ir para o conteúdo
 • 

Marcelo Rubens Paiva

28.novembro.2009 13:14:36

Como me sinto, às vezes

27.novembro.2009 17:54:33

Alguém leu?

Nossa…

Saiu na FOLHA hoje. Nâo posso reproduzir aqui.

Depoimento do CÉSAR BENJAMIN, o CESINHA, guerrilheiro das antigas, preso, exilado e ex-assessor do LULA. Sobre um encontro que tiveram em 1994.

Só se fala disso em Brasília. Dizem que o LULA está tristíssimo e não responderá. Gilberto Carvalho falou em nome dele

É forte, muito bem escrito e perturbador. Um trecho:

Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”. Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos. Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

Por que falar disso agora?

Revela-se a intimidade de um presidente no grau máximo de sua popularidade e prestígio mundial. Que não se contém e fala alguns absurdos.

Não se deve julgar o seu governo e a sua trajetória política através deste depoimento. Mas fica a lição: não se detalha a vida privada.

Em mosca fechada…

Adivinha quem será homenageado na próxima na próxima Parada Gay?

comentários (19) | comente

27.novembro.2009 12:47:04

Acuma?

SANILIZANTE SEM ENXÁGUE.

Alguém sabe o que significa isso? Nem tem no Aurélio

Pois este treco está ao lado de uma pia num banheiro do UNIBANCO ARTEPLEX do SHOPPING BOURBON. Enfiei a mão, e não aconteceu nada. Não sei se me sanilizei ou não.

Mais um para a lista.

comentários (12) | comente

26.novembro.2009 11:59:59

Esquecer?

Vi na segunda-feira o documentário CIDADÃO BOILESEN, que ganhou o último É TUDO VERDADE. E estreia amanhã nos cinemas.

Saí chapado pelo filme. Mais ainda pelo debate posterior.

Foi uma pré-estreia para convidados. Estavam presentes muitos ex-combatentes da ALN. Digo sobreviventes, pois a organização foi dizimada brutalmente entre 1967 e 1973.

Contam-se nos dedos os que estão vivos para contar.

Entre eles, CARLOS EUGÊNIO DA PAZ, atual professor de música, quem decidiu justiçar BOILESEN em 1971, e deixou no ar, ou melhor, não afirmou nem negou, se participou do fuzilamento do ex-presidente do GRUPO ULTRA.

No debate, disse mais: “Às vezes, precisamos matar, sim.”

Volta tudo. Pois sei muito bem que a maioria não sabe do que estou falando. E não sabe porque o País faz questão que não saiba. Sempre pedem: vamos virar a página. Como se fosse possível…

No bar em que fui em seguida ao filme, descobri que nem meus amigos íntimos sabiam quem foi HENNING BOILESEN, a figura mais controversa da ditadura e simbólica.

O filme não conta grandes novidades para quem conhece a história dos anos de chumbo. Mas faz uma análise completa, corajosa, e traz depoimentos de pessoas falando aquilo que, antes, soavam boatos.

Presta atenção. Na renúncia de Jânio Quadros, o Brasil viveu um período agitado. As esquerdas viram ali, enfim, a chance de impor seu projeto, as reformas de base, uma delas, a reforma agrária, já que o vice-presidente JANGO, que tomou posse, vinha de suas fileiras.

O golpe militar foi preparado. A direita e o empresariado se uniu. Igreja, ABI, OAB, o governo americano, todos se viram na paranoia vigente, a da ameaça comunista. Ou foi a desculpa para não abrirem mão de $eu$ privilégios.

Em 31 de março de 1964, começou o golpe militar. Mas que, na verdade, era também civil, planejado nos gabinetes, corredores das federações industriais, agrárias, mercado financeiro e multinacionais.

E é disso que, no fundo, o filme trata. Aponta a participação da elite brasileira no regime conhecido apenas pela alcunha de DITADURA MILITAR.

O próprio OLAVO SETÚBAL, do ITAÚ, em entrevista para o filme esclarecedora, resignada, à vontade, afirma que era evidente que o golpe era civil, que os militares foram chamados por eles, empresários.

A esquerda se divide. Parte dela opta pela resistência armada.

Organizações clandestinas são fundadas, ALN, VPR, VAR, COLINA, MR-8, MTR… Para arrecadar fundos, assaltam bancos. Começam as ações de guerrilha urbana. Preparam-se as de guerrilha rural.

O governo se assusta. Não estava preparado para uma guerra contra guerrilha. No seu comando, ex-combatentes da Segunda Guerra. Montam uma operação paralela, a OBAN, órgão civil e militar, sob o comando do II Exército. Onde? Em São Paulo, onde estavam e trabalhavam os industriais e banqueiros.

