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Marcelo Rubens Paiva

23.setembro.2012 20:32:55

LP versus CD

Um dos maiores fracassos comerciais da indústria de entretenimento foi o LD (laserdisk). Lembrava um LP espelhado, com cara de elemento de cena de 2001 – Uma Odisséia no Espaço

Anunciava-se o futuro.

E era caríssimo, apesar do padrão analógico.

Nem chegou a ter distribuidor oficial no Brasil. Só os amigos com grana e passaporte em dia tinham e se gabavam.

O primeiro título saiu nos Estados Unidos em 1978: Tubarão, de Spielberg, o Midas da nerdocracia. Em 2000 pararam de sair filmes em LD. Há três anos a Pionner, detentora da patente, tirou os reprodutores da linha de produção.

O DVD, digital, com mais definição e um quarto do tamanho, na mesma fôrma dos já bem-sucedidos e responsáveis pela transformação da indústria, os CDs, foi o responsável. Os apressados nem podem nem se vangloriar de que ver um filme em LD é “infinitamente” superior do que em DVD ou Blu-ray. Ele tem uma definição maior apenas do que as antigas fitas em VHS.

 

 

Mas existem dúvidas entre a experiência de ouvir músicas num LP, analógico, e CD, digital.

Para os entendedores, foi um assalto da indústria aos nossos ouvidos.

O CD retira amostragens pontuais da onda sonora de alta e baixa frequência, o que empobrece o som, embola, fatia a curva sonora, junta pedaços, perdem-se nuances, o extremo do agudo e do grave se misturam a outros instrumentos com sonoridades semelhantes. A música é “resumida” para liberar espaço. Faixas abaixo de 25 Hz e acima de 16 Khz são dispensadas.

Enquanto um LP reproduz a gama total da curva, o CD elimina frequências que teoricamente não ouvimos mas sim estão lá e encorpam a música, tornando-a mais próxima da realidade; ou, como se dizia, com alta-fidelidade.

Tem os riscos, os pulos, a poeira que se acumula na agulha, o esbarrão que arranha a superfície do vinil e termina com a música, o tamanho, o espaço para se guardarem dezenas ou centenas de discos.

Foi por isso que você, como eu e a maioria, trocou LPs por CDs.

Me senti aliviado quando um primo distante comprou minha coleção de três décadas que começou com Joe Cocker.

Você também se lembra do primeiro disco que comprou na vida?

Levou tudo e ainda me deu 500 contos, calculado randomicamente. Deu para comprar uns 20 CDs.

Hoje vejo colecionadores atrás de discos que já tive, que muitos tiveram, e que desprezei como estorvos que atrapalhavam a circulação da casa. Como uma estátua de anão. Ou uma coluna de gesso na sala.

Aquele Dave Brubeck, Pink Floyd, Bill Evans, Led Zeppelin, Beatles, Stones, The Cure, o disco triplo de Sandinista, do Clash, aquelas maravilhas de desenhistas e designers modernos, com seus encartes e jogos de imagem e mensagens cifradas, como Phisical Graffit ou Sticky Fingers, o disco da língua, que causavam ilusão de ótica, viraram um bagulho de plástico que quebra com facilidade. Abandonamos nossos preciosos brinquedos.

O tempo passou e limitaram mais ainda nossa capacidade auditiva. Educamos nossos ouvidos com fones primários, minúsculos, e com arquivos, não mais músicas, em MP3, FLAC, WAV e AAC de 3 MB ou ripados, sequências de zeros e uns que unidas conseguem a proeza de imprimir maravilhas num disco compacto, chip, memória, nas nuvens.

Espaço é a lei, não a qualidade. Herança de uma sociedade que aceita e muitas vezes prefere o simulacro, para pagar menos.

Todas as noites praguejo contra meu primo que pensei que me fizera um favor. E me pergunto onde está aquele aterrorizante Tubular Bells, de Mike Oldfield, cujo baixo controla o andamento que cresce e se repete- como em Bolero de Ravel-, em que, em cada lado, havia uma faixa apenas, trilha do filme Exorcista, que em CD ficou seco, e se as novas gerações entendem quando dissemos que muitas vezes preferimos o “lado B” das coisas.

 

 

Comentários (12)| Comente!

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12 Comentários Comente também
  • 23/09/2012 - 20:44
    Enviado por: mariavieira

    ah, menino, nem me lembre, e meu pat metheny, puta que pariu..

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  • 23/09/2012 - 20:45
    Enviado por: Luizão Souza

    É no LP que vemos a magia do som e da arte dos álbuns.

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  • 23/09/2012 - 20:58
    Enviado por: nic

    Todo sistema físico tem seus limites. Um disco de vinil também tem uma faixa de frequências que ele consegue reproduzir, e ponho minha mão no fogo que 90% de todos discos de vinil jamais fabricados tem uma faixa mais estreita do que um CD, cortando ainda mais frequências altas e baixas. E isso sem entrar na questão do ruído. Afirmar qualquer coisa diferente é uma grosseria terrível, um atentado à ciência. Falar que a introdução do CD representou uma queda de qualidade em relação ao vinil é o criacionismo da teoria de comunicações.

