Assisti ontem à pré-estreia da nova produção da Conspiração Filmes, A MULHER INVISÍVEL, longa escrito, dirigido e produzido por CLAUDIO TORRES, com o incrível SELTON MELLO, mais MARIA MANOELA, LUANA PIOVANI e VLADIMIR BRICHTA.
Uma comédia que provoca gargalhadas no começo ao fim.

A história é engenhosa e com reviravoltas. Pedro, SELTON, que abre o filme afirmando ser um homem diferente, pois ama completamente a sua mulher, chega em casa e a surpreende partindo. Entra num estado de paralisia. Dá uma galinhada com o melhor amigo nos primeiros 3 meses, mas se cansa, pede demissão, se tranca e mergulha na depressão, contando que não quer mais saber das mulheres…
Então, AMANDA, uma vizinha nova, LUANA PIOVANI, toca a campainha com a desculpa de sempre: pede uma xícara de açúcar.
Passam a viver um amor perfeito. Ela é uma mulher perfeita, segundo os anseios do cara: lindíssima, gostosa, paciente, maternal, que não cobra quando ele chega tarde e acompanha até jogos da Série C. Ela gosta das mesmas coisas. A autoestima de Pedro volta ao pico, ele retorna ao trabalho, usando os argumentos que AMANDA lhe ensinou, revigorando, amando.
Pouco a pouco, como diz o título, desconfiamos que AMANDA não existe, mas foi uma criação caprichada do seu inconsciente, que, seguindo os preceitos básicos da psicanálise, é o espelho do cara, a mulher ideal, que é, na verdade, o que somos, fruto do narcisismo que empareda muitas relações.
Se Jung dizia que buscamos na nossa parceira os traços idealizados da mãe,
ou o arquétipo da mãe-substituta, Pedro quer uma mulher igual a ele. Quando conversa com a sua amada, na verdade fala sozinho. Quando vai dançar numa boate, na verdade está só.
E entra o talento cômico de SELTON MELO, que magnetiza a tela e contracena com o invisível, o momento mais engraçado do filme.

Tá, a mensagem é óbvia, não existe mulher ideal. No caso, o amor pode estar ao lado [sua vizinha verdadeira, MARIA MANOELA], e não num ideal fabricado pelas nossas virtudes.
Pode-se, no começo de uma relação, acreditar que ela [ele] gosta das mesmas coisas do que gostamos. Até, pouco a pouco, revelarem-se as diferenças, acabarem as mentirinhas fabricadas pela paixão. Então, nos deparamos com a máscara que cai, a realidade das imperfeições, a fábrica de conflitos. Isso se chama amor?
Eu deveria entrar para o ramo dos livros de autoajuda. E faturar em cima da minha nova fase piegas, 1 conselheiro sentimental raso.
*
Abre aqui hoje em São Paulo, no MUSEU DO FUTEBOL [nas arcadas do estádio do Pacaembu], a exposição MANIA DE COLECIONAR. Uma crônica minha sobre JOGO DE FUTEBOL DE BOTÃO será exposta.

Apesar de, na verdade, eu colecionar CADEIRAS DE RODAS [tenho 6, uma amarela, uma verde, uma vermelha e 3 manuais; não sou um OBCECADO, apenas não consigo me desapegar daquelas que foram minhas companheiras por tanto tempo; e doar uma cadeira de rodas usada é como doar cuecas velhas], quando me pediram o texto, não tive dificuldades para escrevê-lo, já que, como um moleque que viveu os anos 60-70, fui completamente viciado em botões. Era a pré-história dos jogos, quando o fliperama dava os primeiros passos, e o computador era privilégio dos astronautas.
Brincávamos com o lúdico nas ruas: bola de gude, empinar pipas, esconde-esconde, pega-pega, pingue-pongue. Não na escuridão e silêncio das lan houses. Não que o presente seja pior do que o passado. Apenas havia mais contato físico e verbal entre nós. Será que nasce uma geração que não saberá se encostar?
Aqui vão trechos da crônica:
Por que jogávamos botão? Porque somos loucos por futebol. Porque se joga com a turma. Porque se joga com primos, pais, irmãos, tios, avós, amigos. Porque se joga sozinho. Se joga na mesa da sala, onde a família se reúne. Ou no chão do quarto, quando a família se reúne. Se o chão estiver sendo lustrado, se joga na garagem, no hall do elevador, na calçada.
Alguns amigos têm mesas próprias. Cada casa tem a sua regra. Muitas vezes, as discussões sobre elas demandam mais tempo do que o próprio jogo. Mas há uma ética: a regra do visitante não vale na casa do outro.