Aliciam os delegados mais durões da Polícia Civil de São Paulo, entre eles, o bando do Esquadrão da Morte, chefiado por Paranhos Fleury, para que combatessem os “terroristas” utilizando os mesmos métodos que combatiam a bandidagem.

O governador ABREU SODRÉ emprestou a delegacia da RUA TUTÓIA, que se tornou o centro de operações e torturas. Os militares pediram uma contribuição do empresariado, para financiar a organização “modelo”. Na verdade, queriam o aval, solidificar a aliança. O Ministro DELFIM NETTO foi o encarregado de fazer a ponte.

Em muitas reuniões na FIESP, empresários passaram o chapéu.

E qual deles mais se empolgou? BOILESEN, dinamarquês que chegou pobre no Brasil, anticomunista ferrenho, com comportamentos estranhos anotados em seu boletim escolar da Dinamarca.

Presidente do poderoso grupo da Ultragás [50% dos lares brasileiros eram abastecidos por gás liquefeito], que fazia acordos escusos com a PETROBRAS e frequentava os bailes e eventos da, como se dizia na época, “alta sociedade”.

Não só era quem “achacava” os empresários que não queriam participar, com ameaças sutis a JOSÉ MINDLIN e JOSÉ ERMIRIO DE MORAIS, que se recusaram, como ficou amigo dos agentes e torturadores e assistia às sessões de tortura.

Um aparelho de tortura com choque tem o seu nome, PIANOLA BOILESEN. Alguns dizem que ele o importou dos EUA.

A informação de que havia caixinha para financiar a tortura e que a Ultragás estava por trás vazou entre os guerrilheiros. Em muitas prisões, havia um caminhão da empresa. E torturados falavam da presença do industrial nas sessões.

CARLOS LAMARCA sugeriu o seu sequestro, para servir de exemplo a outros empresários. A ALN decidiu pelo fuzilamento. CARLOS EUGÊNIO DA PAZ comandou a operação, uma emboscada na esquina da CASA BRANCA, nos JARDINS.

Seu Galax foi fechado pelos guerrilheiros, que deram um tiro de fuzil. O empresário correu pela BARÃO DE CAPANEMA. Outros guerrilheiros o esperavam e o metralharam.

Enfim, o Alfa, guerrilheiro que dá o tiro de misericórdia, para “completar” a operação, se aproximou calmamente e deu um tiro de fuzil na cabeça do empresário. Depois, espalharam panfletos, explicando a ação ao “Povo Brasileiro”.

Em poucos dias, foram descobertos. Todos que participaram da ação foram mortos. Exceto PAZ, que se exilou.

No filme, BRILHANTE USTRA, então chefe da OBAN, e um agente confirmam que BOILESEN era um chegado. O agente afirma que, sim, ele participava das torturas.

Mindlin confirma o achaque, e que era BOILESEN quem passava a caixinha. Uma guerrilheira conta o que conversaram depois da sessão de tortura. Paz dá detalhes da operação. Dinamarqueses amigos falam de seu envolvimento com a polícia política. Seu filho nega tudo.

Dom Paulo Evaristo Arns explica, irônico, com uma desculpa bem esfarrapada, por que não rezou a missa de sétimo dia.

Erasmo Dias confirma o envolvimento de empresários. Os nomes de algumas empresas que participaram da caixinha são citados, como a GM e FORD.

Falam dos famosos caminhões da FOLHA, que teriam sido emprestados para a OBAN, história obscura, que nunca se provou, mas que levou as organizações de esquerda a queimarem alguns caminhões da empresa.

CHAIM LITEWSKI, diretor do filme, levou mais de uma década para fazê-lo.

Conseguiu diversas imagens de arquivo esquecidas na CINEMATECA. A montagem é moderna, a trilha sensacional. Em nada se parece com as trilhas enfadonhas de documentários do gênero.

E a grande surpresa do filme é o depoimento de um lúcido e direto FERNANDO HENRIQUE CARDOSO [o sociólogo, ele uma vítima do regime que o cassou].

Diz, claramente: “O empresariado não precisava participar, o governo tinha dinheiro de sobra.” Participou porque quis eliminar um inimigo. Financiou nos corredores da FIESP, de que BOILESEN era diretor, consciente dos métodos. É uma mancha mais que escura na nossa história, de que pouco se fala.

Afinal, parte desse empresariado está ainda aí na ativa, comanda a indústria, e, como no mercado financeiro, muitos cresceram durante o período, especialmente os colaboracionistas.

Aliás, ninguém nunca comentou, mas a união ITAÚ-UNIBANCO é bizarra.

Enquanto o primeiro era gerado por uma família declaradamente golpista, o segundo era gerado por uma família que foi cassada pela ditadura [Walter Moreira Salles foi ministro da Fazenda do governo João Goulart].

