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Marcelo Rubens Paiva

31.maio.2012 15:03:43

Capitão Russo

 

 

Arte do site www.overdrivers.com.br (blog de rock e comportamento)

Não entendi o auê por causa do show da LEGIÃO com Wagner Moura.

Todos mandaram muito bem, fizeram o que sabem fazer..

A trollagem no Twitter foi recorde. Esperavam o quê?

Que gente chata…

Quem ligou a TV ou foi ao Espaço das Américas queria esta união inusitada, não ver Renato holográfico ou cópia projetada.

Se quisessem fidelidade absoluta, que chamassem o ator Bruce Gomlevsky, que fez o espetáculo RENATO RUSSO, dirigido pelo meu amigo Mauro Mendonça Filho, e imitava a voz e os trejeitos do seu personagem com perfeição.

Falam que até eu critiquei. Critiquei nada.

Os caras são meus amigos há 30 anos.

Brinquei que queria ver se cantavam Eduardo & Mônica e Faroeste Caboclo sem cola. E que a plateia estava tão animada, e o coro tão forte, que nem precisava de vocal.

Era um tributo, ora, não a banda original.

RENATO MORREU. E quem viu, lembra, ele também desafinava.

Bonfá podia errar algumas passagens, Dado podia não ser perfeito, e o grande barato da banda eram as músicas.

Virtuosismo víamos nos shows dos PARALAMAS, IRA!

Da LEGIÃO queríamos a catarse e orgia poética, a ingenuidade das letras, o otimismo, a comunhão, em torno de um dos caras mais carismáticos e diferentes que já conheci.

Que idolatria doentia é esta que nem uma homenagem se pode fazer?

No mais, poucos sabem, mas MOURA canta bem, tem banda (SUA MÃE), faz shows, as músicas são ótimas; inspiradas no brega.

E há anos que a dupla Dado e Bonfá quase não se juntava, proibidos pela família de Renato desde quando ele morreu, para tocar LEGIÃO.

Alguns falam de oportunismo. O quê, grana?

Acham que a MTV está nadando em dinheiro, para pagar um cachê astronômico?

Bilheteria? Em 2 shows na Barra Funda?

As viúvas do Renato podem reclamar, mas que foi bacana a homenagem, foi.

E sem pieguice [ou com, porque ele gostava de ser piegas], Renato Manfredini Júnior, vaidoso que era, deve ter adorado.

Assim como achei demais LOBÃO tocar no BARETTO, bar do FASANO, para clientes do Mastercard Black. A maior ironia é que pagaram [e deve ter sido 1 bom cachê].

E zoei com ele pelo Twitter: “Tem que tocar Vida Bandida!”

Vida! Vida, vida, vida vida bandida

É preciso viver malandro

Não dá pra se segurar, não

A cana tá brava, e a vida tá dura

Mas um tiro só não vai me derrubar não

É preciso viver malandro

Não dá pra se segurar, não

Ou a elite mudou. Ou os roqueiros envelheceram e usam Mastercard Black.

É, a vida tá dura até para o pessoal do Fasano, o dólar subiu, consequentemente o champanhe e caviar idem, os importados não têm IPI reduzido, e acabou a farra dos juros.

E meu vizinho Lobão tem mais é que faturar e se dar bem.

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30.maio.2012 18:09:05

vem aí

A peça é de 2000, foi 1 sucesso.

Ganhei até o Prêmio Shell de melhor texto com ela.

O que deixou mamãe bem orgulhosa, apesar de reclamar que a peça tinha muitos palavrões, e o protagonista usava Havaianas.

Aliás, uma rotina: ela sempre reclamava dos palavrões da minha obra.

E dos figurinos das minhas peças.

Dizia que meus atores eram mal vestidos.

E que quem vai ao teatro quer ver coisa bonita, caprichada.

Minha mãe é uma pessoa fina, sofisticada, fala línguas, estudou em escola francesa.

Advogada, tradutora, especialista em Dostoievski e nos Iluministas.

Uma lenda viva.

Tadinha, só a envergonhei com minhas peças cabeludas e provocativas.

E meus elencos com roupas do dia a dia.

Sem contar os personagens degenerados, drogados, sexistas, tarados, vagabas…

Eu dizia que era teatro naturalista, que o figurino ajudava a compor o personagem.

Ela dizia que mesmo assim 1 ator jamais deveria atravessar um palco com sandálias em que aparecessem as unhas.

O filme está prontinho.

Roteiro meu e do Lusa Silvestre.

Acho que nossos nomes aparecem no cartaz lá no cantinho.

Em destaque, só os das gostosas e galãs.

Talvez com um zoom consiga vê-los.

Mas, e daí?

Eles que são do front de batalha.

Nós apenas escrevemos a declaração de guerra.

Ator é a alma do teatro, comédia e drama.

E do cinema também, acho.

Aguarde…

Mas já vou avisando, é produção carioca, deve estar assim de neguinho descalço, de sandália, de unha aparecendo.

 

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29.maio.2012 00:05:17

virada porn em sp!

 

 

Não existe amor em SP?

Nos dias 1, 2 e 3 de junho, o PopPorn, festival pornô, está de volta com novo formato, reunindo todas as atividades em 48 horas de programação.

“EssaVIRADA PORN reunirá o público na Trackers, criando uma atmosfera sociocultural diversificada, propondo um intercâmbio de experiências sensoriais e gerando um evento fluído e democrático”, diz a divulgação, que avisa que quem comprar ingresso antecipado paga 20% a menos.
Nesta edição, o festival contará com mais de 40 sessões de cinema, cinco workshops, performances, festas, debates, intervenções artísticas e uma lojinha.
Para entrar no evento é indispensável ter o nome na lista.
A partir do dia 29 de maio, você poderá comprar seu passaporte (para todas as atividades, à exceção dos workshops), ingressos simples para o sábado (somente filmes e debates) e domingo (somente filmes e debates).
No site, encontram-se também informações sobre a venda de ingressos para as duas festas que integram a programação (na sexta e no sábado): http://www.popporn.com.br/blog/
Saiu no JT [por Igor Giannasi]

Iinspirado no Pornfilmfestival Berlin, ganha segunda edição no próximo fim de semana, com uma programação de atividades variadas, que transitam nas fronteiras da indústria do sexo, da cultura pop e da arte.