Há jogos em que cada jogador só pode tocar uma vez na bola. Há em que se pode tocar no máximo três vezes. E há a do jogador, como Maradona, que pode sair da própria intermediária, driblar todo o time adversário e entrar com bola e tudo. Uma regra é a mesma em todos os lares: é preciso avisar “vai pro gol”, para o goleiro do outro time ser posicionado.
Cada cidade tem o seu jeito de jogar. No Rio, jogava-se com um dadinho, comprado em qualquer papelaria. Parece coisa de maluco, jogar com uma bola quadrada. Mas ela dá efeito, é rápida, voa, como se estivéssemos no estádio de La Paz (Bolívia). No Rio, o galalite era o material do jogador. Cada um de uma cor, brilhante como madrepérola, devia ser lixado antes, para correr como um recordista de cem metros. Os atacantes eram menores. Os beques, altos. O goleiro? Chumbo derretido, enfiado em caixa de fósforo.
Em Santas, jogava-se com tampas de relógio. As de despertador viravam beques. As de pulso, atacantes hábeis. Toda molecada fazia incursões pelos relojoeiros do Centro, em busca de grandes craques. Mas a bola era quase redonda: a peça do jogo War.
Já em São Paulo, se jogava com bolas de feltro, esféricas, mas lentas, que corriam desengonçadas, e por vezes eram amassadas, vítimas de um pisão involuntário.
Sozinhos, treinávamos. Jogávamos nós contra nós. Fazíamos campeonatos com tabela e torcida. E, claro, narrávamos, como um locutor de rádio esbaforido. O som da torcida era confundido com a asma do avô.
Alguns tinham a manha de manufaturar arquibancadas com caixas de sapatos, desenhar torcedores, bandeiras e faixas.
Como qualquer técnico, tínhamos os jogadores favoritos, o artilheiro, o Bola de Ouro, guardados em caixas separadas e tratados com cuidado, como se fossem nosso maior bem. Na dureza, poderíamos até vender o craque para um amigo.
Amadurecemos e nos esquecemos deles. Mas pode checar: em cada casa, em cada fundo de armário, está lá, o time intacto, hibernando pacientemente, esperando enlouquecermos, para voltarmos a jogar com eles.
*
Ôps… Garoto propaganda?
1) Esta teoria do amor espelho já está sendo muito comentada. Dizem que qdo nos apaixonamos cegamente por alguém, na verdade estamos apaixonados por nós próprios.UÓ
2)Adoro o Selton Mello, é simples,inteligente e ótimo ator… já a Luana… (é bonita)
3)Odeio coleções, trazem apego,saudosismo,estagnação.
4)Um beijo, estava com saudade de vc…fiquei sem pc
Oba, crônica nova…eu estava parecendo tele-sena aqui no seu blog (de hora em hora)…Ah bixo, não existe mulher nem homem perfeito, mas se todos fossem iguais como seria? Se gostassem de tudo igual, seria aquele marasmo, bom mesmo são as imperfeições, os defeitos…blz que com o tempo tú nem suporta mais, mas se suportar está amando.
Lila M, garota, chega junto no e-mail, mas só conheço gente doida, espero q seja assim.
Paulo, não espero q quase perdi uma amiga á toa, atitude garoto…
beijos Marcelo!!!!
Deus inventou o amor ou o futebol de botão?
Beijo,
Poxa, queria morar em sampa, para ver sua exposição, tú vai tá lá?
1 conselheiro sentimental raso? Pelo menos cita Jung… o que seria então um profundo entendedor? Hitch ou Dr. T?
Abraço!
Nicholas
Posso ser chata? Eu sou uma chata bem engraçada, juro que os amigos curtem : )
Querido, eu acho a sua colocação imatura: Uma relação homem e mulher so, e APENAS, (maiúsculo), começa de verdade quando as máscaras caem – dele e dela. Então, vc. finalmente deixa de sentir aquela coisa ilusória e passageira, paixão e passa a amar o o outro – começa a se ver tolerante, inclusive, com os defeitos. Por que, ca pra nós, gostar só das qualidades nem os da nossa própria mãe, né? Empiricamente – mesmo sabendo que não podemos fazer este exercicio intelectual quando se trata de “gostar” de alguém – eu acho a sua “lógica” superficial. No sentido de que outros mestres, dentro do mesmo tema, ja exploraram idéias absolutamente contrarias. No fim, generalizar é´perigoso. MAS CONCORDO CONTIGO 100%: A mulherperfeita – e aí vc escolhe o conceito de perfeição (subjetivo ou objetivo) não existe. Do mesmo jeito que não existe o amigo perfeito, do mesmo jeito que não existe o pai perfeito, a mãe perfeita, o irmão, a funcionária que faz sua comida e até aquela vizinha cafona com cara de perua que vc quer trancar no elevador. Até, ela, a vizinha, vale a pena (metáfora, claro…). Acho que o que eu quero dizer é: NÃO EXISTE REGRA. OU VIVER NÃO TERIA TANTA GRAÇA. No mais, a mulher pela qual vc se apaixonar tem sorte: Vc é um fofo, gato, meigo e educado. Partidaço.
