ir para o conteúdo
 • 

Marcelo Rubens Paiva

19.abril.2012 12:27:01

fragmento

Estou de passagem nesta vida. Estamos todos. Por que não dizer o que se quer dizer? Por que esconder a maior fantasia? O que eu perco, mostrando o que ambiciono? Eu enlouquecia. A loucura é um duto por onde escoam a coragem e a irresponsabilidade. Eu não tinha nada no mundo, a não ser aquele quarto escuro e livros embolorados. Eu estava cagando pra tudo. Normas e convenções… Fazia da minha vida uma trama ficcional. Com 18 anos, eu era um monstro, capaz de tudo, menos ser conveniente. Andava pelo campus da universidade, simplesmente chegava para as mulheres e dizia:

“Prometi a mim mesmo que hoje eu daria um beijo na boca de alguém. De língua. E a vi aqui parada, fumando este cigarro. É você. Vamos. Posso te beijar? Um beijo longo. Eu quero, você talvez queira, nem a conheço, vamos, vai?”

Fui bem-sucedido algumas vezes. Existem sempre garotas da USP com um parafuso a menos, solitárias, estranhas, interessantes. Beijei uma que insistia em tomar banho de sol nua na piscina. Beijei, e depois trepamos no bosque. Beijei outra que corria à pé na ciclovia. Não trepamos. Comi uma que rangava sempre sozinha no bandejão, lendo Maiakovski, e tinha os mesmos olhos tristes e confusos que ele. Eu, sempre com a mesma abordagem. Claro que a maioria riu da minha cara, ou ignorou, ou se assustou, ou xingou, o que me dava mais prazer do que se aceitassem o confronto. Eu me travestia de sádico. Era o tirano em busca de experiências infringentes. Auto-flagelação.

É bom pra caralho ter 18 anos.

Todas têm um ponto fraco. A jovem quer ser vista como uma experiente mulher. A mais velha quer reviver as loucuras de tempos atrás. Elas mentem quando dizem que desejam um homem gentil, sensível, educado, bem vestido. É a velha história, você sabe: a desleixada quer um príncipe, a fina quer um puto. Acho que a maioria das mulheres quer o avesso do que pensa que quer.

 

do livro Malu de Bicicleta; Editora Objetiva, 2002

comentários (14) | comente

12.abril.2012 22:44:18

epitáfios

Já decidi qual será o meu epitáfio: “Tentei.”

Se morrer no dia 12/12/2012, será: “Mas falaram que eles eram uns selvagens… Se os Maias tinham razão, quem então me enterrou? Há sobreviventes…”

Quando não tenho o que fazer, bolo epitáfios.

Pensei em vender este serviço para os que não sabem que mensagem deixar.

Porque 1 epitáfio seja talvez o último gesto em vida, que pode resumir uma história.

É a derradeira voz, o legado, o que se quer que fique para gerações.

Se é que alguém vai visitar nossas tumbas.

Será que na de Jânio Quadros está escrito “fi-lo porque qui-lo”?

E na de Vicente Mateus, “agradeço à Antártica pelas braminhas”?

É uma frase dita em vida que ficá, ou aquilo que o autor da obra deseja e deixa em testamento?

Sei que tentarão escrever “não esquenta, se não caspa vira mandiopã” no meu epitáfio, frase de Feliz Ano Velho pela qual sou muito conhecido e citado.

Só preciso lembrar que ela não é minha, mas de um enfermeiro da UTI do Mário Gatti, hospital de Campinas, que me dizia assim que me via.

 

 

Sim, ainda se fabrica o Mandiopã [em Limeira], uns flocos concorrentes da pipoca que, no forno, explodiam.

Foi lançado em 1954, no tempo em que os salgadinhos ainda não existiam. A empresa responsável é a Mandiopóca Produtos Alimentícios Ltda.

O fundador, Antônio Gomercindo, que começou como faxineiro, é o cara que tem o segredo da massa de Mandiopã.

 

 

Olha onde encontrar: http://www.mandiopa.com.br/

Se para o filósofo Cioran “o tempo não é o que passa, o tempo é o que não passa”, lá vou eu emprestar epitáfios a pessoas que nem conheço.

Se dermos azar e os MAIAS estiverem certo:

Epitáfio de Paulo Maluf é o mais lógico: “Foi Maluf quem fez”.

Epitáfio de Mark Zuckerberg: “E não é que colou?”

De Biz Stone, co-fundador do Twitter: “A ideia era boa, mas não soubemos como ganhar uns trocados.”

Epitáfio de FHC: “Vou apertar, mas não vou acender agora.”

Epitáfio de Steve Jobs: “iPitáfio”

De Bill Gates: “Reiniciando.”

Epitáfio de Adriano, imperador: “Agora emagreço!”

Do Milton Neves: “Será que cabem aqui todos os patrocinadores deste Epitáfio?”

De Netto: “Enfim, livre de Milton Neves.”

Epitáfio de um trol:  ”Sem o anonimato, não consigo me expressar.”

Epitáfio de Oscar Niemeyer: “Quero ver chegarem aonde cheguei. Se é que você tem certeza de que estou aqui.”

