O ex-coronel Erasmo Dias, que morreu há duas semanas, não teve velório de um herói, nem foi homenageado por populares. Apenas alguns membros da família, que reclamaram da falta de reconhecimento.
Se ele dizia que cumpria ordens, quem as comandou não apareceu.
Anticomunista convicto, desempenhou o papel de salvar os valores da família e propriedade, que seriam “tolhidos” por aqueles terroristas jovens cabeludos e maconheiros, manipulados pela Internacional Comunista.
Era a sinopse da sua vida. Ajudou a implantar uma ditadura sanguinária que se mantinha não pelo debate, mas pelo terror, e declarava que era contra a tortura.
Em 1968, descarregou o revólver ao redor do ex-líder estudantil e amigo Luiz Travassos, preso no congresso clandestino da UNE em Ibiúna. Em 1969, no Vale do Ribeira, jogava numa cova os guerrilheiros da VPR presos e descarregava a automática ao redor.
Perguntei-o uma vez se isso não era tortura. Teimoso, dizia que não.
O coronel tinha um mérito; se “mérito” é a palavra apropriada. Era dos poucos do regime que defendiam seus métodos e a forma equivocada e desproporcional da luta, como invadir uma universidade católica, a PUC, já durante a Abertura.
Tirou estudantes e professores das salas para colocá-los sentados no estacionamento em frente e reprimir a reunião que ocorria no TUCA, para a reconstrução da UNE. Gritava no estacionamento: “Onde está a Veroca! Eu quero a Veroca!”

VEROCA NO CONGRESSO DA UNE [SALVADOR, 1979]
Veroca é minha irmã mais velha. Líder estudantil, era a alma do movimento que retomou a luta pelas liberdades democráticas e anistia no final dos anos 70- que representou a estaca que romperia com as artérias do regime miliar e o afastamento definitivo de parte da sociedade civil que o apoiava e financiava.
Num encontro clandestino de estudantes também reprimido, Erasmo encontrou na triagem minhas irmãs e estudantes da USP, Eliana e Nalu, e as levou.
Aqui o relato da Nalu, que hoje mora em Paris, na troca de e-mails familiar em que anunciei a morte do ex-coronel.
“Nesse dia ele prendeu mais de cem estudantes que estavam na Paulista de Medicina. Liberou, depois de ter fichado todo mundo. Menos dois: Eliana e eu.”
“Fomos interrogadas com revólver na cabeça em salas separadas, e diziam: ‘Onde está sua irmã Veroca? A Eliana já falou tudo e foi liberada, e se você não falar, vai acabar como o seu pai.’ Era mentira, pois Eliana não tinha falado nada, mas fiquei apavorada, eu sabia onde ela estava e não falei.”
“Fomos liberadas graças à intervenção do governador Paulo Egídio. Nunca vou esquecer da cara lívida da mamãe, que veio nos buscar.”
Anos depois, o ex-coronel se beneficiou da democracia pela qual lutávamos e se elegeu deputado.
Entrevistei várias vezes como repórter. Foi minha fonte em matérias em que eu investigava, com Cláudio Tognolli, a presença da CIA no Brasil durante a ditadura.
Me abriu os arquivos e deu horas de depoimento para o meu livro Não És Tu, Brasil (1996), sobre a Guerrilha do Vale do Ribeira; ele comandou a fracassada repressão.
Eu via nele um combatente confuso, como um histérico diante dos seus erros. Suas convicções eram facilmente derrubadas. Ele sabia que participara de uma missão insana. Como profissional, eu respeitava o repertório da minha fonte. Como democrata, desprezava.
Em 1999, Serginho Groisman teve a ideia genial de juntar Veroca e o ex-coronel num programa de TV. E sempre me lembra que foi um dos mais marcantes que fez.
Veroca perguntou ao vivo: “Como o senhor se sentiu depois de ter sido eleito, usufruindo de nossas conquistas democráticas? Porque nos massacrou por isso, entrou na PUC jogando bombas em mulheres grávidas, com cavalos em sala de aula, gritando o meu nome enlouquecido.”
“Tinham meninas que estavam com meias de seda e nem participavam da manifestação. Viraram tochas humanas, nunca mais puderam andar de saia ou maiô, meses de hospital para curar as queimaduras.”
Ela lembra: “No estacionamento estavam alunos e professores aterrorizados pela violência. Meus colegas que me encontraram no dia seguinte explodiram em choro de alívio, achavam que eu estava morta.”