“É discutir o sexo nas intersecções com a arte, com o cinema, com a performance, com a música, enfim, e como isso é representado nesses meios, nessas áreas diferentes, inclusive na indústria do sexo, na pornografia”, define a jornalista Suzy Capó, umas das organizadoras do festival. 

Na estreia, o PopPorn teve uma programação espalhada por locais diversos, ao longo de uma semana, experiência que não foi satisfatória, deixando o evento “muito solto”, explica Suzy. Desta vez, tudo se concentra em 48h, desde as 22h de sexta-feira, em um só local, a escola de produção audiovisual Trackers, no centro. Ganhou, então, o apelido de Virada Porn.

Dos filmes em exibição, entre longas e curtas-metragens, destacam-se exemplares da produção do cubano Jorge Molina que, como conta a organizadora, foram proibidos no país dos irmãos Castro. O diretor terá o longa Molina’s Ferozz, no qual subverte o conto infantil da Chapeuzinho Vermelho, mostrando uma jovem cheia de energia sexual. “É um filme bem latino. A gente não tem muito mais produção erótica no cinema latino-americano como na década de 1970, por exemplo,com a pornochanchada no Brasil”, diz Suzy.

Três curtas do cubano - Molina’s Solarix, Molina’s Test e Molina’s Culpa - também serão exibidos. A produção latina de curtas tem espaço na programação especial Cojame Mucho, assim como a brasileira, na mostra Pornô BR. Animações, como a O Melhor Amigo do Homem, de autoria anônima, produzida em 1947, são as atrações da Animay.

O festival terá ainda a première do documentário nacional A Primeira Vez do Cinema Brasileiro, de Hugo Moura Santos, que aborda o primeiro filme pornô realizado no País,Coisas Eróticas, produzido pelo ítalo-brasileiro Raffaele Rossi e lançado em 1982, durante o regime militar.

Para bancar a realização do PopPorn, a organização realizou uma campanha de crowdfunding (financiamento colaborativo) com a venda de obras de artistas como avaf, Felipe Morozini e Rafael Coutinho. Quem colaborou, terá direito a participar do coquetel de abertura, ao estilo de cabaré, com performance do coletivo de dança burlesca The Burlesque Takeover. 

Do grupo, que surgiu na edição do festival do ano passado, a dançarina Sweetie Bird ministra um workshop sobre sensualidade burlesca. Haverá também debates, com temas como pornô feminista e o futuro da pornografia. Uma loja exclusiva venderá itens que vão de camisetas e DVDs a sex toys e até um baralho erótico, este criado pelo artista plástico Greg Vinha.

DESTAQUES:

A Primeira Vez do Cinema Brasileiro - Documentário nacional de Hugo Moura Santos comemora os 30 anos do primeiro filme pornô nacional Coisas Eróticas, de Raffaele Rossi. Sábado, às 15h10, e domingo, às 20h15.

Molina’s Ferozz -  Longa-metragem do cubano Jorge Molina traz versão política e suja do clássico Chapeuzinho Vermelho. Na área rural de Cuba, a adolescente Miranda vive em uma cabana com sua família, repleta de distúrbios e energia sexual. Sábado, às 19h50 e domingo, às 11h15.

Mamãe Está Chegando - Selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Berlim, o filme de Cheryl Dubyl retrata o poder das mulheres frente o sexo, a pornografia e os estímulos sexuais da vida. Sábado, às 12h, e domingo, às 21h55.

Insetos no Quintal - Filme da tailandesa Thanwarin Sukkhapisit acompanha rotina dos jovens Johnny e Jennifer que, na ausência dos pais, são criados por sua “irmã mais velha” Tanya, uma travesti supermontada, que causa inúmeros constrangimentos para os dois. Domingo, às 18h35.


Festival PopPorn

Trackers. Rua Dom José de Barros, 337. De sexta a domingo.

 

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28.maio.2012 13:05:28

humor refinado

 

Ironia o programa SNL da REDE TV! bombar no Twitter, estar em 5 dos 10 TTs, e dar traço no Ibope.

Prova de que o mercado está enganado ao dar tanta importância assim ao Twitter. Ao menos no Brasil.

Traduzindo:

O novo programa de Rafinha Bastos, eleito 1 dos mais influentes da rede social estreou ontem, domingo, às 20h30.

Competição pesada na TV aberta e fechada contra FANTÁSTICO, SS, GUGU, PÂNICO, séries da HBO e até o novo METRÓPOLIS dominical da TV CULTURA.

No Twitter, 5 dos 10 assuntos mais comentados eram os quadros do programa de Rafinha.

No entanto, sua audiência média foi de menos de 1 ponto [pico de 0,9 pontos].

Os números não se casam entre os 2 meios, a audiência diverge.

Descobrimos que classes distintas os frequentam.

Militância tuiteira não representa consumidores de produtos com IPI reduzido.

Adianta o barraco nas redes sociais, se o que importa para o mercado é o anúncio ser visto por consumidores em potencial?

E olha que o que não falta para ao SNL são anúncios de peso e merchandising.

O baixo ibope desanimou a emissora- esperavam algo entre 3 e 7 pontos.

Culpa talvez daqueles que colocaram o programa SATURDAY NIGHT LIVE num SUNDAY concorrido, por birra contra os meninos do PÂNICO, que se mudaram pra BAND com suas mulheres frutas e registravam 9 pontos.

A versão brasileira de STL é boa. Rafinha gozando de si mesmo está à vontade.

Aliás, o segredo é ele ironizar sua postura politicamente incorreta, mostrar o ridículo das ações contra ele e da grosseria de algumas das suas piadas.

Começou pedindo desculpas aos ofendidos do passado, numa lista interminável: Ronaldo, Preta Gil, povo do Acre….

Se, como DAVID LETTERMAN, SEINFELD, LARRY DAVID e os grandes, não se levar a sério e expor suas “fraquezas”, o humor está garantido.