Assistir ao filme é uma oportunidade de entender por que parte da sociedade civil, com o aval do presidente do STF, anuncia que é contra repensarmos na LEI DA ANISTIA, de 1979, promulgada durante ainda a ditadura, que perdoou torturadores.

PAZ causou polêmica ao dizer no debate que às vezes é preciso matar. Citou a Revolução Francesa, a Americana, a Resistência Francesa. E disse: “Eu fiz algo para protestar contra aquela ditadura assassina. Desde os 15 anos lutei contra ela.”

Mas foi FHC, que chegou a ser levado para a OBAN encapuzado, quem deu a voz final no documentário. “Os empresários querem esquecer, porque se veem em Boilesen.”

+++

Amanhã tem pré-estreia com debate do ótimo e aguardado documentário ENTRE A LUZ E A SOMBRA, também há anos sendo produzido, da minha amiga LUCIANA BURLAMAQUI.

Dia 26, às 20 horas, no Cine Bombril – Conjunto Nacional. Após a sessão, debate com a diretora Luciana Burlamaqui, Oded Grajew (Movimento Nossa São Paulo), Domingos Dutra (deputado federal, PT-MA) e Gilberto Dimenstein, colunista da Folha. Senhas na bilheteria (Av. Paulista 2073) uma hora antes da sessão.

Então, se entende o mal que a DITADURA fez a este País.

comentários (21) | comente

24.novembro.2009 13:00:22

Pequeno passo

Tive uma tarde inacreditável ontem.

Caiu aquele toró durante a manhã. Às 13h, vesti uma sunga, uma camiseta do Timão, peguei uma toalha e fui para a natação, a 4 quadras daqui. Na volta, às 14h, tinha acabado a luz da quadra.

Um cabo de energia se rompeu na Av Pompeia. A Eletropaulo informou que a luz voltaria às 15h.

Não é só cavalo que não sobe escada.

Beleza. Fiquei pela garagem do prédio de sunga, ainda molhado da água com cloro, passando fome, sem um tostão, sem celular, nada para ler, buscando uma fresta de sol.

Às 15h, nada. O sol se abriu. Fui para a piscina do prédio. Ganhei a companhia da vizinha Raquel. Às 16h, nada. Segundo a Administração do prédio, a Eletropaulo prometera para às 17h.

O sol se foi. Voltou a chuva. Começo a tremer de frio e fome. Raquel foi buscar o filho na escola. Ganhei a solidariedade da síndica, Dona Norilda, e dos porteiros e seguranças.

Então, sugeriram: “Subiremos você no braço.”

Era a coisa mais maluca que já me propuseram.

Eu entraria no elevador desligado, e dois porteiros puxariam a máquina pelo braço. Um puxaria o cabo, uma corrente engraxada, e outro controlaria o contrapeso.

Me garantiram que é seguro, pois é assim, “o procedimeto”, que costumam tirar pessoas presas no elevador na falta de luz, quando ele está entre um andar e outro.

Sim, mas abaixar parece fácil, não levantar. Pois o zelador me disse que era o contrário.

Foi armada a operação. Fiquei com a síndica e uma lanterna na porta do fosso aberta.

O elevador estava no segundo andar. Dois funcionários subiram pela escada até a casa das máquinas. O abaixariam e me subiriam. Garantiram que em 20 minutos a operação estaria completada. A síndica quem deu a ideia e mais nos incentivava.

Disse ela que, depois da privatização, a ELETROPAULO não é mais a mesma, que escondem informações, inventam prazos, e que uma vez o prédio ficou o dia inteiro sem luz.

Com radinhos e gritos, começaram a mover o elevador. Víamos a corrente girar. O papo com a síndica rolava: os custos de se colocar gerador, os inadimplentes, e por aí vai.

Em 20 minutos, nada do elevador aparecer. E não é que os caras giraram a manivela no sentido contrário e o subiram vazio do segundo até o meu andar.

Recomeçar tudo de novo. Organizar a operação, aprimorar a comunicação. Logística. Descer tudo outra vez.

O tempo rola. Muita gente vem ver e papear, fumar um cigarrinho.

Seguranças que voltaram da folga subiram para ajudar. Porteiros se revezaram.

Enfim, a máquina chegou. Um morador aconselhou: “Quando chegar no seu andar, saia rápido, pois pode descer.”

Entro no elevador escuro. A síndica me dá sua lanterna. A porta ficaria aberta até o meu andar. Eu teria que contar, pois não há números escritos na parte de dentro do fosso.

Lá vamos nós.

Subo como uma barata subiria aquelas paredes. Vou gritando: “Primeiro andar!” Às vezes, paravam, exaustos. O elevador descia lentamente. Grito: “Está descendo!” Seguram a corrente. Sobem. Lentamente.