Sob vaias da plateia, Erasmo respondeu: “Eu era autoridade! Tinha que fazer valer o princípio de autoridade, não importa se eram meninas comunistas ou baratas, o que fosse, tinha que reprimir.”
“Eu disse depois que achava que ele era gente, por isso tinha defendido o direito a liberdade democrática. Inclusive a dele, de ter suas posições políticas defendidas num parlamento”,
Veroca conclui. “Morreu achando que gente que pensa diferente é barata. Perdeu completamente a compostura quando fiz a pergunta. Minha impressão é que ele estava querendo passar para a história de outra maneira. Tinha levado um recorte de jornal que falava de Rubens Paiva. Não chegou a mostrar, eu vi na mão dele.”
Erasmo Dias era assumido. No Brasil, a direita costuma pensar de um jeito, mas dedetiza o discurso. Na Europa, a direita é declaradamente racista. É bom, porque o eleitor lá sabe quem é quem. Já aqui..
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Na edição de Réveillon de telejornal da Band, depois de mostrar imagens de lixeiros desejando felicidades, Boris Casoy, sem saber que o áudio estava aberto, mandou: “Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho.”
O vídeo caiu na internet. Simboliza o discurso reprimido de parte da sociedade brasileira, que cria elevadores de serviço e social em condomínios, mas avisa que é ilegal discriminar.
A mesma que se deslumbra pelo Réveillon dos VIPS de Trancoso ou coberturas de Copacabana e ignora os milhões de cidadãos nas areias e avenidas.
No País em que garçom não come a mesma comida que o cliente, nem na mesma mesa, Boris disse num lapso (e se desculpou apenas depois da repercussão) o que está no inconsciente da nossa formação.
País do futuro com esse passado e presente? Se liga!
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Saiu a lista de livros da Fuvest. Nem GUIMARÃES, nenhum MODERNISTA. Literatura estrangeira então… Quem é a anta que decide isso?
•Auto da barca do inferno – Gil Vicente;
•Memórias de um sargento de Milícias – Manuel Antônio de Almeida;
•Iracema – José de Alencar;
•Dom Casmurro – Machado de Assis;
•O Cortiço – Aluísio Azevedo;
•A cidade e as serras – Eça de Queirós;
•Vidas secas – Graciliano Ramos;
•Capitães da areia – Jorge Amado;
•Antologia poética (com base na 2ª ed. aumentada) – Vinícius de Moraes.
Muito Legal Marcelo voce comentar sobreo Erasmo Dias,porque ele foi esquecido,mas não deveríamos esquecer tudo assim.Esse país como voce comentou depois sobre o boris Casoy,relamente tem uma visão do mundo,que alguams pessoas são DIFERENTES.Isso foi expresso recentemente pelo próprio PRESIDENTE LULA á respeito do SARNEY ,”QUE ELE NÃO ERA UMA PESSOA QUALQUER”. Essas coisas denotam essa visão distorcida do Brasleiro ,retratada no LIVRO “CABE”CA dO BRASILEIRO.
Por sinal voce poderia fazer uma campanha para que a ABL retira-se a cadeira do SARNEY? ,porque além dos Livros dele serem uma DROGA ele inflige qualquer DECORO.
O Sr Boris Casoy foi mais uma vez infeliz num comentário, que revela o verdadeio indivíduo escondido na figura de jornalista. aproveitando a crônica e a nota sobe o corrido nos intervalos da Band, lembro-me das diverasas vezes que em comentário o Casoy critica com acidzez qualquer iniciativa de retomada no processo de reabertura de processos de crimes ocorridos durante o preíodo da ditadura, e usado toda a sua experiência num jogo de palavras tenta confundir anistia com omissão no reconhecimento de fatos, crimes e pessoas que que fazem parte da nossa história recente, deixando clara a posição com relação ao nosso direito à memória.
Caro Marcelo, sua cônica é articulada e oportuna, já que mantém em debate fatos tão relevantes sobre um passado recente e aínda atuais.
Um abraço.
Jairo
Que maravilha este exto, Marcelo! Tempo que te acompanho, mas hoje tive que comentar…
Um abração.