Se comprar briga contra aqueles que não o entendem, está perdido.

Acertou, aprendeu com o inferno astral que viveu e promete.

A emissora que precisa se desapegar das suas perdas, superar a dor, o abandono, as saudades, deixar o PÂNICO aprontar em outra casa, e devolver o programa para SATURDAY.

Comprar briga com o desgastado ZORRA TOTAL.

Aí o ibope e os lucros podem aparecer.

 

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Enquanto isso.

Aqui na região do SUMARÉ. Mesmo sem a infra das grandes emissora…

Olha o que o genial e sempre surpreendente MARCELO ADNET, que comanda a comédia da MTV, aprontou.

Outro que aprendeu a refinar o humor, depois de quase mergulhar na pântano da polêmica.

Depois nos chamam de elitistas quando afirmamos que humor tem que ter referência, bagagem, cultura:

 

http://www.youtube.com/watch?v=PniYbDC4SOA

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24.maio.2012 21:18:36

da lata

Muitos se perguntam se um dia a maconha fosse liberada, como seria a venda.

Olha aí uma sugestão:

 

 

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Bela capa. Falou por todos:

 

 

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Líder da gangue, do bando ou do hospício lança biografia:

 

 

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Convitão pro fim de semana.

Peça sobre FELLINI.

 

 

Olha do que se trata, segundo o site http://www.italiaoggi.com.br

 

INSPIRANDO-SE EM UM CONTO DE DINO BUZZATI, O DIRETOR ITALIANO PRETENDIA FAZER “UM FILME SOBRE COISAS MORTAS”, MAS FOI PROCESSADO PELO PRODUTOR DINO DE LAURENTIIS POR NÃO TER CONCLUÍDO O TRABALHO, INICIADO EM 1966

A Viagem de Giuseppe Mastorna”, o filme que Fellini planejou fazer e nunca fez -embora tenha tentado rodá-lo várias vezes, desistindo em seguida-, narraria a vida de um violoncelista após a morte.

No assim chamado mundo do além, Mastorna desembarcava numa cidade que parecia um gigantesco cartão-postal de todas as cidades do mundo, habitado por gente de todas as partes do planeta. Encontrava os pais serenamente leves, livres enfim do papel que lhes cabia.

Reencontrava os brinquedos da infância, que ele costumava destruir; as mulheres amadas, todas mal amadas.

 

Ou seja, depois da morte, era a própria vida que se reapresentava, com desejos e conflitos, remorsos e dúvidas. “Não se trata de um filme sobre a transcendência”, disse Fellini, “mas de um filme sobre coisas mortas, que estão numa zona estagnada. Aquelas que precisam de uma morte verdadeira”.

 

Que “A Viagem de Giuseppe Mastorna”, inspirado em um conto juvenil do escritor Dino Buzzati [1906-1972, autor também de "O Deserto dos Tártaros"], fosse uma história sobre a morte real ou sobre a morte interior, que Fellini não o tenha feito por superstição -como disse Dino de Laurentiis ao levá-lo ao tribunal por perdas e danos- ou porque fosse um filme que não conseguiu fazer -como afirmará o próprio Fellini-, hoje tudo isso pouco importa. Fellini queria um filme sem brilho, essa era a sua intenção. E sem cores. Mandou desenhar e executar milhares de figurinos, todos de cor cinza: diversos matizes de gris, tom sobre tom, do branco ao preto.

 

Mas um filme que não foi feito não existe, e o que hoje resta são poucas e preciosas relíquias. A única cena rodada: o desembarque de Mastorna perdido em meio a uma forte nevasca, muito cinza e barulhenta como um furacão, diante de uma catedral gótica tão alta quanto um arranha-céu. Cena conservada por Fellini do documentário “Block Notes di un Regista” [Anotações de um Diretor], produzido pelos EUA em 1969.

 

O que fica é o fascínio dessa história maldita, recontada em um recente documentário de Maite Carpio (exibido em dezembro último na Casa do Cinema de Roma, quando também foi lançado o livro de Alessandro Casanova sobre todos os filmes incompletos de Fellini ["Scritti e Immaginati", Escrito e Imaginado, ed. Guaraldi Universitaria]).

 

Resta também o roteiro, definido por Tonino Guerra como “a história de uma melancolia oblíqua, como a perda de um perfume”. Restam os pensamentos do cineasta recolhidos ao longo dos anos por Dario em “Cose Dette da F.F. a proposito del “Viaggio di G. Mastorna’” [Coisa Ditas por F.F. sobre "A Viagem de G. Mastorna"].

A íntegra deste texto foi publicada no jornal “La Repubblica”.

 

A OBRA-PRIMA FANTASMA

 

PARCEIROS EM SUCESSOS COMO “A DOCE VIDA” E “OITO E MEIO”, FELLINI E MASTROIANNI JÁ SE ESTRANHAVAM NAS FILMAGENS DE “A VIAGEM DE GIUSEPPE MASTORNA”, QUE SE TORNARIA UMA OBSESSÃO PARA O CINEASTA

 

NATALIA ASPESI

 

As 48 fotografias de Tazio Secchiaroli, exibidas em Roma, documentam melancolicamente que o filme em fase de filmagem estava destinado a não nascer nunca. Mais ainda: naquela altura, ele já estava morto e enterrado, e Fellini, em 1969, estava apenas desencavando seus restos para o documentário “Block Notes di un Regista” [Anotações de um Diretor], encomendado por uma TV norte-americana.

 

Percebe-se nele um ar de cansaço, de encenação, e é óbvio que ninguém mais ali acreditava no projeto: Mastroianni se olha no espelho, sonolento, e se irrita quando lhe metem na cabeça o habitual chapéu felliniano; perdido na fumaça do cigarro, como para disfarçar-se, quase não olha o mestre, que por sua vez parece inquieto, concentrado nos gestos típicos de diretor, que observa através da câmera apertando um olho, enquanto o ator ajusta o paletó. Apenas o violoncelo, com toda sua corpulência, tem um aspecto concreto, apesar de deslocado e melancólico: um objeto que sabe que nunca será protagonista de nada.

