Entrega ontem do VI Prêmio FIESP/SESI do Cinema Paulistano.
Cerimônia no prédio da FIESP na av.Paulista. O filme FIEL concorria a 3 prêmios [trilha, montagem e roteiro]. Não levou nenhum. Júri bambi.
Brincadeira. Minha amiga ANNA MUYLAERT ganhou os prêmios mais importantes com o ótimo filme É PROIBIDO FUMAR [roteiro, direção, melhor filme e melhor atriz]. Merecidos. Ao final, dedicou o prêmio ao cinema… pernambucano!!! Ninguém entendeu, ANNA. Depois você explica.
BRANCO MELLO ganhou a melhor trilha pelo doc TITÃS, A VIDA NÃO É UMA FESTA.
E BESOURO ganhou a maioria dos prêmios técnicos. Também merecidos. Júri Bambi, mas justo.
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E acabam de me ligar para avisar que clonaram um dos meus cartões de crédito.
Era da loja PODEROSO TIMÃO me perguntando se comprei um agasalho do CORINTHIANS.
Só podia ser. Como diria ZÉ SIMÃO, é o País da piada pronta. Confirmei a clonagem e quase aproveitei para encomendar um agasalho para mim também.
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Este é o mês ideal para tirar a roupa de domingo do armário e ir ao teatro.
Pois estrearam ótimas peças, já que a temporada sempre começa pra valer no final de março.
Antunes Filho estreou POLICARPO QUARESMA no SESC ANCHIETA, baseado no maior livro de LIMA BARRETO, uma espécie de BRÁS CUBAS republicano [a mesma levada do clássico de Machado, só que de um homem "comum", um cidadão].
No CCBB de São Paulo, ÊXTASE, do grande MIKE LEIGH, dirigida por MAURO BATISTA, excelente diretor que surpreendeu a classe com A FESTA DE ABIGAIU. Com MÁRIO BORTOLOTTO de cabelo tingido e dez anos mais jovem.
CIBELINHA FORJAZ estreou O IDIOTA – UMA NOVELA TEATRAL, adaptação em 3 partes da obra de Dostoievski, no SESC POMPÉIA.
E FELIPE HIRSH estreou CINEMA, no TEATRO DO SESI.
Sem contar que estão em cartaz duas peças que questionam o casamento e o papel da mulher na modernidade, ESCOLA DE MULHERES [de Molliere], dirigida pelo ROBERTO LAGE, no TEATRO VIVO, e a ótima O INFERNO SOU EU, sobre a visita do casal SARTRE e BEAUVOIR ao BRASIL, dramaturgia de alto nível e relevante de JULIANA ROSENTHAL, no TEATRO JARAGUÁ. MARISA ORTH faz SIMONE. Diva.
Boa deixa do coelhinho da Páscoa.
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Essa moda vai pegar?
Arthur Saraiva me mandou de campinas:


Anos atrás, eu e um amigo também escritor nos apaixonamos pela mesma mulher, uma atriz de teatro com voz marcante, um corpo perfeito, boêmia, culta, poeta nas horas vagas, que canta, dança, sapateia, faz mágica, joga pôquer, tranca e gamão, e tem um monótono figurino no armário, apenas minissaias e botas.
Era o tipo de mulher ideal para um escritor, pois sabe ser caseira e paciente na hora certa e baladeira e inconveniente na incerta.
Ela estava no elenco de peças que ensaiávamos. Às tardes, comigo, às noites, com ele. Às madrugadas, íamos comer, beber, conversar, rir e nos fotografávamos abraçados.
Até confessarmos simultaneamente o nosso amor.
Nós dois descobrimos o quanto ela nos inspirara. O quanto aqueles ensaios giraram em torno dela, como ocorrera nas leituras. Talvez, até, como profetas, o quanto ela se encaixara em nossos personagens, que pareciam terem sido escritos apenas para ela, antes de a escalarmos. Nenhuma outra atriz conseguiria fazê-los.
E, juntos, a pedimos em casamento. Ela adorou. Mas, claro, profissionais que somos, sabemos que uma relação amorosa não pode se desenvolver numa pré-produção. E enquanto ela descobria os personagens. Talvez depois da estreia. Nossas atenções devem estar focadas apenas no propósito e difícil missão de levantar um espetáculo
Estrearíamos na mesma época. Na mesma cidade. Minha peça seria exibida aos fins de semana. A dele, no horário alternativo [terças e quartas].
