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Marcelo Rubens Paiva

19.janeiro.2010 13:25:12

Qu’est-ce que c’est?

É a foto mais enigmática que tirei na vida. O que significa?


PARIS [2010]

+++

A Fuvest anuncia que vai unificar a lista de livros para os vestibulares da USP e da Unicamp para os próximos 3 anos.

Será o eixo do ensino de literatura das escolas paulistas e influenciará todos os Estados. Espero que, enfim, cedam espaço para a literatura não escrita em Português.

Costumam dividir autores em estilos literários- romantismo, realismo, simbolismo, modernismo-, uma xaropada que afasta leitores e comete injustiças [Lima Barreto vive neste limbo teórico].

Literatura é muito mais do que tal reducionismo.

Deixo aqui a minha lista. Terão 3 anos para ler, reler e debater.

1. Odisséia, de Homero [o big bang do pensamento ocidental]

2. Dom Quixote, de Cervantes [o começo do romance]

3. Hamlet, de Shakespeare [no comments]

4. Crime e Castigo, de Dostoievski [o personagem dialético]

5. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis [precisa dizer?]

6. O Triste Fim de Pilocarpo Quaresma, de Lima Barreto

7. O Processo, de Kafka

8. Por Quem os Sinos Dobram, de Hemingway [o diálogo na literatura]

9. Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa [nada a temer, é um livro lindo]

10. Memórias Sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade [reinventou tudo]

11. Vidas Secas, de Graciliano Ramos

12. Capitães de Areia, de Jorge Amado

13. Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia

14. O Apanhador no Campo de Centeio, de J D Sallinger [pro universo teen]

15. O Complexo de Portnoy, de Philip Roth

16. Pé na Estrada, de Kerouac [o começo da contracultura, que mudou o mundo]

17. Orlando, de Virgina Woolf

Eu sei, faltaram Camus, Proust [chatinho que dói, mas...], Joyce [os contos], Flaubert, Thomas Mann, Tosltoi, Mário de Andrade, Conrad, Nelson Rodrigues e especialmente poesia. Fazer o quê? Lista é assim, não cabem todos.

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17.janeiro.2010 16:43:19

Amigas

Há exatamente 1 ano eu começava este blog.

O primeiro post foi uma homenagem aos meus amigos. Sem eles, não sou o que sou, não escrevo o que escrevo, nada faria sentido.

Viver em muitas cidades, estudar em muitas escolas e faculdades, me forçou a aprender a fazer amigos [e a gostar do exercício].

Afinal, o moleque paulista chegando no Rio com 6 anos, depois em Santos com 12, depois voltando pra São Paulo com 15, depois Campinas com 17, depois São Paulo de novo com 20, e até uma parada pela Califórnia com 35, precisava se adaptar rapidamente.

Pois agora decido homenagear as AMIGAS.

Que curam minhas dores, ressacas, doenças, crises, dúvidas, feridas, queimaduras, com quem falo frequentemente, aprendo, rio, choro, vivo.

São a matéria-prima da minha obra cheia de personagens femininos. E o perfume da minha vida.

Caras me veem com mulheres e acham que sou mulherengo. E nunca acreditam quando digo que são minhas amigas. E são. Por quê, não podemos ter amigas? Não podemos falar merda, rir, passar uma noite com uma mulher sem ter sexo envolvido? Em que século você vive?

Não, não entendo nada de mulheres. Mas me esforço, convivendo com elas, as minhas lindas AMIGAS:


MARIANA MELGAÇO, QUE ENTENDE TUDO DE RELAÇÕES


CACA, LU E RENATA, NA BEBEDEIRA


LÍGIA FAGUNDES, QUE ME CONHECE DESDE MOLEQUE


ATRIZES, ATRIZES, ATRIZES…


CLAUDIA PRANDINI, DIRETAMENTE DE LONDRES


LUCIANA VENDRAMINI, AMIGA HÁ… DESDE QUANDO ELA TINHA 16


MARINA MORAES, COMO COZINHA!


DÉBORA, A MAIS CORINTIANA DAS CORINTIANAS, COM XICO SÁ, OUTRO AMIGÓLAGO DELAS


ALEJANDRA, A NOSSA GARÇONETE ETERNA! BAITA ATRIZ


CATARINA, AFILHADA VALE?