O filme “Mulher Invisível” parece ser muito bom, adoro os filmes com o ator Selton Melo e os filmes dirigidos por ele, assisti um recentimente dele – “Feliz Natal” – é um filme muito bom para ser discutido.
Beijos
cara..que egoismo…
deve ter ao menos 5 pessoas PRECISANDO dessas cadeiras que voce não usa !
faz um esforço de desprendimento e doa logo !
Pensei que fosse uma crônica sua sobre a mulher perfeita no seu ponto de vista… uhuh me dei mal…
Caro Marcelo,
Descobri que você tem blog no acaso do acaso do acaso.
Feliz Ano Velho era um livro de capa azul clara que estava me implorando para ser lido (o livro tava na quinta prateleira do lado esquerdo da sala da biblioteca do colégio).
Sentei para ler em uma única tarde. E repeti no dia seguinte. É um daqueles livros cujo final dá vontade de voltar ao começo, maravilhoso.
Passando pelo blog do Antonio Prata (seu companheiro de Estadão), vi o teu nome nos links.
O clima daqui é o mesmo daquela vivacidade do rapaz de vinte e poucos anos que sofreu um acidente mas, ainda assim, não desistiu de ser feliz.
Mesmo que no final do livro você tenha dito que não é “exemplo para ninguém”, discordo. Você é mesmo do caramba.
Vou procurar outros dos seus livros. E passarei aqui sempre que puder.
Desculpe um comentário tão grande.
Abraços.
Nina.
Parece muito bacana, e tb me lembra um pouco do filme “Clube da Luta”, no qual Jack(Edward Norton) acaba tendo um amigo imaginarioTyler Durden(Brad Pitt)…muito bom tb.Quanto a futebol não tão fan só na copa..fui tentar jogar uma vez e conseguiram chutar meu queixo na escola….nunca mais!rs
bjão na buchecha!!
…
texto bacana e perspicaz.
sempre tem alguma observação do Marcelo que fica rondando meus pensamentos, neste fiquei pensando sobre o que é hoje em dia “ser piegas”?
e: sobre o amor espelhado… isso é bem antigo entre os poetas, vem há séculos e séculos, …
lembrei tb de foucault, tem algum por aí?, de que vivemos sob o olhar do outro, estamos sempre reféns do olhar que vem de fora, é uma forma de espelho e uma forma que não temos como fugir a não ser virando eremita. nem assim…
são assuntos bem literários.
Marcelo, será que amor-espelhado é sempre piegas?
_ao olhar dos outros?
*
beijo
Com certeza essa sua crônica sobre o futebol de botão vai fazer brotar comentários masculinos , já que quase sempre as mulheres são unanimidades neste espaço. No meu caso, o momento mais drámatico das partidas era quando meu time do coração entrava no “estrelão”( com suas traves devidamente coladas!!).Jogava sozinho e antes de começar a peleja jurava imparcialidade!! Em, certos lances uma mão invisível entrava em ação e lá estava meu time preferido na frente do marcador ( que pegava emprestado do jogo de tóto e colocava atrás do gol). Como foi bom ser moleque nos anos 70 !! Abraços
Egoísmo cara, doa as cadeiras marcelo, tantas pessoas precisando, faz um esforcinho aí
abs
Os homens procuram uma mãe mesmo em um relacionamento, aquela q descasca a laranja, coloca comidinha no prato, fica mimando qdo está doente e como se não bastasse tem que gostar de futebol, do mesmo time, opiniões e ser tolerante affffffff!!!!
Ninguém merece…
bjs
você é altamente inspirador, Marcelo.
tô escrevendo sobre pieguice só porque você falou aí em ser piegas.
beijo meu meiguinho
Nossa genial essa cronica sobre o futebol de botão, me lembro no final dos anos 80 quando eu era criança e jogava botão com os moleques do predio, com meu primo, era sensacional!
depois acabei me desfazendo da minha mesa e de todos meus times, recentemente comprei dois quadros de times do corinthians, um com os botões brancos em referencia a camisa branca do timão, e outro com os botões pretos em referencia aos segundo uniforme!