Enquanto não estreávamos, bolamos os três uma forma de como lidar com aquele impasse. Meu amigo propôs.
Depois de duas semanas de peça, tempo suficiente para ganhar voo próprio, alternaríamos nosso amor, dividiríamos a rotina sem culpa, ciúmes. Dia sim, dia não, ela moraria com um de nós. Dias pares com ele, dias ímpares comigo.

Mas ela reclamou que precisaria de um dia de folga, afinal, mulheres têm seus misteriosos afazeres e desejos secretos, amigos gays, amigas tagarelas sempre em crise na relação e em busca de conselhos. E muitos ex para lidar.
Então, decidimos. Segundas, quartas e sextas, com ele. Terças, quintas e sábados, comigo, dias que eu não tinha natação. Domingo era a folga dela. Que iria para a sua casinha viver o seu mundo paralelo e fazer sobrancelha, depilação, massagem linfática, pés e unhas.
Desenvolvemos melhor o projeto ambicioso. Não iríamos buscá-la na casa do outro, para evitar encontros desconfortáveis. Pagaríamos a sua gasolina. Faríamos um inventário dividindo nossos bares e restaurantes preferidos. Metade para ele, metade para mim.
Mas o mais importante. As comparações estavam terminantemente proibidas. Jamais ela revelaria detalhes da noite anterior, em que estava com o outro.
Não diria o que fizeram, assistiram, comeram, se ele prefere bem ou mal passado, balsâmico ou limão, com gelo ou sem, se ronca, dorme de conchinha, se é mais carinhoso ou mais estilo local de um forró de Trancoso, se gasta tempo com preliminares, dorme de pijama, sentiu frio ou calor na noite anterior, prepara o café da manhã, escreve de dia ou de noite, tem um Mac ou um PC, usa Aurélio ou Houaiss, prefere Beckett ou Brecht, jazz ou blues, Seinfeld ou Friends, House ou Californication, Patrícia Poeta ou Ticiana Villas Boas, se assina um jornal ou lê pela internet, se twitta assim que acorda, quais blogs lê, se coloca despertador para acordar, escova os dentes após as refeições, usa cuecas, meias, anda pela casa de Havaianas legítimas ou não, ou descalo, se tem gato ou cachorro, reniti alérgica, colesterol alto, pressão baixa, qual o tipo sanguino, se adoça o café, lava a louça só no dia seguinte, arruma a cama, liga do fixo ou do celular, em qual banco tem conta, se compra DVD pirata ou é contra alimentar o crime organizado, se eles tomam banho juntos, lê quadrinhos, se também odeia axé, zappeia muito, ou nem ligam a TV, se ele tem insônia, frita na cama ou se levanta e vai fazer um chá de erva cidreira, ou prefere camomila, se prefere dinheiro ou cartão com chip, quantos pontos tem na carteira, se usa ITunes ou Media Player, se passa fio-dental todos os dias, põe a camisinha ou pede gentilmente que ela seja colocada, se a impressora é a laser ou jato de tinta, compra flores pra casa, quais móveis da Tok Stock tem, carrinhos de brinquedos na estante, clássicos, que compra em sebos, cinzeiros roubados com o logo dos bares, se bebe água em copos de requeijão, prefere do filtro ou mineral, com gás ou sem, gelada ou sem gelo, se o refri é light ou zero, em garrafa ou em lata, se prefere cerveja no copo ou vale na lata, se tem manias, humor, se fala sacanagens na cama, se beija de olhos abertos.
E, por último, imprescindível, para que tudo desse certo. Jamais saberíamos o número de vezes que ela atingia o clímax com o outro.

Estreamos as peças. Ela mandou bem. Foi elogiadíssima por todos. Nos emocionou. Se entregou às personagens. Fez de verdade.
E começou a namorar outro ator, de outra peça, de um teatro maior, que ficou muito mais tempo em cartaz e, detalhe irrelevante, fez mais sucesso do que as nossas. Galã que a tem todos os dias, exceto aos domingos, que é nosso na mesa de um bar, em que continuamos nos fotografando abraçados.
Escritores viajam…
Me convidaram parte fazer parte do júri de um dos mais importantes prêmios literários do Brasil. Desses que dão uma grana preta para os vencedores.
