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Marcelo Rubens Paiva

05.outubro.2011 12:33:28

o imbecil

Queria pedir permissão para a CARTA CAPITAL e para a minha amiga e ex-colega de FOLHA, grande repórter Cynara Menezes, e reproduzir aqui partes do seu texto.

É daqueles que martelam no inconsciente.

Que dão luz.

Eu gostaria de tê-lo escrito, linha por linha.

Dá um ponto final ao debate que, há tempos, tenho trazido para cá e para as minhas colunas.

Leiam:

 

O imbecil politicamente incorreto

 

Por Cynara Menezes, na CartaCapital:
Em 1996, três jornalistas – entre eles o filho do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, Álvaro –lançaram com estardalhaço o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”. Com suas críticas às idéias de esquerda, o livro se tornaria uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social.

Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.

Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos.

No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:
1. O “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de Estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios – os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.
2. O comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir.” Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.
3. O cidadão imbecil politicamente incorreto: não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de “amigos” negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma “preguiça” que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de “pagar o prejuízo”. Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os “pensadores” e os comediantes imbecis politicamente incorretos.”

 

comentários (53) | comente

53 Comentários Comente também
  • 05/10/2011 - 13:33
    Enviado por: Paulão

    Sem duvida alguma brilhante texto verdadeiro algo que representa tudo o que vemos lamentavelmente hoje valeu Marcelo

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  • 05/10/2011 - 16:15
    Enviado por: Adriano

    Boa! muito boa por sinal, pensava estar isolado em uma ilha rodeada por “imbecis politicamente incorretos” – opa, digo, pessoas de bem – para sempre, mas esta publicação da-me um novo fôlego, poxa! Que bem traçadas linhas, meus parabéns pelo texto e pela visão, acho que era algo que sempre me doia à vista mas nunca consegui manchar no papel, taí ganhei mais tinta na caneta e mais espaço em meu papel.
    Obrigado Marcelo.

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  • 05/10/2011 - 16:41
    Enviado por: Juliana Carvalho

    Esse texto consegui sintetizar as observações que venho trabalhando nos últimos dias, em especial nas ruas, ônibus e metrôs, onde é cada vez maior o número de pessoas definidas no texto como “cidadão imbecil”. Parabéns a Cynara Menezes.

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  • 05/10/2011 - 16:54
    Enviado por: claudio ribeiro

    ainda perdi tempo lendo isso…

    em que categoria me incluo ou serei incluido ?

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    • 05/10/2011 - 20:20
      Enviado por: João José de Oliveira Negrão

      É de livre escolha, Cláudio. Sirva-se à vontade.

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    • 05/10/2011 - 20:24
      Enviado por: Ezequiel-SP

      Ou seremos excluídos…..

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    • 05/10/2011 - 20:52
      Enviado por: Johnny Begood

      Até o imbecil pode exercitar o livre-arbítrio. Se perdeu o seu tempo lendo é porque ainda pode vir a ser esclarecido. O tema não é coisa de petralha, metralha ou tucanalha, como pode parecer prá você. Dê-se uma chance, sem qualquer fobia. Não vai doer.

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    • 06/10/2011 - 08:58
      Enviado por: claudio ribeiro

      joaozinho bigode…

      se ler isso aqui é tornar-se esclarecido, porque voce não conseguiu o feito ?

      eu, da minha parte, só venho aqui a lazer…pra me educar e esclarecer tenho uma biblioteca grande o suficiente.

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    • 06/10/2011 - 10:31
      Enviado por: Joãozinho Bigode

      Sr. Claudio Ribeiro, o idiota esclarecido é aquele que, como você, possui uma enorme biblioteca, mas não sabe usá-la. Desperdiça a oportunidade do debate usando o discurso do escárnio. Poderia usar o seu suposto “talento” e, nos momentos de lazer, frequentar reuniões de um futuro Tea Party Tupiniquim. Que tal? Seria pelo menos um exemplo de ombridade assumir-se um ilustrado intolerante na companhia de gente diferenciada.

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    • 06/10/2011 - 12:28
      Enviado por: Sou inteligente!