Bóris, o paladino da ética, sempre brandindo o bordão “isto é uma vergonha”. Prefiro nem pensar nas outras coisas em que ele acredita e jamais confessaria, “nem mesmo ao médium, depois de morto”. Isso, sobre os garis, deve ser das coisas mais amenas, já que ele não teve pudor em declarar aos que estavam no estúdio. Acho que ele era um dos integrantes do CCC, que invadiu um teatro em SP (só não sei se ele estava neste episódio) e chegou a dar chutes na barriga de uma atriz grávida (li isso numa coletânea de crônicas do Nelson Rodrigues).
E vocês tem histórias e fotos incríveis dessa época, né, e a gente nunca conversou sobre isso! Putz, que lástima, perdi uma chance e tanto.
beijos
Li este texto do modo como te sigo há algum tempo: através do G. Reader. Tive que vir aqui comentar. Mas não sei o que dizer. As veses sinto vergonha de tudo isso, mesmo não tendo vivido o que passou naquela época… vivo o vergonhoso presente. Um abraço
Marcelo, a direita no Brasil já foi raivosa, hoje é apenas envergonhada. Alem do mais, esquerda e direita estão do mesmo lado, neste nosso anacrononico sistema politico que transforma o que deveria ser a ferramenta de discussão dos destinos da nação num imenso e ordinário balcão de negócios ilicitos.
Entendo que voce e sua familia tenham vivido na carne, literalmente, este triste periodo da nossa história, mas o Brasil faria melhor para as próximas gerações se superasse isto tudo é olhasse pra frente.
Reparou que o pedido de desculpa do Boris foi mínimo, de poucos segundos? ISSO É UMA VERGONHA!
VOu te contar, viu…
Beijo Paiva,
Marcelo, é sempre um prazer te ler, seja para assuntos cotidianos e leves, como tão pesados quanto este.
Me informa e me faz lembrar, porque como boa brasileira que sou, minha memória é fraca.
eu acho que esse foi o melhor post que vc ja publicou. Morei fora do pais desde adolescente, nao vivi a época de Collor, nem o impeachment. Só sei o que leio e o que contam. Como sou bem mais nova que vc nao tinha ideia de que vc tinha uma família tao legal. Engraçado a imagem que fazemos das pessoas quando nao sabemos de sua história…
Agradeço por vc exestir e esse blog também!
Não vi a noticia da morte do ex-coronel.
Vc caminha no sententido da “revolução humana”.
Bravo!
bj
O bom do Erasmo Dias é que ele não escondeu a sua verdadeira cara e suas convicções. Suas irmãs foram corajosas. Parabéns pela sua família. Fiquei com vontade de ver o programa do Serginho Groisman em que ele juntou a Veroca e o Erasmo Dias. Abraço!
Como diria o próprio Boris: “É preciso passar o Brasil a Limpo”. De fato, já temos hipocrisia demais! Vivemos um tempo de “ética do espetáculo”. Parecer liberal e democrático, mas de forma escondida, covarde, defender a mesmo sistema opressivo, que nos condena ao atraso a muitos anos.
Marcelo, parabéns pelo post. Estou sempre acompanhando.
Pra mim era um imbecil, e ao contrário do que se poderia pensar, um fraco. Um cara que cristaliza sua conduta e psicologia à valores preconcebidos de um determinado momento e segmento social, aceita-os incondicionalmente e os defende até o fim só pode ser alguém que tem medo, medo de pensar, de questionar e pior, de expor através da crítica e da dialética pessoal a própria natureza humana, para estes é melhor nem respirar e permanecer inalterados protegendo-se atras de conceito confortáveis como o da superioridade divina, encastelados em suas propriedades e posições sociais. Daí a fúria contra tudo que possa revolucionar.
É isso, Marcelo. Tempos muito difíceis da ditadura, mas os papéis eram mais bem definidos, acredito. Hoje, boa parte da nossa sociedade, que se diz iluminada e democrática, sob a pauta da grande mídia, quer excluir a repressão política da história do nosso país.
Em tempo: desculpe se fui inconveniente, mas a história de seu pai me fez ser de esquerda, sim.
Grande abraço!
Lamentável o ocorrido com o Boris Casoy. Um jornalista respeitado por muitos, que tem por profissao comunicar e informar, mostrar como ainda vivemos um mito de democracia racial.
Marcelo, muito importante você registrar aqui a fala de sua irmã. Com o passar do tempo, tudo isso está ficando perigosamente esquecido. Quando comentávamos aqui a morte do Erasmo Dias, há duas semanas, descobrimos que as pessoas com menos de 30 anos que estavam presentes, embora cultas e com boa formação, não o conheciam, nem sabiam o que ele havia feito. Aliás, o seu depoimento e a sua expressão na última cena da campanha Memórias reveladas (você não vai falar sobre isso aqui?) ficaram muito tocantes. Um abraço!
