
Estreia hoje o filme HISTÓRIAS DE AMOR DURAM APENAS 90 MINUTOS, escrito e dirigido por PAULO HALM.
E tem muita gente que acha que só dura isso mesmo.
Outro dia, no caderno em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, do ESTADÃO, diziam que uma paixão dura em média 9 meses, como um parto. Houve até uma explicação darwinista: para que os genes se espalhem entre a tribo com mais eficiência.
Casamentos hoje em dia duram aproximadamente 9 anos. Quer dizer, se passar pela crise dos 7, a de Saturno.
O fato é que ninguém mais acredita que, aos 90 anos, estará ainda dividindo o andador com a primeira e única paixão da sua vida, aquela com quem teve filhos, netos, gatos, cachorros e muletas.
Quando começa HISTÓRIAS DE AMOR DURAM APENAS 90 MINUTOS, a impressão que se tem é: já vi este filme antes.
Escritor em crise não consegue terminar um livro. Perambula perdido pelas ruas da LAPA do Rio. Sua mulher, envolta por uma tese, é quem movimenta a relação.
Ela conhece uma argentina bailarina, a atriz LUZ CIPRIOTA, com um corpo digno de um comercial de cerveja QUILMES [deixaria muita carioca bombada no chileno Havaianas], e aparentemente tem um caso com ela.
O ciúme do marido traído resulta numa retaliação: dá em cima da amante, até conquistá-la.
No entanto, o charme de Caio Blat e as ironias do personagem ganham o filme. Pouco a pouco, a trama surpreende. O pai, o sempre genial DANIEL DANTAS, apenas num olhar, define a enrascada em que todos se envolveram.
Filme moderno, ágil, divertido, que dignifica o rótulo de independente.
Uma estreia ótima para um primeiro longa de HALM, veterano em curtas e conhecido na indústria.

+++
Em homenagem ao filme, decidi colocar aqui uma crônica [na íntegra] minha de 2006: O AMOR NÃO ACABA
O amor acaba?
O cara disse. Numa esquina, num domingo, depois do teatro e do silêncio, na insônia, nas sorveterias, como se lhe faltasse energia. Ele não volta? Não deixa rastro ou renasce? Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está, na sombra apagada pela luz, na poeira suspensa, na revolta da memória inconformada. Na solidão, lá vem ele, volta, com lamento, um quase desespero, e penso nos planos perdidos, que vida sem sentido… Na insônia, o amor cai como uma tonelada de lápide, e se eu tivesse feito diferente, e se eu tivesse sido paciente, e se eu tivesse insistido, suportado, indicado, transformado, reagido, escutado, abraçado? Na sorveteria, ele volta, o amor, em lembranças. Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida dela, aquela sorveteria era a preferida dela, aquela esquina, aquele bairro, aquele clima, aquela lua, aquele mês, aquela temperatura, aquela raça de cachorro, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos… No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, rirem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, escreverem ao lado do Atlasado: “Eu te amo”. Saudades é amor. Não se tem saudades do que não se amou. O amor não acaba, porque tenho saudades, me lembro dela, me preocupo com ela, torço por ela, e se sonho com ela, meu dia está feito. O amor não pode acabar, porque sem ela ou sem a esperança de revê-la, até a chance de tê-la de volta, não vejo a paz. Ela é uma trégua na minha guerra pessoal contra a minha paixão por ela. Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou. Passei meses amando como se não tivesse acabado. Ficaria anos amando mesmo se não tivesse voltado. O amor não acaba, muda. O amor não será, é. O amor está. Foi. Nas tantas músicas que ouvimos, que dançamos colados, trilhas das noites frias em que você sentava em mim nua, enquanto os meus braços imobilizavam os seus. Amor. O não-amor é o vazio. O antiamor também é amor. Eu te amava quando você respirava no meu ouvido. Lembra do meu dedo dentro de você? Amo-te, amo-te, amo-te. Instante secreto, sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz: Eu te amo! O amor acabou quando você se foi? Você sentiu saudades das minhas paredes, das cores das minhas camisas, da umidade da minha boca, do cheirinho do meu travesseiro, da minha torrada com mel, das noites pelados assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol, do café da manhã com jornal, você sentiu falta de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, de eu te indicar um livro, do cinema gelado em que vimos o filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, você sentiu falta da minha risada, inconveniência, de eu ser seu amante, noivo, amigo e marido, dos meus olhos te espiando, dos meus dentes mordendo e mastigando, ficou tanto tempo longe e pensou em nós especialmente bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever, meu cheiro aparecia de repente, meu vulto estava sempre ali, acaba? Diz que acaba. Como acaba? Não acaba. Diz, não acaba. Repete. Falei? Não acaba. Pode virar amor não correspondido. Pode ser amor com ódio, paixão com amor. Tem o amor e o nada. Ah, mais uma coisa. Antes que eu me esqueça. O amor não acaba. Vira. Se acabar, não era amor.
A loucura que nos inspira é a mesma que nos mata.
Ela nos faz cada vez mais defendermos a paz.
E sugerirmos as saídas.
Tentamos rir da loucura, para ver se damos um jeito no mundo.
Porém, teimoso, ele reage mostrando que a raiz é mais profunda.
Nosso papel?
Enxugar as lágrimas.
E continuarmos…
Com a revolta de agora nos inspirando.