      Hombridade é com h

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    • 06/10/2011 - 17:51
      Enviado por: carol

      informação não é conhecimento

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    • 07/10/2011 - 10:20
      Enviado por: Bruno

      Hombridade é com h (2)

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    • 07/10/2011 - 13:18
      Enviado por: claudio ribeiro

      guenta aí, que depois de tantos comentarios, vou dar uma vomitada…

      pior o cara querer aparecer e nem conseguir escrever direito.

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    • 07/10/2011 - 14:30
      Enviado por: João Humberto Venturini

      Com ctza vc é o cidadão imbecil politicamente incorreto!! Segue o modus operandi dos gurus da extrema-direita no Brasil, como Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo, de tentar pegar qualquer minúcia (geralmente é um pequeno erro de gramática) para fugir do debate e tentar sair por cima como um pseudo-intelectual. Ainda mais com esse papinho de q tem uma “enorme biblioteca”, q com ctza se existir, não serve e nunca serviu pra nada.

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    • 11/10/2011 - 21:41
      Enviado por: adriano

      “Desperdiça a oportunidade do debate usando o discurso do escárnio. Poderia usar o seu suposto “talento” e, nos momentos de lazer, frequentar reuniões de um futuro Tea Party Tupiniquim”

      Engraçado o Bigode reclamar do escárnio e fazer uso dele no mesmo comentário.

      Tem vergonha não?

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  • 05/10/2011 - 17:36
    Enviado por: Fabio Berlinga

    Faz pelo menos um ano, a equipe do CQC visitou Ouro Preto, a cidade natal de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Não me lembro o contexto da visita. Quando o programa volta pro estúdio, ao vivo, um integrante da bancada graceja mais ou menos assim: “Eu adoro as músicas do Aleijadinho”. “Mas o Aleijadinho não era escultor?”, um “escada” pergunta. “Não! Você nunca ouviu aquela ‘detalhes tão pequenos de nós dois…’”, retruca, cantarolando, o primeiro. O alvo da piada era Roberto Carlos. Mau gosto? Acho que sim. Engraçado? Tem gosto pra tudo.
    A cada tuitada ou ofensa cuspida ao vivo em rede nacional como se estivesse com amigos à mesa do bar, os integrantes do CQC, especialmente Rafinha Bastos, fazem ressurgir o debate sobre os limites do humor.
    Marcelo Rubens Paiva, por exemplo, questiona no blog dele, no Estadão, por que Charlie Chaplin, Millôr Fernandes e Angeli, entre outros, nunca tiveram piadas rejeitadas. Segundo ele, “quem faz humor tem noção da fronteira”.
    Eu, por outro lado, sugiro outra questão: fazer humor e tirar sarro é a mesma coisa?
    Faz tempo que os humoristas se dedicam mais à segunda atividade que à primeira – que, não nego, também exige talento. Talvez exija menos trabalho intelectual – confecção de um roteiro, supervisão, edição, direção, cenários, etc.
    Quanta massa encefálica uma criança gasta ao apontar o dedo pra outra e, às gargalhadas, dizer: “olha só como ele é gordo!” ou “como ele é feio!” ou “cabelo ruim!” ou “veadinho!” ou “pobre!”. “Hahaha, ele se esborrachou no chão, que hilário!”
    Na maior parte dos programas de TV, stand-up comedies e tuitadas fora de hora, o humor se resume a isso. Tem muita gente que ri. Outros se sentem ofendidos, reclamam e, daí, vem a correria: apaga os 147 caracteres, pede desculpa, vai pra geladeira…
    A punição vem de acordo com o tamanho da ofensa ou do poder do ofendido.
    Porque apontar o dedo e rir pode até ser divertido. Só depende de que lado do dedo você está.

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    • 07/10/2011 - 00:30
      Enviado por: Asterias rubens

      Muito bem observado!