Já tinha adorado o seu texto ao le-lo no Estadao de sabado. Concordo com tudo o que voce escreveu, principalmente com a frase final: “país do futuro com esse passado e presente?”. Qualquer pessoa que vive em Sao Paulo e observa o comportamento das pessoas (ricas ou pobres) percebe que elas só pensam em si mesmas e nao tem a minima nocao de coletividade e por isso estamos condenados a sermos o eterno país do futuro: “ninguem respeita a constituicao, mas todos acreditam no futuro da nacao”. Pois bem, eu nao acredito faz muito tempo….!
quando na argentina morreu Ruben Camps (o chefe da policia federal e da repressão insana) o jornal deu a segunte manchete: “Murio el Asesino”, junto com charges mostrando ele sendo rejeitado no paraiso, etc.
Gostaria de ver no brasil ainda alguem se referir aos ex da ditadura como ex-ditador fulano, e não ex-presidente.
Infelizmente no brasil os milicos acam que venceram e nao foram colocados no seu devido lugar. lula tem medo. se fosse na argentina que um generaleco ameaça o presidente, no dia seguinte esta de pijama.
Realmente mto bom, comovente até. Concordo com alguém aí que disse ser um de seus melhores posts.
Lembrei novamente de “Feliz Ano Velho”.
Não comentei no post das ‘amigas’, mas vc é um cara de sorte hein??!!
Legal. cara. vc merece!!!
Putz, me deprimiu muito ler esse seu post. Essas coisas são uma merda, essas pessoas que são uma merda existirem e estarem impunes por aí. Esse bando de filhos da puta.
E a lista da Fuvest tá uma merda mesmo.
Você viu o que o foi publicado do Ives Gandra na Folha hoje? É uma ofensa ler essas coisas. Dá uma procurada. Tfp cuzão.
Caramba, a mãe de vcs tem o coração de aço! vcs deram trabalho ;o)
A direita no Brasil é Serra/Kassab, é a Folha, a Globo, a Veja, o Marcelo Tass, é todo mundo que não suportou o fato da Marta ter dado piscina pra pobre, é Ivete Sangalo, Hebe Camargo, Regina Duarte, Joyce Pascowitch, o Jô, as meninas do Jô, a Lucia Hypollito, as meninas do Saia Justa, são tantas e tantos que não caberiam num só comentário. O próprio Sergio Groismann tão endeusado por fatos passados, quando era do Equipe é uma direita braba, mas garanto que você não publica isso.
Muito bem dito, Marcelo. Tanto em relação ao ex-coronel quanto em relação à voz do inconsciente coletivo proferida por Boris, que dizem ter pertencido ao CCC . [um psicólogo curado de sua doença burguesa: http://www.consciencia.net/gblog/?p=747 Mais do que na hora de repensarmos sobre nossa história, sobre nossos valores e pretensões.
Vi muita gente falando q o ex-coronel foi é tarde. Eu não acho. Eu queria q não tivesse ido, queria q estivesse aqui e que justiça fosse feita [lembrando que justiça não é revanchismo, como muitos gostam de usar]. Mesmo com a lei da anistia, mesmo com a prescrição, acho q deveria sim haver julgamento, abertura dos arquivos, mesmo q não desse em cana. E deveria ser transmitido como propaganda eleitoral, em todos os canais e em horário nobre. Pois eu tenho certeza que muita, mas muita gente e não estou incluindo os novos, não têm a menor ideia do que foram esses anos de ditadura. E mais, acho que deveria haver uma condecoração/homenagem/agradecimento de todos os ex-combatentes. Esses são os meus heróis. A esses eu agradeço. Tive a honra de conhecer um ex-guerrilheiro, desses q foram exilados no Chile, e foi como se a história girasse em nosso redor. Eu, q nasci na década de oitenta e sempre me interessei e me comovi com os anos de chumbo, ali, diante de um senhor com cabelos grisalhos e rosto de expressões serenas, um pai, um avô, um ator de peça de Amir Haddad, junto de sua esposa adorável, com sequelas físicas decorrentes daquela época [assim como Amir]. Eu, como se pudesse ver toda a luta e história por aqueles olhos e por aqueles instantes, a voz embargada e mil coisas passando pela cabeça, só consegui dizer um estremecido “obrigada”. E um silêncio e a gente se olhando nele. Uma emoção inexplicável. É um senhor inspirador. Assim como descubro q além do seu pai, suas irmãs e sua família foram pessoas íntegras com seus ideias e valores, e de muita coragem. E, principalmente, alteridade. Eu acho alteridade uma palavra linda, e um segredo para muita coisa.
