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Marcelo Rubens Paiva

17.fevereiro.2010 01:10:34

Singing in the rain?

Não tem jeito, dependendo do bairro, choveu, acaba a luz, mesmo em ano de eleição.

Em janeiro, mais de mil árvores caíram na cidade, levando junto a fiação. Por que não as podam, não escoram as mais frágeis ou corroídas por cupins? Porque nem a queda de mil árvores é suficiente para comover um burocrata municipal.

Por que não enterram a fiação? O ex-vereador Nabil Bonduki passou quatro anos do mandato tentando entender e organizar a ocupação do solo. Enviou um projeto de lei propondo aterrarem os fios e criarem galerias subterrâneas, para garantir a livre circulação de pedestres. Não recebeu apoio.

Matou a charada: não interessa às concessionárias de exploração de serviço público a fiação subterrânea.

Simples. A prefeitura passou a alugar o espaço aéreo para a Eletropaulo instalar os postes, que por sua vez aluga os totens de concreto para as telefônicas, tevês a cabo, redes de transmissão de dados e de fibra ótica. Ninguém quer abrir mão do dinheirinho que corre à vista de todos.

A concessionária entrou com uma liminar, defendendo que o aluguel passou a ser cobrado depois da privatização. Portanto, ela teria o direito adquirido de não pagar. E não paga. Mas cobra dos outros.

Enfeia a cidade, interrompe os serviços temporariamente, porém dá lucro. É o símbolo do desprezo.

Quinta-feira, dia 4, eu tomava um café na esquina com um amigo, quando começou a chover às 17h. Sugeri de imediato subirmos para o meu apê, antes que acabasse a luz.

Dito e feito. Entramos em casa e, bum, explodiu algum transformador perto, caiu alguma árvore ou um meteorito, ou um gato se abrigou no lugar errado, e lá se foi a luz.

Cacei as velas pela casa. Separei alguns livros. Semanas antes, eu ficara cinco horas no escuro, sem velas. Desta vez, me preparara.

Não segui os conselhos do Kiko, com quem passei o blecaute de 2009, que tem um verdadeiro kit de sobrevivência em casa, lanternas de emergência, lampiões e violão acústico à mão. Mas comprei velas de reza, aquelas que duram sete dias.

Meu amigo se foi. A chuva, idem. Até apareceu um disparatado pôr-do-sol. E depois a lua. Eis que descubro que não se consegue ler com velas de reza. Nem em braile. A luz é muito fraca.
Encontrei tocos de velas de outros apagões. Entendi o mecanismo delas. Não é a grossura do rolo de cera que garante a luz de que um leitor precisa. É a do pavio. Ele é o rei do candelabro.

Sugestão: que se informe nas embalagens a duração de uma vela (além das de reza), pois as minhas duraram poucas horas, e, descobri, não se lê à luz da lua. Restou a chama infeliz de algumas velas de reza, que iluminam apenas os espíritos.


FOTOS JORDANA PAIVA

Passei a noite brincando com Hugo, o gato. Ao ponto de ele se entediar. Nunca ninguém brincara com ele por tanto tempo. Esses humanos são muito instáveis, deve ter pensado, ou me ignoram, ou me estressam.

Nem telefonei para a Eletropaulo. Imaginei a atendente fazendo as unhas e, lendo a Contigo, respondendo blasé: “Previsto para daqui a duas horas”. Elas sempre respondem isso. Talvez seja uma voz gravada quem nos atende.

Imaginei os funcionários da concessionária jogando truco, esperando a chuva passar, o trânsito melhorar, o jogo acabar, para irem a campo. Sentem-se pequenos deuses neste mundo de mandachuvas.

Não foi o primeiro gesto d’Ele dar a luz? Se vocês pensam que o cara da Net, da banda larga, da configuração do roteador, o técnico da geladeira, da bateria arriada são os tais, pois agora aprendam, cristãos: somos o messias que os salvarão do tédio e devolverão suas rotinas, tenham fé.

No escuro, me restou a varanda, a vista da cidade. Vejo toda a zona oeste. E parte da norte. Só a minha quadra estava sem luz. E como estamos dependentes dela…

Planejo comprar uma extensão longa e instalar pelo céu até uma casa próxima. Se acabar a minha luz, empresto a do vizinho, e vice-versa.

Então, meia-noite, escuto um caminhão circular o meu condomínio. Chegaram. Me deem a redenção, sou um pecador, quero a salvação!

Ele parou. Encontrou o problema. Eu via apenas luzes piscando. Ouvia suas vozes. Deviam estar dizendo: “Isso é moleza”. Mais barulho. E se foram. Sem nos darem a luz de que tanto precisamos. Voltem, voltem, não desistam, nós acreditamos! Em vão. Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha.

Minutos depois, outro caminhão. O mesmo procedimento. Isso, tenham fé. Mas, desta vez, esticando o pescoço, consegui ver. Não era aquele com quem Deus se comunica mesmo num blecaute. Eram os caras recolhendo as caçambas, com seus caminhões potentes e a eficiência de dar inveja a muito serviço público.

