio Tambellini, trata do ciclo de um relacionamento pelo olhar masculino, com todas as decisões, inseguranças e ciúmes envolvidos.

Mais tarde, o teatro ficou completamente tomado por espectadores interessados em: 1) A volta de Tambellini, um renomado produtor, à direção, depois de “O passageiro, segredos de adulto”, de 2007; 2) A adaptação para o cinema de mais uma obra de Marcelo Rubens Paiva; 3) A presença no filme de atores conhecidos, como os protagonistas Marcelo Serrado e Fernanda de Freitas, e os coadjuvantes Marjorie Estiano e Otávio Martins; 4) A esperança de finalmente se assistir a uma boa comédia romântica.

O gênero havia sido abordado por duas das ficções desta edição de Paulínia: tanto “As doze estrelas”, de Luiz Alberto Pereira, quanto “Dores e amores”, de Ricardo Pinto e Silva, foram duramente criticadas por seus roteiros primários e direções confusas. “Malu de bicicleta” mudou o panorama.

Na trama, o paulista Luiz Mário (Serrado) vive um empresário da noite, bem-sucedido com as mulheres, o tipo do sujeito que tem várias namoradas e não quer se envolver seriamente com ninguém. Em certo dia de sol, ele esbarra acidentalmente com a carioca Malu e vai se apaixonando. A paixão vira amor, o amor vira casamento, o casamento vira insegurança, a insegurança vira ciúme, e por aí vai.

O filme se utiliza de situações cotidianas comuns: a diferença de estilos entre cariocas e paulistas, o medo de o parceiro fazer coisas erradas de que você próprio seria capaz e a cafajestagem típica de um homem solteiro de 30 e tantos anos. Apesar de parecer uma sequência de clichês, o que “Malu de bicicleta” faz é explorar a construção de um relacionamento com humor, bons diálogos, atuações consistentes e cenas muito bem filmadas, como a da primeira transa entre os protagonistas.

 

JAMILLE MENENZES [F&M Procultura]

 

Adaptação de livro de Marcelo Rubens Paiva foi o destaque desta terça

“Malu de Bicicleta” foi exibido pela primeira vez na noite de ontem na terceira edição do Paulínia Festival de Cinema. Misto de comédia romântica e drama, o filme conquistou o público presente e foi bastante aplaudido no final da sessão

O diretor Flávio Ramos Tambellini, o roteirista Marcelo Rubens Paiva e parte do elenco, entre eles os protagonistas Marcelo Serrado e Fernanda de Freitas, subiram ao palco do Theatro Municipal de Paulínia antes da exibição do longa e dedicaram o filme ao ator Marcos Cesana, morto há dois meses. O diretor confessou estar nervoso. “A cópia ficou pronta semana passada e veio direito para Paulínia”.

“Malu de Bicicleta” narra a história de Luiz Mario, empresário paulista e mulherengo que se apaixona pela carioca Malu ao ser atropelado por ela na orla do Rio de Janeiro. “O filme é uma história patética de amor, dessas que todos nós passamos. Amar é duro”, disse o ator Marcelo Serrado. “Queria que o público se libertasse um poucos dos rótulos. O longa é engraçado, mas tem uma parte do filme que é bem dura. Ele não é apenas uma comédia romântica, é cinema”, decretou o autor do livro e roteirista Marcelo Rubens Paiva.

 

 

É, parece que gostaram.

Que bom…

O Paulínia Festival de Cinema ACABA HOJE, quinta (22).

Confira programação completa no site: www.culturapaulinia.com.br.

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Olha que coisa estranha.

Há 28 anos dou entrevistas.

