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Marcelo Rubens Paiva

O que levou Lars Von Trier a dizer que entende Hitler e que ele próprio é um nazista [apesar de obviamente não ser], na coletiva do festival de cinema de Cannes, indústria sustentada maciçamente por produtores judeus?

E John Galliano, maior talento da costura, também elogiar Hitler e ameaçar um casal judeu num bar?

Foi demitido. Ironicamente, seu chefe era judeu. Estava bêbado. Mas havia precedente.

Quiseram mexer com 1 tema tabu indigesto, mostrar que estão acima da norma comum, da boa educação, da gentileza, pois são gênios, celebridades, cercados por atenção e repórteres.

São semideuses!

Podem mais do que nós, mortais.

Que mico…

Meus amigos perguntam se não podemos mais fazer piadas sobre nazismo?

Não, ué.

Pra quê?

Por que provocar?

Faz piada sobre o dia a dia, a rotina do ser comum, tema preferido dos bons stand ups- inclusive de Gentili, que falava de sua namorada fictícia.

Não sabe que o tema incomoda o fígado da humanidade?

Que nos envergonha a consciência de que fomos capazes de tamanha estupidez e brutalidade?

Que devemos- cristãos, muçulmanos, budistas, ateus- nos solidarizar sempre às vítimas de holocaustos?

E aos poloneses mortos por Stalin.

Aos intelectuais mortos na Revolução Cultural de Mao.

Aos torturados presos políticos de regimes ditatoriais de direita e esquerda.

E ponto final.

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Homossexualismo é uma doença, cuidado. Uma doença que não é visível, como sarampo. Mas não menos contagiosa, uma doença da cabeça.

Não é o deputado Jair Bolsonaro ou a bancada evangélica protestanto contra o kit homofobia.

É a tradução da narração deste filmete institucional americano do começo dos anos 50, que alertava os jovens contra os gays à solta:

http://www.youtube.com/watch?v=v3S24ofEQj4&feature=player_embedded

Pra se ver como tem gente que pensa ainda com a mentalidade do começo dos anos 50 do século passado.

A maconha também era tema de muitos filmetes.

Como a lenda urbana do pipoqueiro, que colocava drogas nas balinhas do troco.

A mocinha que fumasse ficava doidona e saía beijando todo mundo.

Interessante como se apelava para rigidez da moral sexual para controlar outras proibições.

Quem fuma maconha sai dando:

http://www.youtube.com/watch?v=B5C4fj_kv4M&feature=related

Ou se torna violento e suicida:

http://www.youtube.com/watch?v=bM_vLk1I6G4&feature=related

Cuidado!

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“A mineira é melhor que a baiana”.

Na minha infância, era comum ouvir este comentário.

Na sala de estar de uma residência de Higienópolis, Jardins, Ipanema ou Leblon, no papinho entre familiares e amigos.

Melhores no quê?

No passar, arrumar e cozinhar. No tanque. Agachadas com um pano no piso. Penduradas com um espanador nas janelas.

No quartinho dois metros por dois, cheirando a perfume, esmalte e sabonete baratos, forrado por poster de um galã bem penteado, com sucessos do brega no dial- Antônio Marcos, Fábio Júnior, Odair José, Nelson Ned, Waldick Soriano

Que falavam de amor e um mundo melhor para emigrantes anônimas e solitárias, que passavam mais tempo com os filhos da patroa do que a própria.

E com quem muitos meninos da geração pré-revolução sexual deram os primeiros passos na escorregadia e excitante trilha da iniciação sexual.

Meninas que não conheciam a cidade, acordavam antes de todos e dormiam exaustas de luz acesa. Que não tinham para aonde ir nos fins de semana. A não ser que um porteiro as convidasse para um passeio pelo bairro.

É, as domésticas mineiras desbancaram a hegemonia baiana. Falavam delas como da chegada nas prateleiras de um novo produto de limpeza que rendia mais.

E o ciclo do novo “tráfico” seguiu a mesma rota: a empregada de uma amiga chamava por carta uma parente ou colega lá do interior de Minas.

Obrigações: ser honesta, limpinha, com bons antecedentes, e entrar pelo elevador de serviço, pois aqui é assim, existem as entradas de serviço e social. Por favor, não errar de elevador. Sim, “social” é para a patroa e filhos.

Detalhe: nos apartamentos, também há duas portas, a da cozinha e da sala; entrar pela cozinha.

Garantias da lei: carteira assinada, décimo terceiro e férias. Diferentemente de outras profissões, o Fundo de Garantia é opcional. Afinal, é uma outra categoria de trabalho. É “apenas” doméstico.

+++

Hoje, a rota da doméstica segue pelas linhas do transporte coletivo urbano. Não é preciso importar mão de obra. Ela está disponível nas favelas e morros que cercam os bairros de quem consegue pagar.

Delfim Netto disse na semana em que passou em branco o 13 de maio, no programa Canal Livre, da Band, “quem teve este animal, teve, quem não teve nunca mais vai ter.”

Indicava que a mudança da estrutura salarial do setor de serviços está tornando mais difícil encontrar domésticas disponíveis no mercado.

Delfim, ou melhor, “professor Delfim” pediu desculpas depois pela gafe.

Foi o mentor econômico do “milagre brasileiro” no período da ditadura e da tese que atribuía ao crescimento da economia o papel de distribuir a renda. Se o bolo crescesse, todos sairiam ganhando automaticamente uma fatia maior.

O governo Lula, com quem Delfim se aliou, pôs em prática a receita, mas interferiu no cozimento.

Não basta assistir ao crescimento pela janela do forno. O Estado deve intervir para dividir a renda. Não apenas com programas de combate à fome e miséria, mas com crédito subsidiado, barato e diminuição de impostos de produtos para as classes C e D.

O PT trouxe para o consumo aqueles que antes nem chegavam perto e transformou a rotina da patroa, que não consegue mais pagar por um “animal” doméstico.

