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Marcelo Rubens Paiva

29.fevereiro.2012 13:40:26

arrogância

 

Alguém me perguntou o que leva os lexicólogos a negarem sugestões do MP.

Arrogância.

Onipotência.

Como donos da língua que nós, o povo, criamos.

Como gramáticos fundamentalistas, que querem ensinar a quem inventa e reinventa a língua o que é certo e errado.

A língua é viva, está sempre em mutação, recebe influências, adora novidades, modismos e estrangeirismos.

A língua é uma eterna adolescente, mochileira, inquieta e boêmia.

Não queira tirar dela as palavras deletar, acessar, tuitar, blogar.

Não venha dizer que existem equivalentes nos poetas além-mar.

Agora, chamar “louraça” de prostituta como faz o HOUAISS?

Aí entram valores morais conservadores na definição que deveria ser isenta.

Louraça é a gostosona da praia, do bar, do comercial de cerveja.

Quem disse que por ser exibida é vadia?

Que as louraças se unam e peçam indenizações.

Olha outras do HOUAISS trazidas pelo colega TUTTY VASQUES:

Judeu – “Pessoa usurária, avarenta”;

Paulista – “Que ou o que é teimoso, birrento, turrão; muito desconfiado”;

Paraíba – “Mulher de aspecto e comportamento masculinos; lésbica; operário não qualificado da construção civil; qualquer nordestino”;

Baiano – “Indivíduo originário ou habitante de qualquer dos estados brasileiros, excetuando-se a região Sul; nortista”;

Crioléu – “Reunião, ou baile popular, frequentada predominantemente por crioulos”;

Louraça – “Mulher que comercializa o próprio corpo, mulher de vida fácil; prostituta”;

Mulato – “Sonso”

Turco – “Ambulante que vende a prestações”;

Polaca – “Mulher da vida, meretriz”;

comentários (6) | comente

6 Comentários Comente também
  • 29/02/2012 - 14:08
    Enviado por: Ailton

    Olá Marcelo.

    Me abomina a criação de ofensas que fazem referência à origens étnicas ou geográficas, mas não ignoro que os usuários da lingua efetivamente fazem isso. Eu já ouvi a referência pejorativa a trabalhadores da construção civil como “paraíba”, e a referência genérica à população do nordeste brasileiro como “baiano”. Se existe, de fato, a utilização da palavra para um significado específico, não é função do dicionário registrá-la? Eu acho, humildemente, que a crítica deve partir do usuário do idioma, e o dicionário é apenas uma lista de palavras com os significados que as pessoas lhe emprestam.

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  • 29/02/2012 - 15:52
    Enviado por: Perla

    Esse pessoal tem que estudar linguística, em um país como o nosso é fundamental, ou então ler “Preconceitos Linguísticos” só para deixar a babaquice de lado.

    O pior é que tem gente que acha graça

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  • 29/02/2012 - 17:02
    Enviado por: Marcio

    Por essas e outras que prefiro o bom e velho Aurélio, pai dos burros.

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  • 29/02/2012 - 17:16
    Enviado por: Rogério

    “Aí entram valores morais conservadores na definição que deveria ser isenta.”

    Não dá, a lingua é cheia de segundas intenções e cabe ao bom dicionário mostrar todos os significados.

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  • 29/02/2012 - 17:20
    Enviado por: Rogério

    Baiano – “Indivíduo originário ou habitante de qualquer dos estados brasileiros, excetuando-se a região Sul; nortista”;

    É assim que os paulistas falam, vamos esconder para debaixo do tapete esse preconceito vergonhoso?
    Melhor mostrar e resolver como querem os psicanalistas.

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  • 02/03/2012 - 11:07
    Enviado por: Hermes

    Caro Marcelo,

    Há uma verdadeira confusão em seu texto e na forma como vem interpretando os fatos referentes ao conteúdo do dicionário. Este possui, como uma das funções, reproduzir e divulgar as expressões idiomáticas na forma como são utilizadas pelos falantes, independentemente de critérios de julgamento dos termos.
    Ainda que se insista na tecla do preconceito, deve-se pensar justamente ao contrário: uma vez que o termo é usado (pejorativamente ou não, isso não é julgamento do dicionário) ele deve estar lá, em todas as suas conotações, para que o leitor tenha ciência dos usos, até mesmo aqueles que possam implicar em atitudes ofensivas. Se a intenção dos censuradores do Houaiss é essa (não despertar ou divulgar preconceitos), o tiro pode estar saindo da culatra.
    Lembro-me do discurso de Spielberg, ao vencer o Oscar por “A Lista de Schindler”:

    -”Os livros de História não podem omitir o Holocausto”.

    É discutindo sobre um determinado assunto que a consciência sobre ele aparece, e não varrendo tudo para debaixo do tapete.

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