Porque há 28 anos lancei FELIZ ANO VELHO, aquele livro lá…

Eu era um estudante da ECA – USP, tinha 23 anos, meio punk, meio brechtiano [pobre do povo que precisa de heróis], meio anarquista [cuja chapa vencera a eleição do centro acadêmico], fumava, cheirava [não recomendo a ninguém, parei ainda nos anos 80], bebia, frequentava os inferninhos mais pesados da cidade [ficava no meio da pista, no empurra-empurra, com minha cadeira de rodas, dançando e cantando MERCENÁRIAS, INOCENTES, RATOS DO PORÃO, IRA!] e tinha uma turma de amigos da pesada, uma mesa de pôquer que acabava ao meio-dia [eu curava a ressaca na piscina da USP], além de assistir aos jogos do Timão no meio da GAVIÕES.

De repente, virei celebridade literária, uma piada.

Tinha que corresponder. Coitado…

Páginas Amarelas da VEJA, RODA VIDA, CANAL LIVRE, entrevistas para os grandes jornais, queriam entender quem era aquele moleque metido que lançara um livro comentado, que diziam ser o símbolo de uma geração.

Eu?! Logo eu?!

O que ele tem a dizer sobre a juventude brasileira?

O que tem ele a dizer sobre literatura?

Ele tem algo a dizer?!

Eu queria viver em paz, continuar a minha rotina, a minha juventude.

Responsabilidades? Pra quê?

 

 

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Uma vez a VEJA disse que eu era viciado em cocaína.

Neguei, e publicaram na seção de cartas.

Logo em seguida, a revista AMIGA estampou na capa DROGAS NA TV.

Lá estavam a minha foto, a do Polegar e a de Paulo Ricardo, preso no aeroporto com maconha.

Eu não era modelo de nada, nem queria ser.

Eu não sabia dar entrevistas.

Porque não gostava de dar.

Minha namorada da época, FERNANDA, dizia que eu deveria sumir e viver recluso como SALLINGER. Ela tinha razão, mas a editora e o mercado me pressionavam.

O livro estava há 4 anos bombando.

Timidez e inexperiência me levavam a ser arrogante e confuso nas entrevistas.

Eu necessitava desempenhar um papel, era um personagem falando.

Rude, polêmico, chato.

Eu mesmo detestava me ver na TV, ler o que eu dizia.

Minha família reclamava, porque eu não avisava dos programas em que ia aparecer.

Eles ficavam sabendo por terceiros.

Não fazia a menor questão de avisar, porque não queria que vissem as bobagens que eu falava.

Paguei um preço caro, minha cabeça deu um nó.

Só me reencontrei quando fui embora do Brasil, morar em San Francisco, sem fama, sem ser o que eu não queria ser.

Na volta, a decisão: chega de entrevistas, dar só para quem confio, amigos, e quando tiver um projeto relevante ou algo a ser dito.

Pronto, ganhei a fama de arredio.

Mas vivo em paz.

O que é engraçado?

Que só agora “aprendi” a dar entrevistas.

Ultimamente, tenho dado entrevistas só pra TV Sesc, Canal Brasil, Altas Horas [com meu irmãozinho SERGIO GROISMAN].

E semana passada pro LOBÃO!!!

Passa hoje na MTV, às 23 hs, no programa LOBOTOMIA.

 

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Era uma entrevista de meia hora, mas ficamos duas horas no estúdio rolando de dar risada, e as câmeras ligadas.

Falando exatamente disso, da carência de polemistas, de como no Brasil poucos falam do que pensam e do que precisa ser dito.

Você já viu algum programa de entrevistas na TV cujo apresentador diga na lata: “Venha cá, como seu filme é fraco, sua peça é ruim, e seu livro tosco, por quê?”

Na França e nos EUA é muito comum a imprensa pressionar o entrevistado.

Aqui a maioria é escorregadia, não entra em conflito.

Enumeramos os grandes polemistas da nossa história recente.