Talvez ela consiga pagar por uma diarista, que graças aos chineses pode usar genéricos das mesmas grifes, escutar Racionais no seu MP3 ou DVD pago em 36 vezes no feirão das Casas Bahia, símbolo do lulismo econômico.

Deve-se combinar o serviço pelo celular, símbolo o privatismo tucano.

A profissional doméstica agora prefere não dormir no serviço, provavelmente estuda à noite e se transformou no novo e poderoso nicho das grandes marcas de perfumes, sabonetes e esmaltes.

Só a renda distribuída fará o Brasil parar de dividir seus cidadãos em “social” e “serviço”.

Ou em humanos e animais.

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24.maio.2011 17:31:18

maconha, e daí?

Se é bom ou ruim?

Cara, para o quê? E para quem?

A MACONHA me foi muito importante.

Para amainar a dor do corpo e da alma, quando aos 20 anos sofri 1 acidente que me deixou tetraplégico.

Fumava até no hospital em que fiquei internado por 3 meses.

Os amigos levavam à noite, na visita.

Um enfermeiro fumava comigo de dia.

Desculpe exemplificar com um argumento desse.

Espero não estar apelando.

Mas foi como aconteceu.

Fumava para deixar de ser.

Fumei nos primeiros anos de reabilitação.

Escrevi isso no livro FELIZ ANO VELHO: assumidamente para fugir da realidade.

Um colega PC [com paralisia cerebral] me levava na clínica.

Fumávamos juntos.

Ele era gozador, apesar de se expressar com dificuldades.

Eu fumava para entender o que acontecera com o surfista guitarrista letrista atorzinho metido da Unicamp, que se transformara num caco humano, sem andar, comer, sem futuro, onde não cabiam as lamentações.

Fumando maconha, prestei vestibular para a ECA – USP 3 anos depois e mudei de vida.

Escrevi 1 livro.

Minha mãe me pegou fumando maconha nesta época.

Depois, descobriu que todos em casa já tinham fumado.

Inclusive amigos que faziam medicina.

Não entendeu nada, pois, dos 5 filhos, 4 estudavam na USP e uma na PUC.

Todos em casa falam inglês e francês.

Uma irmã ainda fala alemão, e eu, italiano.

Todos têm diploma de Mestrado.

Duas fizeram pós-doutorado.

Minha mãe achava que maconha emburrecia os jovens.

Assim era ensinado.

Emburrecido, comecei a escrever para a revista VEJA e entrevistar para um programa literário da TV CULTURA.

Escrevi um segundo, terceiro, quarto livro, uma peça, duas, três…

Então, fui parando de fumar MACONHA.

Me deixava lesado.

Me dava preguiça.

Me dava nóia.

Me afastava da memória, minha munição literária.

A maioria dos meus amigos também parou há muito.

Até os mais adeptos, aqueles que fumavam de 2 a 3 beques por dia.

Acho engraçado os poucos que ainda fumam, pois riem de qualquer besteira que falo.

E já vi suas noites sendo arruinadas por maconhas velhas e passadas.

E daí? Foram dormir mais cedo, e só.

Detesto reuniões de trabalho em que alguém acende um baseado.

Não rende. Tem que repetir várias vezes a mesma ideia, a pessoa se esquece, se desconcentra.

Não proíbo. Nem falo nada. Mas evito trabalhar com tal pessoa.

Sabemos que lesa neurotransmissores.

Amigos médicos me falam que não é uma droga tão inocente assim.

Concordo.

Mas não vou bater ou trancar ou prender ninguém por 1 motivo tão besta.

E também discordo de quem diz uma estupidez como “leva a outras drogas”, ou “começa com um baseado, depois rouba, furta, mata…

Minha mãe, diante da filharada maconheira, chegou a experimentar com seus amigos mais avançadinhos.

Não achou nada demais.

Como italiana, prefere um bom vinho

Um dos meus melhores amigos tem problemas renais.

Ou melhor, não tem rins.

A maconha é terapêutica e aconselhada pelo próprio médico.

Nos EUA, em 11 Estados a maconha é liberada para uso medicinal.

Na Inglaterra, idem.

Não acho nada demais.

Um amigo americano defendeu quando a Suprema Corte permitiu os exames antidrogas em empresas nos EUA.

Invadia a privacidade, dizia o amigo, mas não quero entrar num avião cujo comandante fumou um baseado.

Tem lá seus motivos.

Acho que nenhum piloto de um AIRBUS fumará um beque antes de uma viagem em que cruzará os oceanos.

Como não beberá cachaça, que é legal e vende nos bares ao lado do portão de embarque.

Ele poderá cheirar cola num saquinho no banheiro da primeira classe.

Não, né?

E se o filho de alguém se perde nas drogas- sim, existe, acontece-, melhor se perguntar se a culpa é das drogas ou da estrutura pessoal ou familiar.

Talvez por isso um grupo mais conservador fique aterrorizado pela possibilidade da sua liberação.

Será sempre mais fácil culpar a droga do que a educação.

E é melhor ter sob o controle da lucidez aquele que quer controlar.

Uma besteira a POLÍCIA e a POLÍTICA perderem tanto tempo e dinheiro com esta bobagem secundária chamada MACONHA.

Especialmente enquanto as cracolândias se expandem.

Ali que mora o cão.

Se liguem.

E não vêm dizer que tem relação, porque poucos caem nessa.

Quem garante que não é a pinga ou a cola que leva ao crack?

Ou a desilusão.

Nem fui nesta Marcha da Maconha.

Estava almoçando com amigos na região da AUGUSTA.

Quando vi dezenas de camburões descendo pela contramão.

Motos. Policiais correndo. Porque uns moleques cabeludos carregavam cartazes escritos no papelão pedindo a legalização da maconha.

O bairro foi cercado, ninguém entrava ou saía.

Na esquina com a simbólica OSCAR FREIRE, policiais fizeram barricadas com armas nas mãos.

Até a elite se indignou com suas sacolas de grifes italianas.