Retomamos a vida.
De onde paramos.
Aprendemos lições.
Mas não sabemos se não repetiremos os mesmos erros.
Ou se evitaremos os confrontos.
Que nos fazem mais vivos.
Talvez mais sábios e prudentes.
Alguma coisa muda.
As cicatrizes estão aí para provar.
Mas se continuamos por aqui, que tal festejar?
Como fazíamos, quando um incidente quase nos tirou
O rei da ralé


É um caminho que ainda pretendo seguir.
Mas já usaram o meu nome.
Inventarei um pseudônimo.
Quer checar?
http://radialistacleisonferreira.blogspot.com/2009/04/marcelo-paiva-e-santiago.html
Humilharam o povo de Pandora, planeta com vastas florestas, os avatares, de pele azulada, monogâmicos e herdeiros dos hippies, ecologicamente corretos, que dormem em árvores que têm sentimentos e repousam sobre grandes jazidas.
O Oscar foi para aquele filme chato que dói, GUERRA AO TERROR, dirigido por uma mulher, K. Bigelow, alta como uma avatar, a primeira diretora de saias a ganhar uma estatueta de direção.
Filme de guerra tudo a dever aos grandes clássicos como PATTON, CANHÕES DE NAVARONE, A GRANDE ESCAPADA, APOCALIPSE NOW, FULL METAL JACKET e tantos outros que angariam fãs e nos fazem pensar.
Um episódio de BAND OF BROTHERS ou GENERATION KILL, da HBO, é mais intenso e bem dirigido do que GUERRA AO TERROR.
Mas e a culpa?
Ah, sentimento que estrangula os americanos e membros da Academia, e que os obriga a sempre passar a história a limpo, reafirmar seus princípios, repensar seus métodos, e a homenagear os heróis que tombarem pelos erros dos outros e o direito de todos desfrutarem as delícias do mundo livre.
Erraram ao exigir em histeria a guerra. Perceberam tarde demais. É mais fácil entrar numa guerra do que sair dela.
E homenageiam o filme que humaniza o soldado desmontador de bombas, com narrativa bacana, longo demais, nada surpreendente, filme que quase passou desapercebido.
Não se avaliou o cinema, as ousadias, mas os pobres coitados que salvaguardam o direito de livre expressão, e premiaram uma mulher pela primeira fez.
Por que não deram antes para Sofia Copolla?
Ora, não me façam perder quase 3 horas.
Então mudem o nome da estátua para OLGA e convidem os fuzileiros para a cerimônia. Mas foquem a premiação no cinema. “A Olga vai para…”
E esses argentinos hein?
Não bastam invadir Búzios e Floripa.
Já ganharam 2 Oscar, 1 Nobel, 22 Libertadores. E nós, com 4 vezes mais de gente?
Ganhamos mais Grammy. Mais copas do mundo. E nossas praias e frutas são mais exóticas.