Que, como um bom polemista, erra bastante, mas quando acerta…

MONTEIRO LOBATO

NELSON RODRIGUES

TINHORÃO

GLAUBER ROCHA

CAETANO VELOSO

PAULO FRANCIS

DIOGO MAINARDI

ARNALDO JABOR

STANISLAY PONTE PRETA

BARBARA HELIODORA

NETO

ROMÁRIO

TRAJANO

TOM JOBIM

TELMO MARTINO

PLINIO MARCOS

E LOBÃO!!!

Faltaram alguns.

E, curiosamente, a vida de muitos deles não foi nada fácil.

Pagaram um preço alto por dizer o que pensam.

Mas, sem eles, o que seria deste País da condescendência?

  

+++

 

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Olha aí, esta peça não tem nada a ver comigo.

Nem com meu segundo livro, BLECAUTE [de 1986].

Aliás, me parece que é um infantil, pois passa às tardes.

Só pra deixar claro, já que me perguntam por aí…

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16.julho.2010 12:31:29

vou de táxi… vou?

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O negócio de TÁXI para deficiente em São Paulo, o chamado TÁXI ACESSÍVEL, não está rolando.

Caramba, cansei de avisar, ninguém faz nada.

Vocês são testemunhas.

Quantas vezes postei aqui alertando as “otoridades”.

Escrevi até uma coluna no ESTADÃO dedicada ao problema.

O lance é que quem bolou o sistema não pega táxi, nem deve ser deficiente.

E, como pai da ideia e lobista amador, me sinto frustrado e molhado.

Já que tomo chuva esperando busão e correndo a estações de metrô.

Enquanto poderia praticar o meu direito de ir e vir num táxi.

Já contei aqui como funciona em outros países.

Você liga para um número, agenda, e lá vem uma minivan com uma rampa.

 

em barcelona

em barcelona

 

Em Nova York, é o número 366.

Sem contar que 10% da frota já é acessível, basta esticar o dedo.

 

ny 107

 

Em Londres, quase TODA a frota é acessível. Sim, os notórios táxis negros, amplos, vêm com rampas. E se você for cadastrado, paga apenas uma libra e cinquenta centavos, que o governo subsidia a corrida. Basta ligar: 020 7934 9791.

 

em londres

em londres

 

No RIO o serviço rola já há um tempo, é um modelo.,

Basta ligar para a central, 21/3295-9606, uma cooperativa com quase 30 carros.

Nunca falha.

 

no rio

no rio

 

Já na maior e mais rica cidade da AL.

Tente.

A prefeitura fez diferente, distribuiu alvarás, pressionada pelas diversas cooperativas.

Quarta passei um perrengue debaixo de chuva na Avenida Paulista.

Comecei a ligar às 20 hs.

Para cooperativa 1. Só poderia me dar a resposta à meia-noite.

Liguei na cooperativa 2. Já tinha recolhido os carro.

Esta me indicou a cooperativa 3, que tem mais carros.

Ao ligar, ela me passou o celular direto de 2 motoristas. Liguei, ambos não atenderam.

Voltei a ligar para a cooperativa 3. Me passou o celular de outros 3 motoristas.

Mas eu quem teria que ligar pessoalmente?

Sim. Tive de anotar mais 3 números e ligar. Debaixo de um toldo de uma banca de jornal. Todos os motoristas estavam em casa já vendo TV.

Tentei até às 22 hs. Nada.

Não teve jeito.

Corri até o metrô. Cheguei ensopado.

Cansei de avisar que o sistema está errado.

Deveria haver 1 número apenas para todos os táxis.

Alguns deveriam ficar designados a plantões noturnos, como no Rio.

Sem contar que o carro é totalmente anacrônico, com uma adaptação importada que custa o preço de outro carro.

Já me reuni com o próprio SERRA, quando era prefeito, para falar disso.

Já marquei reuniões sempre canceladas com o SECRETÁRIO MUNICIPAL DO TRANSPORTE.