Patético…

Perda de tempo…

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E sábado tem MARCHA DA LIBERDADE.

Ou melhor, #marchadaliberdade, em terceiro no trends do Twitter hoje.

Tá vendo no que deu toda confusão?

Só atiçou mais.

Não se quer um Estado que diga o que é certo ou errado, o que faz bem ou mal.

Outros regimes tentaram.

Teve 1 que achou que duraria mil anos.

Não deram certo.

Só 1 resiste: aquele em que todos possam opinar, manifestarem-se livremente e escolher.

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23.maio.2011 22:14:27

a moda do reaça

Como comentou uma leitora, Natália, no post anterior:

Cara, acho tão engraçada essa mania das pessoas de falarem com orgulho que são “politicamente incorretas” quando dizem absurdos… o sujeito vem, fala um monte de merda e diz que faz isso porque é inteligente (é um livre pensador, não segue o pensamento burro e dirigido das massas, etc) e porque não liga de ser “politicamente incorreto” porque afinal esse é o certo, a sociedade de hoje que está deturpada.

Coincidência. Eu pensava na mesma coisa.

O governador e o secretário municipal de segurança reconheceram que tanto a PM quanto a GCM exageraram na repressão à MARCHA DA MACONHA, que virou MARCHA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

Alckmin chegou a dizer que não compactua com a ação violenta da PM.

Mas muitos leitores e alguns blogueiros continuam acreditando que a polícia estava certa: enfiar o cacete nos manifestantes.

Como os PMs que tiraram a identificação, para baterem numa boa.

A onda agora é ser bem REAÇA.

Se é humorista, e uma piada ultrapassa o limite do bom gosto, diz ser adepto do politicamente incorreto.

Que babaca agora é fazer censura contra intolerância.

Podemos zoar com judeu, gay, falar palavrão. É isso, que se foda, viva a liberdade!

Se alguém defende a Marcha da Maconha, faz apologia, é vagabundo.

Se defende a descriminalização do aborto, é contra a vida.

Se aplaude a iniciativa da aprovação da união homossexual, quer enviadar o Brasil todo- país que se orgulha de ser bem macho, bem família!

Se defende a punição de torturadores, é porque pactua com terroristas que só queriam implodir o estado de direito e instituir a ditadura do proletariado.

Deu, né?

Esta DiogoMainardização da imprensa e da pequena burguesia brasileira tem um nome na minha terra: má educação.

Esta recusa ao pensamento humanista que ressurgiu após a leva de ditaduras que caiu como um dominó a partir dos anos 80 tem outro nome: neofascismo.

É legal ser de direita?

Tá bacana desprezar os movimentos sociais, aplaudir a repressão contra eles?

Eu não acho.

Apesar de considerar o termo “politicamente correto”, do começo dos anos 90, a coisa mais fora de moda que existe, afirmo diante do que vejo e leio: eu, aleijado com tendências esquerdizantes, não era, mas agora sou TOTALMENTE politicamente correto.

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Foi uma semana marcada pelo protesto da gente diferenciada e gafes nas redes sociais, que têm 600 milhões de vigilantes no Facebook e 120 milhões no Twitter. Postaram:

Rafinha Bastos, no dia das mães: “Ae órfãos! Dia triste hoje, hein?”

Danilo Gentili, sobre os “velhos” de Higienópolis que temem uma estação de metrô: “A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz.”

Amanda Régis, torcedora do Flamengo, time eliminado da Copa do Brasil pelo Ceará: “Esses nordestinos pardos, bugres, índios acham que têm moral, cambada de feios. Não é à toa que não gosto desse tipo de raça.”

Ed Motta, ao chegar em Curitiba: “O Sul do Brasil como é bom, tem dignidade isso aqui. Sim porque ooo povo feio o brasileiro rs. Em avião dá vontade chorar rs. Mas chega no Sul ou SP gente bonita compondo o ambiance rs.”

Quando um leitor replicou que Motta não era “um arquétipo de beleza”, ele respondeu que estava “num plano superior”. “Eu tenho pena de ignorantes como vc… Brasileiros…”, escreveu. “A cultura que eu vivo é a CULTURA superior. Melhor que a maioria ya know?”

E na MTV, a Casa dos Autistas, quadro humorístico, chocou pelo mau gosto.

Todos pediram desculpas depois. Danilo, um dos maiores humoristas de stand-up que já vi, recebeu telefonema do departamento comercial da Band, pedindo para tirar o comentário. Ed Motta se revoltou contra a imprensa. Pergunta se temos o direito de reproduzir seus escritos particulares.

A internet trouxe a incrível rapidez na troca de informações e espaço para exposição de ideias. Alguns se lambuzam. Dizem que são contra as patrulhas do politicamente correto.

Mas como ficam as domésticas ofendidas popr Delfim Netto, os órfãos recentes, aqueles que perderam parentes em Auschwitz, os nordestinos e os pais de autistas?

Tomara que, depois do pensamento grego, democracia, Renascença, a revolução industrial e tecnológica nos iluminem.

O preconceito não é apenas sintoma de ignorância, mas lapsos de um narcisista.

Ele nunca vai acabar?

***

Enquanto no Itaú Cultural, um símbolo de excelência em apoio às artes e alta tecnologia, em plena Avenida Paulista, uma mãe foi expulsa por amamentar o filho em público na exposição do Leonilson, artista que sofreu inúmeros preconceitos, morto vítima da Aids.

Ou melhor, viadão que morreu da peste gay, porque era promíscuo, diriam os reaças.

Os ânimos estão acirrados.

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1 dos manifestantes presos, perigoso bandido, sociopata. Cabeludo maconheiro?

O despreparo da corporação: é uma das justificativas dos estudantes da USP preferirem o risco de serem assaltados à presença da PM no campus.

Pode parecer 1 suicídio. Mas pensando bem…

A PM fora das universidades foi uma conquista lá trás dos tempos da ditadura.

O pacto transformou univesidades em polo de fomento de debate e manifestação política e de exibição da cultura proibida pela censura.