Epitáfio de Xuxa: “Beijinho, beijinho, galerinha, cês foram muito fofos e incríveis comigo, do começo à minha vidinha no Retiro.”

Epitáfio de Mano Brown: “Nada de flashes, filmagens, gravações, dá licença, certo?”

Epitáfio de FRED, do Flu: “E 75 caipirinhas são muito?”

Epitáfio de Ronaldiho Gaúcho: “Professor, é minha prima de Porto Alegre…”

Epitáfio de Tite: “Epitafibilidade de um vencedor.”

Epitáfio de Dunga: “Seus filhos da p&¨Ta, vão todos tomar no %$, seus cuz867 do ca*&LJ%.”

Epitáfio de Galvão: “Acabou! A-ca-bou!”

Epitáfio de Tiago Leifert: “Mudei a TV brasileira. De jeans e Lacoste.”

Epitáfio de Rafinha Bastos: “Vocês não entenderam, era só uma piada.”

Epitáfio de Danilo Gentili: “Vocês não entenderam o Rafinha, era uma piada.”

Epitáfio de Marco Luque: “Vocês não entenderam, o Danilo falou que o que o Rafinha fez foi uma piada seguindo os preceitos da liberdade de expressão.”

Epitáfio de Pedro Bial: “Saio da casa para entrar para a história.”

Epitáfio de Guido Mantega: “No próximo trimestre, o crescimento será maior.”

Epitáfio de Ronaldo Fenômeno: “Alarga porque está apertada.”

Epitáfio de José Serra: “Aqui jazz e um ex-presidente. Da UNE”

Epitáfio de Datena: “Algum motivo para deixar um epitáfio?!”

Epitáfio de William Bonner: “Boa noite. Desta vez, para sempre.”

Epitáfio de Caio Ribeiro: “Concordo plenamente, e mais um pouco.”

Epitáfio de Reginaldo Leme: “Veja bem, Galvão…”

Epitáfio de Arnaldo Cesar Coelho: “Tá, confesso, nem sempre a regra é clara.”

Epítáfio de George W Bush: “O mundo não está melhor sem Saddam?”

De Obama: “No, we can not.”

De Sarney: “Aqui jaz um Estado e o Senado.”

Epítáfio de Milton Leite: “Que beleza…”

Epítáfio de Eike Batista: “Não meXem no meu cabelo.”

De Luis Fernando Veríssimo: “Bah, diz-me que não foi pênalti em Tinga?!”

De Jabor: “Nelson, cheguei.”

 

+++

 

 

Amanhã estarei com meu amigo MARIO BORTOLOTTO falando de LITERATURA.

Sexta-feira 13, rapaziada!!!

às 19h.

Entrada Franca

PROJETO CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS 30 ANOS – ARTES DO SUBTERRÂNEO, BENEFICIADO PELO PROGRAMA MUNICIPAL DE FOMENTO AO TEATRO,PROMOVE DEBATES E OFICINA DE LITERATURA

___________________________________________

No Teatro Estação Caneca (onde acontece a Mostra) fica na Rua Frei Caneca, 384.

Mais informações: (11) 3657-2606.

Ou no site: www.cemiteriodeautomoveis.com.br

 

comentários (19) | comente

11.abril.2012 11:50:26

como matar 1 zumbi

Bets [JANUARY JONES], ou Betty,  ou Elizabeth, que havia dado um perdidão nos primeiros 2 episódios da quinta temporada de MADMEN [veja post anterior], aparece no terceiro.

Aparece e rouba a cena.

A ex-mulher de Don, loirinha e dona de casa clássica dos anos 60- não trabalha, cuida de 3 filhos, mora no subúrbio-, protagoniza o terceiro episódio.

Birdy, como Don a chama, surpreende.

Os roteiristas como sempre idem.

Uma ideia macabra, marca da série, entra para a trama.

Bets está OBESA! Se empanturra de comida em frente à TV, rouba sobremesa das crianças e não cabe nas roupas.

Depressão =  Tédio

Genial solução para esconder a gravidez da atriz.

Ela engravidou na pré-produção, o que não foi um problema, mas uma oportunidade de focar a depressão das mulheres pré-emancipação.

Que não trabalhavam.

 

 

+++

 

Zumbi lembra “nzambi”, que, na região do Congo, significa deus.

Existem para todos os gostos.

O abobado, fácil de matar.

Os ágeis e fortões.

Os que ganham vida durante a jornada, como no game Left 4 Dead.

Os que se alimentam de cavalos, como no filme Survival of the Dead.

E animais zumbis, como os cachorros da série Resident Evil.

No passado, era apenas uma entidade de crenças afro caribenhas, conhecida como vodu, que intrigou o racionalismo do pensamento ocidental.

Em meados dos anos30, a antropóloga de Harvard, Zorra Neale, começou a difundir o mito haitiano do ser que não tem vontade própria e é controlado por um “bokor”.

 

 

Na mesma época, surgiram “bokors” de sanidade duvidosa, capazes de mobilizar hipnoticamente grandes massas, como Hitler e Mussolini.

Durante a contracultura, a geração LSD circulou por países periféricos devorando cultos sincretistas e tudo quanto é tipo de raiz, flor, cacto, cipó, peiote, para abrir as portas da percepção, em busca da luz divina natural e do barato ritualista.