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    • 07/10/2011 - 15:24
      Enviado por: Fabio Rocha

      Caro Fabio Berlinga. Gostei muito de ler seu comentário evidenciando o CQC e, claro, O “Rafinha Bastos”. Quando tento dizer para as pessoas o que acho do CQC – esse programa tão consagrado, o melhor programa de humor da televisão brasileira, assim como o era o Programa do Jô há algumas dácadas atrás, outro “perfeito imbecil” – sempre sou mal entendido, porque acho exatamente o que você diz, e o que diz a Cynara e o que quis dizer o Marcelo. Mas o cidadão imbecil não entende, mesmo, do que se está falando. E diz, chocado com sua opinião: “Mas é só um programa de humor… é tudo piada…”, como se tudo pudesse quando se ri no final. Vamos continuar rindo e rindo dos pré-conceitos até quando? Melhor nos instruirmos não? E parar de rir de tanta desgraça!
      Primeiro se ri, depois diz-se “ai que absurdo” – fazendo o bom moço pros filhos que estão do lado, depois vai dormir e, no dia seguinte, não se levanta uma palha pra mudar alguma coisa…
      Programinha desnecessário… não se sabe o que o Marcelo Tas faz ali, bem no meio dos Stand up que se dizem cômicos, ganhando rios de dinheiro dos cidadãos imbecis. Tas atuando ou foi contaminado?

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    • 08/10/2011 - 12:46
      Enviado por: Sandra Nunes

      E existem varios idiotas anonimos que resolveram imitar o coleguinha do CQC e acham o maximo fazer piadas ridiculas da vida e das caracteristicas das pessoas ao seu redor sem preocupar-se com o respeito que deve existir entre os seres humanos…Espero que o povo acorde e pare de pagar ingressos e dar audiencia a esses idiotas…e se um idiota desse for proximo a vc …deixe ele falando sozinho pra aprender.

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  • 05/10/2011 - 18:25
    Enviado por: Rosi

    Eu gostei muito e acho que um papel importante da mídia é destruir o discurso dos primeiros, principalmente.

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  • 05/10/2011 - 19:24
    Enviado por: Charbel

    Concordo com o texto acima, mas acho que imbecis nem precisam de tanta atenção, eles comem o própio rabo, se acham acima dos outros e por isso caem, a verdade uma hora aparece, mas num tem graça nenhuma ,isso realmente!

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  • 05/10/2011 - 19:29
    Enviado por: Miriam

    Marcelo,obrigada por compartilhar parte do texto, temos mesmo esbarrado com esses idiotas o tempo todo. Salva-nos pensar que pra cada Azevedo temos pelo menos um Xico Sá ( e sei que eles não são opostos, essa é a idéia, são mesmo de universos diferentes).Já tivemos e ainda temos:
    1. O “pensador” que preza o bom e o justo. Marcha pelo direito de todos e não pela repressão de algum grupo. Argumenta a favor da política de cotas, mas sabendo que isso é só um paliativo, que a mudança tem que ser ainda maior e mais profunda, e apoia essas mudanças. Sabe a diferença entre equidade e igualdade, defende ações diferentes para cada um para que todos tenham oportunidade igual. Sabe que onde menos tem é onde mais se precisa investir, e não o contrário. Defende os líderes religiosos ou não, que lutam e morrem pelo direito à terra, à comida,à vida no sentido mais pleno. Adora discutir e pensar sobre os modelos econômicos, não para ter razão, mas para iluminar nossas razões e nossas escolhas. Sabe a diferença entre terroristas e aqueles que lutaram contra a ditadura e a semelhança entre terroristas e aqueles que participaram dela. Quando convidado a debater idéias, sabe que para dizer o que acredita não precisa ridicularizar o outro. É capaz de mudar de opinião, não de fazer concessão. Seu mote é o direito do outro, e sabe que a corrupção precisa ser combatida, mas sabe também que ela está em cada pedaço de todas as instituições, talvez até mesmo dentro de sua casa. E que é melhor a reforma começar pelo próprio telhado.Prega o voto consciente e o acompanhamento do seu candidato. Pode ou não escrever livros, mas lê, escuta, olha, está presente.Sua principal característica é saber que inteligência não é uma habilidade linear e que pode estar até mesmo num analfabeto.E que somos feitos de talentos diversos.