Alguém, por favor, que lê este blog e tem acesso ao chamado Poder Público, ajude a manter os cadeirantes da cidade inclusos. E secos…

E cantar como a ANGÉLICA: “Vou de táxi…”

 

micão paulistano

micão paulistano

 

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Nosso projeto TEATROKÊ, em cartaz às terças no TEATRO CENTRO DA TERRA, em que o público participa por pontos eletrônicos da peça e vira ator, saiu até num SHIMBU, jornal do Japão!

Repórteres da VEJA SP e do JT já foram cobaias.

Até ANA MARIA BRAGA experimentou.

E você não foi ainda?

 

 The Asahi Shimbun 2 WEB

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E terça dia 20 exibiremos MALU DE BICICLETA, filme de FLÁVIO TAMBELLINI, baseado no meu livro, roteiro meu, no FESTIVAL DE CINEMA DE PAULÍNIA, que abriu dia 15.

No dia seguinte, de manhã, debateremos o filme, como acontece com todos os filmes.

Lá mesmo. Mediação do grande RUBENS EWALD FILHO.

Quem estiver pela região…

Olha a programação completa:   http://www.culturapaulinia.com.br/index.php

 

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Antecipamos a estreia da minha peça O PREDADOR ENTRA NA SALA, que também dirijo.

Será dia 28 de julho no ESPAÇO PARLAPATÕES [21 hs].

Ficaremos quartas e quintas em cartaz.

 Vá de táxi. Ou metrô.

Programa Predador frente

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12.julho.2010 14:11:35

pegou geral

A globo não é boba

Lembrem-se de “o povo não é bobo, abaixo a rede globo”?

Grito de guerra dos movimentos sociais do começo dos anos 80, em protesto à relutância da emissora em reportar com isenção o que acontecia nas ruas no fim da ditadura.

Ontem a emissora revelou um lado vingativo e, para o bem ou para o mal, fez jornalismo investigativo dúbio sem medir as consequências.

Depois de cortarem as suas asinhas e privilégios na cobertura da seleção brasileira, entrou de tripé na cobertura do Caso Bruno e dedicou um FANTÁSTICO informando que é normal jogadores de futebol fazerem orgias regadas a pó, maconha, bala, ácido e garotas ao léu.

Entrevistaram profissionais que já frequentaram tais festinhas ou que fugiram delas.

Que contaram a rotina das orgias: programas custam em torno de 2 mil; são revistadas na entrada para evitarem celulares;  alguns jogadores oferecem o dobro para transarem sem camisinha.

E quem mais? RENATO GAÚCHO, que confirmou as orgias, revelou que os jogadores que não entrassem eram discriminados, mas disse que nunca fez parte.

Também quem namorava a LUMA precisava de baguncinhas, que é como na minha faculdade chamavam tais festinhas?

Imagino como foi a noite de ontem dos jogadores profissionais brasileiros ao lado de suas famílias, negando a generalização empregada.

E assim se revela o sucesso do twitter entre as celebridades.

Já que não podem desmentir o dito pelas empresas de comunicação na mesma velocidade, twitam as suas versões.

Está aí uma das qualidades das redes sociais online:

Desmentir.

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O apê da minha família aqui no Rio é em frente ao estádio do FLAMENGO, no Leblon.

O clima é de velório.

No passeio pela orla, não se veem pessoas com a camisa do Flamengo.

Nem com a camisa da seleção brasileira.

Luto.

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Aliás, aproveitando este espaço, queria desmentir que sofri meu acidente no laguinho da UNICAMP, ao lado do CICLO BÁSICO.

Boato espalhado por muitos estudantes de lá.

O lago foi esvaziado até. Será que para evitarem outros acidentes.

lago

Nada disso, meninos e meninas.

Foi num lago à beira da RODOVIA DOS BANDEIRANTES.

Que está lá até hoje, danado!

Em frente dele, há 2 anos, fundiu o motor do meu carro.

Só quando estacionei no acostamento, percebi onde eu estava.

Coincidência bizarra…

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10.julho.2010 14:13:05

palavrão, não!

