Paris estava assim [foto do CAETANO VILLELA, que também estava lá].

Mas quem tem uma irmã dessa, se sente aquecido.

Aliás, nesta praça, morou o meu pai e seus 3 irmãos, no final dos anos 40. Minha irmã contou. Dos 4, 2 viraram de esquerda [exatamente os 2 à direita]. Tinham tudo para ser os playboys de SANTOS.

CLÁUDIO, JAYME, RUBENS E CARLOS PAIVA
Mas só no Brasil se vê essa cena: sábado quente, meio-dia, som na caixa do carrão, forró na pista, em frente a uma insuspeita estação de metrô.


E só consigo trabalhar assim. Apesar do carioca ser ele [MAURO MENDONÇA FILHO]. Enfurnados, finalizamos o último tratamento de NO RETROVISOR. Depois de anos. Peça que vira filme. Logo, logo. Agora vai…
Não sei o que acontece comigo.
No ano passado, fui rato de museu.
MUSEU PICASSO, DALI e FUNDAÇÃO MIRÓ [Barcelona]
SOFIA e PRADO [Madrid]
MOMA, DISCOVERY, HISTÓRIA NATURAL E METROPOLITAN [Nova York]
VERSAILLES, DE ORSEY, POMPIDOU e LOUVRE [Paris]
Além dos nossos MASP, MAM, MAC e Pinacoteca.

Coisa de babaca ficar listando os museus que frequentou.
Mas o que é estranho: nessas viagens, não fui a nenhuma BALADA. Idade? Que nada. Pagar caro pra ficar num ambiente escuro, apertado, esfumaçado, com músicas que escuto aqui, pessoas que dançam como as daqui e luzinhas piscando?
Aliás, sabe qual é a moda em Paris? Forro. Já são 3 casas com bandas ao vivo. E dançam como se fosse salsa.
Museu é como um clássico [parodiando Italo Calvino], deve ser visitado e revisitado durante toda a vida. A experiência adquirida nos faz reler obras que já conhecemos.
Cony ia a Pompéia todos os anos. Era um ritual. Vou ao de História Natural sempre que posso. Lembra J D Sallinger [O Apanhador no Campo de Centeio, outro clássico que sempre visito].
Mas me incomodou a recente visita ao LOUVRE. A quantidade de gente é insana. A ex-residência de LUIZ 13 é o museus mais famoso e mais visitado do mundo.
Sua estatura é simbólica. Um dos primeiros atos da Revolução Francesa foi transformar o palácio em museu e vender os móveis de Versailles, cuja construção trouxe a bancarrota do país e, ironicamente, colaborou com os princípios revolucionários- e o rei contruira para fugir do povo.
É o que um dia conseguiremos fazer com BRASÍLIA.
Então, de repente, uma tentação: fazer babaquices. E levar o cunhado e o sobrinho juntos.






PARIS, 2010
E de repente, olhando arquivos, descobri que esta cara de doidão do Van Gogh tento há tempos imitar. Sem resultado. Muito canastrão.
AMSTERDAM, 1989
Acho que sou um babaca na vida.
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Uma notícia que passou desapercebida.
Morreu jovem ainda a linda cantora e compositora Lhasa de Sela, americana que se criou no México.
Sua música, DE CARA A LA PARED, era a base da trilha e a alma da minha peça, A NOITE MAIS FRIA DO ANO.
Que triste…
Como Chico Science e Jeff Buckley, era daquelas musas que não deveriam morrer e nos deixar uma obra incompleta.


Pior que a bagaça é boa…
Essa pode, Marião?
O Hugo é muito jovem pra essas coisas.

Slogan preciso.
Não é scotch
Não é bourbon
É Jack
Essa vai pro amigo baixista ROBÉRIO, que se exilou em Salvador, com a sua tatuagem JD no braço e o cachorro mais famoso, boêmio e elegante da Praça Roosevelt, o Jack Daniels, que, aliás, adora a bebida.
ROBÉRIO anuncia a volta da sua banda CAMISA DE VÊNUS. Saiu até no blog da IVETE. Esses baianos são unidos da porra.
Adivinha qual dos 4 ele é.

Ia pro MARIÃO também. Mas ele disse que vai parar de beber JD.
Só cerveja agora.
Isso aí, MARIÃO. Porres diuréticos. Cicratizes curadas. Renovado.
Continue esse cara autêntico que você é. Que não se entrega, não faz concessões, não se vende e não abre mão dos seus princípios.
E nosso conselheiro sentimental favorito.
“Tio Marcelo é Lucky!”
Foi a frase dita pelo meu sobrinho Chico, quanto tinha uns 8 anos, e morávamos na Califórnia [EUA], no mesmo bairro- perto do estádio da Universidade de Stanford.
Disse ao me ver correr para o meu apê, que era mais perto do que a casinha dele; enquanto ele teria que andar mais alguns minutos.
Chico já morava lá um ano antes de mim com o irmão Juca e os pais.
Aliás, fui parar lá graças a eles, que souberam de uma bolsa para escritores e jornalistas, me mandaram os formulários, me apliquei e ganhei.
Coincidentemente, ofereceram pra mim um apê no mesmo bairro deles, Escondido Village.
Eles moraram 4 anos lá. Eu e a Adriana, a santa que me aturou por 9 anos, na fase mais heavy da minha vida, se é que você me entende [mergulhei fundo nas virtudes e defeitos daquela década], 1 ano.
EU E ADRIANA NO MOJAVE DESERT, 1995
Assim que cheguei, comprei uma van adaptada e peguei uma licença para parar em vagas de deficientes, todas próximas das entradas dos supermercados, cinemas, teatros, shoppings.
E em estádios e ginásios, não pagava e ainda ficava no melhor lugar. Com direito a acompanhantes.
Aquilo deixava meus sobrinhos fascinados. Tio Marcelo, sim, que era sortudo.
A frase paradoxal virou um slogan na família. Tio Marcelo é Lucky!
E, em viagens, fura filas, não paga museus, para nas melhores vagas e ainda pode levar um acompanhante.
No Louvre, em Paris, agora no fim de ano, com a família, tio Marcelo provou o quanto é lucky.
Meu sobrinho Juca insistiu para vermos a Monalisa. É dele outra frase que move a minha família, dita quanto ele tinha 3 anos: “Todo mundo junto que é bom!”
Não era a primeira vez no Louvre de muitos de nós, sabíamos do mico que é ver o quadro com dezenas de turistas se apertando. Eu mesmo já tinha visto há duas décadas.
Mas, em viagens, devemos sim pagar micos. A graça é essa. E cumprir alguns rituais. Ver a Monalisa é um deles.
Enfiei a minha cadeira de rodas com parte da família atrás. Fomos abrindo espaço por entre turistas mais interessados em fotografar do que admirar o sorriso tão peculiar da Gioconda.

Tive que esperar uma família de espanhóis fazer fotos para eu passar. Eu empurrava turistas. Uma alemã enorme se recusava a me deixar passar. Até o segurança do museu me acudir e apontar: “Você pode ficar ali”.
O ali era o espaço vago entre a massa e o quadro. Tive por minutos a Monalisa diante de mim. Apenas para mim.

TIO MARCELO NÃO É LUCKY?
Mas achei o quadro tão opaco…
As reproduções são melhores [sintoma do pós-modernismo].

O ano começou bem para ele.
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2009