    2. O bom comediante: sua visão de humor é infinita, mas não sem limite. Para ele o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python são inspirações. Sabe primeiro rir de si mesmo e das suas próprias fraquezas.
    Sua inspiração pode estar na esposa, no motorista do ônibus ou no dono do jornal onde publica. Seu limite é simples: respeita o outro.

    3. O “bom burguês”: não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é sempre bom tê-lo por perto. Sua visão de mundo pode ser resumida na palavra “respeito”. Sabe que é um privilegiado e que isso não é mérito seu, simplesmnete nasceu no lugar e na cor “corretos”. Sente-se impotente diante da pobreza e da desigualdade social. O pobre para esse cidadão é, também, responsabilidade sua. Portanto, critica quem ri dele.Com a mulher e o negro é a mesma coisa. Defende e acha chato ter que gastar tempo com o machismo e o racismo, pois acredita que essa liberdade e direitos já deveriam estar há muito tempo estabelecidos para que todos pudessem se preocupar com assuntos mais relevantes.Convive e sabe que preguiça é comum nos colegas de escritório, não nos seus funcionários, que valem cada chance e cada investimento seu ou da sociedade. Sua principal característica é não seguir idéias dos outros e não impor suas idéias, é saber que precisa pensar e que um pequeno prejuízo seu pode ser, na verdade, seu maior investimento.

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    • 06/10/2011 - 15:35
      Enviado por: Carlos

      Vou citar só uma parte de seu texto. Aqui encontra-se um MITO repetido à exaustão…

      “Sabe a diferença entre terroristas e aqueles que lutaram contra a ditadura e a semelhança entre terroristas e aqueles que participaram dela.”

      Eu pergunto: você sabe? Lutar contra a ditadura não é sinônimo de lutar pela democracia. Os grupos armados que lutaram contra os militares como COLINA, VAR-PALMARES etc. queriam impor a ditadura de esquerda no Brasil.

      Ou seja, queriam apenas TROCAR UMA DITADURA POR OUTRA.

      Este fato é facilmente comprovável pelos documentos desses grupos e até por depoimentos de ex-militantes.

      Alçar essa gente à categoria de heróis nacionais é só mais um desserviço que o politicamente correto nos presta.

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    • 08/10/2011 - 15:03
      Enviado por: Miriam

      Sr. Carlos, estou certa que não pretendi “alçar” quem quer que seja a herói nacional. Na verdade, a minha frase foi bastante simples: “Sabe a diferença entre terroristas e aqueles que lutaram contra a ditadura e a semelhança entre terroristas e aqueles que participaram dela”.
      Explicando, os grupos que lutaram contra as ditaduras ( Brasil, Chile, Argentina) foram formados por uma diversidade grande de pessoas e ideais, mas não podemos afirmar que eles eram terroristas, embora pudessem haver até terrorista entre eles. Na contramão, quem apoiou a ditadura, apoiou direta ou indiretamente a tortura e os assasinatos, eram e ainda são sim, bandidos. O questionamento deveria ser outro, porque na Argentina, no Chile não se discute se os ditadores e cia estavam corretos, mas qual a punição possível e justa para eles, e aqui, no Brasil, não? Somos mais covardes, mais conservadores, devemos muito aos empresários que apoiaram nossa ditadura? Não, é claro que eu não estava lá, tenho 31 anos. Mas isso não deveria nos impedir de pensar a respeito.

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  • 05/10/2011 - 20:46
    Enviado por: John

    Esse texto enxerga tudo em preto-e-branco quando diz que o cidadão que não concorda com a teoria de salvação da esquerda pensa apenas em si próprio. Na verdade, eu não sou de direita, eu me importo com todo mundo e quero que todos tenham oportunidades iguais. Eu apenas não acredito mais no sistema vigente aqui no Brasil. Eu sou daqueles que teria ido nas últimas manifestações apartidarias contra a corrupção se eu não estivesse no interior.

    Esse texto apresenta uma versão caricaturada de qualquer um que não compactue com o sistema político atual. Conheci pessoas egoístas como o texto descreve, mas e as pessoas iguais a mim? e aí? como que fica?
    O mundo é muito grande pra esse tipo de generalização.