Este é o tipo de conselho que o motorista é convincente:

 

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O SENADO acabou de aprovar o novo ESTATUTO DO TORCEDOR.

Duas observações:

1. Se o membro de uma torcida organizada entrar em confusão, toda a torcida ficará suspensa dos próximos jogos.  Então é melhor fercharem os estádios de uma vez. Pois a maior parte deles é ocupada por organizadas e simpatizantes.

Tentaram bani-las, mas é impossível.

Não é assim que acaba com a violência nos estádios. 

Agora, se os jogos terminassem lá pelas 23 hs, o que daria tempo para a torcida pegar o metrô, o que a GLOBO não deixa de jeito nenhum e ainda faz um loby forte para manter o insano horário das 22 às 24 hs, a fim de exibir seus melodramas para a audiência,  quem sabe a torcida ficaria mais relaxada.

E se houvesse estacionamentos, filas orgnizadas, lugares marcados, vendas de ingressos pela internet, não hveria tensão fora dos estádios. 

O que é preciso aprovar é o ESTATUTO DO FUTEBOL.

A violência é reflexo da desorganização dos bastidores, não do clima festivo nas arquibancadas. 

2. Palavrões estão proibidos.

Então vamos treinar:

JUIZ, VAI PLANTAR BATATA

JUIZ, VAI VER SE ESTOU NA ESQUINA

FEIO, FEIO, FEIO!

BOBO, BOBO, BOBO!

Se a  bola baste na trave: COCO FEDIDO!

Se no gol anulado não ocorreu impedimento: BANDEIRINHA CRETINO, PSICOPATA, MALVADO!

Então comece a treinar.

Para não ferir o estatuto.

Como eu e os irmãos PINHEIRO já estamos fazendo:

 

pacaembu

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07.julho.2010 20:03:37

o homem ideal

A respiração dela se descontrolava quando ele comandava as reuniões semanais.

As mãos tremiam quando ele aparecia de repente ao seu lado, na máquina de café, e nunca tinha trocado. Ela prontamente emprestava as moedas. Depois voltava para a sua baia e se perguntava se não foi demasiadamente solícita.

Às vezes quando, coincidentemente, subiam no mesmo elevador para o escritório, o mundo parava.

No andar da firma, cada um para o lado, e ela lamentava não trabalharem perto do céu, para a viagem do elevador durar a eternidade.

Ouvia dizer no happy-hour que ele era um galinha e catou algumas estagiárias, secretárias e duas advogadas.

No analista, perguntou se aquela paixão que nascia pelo chefe não era uma óbvia transferência edipiana.

Tudo nele era perfeito. Atencioso e solteiro! Sua gravata que combinava, seu sapato sempre engraxado, sua caneta Montblanc reluzente, o Rolex no pulso, como um executivo, para seus padrões, de bom gosto.

Inteligente, rápido, poliglota, sabia usar o pretérito mais-que-perfeito com precisão. Costumava passar os fins de semana fazendo o quê? Velejando, claro.

A paixão aumentava, sufocava: insônias. Análises minuciosas de cada e-mail trocado profissionalmente, de cada comentário solto em reuniões, para desvendar se ele também sentia algo por ela.

Até procurar um milagreiro que anunciava em folhas coladas nos postes de luz da Marginal, garantindo que, por um preço barato, conseguia enlaçar qualquer paixão não correspondida.

Ela confessou todo o seu desespero para o mago de moletom e camisa do Corinthians, que atendia numa portinhola de uma galeria do Centro. Nada a perder.

A consulta durou 15 minutos. Ele deu apenas uma poção em gotas, num invólucro sem nada escrito ou data de validade, e garantiu: “Coloque dez gotas no café dele e terá seu homem garantido até o fim dos dias.”

Charlatão? Toda pinta. Mas cobrou apenas dez reais pela consulta. O “veneno” incluído. Exigiu que retornasse em dois meses.