Da lista que você fez eu estou doida pra conhecer Philip Roth. Fiquei instigada e curiosa depois de assistir ao filme “Fatal”, baseado em seu livro. E agora com a sua indicação… Estou precisando mesmo me contemporanizar, literaturamente falando.
E a Fuvest não está com nada mesmo, ainda bem que temos você. E as suas listinhas.
Por que a gente não faz uma campanha para tirar os Sarneys do parlamento??? É ano de eleição, é uma nova década, é uma ótima época.
Eu sei que é assustador pensar em Sarney como um imortal, mas antes lá que no senado.
Sobre a lista da Fuvest:
Faltou um modernista sim. Na minha época teve Mário de Andrade. Agora, em relação ao Guimarães, é exagero seu. Para apreciar Guimarães é preciso ter vivido mais que 17 anos. Li Grande Sertão depois da faculdade. Parava nas frases, voltava e relia. Não para “entender o significado”, mas maravilhado com as frases, palavras, expressões que Guimarães era capaz de criar. Chorei, ri, lembrava de coisas que vivi no interior de Mato Grosso do Sul e que pareciam com o interior de Minas. Para ler Guimarães é preciso ter vivido, vivido uma vida perigosa.
Adoro seu blog.
Abraço,
Rapha
Marcelo, que belo texto! Já passei pra dezenas de amigos esquerdistas e tb pra uns direitistas babacas, que estão condenando o PNDH.
Ano passado reli seus livros Feliz Ano Velho e Blecaute e foi muito bom, novamente.
Bem, não conhecia esse seu blog e, de hoje em diante, irei freqüentar!
Sobre seu texto, perfeito! Fico feliz de saber que suas irmãs estão bem e hoje podem estar aqui pra contar a história de vida de vcs.
Quanto ao fulaninho aí, teve o enterro que merecia: esquecido, sem nenhuma ‘honra ao mérito’ e foi, finalmente, encontrar-se com quem o esperava há tempos: um chifrudo que, pra azar dele, também é vermelho!
Valeu companheiro, por nos ensinar tanto!
Sou sua fã desde criança, nos tempos do Fanzine.
Beijão pra vc e, pode acreditar, estou de alma lavada!
Admirável Marcelo Rubens Paiva, gostei muito da nobre atitude de revelar todo o terror de Erasmo Dias e ainda não ter pudores em disparar uma rajada de flores ao redor do seu túmulo. Típico de pessoas dignas. Parabéns.
Marcelo, li seu liivro feliiz ano velho e me identifiquei muito, pq tive uma emorragia cerebral aos 21 anos hoje tenho29 e pensei que ninguem jamais entenderia o que passei na uti e tudo mais que vc sabe , bom eu tive um AVC causado por uma veia mal formada tive uma vida normal até os 21 anos e derrepente a veia arrebentou fiquei 6 meses na cadeira hoje manco da perna esquerda e ñ tenho os movimentos da mão esquerdamas hoje convivo bem com isso fiz faculdade de filosofia ,trabalho moro sozinha . avida continua …
gostaria muito de me comunicar com vc
aguardo resposta
bBa
Prezado Marcelo,
Estamos vivendo já pelo menos uma década um movimento de “direita volver” . Os “Erasmos Dias” estão aí por aí … Disfarçados de pós-modernos, descolados, mas que guardam no fundo de suas almas o ódio às classes menos favorecidas, raças e crenças. Precisamos urgentemente mostrar quem é quem. A declaração discriminatória do jornalista Boris Casoy comprova o ódio e o conservadorismo dos conservadores e retrógrados que estão nos comandos da imprensa. Mas me desculpe a frase dita pelo Boris pode estar no seu inconsciente e de outras pessoas MAS NO MEU INCONSCIENTE E ACREDITO QUE DE MUITOS BRASILEIROS ELA NÃO FAZ PARTE!
Ainda pior que os livros indicados é a prova que se faz depois para os vestibulandos.
Certamente não se quer formar leitores neste país.