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, do Campanella, é um filmaço. Uma história intrincada, perturbadora, com uma produção impecável.
Repare na cena do estádio. Explique seus efeitos e o voo da câmera. Como fizeram aquilo?
Perceba o olhar do assassino para o decote da promotora, o que a leva a condená-lo, no momento em que estava quase convencendo da sua inocência.
Filme de amor eterno. Com pitada de História.
Até o melodrama, como a cena do trem, fantasiosa e exagerada, é desmontada em seguida.
Não vou falar muito. Só uma coisa. Esses argentinos são bons de carne, doce de leite e cinema…
Tem dia que nada dá certo.
Mas ao menos, é preciso buscar uma distração e esperar.
Como diria o amigo Rui Mendes: “Até creio em Deus, mas acho que ele não dá a mínima pra mim.”

Esperar por uma ajuda insesperada.
E colo.
Ele sempre aparece de quem menos se espera

E a vida continua.

![]()

“Carla Bruni?”
“Trubufu! Calhau!”
“Fala sério…”
“Se me ligar, digo que sou um monge em retiro e meu francês é péssimo.”
“Ela não vai te ligar.”
“Quem garante?”
“Ela não vai te ligar.”
“Ei! Sou eu o do contra.”
“Maria Sharapova?”
”Mocréia!”
“Como é que é?”
“Baranga! Bagulho! Xonga! E ainda urra como um urso quando bate na bola. Já ouviu? Não joga nada.”
“Mas e a paralela?
“É na paralela que você presta a atenção?”