Fiquei honrado. Até porque já concorri duas vezes ao mesmo prêmio e nem se quer fiquei entre os finalistas.
Confiam no meu “gosto” literário e na minha capacidade de julgar uma obra.
Não acredito muito em prêmios, apesar de já ter ganho alguns literários e teatrais. Até este blog já ganhou um.
Tão difícil indicar qual obra é a melhor, qual autor é superior.
Não se premia empiricamente a arte. Não existe métrica possível capaz de revelar que algo é maior o que alguém é melhor. É uma atitude subjetiva, movida pela alma, não pela razão.
Nem tenho tempo para ser jurado de um prêmio, que deve ler e ver de tudo.
Mas me seduziu a ideia. Achei que talvez chegara a idade de começar a julgar.
Numa troca de emails surrealistas, perguntei então aos organizadores como seria o meu trabalho.
Eu teria que escolher alguns entre 420 livros inscritos.
E quanto tempo eu teria para ler tudo isso? 1 mês.
Fiz as contas rápido. Uma média de 14 livros por dia. Sem dormir, tomar banho e comer por 1 mês, eu teria que ler 1 livro em menos de cada duas horas.
Ri.
Então como seria? Eu indicaria aquele cantor de olhos azuis, de quem todos gostam, dois autores da moda, um iniciante com talento, um amigo e uma barbada, desses que sempre faturam os prêmios literários?
Agradeci o convite e disse ser impossível julgar. Que até poderia aceitar e indicar alguns livros aleatórios, ou os que li, ou amigos, ou os da minha editora.
Mas que eticamente eu não me sentia à vontade para fazer parte de um jurado tão importante. Pois meu julgamento estaria contaminado pelo escasso tempo oferecido.
Se eu não concordava com as decisões de muitos jurados de prêmios, agora então…
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Numa Marginal do Tietê congestionada, eis que encosta ao meu lado um mangá!
Não pude deixar de admirar a ideia.
E imaginar: todos os carros da cidade poderiam ter um, ou pensamentos, frases, retratos, piadas, poemas, para nos fazer passar o tempo no trânsito infernal da cidade.
Ainda por cima, o interior do carro da figura era verde limão.
Que figura…


Tentaram me ensinar desde cedo a ficar em cima do muro.
Não deu muito certo.
Já peguei leve e pesado.
Mas nunca consegui NÃO ser gauche na vida.
Um anjo torto me apontou: Vai cair desse muro, Marcelo.
Faça barulho.

Segunda-feira foi casamento da Helena, atriz e circense, e Raul, ator e palhaço.
Uma cerimônia budista com todos os rituais de uma cerimônia, num clube bucólico e amplo de Higienópolis, ao ar livre, cujo sexteto de cordas tocou Led Zeppeling [só a primeira parte de Stairway to Heaven] antes da noiva entrar, Beatles e Bach depois.
Raul, eufórico, era o mais agitado. A noiva não parou de chorar. Nem as madrinhas. Nem as amigas. Por que mulheres choram tanto em casamento?
Se veem ali? Invejam? Torcem?
Ou é um melancólico sentimento de que a instituição tão massacrada pela modernidade possa ainda resistir, e o amor eterno vencer no final?
Choram de saudade do tempo em que todos acreditavam em final feliz?
Ou as palavras, a entrada, os chás da monja, cheio de bonitos significados, a sua simplicidade, todo teatro organizado, a entrega espiritual e depois contratual, a delicadeza da cerimônia florida, a troca de alianças e o beijo definitivo contaminam?
Por fim, jogamos arroz integral nos noivos e caímos numa balada, em que toda a Praça Roosevelt [Raul é um dos donos do Espaço Parlapatões, o nosso ponto obrigatório] se jogou, dançando de Billy Idol a George Michael.
Os bêbados de sempre tretaram, as paqueras de sempre rolaram, as discussões de sempre, as piadas de sempre, apenas mudou o cenário e o figurino.
Bem, as meninas. Os rapazes seguiram para a festa com a roupa de sempre. Se elas choram em casamentos, eles odeiam gravatas.
Vida longa para o casal! Que já está informalmente casado há 7 anos. E oficialmente grávido. Neste, boto fé.
Então me veio a dúvida: Onde estão os tiozinhos bêbados e as tiazinhas dançando estilo discoteca de todos os casamentos, aqueles em que íamos para reclamar que só vão velhos.