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    • 07/10/2011 - 10:17
      Enviado por: Rodrigo Teixeira

      Eu concordo com o que disse o John.
      Quer dizer que, ou eu penso como intelectuais de esquerda, ou sou um imbecil? É isso?
      Corrupção é tolerável, se for num governo de esquerda?
      Se não gosto de nenhum dos lados que se apresenta politicamente no país, então é melhor escolher os incompetentes de esquerda?
      Parece piada, quer dizer que se a pessoa é de direita (eu não sou, mas tenho O DIREITO de ser), ela automaticamente é racista,homofóbica e tem fobia a pobre.
      Acho que me encaixo em várias coisas que a moça descreveu, em outras me sinto ofendido por estar misturado.
      Um daqueles textos bem escritos, que você lê e pensa “puxa, vida”, mas que um minuto depois, seu cérebro apita, “pô, mas não faz NENHUM SENTIDO…”.
      Uma pena… gente bem articulada como ela poderia estar nos livrando da mediocridade, não nos afundando mais nela.

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    • 07/10/2011 - 10:46
      Enviado por: Rodrigo Teixeira

      Aliás, completando, não sei de onde a moça entendeu que Monty Python é um humor inofensivo, que não ofende ninguém. Um dos grupos mais críticos, comprou briga com a igreja, usava o nonsense pra fazer uma critica ácida a sociedade inglesa. Se quiser posso explicar pra ela….
      Talvez no futuro, só exista “humor do bem”, feito só com pôneis (opa, isso também não pode mais).

      Todos tem o direito de defender seus pontos de vista. Mas sinto uma tendência a sugerir aparos nas pontas da democracia, que me incomoda profundamente.

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  • 05/10/2011 - 20:48
    Enviado por: zuca

    Esqueceu de citar o 4º elemento, você!
    Outro dia me chamaram de homofóbica porque eu não concordo com a faixa etária a qual era direcionado o kit anti homofobia nas escolas, que a meu ver deveria ser trabalhado somente a partir do ensino médio… Dessa forma, basta vc discordar de um ponto da “agenda” (no caso a faixa etária) para ser xingado e rotulado por homofobia, isso significa que eu tenho que concordar com tudo que os LGBT exigem, não tenho direito a opinião alguma, já que esses militantes se acham os donos da verdade absoluta, e claro, quem ousa discordar encaixa-se no seu perfil de cidadão imbecil. É PROIBIDO PENSAR!!

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    • 06/10/2011 - 14:38
      Enviado por: Carlos

      Talvez você não seja homofóbica. É, sim, mal informada e ingênua por comprar o discurso de Bolsonaros, Malafaias e Garotinhos. Ao contrário do que esses bastiões do obscurantismo bradaram na época, o “kit anti homofobia” era direcionado ao esino médio e não ao ensino básico e/ou fundamental.

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  • 05/10/2011 - 21:11
    Enviado por: Camila

    Esse texto traduziu tudo que eu penso. Sem mais e aos perdidos àcima, acaso não tenham achado engraçado o que não os convêm, se enquadram no 3º “O cidadão imbecil politicamente incorreto”. Leiam novamente o texto, se a interpretação de vocês permitir, vão se identificar lá.

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  • 05/10/2011 - 23:16
    Enviado por: Lucas Santoro

    Mais ou menos.

    O que falta ao texto são justamente os argumentos que esclareçam o quão retrógradas e imbecis são essas idéias, caso contrário, você pode mostrar isso pra um deles e não vai surtir nenhum efeito além de ofendê-lo e colocá-lo na defensiva.

    Improdutivo pro debate e esclarecimento dos ignorantes, só serve para acirrar a guerrinha contra os incorrigíveis.

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  • 06/10/2011 - 09:51
    Enviado por: Carlos

    O texto de Cynara Menezes, talvez sem querer, desnuda qual é a real função do politicamente correto: ao atribuir a seu ideário a exclusividade das boas intenções em relação à humanidade, demoniza-se a opinião do outro.