O plano foi traçado. Ela sabia do horário em que o metódico chefe passeava pelas baias, e como era o seu café. Postou-se ao lado da máquina com as moedas em mão.

Quando ele se aproximou, ela enfiou as moedas, colocou não dez, mas 20 gotas no copo que a máquina despejou. O chefe então a cumprimentou, descobriu-se sem troco, e ela ofereceu o seu café recém-expelido, ele recusou, ela insistiu.

Ele tomou, não sentiu nada e partiu para a sua ronda.

No dia seguinte, ela recebeu e-mails confusos dele, como de um bêbado em transe. Não respondeu. Então, apareceu o chefe na sua baia, com um bombom, ficou ao seu lado e se esqueceu do que iria perguntar e de dar o bombom.

No dia seguinte, a convidou para um almoço. Num hotel. Com vista para a cidade. Enquanto subiam para o restaurante, ele apertou outro andar. Segurou na sua mão. Desceram antes num corredor cheio de portas e quartos. Tudo calculado. Reserva já feita. Chave no bolso. Abriu a porta, entraram. Foi o melhor sexo de suas vidas, confessaram.

Os encontros se tornaram diários. Jantares entraram para a agenda. Almoçavam, jantavam, transavam. Surgiram as caronas. Ele a pegava de manhã. E a levava à noite.

Primeiro foram flores. Vieram perfumes franceses, anéis, colares, relógios.

O chefe mudou a mesa dela para a sua sala. Dizia que não conseguia ficar mais de um minuto sem ela por perto. Beijavam-se em todos os cantos. Ligava-lhe de madrugada, só para ouvir a sua voz.

E nos fins de semana lá ia ela velejar e vomitar com o balanço do mar. Grudados, não havia mais folga. Ele se mudara para a casa dela. Tomavam banhos juntos. Liam os mesmos livros, jornais, revistas, ouviam as mesmas músicas.

Não cabiam mais flores no apartamento, joias nas gavetas, relógios no pulso. Até no cabeleireiro ele ia e esperava, lendo revistas femininas antigas.

Se saía com as amigas, ele ia junto. Se visitava a família, lá estava ele, de mãos dadas, colado.

Dois meses se passaram. O retorno da visita ao milagreiro. Ela apareceu na hora marcada, aflita, estressada. O novo namorado e ainda chefe a esperou na porta.

Quando o mago a viu, disse o que ela queria ouvir: “Então, veio buscar o antídoto, não aguenta mais?”

Ela teve vergonha de exprimir seu enjoo e arrependimento. O curandeiro lhe deu outra poção. Num vidrinho de gotas. E disse: “Pois agora, são outras dez gotas. Mas desta vez, custará duzentos mil.”

Ela pagou.

 

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Quem já tem alguns cabelos bancos, perceberá traços da história acima num episódio da série Além da Imaginação, com os gêneros invertidos.

Este dilema persegue os homens. Afinal, a mulher quer o apaixonado exclusivo e presente, ou curte o difícil, sedutor? O jogo?

Meu último livro, A Segunda Vez Que Te Conheci, é sobre um homem fiel e apaixonado, que tenta a todo custo recuperar o amor de uma mulher em crise. O anterior, Malu de Bicicleta, é sobre um galinha que papa todas e não consegue uma relação estável. Os mesmos personagens interagem nos dois romances. Muda apenas o narrador.

Imaginei que um livro sobre um homem galinha seria corroído pelas traças no depósito da editora.

Quem daria de presente um romance desse para a esposa, marido, namorado, pretendente, filha, pai, mãe? Que intenções seriam levantadas, sobre aquele que sugere a leitura da história de um homem pervertido?

Adivinha qual dos dois vende mais? Adivinha qual as mulheres preferem? Acertou, Malu de Bicicleta.

Portanto, esqueça quando elas dizem que estão atrás de um homem sensível, romântico, dedicado, apaixonado, como comida de hospital, nutritiva, balanceada, mas sem gosto.