Cada andar aparece como um pôr-do-sol. “Segundo andar!” Então, para animá-los, começo a mentir. “Terceiro andar!” Nada disso, estava apenas vendo o batente da porta do terceiro. “Quarto andar!” Nem tinha deixado o terceiro ainda. “Vamos lá, falta pouco. Quinto!” A porta do quarto estava à minha frente.

Então, passei a incentivar mais, invertendo a ordem: “Faltam apenas três.” Faltavam quatro. “Está chegando!!!”

E, cada vez mais perto do meu andar, mais rápido ele se movia, como se quisessem encerrar aquela operação o mais depressa, salvar a tarde de um morador gente boa e voltar à rotina.

No meu andar, o zelador me esperava com luzes e a porta do hall já aberta. Ficou eufórico ao me ver perto. Também deu gritos de incentivo.

Assim que apareceu o meu hall e o elevador foi nivelado, segui o conselho do vizinho e saí no maior pau. O zelador gritou para os outros, eufórico: “Operação realizada!” Ouvi os caras lá em cima gritarem aliviados.

A síndica os cumprimentava pelo rádio. Meu telefone não parava; os amigos, que souberam pelo telefone, pois Seu Luiz, meu super assessor, contava sobre a operação para todos que me ligaram naquela tarde. E queriam informações.

Senti como Neil Armstrong chegando na Lua. Só faltou dizer: “Um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade…” No meu caso, seria no sentido figurado.

Bem, a luz voltou dez minutos depois. E pensei: não seria mais fácil subir carregado pela escada, sua anta?

Mas valeu a solidariedade, a mobilização, o carinho dos caras com quem cruzo todos os dias.

“Puxa, Seu Marcelo, a caixinha desse ano pros caras terá que ser mais caprichada”, comentou Seu Luiz ao me ver.

Posso falar? Por isso eu amo o Brasil. Isso jamais teria acontecido na Europa ou nos EUA. Jamais.

Lembro-me de dois casos em NOVA YORK de dois cadeirantes amigos.

EDISON PASSAFARO, paraplégico, instrutor de mergulho, militante das antigas, estava num busão de Nova York, deu o sinal para descer. O carro parou, porém o elevador para cadeira de rodas não funcionou. Travou.

Bastavam descer o EDISON [com "i" mesmo] 3 degraus. Mas ninguém se mobilizou. O procedimento era proibido. E ele perdia o programa que tinha marcado com os amigos. Ficou revoltado. Nada.

Foi obrigado a ficar no ônibus, que cruzou a cidade, parou no pátio, até aparecer alguém da manutenção e consertar aquela merda!

Já com o amigo tetraplégico, sociólogo e aventureiro GINO WILLIAMS, americano, foi na calçada da BIG APPLE.

Estava nevando. Era ainda a neve rala. E o cara já é meio doidão. Saiu pelas ruas, errou uma guia rebaixada, sua cadeira virou e ele rolou pelo chão, um tombo daqueles: cadeira de um lado, cadeirante do outro.

Ele riu. Sempre rimos nessa situação, que é comum a todos.

Então, ele todo torto no asfalto esperou que os pedestres viessem socorrê-lo. Ninguém parou. Começou a pedir ajuda. Nada.

Viu um casal com filhos. Achou que o marido pararia. Ou a esposa o obrigasse. Olhou nos olhos no cara. Nem chegou a pedir ajuda. O cara disse: “No way”. E passou por ele. Que bela lição de cidadania deu para os filhos.

É desse jeito que o GINO conta, americano que ama NY, mas que conhece bem o seu povo. Só alguns minutos depois apareceu um mendigo e o ajudou a se levantar. Negro, lógico.

Yes can we?


ROGÉRIO ASSIS, O BARÃO, QUE JÁ ME SUBIU ESCADAS NO BRAÇO, QUANDO OS CINEMAS NÃO TINHAM ACESSO, E GINO

comentários (42) | comente

23.novembro.2009 12:43:54

Blogger blogging on a blog

Estava voltando ontem do Rio pela DUTRA. Quando passo um caminhão, leio na sua lona LOGÍSTICA.

Comento com Raquel, a minha carona: “Agora não é mais transportadora, é logística. As empresas de transporte levam mercadorias de uma forma lógica. Os motoristas passam meses no treinamento lendo Aristóteles, discutindo entre si todos os tratados de sua teoria…”

Comentamos esse barroquismo cafona de usar palavras difíceis para coisas simples que o brasileiro adora.

Então, ela me contou que as manicures mais chiques agora não são mais MANICURE, mas DESIGN DE UNHAS. Fala sério…

Continuei a viagem em silêncio, imaginando tornar os nomes de algumas profissões mais glamourosos, ou melhor, metidos a besta, mesmo.