Ora, veio a luz. Nós éramos os tiozinhos bêbados, e as amigas dançando estilo anos 80, as tiazinhas.
O tempo passa. Virei o tiozinho que extrapola em casamentos. Quem diria…
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Presença marcante em eventos dos Parlapatões é a de anões. Com quem gasto horas conversando, pois ficamos na mesma altura [piada interna] e nos identificamos.
Desta vez, numa longa conversa com a enfermeira KÊNIA, que trabalha há anos na Beneficência Portuguesa, e o ator HÉLIO, soube de detalhes que me deixaram pasmo.

De cada 20 mil crianças que nascem, uma tem nanismo. Que é uma mutação genética, diferentemente do que a maioria pensa.
Pais normais podem ter um filho anão. Como um casal de anão pode ter filhos normais, apesar da alta probabilidade de nascer anão.
Há casos de um casal de anão ter tido gêmeos, um com nanismo e outro sem.
Os pais de HÉLIO e KÊNIA não são anões. Mas a filha deles, MARIA RITA, é [cercada por eles na foto]. Existem 80 tipos de nanismo.
E só em 2004 eles passaram a ser considerados oficialmente PORTADORES DE DEFICIÊNCIA, e se enquadraram como pessoas que podem usufruir das diversas leis pelas quais lutamos há décadas.
E eu, como um militante das antigas, não sabia de nada disso.
Mas o banheiro que é bom para um cadeirante, seguindo um desenho universal e as normas técnicas, é péssimo para um anão. Assim como um ônibus de piso baixo, o ideal para os cadeirantes.
Só agora eles têm o direito de parar nas vagas para deficientes, entrar nas leis de cotas e adquirir carros sem impostos. E preferem não uma casa baixinha [como o andar 7 ½ do filme EU QUERIA SER JOHN MALKOVICH], mas uma normal com degraus nas pias e camas.
E não existe uma loja de roupas adequadas para anões no Brasil. Não, eles não vestem roupas de crianças, são outras medidas, especialmente os sapatos.
Bebendo e aprendendo…


Este moleque passa algumas horas do dia no meu colo.
Como um ritual.
Quando estou escrevendo. Quando chego em casa.
E fica me olhando.
Queria tanto saber no que ele pensa.
A ciência já descobriu o que passa pela cabecinha deles?
Será que um dia no futuro poderemos nos comunicar mais intensamente?
E olha.
Encara.
Observa.
Olha.
Olha
Será que ELE sabe no que estou pensando?
Ou como eu também tenta adivinhar?



Primeiro alguém teve a ideia de fazer um catálogo com as amigas do MARIÃO.
Doze.
Entre elas, HELENA, que está com ele em CURTIBA, onde estrearam a sua nova peça, MÚSICA PARA NINAR DINOSSAUROS, que ficará aqui em cartaz nos PARLAPATÕES a partir de abril.
HELENA se casa amanhã com RAULZÃO. Aliás, serei um dos padrinhos.

Dani também está nessa.
Asim como Cacá Manica, Clara Averbuck, Lu Caruso e outras amigas que frequentam nossas mesas e corações.
Claro que alguém se perguntou: E A RALÉ?
Então, PAULO STOKER criou o BORTOLOTTO BOYS, doze pilantras que acompanharão o catálogo. Entre eles, este aqui.

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Saiu a lista de Indicados ao prêmio FIESP/SESI do Cinema Paulista.
Eu e Serginho Groisman estamos indicados como MELHOR ROTEIRO pelo filme FIEL.
Sensacional. Um documentário de futebol que vai além. Também indicado para melhor TRILHA e MONTAGEM.
E que levou um público novo ao cinema.
Até hoje sou abordado na rua e cumprimentado por causa do filme.
Já disse por aí: Antes, se eu morresse, a manchete seria MORRE AUTOR DE FELIZ ANO VELHO. Agora, MORRE ROTEIRISTA DE FIEL.
Queria agradecer aos corintianos do júri.
Mas o filme tem a mão e a alma de ANDREA PASQUINI, a diretora.