    Aliás, nascido como um “Marxismo Cultural” na Escola de Frankfurt, não se poderia esperar outra coisa do PC.

    A coisa toda é uma grande falácia de petição de princípio. “Como sou bom, estou certo. Se você tem ideias contrarias às minhas, é mau, e portanto está errado.”

    Seria apenas uma visão um tanto infantil do mundo não fosse, antes de tudo, uma poderosa arma ideológica a serviço do não-debate. Infiltrado em toda a sociedade, o PC faz com que aqueles que o professam estejam desde o início certos, e os demais irremediavelmente errados – propostas, raciocínio lógico e argumentos desses descartados desde sempre.

    Ninguém quer saber dos argumentos contra cotas, ou contra alguma reivindicação do movimento gay. À simples menção de desacordo, não rebatem os argumentos, mas reagem aos gritos: racista! homofóbico!

    O Politicamente Correto é o totalitarismo aplicado às ideias. É, portanto, ele sim fascista.

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    • 07/10/2011 - 12:08
      Enviado por: Tevez

      Parabéns, Carlos.

      Essa frase responde quase que totalmente o texto: O Politicamente Correto é o totalitarismo aplicado às ideias. É, portanto, ele sim, fascista.

      Logo, tudo o que entrar em desacordo com o ‘politicamente correto’ será censurado. E um país com censura, é um povo sem opinião, sem personalidade.

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    • 08/10/2011 - 16:10
      Enviado por: Marcelo de Andrade Maciel

      Um dos argumentos contra a expansão do homosexualismo em uma sociedade é o econômico, ligado à questão DEMOGRÁFICA. Um sistema previdenciário funciona na base da equação onde X trabalham e Y recebem benefícios mensais de aposentadoria. Se X é muito menor que Y, o sistema QUEBRA e temos milhões de aposentados sem receber nada. O nível considerado ideal de crescimento demográfico é 2,1 a 2,3 filhos por mulher: o crescimento vegetativo mais uma margem para guerras ou epidemias. A expansão desmedida do homosexualismo provoca a queda da natalidade e consequentemente joga X para um valor inaceitável provocando o desastre previdenciário no longo prazo.
      Mas ninguém quer ouvir isto…

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  • 06/10/2011 - 13:04
    Enviado por: Eduardo

    Brilhante e pontual.

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  • 06/10/2011 - 13:36
    Enviado por: Patropi

    Se você está sofrendo por coisas externas, não são elas que estão te perturbando, mas o seu próprio julgamento sobre elas. E está em seu poder anular este julgamento agora.

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  • 06/10/2011 - 14:26
    Enviado por: edoardo motta

    rexto exelente!

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  • 06/10/2011 - 14:27
    Enviado por: edoardo motta

    texto exelente!

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  • 06/10/2011 - 16:48
    Enviado por: Nathália Tourais

    Prezado Marcelo;

    Boa tarde, tudo bem?

    Gostaria de verificar a possibilidade de contarmos com a sua participação (por meio de entrevista, que poderá ser feita por email se preferir) para a próxima edição da revista “Chamois Notícias”. Por se tratar de uma publicação que leva a chancela da leitura, procuramos, através de sua pauta e de formadores de opinião, apresentar para o leitor projetos de leitura, temas que mostrem a necessidade e a importância da educação, do conhecimento e do livro para o crescimento do cidadão. Por isso sugerimos seu nome.
    Nesta estrevista, falaremos sobre educação, cultura, leitura e também sobre literatura.

    Para conhecer o Chamois, por favor acesse: http://www.mdpapeis.com.br/conteudo.asp?id=13
    Caso prefira, por favor nos passe seu endereço que encaminharemos um exemplar impresso.

    Agradeço sua atenção e fico no aguardo de um breve retorno.

    Um grande abraço
    Nathália Tourais
    Redação
    (11) 3801-1083
    (11) 9643-1788
    redacao@conceitoseditora.com.br

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  • 06/10/2011 - 18:16
    Enviado por: Bruna

    Meu Deus!conheço muitas pessoas exatamente assim,me deixam indignadas discutimos muito,mas não tem jeito eles nunca mudam de opinião,até o dia que perceberem no que se tornaram.