“Gisele?”
“A Bündchen? Xô! Que pergunta… Magrela sem-sal. Anda toda torta, como aquelas pessoas no farol vendendo canetas. Dá-lhe umas muletas.”
“É uma gata!”
“Uma coisa patética.”
“Luana?”
“Nem sei quem é.”
“Penélope Cruz?”
“Credo! Muda, vai.”
“Samba jazz?”
“Que chatice!”
“Como é que é?”
“Agora, só se fala nisso?!”
“Não gosta?”
“Música de frases feitas.”
“Frases feitas?”
“E dois acordes! Tô fora!”
“Seu Jorge?”
“Detesto. Mala, chatinho, com músicas chatinhas. E faz propaganda de cerveja. Que mala!”
“Tá bombado no mundo.”
“Problema dele.”
“Zeca Pagodinho?”
“Outro. Fez a mesma propaganda. Agora, todos fazem propaganda de cerveja. Até aquele cantor do Rappa, mala metido a preocupado com a injustiça social. São os malas mais malas.”
“Você não está exagerando?”
“Aquele Carlinhos Brown também fez a mesma propaganda. Mas esse é mala unânime. Qual é? Malas, todos! Tudo mudou, reparou? Antigamente, artista não fazia propaganda. Ainda mais de cerveja. Artista era artista, defendia uma causa nobre, morria na dureza, mas não entregava o maior bem, a inspiração, a liberdade de criação, não se vendiam. Noel Rosa fez propaganda de xarope? E Cartola, de ótica? Olha, esse comentário dá até samba.”
“Ivete Sangalo?”
“Logo quem… Desengonçada!”
“Que grosseria…”
“Você perguntou. Faz propaganda da outra cerveja e de carro, telefone, sandálias, sei lá. A mina é um outdoor dançante.”
“Mas e a música?”
“E gritar ‘levantou a poeira’ é lá música?”
“Ronaldinho Gaúcho?”
“Perna-de-pau.”
“Fenômeno?”
“Gordo.”
“Kaká?”
”Bambi.”
“Cidade de Deus?”
“O filme? Fora de foco, descontínuo, sem pé nem cabeça, com um monte de ator ruim, que nem era profissional, como esse tal de Seu Jorge, que mala…”
“Nelson Rodrigues?”
“Machista.”
“Machado de Assis?”
“Racista.”
“Lima Barreto?”
“Caso de hospício.”
“Mário de Andrade?”
“Outro. E homofóbico.”
“Oswald?”
“Comuna!”
“Plinio Marcos?”
“Analfabeto.”
“Paulo Autran?”
“Canastrão.”
“Fernanda Montenegro?”
“Sem voz, sem voz…”
“Respeito!”
“Você quem provoca.”
“Você não pode estar falando a sério.”
“Não?”
“Glauber?”
“Direitista!”
“Os Sertões?”
“Chatinho.Tentou ler?”
“Grande Sertão: Veredas?”
“Não entendi nonada. Tô fora!”
“Os serviços telefônicos de atendimento ao cliente?”
“Perfeitos. Bem treinados e educados.”
“Mas no Procon…”
“Malas, malas.”
“O uso do gerúndio das atendentes?”
“Um charme, não acha?”
“Dilma e Serra?”
“O amor não é lindo? Simpáticos.”
“George Bush?”
“Grande estadista!”
“O filho?”
“Ambos!”
“A Guerra no Iraque?”
“O mundo não está melhor sem Saddam?”
“Puxa, mas você é do contra, mesmo.”
“Não sou, não!”
publicado no estadão de sábado:
Num espaço público, o anônimo vira estrela, se excede, confessa seu racismo, sexismo e todos os ismos empastelados pela modernidade: leitores que postam comentários em blogs e, através de emails falsos, não querem ser identificados.
É a praga que perturba a paz de muitos blogueiros.
Fui alertado sobre eles, quando comecei o blog há um ano. Já que eu não os deletava, pouco a pouco contaminaram o ambiente, jogaram a sua ira contra mim, o veículo, os temas postados.
Blogueiros mais experientes me aconselhavam a eliminá-los na simples operação deletar. Mas, filho de quem sou, um democrata radical, que seguia os princípios de Voltaire (“posso não concordar com o que diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizer”), aprovava os insultos, alimentava polêmicas, respondia à altura.
Quando comentei o fechamento da festa Gambiarra por um fiscal frequentador, a ira foi contra os boêmios, arruaceiros que desgraçam o sono do trabalhador comum. Um leitor me perguntou: “Já fumou a sua macoínha hoje?” Foi o primeiro a ser deletado.
Críticas sobre meus livros e ideias nunca me incomodaram. Mas descobri o direitista radical, que não pode se expor publicamente- pois no Brasil somos todos moderninhos e sem preconceitos- e despejava a sua raiva contra aqueles que combateram a ditadura.
Fruto das aposentadorias incabíveis, ou das opções políticas de ex-combatentes, como Zé Dirceu, Genoino e a gangue do mensalão, que causou um estrago incalculável para a história do País, manchando a imagem de milhares de vítimas.
Até um comentário me convencer a expurgar de vez para a lixeira o ódio e a intolerância. “A ditadura fez um trabalho pela metade, matou apenas o seu pai”, escreveu um anônimo.
Falar do regime militar divide opiniões. Descobrem-se pelos blogs os muitos desinformados e uma nova geração que confunde fatos, personagens e períodos.
Ao narrar histórias sobre o desaparecimento político do meu pai, li aberrações como: “Meu pai nunca fez nada, ficou tranquilo em casa e está vivo. O seu deve ter aprontado.”
Os debates sobre a Lei da Anistia geraram posturas radicais. Muitos disseram que militares não poderiam ser punidos por combater terroristas assassinos e ladrões de bancos. Até um amigo italiano, Luigi Ghermandi, revoltado, dar um ponto final à confusão: “Ninguém que se opõe a uma ditadura é terrorista, que fique claro”.
A ignorância encontrou a sua voz através do anonimato de comentários em blogs. Revela a triste constatação de como nossa história está mal contada.