O livro é dissecado de uma forma, que o torna objetivo demais, e o que é a literatura sinão subjetividade pura?
O aluno fica obrigado a fazer a leitura de lupa na mão, as perguntas são terríveis, ainda bem que já fiz a minha faculdade e não preciso mais passar por esse tormento.
Depois nos queixamos de profissionais frios, de médicos que mal olham na cara dos pacientes e eu desconfio que a escola é a responsável por tudo isso.
Marcelo, essa crônica foi a primeira crônica que eu li sua, na semana passada eu acho, no estadão. O MÁXIMO! Sério, meu padrasto estava no dia da invasão. Ele me contou de como as borrachadas na hora nem doíam já que o pânico (não sei se é a palavra certa) causou uma certa anestesia geral. E eu sinceramente me convenço cada dia mais que se queremos milagres, se queremos heróis não devemos procurar “Super-homens americanos”, mas no povo, em nós mesmos e nas coisas que podemos fazer quando unidos. Quem sabe um dia as “áreas de serviço” do mundo sumam, assim como aqueles que se auto denominam “Autoridades”, mas não passam de assassinos torturadores (e eu realmente não estou falando apenas de ditadores da década 70).
Beijos, e parabéns pelo trabalho.
Impossível não fazer uma analogia com o que aconteceu há poucos dias em Brasília quando um PM do Distrito Federal jogou no chão uma universitária. A imagem na tv tb me chocou.
Parabéns, Marcelo!
É importamnte esse resgate de memórias. Acho que ninguém consegue traçar um caminho olhando só p a frente, é instintivo que, de vez em quando, nós olhemos para trás!
Um grande abraço!
E incluo o discuro reprimido dos mesmos que gostam de ir á Fernando de Noronha e depois mostrar aquelas fotinhas minúsculas para humilhar kkkk
Vou falar, descobri vc recentemente em minha vida e não me desculpo por isto, sei que já é batido pq devorei o seu blog em um dia, mas não tem como não dizer que vc é tudo!
Tudo bem, já vi sua resposta que vc é neurótico e ronca, mas nem um caso com uma pessoa do blog vc teriam, ou já teve? rsrs
Se tiver namorada, desculpa rsrs
Pode enviar um e-mail que não vou ligar
vero.montila@hotmail.com
beijos
A anta que escolhe deve ser uma anta q esta encolhendo o cérebro com tanta chuva!
São Paulo não é mais a terra da garoa, mas da tempestade, nem sei mais que parece…
bjus bjus
Caro Marcelo,
Adorei sua crônica. De vários pontos abordados, que dariam outras crônicas, vou deixar o Boris de lado e destacar a palavra “tortura”. Fui umas das queimadas. À época, eu tinha 23 anos. Eu não estava vestindo meia de seda. Trajava calça de jeans, material intacto que forneci para que fosse analisado no Exterior, do qual concluíram que os resíduos que ali estavam eram de bombas de fósforo branco e não de gás lacrimogêneo, como eles insistiram em divulgar. Tive queimaduras 1º, 2º e 3º graus espalhadas pelo meu corpo, que me rederam quase dois meses de cama, deitada numa única posição. Além de ter sido pisoteada durante um tempo que, pra mim, foi uma eternidade, sentia meu corpo todo arder por esse agente corrosivo atirado sobre o amontoado de estudantes encurralados no corredor lateral do TUCA. Mas esses não foram apenas alguns dos meus azares. Além de ter sido levada para o estacionamento, mesmo aos prantos, durante todo o tempo que fiquei no PS do HC fui vigiada o tempo todo por dois investigadores, que me arrancaram de lá às 6 da manhã, toda enfaixada e completamente tomada pela dor, para ser fichada no então Dops. Só não abusaram mais devido à elogiável resistência dos médicos do HC que nos atenderam. No Dops, fui parar numa sala reservada com investigadores me ameaçando o tempo todo e dizendo “que se fossem eles, teriam atirado a bomba na minha cara”. Posteriormente, fazendo parte de um processo jurídico coletivo (com mais três vítimas que tiveram queimaduras pelo corpo) contra o Estado, vi após 10 anos de luta o resultado final de ter sido excluída de qualquer ressarcimento por danos físicos ou morais. Tudo porque o médico do Estado indicado para a perícia do meu caso julgou que minhas cicatrizes “não eram assim tão significativas para receber o tal de “dote” (sim, ‘dote’, porque na nossa legislação não há nenhuma lei que ampare as vítimas de abusos desse tipo, sendo essa a única brecha encontrada pelos advogados para que pudesse rolar o processo). Putz.. . caramba, e eu nem era guerrilheira! Era estudante, cheia de ideais democráticos. Mas tive tratamento de criminosa política, sem ser anistiada, muito pelo contrário, fui sim injustiçada. Meu caso e de muitos excluídos por nossas leis arcaicas somos sim, vítimas de TORTURA. Passei boa da parte da minha juventude em tratamento psicológico e me esforçando para levar uma vida normal, achando que um dia iria a uma praia de “fio dental”, porque, segundo aqueles que apoiaram e deram aval ao ato terrorista, incluindo o “assumido Erasmo Dias”, mandatário da barbárie, eu tava era chorando de barriga cheia de ter apenas duas enormes cicatrizes, resultado de queimaduras de 3º grau na parte onde, femininamente, a minha carne mais abunda. Então, desejar que esse senhor queime no inferno e pouco, porque muito mesmo é desejar que a se faça justiça no meu caso. Abraços, Marcelo.