Outros indicados. Belo time:
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Melhor Filme
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| O Menino da Porteira É Proibido Fumar Besouro |
| Melhor Diretor |
| Anna Muylaert (É PROIBIDO FUMAR) João Daniel Tikhomiroff (BESOURO) Fernando Meirelles E Toniko Melo (SOM E FÚRIA) |
| Melhor Ator |
| Daniel (O MENINO DA PORTEIRA) Cauã Reymond (SE NADA MAIS DER CERTO) Felipe Camargo (SOM E FÚRIA) |
| Melhor Atriz |
| Vanessa Giacomo (O MENINO DA PORTEIRA) Glória Pires (É PROIBIDO FUMAR) Sílvia Lourenço (QUANTO DURA O AMOR?) Maria Clara Spinelli (QUANTO DURA O AMOR?) |
| Melhor Roteiro |
| Sergio Groisman E Marcelo Rubens Paiva (FIEL) Anna Muylaert (É PROIBIDO FUMAR) Walbercy Ribas (O GRILO FELIZ E OS INSETOS GIGANTES) |
| Melhor Montagem |
| André Francioli (FIEL) Oscar Rodrigues Alves E Branco Mello (TITÃS, A VIDA ATÉ PARECE UMA FESTA) Gustavo Giani (BESOURO) |
| Melhor Ator Coadjuvante |
| Antonio Edson (É PROIBIDO FUMAR) João Miguel (HOTEL ATLÂNTICO) Pedro Paulo Rangel (SOM E FÚRIA) |
| Melhor Atriz Coadjuvante |
| Claudia Missura (O MENINO DA PORTEIRA) Giovanna Antonelli (BUDAPESTE) Danni Carlos (QUANTO DURA O AMOR?) |
| Melhor Direção de Arte |
| Adrian Cooper (O MENINO DA PORTEIRA) Claudio Amaral Peixoto (BESOURO) Rafael Ribas (O GRILO FELIZ E OS INSETOS GIGANTES) |
| Melhor Fotografia |
| Pedro Farkas (O MENINO DA PORTEIRA) Enrique Chediak (BESOURO) Rafael Ribas (O GRILO FELIZ E OS INSETOS GIGANTES) |
| Melhor Trilha Sonora |
| Luiz Macedo (FIEL) Nelson Ayres (O MENINO DA PORTEIRA) Titãs (TITÃS, A VIDA ATÉ PARECE UMA FESTA) |
| Melhor Curta Metragem |
| Pedra Bruta Pão com Mortadela Bailarino e o Bonde |
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TNE: Toalhas com Necessidades Especiais


Não aguento mais ouvir uma voz feminina afirmar com amargura e rancor que não quer mais se casar. As muitas seguidoras de Paulo Mendes Campos acreditam que, se o amor acaba, para que começar outro.
São aquelas que se casaram de branco, no dia mais feliz de suas vidas, apaixonadas e entregues, mas que depois enfrentaram a ira de um ciumento, as neuras de um obcecado, as fraquezas de um viciado, se envolveram com famílias alheias intolerantes, conheceram a frigidez na rotina, a traição injusta seguida pelas mentiras incabíveis, e decidiram pôr um fim no sonho de eternizar aquele instante em que tudo parecia fazer sentido, as estrelas estavam próximas, em que nasceram um para o outro e morreriam grudados, na alegria e na doença.
Aquelas que já passaram por um ou dois casamentos e mergulharam no tombo da separação, em que a decepção troca de lugar com o amor, e o futuro vira pó.
Eu não aguento mais replicar: “Se o amor nos enlouquece, imagine a loucura que é ficar sem ele.”
Para aquelas que dizem não acreditar mais no amor, proponho então experimentarem outros e apostarem nesse bilhete só de ida.
Uma noite de prazer acaba. Um banquete acaba. Uma viagem inesquecível acaba. O fim de semana na ilha paradisíaca, um campeonato, o dia, o ano, o gozo, um livro, um disco, um banho de banheira acabam. Não por isso, evitamos outros.
Ah, foi o dia internacional delas, que amamos tanto, que nos deram à luz, intuição, formas alternativas de pensar, mostraram detalhes que passavam despercebidos, exigiram atenção, dedicação, carinho, nos fizeram ser românticos, abafar a vergonha e nos inspiraram música, poesia, até guerras.
Mas sua descrença com os novos tempos e o velho homem nos deixa desesperados, órfãos. Nostradomus previu isso? Está escrito nos céus?
Se vocês não acreditam mais, quem acreditará? Lembrem-se de Nietzsche, que nos últimos dias numa vila italiana, com o calor na pele, viu alegria no niilismo e esperança no desamparo: “Cada passo mínimo dado no campo do pensamento livre, da vida moldada no seu formato pessoal, foi desde sempre conquistado com martírios espirituais ou corporais.”