EMPREGADA DOMÉSTICA: COACH DO LAR

FAXINEIRA: LAYOUT CARE

GOVERNANTA: HOUSING CEO

BABÁ: JUNIOR CEO

PORTEIRO: VISITING SELECTION

ZELADOR: VISITING SELECTION DEPUTY

TAXISTA: PERSONAL DRIVER TERAPEUTA

PROSTITUTA: LOVER REPLACEMENT

TRAVESTI: LOVER OPTIONAL CHANGEMENT

FRENTISTA: PERSONAL FUEL CARE

LEÃO DE CHÁCARA: INCONVENIENCE ELIMINATOR

CAIXA DE SUPERMERCADO: FINDING PRICES HELPER

FEIRANTE: COACH DE ALIMENTAÇÃO

FLANELINHA: PERSONAL CAR SECURITY

COBRADOR: BUS COLECTOR

CHAPEIRO: TOAST CARE

+++

Aliás, minha viagem, que costuma durar 6 horas parando, durou 9. Volta do feriadão. Quanto carro…

Filosofei. A indústria automobilística nunca vendeu tanto carro no Brasil. Milhares são emplacados por dia. Do tiozinho à sobrinha, tá todo mundo de carro novo.

No entanto, o traçado da DUTRA é o mesmo desde a sua inauguração na década de 40. E continuam apenas as duas faixas ligando as duas maiores cidades do País. Concluí. Não cabe.

Se cada carro sai da loja pagando dezenas de impostos, e o comprador paga anualmente IPVA, esse dinheiro deveria servir para garantir que o mesmo circule por aí. Se não, é melhor parar de fabricá-los, não?

Isso sim é logística.


DRIVER SHIT THINKER

Bem, paulistas têm as estradas estaduais. Podemos deixar a DUTRA em Taubaté e voltar pela CARVALHO PINTO, estrada moderna, segura, bonitona, astral…

Que só tem UM posto de gasolina em todo o seu traçado. UM. Com um FRANGO ASSADO meia boca.

Outro posto? Só na TRABALHADORES, chegando em São Paulo.

Bem… Ontem, fim da tarde, conta aí: 30 minutos a fila do banheiro feminino.

Entrar para comer um franguinho com polenta? Esquece. A farofa se esparramava pelos acostamentos.

Vem cá? Tá difícil a licitação para a construção de mais postos? Ou é pra ferrar com a gente, mesmo?

comentários (20) | comente

19.novembro.2009 15:23:14

O solteiro

É a maior praga da cidade. Indesejado e evitado.

Muitos o olham e perguntam o que tem de errado, por que está sempre só, é gay, é estranho, é um mala, é o quê? Na Galiléia, seria colocado pra fora dos muros que cercavam as cidades, com os leprosos, aleijados, atendentes de telemarketing e prostitutas.

Um solteiro incomoda muita gente. Incomoda as solteiras, que veem nele um marido em potencial, mas que nunca toma a iniciativa de um diálogo mais sério e apenas quer por algumas noites apenas. “Este aí, sai fora, fuja dele, suma, evite, ele só quer te comer.”

As solteiras sabem bem com quem devem se envolver e quem evitar.

Já as recém-solteiras, carentes, traídas e abandonadas são as vítimas certeiras do solteiro-que-só-quer-comê-las, a praga.

Elas ainda acreditam em amor, esse sentimento nobre que nomeia uma paçoca.

Elas ainda acreditam nos homens, os babacas. Elas querem curar uma ferida rapidamente. Ingênuas, são as que mais odiarão cruzar o caminho de um solteiro convicto.

Os casados amigos ou conhecidos e até inimigos o invejarão, pois creem que a vida do cara solteiro é eletrizante, 100% emoção, mais de mil garotas, noites ardentes, manhãs inexistentes, roda viva, luta sem fim, de loiras a morenas a ruivas a japas a mãezinhas a coroas a ninfetas a primas a vizinhas a colegas a amigas a ex e muitas ex, ex, ex, ex.

As casadas olham o solteiro com desconfiança, pois podem influenciar seus maridos, a liga é frágil, a corda é bamba, a vida é loka, o mar está pra peixes e sereias, e seu maridinho pode cair no papo do amigão solteirão, que sempre o convida para aquela balada após o badalo das horas.

Para a casada, um solteiro é uma ameaça à paz tênue de seu casamento. Fora que ela mesma, a casada, confunde-se quando se pega sozinha pensando no amigo-solteiro do marido. “Meu! Que estou fazendo?!”

Mas mal sabem todos o quanto o solteiro inveja seus amigos casados e sonha encontrar mulheres-esposas como aquelas, para chegar em casa todos os dias e oferecer flores e paçoca AMOR.

comentários (111) | comente

17.novembro.2009 14:05:56

Stand up!