O sentido da vida não estava nos manuais dos eletrodomésticos da sociedade de consumo pós-guerra. Místicos diziam que, se a Igreja tinha provas semânticas da vida após a morte, os haitianos tinham provas materiais, que circulavam em estado de torpor pelas ruelas pobres e escuras das suas aldeias.

O etnobotânico também de Harvard, Wade Davis, maior autoridade em farmacologia de zumbis, escreveu que duas substâncias específicas injetadas na corrente sanguínea, o “coup de poudre”, toxina encontrada na carne do baiacu, e drogas dissociativas, como a datura, transformam o mais crente num obediente seguidor.

Uma espécie de Goebbels ingerível.

 

 

Zumbi na sua pureza é um morto que foi reanimado e vaga como um sujeito irracional. Tem escaras, ossos aparentes, olhos vazados. Não fala, pois perdeu a língua no processo de decomposição interrompido. Não raciocina; o pouco oxigênio da tumba danificou a massa encefálica.

 

 

Mas simboliza diversos arquétipos. Pode ser escravizado e manipulado como um capitão do mato. Pode simbolizar o trabalhador hipnotizado pelas correntes de uma linha de produção industrial, como os empregados chineses da Foxconn, montadora da Apple, que precisam de redes nas janelas, para não cometerem suicídio.

Numa interpretação da psiquiatria, aspectos psicológicos da “zumbificação” sugerem o início de um estado esquizofrênico.

E até a filosofia criou o conceito “zumbi filosófico”, para definir o ser que não possui consciência plena, mas tem a biologia ou o comportamento de um homem.

Passeatas de zumbis, manifestações estilo flash mob, ou Zombie Walk-  pessoas fantasiadas que saem correndo por ruas, parques e shoppings-, são contabilizadas pelo Guiness.

Hoje, o zumbi concorre com o vampiro, virou um ícone do cinema e da cultura de massas.

Por quê?

Simboliza o medo da violência urbana, já que bêbados, drogados e degenerados saem das tocas em estado catatônico e ocupam as pacatas ruas das cidades, circulando livremente depois que o sol se põe.

As doenças sexualmente transmissíveis também alimentaram a sua popularidade, especialmente entre os teens.

Monstros querem nosso sangue ainda puro e inocente.

“Loosers” que se vestem como mendigos, não com roupas de grife, e que só sobrevivem se conseguirem a transfusão da saúde burguesa bem tratada pela previdência privada.

Numa leitura marxista, simboliza a falência do Estado de bem-estar social, que não é capaz de dar emprego, residência, saúde, gera injustiças sociais, tensões e medo, gera diferentes castas.

Zumbi é o lumpesinato.

 

 

Em 1968, o diretor de cinema George Romero sacou o potencial e a representação contemporânea desse personagem no filme A Volta dos Mortos Vivos.

Mal sabia que sua releitura do mito caribenho daria num dos maiores clássicos do cinema de horror e influenciaria a cultura pop, o cinema fantástico, a literatura e os games.

Filme de baixo orçamento, com poucas locações, gerou polêmica por ser acusado defender o satanismo e ir contra valores religiosos.

Exibidores só aceitavam nas suas salas Night of the Flesh Eaters, o nome original, se os produtores cortassem cenas mais sangrentas e oferecessem um final otimista.

Sim, porque, para completar o fascínio que filmes de zumbis exercem, todos têm o apocalipse como fio condutor, tema inevitável no auge da Guerra Fria e, agora, com o Aquecimento Global, Fim da Camada de Ozônio, Derretimento das Calotas etc.

Na série Resident Evil, com Milla Jovovich- não mais magrinha e pálida de O Quinto Elemento de Luc Besson- alguns zumbis são sarados, ricos, têm bocas que se parecem com a de polvos, vivem num mundo que terminou e, como em Matrix, está mais digital que analógico.

Até nossa Alice Braga os combateu com Will Smith em Eu Sou a Lenda.

E quem não se lembra de Michael “Wacko” Jackson dançando com eles em Thriller?

Também tiraram uma onda dos zumbis, como em Todo Mundo Quase Morto (2004) e Zumbilândia (2009), genial filme que passou em branco aqui no Brasil, considerado a maior bilheteria mundial de filmes de zumbi, estrelado por, ironia, Jesse Eiseberg, o mesmo que protagonizou um ano depois Mark Zuckerberg no filme A Rede Social, fundador do Facebook, acusado de sugar o seu tempo e a sua privacidade.

 

 

Duvido que um cent desse mega sucesso tenha sido enviado como royalties aos feiticeiros do Haiti ou xamãs do Congo.

E é bom que se saiba que, para acabar com um zumbi, caso você trombe com um (matar não é a palavra, pois ele já está morto), é preciso destruir o cérebro ou a coluna vertebral.

Simples.

Basta atirar na cabeça ou separá-la do corpo.

Mas, cuidado.

Tem cabeças decepadas que podem morder.

comentários (4) | comente

08.abril.2012 14:20:12

os popôs do pop

Num momento raro das datas religiosas, quando coincidiu a Páscoa judaica com a cristã, a MTV nos brindou com a seleção TOP 10 POPOZUDAS.

Ontem à meia-noite.