 

A aventura inútil de “A Viagem de Giuseppe Mastorna” tinha começado em 1966, quando Marcello Mastroianni estava com 42 anos e Federico Fellini com 46 -ambos venerados, estrelas de um cinema italiano que havia conquistado o mundo. Juntos, diretor e ator haviam criado “A Doce Vida” [1960] e “Oito e Meio” [1963], obras-primas que já faziam parte da história do cinema.

 

Sonhos, litígios e doenças

 

Agora, para aqueles testes sem objetivo, eles se reencontravam e se estranhavam, incapazes de se entenderem, e tentavam representar, juntos, um filme inexistente, que Fellini já havia descartado depois de episódios de fúria, sonhos infaustos, litígios e seqüestros judiciais, doenças misteriosas.

 

Um filme que jamais foi rodado, como se o cineasta temesse sua realização e o percebesse como uma profecia maléfica, uma nêmesis aterradora, um espantalho a ser mantido à distância.

 

Um filme que nunca morreu, que se tornou uma lenda, sobre o qual o próprio diretor dava a cada vez, e a quem lhe perguntasse, uma versão diferente, imaginando-o para sempre como uma meta suspensa no futuro, que cedo ou tarde seria alcançada, a “obra-prima fantasma” que teria imortalizado sua arte.

 

Há um caráter amável e esquivo, conciliador e irredutível, do grande autor em seu longo adiamento, inclusive nessa sessão de fotos que ele sabia inúteis, um pretexto para libertar-se da armadilha criativa em que se deixara cair sem se dar conta.

 

A vida breve e o coma infinito de Giuseppe Mastorna são muito bem relatados por Tullio Kezich no livro “Fellini, uma Biografia” [lançado no Brasil pela ed. L&PM]. A idéia surgiu muito antes, em 1938, quando Fellini ainda morava em Rimini e tinha seus 18 anos; foi então que ele leu no semanário “Omnibus” um conto de Dino Buzzati em que um garoto de 12 anos morre e se vê diante de uma odisséia no mundo do além, para depois voltar à terra, após ter compreendido o segredo da vida.

 

Essa história ficou na sombra de seus pensamentos durante quase 30 anos, como um refúgio à realidade do trabalho e do sucesso crescente.

 

Depois algo se rompe, e ele filma “Julieta dos Espíritos” [1965], seu primeiro longa-metragem em cores, experiência que o deixa insatisfeito, notando a decepção do público. Foi na primavera de 1965, ao passar por Milão, que lhe veio a vontade de conhecer Buzzati, autor daquele conto inesquecível: faz a proposta de escreverem juntos o roteiro, e juntos freqüentaram magos videntes, conversaram por mais de um ano, tudo inutilmente.

 

O violoncelista Giuseppe Mastorna continua sendo uma figura nebulosa, plantada numa praça desconhecida, silenciosa e sombria, diante de uma catedral gótica.

 

À medida que o roteiro avança na história como se entrasse num sonho, o produtor Dino de Laurentiis, que pouco antes havia fundado a “Dinocittà”, vai investindo milhões no filme, todo entusiasmado com sua primeira parceria com Fellini, sem se preocupar com que o diretor lhe prometesse vagamente uma história que será “uma experiência inefável, mística, o sentimento do todo”. Escolhem-se figurantes, preparam-se locações, desenham-se cenários e figurinos, busca-se um ator principal que alivie o crescente mau humor do cineasta.

 

Fellini já está cansado de Mastroianni, e, além disso, o ator estava comprometido com uma peça; Giorgio Strehler gostaria de fazer o papel; Laurence Olivier não se interessa; Steve McQueen impõe condições; quem sabe Paul Newman?

 

Isso leva mais de um ano, e nesse meio-tempo morre Ernst Bernhard, o analista de Fellini, o que o deixa desconsolado. Então ele escreve: “Caro Dino, estou me sentindo exausto e sem ânimo; nessas condições, não posso realizar o filme”.

 

Fora de si, o napolitano De Laurentiis processa o diretor, declarando um prejuízo enorme, sem contar que, com esse “comportamento irresponsável”, 70 pessoas ficaram sem trabalho.

 

Na casa de Federico em Fregene, agentes apreendem quadros e objetos, enquanto o cineasta se entrincheira em casa, recusando-se a dar declarações. Poucos meses depois, os dois se reconciliam em um passeio pela Villa Borghese [em Roma], acompanhados pelos respectivos advogados. “Mastorna” será feito, e finalmente é firmado um contrato com Ugo Tognazzi [1922-90], eufórico, enquanto Fellini o considera muito terreno, ou seja, pouco neurótico para o seu “Mastorna”.

 

Maldição

 

Em abril de 1967, o filme já se tornou um pesadelo: certa noite, sozinho em casa, Fellini passa muito mal e desmaia. Por sorte é socorrido a tempo: a maldição de Mastorna abateu-se sobre ele sob o misterioso diagnóstico de síndrome de Sanarelli-Schwarzmann. De Laurentiis consegue vender por quase metade de seu prejuízo o material filmado de “Mastorna” a um advogado napolitano, Alberto Grimaldi, que já havia produzido dois faroestes com Sergio Leone. Também ele será desiludido por Fellini, que se recusa a fazer o filme, recomprando-o depois, em prestações, em 1971.

 

Mas a vida inexistente do pobre violoncelista sem rosto ainda não terminou: em 1992, o cineasta o cede a Milo Manara, para que o transforme em HQ.

 

Por que Fellini nunca realizou esse filme? Muito se disse sobre o assunto, e ele mesmo falou de sonhos premonitórios que o teriam feito abandonar o projeto. Talvez, mas ninguém jamais levantou a hipótese de que o grande diretor tivesse simplesmente intuído que o filme nunca chegaria a ser a obra-prima digna de suas ambições e de sua fama.

 

Numa das tantas entrevistas que generosamente concedia a jornalistas que o adoravam, Fellini disse: “Como a carcaça de um navio afundado, “Mastorna” alimentou todos os meus filmes seguintes”.