Então, refleti. Vamos dar para eles a tarefa de administrar a cidade: destemidos, pontuais, acostumados ao trabalho pesado. Serão eles os salvadores?

Sim, a luz voltou na manhã seguinte, às 10h15. Mais de 15 horas sem luz. Dessa vez se superaram. Restaram a poça de água na cozinha (degelo do congelador), mistura estragada e as malditas velas de reza ainda acesas. Heresia!

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12.fevereiro.2010 19:59:50

Bora lá…

Então tá, né?

Vou lá para esta praia, pegar uma brisa, passear de carro de boi, nadar num mar limpo, circular por estas ruas tranquilas. Descansar bastante, esquecer o estresse da vida moderna.

Quem sabe rola um bloquinho de Carnaval familiar. Bom Carnaval pra você também. Até a volta.

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11.fevereiro.2010 12:34:03

Photoshopados

Muita gente me pergunta do MÁRIO BORTOLOTTO.

O cara está bem. Milagrosamente, depois pelo que passou. Está igual, o mesmo humor refinado, os mesmos ideais, o mesmo coração aberto para os amigos, nos chamando pelos mesmos apelidos.

Bebe suco agora. Mais magro, evita baladas.

Faz fisioterapia diariamente. Ironia, o que mais o atrapalha é o braço esquerdo. Ele caiu sobre ele, quando levou os 3 tiros e quebrou o osso do ombro, que foi deslocado para uma cirurgia em que implantaram uma placa de titânio, o que dói demais.

Não consegue digitar com as duas mãos, o que é uma tortura para um escritor.

Mas está tocando a vida, com duas peças para estrear. De tipóia.

Evita aglomerações. E tem ido ao teatro, ao PLANETAS, à casa de amigos.

O problema é que, aonde vai, todos perguntam sobre os tiros. Ele tem que contar, e, pior, cumprimentam encostando exatamente no seu ombro operado, o que dói. Falei para ele ficar sempre com o lado esquerdo encostado numa parede. Evita as pessoas de o abraçarem.

Portanto, campanha: NÃO ENCOSTEM NO OMBRO ESQUERDO DO CARA!

E pesquisem no GOOGLE ou no seu blog sobre os tiros. Para que possamos ter o MARIÃO mais à vontade pela noite.
 http://atirenodramaturgo.zip.net/

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Vale a pena a peça PLAY, em cartaz terças e quartas em São Paulo [Teatro Nair Bello], de Rodrigo Nogueira, que também atua e é um ótimo ator. Com Daniela Galli, Maria Maya e Sérgio Marone.

Inspirada no filme “Sexo, Mentiras e Videoteipe” [Steven Soderbergh], tem uma dramaturgia sofisticada, que nos coloca e nos tira da peça, como IN ON IT, espetáculo imperdível de Kike Diaz [no Teatro Faap], com Emílio de Mello e Fernando Eiras [texto: Daniel Maclvor], como A NOITE MAIS FRIA DO ANO.

Interessante como a necessidade de nos distanciarmos daquilo que estamos contando se tornou uma linguagem, uma forma de provocar no espectador o sentimento de que tudo pode ser mentira, de que a verdade confunde, de que há coisas por trás do fato de estarmos ali, fazendo uma peça.

Brecht já tinha pensado nisso décadas antes. Com a intenção de comover e mobilizar ideologicamente o seu público.

Outros tempos. Fim das ideologias. A gente não quer doutrinar ninguém.

Talvez jogar com a linguagem, mostrar como a vida anda confusa, o limite entre falso e verdadeiro se foi faz tempo, e que somos todos atores neste mundo pós-moderno, ou talvez nem saibamos mais o que somos, que papel representar numa relação amorosa, num casamento, no trabalho.

Nos photoshopamos diariamente. Não sabemos mais o que queremos. Procuramos, apenas, não nos metermos em confusão.

Nogueira, que foi indicado ao prêmio Shell por esse texto, anunciou que o final de PLAY, que é pontuado por depoimentos sobre sexo de desconhecidos em vídeo, alguns verdadeiros, outros falsos, agora terá outro desfecho.

Por isso teatro fascina, é uma obra em construção permanente. Sem limites que engessam o resultado. Já mudei também o final de peças minhas, como MAIS-QUE-IMPERFEITO, que no Rio tinha um final, e em São Paulo, outro.

É o único gênero em que você testa sua comunicabilidade constantemente. Às vezes, somos mal sucedidos. Mas que a gente se diverte, ah, ninguém duvida.

Já que não podemos mudar o final das histórias que vivemos, de que nos arrependemos das decisões tomadas, mudamos num palco.

+++

E PORNÔ, espetáculo baseado no livro de IRVINE WELSH, estreou numa boate, o VEGAS [Rua Augusta, 765], também às terças e quartas. Direção de Gustavo Machado.

São os mesmos personagens de TRAINSPOTING, dez anos depois. Ainda viciados. Ainda bem enrolados. Frequentando o balcão de um pub. Que decidem entrar para o mundo do filme pornô.