Pesquisa trabalhosa sobre os dez clipes em que estariam as cantoras mais pops e de popôs proeminentes.

Relevante preocupação dos programadores da grade da emissora do SUMARÉ.

Importante lembrar que a pesquisa não seguia uma base científica, nem foram utilizadas fitas métricas.

Foi de escolhas subjetivas de um júri, esperamos, de confiáveis e criteriosos especialistas.

Que deviam ter em mente os quesitos que classificam e diferenciam os popôs em disputa.

Ou será que tais dilemas foram julgados por outra cabeça?

No mais, por que POPOZUDAS e não BUNDUDAS?

O horário permitia irreverência semântica.

POPÔ é como a tia do pré-primário se referia a nosso tão precioso traseiro.

Não sei também se foi em respeito à data religiosa.

Provavelmente, a MTV fala a linguagem do seu nicho, da audiência, o pré-adolescente.

Pipi, popô, pum, feio, bobo e meleca devem ser expressões rotineiras nos telepropteres da emissora.

Mas, chega de enrolation, bora lá, as 10 MAIS.

Antes, devo dizer que parabenizo a seleção.

Errei na vencedora.

Escolhi BRITNEY.

A xaropinha de Louisiana, que vendeu mais de cem milhões de discos, nem apareceu na seleção.

Mas concordei com todas as outras. Perdão, com as 5 finalistas.

Especialmente com a vencedora. Era uma barbada, e eu nem tinha me tocado.

E, de fato, os POPÔS do POP são de tirar o fôlego.

O que me deixou em dúvida: quem veio primeiro, ou melhor, favoreceu o andamento das carreiras delas, o talento para cantar e dançar ou a genética lombar?

Quem ontem dormiu logo depois do programa deve ter tido sonhos ricos, que fariam um divã ficar branco de vergonha.

A não ser que o mano ou as mina continuaram ligados na MTV.

Aí os pesadelos devem ter sido tortuosos.

Pois em seguida a emissora exibiu TOP 10 METAL.

O horror, o horror…

E a MTV poderia investir na disputa.

Que tal o TOP 10 VADIA?

TOP 10 DISSIMULADA.

TOP 10 PAPO CABEÇA.

TOP 10 MOÇA DE FAMÍLIA.

TOP 10 BOTOCUDA.

TOP 10 AIR BAG DUPLO ou SILICONADA.

E deixar este atraso sexista de lado e eleger também o TOP 10 POPOZUDO.

Bem, lá vai.

TOP 10 POPOZUDAS.

Tem até brazuca na seleção.

 

10. HILARY  DUFF

 

 

9. CIARA

 

 

8. MARIAH CAREY

 

 

7. GABY AMARANTOS

 

 

6. SPICE GIRLS

 

 

5. PUSSYCAT DOLLS

 

 

4. JENIFFER LOPEZ

 

 

3. SHAKIRA

 

 

2. BEYONCE

 

 

1. FERGIE

 

 

 

 

 

 

comentários (5) | comente

A primeira denúncia do Twitter foi considerada mais um delírio de baderneiros radicais.

Porém, ela toma corpo. Merece cuidado e atenção.

Militares que sofreram protesto no CLUBE MILITAR, quando comemoravam o GOLPE DE 64, retaliam.

Os detalhes vieram do site

http://sul21.com.br/jornal/2012/04/militares-ameacam-jovens-que-protestaram-contra-comemoracao-do-golpe/

Se ficarem nas palavras, estão dentro das regras democráticas.

Se é que aprenderam o que é democracia, debate, convivo com opositores.

Se saírem dela, a sociedade deve reagir, sob o império das leis.

São figuras abomináveis, não confiáveis, que desonraram a FARDA e estão mais próximas a réus do Tribunal Internacional De Crimes Contra a Humanidade do que a ex-comandantes militares, reformados e anistiados.

Tortura é um crime imprescritível.

 

Militares ameaçam jovens que protestaram contra comemoração do golpe de 1964

Site de coronel da reserva exibe vídeo e troca informações sobre jovens que participaram de protesto no Rio de Janeiro | Arte: Ramiro Furquim/Sul21

Samir Oliveira

Cinco jovens do Rio de Janeiro que protestaram contra a comemoração do golpe de 1964 feita por militares da reserva no dia 29 de março estão sendo ameaçados e tendo suas vidas expostas. O site A Verdade Sufocada, mantido pelo coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, publicou fotos com o nome de cinco manifestantes e os locais onde eles trabalham. A ira da caserna recaiu com mais força sobre Luiz Felipe Garcez, que foi flagrado numa fotografia cuspindo no coronel-aviador Juarez Gomes enquanto ele deixava o Clube Militar no Rio de Janeiro.

O site de Ustra, ex-comandante do DOI-CODI de São Paulo e torturador reconhecido pela Justiça, informa o e-mail e os perfis no Twitter e no Facebook de Luiz Felipe. Os dados se espalharam por sites e blogs mantidos por militares, que estão postando diversas ameaças aos cinco jovens pela internet.

No blog do coronel da reserva Lício Maciel – que participou da repressão à Guerrilha do Araguaia – há um vídeo de 3 minutos, que já foi retirado do YouTube, com o título de “maloqueiros alucinados”, em referência aos manifestantes. Os jovens são tratados o tempo inteiro como criminosos e agressores de idosos e os militares fazem questão de expor informações sobre eles.