 

+++

 

A propósito.

O filme MALU DE BICICLETA,  que roteirizei, dirigido por FLÁVIO TAMBELLINI, participa agora do FESTIVAL DE CINEMA DE PAULÍNIA.

Será exibido dia 20/07 às 21 hs.

Estreia no circuíto comercial provavelmente em NOVEMBRO.

 

 

 

 

malu de bibicleta (27)

DANDO PITACO NA DIREÇÃO
DANDO PITACO NA DIREÇÃO

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A propósito 2.

Estreia dia 28/07 nos PARLAPATÕES [direção minha]

Arte do CARCARAH:

 

Predador Entra na Sala_preview

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04.julho.2010 12:46:48

reinventar-se

Eu vinha de uma família muito rica de SANTOS.

Diziam que a casa do meu avô PAIVA era a maior da cidade.

Ele tinha fazendas no VALE DO RIBEIRA.

Eram milhares de alqueires de plantações de banana, mexerica e criação de gado, numa casa gigante, com mais de 20 quartos, perto do rio.

Tinha uma lancha no lago em que esquiávamos.

Aprendi a dirigir num trator.

Cada neto tinha um cavalo à disposição. Eles tinham nome de carro.

O meu se chamava FORDINHO, era esperto, ágil e calmo, gente boa… Tinha a rapidez de um bom cavalo, a obediência e bom coração, de que um cavaleiro precisa.

Às vezes, eu ia no avião particular do meu pai para a fazenda. Pousávamos na clareira de um bananal.

Às vezes com um motorista.

Mas o melhor era voltarmos na boleia de um caminhão, quando um motorista ia levar as bananas, e nós servíamos de assistente.

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[meu pai no aeroporto do rio, para levar os guedes no seu avião]

 

Eu sempre estudei em colégios da elite, VERA CRUZ e SANTA CRUZ em São Paulo, ANDREWS no Rio, TARQUINIO em Santos.

 

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Não cheguei a ser um playboy fresco babaca. Acho que não.

Ia de busão pra escola.

Era uma família espartana, natureba. Na fazenda, não tinha TV.

Na sala, livros e mais livros.

Na piscina, a maioria lia e dividia livros.

Meu avô declamava poesias.

CAMÕES era o seu forte.

No piano, meus tios se revezavam tocando CHOPIN, BACH, MOZART.

Minha mãe, intelectual, leu a trilogia de HENRY MILLER numas férias.

Minha tia RENEE era a maior entendedora de DOSTOIEVSKI que conheci.

Meu tio CARLOS era boêmio, amigo dos Modernistas, OSWALD, TARSILA, colecionava quadros.

Meu PAI era amigo de escritores, como HAROLDO DE CAMPOS, ANTONIO CALLADO, ANTONO CANDIDO, MILLOR FERNANDES, PAULO FRANCIS.

Paradoxalmente, os dois filhos deste homem rico de SANTOS eram de esquerda.

Meu tio do PCB. Meu pai do PSB.

 

 

 

4irmaos

 

[or irmãos Cláudio, Jayme, Rubens, meu pai, e Carlos]

 

De manhã, eu e alguns primos íamos encilhar os cavalos.

Tocávamos a boiada com a peãozada.

Depois, tirávamos leite das vacas.

Às noites, íamos a pé por uma estrada de terra para a cidade, ELDORADO PAULISTA, que chamavam de XIRIRICA, cantando, todos os primos.

Para irmos ao único cinema da redondeza.

Era uma família incomum.

Nos Natais, representávamos uma peça de teatro para os adultos.

Até vir 1971.

3 deles morreram na sequência.

Meu pai torturado pela ditadura.

Meu tio CARLOS de câncer na cabeça.

Meu avô… De tristeza.

Os bens dos herdeiros, que não entendiam de negócios, se desfez em pouco tempo.

Foi-se perdendo tudo.