 

A íntegra deste texto foi publicada no jornal “La Repubblica”.

Traduções de Maurício Santana Dias.

 

(© Folha de S. Paulo)

 

Diretor chegou a consultar médium

 

O último longa de Fellini, “A Voz da Lua” [1990], foi baseado no livro “Il Poema dei Lunatici”, de Ermanno Cavazzoni, que deu palestra na USP, em outubro de 2005, falando de seus livros e relatando as peripécias que envolveram “A Viagem de Giuseppe Mastorna”. Segundo ele, antes de começar a rodar esse filme, Fellini teria consultado um famoso médium da época, o qual vaticinou que, se ele fosse concluído, o diretor morreria. Diante do sombrio prognóstico, o cineasta teria preferido deixar o projeto de lado.

 

 

Cavazzoni também esclareceu que o nome do protagonista, “Mastorna”, é uma corruptela da frase italiana “Ma si torna?”: “Mas se volta [do além]?”. Parece que Fellini estava tentando retornar a esse longa quando morreu, em 1993. (MSD)

 

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Zoação à parte.

Vi este lance de frente, in loco!

O gol não feito que poderia matar de enfarte milhões de corintianos.

Alessandro é o último homem de defesa corintiana.

Passa mal a bola, rebate no artilheiro, que entra sozinho no campo corintiano.

O estádio inteiro não acredita no que vê.

Entre Diego Souza e as traves, um goleiro gigante, Cássio.

Ele tem todo o campo para carregar a bola e pensar no que fazer.

Até olha para os lados, porque ele mesmo não acredita que está só.

E a torcida se olhou, entendeu, viu a tragédia iminente: mais uma vez estamos fora.

Segundo tempo, 12′. Se o Vasco fizesse, o Corinthians teria que fazer dois, para passar à tão sonhada semifinal.

Praticamente impossível.

Porém, o único calmo do épico de poucos segundos que durou uma eternidade era a vítima, o goleiro.

Surpreendentemente, ele não se jogou sobre o goleador, não correu para trás, manteve a distância que cobria a visão do gol.

Diego avançava, na mesma velocidade, enquanto Cássio impassível, sempre mantendo a mesma distância do gol.

O atacante não poderia encobrir.

O goleiro com sangue frio não se desconcentrou.

Chutou no canto, o salvador espalmou.

Não foi o gol mais perdido da rodada.

Foi a defesa mais espetacular dela.

Frieza ganha jogo, é o segredo do bom profissional.

Confira:

http://www.foxsports.com.br/videos/1653676095001-libertadores-sozinho-diego-souza-perde-gol-inacreditavel

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A DIREITA é como 1 avestruz, por vezes esconde a cabeça debaixo da terra.

Envergonhada talvez por alguns desvios históricos.

Mas quando o erro vira esquecimento, ela sai formosa e galopante.

No final da Segunda Guerra, o Holocausto e os horrores nazistas deixaram a direita em hibernação.

Saem do coma pouco a pouco, na Holanda, França e até Grécia, berço da civilização Ocidental, onde o Partido Nazista se tornou força política na última eleição.

A xenofobia continua a ser a tese que mais agrega, num discurso ainda confuso que, em tempos de crise, ressuscita.

Lembra do bando skinhead que matou o adestrador de cães, Edson Neri da Silva, em 2000 na Praça da República, em São Paulo? Eram homofóbicos. No grupo, preso meses depois, que defendia a raça pura, havia nordestinos e negros.

O fim da ditadura também deixou a direita piano piano.

Os horrores dos porões, os relatos de sobreviventes, os crimes contra a humanidade tornaram indefensáveis as teses da direita, que defendia o regime.

Saiu de moda.

José Guilherise Merquior, que se considerava o homem mais culto do Brasil, sociólogo, crítico literário e assumidamente de direita, foi para o ostracismo.

Nelson Rodrigues, que durante um período defendia o governo Médici e propagava que não havia tortura no Brasil, foi outro para quem a massa crítica torcia o nariz, que pagou um preço caro por suas contradições.

Desprezado, machão, não ligava. Seu papel era provocar.

Mas um dia tudo mudou, quando viu com os próprios olhos o filho torturado, um caco, na cela de uma prisão.

E Nelson se calou.

Glauber Rocha, também acusado de pactuar com os milicos, foi outro caso.

O nome mais importante do cinema brasileiro, no exílio desde o endurecimento da ditadura, apoiava a luta armada, arrecadava grana no exterior para a ALN, morou em Cuba [era o único na Ilha que tinha autorização para fumar baseado].

Até ser convocado por Jango em Paris, o presidente deposto, a voltar para o Brasil e preparar a sociedade civil para a Abertura de Geisel, que enfrentava o rompimento do seu regime, pressão dos americanos defensores dos direitos humanos da Era Carter, da Igreja de Dom Paulo, do Vaticano, e a ira da linha dura dos milicos da ativa.

Jango acreditava nos irmãos Geisel. Dizia que na fuga do Brasil em 1964, seu avião poderia ter sido abatido, mas o general Orlando negou a ordem- assim como descumpriu a ordem de bombardear o Palácio Piratini, onde Brizola se entrincheirava em 1961 na Campanha da Legalidade.

Glauber voltou, alardeou os feitos dos milicos, comprou briga com a esquerda, radicalizou, provou que a Abertura era de verdade, deu sustentação civil ao projeto de Geisel, e morreu sozinho, sem conseguir filmar, sem amigos, duro e paranoico.

Glauber nunca foi de direita. Como Gil, Caetano e alguns tropicalistas. Compunham outra força cultural que não fazia o jogo das esquerdas. Ou melhor, da esquerda mais ortodoxa.

Superada a dor da prisão e exílio, Gil cantava “realce, quanto mais purpurina melhor…”, enquanto a plateia cantava “quanto mais cocaína melhor…”, e Caetano cantava “deixa eu dançar, pro meu corpo ficar odara…”

Não denunciavam a perseguição política, a ditadura, a censura, os milicos. Mas jamais poderiam ser acusados de enveredar rumo à direita.