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  • 06/10/2011 - 23:08
    Enviado por: Paulo Roberto Stockler

    Será que vc ainda fica no Estadão, depois de tão brilhante artigo da Cynara, destacado por você Marcelão??

    Porque o ‘covil’ de imbecis aí, é grande…

    Abraços!!

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  • 07/10/2011 - 08:19
    Enviado por: Bola

    Nossa, então foi daí que os tais 4 Cabezas tiraram a fórmula do CQC? Para atender ao grande público de “perfeitos imbecis politicamente incorretos” ? Realmente sintetetizou horas de argumentos e diversos manuscritos em alguns parágrafos cristalinos.

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  • 07/10/2011 - 08:53
    Enviado por: Carmen Sampaio

    É uma tradução tão redonda do momento atual, com sagacidade, que só ficou aqui, perambulando a meu lado a palavra GRATIDÃO por compartilhar, Mar e Céu!

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  • 07/10/2011 - 14:22
    Enviado por: João Humberto Venturini

    Admiro a coragem do Marcelo em publicar isso no Estadão, q é um jornal q representa todos os vícios e ideias de uma elite escravocrata e racista no país. O texto é perfeito e além do Rafael Bastos, ele é uma bofetada na cara do atual guru da extrema-direita no Brasil: Reinaldo Azevedo. Esse leão de chácara da oposição e racista/preconceituoso convicto aliena um número gde de imbecis politicamente incorretos.

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  • 08/10/2011 - 06:50
    Enviado por: o censurado

    Tá bom.

    E a galera esquerdista, tão mais inteligente que a da direita idiota, levou 15 anos para fazer uma crítica a essa “obra”, supostamente de direita.

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  • 08/10/2011 - 07:00
    Enviado por: o censurado

    Os esquerdistas são os verdadeiros fascistas.

    Tudo que não se adequa à sua linha ideológica é taxado de politicamente incorreto e rolo compressor do establishment cultural atropela com toda a fúrua possível, pois conforme a cartilha de Antonio Gramsci, a revolução cultural leva à hegemonia cultural e política, a verdadeira ditadura mental e espiritual, onde o indivíduo pensante e livre deixa de existir para dar lugar ao “homem massa”, fração de um ente coletivo, expressão material do senso comum.

    É 1984 de George Orwell arrebentando a porta de entrada.

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  • 10/10/2011 - 00:17
    Enviado por: Baldur

    ¿DE IZQUIERDA O DERECHA?
    Cuando a un tipo de derecha no le gustan las armas, no las compra.
    Cuando a un tipo de izquierda no le gustan las armas, quiere prohibirlas.
    Cuando a un tipo de derecha no le gustan los toros, no asiste a la plaza.
    Cuando a un tipo de izquierda no le gustan los toros, intenta prohibirlo.
    Cuando a un tipo de derecha no le gusta el tabaco, no fuma.
    Cuando a un tipo de izquierda no le gusta el tabaco, no descansa hasta vetarlo.
    Cuando un tipo de derecha es vegetariano, simplemente no come carne.
    Cuando un tipo de izquierda es vegetariano, quiere hacer campaña contra los productos a base de proteína animal.
    Cuando un tipo de derecha es homosexual, vive tranquilamente su vida como tal.
    Cuando un tipo de izquierda es homosexual, hace escándalo para que todos lo respeten.
    Cuando un tipo de derecha es perjudicado en el trabajo, reflexiona sobre como salir de dicha situación, y actúa.
    Cuando un tipo de izquierda es perjudicado en el trabajo, levanta una queja y hace huelga contra la discriminación de que fue objeto.
    Cuando a un tipo de derecha no le agrada un programa de televisión, simplemente la apaga o cambia de canal.
    Cuando a un tipo de izquierda no le agrada un programa de televisión, demanda judicialmente al canal del programa que no le gusta.
    Cuando un tipo de derecha es ateo, no va a la iglesia, ni a la sinagoga ni a la mezquita, y el domingo o sábado… lee el diario, y hace fila para comprarlo, con quienes vuelven de la iglesia.
    Cuando un tipo de izquierda es ateo, no quiere ninguna alusión a Dios en ninguna parte, en ninguna esfera pública, y reclama contra las religiones (salvo contra el Islam).
    Cuando un tipo de derecha tiene problema, trabaja más, intenta pagar lo más posible sus deudas, y ahorra.
    El de izquierda le echa la culpa al gobierno (si es de derecha), a los empresarios, a la burguesía, al Estado, al capitalismo, a la globalización, al papá, a su mamá, a su raza, al gato y al bombero.
    Cuando un tipo de derecha, lee este mail, se ríe, y lo reenvía a sus amigos…
    El de izquierda se enoja, e insulta al que se lo mandó!