No post que exibe o vídeo, o comentário de um sujeito identificado como Eduardo Cruz demonstra que a vida desses cinco jovens – especialmente a de Luiz Felipe – foi investigada. “Após um levantamento preliminar, obtive algumas informações importantes sobre o covarde que agrediu aquele senhor idoso no dia 29. O nome completo do meliante é Luiz Felipe Monteiro Garcez, vulgarmente conhecido como Pato, estudante do curso de Produção Cultural do IFRJ (Instituto Federal do Rio de Janeiro) desde 2010. Tem 25 anos de idade, frequenta o Diretório Estadual do PT no Rio de Janeiro e não trabalha”, escreveu o comentarista, que fornece informações dos empregos que o jovem já teve.

Eduardo Cruz vai além em seu comentário no blog de Lício Maciel. Ele dá informações sobre a família de Luiz Felipe e ainda faz juízo de valor sobre sua criação. O comentarista cita o nome da “namoradinha” de Luiz Felipe, informa que ele tem uma filha, publica o nome dos pais do jovem e ainda comenta que eles “visivelmente falharam na educação do moleque”.

Site mantido por Carlos Alberto Brilhante Ustra instiga militares a procurarem informações sobre jovens que participaram do protesto | Foto: Brasil247

Eduardo Cruz finaliza o comentário dizendo que “por enquanto é isso” e assegurando que irá prosseguir com a “averiguação” e que voltará “em breve com informações sobre os outros agressores presentes naquele episódio”.

Nesse mesmo post do blog do coronel Lício Maciel há um link para uma pasta no site de compartilhamentos 4Shared com informações sobre a vida de Luiz Felipe Garcez. São exibidas fotos dele, de sua mulher e até de sua filha. Uma das imagens mostra o jovem com a filha recém-nascida no colo, com as devidas identificações.

“Não podemos nos permitir ter medo”, diz jovem ameaçado

Em conversa por telefone com o Sul21, Luiz Felipe Garcez conta que já recebeu mais de 150 ameaças por Facebook e por e-mail. Ele assegura que o vídeo feito com informações sobre sua vida, de seus amigos e de sua família – que chegou a ter mais de 11 mil acessos até ser retirado do ar – foi produzido por um jovem “infiltrado” no protesto do dia 29 de março e diz que vai entrar com processos judiciais contra as pessoas que estão expondo sua vida. “Estamos tomando medidas preventivas, documentando as ameaças e vamos entrar com um  processo por incitação ao ódio. Não podemos ter medo, senão vão entender que esse tipo de intimidação funciona”, comenta.

Pasta criada em site de compartilhamento exibe fotos e informações de Luiz Felipe e da sua família | Arte: Ramiro Furquim/Sul21

Ele acredita que os ataques venham de grupos organizados de extrema direita – com a presença ou não de militares. “São grupos organizados politicamente que podem ter militares da ativa. Mas não é a instituição Exército que está nos atacando, são fascistas que se organizam internamente”, explica.

Luiz Felipe garante que continuará denunciando os abusos e não se intimidará com as ameaças. “Sabemos que é isso que eles fazem, não podemos esperar nenhum tipo de reação diferente. São filhotes de uma ditadura que matou, perseguiu e torturou, ainda tem muita gente que acredita nisso. Muitos dos que eles mataram deram a vida para que pudéssemos estar hoje protestando. Não podemos nos permitir ter medo”, defende.

Outro manifestante exposto por Ustra, Rodrigo Mondego, também conversou por telefone com o Sul21 e disse que também vem sofrendo ameaças. “Se identificam como militares e nos ameaçam de morte. Entramos em contato com o ouvidor da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com a Defensoria Pública do Rio de Janeiro, com a OAB-RJ e vamos conversar também com Ministério Público Federal”, avisa.

Rodrigo explica que o principal objetivo é retirar a exposição de seus dados e dos seus amigos dos sites dos militares. “Podemos ver que vários blogs de militares nos citam, basta colocar nossos nomes no Google”, lamenta.

Ele acredita que há policiais da PM do Rio de Janeiro atuando para ajudar na apuração de informações sobre sua vida e a dos outros jovens expostos. E lembra que havia diversos agentes disfarçados da P2 – o setor de investigações da Polícia Militar carioca – durante a manifestação contra a comemoração do golpe no dia 29 de março. “Eles são organizados e muita gente simpatiza com a lógica da ditadura. As ameaças são virtuais, mas vindo de onde estão vindo, tememos que se transformem em realidade”, considera.

Rodrigo diz que está tomando precauções quanto à sua segurança e admite que as ameaças afetam o seu cotidiano. “A tortura psicológica está funcionando”, desabafa.

Dentre as centenas de pessoas que participaram do protesto no dia 29 de março, apenas cinco jovens foram expostos por Ustra. Rodrigo Mondego acredita que foram escolhidos por estarem envolvidos na organização do ato, além de serem todos amigos de Luiz Felipe Garcez. Além disso, todos militam na juventude do PT do Rio de Janeiro.

comentários (18) | comente

05.abril.2012 12:34:12

bisou bisou

 

A série BOSS estreia enfim no Brasil pela TNT.

