Fui ao show do Radiohead na Chácara do Jockey. Paguei 200 pratas, assim que começou a vender pela internet. Convidei o amigo Paulo Ricardo, que também tinha comprado. Ficaríamos na Pista. Imaginei que eu precisaria da mãozinha de um amigo.
Nos conhecemos na USP há 25 anos. Ele fazia jornalismo, eu, radio & tv, na ECA. Fui seu calouro. Descobrimos que morávamos na mesma quadra, na Al. Eugênio de Lima. Não preciso dizer que nos tornamos unha e carne. De dia, as aulas. De noite, as ruas.
Batíamos ponto do Napalm, Carbono 14, Rose Bom Bom, Madame Satã, nossas segundas casas. De onde saiu a cena underground paulistana, que virou uma família. Nos reuníamos na casa-estúdio do fotógrafo Rui Mendes, no Bixiga, ou na do diretor de arte Michel Spitalli, na Japurá- vizinho de Dinho Ouro Preto. O que gerou uma mesa de pôquer famosa.
Paulo foi um irmão e meu motorista, enfermeiro, me subiu escadas, me levou para o Rio. Eu tinha uma namorada carioca, que morava no Jardim Botânico, num predinho sem elevador. Eu dormia lá, quando ia ao Rio. Se Neguinho, então meu enfermeiro, não pudesse ir, era o Paulo quem ia. Me subia dois andares de escada no colo. Ou melhor, nas costas. Adquirimos uma técnica: eu me agarrava no seu ombro, e ele me levava, como um estivador.
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Paulo, na janela do apê do Jardim Botânico
Ontem, no show que deu no Tom Jazz, ele lembrou que o RPM fechou com a CBS numa dessas viagens em que ele foi convocado a me choferar.
O espanhol Tomas Munhoz, comunista e presidente da CBS, depois SONY, me chamou para uma reunião na sede da empresa, na Praia do Flamengo, já que queria gravar as músicas que eu compora e citava em Feliz Ano Velho. Era 1984. Recusei, ciente de que eu não tinha talento para tanto, e apontei para o amigo-enfermeiro: “Esse aqui tem uma banda”.
Paulo deixou o cassete demo do primeiro disco do RPM e depois virou o maior vendedor de discos da história do rock brasileiro (5 milhões).
No entanto, nunca deixou de ser meu amigo-motorista-enfermeiro.
No dia do show do Radiohead, descobri casualmente que tinha uma entrada exclusiva para PNEs (Pessoas com Necessidades Especiais), termo oficial, politicamente correto, para designar os deficientes. Estacionamos o carro na área exclusiva. Paulo me empurrou pelo chão de grama e areia. Nos indicaram o lugar para cadeirantes, um palco elevado, com rampa, na lateral da pista, em que cada cadeirante poderia levar 1 acompanhante.
Durante o show, ele, com um boné enfiado, foi comprar cerveja, me ajudou a subir a rampa, manobrou outras cadeiras de rodas, para encaixar os atrasados. Até uma jornalista de um site de notícias reconhecê-lo. Perguntou o que ele fazia ali. Ele disse que estava ali para me ajudar. Adiantou?
Saiu uma nota afirmando que Paulo Ricardo usufruiu do lugar reservado para deficientes. A nota adquiriu proporções de fofoca: virou notícia no TV Fama, sites, até na MTV. É o preço…
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Neguinho na mesma janela
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O amigo-enfermeiro com a então namorada Luciana, em Ubatuba
Muito legal sua matéria, que ilustra perfeitamente duas coisas importantes:
1) O lado humano de alguém que é praticamente um mito da música brasileira. Muito bom saber que além de músico competente o cara tem um coração enorme.
2) A imprensa podre do país, que caça notícias a qualquer custo, sem se importar com os estragos feitos na imagem de seus alvos. O mesmo Paulo Ricardo que já quebrou galho de muito repórter dando entrevista que nem tava a fim de dar, agora é perseguido por esses jornalistas de terceira categoria.
Espero de coração que Paulo processe o jornalista, vença a causa e esclareça o caso na imprensa. Um exemplo como o dele não pode passar despercebido.
Grande abraço Marcelo, te leio sempre via RSS.