Como dizíamos: O Campus é um território livre.

O combate à ditadura e a luta pela Anistia e liberdade de expressão começaram lá.

Me lembro de sessões clandestinas de filmes como IRACEMA, UMA TRANSA AMAZÔNICA, de Jorge Bodanski, censurado nos cinemas, mas que circulava livremente pelos departamentos.

De montagens de peças de BRECHT, PLINIO MARCOS, NELSON RODRIGUES censuradas.

De livros xerocados que passavam de mão em mão, como ZERO, de Loyola, FELIZ ANO NOVO, de Rubem Fonseca.

Obras que se vistas e lidas pelo brasileiro comum poderiam causar convulsão social e degradação dos valores cristãos.

Assim como shows de GIL e MILTON em que canções censuradas eram tocadas e debatidas livremente na USP e UNICAMP,e que faziam apologia às metáforas e poética.

Metáforas eram muito perigosas para a Segurança Nacional.

O que vi casualmente ontem pelas ruas de São Paulo mostra o quanto a nossa polícia continua burra, despreparada e, pior, ultrapassada.

Coloca em risco a vida de muitos.

Na Rua Augusta, camburões passavam a mil na contra-mão.

Novinhos em folha – parabéns governador.

Motos subiam nas calçadas.

Cruzavam o público que ia às compras, carrinhos de bebes, velhinhas com bengalas.

Soldados com a mão no coldre vigiavam as esquinas.

Policiais xingavam manifestantes, que desciam a rua e gritavam:

“Polícia é pra bandido, não pra maconheiro!”

Uma manifestação com mil [ESTADÃO] ou 700 [FOLHA] moleques, desses que você vê nos bares de Pinheiros ou do Centro, fora dispersada na AV. PAULISTA pela Tropa de Choque.

De um lado, jovens com cartazes escritos a mão, do outro, a PM com escudos, bombas de gás e rifles com balas de borracha.

Comandados por um despreparado de um tal capitão Del Vecchio, que colocou pânico na região.

Manifestantes correram em todas as direções.

Parte desceu a AUGUSTA em direção à delegacia, para onde foram levados 4 presos.

Manifestação proibida 1 dia antes, por outro juizinho despreparado do TJ-SP, que afirmara que ela faria apologia ao uso das drogas.

Como se a PARADA GAY fizesse apologia ao homossexualismo.

Ri sozinho.

Este debate é tão antigo…

Me lembro que em 1982 na PUC-SP, ouve manifestação parecida e protesto na PRAÇA DA REPÚBLICA.

Esse assunto é velho.

FHC já saiu em defesa da liberação.

Nem sei pq o governo do estado, a PM, a Justiça, se mobiliza toda até hj para impedir o debate.

Até a THE ECONOMIST, bíblia do mercado, já afirmou que a guerra contra as drogas está perdida.

Enquanto a molecada quer dialogar, o Estado enfia a porrada.

Ora, vão combater bandido…

Resultado: marcaram outra manifestação para o próximo sábado, pela liberdade de expressão.

Cuidado com a PM.

Os> E não vem me chamar de maconheiro, porque nem sei mais o que é isso há anos.

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Bruno Nogueira [que deve ser outro maconheiro, vagabundo, pária de sociedade,  escritor] relata mehor do que eu no seu site:

http://torturra.wordpress.com/

Sabem de uma coisa? Hoje eu fui na marcha da maconha e usei tóxicos. Usei mesmo! Eu e uma cambada que descia a Consolação. Ficamos com os olhos vermelhinhos, tossindo pra caramba. Como a gente descolou a parada? Ora, com a Polícia Militar de São Paulo, com quem mais? O tóxico, no caso, chama-se Clorobenzilidenemalononitrila, o gás CS, mais conhecido como gás lacrimogênio. É considerado uma “arma branca” pelas forças de segurança, e toda tropa de choque que se preza porta um belo estoque quando vai às ruas.

Hoje tive a involuntária chance de tragar o gás em quatro oportunidades. A primeira foi na frente de um abandonado cinema Belas Artes. Uma bomba de efeito moral estourou bem ao meu lado, e meu ouvido zuniu pelo resto do dia. Corri, e tive a sabedoria de não olhar para trás quando escutei os tiros de escopetas com balas de borracha. Elas não matam, mas cegam facilmente quem as toma nos olhos. Estava seguindo em frente pelo canteiro do meio da Consolação, entre os desavisados cidadãos que esperavam um ônibus no ponto do corredor. Foi ali que o gás chegou primeiro em meus olhos e narinas. Bem como nas mucosas de crianças, jovens, adultos e idosos de ambos os sexos que esperavam uma condução apenas.

A última inalada, e mais intensa, foi entre as esquinas da Consolação com Sergipe e Maria Antônia. Eu já não estava mais no miolo da manifestação, mas seguia pelo outro lado da rua, tirando fotos da tropa de choque e me juntando ao coro de manifestantes que, já meio dispersos, apontavam suas palavras contra a polícia. Foi quando duas bombas foram atiradas na pista oposta, sentido Paulista, onde não havia marcha, nem manifestantes em grande número. Apenas automóveis engarrafados, pedestres atravessando a rua e o comércio aberto. Segui em frente, protegendo minhas vias com um lenço verde (distribuído aos montes no começo da marcha como mordaça pela censura, tornou-se máscara).
E continua no site dele ESCREVO, MAS NÃO ESPALHA

[fotos dele]


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19.maio.2011 19:10:25

bullying felino

Fábio.

O moleque é adotado.

Parece revoltado.

Já o apelidei de Febem, Frank Sinatra do Capão.

Dançamos rap; que ele adora.

Gene dominante, me falaram que é a raça mais disponível para adoção.

Não tenho ideia de como foi o seu passado.

É bem assustado, tem as unhas afiadas.

E come rápido, antes que o outro passe na sua frente.

Não se assusta com a cadeira de rodas motorizada.

Já o vi dormido em cima da roda.