Usam todos os cantos da boate, e o público fica em cadeiras no meio, cercado pelos personagens. Ótimos atores.

Coincidentemente, falei de WELSH no ESTADÃO de domingo.

SE VOCÊ GOSTOU DA ESCOLA, VAI ADORAR TRABALHAR é o seu novo livro, escocês mais conhecido pelo filme Trainspoting, de Danny Boyle, adaptação da sua obra, e pela sua continuação, Pornô, ambos pela Rocco, do que pelas narrativas curtas, gênero com o que começou- e em que não se embrenhava desde 1990.

Foram os ingleses quem melhor cunharam as distinções entre conto, novela e romance. Práticos, definiram “novel” como um gênero intermediário.

O parâmetro é o tamanho: maior que um conto, menor que um romance. Não é uma narrativa de um tiro, como um conto, nem um gênero que se aprofunda numa pequena tese, como um romance. Fica no meio termo, mas não necessariamente deve ser inferiorizado.

O Alienista, de Machado, assim como Memórias do Subsolo, de Dostoievski, são exemplos de como com poucas palavras, ou melhor, menos páginas do que um romance, é possível descrever com grandeza os limites da loucura e do autocontrole que se exige do novo homem.

Welsh juntou cinco novelas distintas numa mesma publicação, com tipos semelhantes (beberrões, excêntricos, cínicos, engraçados e amadores no amor) que contém uma recorrente incapacidade de adaptação a um ambiente em que não pretendiam estar, se tivessem organizado as suas vidas de outra maneira e não escorregado pelos atalhos que se apresentaram.

O cinema fez bem a Welsh. Suas narrativas ganharam um clima digno de um bom filme, com reviravoltas, surpresas e ação.

Como na primeira história, Cascavel, provavelmente escrita em homenagem ao precursor Hunter Thompson, que se matou há cinco anos.

Talvez inspirado em MEDO E DELÍRIO EM LAS VEGAS, dois amigos e uma garota se drogam, viajam alucinados num Dodge Durango por tempestades de areia pelo deserto do Arizona e se estrepam feio.

Na verdade, a droga, um elixir peruano, não batera em Eugene, quem dirige, ex-atleta que perdeu o rumo da carreira e deseja a passageira ao seu lado, Madeline, uma garota que conhecera e que deseja Scott, no banco de trás, o melhor amigo de Eugene.

Prestando mais atenção nas curvas da passageira do que na estrada, acaba capotando o carro. Os três, perdidos no meio do nada. “Estamos na América. Aqui você nunca está a mais de um quilômetro de alguém tentando vender alguma coisa”, ironiza o escritor escocês.

E não estavam. Foram flagrados por bandidos chicanos religiosos numa cena difícil de explicar: Eugene fora picado por uma cascavel no pênis, e o amigo obrigado a “sugar” o veneno. Algo que só para um amigo muito íntimo se pode pedir.

Miss Arizona também se passa no mesmo deserto. Desta vez, é um cineasta frustrado, que vive de publicidade e resolve ir atrás da viúva de seu grande ídolo, diretor que, por não ser comercial, optou pela indústria do filme pornô. E, evidente, o narrador se envolve com a enigmática e sedutora viúva, que tem melhores histórias para contar do que as do falecido.

SE VOCÊ GOSTOU DA ESCOLA, VAI ADORAR TRABALHAR é talvez a melhor história das cinco, apesar de seus personagens declaradamente machistas. Não sei dizer por que é a melhor história. O editor também achou, pelo visto.

Os capítulos têm nomes de mulheres. E elas aparecem para ser amadas e odiadas.

Depois de discutir com a ex-mulher sobre a educação da filha adolescente, debate narrado como se fosse uma luta de boxe, Mickey, dono de um bar nas Canárias, explode:

“Alguns de nós têm uma droga de vida para viver, muito obrigado! Como o velho Wiston [Churchill, deve ser] disse uma vez: ‘Embora preparado, prefiro que meu martírio seja adiado’.”

O papo de bar, ou melhor, de pub é a fonte inesgotável da narrativa:

“Cyhth é divertida, e essa é a qualidade que todo mundo aprecia numa mulher. É claro, algumas só agem assim até conseguirem o que chamam de compromisso, e estão viram umas éguas escrotas.”

Mickey descreve o tipo de mulher “boa de pegar”: “Há algo nas magricelas chegando aos quarenta. Se elas não despencaram até então, devem ter algum vício grande. A experiência me ensinou que esse vício é, incrivelmente, trepar.”

Calma. Não odeie Mickey. No fundo, é um apaixonado pelas mulheres. Nunca superou a separação. Tem carinho pelas conquistas. Dá conselhos, ajuda. E até leva a filha para morar com ele, Em, que abaixa a guarda do pai e lhe arranca algumas convicções.