Ter amigos artistas requer algumas obrigações éticas, como comparecer em seus eventos.

Me senti no dever de ir ao Shopping Eldorado, num sábado à noite, para ver o meu amigo LEO JAIME, flamenguista, astrólogo, taurino como eu, no palco do Teatro das Artes.

A turma do pôquer de dadinhos ia. Mas deu o cano!

LEO já fez teatro, já o vi em cena e gostei. Me falou por alto que se tratava de um show de stand up comedy carioca. Fui com um pé atrás [ôps, no sentido figurado...]. Porque o gênero americano se popularizou de tal forma no Brasil, que nos oferece coisa boa, mas muita porcaria.

É interessante como demorou para pegar. Me lembro da GRACE, de quem sou amigo há… Melhor não falar, ela pode me bater. Com MARCELO MANSFIELD e ANGELA DIP, no AEROANTA.

Não faziam exatamente stand up comedy, eles tropicalizaram a coisa. Era uma síntese entre o besteirol e o stand up.

A TERÇA INSANA movimentou atores de stand up, mas que diferem do gênero americano, pois representam personagens, enquanto o original é aparentemente um desabafo de um cara comum. Gênero que movimenta tanto dinheiro nos EUA quanto o teatro. E que dominou o horário nobre da TV [Carson, Letterman, Seinfeld, Jay Leno].

Vi há uns anos os stand ups dos meninos que agora estão no CQC, Rafinha Bastos, Oscar Filho, e confesso que vibrei. Sim, era possível o gênero americano se instalar e se desenvolver no Brasil. Apesar de parte da classe teatral torcer o nariz.

Num mês, vi 3 show do ainda desconhecido Danilo Gentili. Um inclusive no bar do ESPAÇO PARLAPATÕES, de onde não arredo o pé [outra expressão figurada...]

E aplaudi de pé [chega, vai!] o moleque que quase não repetia as piadas.

Agora, há páginas nos guias culturais indicando os shows de stand up. Pegou.

+++

Cheguei naquele shopping abarrotado, intransitável, inestacionável, cruzei a praça de alimentação, que mais parecia a cela de uma delegacia super lotada.

Entrei por último no teatro. Imaginei ouvir uma quantidade enorme de piadas bobas, que falam de pum, coco, bichas, sogras, e com muitos palavrões, porque, mágica, alguém sempre ri quando se diz um palavrão. Dercy sabia disso muito bem.

O que vi foi um dos mais técnicos e sofisticados shows de stand up. E muito engraçado, lógico.

Do grupo COMÉDIA EM PÉ, que há anos pratica o gênero no Rio, se autodenomina o primeiro grupo de stand up do Brasil, pesquisa o assunto, viaja para Nova York só para se aprimorar, lê tudo quanto é livro sobre o gênero, explora a técnica e até já escreveu livros e manuais.

LEO JAIME, piadista de plantão, não decepcionou.

Cláudio Torres Gonzaga é o “mestre de cerimônia”, e já emplaca várias piadas sensacionais. A começar por um cara procurando vaga num estacionamento do shopping. “Sou daqueles que pegam o ticket e coloca na boca. Poderiam dar um sabor pra a gente ficar chupando, enquanto procuramos vaga.”

Eu também coloco o ticket na boca. A identificação rola na hora. Pronto, tá aí o segredo. Mostrar o ridículo das coisas banais.

O cara é ator e diretor de teatro, redator da Globo, onde escreveu para Escolinha do Professor Raymundo, Sai de Baixo. Atualmente é redator de A Grande Família. E está naquele quadro do Fantástico, EXAGERADOS, a única coisa boa do programa, junto com os gols da rodada.

Entram Paulo Carvalho, experiente ator de teatro, e Leo Lins, o único que não é ator, diretor, nem produtor. É comediante stand-up! Escreveu um livro sobre o gênero. E começou perguntando: “Alguém me viu no Fantástico?” Dois caras levantaram a mão. “Que estranho, nunca apareci no Fantástico”, ele disse.

E Fábio Porchat, ator, diretor e autor teatral. Que faz uma hilária performance de como ligar para a NET. “É preciso de um dia de folga do trabalho para ligar para a NET.” Ele também está em EXAGERADOS, que renovou a participação no programa dominical.

Bem, são descolados, estão no Youtube, Twitter, e, incrível, levando para o teatro pencas de adolescentes, o que há muito eu não via. Jantei com os caras depois, e me contaram alguns truques e garantiram que repetem pouco as piadas.

Vou levar a turma do pôquer e checar.

+++

Bem, agora sim, é a última semana da peça A NOITE MAIS FRIA DO ANO no Rio, hoje e amanhã, 21h, e só.

Fizemos na raça, pagando do bolso as passagens, só para mostrarmos a peça para esta cidade tão importante no cenário cultural brasileiro.