Atento a tudo. Olhos bem abertos.

O mais incrível: ele enterra o coco do outro.

É um maloqueiro no sangue e na alma.

Veio todo zoado da Giaola 9.

Conjuntivite, vermes, subnutrido.

Temos que enfiar remédio goela abaixo duas vezes por dia.

Aí rola até sangue: ele morde, urra, unha.

Já arrancou um pedaço da minha bochecha.

E o desgraçadinho não o engole.

Até encontrarmos uma técnica que não se aprende nos manuais.

Agora, sim, vai ser curado.

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Seu Antônio.

Tonhão.

Não é bravo não.

O chapeiro das nossas noites solitárias.

E faz o melhor pastel da cidade.

Personagens com que só quem dorme tarde convive.

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DEUS DA CARNIFICINA!

Tem que ver essa peça aí, no TEATRO VIVO.

Aliás, fala de bullying.

O filho de um casal rico dá uma paulada no de um casal classe média. Os pais decidem discutir a violência civilizadamente.

Só que, como os filhos de 11 anos, acabam reproduzindo um outro tipo de violência, a ironia verbal.

De Yasmina Reza, autora francesa que já tinha sido montada aqui [ART].

Julia Lemmertz e Paulo Betti formam o casal que vai à casa de outro, Deborah Evelyn e Orã Figueiredo, para se desculpar.

Direção de Emílio de Mello.

Daquelas peças que indicamos sem titubear.

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16.maio.2011 17:07:33

gente diferenciada

Bullying e gente diferenciada.

Só se fala disso agora.

Até no almoço de domingo da família.

Começou a discussão, “estou sofrendo bullying!”

Alguém critica, “é que sou gente diferenciada.”

Me lembrou a coluna de 3 semanas atrás do CADERNO 2:

Entre numa agência bancária privada e repare como os atendentes parecem saídos de uma mesma forma.

São magros, simpáticos, com sorriso digno de anúncio de pasta de dente, razoavelmente bem vestidos e, na maioria, brancos.

Entre numa agência do Banco do Brasil ou Caixa Econômica. Não seguem um padrão estético.

Atrás do balcão circulam velhos, gordos, negros com tranças, pessoas bonitas ou não.

“Gosto de vir aqui porque vejo pessoas normais”, eu disse à gerente do BB.

Na primeira leva de empresas, a contratação é feita após uma entrevista, em que o contato visual é estabelecido por um departamento de RH. Há o filtro da forma paralelo ao da competência.

Na leva de empresas públicas, a contratação é automatizada por um concurso, que dá invisibilidade ao funcionário. O conhecimento, o acerto das questões, traduzido por competência, leva à contratação.

A licença poética de que “beleza é fundamental” se transformou numa norma empresarial endêmica.

Outro teste? Repare nas estagiárias contratadas por qualquer empresa do mercado corporativo. Como o trabalho é por um período temporário, elas podem ser gatinhas e gostosas, que se relevam as habilidades. Em todos os escritórios têm uma.

Entre numa loja de roupas. Atente aos comissários de bordo. Garçom negro? Nem pensar. Garçom gordo? Jamais!

Ligue a TV e veja apresentadoras ou repórteres de telejornal. O gordo na tela de TV ou é humorista ou animador de programa de auditório. Muitos são ainda pressionados a fazer operações arriscadas de redução de estômago em Minas.

Há exceções. Mas parece evidente que se prioriza o olhar, não o ouvido, para o bom andamento das relações trabalhistas.

Nos transformamos numa sociedade que além de racista é obcecada pela beleza e barriga tanquinho.

Leo Jaime foi mais longe. “Gordo é o novo preto”, escreveu no seu blog, inspirado no manifesto americano “Fat is the new black”:

“Ao longo dos anos ouvi, e ainda ouço inúmeros ‘nãos’ profissionais com a justificativa de que minha aparência não é boa, preciso perder peso, pareço decadente etc.”

“Passei 18 anos sem gravar um CD com minhas composições e percebi que ninguém se interessava em sequer ouvir as novas canções. Embora eu já tivesse emplacado várias no nosso cancioneiro, parecia que estava claro para todo mundo que a minha barriga tinha substituído o meu talento.”

Leo ainda lembra que o preconceito contra os gordos é o único tolerado hoje em dia.

“Todos são ou vão ser gordos, ou gostar de um gordo, ou admirar um gordo, ou ter prazer com um, seja em que nível for. Conviva com esta ideia, amigo ou amiga. Não são os bonitos os que vão dar prazer, mas aqueles que querem dar prazer e vão se esforçar para que você se dê conta disto. E, acredite, portadores de deficiências, magrinhos, carecas, altos, baixos, estão todos no páreo.”

As grosserias do deputado Bolsonaro (PP-RJ), representante e sobrevivente da extrema-direita brasileira, e a confusão bíblica do seu colega pastor Marco Feliciano (PSC-SP)- que tuitou que “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé”, e que “a África sofre com a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, aids”- só foram feitas porque há “proteção” do foro privilegiado e a deturpação do seu sentido.

Ele garante o exercício da livre expressão, mas não o direito de incitar o preconceito e a intolerância.

O racismo no Brasil existe e, pior, é um caso de saúde pública, segundo dados publicados por Maria do Carmo Leal, Silvana Granado Nogueira da Gama e Cynthia Braga da Cunha na Revista de Saúde Pública da USP.

O debate sobre as desigualdades raciais e suas consequências na saúde é recente.

Foi só no final dos anos 90 que começou a coleta de informação sobre a cor da pele na declaração de óbito e nascido vivo, graças a uma portaria de 1999.

Então, a inclusão do campo raça/cor com os atributos adotados pelo IBGE entrou no sistema de dados do Ministério da Saúde.

O que se descobriu foi que os piores indicadores de mortalidade materna no parto são apresentados por mães pretas: cerca de sete vezes maior (275 por 100 mil nascidos vivos) do que entre mulheres brancas (43 por 100 mil nascidos).