Grande abraço!
nossa genial essa cronica sobre o futebol de botão, me lembro no final dos anos 80 quando eu era criança e jogava botão com os moleques do predio, com meu primo, era sensacional!
depois acabei me desfazendo da minha mesa e de todos meus times, recentemente comprei dois quadros de times do corinthians, um com os botões brancos em referencia a camisa branca do timão, e outro com os botões pretos em referencia aos segundo uniforme!
Grande abraço!
Cara, realmente procuramos uma mulher invisível, ou seja nós mesmo!!
nossa, eu tenho meu jogo de botão até hoje, qdo eu encontro a galera das antigas ainda damos umas jogadas é ridículo até, mas não consigo deixar aquele joguinho q foi meu brinquedo de infância, o Biro-Biro vai morar comigo para sempre rsrsrs.
Caramba Paulo, vc não pegou a mina?? todo este rolê para nada, é muito mole mesmo rsrsr
abs
mulher perfeita, Jung, propaganda do garoto Lula é? assanhado
kkkkkkkk mas essa jogada de marketing no final foi ótima, o Lula como garoto propaganda, só faltou a cerveja e duas gostosonas kkkkkkk
beijos
Concordo com o Paulo. Acho que vc deve doar as cadeiras de rodas. Não é bom criar energia de estagnação.
tb nao é bem assim. uma é dos anos 80, nao roda mais, outra está sem a placa de comando, que custa US$ 2.500, outra a iberia perdeu, e quando achou, devolveu torta. deficientes hj conseguem cadeiras melhores. foi-se o tempo em que programas de radio doavam cadeiras.
eu já não acredito mais em amor mesmo, acho q ninguém ama e nunca vai amar, amamos uns 3, 4 anos depois já era, não suportamos mais a pessoa, depois vira rotina, sei lá…
não sou fã de futebol mas como estava no meu amigo q mora perto do pacaembu fui ver a sua exposição, meu amigo ficou alucinado, argh..homens…
abcs
A última vez que joguei futebol de botão tomei uma puta lavada. Foi foda.
Lá em Cuiabá, na casa de uns amigos de lá, daquela banda Vanguart, aliás eles são entusiastas do esporte, fazem ligas e jogam sempre. Mas eu sou muito ruim nisso. Já era ruim desde criança.
Quanto ao filme tenho grandes espectativas. O Selton é muito bom, um dos meus atores favoritos. E a Luana? Bom, a Luana bem que podia ser minha vizinha e vir pedir uma xícara de açúcar emprestada.
vai sonhando…
Simone, amor não é mesmo para acreditar, amor é para sentir. A idealização do amor normalmente acarreta frustrações. O amor não vai chegar pra vc na forma de um príncipe no cavalo branco, pode ter certeza.
Marcelo,
Meu nome é Allana, moro no interior da Bahia, em Itabuna “terra do cacau” pelo menos era…
conhecir seu livro por acaso Feliz Ano Velho numa caixa de livro que me enviaram, pq gosto de ler, comecei pelo o de Jô, pq era muito conhecido. Mas, quando eu li o seu, não conseguir mais parar, até fico um pouco com vergonha de não ter te conhecido antes, logo eu que me orgulhava de gosta tanto de ler e conhecer os autores.
Adorei muito seu livro e agora quero ler muito mais..
valeu
seja bem-vinda… abs
Mulher/homem ideal??? Existe um paradoxo infernal: a cada dia teríamos que exigir menos por nos tornarmos com a idade fisicamente menos atraentes, mas pelo contrário, vamos ficando cada mais exigentes, críticos, em relação ao outro…
Jogo de botão me fez voltar uns 25 anos atrás, quando meu irmão e seus amigos ficavam jogando e guardava a mesa atrás da cortina por falta de espaço na casa. Minha mãe o xingava toda vez que tinha que limpar a sala…E eu adorava…por isso Chatinha G
Clau
apesar de todas as desilusões vividas por mim, continuo acreditando no amor. não sei onde nem como e nem quando viverei um de verdade, mas prefiro acreditar em sua existência.(doce ilusão). e quanto ao museu é show, gostaria de ir. não poderia deixar de dizer que estou apaixonada pelo livro feliz ano velho. obrigada por sua criação marcelo.
2012
2011
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2009
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