Hoje em dia, é difícil passar em branco. George Orwell, muito antes da revolução tecnológica, profetizou. Somos todos protagonistas de um show transmitido ao vivo.
Câmeras nos elevadores intimidam. Represam ambições infantis de se escrever bobagens no teclado, dar um beijo ardente de despedida ou aquecimento, apertar todos os botões, checar o figurino, fazer caretas para o espelho, cantar a vizinha, comemorar a promoção, bufar de alívio depois de um almoço familiar conflituoso.
Lá estão as câmeras pelos corredores e garagens do condomínio. Uma barbeiragem é registrada. Uma cutucada sem querer no para-choque do carro do subsíndico ganha convocação para uma reunião extraordinária com provas.
Nas portarias, nos fotografam agora, roubam uma lasca da nossa alma, como acreditam os Ianomâmi. Devo olhar para a câmera? Estou bem? Mas o vento da rua me despenteou…
Não existe um canto do metrô em que não se é filmado. E ainda por cima nos pedem para sorrir.
Nas estradas, calçadas, cruzamentos, faixas de pedestres, supermercados, farmácias, escolas, somos vigiados por lentes secretas, ou nem tanto, arrogantes, contra quem nada podemos.
E do outro lado, pelos monitores, um mortal analisa nossos gestos suspeitos, nos segue perguntando se ali está o pequeno criminoso, ou o grande terrorista, que enfim flagrará cometendo delitos, o que justificará o seu salário e todo o aparato investido.
Quem, para eles, levanta suspeitas? Reparam se estamos vestidos apropriadamente, se os sapatos estão engraxados, tingimos os cabelos e deixamos a barba crescer? Nos reconhecem de outras filmagens? “Engordou nas férias, hein?”
Botox, implante capilar, silicone, dietas milagrosas são notadas? Descobrem se paramos de fumar, de beber, se abaixamos o colesterol, se nos apaixonamos?
Sentem saudades? Na solidão das salinhas escuras, nos consideram amigos ou inimigos? Ou somos apenas o estorvo que os obrigam a ficar horas diante de uma tela P&B? Alguém já se apaixonou pelo seu alvo? E rolou depois, como no filme uruguaio Gigante?

HORACIO CAMANDULE DO FILME GIGANTE
Existem câmeras os filmando? Outro mortal os vigia? Que é filmado por outras câmeras, num ciclo sem fim; mandala digital.
No trabalho, descobrem quando estamos enrolando, papeando pelos sites de relacionamento, baixando músicas, esmurrando a máquina de café ou xerocando o CIC e RG para outros fins.
Muitas cortes supremas autorizaram o filtro sobre nossos emails. Alguém os lê, numa absurda quebra de sigilo. E descobre quem “na firma” é a fim de quem, quem trai o marido, bebeu demais no happy hour do dia anterior, detesta o chefe, o trabalho, a empresa, a corporação, o sistema, o mundo, a vida.
Do outro lado das conexões, sabem o que lemos. E das nossas operações financeiras, compras esdrúxulas, reservas de viagens, onde passamos as férias, com quem, por quanto tempo, e se nos excedemos no balcão de bar da piscina do resort.
Qualquer detetive particular consegue grampear telefones e ouvir as confidências mais indecentes. Alguns celulares até indicam onde estamos. Até do espaço, satélites nos seguem, como se fossemos mártires de uma organização fundamentalista numa guerra santa em busca das prometidas mil virgens.
Vai ver somos, e logo, logo começaremos uma jihad pela volta da nossa privacidade.
2012
2011
2010
2009