Pretos e pardos morrem cerca de duas vezes mais por agressões do que brancos: 136, 111, e 72 por 100 mil habitantes respectivamente.

No perfil de mortalidade nos homens pretos entre 40 e 69 anos, doenças cérebro vasculares predominam, mais associadas à pobreza em períodos precoces da vida, do que doenças do coração, que representam a primeira causa de óbito entre brancos.

Nas mulheres pretas entre 40 e 69 anos, a taxa de mortalidade por doenças cérebro vasculares (115 por 100 mil) é cerca de duas vezes maior do que entre brancas (58 por 100 mil).

A mortalidade por doença hipertensiva e por diabetes é muito mais expressiva entre as mulheres pretas.

No parto, as mulheres de cor preta e parda são majoritariamente atendidas em estabelecimentos públicos, 58,9% e 46,9%, e nas maternidades conveniadas com o SUS, 29,6% e 32,0%. As brancas, ao contrário, quase a metade, 43,7%, tiveram seus partos realizados em maternidades privadas.

Foi elevada a proporção de mulheres pardas e negras que não conseguiram receber assistência na primeira maternidade procurada.

A peregrinação em busca de atendimento foi de 31,8% entre as negras, e 18,5% nas brancas.

A anestesia foi amplamente utilizada para o parto vaginal nos dois grupos. Porém a proporção de puérperas que não tiveram acesso a esse procedimento foi maior entre as pardas, 16,4% e negras, 21,8%.

No momento do parto, foram mais penalizadas por não serem aceitas na primeira maternidade que procuraram e, incrivelmente, receberam menos anestesia.

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O filme MALU DE BICICLETA continua em cartaz em São Paulo [cada semana num shopping; nesta no Shopping D] e outras capitais.

E começa a cruzar a fronteira.

  1. O filme passou na Mostra de Paris dia 5 de maio.
  2. Essa semana estaremos na Mostra de Milão.
  3. Estaremos no mês que vem em New York,na Mostra da Petrobras.
  4. Fomos selecionados para o Festival de Israel.
  5. O filme está sendo lançado em blue ray+dvd esse mês, pela Paris Filmes.


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E por falar nele, amanhã estarei no CCBB de São Paulo, 19h30, apareçam:

Ministério da Cultura e Banco do Brasil apresentam e patrocinam

HUMOR & COMPANHIA

CICLO DE DEBATES 2011

O HUMOR NA MÍDIA E NAS ARTES

17 DE MAIO
Terça-Feira, a partir das 19h30
HUMOR NO CINEMA
Das chanchadas da Atlântida à nova comédia romântica, o humor no cinema é sinônimo de retorno de bilheteria.
Por que esse tipo de comédia faz tanto sucesso junto ao público?

Debatedores: Marcelo Rubens Paiva e Tata Amaral
Mediação: Luiz Zanin
Exibição de trechos de comédias como MALU DE BICICLETA

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil
Idealização / Curadoria: Beatriz Carolina Gonçalves

ENTRADA GRATUITA
Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo/SP
Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
Informações (11) 3113-3651 ou 3113-3652
www.bb.com.br/cultura

Estacionamento conveniado: Rua da Consolação, 228 (Ed. Zarvos) com transporte gratuito até as proximidades do CCBB

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E ainda rola no MEMORIAL DA RESISTÊNCIA, até 10 de junho.

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E já nas livrarias, dose dupla de lançamentos neste ano.

A vida não para, nego.

Tomara…

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14.maio.2011 15:41:28

gaiola 9

Numa sexta-feira 13…

Na semana em que as redes sociais revelaram que humoristas têm ódio, que cantores desprezam seus ouvintes, que apresentadores esportivos se xingam, por causa do futuro de um jogador com o apelido de uma ave, e em que moradores de um bairro nobre não querem uma gente diferenciada por perto…

No mês em que nos sentimos na Idade Média, após a morte de um líder mouro, o casamento real e a beatificação de um Papa…

No ano do fortalecimento das redes sociais…

Na década em que o terror ditou as regras do jogo geopolítico, um negro chegou à presidência Americana e o capitalismo foi colocado em cheque…

Posto fotos dos meus 2 gatos.

Que se estranharam no início.

Que gerou ciumeira, chiadeira, miadeira, correria, unharia…

Mas que hoje não se desgrudam.

O que eles nos ensinam?

Que se as coisas não fazem sentido, melhor observarem juntos o desconhecido.

Quando chega o novo, o velho luta por seu poder, briga pelo território, até perceber que a novidade pode ser útil, como aquecer no frio, por exemplo.

Uma lição para Tiago & Neto, Danilo & bom senso, Ed & Paula, Higienopólis & Metrô.

Hugo, nascido em 25 de setembro de 2010, na casa do senhor Francisco José Zambianchi.

Fábio, origem desconhecida, nascido aproximadamente em fevereiro de 2011, encontrado na Gaiola 9 do anexo de adoção de animais abandonados da Cobasi, rede de produtos para animais domésticos.

O resto?

Depois pensamos no resto…

O mundo cansa às vezes.

E se você não aguenta mais ler sobre os meus gatos, eu entendo.

Vá ao Twitter.

As coisas por lá andam bem mais animadas.

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11.maio.2011 18:16:26

os 4 acordes

C (dó), G (sol) Am (lá menor) e F (Fá).

São os quatro acordes do sucesso.

Repeti-los, você tem seu hit garantido.

Hits de Beatles, Legião, Radiohead, Bob Marley, A-Ha, Kid Aelha usam a mesma sequência e harmonia.

Primeiro foi revelado pelos comediantes australianos Axis Of Awesome:

http://www.youtube.com/watch?v=5pidokakU4I

Depois foi a dupla brasileira que descobriu hits do rock, emmo, sertanejo, pagode e axé que usam a mesma fórmula:

http://www.youtube.com/watch?v=DAisQxksL14

Truque inocente que molda as nossas vidas há décadas.