“Odeio a escola”, ela diz. “Meu velho, seu avô, costumava dizer: ‘Se você gosta da escola, vai adorar trabalha e depois viver feliz para sempre’.” Feliz? Sim, se estiver acompanhado pelo velho e eficiente Jack & Daniels, afirma nas entrelinhas.

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09.fevereiro.2010 12:50:26

Apavora, mas não assusta

Falei uma besteira aqui dias atrás.

São Paulo está cheia de blocos de carnaval. Só na Vila Madalena, neste fim de semana, saíram 4. Um deles com o sugestivo nome NU INTERESSA.

Os ACADÊMICOS DO BAIXO AUGUSTA, fundado há 1 mês, arrastou milhares de pessoas pela Bela Cintra e Rua Augusta no domingo.


FOTOS: FRÂNCIO HOLLANDA E EDER CHIODETTO

O clima estava ótimo. Muitos conhecidos, muitos foliões casuais, gente da “comunidade” [adoro esta palavra, que sempre reaparece em carnavais].

E, como diz o refrão do samba, apavoramos, mas não assustamos.

A banda tocava clássicos: só marchinhas. Nada de axé! E eu, de porta-estandarte, portei o estandarte como um profissional, com a responsabilidade de dar o andamento do bloco: parar quando se adiantava, correr quando as pessoas se espremiam.

De olho no céu, na chuva que se anunciava, recebendo ordens da diretoria, do DSV, de aspones e alguns folgados.

A chuva não veio. E, como dizem todos que desfilam, passou tão rápido…

Claro. Me embebedaram rapidinho. Eu tinha de corresponder e agradar a folia e experimentar todas as latinhas e garrafas que me ofereciam. Como um ritual de batismo.

Não, os Avatares não apareceram. Não tinha uma árvore para eles dançarem em torno.

Mas ainda quero ver aquele bloco que só toca rock. Deveria sair na Pompéia, bairro de tradição, cuja “comunidade” ama o gênero. Nada contra as marchinhas, que nos remetem à infância e são cantadas há quase 1 século.

Detalhe. Perdi a chave do carro na Bela Cintra [desconfiei], o que só descobri horas depois.

Fiz o percurso contrário do bloco de olho nas sarjetas e no asfalto. E a encontrei solitária, amassada, ainda na concentração, no meio da rua. Passou um bloco por cima e muitos carros, mas ela ficou ali, me esperando. Provado: era um bloco light, não assustava ninguém.

+++

E diretamente da Salvador, onde paradoxalmente se encontra a maior comunidade contra o axé deste País, ROBÉRIO, baiano, baixista do CAMISA DE VÊNUS, que voltou e tocou na cidade, começa a campanha:

Tô dentro.

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07.fevereiro.2010 13:47:21

Pelo direito de não opinar

Segunda-feira. Ele acordou e, do nada, como se tivesse desistido, decidiu não ter mais opiniões. Sobre nada.

Já no café da manhã, não soube responder se o pão estava passado, e o queijo, coalhado. Comeu apenas uma fatia de mamão. E não decidiu entre adoçante ou açúcar. O café desceu amargo.

Ao trabalho. O taxista perguntou se ele preferia pela Marginal ou por dentro, pela Lapa. “Qual caminho o senhor sugere?”, perguntou, simulando um contato rotineiro. O helicóptero da rádio informara que a Marginal estava parada, avisou o motorista: “Vamos por dentro?”.

Ele não respondeu. Não sabia responder. Não achava nada. O taxista repetiu: “Pela Lapa?”. Nada. Nenhuma resposta.

O cara deu a partida, engatou a primeira, foi percorrendo devagar, esperando a decisão do passageiro, que não vinha, e ele mesmo, o taxista, decidiu pela Lapa, mas sempre alerta, esperando a ordem de desviar para a Marginal, que não veio.

No elevador do escritório. “Sobe ou desce?”, escutou. Nenhuma resposta. A ascensorista perguntou o andar. Nada. Ele entrou e ficou no canto, parado. “O andar?”, repetiu. Ele gaguejou apenas: “Não sei…” Ela, surpresa, esperou.

Até outro passageiro entrar e pedir: “Sobe”. E ele foi, subiu. E desceu. Pois não pararam no seu andar. Só quando coincidiu de alguém pedir o seu andar, ele pode sair do elevador.

Ao entrar no escritório, a secretária logo mandou um: “Bom-dia.” Ele olhou e: “É? Não sei. Pode ser. É, pode ser. Você acha?”

Nem sentou em sua mesa, o telefone tocou. Um instituto de pesquisa. Queriam saber em quem ele votaria.

“Não sei”, respondeu.
“Ah… O senhor não se decidiu entre o governo e a oposição?”
“Não sei.”
“Vai votar em branco?”
“Acho que não.”
“Nulo?”
“Claro que não! Nunca votei nulo!”
“Muito bem, então, o senhor é um indeciso, deixa eu marcar, in-de-ci-so.”
“Veja bem, não sou um indeciso, não sou nada, eu não acho nada.”
“Mas quem não acha nada é indeciso.”
“Não. Indeciso é um cara hesitante.”
“Hesitante?”
“É quem ainda tem dúvidas, não escolheu. Eu não vou escolher, nunca mais, porque não tenho mais opiniões, não acho nada.”
“Não? Por quê?”
“Porque não consigo.”
“Coitado…”

Foi almoçar. Mas pela escada. Evidentemente, não conseguiu escolher a promoção do quilo. O fato de não ter mais opiniões dificultava o de tomar decisões.