Muita gente pergunta se irá para outras cidades, me cobra. “Vem pra Goiana”. “Traz a peça pra Salvador.” Não é bem assim.

Iremos para Lorena, dia 2 de dezembro e talvez fiquemos de novo em cartaz no ESPAÇO PARLAPATÕES, a nossa casa, em fevereiro de 2010.

Não, não irá para outras cidades, porque é absolutamente inviável fazer teatro itinerante sem patrocínio. E eu lamento isso, porque minhas primeiras peças viajavam o Brasil sem patrocínio, de Porto Alegre a Manaus, e davam lucro.

Havia o “frentista”, produtor local que agendava as pautas, arrumava hotel e ganhava a sua parte da bilheteria. Tínhamos amigos na VARIG, TRANSBRASIL ou VASP, para quem ligávamos para pedir descontos nas passagens.

A da VARIG, de quem eu não me lembro o nome, era amiga de toda a classe teatral.

É, sou do tempo em que não existiam as leis de fomento. Teatro era um produto. Vendíamos o nosso talento.

As leis de fomento e incentivo alimentaram a cena teatral alternativa, ressuscitou o teatro, trouxe público, especialmente o jovem, novidades, gerou grandes companhias, autores, diretores inovadores, atores sem os vícios do naturalismo.

Mas nos deixou dependentes e viciados numa relação mercantil fantasiosa.

Para alguns grupos, o público passa a ser secundário. Prioritário é patrocínio, o projeto- objetivo e justificativa, orçamentos-, a montagem.

O truque da meia entrada era o que faltava para transformar o teatro num hobby para quem faz, já que costumamos gastar mais do que ganhar. 80% pagam meia: esteliotato e falsidade ideológica.

Não estou reclamando. Ao menos, graças às leis, ao SESC, editais, prêmios, ainda temos a chance de fazer teatro nesse País em que uma família prioriza o CARRO ZERO, não a cultura de todos.

O dinheiro que sobra não é gasto em livros, peças e filmes para os filhos. Vai para a indústria automobilística.

comentários (20) | comente

13.novembro.2009 12:33:40

Estou puta

Escrevi num post abaixo, Homem das Cavernas, sobre o caso da Uniban:

O fato parou a faculdade. Uma aluna afirmou que os colegas ficaram gritando “puta” para ela. O coral de gritos de “puta” a acompanhou até que deixasse o prédio.

Uma catarse masculina exigiu à força que os padrões que eles consideram corretos fossem respeitados. Submeteram uma mulher ao humilhante papel de obedecer.

No dia seguinte, não houve manifestação ou passeata. O caso seria esquecido se não causasse alvoroço na internet. Garanto que suas colegas, em protesto, não apareceram todas de minissaia nas aulas seguintes. Ao contrário, muitas delas devem ter dito: “Essa puta mereceu.”

Bem, dos alunos da Uniban, nada.

Mas, em frente, a UNE protestou, Sabrina Parlatore apareceu de minissaia e decote [não apenas para protestar, mas para aproveitar o gancho e fazer uma matéria para um programa de TV].

Umas minas da UNB apareceram peladas ontem pelos corredores da universidade. Sempre a UNB faz os protestos mais malucos, desde os meus tempos de faculdade.

E agora convocam pela internet o Flash Mob ESTOU PUTA. Para hoje, sexta-feira 13. Todas as minas de minissaia.

Em protesto “às turbas, aos bullyng, à violência contra as mulheres em defesa da liberdade de expressão textual, corporal, visceral.”

Lema:

SAIA de SAIA,
SAIA como quiser!!!

Flash Mob é aquela mobilização em que centenas de pessoas aparecem do nada num lugar público, fazem algo que difere da rotina e se mandam.

Solicitam a convocação por torpedos, blogs, twiter, facebook, orkut, ligações, encontros.

Em Porto Alegre, me mandaram um email para informar que o Flash Mob da SAIA será hoje às 19h próximo ao balcão de informações da praça onde se inaugura a Feira do Livro. Pô, logo nessa edição da feira, em que não fui.

Perderei as gurias de minissaia!!!

comentários (36) | comente

12.novembro.2009 12:20:43

O alienado

Uma pequena nota na última página do caderno Metrópole, todo dedicado ao apagão, do ESTADÃO de hoje, passa desapercebida, mas tem tanto a dizer…

RIO – MUITOS BOATOS E POUCAS OCORRÊNCIAS, DIZ A POLÍCIA

“Apesar dos boatos, o Rio de Janeiro não registrou nenhuma ocorrência grave durante o apagão.”

A nota nega que tenham ocorrido arrastões.

Destoa do tom da imprensa no dia anterior, que anunciou violência, caos, desespero, pânico. Por que então não se faz um balanço do que realmente aconteceu?