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Polêmicas do @marcelorubens sem fumar há mais de 3 meses:

Prefiro reverenciar Cazuza, Renato Russo e Fred Mercury do que Lacraia.

Lacraia era 1 dançarino desengonçado, simpático e com carisma. Até aí, beleza. Mas falar que era 1 ícone do movimento gay?! Cassia Eller, sim, era

Alguém aqui tem Eguinha Pocotó no Ipod? E Cassia Eller, Cazuza, Renato, Fred Mercury…?

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Novela da GLOBO trata as pessoas como se estivessem nos anos 50 e o divórcio fosse ainda um grande tabu que prejudica os negócios. Ora…

E na imprensa, discute-se mais o beijo gay da novela do que a qualidade da mesma

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Facebook é o maior empata-foda. O cara é a fim da mina, mas vê fotos dela esquiando, numa lancha, em muitos países e pensa: “Não sou um Kennedy”.

A mina vê no Face que no aniversário dele 34 meninas lindas e felizes mandaram felicitações e pensa: “Sai dessa, concorrência brava”.

O cara vê aqueles amigos gays lindos e sarados abraçando-a, amassando-a, mordendo-a, e pensa: “Não tenho chances.”

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O casamento real acabou, virá agora a dura realidade do casamento

Depois da cerimônia, as caravelas partirão para as colônias do império cujo sol não se põe, para anunciar a novidade?

Tá surreal este casamento real

Se este casamento é o real, os outros são de mentirinha?

Casamento real, beatificação de Papa, tudo ao mesmo tempo… Estou me sentindo na Idade Média

Acho a duquesa mais gostosa do que a irmãzinha. Sei lá. Devo ser mais conservador…

É Pìppa pra lá, Pippa pra cá, está parecendo o céu de terreno baldio da minha infância. Será que alguém vai passar o cerol?

A duquesa é mais classuda e tem olhos de ressaca. Cunhadinha tem cara de quem fica rindo à toa.

Taí, duquesa é pra se divertir durante muitos dias. Cunhadinha é pra se divertir, não dormir, não ligar no dia seguinte e dar 1 sumidão.

Mulher que ri muito não dá tesão.

Quanto ao beijo frio do casal real? Ingleses fingem que não gostam de sexo, para não constranger os franceses, que fingem que gostam, mas preferem uma discussão.

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Antes de proferir a expressão “não sei se caso ou compro uma bicicleta”, verifique se na sua cidade tem ciclovias. No caso de são Paulo, melhor casar, Ou comprar uma moto.

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“Só quem torce pro juiz é a mãe dele.” Boa Arnaldo Cesar Coelho. Desta vez, você acertou em cheio.

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“Um homem prevenido não é aquele que anda com preservativos no bolso da calça. Esse eu chamo de um homem esperançoso” [Mário Bortolotto]

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Rock’n Rio abre com Claudia Leite e fecha com Ivete. Beleza. No próximo Carnaval da Bahia, Motor Head abre, e Metallica fecha. Feito?

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Escovo bem os dentes e passo fio-dental antes de ir ao dentista. Um amigo corta-as unhas antes de ir à pedicure. Mas uma amiga vai mais longe. Se depila antes de ir na depilação, pra não dar vexame.

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“Sendo a velocidade da luz mais rápida que a do som, é normal que algumas pessoas pareçam mais brilhantes até abrirem a boca” [Cláudio J. Tognolli]

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Se a foto do Bin Laden morto estivesse com as polícias brasileiras, não seria segredo pra ninguém. Teria va$$ado pra Veja ou pro Fantástico.

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Criticam, pois LULA ganhará 500 mil por uma palestra na Coreia. Problema deles.

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Ontem, no pôquer, a palavra de ordem era: Obama ou Osama? Para quem não entendeu: matar ou morrer.

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Beatificaram o Papa “que lutou contra o marxismo” no dia 1 de maio. Provocação. Como se uma revolução marxista aniversariasse no dia 25 de dezembro.

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Qualquer frase de filósofo citada na Caras fica com cara de auto-ajuda.

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Falar “este não é o procedimento” é a desculpa de quem provavelmente não sabe qual é o procedimento.

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Estou sofrendo bullying da Receita Federal neste mês. No quadro imposto devido aparece um valor exorbitante. E ainda me ameaçam, se eu não pagar.

E o senador Requião diz na tribuna do Senado que os políticos sofrem bullying da imprensa. Não é o País que sofre bullying do Senado?

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11.maio.2011 11:40:33

o carona

Agora eu tenho companhia para aonde quer que eu vá.

Que fase…

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07.maio.2011 14:47:48

nas livrarias

Seleção feita pela professora Regina Zilberman, da UFRGS.

Com esta foto estilo Joy Division de Flávio Colker.

Ideia da nossa editora que não para, Isa Pessoa [EDITORA OBJETIVA].

Que bolou esta coleção, PARA LER NA ESCOLA, que faz um enorme sucesso nas escolas.

Já saiu as coletâneas de João Cabral, João Ubaldo, Cony e Loyola Brandão.

E, claro, do Veríssimo, cuja edição vendeu mais que 1,5 milhão e, como eu já disse aqui, surpreendentemente se transformou no seu livro mais vendido.

O meu abre com uma crônica de 2005.

Reproduzida abaixo.

ps> A segunda parte da crônica é meu bônus, não está publicana.

Desculpe, morri

“Boa-noite, é… Marcelo?”

“Quem é?”

“É você?”

“Quem está falando?”

“Puxa, que bom, eu precisava tanto falar com você, não imagina o trabalhão que deu pra descolar o seu… “

“Quer falar com quem?”

“Com você mesmo, Cariri.”

“Cariri?”

“Não era o teu apelido em Santos?”

“Como você sabe?”

“Pesquisei. Apelido louco. Por que te deram esse apelido?”

“Olha, o que você quer?”

“Sou estudante de jornalismo e estou fazendo um trabalho.”

“Como você descolou o meu telefone?”