Trégua. Que venham os clichês. Cá está o ombro para o choro da mudança de humor inexplicável e inesperada. Quer que eu apague a luz na enxaqueca? Explico com toda a paciência a regra do impedimento, quem joga contra quem, e o que significa aquele quadro no alto da tela, em que três letras, COR, vencem por 2 X 1 as três letras PAL.
Fique na cama na TPM. Trarei uma bolsa de água quente e o jantar. Sim, vamos comprar sapatos. Eu espero. Levo um livro, enquanto você experimenta a loja.

Adorei a cor do esmalte, o corte do cabelo. Batom vermelho te deixa mais bonita. Não, a calcinha não está marcando. Ah, põe o tubinho preto, se bem que gosto quando você coloca aquele vestidinho colorido. Não, o sutiã não está aparecendo.
Eu ligo para o despachante, faço um rodízio nos pneus, troco a bateria, reconfiguro seu computador, mando lavar o tapete, o forro do sofá, também adoro ele com almofadas indianas em cima.
Cuido de você na velhice, não te trocarei por uma adolescente que cheira a tutti frutti, nem pela secretária vulgar da firma, amarei a sua pele um pouco mais flácida, seus seios naturalmente instáveis, seu corpo maduro, seus joelhos frágeis. E tomaremos vinho tinto todas as noites. Prefere branco? Que celulite?
Porém a maioria de vocês conhece agora as teclas atalhos, a pressão nos pneus, sabem chamar o seguro, para uma pane elétrica, e que carrinho por trás dá cartão vermelho. Tornam-se independentes.
Pesquisa da Serasa Experian até mostrou que as mulheres são a maioria entre os mais ricos do País- segundo o estudo, cerca de 4,9 milhões de mulheres e 4,7 milhões de homens participam do grupo dos mais prósperos do Brasil, as classes A e B, e que as mulheres “ricas” somam cerca de 1 milhão, e 611 mil mulheres são executivas bem-sucedidas.
Foi uma semana cheia de dados e números sobre elas, vocês. E nós. Último censo do IBGE: o número de divórcios triplicou, enquanto o de casamentos formais, de papel passado, caiu 12%.
O amor se tornou líquido, não é, Zygmunt Bauman? “Se hoje vivemos em redes virtuais, que aproximam e afastam as pessoas, somos capazes de manter laços fortes e relações verticais?”, pergunta.
Eu entendi, deixamos de preservar o passado e começamos a viver um presente perpétuo, a era do hedonismo e consumo desenfreado, vazio difícil de saciar.
Desistimos da sede pelo amor? Não, mulher não é o apêndice do homem, mas a fonte original da vida e a nossa razão de ser. Não nos deixem desamparados. E aprendam com as nossas fraquezas e com todos os erros.

Amar ainda é a única maneira de convivermos com a sua delicadeza e alimentar nossa vocação de proteger e cuidar. Não façam do homem uma noite sem vento, um mundo sem gravidade. Parecemos tolos e infantis, controladores e insensíveis. Mas as amamos tanto…
Acaba mesmo? Comece outro. Antes que a amargura substitua o brilho dos seus olhos. E a pieguice, a rima e as metáforas sejam extintas.
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Revelado o segredo da incrível e comentada cena do estádio [um plano sequência] do filme O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, Oscar de Filme Estrangeiro de 2010.
Pelo próprio diretor. Incrível esses argentinos:
http://freak4tube.blogspot.com/2010/03/como-se-hizo-el-plano-secuencia-de-el.html

Os três pediram café; um curto, um carioca e um descafeinado. Rodrigo, homem de poucas e sábias palavras, manteve-se calado a maior parte, enquanto os outos dois…
“Quem é o seu melhor amigo?”, Marcos perguntou.
“Você?”
“Quem livra a tua cara de situações embaraçosas, te resgata à meia-noite quando o carro pifa, dorme com você em hospitais, paga a tua fiança, se for necessário, vira o teu fiador, teu guarda-costas, teu pára-raio.”
“Você, você, você.”
“Me conhece, quem é o teu amigo mais fiel?”, insistia Marcos.
“Você.”
“O mais contraditório?”
“Você”
“O mais doido, insatisfeito, incoerente?”
“Você”
“E o mais sedutor?”