Já falei dela aqui: trama explosiva sobre o prefeito de Chicago, que descobre ser portador de uma doença degenerativa.

Pensa que o cidadão amansa suas relações políticas e familiares?

Vai nessa.

Kelsey Grammer faz o prefeito linha-dura Tom Kane.

Ele ganhou o GLOBO DE OURO deste ano pela atuação.

Série que mostra que política não é para amadores, nem lá, nem aqui, nem na Conchinchina.

E joga dúvidas sobre se a alma humana tem solução.

Caráter de um País sem confiança em si, em seus banqueiros, políticos e instituições.

Lembra o quê?

 

+++

 

CONCHINCHINA existe e fica entre o Vietnã e o Camboja.

A consulta constante a sites de busca é uma neurose.

Espero que tenha tratamento.

 

+++

 

Não me pergunte como, mas vi o primeiro e segundo episódios de MADMEN, quinta temporada, que estreou nos EUA há 2 semanas.

É um direito constitucional não apresentar provas que me possam incriminar.

O que posso dizer que, uau, é MADMEN na sua essência.

Sordidez humana na grau máximo, fruto da sociedade competitiva, individualista e narcisa simbolizada pelas agências de publicidade da MADISON AVE, NY.

DON DRAPER agora casado com sua ex-secretária, a canadense MAGEN, só quer saber dela.

Aliás, ela rouba a cena do episódio de quase duas horas.

Pois numa festa surpresa para aniversário de 40 anos de DON, ela dança ZOU BISOU BISOU, vídeo que vazou há dias, e deixa até o mouse e teclado de qq internauta com tesão, assim como a todos da agência:

Pelo visto, a atriz JESSICA PARE, MAGEN, será a nova BETS da série.

Sai a dona de casa neurinha, com o fardo de educar 3 pestinhas no subúrbio, LOIRA, entra a sexy e provocante designer estagiária, que não suporta as tarefas do lar, MORENA.

PETE CAMPBELL continua sendo tratado como um ser inferior, apesar de ter levado grandes contas para a agência.

PEGGY sai agora com um jornalista de esquerda e dá seus foras quando bebe.

BETS [a maravilhosa JANUARY JONES] sumiu da trama.

Esperamos que por enquanto.

 

 

A onda de luta pelos direitos civis entra na trama.

Especialmente a segregação racial. Lembrem que o único negro da agência é o ascensorista.

Estreia aqui pela HBO daqui a duas semanas.

 

+++

 

Na semana que vem, enfim BETO BRANT estreia o filme tão aguardado, EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS, da obra de Marçal Aquino, como Gustavo Machado e Camila Pitanga:

 

Não só baseado no melhor livro do Marçal, como 1 dos títulos mais bonitos da literatura brasileira.

BETO sempre surpreende, não segue uma linha estilística lógica, trafega por outros gêneros, amante do teatro.

E é, de longe, 1 dos cineastas mais originais da chamada “Retomada”, que não faz concessões, nem se deixa seduzir pela bilheteria farta.

 

+++

 

Fernando Meirelles entra no processo de casting do filme NEMESIS, sobre a biografia do armador grego Aristóteles Onassis – ex de Maria Callas, Jackie Kennedy e tantas outras.

 

 

Baseado no livro thriller político de Peter Evans, aborda a teoria da conspiração que afirma que Onassis ajudou a financiar o assassinato de Bobby Kennedy em 1968.

O motivo? Ciúmes por Jackie.

As filmagens devem começar em 2012.

Antes disso, Meirelles estreia 360, seu projeto antigo de adaptação da obra de Arthur Schnitzler, que teoriza sobre a vida sexual de personagens de diferentes classes sociais, com Anthony Hopkins, Rachel Weisz, Jude Law, e estreia dia 18 de maio aqui no Brasil, e 25 de junho na Europa e EUA.

 

+++

 

Me senti uma fofoqueira do Canal E! agora.

 

+++

 

Falei no post anterior dos filmes HELENO e XINGU e me esqueci de 1 detalhe.

Atenção à trilha sonora dos 2 filmes, especialmente de XINGU.

Obra do grande e cada vez melhor Beto Villares.

E pensar que vi este moleque crescer…

 

+++

 

Tá, vai.

Me sobram alguns minutos.

Mais JJ [BETS] pra vc:

 

 

 

 

+++

 

E Magen [JESSICA PARE]

Esse DON…

Tem o dom.

 

 

comentários (9) | comente

 

HELENO, do Zé Henrique, é um baita filme.

Rodrigo Santoro é daqueles atores que tem algo a +.

Como se diz no futiba, é um ator “diferenciado”.

Além de bonito que dói.

Numa cena de improviso, com pacientes de sanatórios, fica evidente o quanto ele está concentrado, ao começar a improvisar com um não ator, que passa a chorar compulsivamente e pedir desculpas por recusar um cigarro.

Rodrigo está Heleno e conforta o personagem como o jogador faria.

O filme em P&B consegue traçar o emocional do protagonista com alma nas mãos.

Um jogador quase bipolar, atacado pela sífilis.