    DIXIT

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  • 10/10/2011 - 13:09
    Enviado por: Guilherme Scalzilli

    Piada sem graça

    A propaganda com Gisele Bündchen, o personagem machista da novela global e as desventuras do tal Rafinha Bastos motivaram um clima de patrulhamento que precisa ser questionado enquanto resta algo a debater. A cada batalha moralista a esquerda se distancia do espírito libertário e tolerante que a diferenciava dos adversários. E permite que tais valores sejam apropriados pelo conservadorismo decadente, transformando-o em repositório de boas plataformas negligenciadas. Aconteceu com a descriminalização da maconha, por exemplo, e agora acontece com a liberdade de expressão.

    Concordo que há limites para certas manifestações públicas, e sou defensor antigo de uma legislação específica voltada à imprensa. Mas quem estabelece limites no entretenimento, na farsa ou na ficção? O Tribunal dos Valores Éticos e Sociais? A Liga das Senhoras Ridentes analisará trocadilhos e anedotas? Qualquer dignidade que se julgar desrespeitada poderá vetar a provocação alheia? E se as vítimas de gangues psicóticas tentarem proibir “Laranja Mecânica”? Vamos amaldiçoar os velhos traquinas de Mario Monicelli ou os idiotas de Lars von Trier porque ridicularizam incautos e doentes? A animação “Family guy” será metida no índex degenerado? Há diferença entre vetar um filme sérvio ruim ou “Je Vous Salue, Marie”?

    Essas questões incômodas evidenciam o perigo de se tolerar precedentes regulatórios na atividade criativa. Se os paralelos soam exagerados é porque os vilões momentâneos pertencem à chamada cultura de massas, tida como descartável, indigna de compartilhar as prerrogativas republicanas daqueles que a menosprezam. Os sábios jamais permitiriam bedelhos nas suas diversões “cultas”, mas não hesitam em determinar o que as audiências ignorantes podem assistir. A pedagogia do bom gosto camufla uma visão pejorativa do que é popular (nas muitas acepções possíveis), adquirindo um viés social pernicioso e, no limite, autodestrutivo.

    Assusta ler setores da blogosfera recorrendo à bula politicamente correta para justificar seus arroubos censórios. Mas há lógica no raciocínio. O que motiva essa fantasia eugênica, moldada em padrões medíocres de conduta, é a anulação da individualidade e a conseqüente asfixia das divergências. O êxtase coletivista do pensamento único busca formar rebanhos homogêneos e dóceis, que aplaudem qualquer mistificação despótica para evitar a pecha de reacionário ou preconceituoso. Nem sempre funciona, e é por isso que ainda apostamos na democracia.

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  • 11/10/2011 - 20:09
    Enviado por: marcio palacios

    Tenho um amigo que faz buyling comigo, dizendo que sou de direita.

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  • 11/10/2011 - 21:52
    Enviado por: adriano

    “Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.

    Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos.”

    Me contem uma coisa: se o programa da esquerda tivesse sido implantado, as crises teriam sido evitadas? Ou superadas com mais faciilidade?

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  • 13/10/2011 - 08:48
    Enviado por: Cláudio Dutra de Souza

    Em 2007 eu e minha mulher publicamos um ensaio semelhante no Le Monde Diplomatique, sobre o “retorno dos idiotas”
    http://diplo.org.br/2007-12,a2070

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