O tropicalismo é mais profundo do que a visão maniqueísta da vida: 2 lados, 2 ideais.

Não é marxista, stalinista, maoísta, leninista. O tropicalismo gostaria de inventar seu próprio ismo.

Porém, como Glauber, foram “patrulhados”.

Hoje, existe uma categoria de intelectual que descobriu que, se reproduzir o discurso da direita, ganha moral, destaque, prestígio e espaço.

Pois no debate sempre foi imprescindível ouvir o outro lado- poucos se dispunham a cumprir o papel de alvo fácil do meio acadêmico e jornalístico; papel de boi de piranha.

 

 

Então figuras de segundo escalão do nosso pensamento e mercado editorial mudaram de lado, passaram a escrever contra leis das cotas, projetos de distribuição de renda por meio de bolsas, etc.

O escândalo do Mensalão, o fim da pureza petista- a prova de que é preciso colocar a mão na merda quando se quer o Poder- deu a munição que precisavam.

Perderam a vergonha, ganham leitores, fãs, são comentados e estão no foco.

Filósofos, sociólogos, jornalistas secundários, desprezados por seus pares e academia, irrelevantes, tornam-se estrelas de uma guerra que já acabou.

 

 

E mais uma vez a polêmica serve para ofuscar a falta de um projeto vertical, de um discurso complexo, amplo, que realmente confunda a alma e as relações.

O problema é quando eles mesmos se levam a sério.

E passem a acreditar que o marketing pessoal é pensamento capaz de transformação; patológico quando se vangloriarem disso e não percebem que são apenas escada dos protagonistas do picadeiro.

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20.maio.2012 20:01:55

fogo amigo

 

Só pode ter sido uma piada a Newsweek designar na capa Obama com um halo sobre a cabeça da cor do arco-íris como O Primeiro Presidente Gay, na semana em que o mesmo defendeu a união entre pessoas do mesmo sexo- em plena acirrada e nada definida campanha eleitoral.

Meses antes, insinuaram no Washington Post que Richard Nixon tinha um relacionamento de natureza homossexual com seu melhor amigo, Charles “Bebe” Rebozo.

Prova? Don Fulsom, repórter de rádio que cobriu a Casa Branca de Lyndon Johnson a Bill Clinton, lançou suspeitas depois de ver fotos dos dois “guys” de mãos dadas.

O site do History Chanel postou texto do sociólogo Jim Loewen que afirma que James Buchanan, o 15º presidente (1857–1861), foi o primeiro e viveu muitos anos em Washington com o senador do Alabama, William Rufus King. Eram tão grudados que os chamavam de irmãos siameses.

Prova? Uma carta que Buchanan escreveu para a Senhora Theodore Roosevelt, descoberta pelo historiador John Howard (de Men Like That) reclamando de que sua vida social se deteriorou depois que King mudou para a França.

“Eu estou agora sozinho e solitário, sem nenhuma companhia nessa casa comigo. Tenho ido cortejar vários cavaleiros, mas não sou bem-sucedido com nenhum deles. Acho que não é bom para um homem ficar sozinho; e não ficarei surpreso comigo mesmo se me encontrar casado com uma velha empregada que pode cuidar de mim quando eu ficar doente, fazer bons jantares e não esperar nenhum afeição romântica ou muito ardente.”

Gay? E daí?

Parte da sociedade americana relevava e chamava seu parceiro de “Cara-Metade” e “Tia Chique”.

O que levou a Newsweek, publicação nem muito à direita, a, como diria o personagem Carlos Massaranduba (Casseta & Planetas), duvidar da masculinidade do Senhor Michelle Obama?

Vender revistas.

O educado gesto editorial de indicar as fontes e apurar a notícia com o maior número de provas desceu os degraus do inferno.

O que vale é a informação chegar em primeiro aos olhos e ouvidos do maior número possível de pessoas, falsa ou verdadeira, e causar um bas-fond.

Com técnicas de espionagem até.

Isenção?

Qualquer manual de Teoria da Comunicação e semiologia prova que é impossível isenção quando existe emissor na mensagem.

Durante muito tempo, eu preferia preencher “jornalista” como profissão em formulários ou fichas de hotéis.

Não só porque “escritor” não tem pinta de profissão, mas de estado de pobreza, como achava digno me apresentar como colega daqueles caras que derrubaram Nixon, Collor, cobriram guerras, foram censurados e perseguidos por ditadores facínoras.

Hoje, nos tumultuados almoços da família, passo mais tempo dando explicações do que saboreando as novas receitas. Graças às redes sociais, até as tias descobriram a relação faustiana secular entre jornalistas & poder e se indigna.

Me acusam agora de trabalhar há mais de 30 anos para uma facção golpista.

A imprensa está em pé de guerra. Bandeiras já foram proibidas.

Logo, logo, a bebida alcoólica também será, em encontros da classe. Como nos estádios.

Aliás, também tenho que defender colegas acusados pelos meus primos de serem simpáticos a este ou aquele time de futebol.

No Brasil, há suspeitas de que bicheiros, banqueiros e empreiteiros pautem jornalistas, indiquem em qual página ou coluna deve ir uma nota.

No Twitter, uma militância animada costuma enquadrar a revista semanal 1 no trending topics, lista de assuntos mais debatidos, e defender a coragem da revista 2, que denunciou a primeira.

Revistas se acusam de manipulação e associação com o crime organizado. Jornalistas são acusados de espionarem para a CIA, KGB, MI6, Mossad, Abin, para a oposição, empreiteiras, telefônicas e o diabo.

Até um grupo de esquerda, a União da Juventude Socialista, fez manifestação em frente à sede da editora da revista 1 na semana passada, pedindo que a mesma fosse ouvida na CPI instalada recentemente.

E publicou no seu site: “Crime é fazer grampos e gravações ilegais, armar licitações públicas, plantar falsas denúncias em meios de comunicação de massa. Isso tudo apenas para garantir os interesses de bicheiros, donos da mídia e empreiteiros.”