Ficou minutos diante do balcão. Até colocar todas na bandeja, da promoção 1 àquela mexicana apimentada. Como não sabia por qual começar, comeu só batatas fritas.

Na volta, a secretária panicou. O telefone não parara. A notícia vazou: descobriram que ele era um homem que não achava nada.

Deu a primeira entrevista. Para uma rádio: “Como se sente não tendo opiniões? O acha de não achar nada?”.

A secretária apontava para fotógrafos que escalavam o prédio em frente para flagrá-lo sem opiniões. O porteiro avisou que equipes de TVs. queriam subir.

Naquele dia, não se falou de outra coisa. E ele foi a chamada de muitos telejornais: “Daqui a instantes, um homem afirma não ter opinião sobre nada.”

Sua semana foi tumultuada. Revistas de famosos queriam fotografá-lo com o look de quem não tem opinião. Apareceram muitos convites para palestras em departamentos de marketing de grandes empresas. “Mas o que vou dizer, se não tenho nada a dizer, não acho nada?”. Era isso que queriam, apontar que havia falhas no sistema, havia um indivíduo que não era absorvido pela propaganda.

Entidades o criticavam. Um alienado. Foi acusado de mau exemplo à juventude e um estorvo na sociedade de consumo. Mas algumas ONGs ligadas ao movimento antiglobalização passaram a apoiá-lo.

Organizaram uma passeata diante do seu escritório. “Pelo direito de não achar nada”, gritavam, auxiliados por membros do movimento contra a intolerância sexual, anarquistas, punks, chavistas, movimento em defesa do Teatro Oficina, da Mata Atlântica e dois bebuns.

Diante de sua janela, ele apareceu. Aplaudiram. Pediram para se pronunciar. Pararam para escutar. Ele gritou:

“Melhor vocês apertarem o passo! Acho que vai chover!”

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05.fevereiro.2010 12:35:53

As garotas do colégio

Já falei diversas vezes aqui das garotas do Colégio Andrews, do Rio, onde estudei dos 6 aos 12 anos.

E me pergunto sempre o que havia de mágico nelas, além de ciceronearem com carinho um paulistinha recém-chegado, tímido, sotaque italianado, e ainda sem uma identidade carioca.

Um, não, dois. Edu também chegara de São Paulo. 1 ano antes.

Pois elas nos adotaram, já que éramos vítimas da ira bairrista dos veteranos. Mostraram a lanchonete, os rituais, a usar o uniforme, a se esconder na hora do hino.

Roberta [primeira da esquerda] e Isabel [primeira da direita] dividiam mesas conosco, trabalhos, ajudavam nas aulas de música e nos defendiam dos pequenos vândalos.

O que fascina nesse tempo de escola é que as garotas são tão ou mais fortes que os garotos. É um mundo temporário de igual para igual, com pequenas amazonas.

Submissão feminina? Espere a gordinha aparecer no recreio e dar bofetadas em todos.

Na infância, vivemos uma utopia em que os gêneros se unem. Há correlação de forças. Um grupo não domina o outro na porrada. Garotos e garotas são uma coisa só. E tem garota que joga mais bola que muito marmanjo.

Até o sexo aparecer e estragar todo o equilíbrio. Sei lá, aos 12, 13, 14 anos? Então, Isabéis e Robertas se fecham e se apaixonam pelo garoto mais velho, mais esportista, mais rico, e os babacas paulistinhas se deprimem.

Ou se trancam e passam dias olhando o poster do pequeno astro, escutando músicas de pequenos astros, escrevendo no diário “eu amo rick martin” centenas de vezes.

Sexo é uma merda.

Paradoxalmente, afastam as pessoas, isolam as garotas, aterrorizam os garotos. Elas se trancam nos quartos. Nós, nos banheiros.

Tudo passa a ter sub texto. Interesse entra no vocabulário. Nossas amigas agora andam com os caras mais fortes, ameaçadores. Nem dá pra chegar perto.

Jogo, charme, vaidade, ego, insegurança, complexos surgem no universo das antes puras criaturas que só queriam dividir uma mesa com a garota bacana, fumar um cigarro escondido no recreio, fugir e rir da gordinha irada.

Então me mudei pra Santos e nem te conto.

Ah, as santistas… Já te falaram delas?


NÃO SOU O DA FLECHA

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02.fevereiro.2010 23:23:39

Meus caros generais

Eu ia dizer “caros milicos”. Não sei se é um termo ofensivo. Estigmatizado é. Preciso enumerar as razões?


CABELO PARA TRÁS, SOLDADO!