Porém, detecta-se alguns problemas de roteiro.

Sempre ele, o roteiro…

Esta pedra no sapato do cinema brasileiro.

A vida real de HELENO DE FREITAS é + interessante ainda.

Advogado, filho de cafeeiros ricos, descoberto jogando bola na praia, era muito craque- fazia 1 gol por partida.

Foi expulso do BOTAFOGO, VASCO e BOCA.

Supõe-se que teve 1 caso com EVA PERON.

Na COLÔMBIA, foi 1 grande herói, apelidado de EL JOGADOR.

GABRIEL GARCIA MARQUEZ escreveu sobre ele [até aparece de relance o artigo no filme].

Decadente, tentou jogar no SANTOS e FLAMENGO.

Mas quebrou o pau no treino com todos os jogadores na Gávea e foi expulso.

Na única vez em que jogou no MARACANÃ, pelo AMERIQUINHA de Trajano, Tim Maia e família Antunes, foi expulso ao quebrar um zagueiro no 1/2.

Alguns amigos reclamaram que tem pouco futebol no filme.

O que deve ser bem caro de filmar.

Ou foi opção do diretor?

Também causa estranhamento o elemento incorporado na trama que não aconteceu na vida real: a mulher de Heleno não trocou ele pelo melhor amigo.

Mas isso porque sou chato, rigoroso com meus amigos, meu cinema, meu País, torço pelo melhor.

O que interessa é que chorei no final.

E vi numa sala de shopping lotada, cujo público demorou para sair [ótimo sinal].

+++

Tentei ver o documentário sobre RAUL SEIXAS domingo.

O INÍCIO, O FIM, O MEIO.

Cheguei em cima da hora. Não consegui entrar.

Lotado.

A raiva virou logo satisfação.

Um documentário brasileiro lotando.

Me empanturrei de trash food na Praça de Alimentação duplamente feliz.

+++

 

 

E vi XINGU.

Filme dos amigos da O2 e do meu coleguinha de ECA e TV CULTURA, CAO HAMBURGUER.

Aliás, parênteses.

CAO era “O” cineasta do departamento da USP, que agora se chama Audiovisual.

Meu contemporâneo.

No entanto, ele me contou anos depois que nem era matriculado.

Nunca fez vestibular.

Circulava por lá como 1 aluno sem ser incomodado pela burocracia acadêmica.

Aluno bicão.

Que considerávamos 1 colega dos mais agitadores e talentosos.

Genial…

Outro ator que arrebenta, JOÃO MIGUEL.

Do BAHIA, BAHIA, BAHIA!

“Ator diferenciado…”

Também sempre concentrado, focado.

Ele, CAIO BLAT e FELIPE CAMARGO dão show, cercados por índios e não atores.

A história é incrível.

Chorei no final.

Na última cena, em que…

Opa, melhor não falar.

Minha mãe foi advogada dos índios, especialista em demarcação de terras.

Vivia na minha casa o ambiente de revolta e medo dos primeiros habitantes brasileiros, que viam suas terras tomadas por mineradoras, fazendeiros, pastos, grilagem etc.

A sorte deles é que o BANCO MUNDIAL só emprestava dinheiro a projetos brasileiros agrícolas, de hidroelétrica e mineração, com aval da minha mãe, que checava se os limites do território indígena eram respeitados.

Porém, lá vou eu, O CHATO.

Senti problemas no ROTEIRO.

Quem teve a infeliz ideia de introduzir vilões, como o fazendeiro?

No fim das utopias, eles não existem mais.

Somos todos agentes e vítimas de nossos infernos pessoais.

Somos ARQUÉTIPOS [diria Antunes Filho].

Existem vilões em FELLINI, ANTONIONI, KUBRICK, COPPOLA, TRUFFAUT, KIESLOWSKI?

Os ganhadores dos 2 últimos Oscar, O ARTISTA e GUERRA AO TERROR, não têm vilão.

Nem os de Oscar estrangeiro,  SEPARAÇÃO e  SEGREDO DOS SEUS OLHOS,

O roteiro parece seguir regras e manuais dos livros de Syd Field [teórico q escreveu 4 livros sobre roteiros].

Os autores devem ter frequentado palestras e simpósios sobre roteiro.

Deveriam ter frequentado o CPT [Centro de Pesquisa Teatral] do SESC, que vale por mil cursinhos de roteiro.

Estou sendo sarcástico.

Prometi a mim mesmo que, neste ano, me controlarei mais [já que estou sem cigarros, remédios, nada].

Mas enquanto o cinema brasileiro não se livrar deste câncer chamado maniqueísmo…

A obrigatoriedade de um grande conflito aparecer a cada terço do filme força autores a manipularem a verdade em busca do tal ponto de virada.

Como na cena em que CAMARGO [o bem] discute com um MAJOR [o mal].

Militares e políticos são tratados como vilões.

Mania do cinema brasileiro de desenhar fronteiras entre o certo e errado.

Na verdade, e isso é até mais interessante, a relação entre os irmãos Villas-Bôas e os milicos foi dúbia durante a ditadura.

No começo, no meio e no fim.

Isto é dialética.

Quem viveu, se lembra.

Eles eram apolíticos, não se envolviam, não criaram problemas para os militares.