Não precisa ir muito longe… eu, simples mortal rsrs, acompanhei minha mãe ao banco. Ela, idosa, entrou na fila e eu fiquei do lado (ela estava recém operada). Pronto… o suficiente para acharem que eu estava furando a fila… os idosos, os mais jovens, o segurança do banco. Resumindo… às vezes a gente paga pela falta de educação da maioria. Infelizmente o que se acostumou neste país é que todo mundo é culpado até que prove inocência. Um abraço.
Lamentável que você tenha que expor no seu blog algo pessoal, é foda que você e o Paulo Ricardo tenham que ficar se justificando por causa dessa “imprensa”.
Sabe o que é mais engraçado? Se tentar desmentir, podem inventar outra manchete pior ainda. Imagina o forfé…
Gosto quando você coloca fotos antigas no blog. Torna a leitura ainda mais íntima.
Pior que este tipo de coisa nem dá pra falar que é Brasil. Isso é o ser humano século 21, daí pra pior.
Que absurdo!!! A imprensa é podre tem hora. Se não tivessem deturpado tudo, teria saído uma matéria linda e VERDADEIRA. Um amigo, que antes de ser reconhecido como estrela, celebridade, sei lá mais o quê, é humano, é dedicado, é carinhoso.
Que o Paulo processe essa corja!!!
E que a amizade de vocês seja eterna!!!
Eu não conhecia a sua história, aí passou uma entrevista sua com o Zé do caixão e depois de uma conversa com um amigão meu, que é seu fã, soube mais um pouco de vc e agora posso afirmar tb, vc é um cara especial, pela sua garra e alto astral!
Beijo!
Que absurdo!!! A imprensa é podre tem hora. Se não tivessem deturpado tudo, teria saído uma matéria linda e VERDADEIRA. Um amigo, que antes de ser reconhecido como estrela, celebridade, sei lá mais o quê, é humano, é dedicado, é carinhoso.
Que o Paulo processe essa corja!!!
E que a amizade de vocês seja eterna!!!
Eu não conhecia a sua história, aí passou uma entrevista sua com o Zé do caixão e depois de uma conversa com um amigão meu, que é seu fã, soube mais um pouco de vc e agora posso afirmar tb, vc é um cara especial, pela sua garra e alto astral!
Beijo!
Boa Marcelo ! É bom ver exemplo de amizade.
Mas, tem jornalista que tem “titica” na cabeça. Esses fofoqueiros merecem uns cascudos. Êta turminha…
por isso não gosto de jornalista….
Dono, porque essa surpresa com a “benevolência” do PR ? Por acaso,artista só é bonzinho quando conta pra todo mundo o que fez ou faz ?
Tá certo ele, faz e fica sossegado com seu “coração enorme”.
Que linda homenagem para um amigo!
Tudo que é feito de coração, não nos atinge.
Ps: achei muito poético seu texto no Estadão de sábado, principalmente o último parágrafo: “…Saudades, eu? Para ser heroi na própria solidão e refém do passado? Veio a bonança.”
Amei!
Beijo, Marcelito,
Luciana
P..ra, Paiva!
Ques história interessante. Eu não sabia que o Paulo Ricardo é um cara bacana assim. Sempre achei ele folgado pacas. rsrs
Aparencias realmente enganam…
folgado sou eu, kkkk
Marcelo (intimo só marelo né?) você nao me conhece. Mas eu ja te vi, ja falei com voce e até bebi em uma mesma roda, e te vejo como um ser – fumano comum, de carne e osso (talvez por isso te chame só de Marcelo) igual a todos apesar do seu genialismo..
Mas quando voce fala do PAULO RICARDO (repare nas letras garrafais)
Me sinto uma tieti aos 15 anos gritando e esbravejando por uma atençao dele.
Me sinto otima em saber que conheço um amigo (mesmo que nao me conheça) do meu idolo
haaaaa..
suspiros]
bobo né?
mas eu precisava contar
pelo menos assim vc ri um pouco
bjs
Quando eu li o post sobre a ida de vocês ao show, tinha até imaginado que fosse uma resposta a uma notinha que li na net falando isso. Sabe quando a gente fica triste pelos outros? Eu fiquei triste por vocês, por uma amizade ter se reduzido a um pretexto, como se você fosse um trouxa e ele um aproveitador.
Só queria dizer aqui que nem todo mundo vê maldade em tudo. Talvez os que vêem hoje escolham a profissão de jornalista…
é isso que me deixou fulo, a amizade ser tratada como um pretexto.
Incrível a capacidade e criatividade que alguns jornalistas têm.