Parte da sociedade civil quer rever a Lei da Anistia. Sugeriram a Comissão da Verdade, no desastroso Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula assinou sem ler. Vocês ameaçaram abandonar o governo, caso fosse aprovado.

Na Argentina, Espanha, Portugal, Chile, a anistia a militares envolvidos em crimes contra a humanidade foi revista. Há interesse para uma democracia em purificar o passado.

Aqui, teimam em não abrir mão do perdão. E têm aliados fortes, como o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que apesar de civil apareceu num patético uniforme de combate na volta do Haiti. Parecia um clown.

Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura. Devem ter navegado na contracultura, dançado Raul Seixas, tropicalistas. Usaram cabelos compridos, jeans desbotados? Namoraram ouvindo bossa nova? Assistiram aos filmes do cinema novo?

Sabemos que quem mais sofreu repressão depois do Golpe de 64 foram justamente os militares. Muitos foram presos e cassados. Havia até uma organização guerrilheira, a VPR, composta só por militares contra o regime.

Por que abrigar torturadores? Por que não colocá-los num banco de réus, um Tribunal de Nuremberg? Por que não limpar a fama da corporação?
Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti.

Sei que nossa relação, que começou quando eu tinha cinco anos, foi contaminada por abusos e absurdos. Culpa da polarização ideológica da época.

Seus antecessores cassaram o meu pai, deputado federal de 34 anos, no Golpe de 64, logo no primeiro Ato Institucional. Pois ele era relator de uma CPI que investigava o dinheiro da CIA para a preparação do golpe, interrogou militares, mostrou cheques depositados em contas para financiar a campanha anticomunista. Sabiam que meu pai nem era comunista?

Ele tentou fugir de Brasília, quando cercaram a cidade. Entrou num teco-teco, decolou, mas ameaçaram derrubar o avião. Ele pousou, saltou do avião ainda em movimento e correu pelo cerrado, sob balas.

Pulou o muro da embaixada da Iugoslávia e lá ficou, meses, até receber o salvo-conduto e se exilar. Passei meu aniversário de cinco anos nessa embaixada. Festão. Achávamos que a ditadura não ia durar. Que ironia…


MEU PAI CERCADO POR 3 FILHAS E PELA MÃE, AVÓ CECY, NA EMBAIXADA


NA EMBAIXADA. FESTÃO DE 5 ANOS. COM OS FILHOS DE OUTROS EXILADOS, PREPARADO PARA COMBATER A DITADURA [AO MEU LADO, GLAUCIA, FILHA DE ALMINO AFONSO]

Da Europa, meu pai enviou uma emocionante carta aos filhos, explicando o que tinha acontecido. Chamava alguns de vocês de “gorilas”. Ri muito quando a recebi.

Ainda era 1964, a família imaginava que fosse preciso partir para o exílio e se juntar na França, quando ele entrou clandestinamente no Brasil.

Num voo para o Uruguai, que fazia escala no Rio, pediu para comprar cigarros e cruzou portas, até cair na rua, pegar um táxi e aparecer de surpresa em casa. Naquela época, o controle de passageiros era amador.
Mas veio a luta armada, os primeiros sequestros, e atuavam justamente os filhos dos amigos e seus eleitores- ele foi eleito deputado em 1962 pelos estudantes.

A barra pesou com o AI-5, a repressão caiu matando, e muitos vinham pedir abrigo, grana para fugir. Ele conhecia rotas de fuga. Tinha um aviãozinho. Fernando Gasparian, o melhor amigo dele, sabia que ambos estavam sendo seguidos e fugiu para a Inglaterra. Alertou o meu pai, que continuou no País.


EU E EDU GASPARIAN, QUE FOI PRO EXÍLIO E DEIXOU TODAS AS GAROTAS DO COLÉGIO ANDREWS – RJ PRA MIM. QUE NÃO ME DAVAM A MENOR BOLA. DEVE SER A GOLA. OU A FRANJA

Em 20 de janeiro de 1971, feriado, deu praia. Alguns de vocês invadiram a nossa casa de manhã, apontaram metralhadoras. Depois, se acalmaram.

Ficamos com eles 24 horas. Até jogamos baralho. Não pareciam assustadores. Não tive medo. Eram tensos, mas brasileiros normais.
Levaram o meu pai, minha mãe e minha irmã Eliana, de 14 anos. Ele foi torturado e morto na dependência de vocês. A minha mãe ficou presa por 13 dias, e minha irmã, um dia.

Sumiram com o corpo dele, inventaram uma farsa [a de que ele tinha fugido] e não se falou mais no assunto.

Quando, aos 17 anos, fui me alistar na sede do Segundo Exército, vivi a humilhação de todos os moleques: nos obrigaram a ficar nus e a correr pelo campo. Era inverno.

Na ficha, eu deveria preencher se o pai era vivo ou morto. Na época, varão de família era dispensado. Não havia espaço para “desaparecido”. Deixei em branco.

Levei uma dura do oficial. Não resisti: “Vocês devem saber melhor do que eu se está vivo.” Silêncio na sala. Foram consultar um superior. Voltaram sem graça, carimbaram a minha ficha, “dispensado”, e saí de lá com a alma lavada.