Quando escrevi ontem aqui que vi a cidade calma, uma leitora, Helena, me chamou de romântico:

Nossa, que legal né…? o caos não te atingiu, nenhum assalto, nenhum pânico, nem aparelhos domésticos queimados, nem dormiu no terminal de ônibus pq era o único lugar iluminado e não tinha transporta.. nada! nadinha! Rodinhas na rua, gente cantando a luz de velas, café em família… que lindo sua visão do caos.. Puxa… eita mundinho bão sem portera, né?

E repetiu:

que legal, né? não viu assalto, gente dormindo em terminal de ônibus, preso em elevador, vendo o Zé Mayer na tv… nada disso aconteceu, né? Só gente confraternizando na rua, a luz de velas e café da manha em familia. Isso seria pura alienação ou o sempre outro jeito de contar a história do escritor. Puxa…

Pensei com minha barba branca: será que sou assim romântico e tenho uma visão platônica da vida? Por que nada me assusta?

Rodei a cidade durante o apagão. Às 23h e à 1h30. Me surpreendeu a ordem. Até brinquei com a minha editora Isa: “Garanto que a bandidagem deve estar também morrendo de medo e, como nós, só pensa em chegar em casa o mais rápido possível.”

A pequena nota me confirmou. Sim, pessoas ficaram presas no elevador, ou, pior, no metrô. Não tinha transporte. Talvez alguém tenha sido assaltado. Mas nada comparado ao alarme propagado por aqueles viciados na adrenalina do CAOS.

Afinal, a luz acabou por 4 horas. Na minha infância, no Rio de Janeiro, a luz acabava dia sim, dia não.

Me lembrei do dia em que o PCC parou a cidade. Uma amiga, ROSANA, estava aos berros no telefone comigo: “Explodiram Congonhas!” Fonte? O marido dela. Enquanto berrava, eu via pela janela os aviões sobrevoando a USP, a zona oeste, o bairro em “procedimento de pouso”, cena que me é familiar há anos. Esses caras vão pousar na Marginal, pensei.

Aliás, nesta noite, saí pela cidade deserta para jantar com a ROBERTINHA. Só encontrei um restaurante aberto, o GERO. Jantei tranquilamente. O BONI estava lá. Soube que o Mário Bortolotto também rodava a cidade com a Fernanda D’Umbra, com fome. Parece que encontraram algo no centro. Se eu soubesse, ia jantar com eles e andar pelas ruas…

Durante o apagão, ouvi 3 explicações, todas de “fontes seguras”

1. Atentado terrorista contra a visita do premier de Israel. Uma bomba em Itaipu. A fonte era um Promotor da justiça. Logo de cara, neguei o boato: Mas o presidente do Irã vem agora. De quem seria a bomba, dos israelenses ou dos antissemitas?

2. Para pressionar o Brasil, devido ao preço que paga pela energia, o Paraguai desligou Itaipu. Pera lá, contestei. É Furnas que controla a barragem, não o Paraguai.

3. A culpa é dos hackers.

Se tivesse um palmeirense na roda, diria que é da arbitragem.

Eu que dormi todo torto no sofá da minha irmã, com a cachorra dela me lambendo, imaginei que as 4 horas de blecaute renderão 4 meses de debates na imprensa, acusações, lulistas versus oposição, gráficos, especialistas, técnicos. Que tédio…

Uma repórter afoita, ao ouvir um técnico do Ministério de Minas e Energia explicar que era melhor o sistema desligar tudo do que acontecer como no blecaute de Nova York, que demorou 3 dias para a luz voltar e explodiu algumas retransmissoras, interrompeu: “Mas Nova York é uma cidade! O Brasil é um país”. Ouviu a resposta, que até eu sabia. “O blecaute de Nova York atingiu toda a Costa Leste, com mais consumidores do que o Brasil.”

Repórteres despreparados atropelam informações, confundem o telespectador, agenciam o terror e o caos. Alimentam a histeria.

Desliguei a TV ontem quando começou o Jornal Nacional. Meu amigo Maurício, que me visitava, ficou indignado. “Pô, hoje vai ser quente o JN”. Falei: “Cara, vamos beber um uísque, a gente volta a ligar a TV no jogo do Palmeiras, para checar se a arbitragem está sim do nosso lado.

É, cara leitora Helena. Seus comentários me fizeram pensar. Não sou um alienado. Sou um jornalista cético, que conhece um pouco do fazer notícia e não aguenta mais a histeria coletiva e, sim, procura ter uma visão romântica da vida… Prefiro a literatura ao teleprompter.

E dessa vez a arbitragem errou para o Palmeiras, você viu?

comentários (35) | comente

Arquivo

Seções

Tags

Blogs do Estadão