    Tem muita picaretagem rolando por aí sim, com certeza. Tem muita gente comprando MP3 de ~128kbps, e isso é muito pouca qualidade. A famosa “loudness war” é algo deplorável. Mas a tecnologia digital não significa isso. Pelo contrário, representa uma maior democratização, maior robustez, melhor controle da qualidade… Ou ao menos a possibilidade disso.

    E que conversa é essa que “agora se preocupam com arquivos, e não as músicas”. Isso não faz nenhum sentido. Cada arquivo é uma música oras. Antes tinha lá o lado A B e a faixa. Qual é a diferença? Hoje a gente tem até mais acesso a informações sobre o título das músicas, etc. Os famosos metadados.

    Me parece que te bateu um saudosismo, e na onda de querer lembrar das velhas músicas da juventude vc resolveu demonizar a tecnologia que representa a contemporaneidade, é isso?

    A tecnologia digital e a Internet tão aqui pra ajudar vc ouvir de novo todas as velhas músicas. Hoje elas tão por aí, voando nas núvens e nas nossas cabeças, não mais aprisionadas naquelas fôrmas de barro que ficavam rodando puxadas por motorzinhos. A música hoje pra mim transita de uma forma mais direta da cabeça do compositor pras nossas. A gente só tá libertando mais a música e divulgando mais ela. As limitações físicas são apenas mais facilmente vencidas com as novas tecnologias.

    Headphone grande e bom tem aí pra comprar. E tá até cheio de gente andando por aí na rua com headphone gigante na cabeça. Mó onda. Se vc tem se contentado com o horrível foninho branco de iPhone é problema seu, não vem querer dizer que a sociedade está perdida. Quem ama música vai atras de equipamento de qualidade, não se deixa enganar. O vilão são as mesmas ganância empresarial e ignorância consumidora de sempre, e não a ciência dos engenheiros eletrônicos. Aponta pra lá esse dedinho acusador…

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    • 25/09/2012 - 13:53
      Enviado por: Lucas

      Legal tudo o q vc diz, mas você já colo pra ouvir a mesma música pra rolar, de um cd e de um vinil? a sonoridade é muito mais natural que a do cd. Não à toa os vinis não desapareceram, pelo contrário, ainda fazem muito sucesso entre alguns amantes da boa música. Um mero saudosismo não tornaria esse mercado sustentável.

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  • 23/09/2012 - 22:19
    Enviado por: marcio palacios

    Fiz a mesma cagada. Vendi metade dos LPs na Benedito Calixto e fui almoçar no Rubayat com a grana. Na semana seguinte vendi o 2o lote e fui almoçar no Dinhos.

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  • 24/09/2012 - 13:15
    Enviado por: Perla

    Podem dizer o que quiserem, mas eu não dispenso os meus “bolachões”, tenho verdadeira reliquias, e como uma boa nostalgica sempre faço meu momento, som verdadeiro.

    abs

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  • 24/09/2012 - 13:24
    Enviado por: Eduardo

    Lembro claramente que, quando tinha 10 anos, brinquei de lançamento de disco com o vinil do “Dark side of the moon”. Hoje, aos 27, tenho o meu aparelho e meus humildes 6 discos de vinil… mas não o Dark side. Que moleque burro eu era!!!

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  • 24/09/2012 - 15:33
    Enviado por: Nando

    Não nos esqueçamos que algumas das atuais “tecnomaravilhas” tambem nos permite “salvar” discos de vinil em formato digital, com todos aquele ruidos e barulhinhos que tanto nos encantam.PickUps mais modernas permitem isso, confiram.Eu jamais vou abrir mão de meus bolachões, ouvir Hendrix num vinil é incomparavelmente melhor que num CD. E olha que estou longe de ser um “Durval Discos”. Agora…na boa. Com ou sem tecnologia, uma coisa que de fato piorou, e muito, foi a presença de “comentaristas” que se acham entendidos de tudo, desfilando pequenos recalques por blogs.Nessa parada não haverá tecnologia ou Bill Gates que dê jeito nisso….Foda!

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  • 26/09/2012 - 17:09
    Enviado por: Kaike Lamoso

    Marcelo, meu pai é colecionador de vinil e desde cedo aprendi a gostar e valorizar quem tem essa paixão. Hoje se tornou cool ou cult ou hypster lançar, escutar e adquirir discos de vinil.
    Me lembro bem desse dos Stones, que você pode abrir e fechar o zíper da calça, entre outros que são verdadeiras obras primas. Meu pai até hoje continua recebendo doações de vinil ou até mesmo catando na porta de alguém que os joga fora. Foi numa dessas que ele achou Tábua de Esmeraldas de Jorge Ben.
    Ainda bem que os vinis já fazem parte da minha herança musical.

    Abraço

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  • 27/09/2012 - 11:33
    Enviado por: skydqffri

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  • 27/09/2012 - 17:08
    Enviado por: skyjmihkz

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  • 27/09/2012 - 22:20
    Enviado por: skypzenau

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