Então, só em 1996, depois de um decreto lei do Fernando Henrique, amigo de pôquer do meu pai, o Governo Brasileiro assumiu a responsabilidade sobre os desaparecidos e nos entregou um atestado de óbito.

Até hoje não sabemos o que aconteceu, onde o enterraram e por quê? Meu pai era contra a luta armada. Sabemos que antes de começarem a sessão de tortura, o Brigadeiro Burnier lhe disse: “Enfim, deputadozinho, vamos tirar nossas diferenças.”

Isso tudo já faz quase 40 anos. A Lei da Anistia, aprovada ainda durante a ditadura, com um Congresso engessado pelo Pacote de Abril, senadores biônicos, não eleitos pelo povo, garante o perdão aos colegas de vocês que participaram da tortura.

Qual o sentido de ter torturadores entre seus pares? Livrem-se deles. Coragem.

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01.fevereiro.2010 12:16:53

Rever?

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deu um parecer contrário à revisão da Lei da Anistia [de 1979], e o encaminhou ao Supremo, que analisa ação da OAB que contesta o seu primeiro artigo- que considera como conexos e igualmente perdoados os crimes “de qualquer natureza”.

Ele defende a abertura e o livre acesso dos arquivos da ditadura. Mas avalia que a lei foi votada depois de um debate nacional promovido por setores da sociedade civil. A revisão seria “romper com o compromisso feito naquele contexto”.

“A sociedade civil brasileira, para além de uma singela participação neste processo, articulou-se e marcou na história do País uma luta pela democracia e pela transição pacífica e harmônica, capaz de evitar maiores conflitos”, escreveu Gurgel.

“Com perfeita consciência do contexto histórico e de suas implicações, com espírito conciliatório e agindo em defesa aberta da anistia ampla, geral e irrestrita, é que a Ordem saiu às ruas, mobilizou forças políticas e sociais e pressionou o Congresso Nacional a aprovar a lei da anistia”, afirmou.

Ou o procurador-geral desconhece a história ou, que pena, agiu influenciado por princípios ideológicos. Acontece.

A Lei da Anistia foi aprovada durante a ditadura. Não houve um debate democrático.

Primeiro, porque parte considerável da liderança política estava no exílio [e voltou justamente depois da anistia].

O Congresso vivia estrangulado por um sistema bipartidário criado pela ditadura. Nas campanhas, ARENA versus MDB, mostravam-se apenas os rostos dos candidatos, não suas ideias, planos.

Senadores biônicos compunham parte da bancada. Partidos tradicionais foram cassados. Parte da imprensa ainda vivia sob a pressão e o trauma da censura. Os sindicatos não eram livres. As organizações estudantis, como a UNE, estavam sendo refundadas naquele ano.

Não se debatiam tais ideias, pois a Tropa de Choque caía matando nas ruas e praças, dispersando passeatas com bombas e cassetetes, e nas universidades, como na invasão da PUC.

Não, procurador, a lei não é democrática.

Os ministros da STF terão que decidir se cabe punição para quem praticou tortura durante o regime militar, e se a mesma seria um crime imprescritível.

O jornalista e deputado estadual, João Melão Neto [que foi ministro do Collor e secretário do Maluf], também se declara contra a revisão, no artigo A REVANCHE, publicado na página A2 do ESTADÃO de sábado.

Ele relembra a sua participação no movimento estudantil do final dos anos 70, que defendia a Anistia, e afirma que “não existia nenhuma corrente de pensamento, ao menos nos meios acadêmicos, que tivesse como bandeira a redemocratização”.

“Todos sabiam que o grupo x respondia ao MR-8, que o grupo y tinha laços com o PC do B”.

Mais ou menos. Sim, o grupo Caminhando tinha laços com o PC do B. O MR-8 não tinha laços com ninguém.

Os maiores grupos [e dominantes], Refazendo e Libelu, não tinham laços com as organizações que participaram da luta armada.

Ao contrário, eram contra a “geração meia oito”, como chamavam, propunham um debate democrático e saíam às ruas carregando as faixas PELAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS e ANISTIA AMPLA, GERAL E IRRESTRITA.

Na verdade, como em qualquer movimento democrático, tinha de tudo, anarquistas, trostskistas, comunistas, socialistas, direitistas, até pousadistas, corrente que defendia que deveríamos nos preparar para o contato com ETs.

Era um movimento dividido, múlti ideológico, mas que se unia fortemente sob a única bandeira: exatamente a da redemocratização. E as decisões eram tomadas em assembleias, congressos e pelo voto.

Alguns sugeriam que gritássemos ABAIXO A DITADURA. Os mais moderados preferiam PELAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS, para não assustar setores que se engajavam aos poucos.

No final das contas, depois de anos de luta, virou ABAIXO A DITADURA.