“Você. Disparado.”
Chega o café e a conta. Marcos oferece pagar. E narra: “Não sou sedutor ortodoxo convicto, nem tenho o dogma como ideal de vida. Passei a praticar depois que a ex me largou. É um comportamento dúbio: querer me vingar, sair com o maior número de mulheres, e ao mesmo tempo sofrer de escassez amorosa. Nasceram rancores, depois de eu ter sido largado por duas mulheres que eu amo. Amava. Aquelas… Agora, procuro em cada mulher um novo atalho, que me tire desse estado.”
“Que estado?”
“De carência induzida. Procuro uma mulher que me faça esquecer. Como não encontro, testo, e me comparam a um galinha. Só existe uma pessoa que pode me salvar.”
“Quem?”
“A tua mulher.”
“A Lúcia? O que tem a Lúcia?”
“Tudo.”
“Tudo o quê?”
“Tenho pensado nela. Eu queria ter algo com ela.”
“Com a Lúcia?!”
“Você é meu amigo, não fique ofendido.”
“Ter o quê?”
“Uma relação.”
“De amor?”
“Sexual. Eu queria ter um caso com a tua mulher.”
Olharam o garçom passar o cartão e retirar o boleto. Olharam a fumaça do café. Como se nela, um futuro possível.
“Eu queria ir pra cama com…”
“Tá, tá, não precisa repetir. E será a única pessoa que pode te tirar do estado de carência?”
“Ah, você concorda com ele”, disse então Rodrigo.
“Cala a boca! Estou chocado.”
“Comigo?”, perguntou Marcos.
“Com a Lúcia. Não imaginava que ela tinha este poder.”
“De despertar desejos? De cura? Não me leve a mal.”
Ele olhou para Rodrigo, que bebericava o seu carioca.
“O que foi?”, perguntou Rodrigo.
“Você ouviu o que ouvi?”
“Lógico.”
“E você não vai falar nada?”
“O que eu posso fazer?”
“Me ajude a esganá-lo!”
“Mas é o seu melhor amigo. Se não rolar sinceridade entre amigos, não é amizade. E, ora, a Lúcia é um mulherão. Dos três, você é o mais sortudo”, disse Rodrigo.
Era o pacto. Dos três, ele era o único casado. E vivia desdenhando a mulher, Lúcia. Reclamava do seu temperamento, seus temperos, suas tendências, suas crenças. Os amigos Marcos e Rodrigo chegaram antes e combinaram. Porque são os seus melhores amigos. Resolveram provocar e demonstrar interesse em Lúcia, para que o amigo parasse de invejar aquela vida de solitários desquitados quarentões amargurados que, acredita, é mais inspiradora do que a sua de casado.
Rodrigo retomou: “Lúcia sempre foi a melhor e é ainda a mulher mais deslumbrante da cidade. Você não sabe o que ela provoca com aquele sorriso? Ela é interessada em tudo, conversa, faz perguntas, fala de assuntos sem o menor constrangimento, tem humor, uns dentes lindos, sabe se vestir com discrição, sabe como andar, os olhos mel que, quando bate sol, ficam verdes, fora aqueles braços com pelinhos loiros, ela é maluquinha…”
“Tá, tá, tá!”
“É uma coisa, mesmo!”, concluiu Marcos.
“Não fala assim!
“Melhores amigos falam tudo.”
Ele se levantou tonto. Nunca imaginara que Marcos comunicasse uma declaração com proposta tão indecente.
“Nem por um milhão de dólares!”, ele disse e saiu fora.
Os amigos enfim riram da provocação:
“Também, não é a Dennie Moore”.
“Nem você o Robert Redford”.
Ele dirigiu a noite toda pela cidade. O celular tocava, ele via, era Lúcia, não atendia. Guiou por todas as ruas da infância e adolescência. Depois, cruzou viadutos com nomes de militares. Passou por floriculturas e joalherias. Até voltar tarde para casa. Bem tarde. De mãos vazias. Entrou na ponta dos pés, como se um ladrão invadisse uma casa desconhecida.