“Desculpe, Cariri. A pessoa que me deu pediu para não ser identificada. Você é uma figurinha difícil de achar, hein? Marcelão, Marcelão… Como vão as coisas?”

“Indo.”

“O seu Corinthians, hein?”

“Meu e de muito gente.”

“E a Ana?”

“Ana?”

“A do livro.”

“Que livro?”

“Como ‘que livro’? O seu livro!”

“Qual deles?”

“Tem mais que um?”

“Tem alguns.”

“Caramba! Estou falando do primeiro. Tinha a Ana, que namorava você na época da ditadura.”

“Ah. Não se chamava Ana. Nunca mais vi.”

“Puxa, mas vocês eram tão…”

“Ligados? Mas isso faz tempo, era ditadura ainda. Éramos adolescentes.”

“E a galera toda”

“Qual?”

“A do livro?”

“Sei lá. Faz 25 anos isso.”

“A Bianca, a Gorda?”

“Cara, estes nomes são inventados. Cada um foi para o seu lado. O mundo gira, a caravana passa.”

“Que caravana?”

“Deixa pra lá.”

“Pô, você é doidão, mesmo. Quanto tempo você levou pra escrever?”

“O quê?”

“Como o quê? O Feliz Ano Passado?”

“Ah… Levei um ano.”

“Pô, e você ficou uma fera com aquela enfermeira. Meu, rolei de rir naquela parte. Marcelão, que figura. A gente tem que se conhecer, cara, temos muitas coisas em comum.”

“Sério?”

“Com certeza, pô, posso falar? Este livro marcou uma época, tá ligado? Tipo assim, marcou uma geração, certo?”

“Ouvi dizer.”

“Então, como vão as coisas?”

“Indo.”

“Pô, conta mais.”

“É que estou jantando.”

“Ah… Olha só. Eu preciso te entrevistar, cara. Pro meu trabalho de TCC, tá ligado? Trabalho de Conclusão de Curso.”

“Tô ligado.”

“Aí, vamos marcar?”

“Cara, não fica chateado, mas é a quinta pessoa que liga nessa semana pedindo, e não vai dar. Fim de ano, é sempre assim, um monte de estudantes liga, e tenho minha rotina, eu trabalho muito, não é pessoal, vê se me entende.”

“Ah, não vai dizer que vai regular?”

“Cara, é muita gente, não dá pra atender todos…”

“São só umas 25 perguntinhas.”

“Só?”

“Sobre a sua carreira, seus livros, as influências, a ditadura, o seu pai, tortura, desaparecidos, esses lances, a condição dos deficientes, os jovens no mundo de hoje, a diferença entre os jovens da sua época e os de agora, fala do Renato Russo, você era amigo dele, não era? Será só imaginação, me amarro, cara, será que vamos conseguir vencer, será que é tudo isso em vão, você conheceu o Cazuza? Como era, tipo assim, o ambiente naquela época das passeatas dos estudantes? Nós vimos o filme do Cazuza e debatemos na escola a aids e os anos 80, cara, aí, você fala da importância dos livros para os jovens, de como fazer os jovens lerem mais, compara a geração cara-pintada com a da antiglobalização, Fórum Social, falta bandeiras, certo? O Protocolo de Kioto tá aí! Viu os furacões? Os americanos têm que assinar, tá ligado? Pô, deu na seca aqui da Amazônia. Posso mandar as perguntas por e-mail, a gente fala dessa crise aí do PT, você tá acompanhando, não tá? Você ainda é curte política? Mó decepção…”

“Cara, não vai dar.”

“Pô, Cariri, você me pareceu um cara legal pelos seus livros.”

“Olha, quando eu estudava, fiz um trabalho enorme sobre lógica aristotélica. Aí, liguei pra Grécia, pra falar com o Aristóteles? Não. Tive que me virar.”

“Que que tem a ver, cara?! Tu é doidão mesmo, aí, ó! Tu fala grego, maluco?!”

“Fiz um trabalho sobre Kafka na escola. Nunca pensei em ligar pra casa dele em Praga.”

“Por que não?”

“Porque ele morreu em 1924! O Machado de Assis também morreu. Ninguém na escola ligaria pra casa dele na hora do almoço ou jantar pra perguntar se Capitu era fiel ou não!”

“Calma aí, meu. Nem tinha telefone naquela época.”

“Olha, vai à sua biblioteca ou use a internet. Não precisa entrevistar o autor para fazer trabalhos. Descobre você.”

“Quer dizer que depois da fama tu ficou convencido. Desculpe aí, cara, foi mal. Nunca mais leio um livro seu. Aí, ó, sabe quem morreu pra você? Eu. Tá se achando, Cariri?!”

*

Minha mãe, na adolescência, de uniforme do Sion, costumava esbarrar com alguns modernistas, especialmente Oswald de Andrade, na Leiteria Americana, café amargamente falido em frente ao Teatro Municipal. Ela me contou, quando me viu lendo Memórias Sentimentais de João Miramar. Perguntei se ela não falou com ele, não pediu autógrafo, não perguntou coisas. Ela disse que jamais atrapalharia a refeição de um pensador. Sua educação me privou de herdar um autógrafo ilustre.

Madrugada, Leblon, Rio de Janeiro. Um fã vê o arredio escritor Rubem Fonseca, de Feliz Ano Novo, passar com um boné enterrado na cabeça, em uma de suas caminhadas “anônimas”. Aproxima-se e pergunta se ele é Rubem Fonseca. O escritor responde: “Depende.”

O dramaturgo e diretor de redação da Folha de S. Paulo, Otavio Frias Filho, lembra um episódio que ocorreu em 1977 na USP, quando ele era estudante ainda. Durante um congresso da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), venceu a timidez e abordou o autor de Dois Perdidos Numa Noite Suja, perguntando: “Plínio Marcos?” Ele respondeu: “O tempo todo.” O próprio Otavio costuma dar uma reposta inusitada, quando perguntamos “Como vai?” Ele diz: “Sobrevivendo.”

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