ROSA, AMIGA DE INFÂNCIA [SEU PAI SALVOU A VIDA DAS MINHA IRMÃS NA DITADURA]


PARCERINHA BARBARA PAZ E PATRICIA COELHO


LILIAN PACCE, QUE NESSA FOTO DE UM SITE VIROU MINHA MULHER, SEGUNDO A LEGENDA – ENQUANTO CORTARAM O MARIDÃO DELA, MEU AMIGO DE INFÂNCIA LEÃO SERVA, QUE ESTAVA AO LADO


PRISCILA BORGONOVE, SEMPRE ME CONVIDADO PRAS BALADAS FORTES [COM O FILHÃO]


MARIETA, ANA CIÇA E LARA ME PAPARICANDO – QUEM DISPENSA UM PAPARICO?


RACHELZINHA, A EX QUE VIROU SUPER AMIGA E CONSELHEIRA E BALADEIRA


NANA DE RECIFE, QUE CUIDOU DE MIM NA UTI [PERSONAGEM DE FELIZ ANO VELHO], A PRINCESA DA PRAIA DOS CARNEIROS


A TURMA ANIMADA [CERCADO PELAS IRMÃS RODINI, MORTS E PODRES], TADEU, UMA “AMIGA” PRA LÁ DE DIVERTIDA, E FABI [DE CAMISETA REGATA BRANCA], QUEM DEU O TÍTULO MAIS BONITO DE TODOS OS MEUS LIVROS: “A SEGUNDA VEZ QUE TE CONHECI”


MARIA MANOELLA, AMIGA QUE MEXE COM O CORAÇÃO DA SOBRINHADA. E ESTÁ MARAVILHOSA NO FILME “MALU DE BICICLETA”


ROSANA, EX QUE VIROU MINHA MASSAGISTA


VERO E FRANCIO. DE QUEM SOU PADRINHO DE CASAMENTO. MEUS INSEPARÁVEIS. E CLAUDIA NO MEIO


JERUSINHA…


PAULA E HELENA, NO COMMENTS. MUSAS

E se faltou alguma [e faltou], espere eu comprar um scanner novo. Essas são as fotos que eu tinha. Beijão pra todas vocês.

Obrigado por fazerem parte da minha vida. Espero nunca decepcioná-las. Não sumam.

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14.janeiro.2010 20:21:47

Vida de escritor

Muita gente acha que a vida de escritor é cheia de glamour e prazer.

Mas na maioria das vezes estamos sós. Procurando entender por que somos assim, por que tem famílias desunidas, teimosia, ódio, solidão, incompreensão, mal-entendidos, guerras e um olho amigo [o leitor].

Ou gente que desperdiça histórias de amor, construídas tijolo por tijolo com muita paciência, justamente quando poderia viver o seu auge. Daquelas histórias que não se encontram em qualquer esquina.

Material farto para um escritor. Pode até dar em comédia. Problema é um se arrepender. Aí vira drama mexicano. Ou, pior, filme de terror.

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13.janeiro.2010 12:34:37

O tiozinho da chave

Depois da reforma da PAULISTA, em que mudaram o piso da calçada, pensando nos cadeirantes, o MAC perto da AUGUSTA, que antes era acessível, e em que me empanturrava, ficou com este degrau.

Então, passeando por lá num raro dia de sol, reparei que encontraram uma solução simpática: uma rampa dobrável, discreta, no canto esquerdo.

Pensei em comer um Mac’Fish, tentei desdobrar a rampa. Mas ela estava trancada.

Chamei o segurança. Ele me pediu para esperar e disse que ia chamar o responsável que tinha a chave.

É o famoso TIOZINHO DA CHAVE, o terror dos cadeirantes brasileiros.

Ele existe em todos os cantos, uma praga.

Se o cara está apertado, corre para o banheiro reservado a deficientes em postos de estrada, teatros, lojas, cinemas, e o encontra trancado, tem que ir atrás do misterioso TIOZINHO DA CHAVE.

Em rampas, plataformas e elevadores que sobem ou descem uma cadeira de rodas, sempre há uma chave a ser encontrada no bolso de algum TIOZINHO DA CHAVE.

No metrô e shoppings, para ir e vir, diferentemente o cidadão comum, o cadeirante aprende a esperar.