A independência que a rede possibilita (e possibilita a rede) leva um número grande de jornalistas a relatar os desvios das redações, acusar ex-patrões, a falta de democratização do meio e provar, mais do que tudo, que a classe nunca esteve tão desunida.

Nem Clark Kent, que hoje deve trabalhar num site de celebridades, conseguiria argumentos que defendessem desvios dos colegas.

E voltei a ser “escritor” em formulários e fichas de hotéis.

Mais simples assim.

 

 

Enquanto o mercado se pega antes do páreo, tem cavalo que já largou e corre sossegado.

O site Huffingtonpost descobriu como poucos a usar a chamada hiperconectividade.

O portal de notícias fundado por Arianna Huffington agrega blogueiros independentes de todos os credos. Na coluna da esquerda da capa, há links para mais de 40 blogs. Obama, Hillary Clinton, Norman Mailer, Saskia Sassen, John Cusack e Bill Mahern são alguns dos “colunistas”.

Já tem mais acesso do que o “sólido” New York Times.

Foi vendido em 2011 para o AOL por R$ 630 milhões. O mais incrível? O site não pagar um mísero centavo aos colaboradores, enquanto Arianna ganha R$ 8 milhões por ano.

Isso sim é um negócio da China.

Ou a malandragem da rede.

+++

Não existe romantismo no jornalismo.

Com a transformação do formado do que conhecíamos como imprensa, o atual bate-boca lembra o empurra-empurra para os poucos botes do Titanic.

Se está ruim, neguinho sentirá saudades dos tempos em que, por incrível que pareça, havia uma relativa ética.

Muita gente se surpreendeu nesta semana com a foto grotesca de um garoto de dez anos de Uganda, que sofre de elefantíase, cujas pernas cresceram mais do que o esperado, na capa do Mail Online, site do tradicional e caretão jornal inglês Daily Mail.

Meu colega de USP e editor do Fantástico, Álvaro Pereira Júnior, escreveu na Ilustrada sobre a fórmula do sucesso do site, que também derrubou a audiência do New York Times:

“1) Mandou para o quinto dos infernos regras básicas de diagramação e edição. A home page é uma zona, cheia de títulos compridos, quase sempre em azul, e praticamente sem hierarquia de assuntos. 2) O Mail Online, da internet, não tem quase nada a ver com o Daily Mail impresso. É feito por outra equipe, com outro editor-chefe e outra pegada.”

Álvaro compara a cria ao criador.

Enquanto a versão das bancas fala de política e cobre celebridades com certa discrição, a online se lixa para política e prioriza as fofocas numa longa coluna fixa à direita. “É divertido, leve. Seus textos, tantos deles irresistíveis, são reproduzidos no mundo inteiro, nem sempre com o devido crédito”, comenta.

A que preço?

Como cantava Plebe Rude, banda de Brasília:

“Você me comprou, pôs meu talento a venda. Você me ensinou, que o importante é a renda. Contrato milionário, grana, fama e mulheres. A música não importa, o importante é a renda! Ambição: grana, fama e você.”

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14.maio.2012 18:22:09

valeu

 

Sensação estranha essa.

O que você faria se soubesse do endereço do militar responsável pela tortura e morte do seu pai?

E que ele circula pelo bairro livremente?

Soube hoje pelo vídeo postado no Youtube que um dos responsáveis pela morte do meu mora na Rua Marques de Abrantes, Botafogo, zona sul carioca, em que passo direto, sem nunca ter me dado conta de que no 218 mora a figura que mudou a vida da minha família e trouxe tanto sofrimento para nós e muitas outras famílias.

O que vou fazer a respeito?

Nada.

Vou esperar que a Comissão da Verdade faça.

Nem desviarei do meu caminho. Nunca desviei.

O vídeo foi postado pelo movimento Levante Popular da Juventude:

http://www.youtube.com/watch?v=jf_9AaTywVM&feature=player_embedded

Que promove o esculacho a torturadores e agentes da repressão suspeitos em todo o país; os esculachos [ou escrachos] são ações similares às promovidas na Argentina e no Chile, em que jovens fazem atos de denúncias e revelações de torturadores da ditadura militar que não foram presos ou julgados.

No início de abril, um protesto semelhante foi realizado em São Paulo contra Harry Shibata, médico que teria atestado o suicídio do jornalista Vladimir Herzog, em 1975.

No manifesto do grupo:

Os manifestantes apoiam a instalação da Comissão da Verdade, cobram a localização e identificação dos restos mortais de desaparecidos políticos e exigem que os torturadores sejam julgados e punidos.

Os jovens condenam a movimentação dos setores conservadores dentro e fora das Forças Armadas, que não aceitam a democracia e não admitem a memória, a verdade e a justiça, desrespeitando a autoridade da presidenta Dilma Rousseff e ministros de Estado, como no manifesto “Alerta à nação”.

Por isso, os jovens saem às ruas para denunciar a impunidade de torturadores e criminosos da ditadura com o objetivo de sensibilizar a sociedade e garantir que a Comissão tenha liberdade para fazer o seu trabalho e alcance seus objetivos.”

No dia 26 de março, o movimento fez protestos em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Belém e Curitiba contra agentes da ditadura suspeitos de torturaram, mataram, perseguiram militantes.

E segundo matéria no ESTADÃO de hoje, de João Coscelli:

Manifestantes fazem uma nova rodada de “esculachos” contra torturadores e agentes ligados à ditadura segunda-feira, 14, em cidades de 12 Estados do País. Os protestos ocorrem poucos dias depois de a presidente Dilma Rousseff nomear os membros da Comissão da Verdade, destinada a esclarecer casos de violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.

No Guarujá, litoral de São Paulo, cerca de cem pessoas protestaram em frente ao prédio onde mora tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) como torturador. Membros do grupo Levante Popular da Juventude, que organiza os atos, afirmaram ter recebido informações de que o ex-militar, chamado de “torturador pra presidente Dilma”, estaria em casa, mas ele não se manifestou. O protesto teve início às 10h e durou uma hora.