Ninguém sabia tocar a fazenda como o meu avô. O gado morreu.

O dinheiro acabava.

Aos 17 anos, eu dava aulas particulares de física para ajudar no orçamento.

Minhas irmãs trabalharam desde cedo.

Minha mãe foi estudar DIREITO e começou a trabalhar como advogada aos 46 anos.

Em 1977, eu morava numa pensão perto da rodoviária de CAMPINAS, estudava na UNICAMP.

Depois, morei em repúblicas que não tinham TV, telefone, carro.

Lembro-me: um estudante da UNICAMP que tinha uma geladeira era rei. Em torno dele que se montavam as repúblicas.

A geladeira era o maior bem de um estudante universitário duro.

 

 

foto viagem paraiba - osvaldo- web[estudantada dura; estou no meio de chapeu]

Lembrei-me de tudo isso ontem sob o sol, numa piscina de um resort perto de CAMPINAS, papeando com uma ex-colega da UNICAMP.

E posso falar?

Nunca fui tão feliz na vida: um duro, um ex-rico, sem expectativas, vivendo o dia a dia, conhecendo o mundo, andando de carona e busão, às vezes a pé, se a madrugada entrasse.

Tocando violão em feiras hippies pra ganhar um trocado.

Minha família me deu o mais importante bem, o respeito, a humildade, a consciência social, a literatura.

É mais valioso do que qualquer alqueire de terra.

E é com ele que toco a minha vida.

Isso tudo está no meu livro NÃO ÉS TU, BRASIL [1996].

 

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Um ROMANCE HISTÓRICO.

Está vendo?

É assim que se aproveita do passado.

Reinventei uma família que é a minha.

Na vida, nos reinventamos cada dia.

E as fotos, como desta FAZENDA,  perdem a cor

 

 

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02.julho.2010 22:57:33

nos eliminamos

Está tudo dito abaixo, e uns carinhas até me criticaram.

Falei que não passaria da Holanda.

Não sou polvo alemão nem um iluminado.

Mas vejo futebol, vi 10 copas pela TV.

Estava óbvio.

Por times fáceis, passou. Encontrou um time mediano, empatou. Pegou um forte…

Em toda a minha vida, nunca vi uma seleção brasileira em que não foram os melhores;  já disse aqui.

Inexplicável paradoxo do pensamento dunguiano, que nunca fora técnico antes.

Quem acompanhou futebol neste ano viu ROBERTO CARLOS voar pelo Corinthians, fazer gols e deixar o time na liderança do Brasileirão, sem RONALDO em campo.

RONALDINHO GAÚCHO entrou em forma e dava os passes precisos de que precisávamos.

Se KAKÁ ia mal, poderia entrar GANSO, que coloca a bola onde quer.

E NEYMAR entraria no segundo tempo, pra repetir com ROBINHO  a façanha de fazer quase 4 gols por partida.

Mas levou JULIO BATISTA, reserva, GILBERTO SILVA, decadente, FELIPE MELLO, bem…, MICHEL BASTOS, apavorado e sem reserva.

Deixou ADRIANO, que entortou as defesas adversárias na Copa América e das Confederações.

Montou um time reclamão, imaturo e, estranhamente, violento, muito violento para os padrões do futebol arte, invenção nossa.

O destino foi traçado na convocação.

Um time sem banco.

Pouca criatividade.

Com uma tal melhor defesa do mundo que tomou gol até da Coreia do Norte.

Sem rancores… Passou. Não era para ser.

Mais uma vez, o Brasil perdeu para ele mesmo.

Nos eliminamos.

E chega de dunguismo!

Que no fim do jogo foi correndo para o vestiário, ao invés de buscar seus jogadores.

Que venha o maradonismo.

Que canta na chegada do estádio, beija todos os jogadores, brinca com eles.

Como disse meu amigo ROCA, enquanto FELIPE MELLO é o espelho de Dunga, MESSI é o de Maradona.

dunga

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