*bom ver uma foto do Neguinho. Ele ainda estava só na imaginação.
Um xero.
Nossa Marcelo, gostei da sinceridade…e parabéns por ter um amigo de verdade, sinta-se privilegiado por poder contar com alguém assim! Está cada vez mais difícil encontrarmos pessoas que nos queiram bem sem segundas intenções… Acredito que a verdadeira amizade é assim, dura a vida inteira, superando divergências, conflitos, distância, mudanças de vida e tudo mais… Como essa pessoa especial na sua vida se trata de Paulo Ricardo, fico feliz em saber que ele é assim, um amigo sincero…sempre fui fã dele, amo as músicas do RPM e admiro demais o Paulo pela sua inteligência…sinto que além de lindo ele é inteligente…
é INCRÍVEL a leviandade das pessoas (e não só da mídia) hj em dia. REVOLTNTE.
É o preço… da amizade, meu caro. Um preço justo!
E para essas sanguessugas da mídia que querem se locupletar a qualquer custo, o melhor é o desprezo. Esse pessoal da imprensa especializada em fofoca são uns urubus que se nutrem das mesquinharias que eles próprios engendram. Uma gente desprezível!
Um abraço. E parabéns pelo ótimo texto!
Marcelo,
Cada vez que leio aqui fico com cara de pastel e tenho mais certeza.
Você me encanta porque É DE VERDADE.
Adorei esse post e todo esse carinho, cara.
SHOW.
PS: Estive no Just a Fest, também precisei de uma mãozinha viu? Acho que cada um ao seu modo, mas todo mundo precisava de uma mão para não quebrar a cara na lama ou na poça (rs).
Nessas horas que me sinto envergonhada por fazer parte desse podre da sociedade, os jornalistas. Sim, estou muito desacreditada com a profissão.
Aliás, como eu gosto de você como escritor, e meu padrasto foi segurança do Paulo Ricardo, acabei contando o caso pra ele. E engraçado, ele me contou que levou vocês diversas vezes para Ubatuba no Galaxy rosa da Luciana….
Abraços
ps: Seu blog é ótimo e, além de ter sido me recomendado por um amigo que foi na sua peça e adorou está nos meus feeds.
tb nao precisamos generalizar. tem imprensa seria
Pode até ser o preço…..mas que moral que um programa ( se é que pode ser chamado assim ) como o TV Fama ( que bem poderia ser denominado TV Lama ), tem de cobrar explicações dos artistas. É triste ver a TV infestada de gente que vive de fofoca, de invenções, de suposições e de calúnias. Total falta de conteúdo. Legal ver a história e vcs e quem é de verdade fica acima destes coitados que fazem de tudo por audiência.Abçs.
Po, Marcelo, não sabia que voce é de carne e osso…pensei que fosse feito papel jornal…
Mariane, forçou a amizade, hein ?
Claro que o cara é de carne e osso, a diferença é que alem de tudo ele tem cérebro…pouco, mas tem !
E pensar que o Paulo Ricardo quase fez parte desse grupinho.
Ainda bem que não.
não acredito que essa história ainda está rendendo tanto.
gente famosa não pode ter amigos.
gente famosa não pode ir a praia, não pode almoçar.
cagar, peidar, brigar com o namorado, menos ainda…
de que me adianta toda a velocidade da informação se as notícias são sempre sobre quem cortou o cabelo, quem foi ao supermercado e, principalmente, quem almoçou com quem em um restaurante do leblom.
espero que vocês ao menos tenham gostado do show.
e, só pra constar, na adolescência, eu queria casar com os dois… ao mesmo tempo…
Pelo título e começo da frase parece que vc iria simplesmente falar sobre o preço do show (Ingenuidade da minha parte), mas magicamente vc nos transporta a uma história recheada de amizade, demonstração de carinho e homenagem ao seu amigo. O Paulo Ricardo é um cara especial, com certeza ! Legal você esclarecer os fatos, mas deixa isso pra lá… pessoas ‘pobres de espírito’ existem aos montes por aí…
Obs- te vi no programa do amaury, by the way, já tomou a cerveja ? rs
Obs1 – por onde anda o Neguinho ?