Em Belo Horizonte, o alvo do esculacho foi João Bosco Nacif da Silva, médico-legista da Polícia Civil da ditadura, que teria atestado uma laudo médico de suicídio para um prisioneiro torturado em uma delegacia da capital mineira em 1969. Cerca de 50 pessoas compareceram em frente ao prédio do médico com cartazes denunciando sua participação na repressão. De acordo com um dos manifestantes, Nacif da Silva se exaltou e tentou agredi-los, o que motivou o encerramento precoce do ato. A Polícia Militar apenas acompanhou a ação.

O grupo também promoveu manifestação em frente à residência do general da reserva José Antônio Nogueira Belham, denunciado como torturador do militante Rubens Paiva. Belham, que atualmente mora na zona sul da capital fluminense, foi o chefe do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) do Rio durante a ditadura.

Na capital baiana, quem recebeu o esculacho foi Dalmar Caribé, cabo do Exército acusado de ser o responsável pelos assassinatos dos militantes Carlos Lamarca e Zequinha Barreto. Em Recife, o desembargador aposentado Aquino de Farias Reis, ex-delegado do Dops também foi alvo de manifestação.

Houve protestos também em Teófilo Otoni (interior de Minas), João Pessoa (Paraíba), Belém (Pará), Aracaju (Sergipe), Fortaleza (Ceará) e em Natal (Rio Grande do Norte).

Bacana. Criativo. Justo.

Obrigado, garotada.

A família agradece.

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11.maio.2012 17:31:39

ufc das antigas

 

Me perguntei por que tanto sucesso do filme OS VINGADORES – 2012.

Aqui e nos EUA.

Ontem, shopping lotado, passava em duas salas. Ambas com ingressos esgotados.

E era uma normal quinta-feira com show de Neymar na TV.

Também pensei se não foram as arruaças de Thor Batista que levaram público a ver o Thor do martelo.

Não gostei. E tinha adorado HOMEM DE FERRO, X-MEN PRIMEIRA CLASSE e X-MEN ORIGENS, com WOLVERINE, e outros.

Mais abaixo enumero as falhas no roteiro da nova saga dos personagens da MARVEL.

Por enquanto, só digo que não existe nada mais antiquado de que neguinho trocar porrada sem parar entre si e alienígenas, para “salvar a humanidade”.

Seria um filme bem recebido tempos atrás e tradutor da Era Bush.

Aliás, está lá Nova York atacada por ETs de turbantes, os CHITAURI, monstros se chocando contra prédios, pânico e correria nas ruas.

Até tem torres desabando.

Um sujeito em coma faria a  associação Bin Laden – Alienígenas.

Tem muitas piadas. Boas até.

Algumas piadas até retratam o ridículo da refilmagem.

Como a da roupinha do Capitão América ser vintage, com listinhas e estrelas, o Thor ter um irmão revoltado por ser adotado [piada que pegou mal lá fora], que ninguém mais se interessa por heróis, sem contar o mau humor de Hulk, que gera gargalhadas no cinema.

A beleza dos atores Robert Downey, Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth leva público teen.

As curvas e lábios salientes de Scarlett Johansson, fazendo uma espiã russa boa de briga, num pretinho básico apertado, leva teens e adultos.

Mas quem rouba a cena é a ex-modelo canadense e atriz Cobie Smulders, a Agente Maria, como assistente do chefão Nick Fury [Samuel L Jackson], avião que corre, atira, pilota SUV com habilidade e pilota até porta-aviões.

 

 

O tema do filme não se modernizou.

A onda agora é outra: rede sociais, xenofobia, implosão do mercado, sistema em crise, poucos roubando muitos [tema de JOGOS VORAZES, por exemplo], combate ao terrorismo.

As guerras que Capitão América lutou já eram.

Aliás, curiosidade: o filme foi financiado por uma das vilã da crise mundial, a fábrica de dinheiro que não existe e derivativos MERRILL LINCH, antes de escandalizar o mundo.

Enfim, vamos às falhas no roteiro [se vc não viu o filme, vai fazer outra coisa, xeretar no Face, xingar ou ser xingado no Twitter; só não vai tirar fotos sem roupas em frente ao espelho e levar depois o computador pra manutenção]:

1. Gwyneth Paltrow some do filme. E é na cobertura que ela constrói que o barraco rola no final.

2. No começo do filme, o agente vivido por Stellan Skarsgård é dominado tanto quanto Hawkeye [e na mesmas cena], por Lokie e seus poderes extraordinários. Deu trabalho para tirar o fetiço de Hawkeye. O do agente sumiu de repente.

3. Como um mega hiper super porta-aviões que voa, invisível ao radar, foi tão facilmente encontrado [e quase destruído] por seus inimigos?

4.Por que todas as discussões são resolvidas no tapa, se basta uma arma para liquidar o assunto? E o que não faltava no set era arma.

5. O chefão Nick Fury [Samuel L Jackson] é metralhado na primeira cena do filme. Na segunda aparece num helicóptero como se nada tivesse acontecido.

6. A fera Hulk nasce de dentro de Dr Bruce Baner quando o mesmo vê injustiças, é provocado ou fica nervoso. Agora, quando Bruce quer, vira Hulk, mesmo sem motivos. E, pior, nesta nova leitura do maravilhoso personagem, amado por todos aqueles que sofriam bullying na escola e queriam ter a força de um grandão verde, ele mais se parece um King Kong; pula, voa, sobe em prédios. E virou imortal. Onde está o ponto fraco do herói que, no caso, é psicanalítico, isto é, seu inconsciente?

7. E, enfim, depois de NY quase dominada pelos alienígenas, o board, espécie de Conselho de Segurança da ONU, decide explodi-la e manda um míssil com ogivas nucleares, que o Homem de Ferro, com toda a sua força, desvia para a nave-mão dos CHITAURI. Porque nossos líderes não pensaram nisso antes?! Evitava um problemão na cidade tão atacada em grandes produções, alvo preferido dos nossos vilões e blockbusters.

 

+++

 

E, mudando de assunto completamente, hj, amanhã e domingo tem, aqui e no Rio.

Mude vc 1 pouco de programa:

 

 

 

 

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