Diferentemente do que mostra o filme.

O que deixava a esquerda decepcionada.

Especialmente pq o PARQUE era um projeto do governo deposto em 64.

Os milicos tinham como projeto Brasil Grande reorganizar a AMAZÔNIA.

Índios e parques de um lado, estradas e mineradoras do outro.

Deixaram o XINGU em paz, deram grana e visibilidade.

Foi na construção da PERIMETRAL NORTE e da TRANSAMAZÔNICA que o massacre rolou.

Tenho um livro que fala sobre isso, UA:BRARI. Por isso conheço bem a história.

Pesquisei como um desgraçado. Fui umas dez vezes para a região.

Não peguei malária por pouco [1 amigo meu pegou].

Mas passei boas noites sentado num vaso sanitário no TAPAJÓS e em ALTAMIRA, na beira do Xingu, tomando soro.

Quase fui atacado por uma onça preta em CARAJÁS.

No filme, a operação de colocar os índios KREENS, não contatados, os TEMÍVEIS gigantes da floresta, dentro do parque, é o melhor conflito.

Não é desperdiçado.

Mas se perde muito tempo criando conflitos secundários, para uma artificial curva dramática.

Outra coisa, RONDON, o verdadeiro tutor dos irmãos, sumiu no filme.

Não se sabe por que eles foram escolhidos para liderar a marcha.

Bem, quem sou EU para falar?

Vá ver os FILMES citados.

Valem a pena e o ingresso.

Se emocione.

Vale a pena se emocionar.

+++

 

 

Lembrei-me que IRACEMA, UMA TRANSA AMAZÔNICA mal tinha roteiro.

O filme de Jorge Bodansky, que mistura documentário, como SEM DESTINO,  ainda é a maior obra sobre a região de tantos conflitos.

Meu coleguinha e crítico José Geraldo Couto escreveu no seu blog [http://blogdoims.uol.com.br/ims/roteiro-pra-que-roteiro/]:

“Roteiro? Pra que roteiro?”

Frase que Godard teria dito a Billy Wilder.

Criaram-se cursos, oficinas, laboratórios, hospitais, prontos-socorros de roteiros. Os manuais norte-americanos, como o do famigerado Syd Field, entraram em voga.

Nunca se falou tanto em “curva dramática”, “ponto de virada”, “trama secundária”, “jornada do herói” e coisas do tipo. Buscava-se “o bom roteiro” como quem busca a fórmula da felicidade eterna. O resultado disso, com as exceções de praxe, foi uma enxurrada de filmes corretos, bem feitinhos e insípidos, sem alma, sem vida, que na ânsia de agradar todo mundo acabam não agradando ninguém.

Concordo.

Me lembrei também do livro de LILIAN ROSS, O FILME, sobre os conflitos que JOHN HOUSTON teve com o estúdio, na preparação das filmagens e roteirização de A GLÓRIA DE UM COVARDE.

Algum produtor achava que seria útil para HOUSTON relatórios psicanalíticos do que era a COVARDIA.

Contratou especialistas da área.

Enviou para o diretor, que nem abriu o envelope e jogou no lixo.

comentários (8) | comente

03.abril.2012 10:26:15

a verdade

Confesso que me orgulho de movimentos sociais criativos.

Sem perder a dureza das denúncias.

As redes sociais já são os pesadelos dos impunes.

Mobilizam como nunca antes.

A verdade pode nunca aparecer.

Mas ir em busca dela sempre foi a obrigação da humanidade.

Mesmo que não a encontremos, nos sentimos vivos e em evolução ao procurar.

É o que nos diferencia de uma pedra.

 

 

 

Interessante ver que o estado policial criado por eles, mais especificamente, a Polícia Militar, ainda segue ordens dos Reformados.

E mantém a impunidade e a defesa de interesses de 1 grupo político.

O entulho autoritário ainda presta serviços à ditadura.

Mais uma razão para extingui-la e unificar as polícias.

O bebum tem razão, amanhã vai ser outro dia:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=BuqKSc_EOIs#!

comentários (8) | comente

29.março.2012 10:33:54

aula de arte

FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA

Hoje e amanhã, DEUS É UM DJ, peça que dirigi, às 21h no TEATRO DA REITORIA

Estarei por ali.

Bem agasalhado, pelo visto.

Apareçam.

 

+++

 

Agora, sim, ninguém mais vai se confundir.

Se fosse assim nas escolas…

 

 

comentários (11) | comente

28.março.2012 12:25:44

Milton

Foi-se o maior poeta do humor e filósofo brasileiro.

Com quem tive a honra de conviver quando criança no Rio de Janeiro.

Amigo de pôquer do meu pai.

Jogou botão comigo algumas vezes.

Com quem ia ao MARACA ver jogos da Seleção.

Ele e a sobrinhada.

Sempre com o sorriso estampado, gozador.

Do outro lado, ficava NELSON RODRIGUES emburrado.

Este BRASIL se vai.

E sobra aquele 1 pouco + medíocre.

Que dá Pânico…

Mal sabia eu que o Brasil já foi tão mais inteligente.

Inspirador.

Adios, Millôr…

 

comentários (7) | comente

Arquivo

Seções

Tags

Blogs do Estadão