Tais grupos, chamados de “tendências”, surgiram no vácuo político, renegavam a opção armada e alguns até faziam campanha para candidatos do antigo MDB. Líderes estudantis, como Geraldo Siqueira e Marcelo Barbieri, foram eleitos pelo MDB.

A inspiração não era Lenin, apesar da repressão afirmar que sim, mas os tropicalistas, Gandhi, flower power, Woodstock e, sim, a democracia acima de tudo.

Mais informações: http://reconstrucaodaune.blogspot.com/

Mellão concluiu: “Deixemos que os mortos, de ambos os lados, descansem em paz”.

Se conseguíssemos…

Mas como? Que mortos? Onde eles estão? Eles até podem descansar, nas valas anônimas, esquartejados, mas a consciência descansa?

A História é revista todos os dias. A História não descansa.

A História tem insônia.


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31.janeiro.2010 14:46:02

Porta o quê?

Carnaval nunca foi o forte de São Paulo. Era focado em bailes nos clubes, e naquele desfile que imita o do Rio.

Porque paulistano viaja no Carnaval, tem grana, carro, estradas e bons médicos de rim.

Sumiram os blocos de São Paulo? Cadê o REDONDO, do velho PLINIO MARCOS?

Os amigos boêmios resolveram fundar um bloco de Carnaval, os ACADÊMICOS DO BAIXO AUGUSTA. Sob o comando de LU-BARBEIRO-CALCOLARI, ALE YOUSSEF, BETO LAGO, FRÂNCIO HOLLANDA e mais alguns maus elementos.

Olha o samba aí [do PLINIO PROFETA]:
 https://www.yousendit.com/transfer.php?a…

Sai no domingo dia 07/02, na Bela Cintra, e desce até a Augusta, que se acende como o melhor da noite paulistanas [please, não espalhe].

Sai no domingo anterior, porque somos playboys e viajamos na festa. Garanto que a maioria do bloco estará em Trancoso ou Olinda durante o Carnaval.

Então, numa reunião, ZECARRATU, amigo há 25 anos, sugeriu que eu fosse o porta-estandarte.

Imaginaram que eu jamais aceitaria. ZE me conhece. Já enlouquecemos por aí nos anos 80, 90. Me ligou, e topei na hora, para a surpresa dos organizadores. Lógico.

Quando o ZE me contou que ninguém acreditava, rimos juntos.

Só não sei o que faz um porta-estandarte. Porta um estandarte e o que mais?

Ontem, passei o dia com MARCÃO, um serralheiro, preparando um suporte para o estandarte de mais de 2 metros, que será instalado na minha cadeira de rodas. E hoje tem ensaio no STUDIO SP.

Me sentirei a LUMA DE OLIVEIRA da Pompéia? Escalo a fama. Será que rola um ensaio pra TRIP, e o próximo BBB me convida?

Preciso agora correr atrás de um empresário, um coach, um coreógrafo e um personal styler.

Uma nova perspectiva profissional se abre pra mim. É bom, escrever dá trabalho…

+++

Duvida que eu seja playba?

Meu programa de ontem, sábado à noite, foi jantar no FASANO. Meu brotherzinho MARCELO SERRADO estava hospedado lá. Coisa de galã.

Ganhamos a companhia da ALESSANDRA NEGRINI, de volta a São Paulo, para falarmos de projetos [nosso filme NO RETROVISOR], peças inéditas.

Estava lá o amigo MANOEL BEATO, sommelier da casa, novo homem da mídia [tem um excelente programa na RÁDIO ELDORADO]. Que nos embebedou com os mais incríveis vinhos e não cobrou.

A banda METALLICA estava hospedada lá. Fãs se espalhavam pelos corredores e calçada.

SERRADO foi para o piano do bar e começou a tocar TOM JOBIM. O restaurante parou. Garçons, seguranças, até algumas groopies heavy metal se instalaram ao redor e cantaram bossa nova.

Integrantes da banda vieram se juntar. Ouviam surpresos aquela maravilha. METALLICA who?! Viva TOM JOBIM! Eterno, universal…

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Estes caras são da banda INSTITUTO, que tocam de tudo [ontem foi funk no STUDIO SP].

Esses caras aí tocaram PINK FLOYD agora no meio do mês no SESC POMPÉIA.

Fotos minhas do gargarejo. Não reclame. São artísticas.

Foi o show imperdível, para começar o ano! Lotado.

Sem arranjos modernos ou abrasileirados. Usaram até os timbres originais. E praticamente só o lado b da banda que entrou na minha adolescência [e na de muitos da minha geração] como uma droga pesada!

Entraram no palco, disseram “nós somos o Instituto, mas queríamos ser o Pink Floyd”. E, lógico, atacaram de SUMMER 68 [que, ninguém se lembra, é o tema original da abertura do Jornal Nacional; o de hoje é estilizado].

E mostrou de onde saiu RADIOHEAD, COLDPLAY, MUSE, BLUR, para aonde caminhou o rock, a origem, junto com os Beatles, de tudo que se escuta hoje em dia.

Eles precisam repetir a dose. Me ajude a convencê-los.

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