Horas do dia estamos o aguardando. “QAP, uma prioridade precisa da chave” [é assim que nos chamam, "prioridade", o que me deixa orgulhoso].

Ele aparece às vezes rapidamente. Outras, o TIOZINHO DA CHAVE tem seus afazeres e demora. E a prioridade deixa de ser uma.

Odeio todos os TIOZINHOS DA CHAVE deste País! E sempre pergunto por que trancam banheiros e plataformas. “Porque se não outras pessoas podem usar.”

Isso quando não guardam seus baldes, rodos, vassouras e apetrechos no espaçoso banheiro pra deficiente.

Os TIOZINHOS DA CHAVE são aquelas pequenas autoridades que querem nos manter sob o seu poder e dominar nossas necessidades fisiológicas e de ir e vir. São uns sádicos!

Já uma loja de PARIS oferece uma solução mais prática [e leve]. Il n’a pas d’oncle de la clé.

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12.janeiro.2010 00:50:10

SP 37 graus

Paris estava assim [foto do CAETANO VILLELA, que também estava lá].

Mas quem tem uma irmã dessa, se sente aquecido.

Aliás, nesta praça, morou o meu pai e seus 3 irmãos, no final dos anos 40. Minha irmã contou. Dos 4, 2 viraram de esquerda [exatamente os 2 à direita]. Tinham tudo para ser os playboys de SANTOS.


CLÁUDIO, JAYME, RUBENS E CARLOS PAIVA

Mas só no Brasil se vê essa cena: sábado quente, meio-dia, som na caixa do carrão, forró na pista, em frente a uma insuspeita estação de metrô.

E só consigo trabalhar assim. Apesar do carioca ser ele [MAURO MENDONÇA FILHO]. Enfurnados, finalizamos o último tratamento de NO RETROVISOR. Depois de anos. Peça que vira filme. Logo, logo. Agora vai…

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09.janeiro.2010 22:33:27

Um babaca no museu

Não sei o que acontece comigo.

No ano passado, fui rato de museu.

MUSEU PICASSO, DALI e FUNDAÇÃO MIRÓ [Barcelona]
SOFIA e PRADO [Madrid]
MOMA, DISCOVERY, HISTÓRIA NATURAL E METROPOLITAN [Nova York]
VERSAILLES, DE ORSEY, POMPIDOU e LOUVRE [Paris]

Além dos nossos MASP, MAM, MAC e Pinacoteca.

Coisa de babaca ficar listando os museus que frequentou.

Mas o que é estranho: nessas viagens, não fui a nenhuma BALADA. Idade? Que nada. Pagar caro pra ficar num ambiente escuro, apertado, esfumaçado, com músicas que escuto aqui, pessoas que dançam como as daqui e luzinhas piscando?

Aliás, sabe qual é a moda em Paris? Forro. Já são 3 casas com bandas ao vivo. E dançam como se fosse salsa.

Museu é como um clássico [parodiando Italo Calvino], deve ser visitado e revisitado durante toda a vida. A experiência adquirida nos faz reler obras que já conhecemos.

Cony ia a Pompéia todos os anos. Era um ritual. Vou ao de História Natural sempre que posso. Lembra J D Sallinger [O Apanhador no Campo de Centeio, outro clássico que sempre visito].

Mas me incomodou a recente visita ao LOUVRE. A quantidade de gente é insana. A ex-residência de LUIZ 13 é o museus mais famoso e mais visitado do mundo.

Sua estatura é simbólica. Um dos primeiros atos da Revolução Francesa foi transformar o palácio em museu e vender os móveis de Versailles, cuja construção trouxe a bancarrota do país e, ironicamente, colaborou com os princípios revolucionários- e o rei contruira para fugir do povo.

É o que um dia conseguiremos fazer com BRASÍLIA.

Então, de repente, uma tentação: fazer babaquices. E levar o cunhado e o sobrinho juntos.


PARIS, 2010

E de repente, olhando arquivos, descobri que esta cara de doidão do Van Gogh tento há tempos imitar. Sem resultado. Muito canastrão.


AMSTERDAM, 1989

Acho que sou um babaca na vida.

+++

Uma notícia que passou desapercebida.

Morreu jovem ainda a linda cantora e compositora Lhasa de Sela, americana que se criou no México.

Sua música, DE CARA A LA PARED, era a base da trilha e a alma da minha peça, A NOITE MAIS FRIA DO ANO.