Putz, hoje me lembrei que anos atrás quando era estudante de jornalismo fui entrevistada, ao vivo, num programa de TV, em que uma das perguntas era qual jornalista eu admirava. Adivinhe o que respondi! Estou envergonhada… Infelizmente, Boris Casoy tirou a sua máscara e, sem querer, mostrou a sua verdadeira cara. Ele é uma vergonha!
Fala Marcelo,
Estou escrevendo pra te dar um abraço! Estou trabalhando temporariamente aqui em Caracas desde um tempo, estava me sentindo um Cap.Nascimento do BOPE, missão dura, longa e resultados ruins… No natal peguei seu o “Feliz Ano Velho” casualmente na prateleira da minha mãe e quando percebi, devorei o livro. Me trouxe um relax mental enorme. Valeu pela força e pela liberdade que me trouxe, agora digo com mais tranquilidade: putzz, tô fodido! Quanta merda estão (e tô) fazendo!.. E outros palavrões e episódios relaxantes. E assim, os dias passam mais lights e bem humorados! Valeu, vc é figura rara! Prazer em conhecê-lo! Eric.
Marcelo, seu post eh precioso! Democracia e cinismo NAO combinam. Casoy eh o cinico que exerce a cretinice de uma elite despudorada, agora deslumbrada com o pais das Olimpiadas e da Copa. Erasmo Dias foi um dos patriarcas desse atual estado de coisas em que vivemos, centro e periferia sem dialogo algum. Ainda temos um longo caminho pela frente pra construir um pais, com gente que tenha um minimo de dignidade e compromisso com a cidadania. Os movimentos do final dos anos 60 e anos 70 NAO FORAM EM VAO. Sua lembranca e sua presenca eh prova disso. Abracos. Emerson.
Eu sempre achei que esse é um tema que você fala com uma clareza peculiar…doce e amargurada. Algo de quem viveu mesmo a coisa….bacana.
Quanto a lista, pelo meos tem Dom Casmurro…
Bjos
Erasmo Dias acabou falando sozinho, fez o papel de vilão, de mocinho contra pseudos bandidos, foi um xerife autoritário e um parlamentar desastrado. Recordo-me da votação da centralização do ICMS no então Banco Público, que findou privado na gestão tucana FHC/COVAS, que traria enormes benefícios aos cofres públicos. Este citado cidadão, contrariado em seus interesses regionais de sua base eleitoral, dispôs se a apoiar a medida, defendida pelos sindicalistas bancários e demais movimentos sociais. Isso até a hora decisiva, onde, no conchavo, o governador deve ter cedido nos benefícios que o mesmo reivindicava, e, como bode expiatório, virou-se, encolerizado para nós da platéia, dizendo que eramos baderneiros, visto que comunista já tinha caído em dessuso. E assim justificou-se para agradar aos banqueiros privados que temiam a aprovação da medida. Virou figura anedótica, ultrapassada, mas tinha uma verdade, jamais se escondeu de suas esdrúxulas posições, nisso foi coerente até o fim. Seus companheiros, envergonhados, não o prestigiaram sequer no velório, talvez temendo a repercussão. Outro que teve fim melancólico e solitário foi o ex prefeito Celso Pita, desprestigiado até mesmo por seu criador o eterno candidato Paulo Maluf.
