Hoje saiu no CADERNO 2 a crítica da peça A NOITE MAIS FRIA DO ANO, escrita por Jefferson Del Rios. Assino em baixo.
Ótima matéria. Ele procura interpretar os motivos que me levaram a escrever a peça. Não cai no adjetivismo. Nem se pergunta se sou ou não do ramo. Acertou em cheio.
Bacana que ele conhece a maior parte da minha obra teatral. Viu a minha primeira peça, 525 LINHAS, de 1989, no AEROANTA [lembram-se dele?]. Viu outras. Assim, consegue analisar a obra dentro de um contexto. Valeu…
A Noite Mais Fria do ano reconta o amor em tempos de internet
Obra de Marcelo Rubens Paiva questiona se liberdade atual traz o vazio às relações
Crítica Jefferson Del Rios
A Noite Mais Fria do Ano, uma história de casais, amores e desamores, contém parte do realismo peculiar de Marcelo Rubens Paiva. Nos seus livros e crônicas ele parece avançar em linha reta decidido a não desviar da pedrada, da flechada cruel que vem em sentido contrário. Porque ele sabe que é difícil – ou impossível – se viver com a mente quieta. Isso desde o começo quando expôs sua história em Feliz Ano Velho (vamos partir da ideia de que o livro, peça e filme não precisam ser explicados). Como é uma pessoa que decidiu viver contra a derrota e contra a amargura, armou-se de um humor autoirônico, manso-feroz, e vai em frente. Escritor na chapa quente, na cinza das horas, da graça possível e do olhar contínuo sobre o amor na contramão. É o que ele oferece nesta peça em que o caos nas relações humanas é quase regra, embora, como sempre, paire no ar a esperança de algo melhor. Desanimador? Não. É aí que mora a força da sua dramaturgia. Poesia, sim, crenças vãs, não.
Em cena, estão homens disputando a mesma mulher; ou, no avesso, uma mulher tentando se achar entre dois homens. Essa conversa, quando se descuida, escorrega no “esse papo já tá qualquer coisa”. Só que Marcelo não é de andar em círculos e seu humor agridoce mantém o enredo sob pressão. Tudo o que já se viu numa relação a dois parece estar sendo contado de um jeito meio ao contrário. E está. Deixa a impressão de historia psicológica que tem nas dobras alguma observação social. E tem.
Na primeira sequência, o diálogo ocorre entre publicitários, ou jornalistas, em acerto de contas quanto ao trabalho. De repente, a coisa é outra, um assunto sexual que se desenrola com um toque de grotesco (hora em que a mão do autor pesa em gosto duvidoso).
A conhecida árvore nua de Esperando Godot – a única testemunha do nada na peça de Beckett – aqui se transmuda, prosaica e divertidamente em uma barraca de coco. O vendedor parece meio ausente (mas só meio, e isso faz diferença). Da conversa sobre a profissão, os rivais passam para a batalha do ciúme, traição ou, quem sabe, uma simulação. Aliás, a falsa aparência, o autoengano e o erro de cálculo são possíveis em A Noite Mais Fria do Ano, que trata de um tempo em que o amor pode ser real ou virtual. A paixão continua idealizadamente a mesma, mas o próprio dramaturgo avisa que os afetos estão cada vez mais flexíveis, alimentando a insegurança. É disso que Marcelo Rubens Paiva entende e coloca no seu teatro em forma de pergunta: “Se hoje vivemos em redes virtuais, que aproximam e afastam as pessoas, somos capazes de manter laços fortes?”
O espetáculo é o retrato dessa fugacidade, ou um lamento. Afinal, se tudo parece hoje mais justo no amor sem as condicionantes sociais e familiares de antes, por outro lado o não compromisso e a facilidade das trocas insinuam algo meio androide, um sadomasoquismo light. Marcelo não teoriza, mas suas frases são carregadas de significados paralelos à ficção.
A Noite Mais Fria do Ano é uma tentativa de teatro dentro do teatro. Ou seja, na segunda parte é revelado que tudo o que aconteceu é o ensaio de uma peça. O que não impede o óbvio de os artistas também serem passíveis das mesmas desditas e erros do personagem. O jogo poderia ser mais interessante, mas se dilui um pouco, porque o elenco se esquece que ali todos continuam artistas mesmo quando em atitudes de atores fora dos papeis. O foco narrativo perde a força, recuperada, felizmente, a seguir. Todos os intérpretes estão inteiros em diálogos pontiagudos em alta velocidade, numa economia de gestos de histórias em quadrinhos. É um bom momento de Hugo Possolo, Alex Gruli, Mário Bortolotto e Paula Cohen. Como diretor estreante (com o apoio da atriz Fernanda D?Umbra), Marcelo começa bem.