Que triste…

Como Chico Science e Jeff Buckley, era daquelas musas que não deveriam morrer e nos deixar uma obra incompleta.

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06.janeiro.2010 15:24:04

Não confunda mesmo

Pior que a bagaça é boa…
Essa pode, Marião?

O Hugo é muito jovem pra essas coisas.

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05.janeiro.2010 21:17:42

Não confunda

Slogan preciso.

Não é scotch
Não é bourbon
É Jack

Essa vai pro amigo baixista ROBÉRIO, que se exilou em Salvador, com a sua tatuagem JD no braço e o cachorro mais famoso, boêmio e elegante da Praça Roosevelt, o Jack Daniels, que, aliás, adora a bebida.

ROBÉRIO anuncia a volta da sua banda CAMISA DE VÊNUS. Saiu até no blog da IVETE. Esses baianos são unidos da porra.

Adivinha qual dos 4 ele é.

Ia pro MARIÃO também. Mas ele disse que vai parar de beber JD.

Só cerveja agora.

Isso aí, MARIÃO. Porres diuréticos. Cicratizes curadas. Renovado.

Continue esse cara autêntico que você é. Que não se entrega, não faz concessões, não se vende e não abre mão dos seus princípios.

E nosso conselheiro sentimental favorito.

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05.janeiro.2010 01:06:55

Lucky guy

“Tio Marcelo é Lucky!”

Foi a frase dita pelo meu sobrinho Chico, quanto tinha uns 8 anos, e morávamos na Califórnia [EUA], no mesmo bairro- perto do estádio da Universidade de Stanford.

Disse ao me ver correr para o meu apê, que era mais perto do que a casinha dele; enquanto ele teria que andar mais alguns minutos.

Chico já morava lá um ano antes de mim com o irmão Juca e os pais.

Aliás, fui parar lá graças a eles, que souberam de uma bolsa para escritores e jornalistas, me mandaram os formulários, me apliquei e ganhei.

Coincidentemente, ofereceram pra mim um apê no mesmo bairro deles, Escondido Village.

Eles moraram 4 anos lá. Eu e a Adriana, a santa que me aturou por 9 anos, na fase mais heavy da minha vida, se é que você me entende [mergulhei fundo nas virtudes e defeitos daquela década], 1 ano.


EU E ADRIANA NO MOJAVE DESERT, 1995

Assim que cheguei, comprei uma van adaptada e peguei uma licença para parar em vagas de deficientes, todas próximas das entradas dos supermercados, cinemas, teatros, shoppings.

E em estádios e ginásios, não pagava e ainda ficava no melhor lugar. Com direito a acompanhantes.

Aquilo deixava meus sobrinhos fascinados. Tio Marcelo, sim, que era sortudo.

A frase paradoxal virou um slogan na família. Tio Marcelo é Lucky!

E, em viagens, fura filas, não paga museus, para nas melhores vagas e ainda pode levar um acompanhante.

No Louvre, em Paris, agora no fim de ano, com a família, tio Marcelo provou o quanto é lucky.

Meu sobrinho Juca insistiu para vermos a Monalisa. É dele outra frase que move a minha família, dita quanto ele tinha 3 anos: “Todo mundo junto que é bom!”

Não era a primeira vez no Louvre de muitos de nós, sabíamos do mico que é ver o quadro com dezenas de turistas se apertando. Eu mesmo já tinha visto há duas décadas.

Mas, em viagens, devemos sim pagar micos. A graça é essa. E cumprir alguns rituais. Ver a Monalisa é um deles.

Enfiei a minha cadeira de rodas com parte da família atrás. Fomos abrindo espaço por entre turistas mais interessados em fotografar do que admirar o sorriso tão peculiar da Gioconda.

Tive que esperar uma família de espanhóis fazer fotos para eu passar. Eu empurrava turistas. Uma alemã enorme se recusava a me deixar passar. Até o segurança do museu me acudir e apontar: “Você pode ficar ali”.

O ali era o espaço vago entre a massa e o quadro. Tive por minutos a Monalisa diante de mim. Apenas para mim.

TIO MARCELO NÃO É LUCKY?
Mas achei o quadro tão opaco…
As reproduções são melhores [sintoma do pós-modernismo].

O ano começou bem para ele.

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