Antes de ver as notas maldosas na internet, tinha lido no seu blog que voces foram juntos ao show. Se eu fiquei indignada com a imprensa, imagino voces…
As vezes tenho vergonha de fazer parte dessa classe…
Muito legal o texto, e a homenagem ao seu amigo, quanto a “imprensa” que ainda se diz “especialisada”, eu não sei nem o que dizer, há tempos eu pouco vejo televisão, e jornal confesso nunca fui de ler essas colunas de fofoca, mas mesmo assim não me espanta essa covardia.
E me deixa perplexo e fato de você ter que vir aqui para “explicar” o que aconteceu, pois apesar de tudo o cara ainda fica como vilão.
Mas como como sabemos existem profissionais bons e ruins em todas as áreas, e existem porfissionais ruin e mau-caráter, uma lástima.
Abraço, e esse é de longe o melhor blog aqui do estadão.
Ps. ansiedade para ver “FIEL”.
Sempre achei o PR (sei que é seu amigo, mas tenho que falar…) metidão, cheio de caras e bocas, etc. Me surpreendi. Talvez essa seja a imagem dele, e como a gente julga as pessoas pela aparência antes de conhecer (todo mundo faz isso), o jornalista maldoso vai pra cima, sem escrúpulos.
Quantas vezes julguei e depois tomei na cabeça…Tomei de novo.
Em tempo, o correto é “especializada”, por pouco não assassino o português.
Abraços, ah… vi há pouco que o filme FIEL já está à venda (na verdade pré-venda), já comprei o meu, sem ver mesmo, confio no trabalho de vocês. E dia 10, estarei lá na arquibancada cinematográfica.
O texto é ótimo e comovente.Nessa era de jornalismo de releases os caras precisam encher linguiça e, não raramente, exageram na dose.
Mas a foto de madame Vendramini mereceu um zoom pra ser melhor observada.
O P.Ricardo deve ser mesmo um cara legal.E La Vendramini continua alimentando meus devaneios onanistas
E o neguinho na janela ta fazendo o que?
Discutindo a liberação?
Quem fica conhecido acaba perdendo a propriedade da própria imagem. Como você disse, é o preço. Mas por isso mesmo acho que ele merecia o benefício da dúvida por parte da jornalista (?), afinal de contas não se trata de uma pessoa associada à confusões ou pisadas na bola. Fosse o Dado Dolabella…
Olá, sou estudando de Universidade de São Paulo, e estou com um projeto na faculdade; precisava muito me comunicar com você. Já tentei de inumeras formas, se puder entre em contato comigo. Por favor! Obrigada. Sei que isso parece meio “adolescente” mas, sou muito sua fã!
Acabei de ler a matéria sobre “Fiel” no G1! Vi o trailler e me arrepiei! E olha que nem sou corintiana! hehehe
beijooooooo
Marcelo, meu nome é Jéssica de Freitas; sou estudante de Gerontologia na Universidade de São Paulo; estou com um projeto na faculdade, e gostaria muito de conversar contigo. Sei que parece meio “adolescente” mas, sou muito sua fã. Obrigada
engraçado… lendo os comentários percebi como nos tornamos íntimos e nos convidamos a dar palpite como se amigos fossemos de quem bloga… estranha relação esta, não?!?
tb vou palpitar: o que temos de valor na vida mesmo, além da saúde e do grande golpe de sorte que nos mantém vivos em meio ao caos do universo, são nossas verdadeiras amizades, sejam novas ou antigas, mas ‘de verdade’.
Po Marcelo, tbm sou cadeirante e nem te vi lá. Vc chegou em cima do horario? Pta showzãço né! O radiohead consegue tanto estética quanto pelas letras retratar esse nosso mundo pós contemporaneo louco! E legal o lugar que nos dedicaram, ia ser complicado ficar no meio daquele mar de gente. Ah e se tiver outro presidente de alguma gravadora dando sopa por ai, lembra desse seu “amigo” aqui haha tenho uma banda de rock tbm, abraço!
cheguei. valeu mesmo assim. abs
Tive que olhar melhor a foto pra perceber que era do Paulo Ricardo mesmo que vc estava falando, e fico feliz em saber que ainda existam pessoas assim… que mesmo com a fama não perdem coisas tão importantes na vida. Infelizmente como já disseram não precisa ser famoso pra ser mal interpretado, e não precisa fazer muito pra virar notícia.
Marcelo, é a primeira vez que visito seu blog e já me amarrei! Li apenas Feliz Ano Velho (presente do meu pai na época) mas senti um p* vontade de ler todos os outros!
Bjins e sucesso! (ainda mais)
Regiani
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