Lúcia dormia. Que lindo. Olhou para a mulher. Encanto. Ela é deslumbrante mesmo. Lembrou-se das afinidades. Tomou um banho sorrindo. Uma coisa. E se enfiou na cama sem acordá-la. Então, ao invés de abraçá-la com toda a força, virou-se para o lado e começou a tremer de medo. Pânico. Uma mulher daquela, ele não conseguirá segurar, logo o primeiro que usar as palavras certas a levará, os amigos, o chefe, o professor de meditação, um garçom do Ritz, do Spot, do Habib’s, um cineasta pernambucano, o Rodrigo Santoro, o Tato Malzoni, o Quincy Jones! Eu sou um nada e me casei com a mulher mais charmosa, atraente e discreta da cidade, e nem reparava mais em tanto brilho no olhar, nem nos pelinhos loiros, nem no humor, nos dentes, ela se tornara comum, Lúcia, a patroa, a rotina, o estorvo, o entrave de uma vida sexual variada e dinâmica, e não a divindade que inspira poesia em todos os cantos.
Ele se levantou da cama. Olhou para os lados. O pânico se tornou incontrolável, terror. Suava. Falta de ar. Você não a ama mais. E ela o largará logo, porque é muita areia para o seu caminhãozinho. Sem acordá-la, abriu as gavetas e começou a fazer as malas. Deixarei o caminho livre, musa! Quando escutou a voz meiga de Lúcia.
“Môr? Que tá fazendo?”
“Desculpe. É inevitável. Não adianta me impedir. Cedo ou tarde…”
A São Paulo Indy 300 foi um dos eventos mais emocionantes que já organizaram na cidade.
Pista escorregadia, ondulada, poeira, sujeira, vários problemas… Mas lá estavam os carros a 330 km/h na Marginal do Tietê, o pesadelo da cidade, cruzando a pista de samba, sob uma tormenta de granizo, que chegou cedo demais.
Tudo montado em tempo recorde. Ninguém se feriu.
No entanto, a corrida foi ignorada pelo jornalismo da Rede Globo. Pois era um evento organizado por outra emissora, a Band, que por sinal é parceira da Globo na transmissão de jogos de futebol.
A guerra da concorrência falou mais alto, em detrimento da missão jornalística: informar. É uma antiga prática global que fere a ética e soa como mal-educação. No mais, o público da Indy poderia tomar gosto e migrar pra Fórmula 1, exclusividade da emissora, não?
Se um produtor tem um filme que não vem com o rótulo GLOBO FILMES, não consegue divulgá-lo nos programas de entrevista da emissora.
Muitos se queixam. A diretora Ana Muylaert reclamou publicamente. Gloria Pires, estrela do seu longa É PROIBIDO FUMAR, deu longas entrevistas para a emissora. As referências sobre o filme LULA, O FILHO DO BRASIL apareceram, já que é produção GLOBO FILMES. As sobre É PROIBIDO FUMAR foram cortadas.
Atores globais falam de seus filmes nas entrevistas. Tudo é cortado se não tem parceira global. Uma grosseria. No mais, ajudando a divulgar o cinema independente ou de outras distribuidoras, ajuda a levar público ao cinema, que pode se interessar pelos filmes da GLOBO, aquece o mercado, e todos saem ganhando.
O ridículo não tem fronteiras.
Atores que têm contrato com a emissora não podem participar das séries da HBO produzidas na AL. No entanto, a NET, braço de TV paga da Globo, retransmite a HBO, fatura com ela.
Teve um tempo que até comerciais de produtos estrelados por atrações de outras emissoras, como HEBE, ADRIANA GALISTEU, ELIANA, eram vetados na Globo. O mercado reagiu, ameaçou retaliar, e voltaram atrás.
Se você é de outra emissora, e quer entrevistar um ator global, vetado. Insanidade, pois tais atores estarão divulgando produtos da empresa que os contrata.
Quem vê David Letterman, da CBS, se cansa de assistir a entrevistas com apresentadores de emissoras concorrentes ou até atores divulgando séries das outras redes. Isso é liberdade de imprensa. Este é o dever de uma concessão pública.
No passado, a Globo se queimou. Demorou para cobrir as Diretas Já, o movimento de impeachment contra Collor. Manipulou informações, como a eleição para governador de Brizola [Caso Proconsult], e a edição desvirtuada do debate entre Collor e Lula de 1989. Pagou um preço alto, a falta de credibilidade jornalística
Como será a cobertura dos Jogos Olímpicos de 2012, de Londres, cujos direitos pertencem à TV Record?
Uma empresa com a grandeza da Globo se comporta como a velhota ranzinza do bairro. Não é apenas teimosia. É burrice.
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