E quando a luz se apaga, uma evidência se acende. Se antes (foi ontem) os compromissos conjugais poderiam criar o tédio, a imensa liberdade atual aparentemente traz o vazio. A temperatura da vida abaixa. Em algum lugar alguém estará cantando Lobão (“Chove lá fora/ e aqui tá tanto frio/Me dá vontade de saber/Aonde está você?”).
Marcelo Rubens Paiva é outro poeta dessa velha vida nova.
Li essa matéria tbm, muito boa, ainda mais pela credibilidade dos jornalistas (sua e de quem escreveu a matéria).
Parabéns, sua peça é muito boa mesmo.
A segunda parte é deprimente, mas realista kkkk
Traga para o sul, tchê!!
abs
ai ó.. dá até raiva…
o que adianta ler essa critica, ou ler algumas cenas que vc coloca aqui??!!
eu tenho q ter minhas proprias conclusoes sobre a peça!!
e a culpa de isso nao acontecer é do horario que ela comeca poxa..
vai marcelo, muda o horario pra depois das 22hs que eu tenho certeza q o publico vai até aumentar…
pelo menos todos os funcionarios da saraiva e do shopping paulista vao…
rs
pleaseeeeeeee
quem sabe um dia a gente volta e faz à meia-noite, só para os livreiros
Prezado Paiva,
NÃO VÍ E NÃO GOSTEI.
rsrsrsrs, vc é uma figura…
Opa, que essa eu ja li essa 3 vzs hj! Uma no jornal, outra no blog do Bortolotto + cedo e agora…
Essa ai é fácil de “assinar em baixo”. O cara não faz só uma critica a uma peça. Faz uma critica a uma peça escrita por alguém que ele admira! E isso dá o tom…
Muito carinhoso ele….rs
Essa coisa de relações e internet é engraçado:
Lá com uns 15 anos era vicio né….kkk…entrar em chats pra “tc”…num monte de gente vazia, um outro vai pra frente…
Conheci meu bonito na net e lá se vão 8 anos (credo, to ficando velha…kkk)…
Neste blog conheci uma mocinha que depois de exatos 15 dias, foi embora sem avisar e me deixou podre de triste…será que se não tivesse ido iamos ficar amigas, velhinhas, caqueticas, concurdas e ainda fofocando sobre vc???kkkk
Pra compensar, me consolo com uma outra mina qq ai, que tem nariz de batata, a cara do pé de pano, e os “zóio” de criança! Essa ai quando ficar velhinha vai ser uó…hj ja é chatapracaralho!!!kkk
Fora as paixões arrasadoras que não aconteceram ao 1º olhar…+ a primeira piada postada no blog do Marcelo (essa é pro Paulinhô)…
O ruim é pagar mico falando abobrinhas que não falaria pessoalmente, crente que esta “protegido” pelo monitor de 17… que dois meses depois vc lê e pensa MEUDEUSONDEEUTAVACOMACABEÇA…NAOTINHACABEÇANÉ…kkk…uff uff
Tá tá, ja falei d+….ta vendo só!
Gostei do post…valeu pelas lembranças e risadas…
Bjos bjos
Estou aqui para reclamar da falta da comunidade do livro “As Fêmeas” no orkut, um dos que mais gostei, todos são bons, mas As Fêmeas não tinha comunidade, então tomei a liberdade e abri a comunidade, mas não acho uma imagem bem legal para colocar na capa da comunidade, vc por acaso tem alguma aí?!
Vai gente q admira o Marcelo, participem!
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=92092939
beijos
imagem de uma fêmea é o que não falta na iconografia mundial. mas se vc preferir, entre no site da editora objetiva e faça um copy paste da capa
Tá bom, vai, eu me rendo e digo o que eu MAIS gostei na sua peça:
* METALINGUAGEM (acho que funciona muito bem e é uma coisa que eu gosto)
* TRILHA SONORA (é uma coisa que eu tinha gostado também na sua outra peço No retrovisor)
* PAULA COHEN (ela é boa pra CARALHO!)
* HUMORZINHO IRÔNICO (que é uma coisa meio sua e não tem nos seus personagens dos livros, mas sim nas peças).
* FINAL (aquele soco no estômago que fica depois de tudo)
beijos
valeu, didi. tb adoro a trilha
Prezado Paiva,
NÃO VÍ. E GOSTEI !!…
critica de amigo não vale…
todos falavam que eu escrevia bem pacas, mas fora eles, ninguem mais gostava…
opa,
combinado então rapaz!
manda um e-mail aqui pro gianelli.87@hotmail.com ..dai a gente combina os esquemas aqui em Floripa!
até mais!
sobre o post..
arde os olhos ficar lendo em tela de computador…
hahahaha
agora vi que comentei no post errado!
universitário em férias vira um ser acéfalo mesmo!
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