Parábens por voc tocar neste assunto: “a direita na Europa e nos EUA se assume”, fantástico, aqui é pura hipocrisia de um povo que não acredita nem no capitalismo nem em socialismo nem p**** nenhuma, vivem tudo com saudade da escravidão ainda..
Sobre a lista: acho a lista legal pois ela tem como objetivo dar um panorama da literatura de um país e dos principais estilos e movimentos artisticos e nisso ela faz muito bem seu papel…Não adianta achar que o cara vai ler Joyce ou Mann sem ter lido quem veio antes, além disso a utilizar a literatura brasileira torna mais fácil para o público nesta idade entender o contexto social de cada obra e estilo….
Marcelo, toda vez que o vejo na Tv comento com minha filha de dezoito anos: Este é o cara que … (mãe, quantas vezes v. vai dizer isto ?). Digo pq o admiro, pq v. realmente faz parte da história deste país sem memória. Um adolescente hoje é incapaz de imaginar o que foi uma invasão da Puc (quebrei a perna pulando um muro para fugir dos cavalos). Aí me perguntam: v. é capaz de imaginar o que aconteceu na segunda guerra ? não, mas leio e tento me informar. Eles não estão interessados em nada disso… infelizmente… fiz um discurso sobre confronto de gerações e fui ouvida na marra: bingo… caiu no Vestibular e ela chegou em casa beijando minha mão… – repeti seu discurso… ela disse…. rsrs… (mas garanto que não entendeu nada !!!) Quanto aos livros, adorei a lista, mas acho impossível, inacreditável que nossos adolescentes, com a formação que têm consigam assimilar livros tão complexos. É uma pena, mas uma realidade. Obrigada pelos seus textos…me sinto menos só. Um abraço.
aiaiaiaiai, cadê nosso post de cada dia?
Uma vez eu estava numa manifestação defronte a Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
Não lembro a data, final dos 70, início dos 80….
Chegou a tropa de choque.
Erasmo Dias então foi sozinho até um palanque onde estavam líderes estudantis.
Pediu a palavra e disse em tom conciliador:
Gente, essa manifestação é proibida.
Vocês não podem fazer isso.
Vamos dispersar e vão embora, que não vai acontecer nada com ninguém.
Daí um gaiato gritou lá do meio da multidão:
Coronel, vai tomar no cu!!!!
Erasmo não se conteve:
baixa o pau!!!!1
Foi um deus no acuda.
Ao contrário de seus textos, cheios de vida e história, a Literatura do vestibular é estática, e a maneira pela qual a ensinam na escola é de paralisar até aos mais apaixonados. Dá pra entender, então, a aversão dos alunos sobre pensar ou entender literatura no Brasil. É triste. E tudo faz sentido em um país que não discute claramente sua História e sua cultura.
Obrigada.
Excelente sua matéria/desabafo sobre o Coronel Erasmo Dias. Espero que ele ganhe bastante ruas com o seu nome; assim ele não será esquecido. E que as crianças ao verem as placas nas ruas com o seu nome, perguntem aos mais velhos: Quem é esse tal de Coronel Erasmo Dias, e saibamos responder: Ele foi uns dos piores tentáculos da ditadura brasileira e tinha horror a todos que lutavam pela democracia.
Marcelo, li o post por recomendação do Patrick, meu amigo aqui em sciences po. Acho importante artigos como esse para relembrarmos o passado e tentar evitar que a política brasileira retorne a autoritarismos. Os jovens dessa geração precisam acordar da anestesia do axé e futebolística e serem um pouco mais participativos. A Veroca é um icone!
Sobre o Boris Casoy, sem comentários… e sobre lista da fuvest sem Guimarães é um absurdo… Pelo menos esse do Eça é bom… abraços,
Tudo bem o Erasmo não era santo, mas é tolice achar que os “cabeludos” o eram, houve muito abuso e até assassinatos pelo lado da “guerrilha”, se houve uma perseguição, ela de fato foi muito seletiva, porque entre 1978 e 1982 eu escrevi num jornal estudantil, palavras de ordem contra a ditadura, mas nunca fui incomodado, se hoje falasse as mesma palavras o Lula teria uma crise verborrágica, e eu no mínimo seria processado, se foi por isso que está aí que lutamos então eu do fundo do meu coração ME ARREPENDO!
Lembro perfeitamente da entrevista da sua irmã no Altas horas, uma das melhores que ja assisti na vida, gostaria de saber se este material foi divulgado em algum site…Obrigado!
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