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Marcelo Rubens Paiva

08.outubro.2009 00:40:13

Aberrações

O mundo está de ponta cabeça. Não são apenas as calotas polares e geleiras que têm sido afetadas pelo aquecimento global. A criatividade humana extrapola limites e busca soluções, para fugirmos do desequilíbrio natural.

A vida sexual dos animais também parece fugir do controle darwinista. A internet e as redes sociais não têm nada a ver com isso. Nem a lei de cotas.

A libido da vida selvagem chegou a um ponto em que espécies concorrentes estão procriando seres nunca antes vistos, intrigando cientistas.

Uma nova fauna ocupa a nossa flora. Como:

GATESQUILO

ÁGUIA MELHOR AMIGO DO HOMEM

MACACOCÃO

GALOCÃO

LEÃOGURU

URTIGRE

JACARÃ

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Enquanto isso, animais vêm sendo molestados em seu habitat natural pela nossa pujança desenvolvimentista e necessidade de abrir novas frentes. Não é obra do PAC:

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Porém, há aqueles que preferem ver seu animal de estimação bem confortável, nem que seja para sacrificar o carro Mille da família. Com IPVA em dia.

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E atores da Praça Roosevelt invadem o Rio de Janeiro na próxima semana. Estreia dia 13/10 A NOITE MAIS FRIA DO ANO no Teatro Poeira, em Botafogo.

Ficará as terças e quartas, às 21h. Até meados de novembnro.

MARIO BORTOLOTTO, ALEX GRULI, HUGO POSSOLO e PAULA COHEN encenarão com um incorrigível sotaque paulista uma peça que se passa num quiosque do Leblon. Na noite mais fria do ano.

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06.outubro.2009 16:59:50

O tio e a gravidade

para valmir santos, nosso homem no teatro.

“Por que tem luzinhas no céu, são estrelas?”
“Cada luzinha que brilha é uma estrela.”
“Mas o que é uma estrela?”
“Uma bola de fogo grande, que nem o sol.”
“Se são grandes, por que parecem pequenininhas?”
“Porque estão longe. Olha aquele cara gordo correndo lá no lago. Não parece pequenininho? Mas é maior que você. É enorme. Um monstro.”
“Entendi. Se são grandes, por que não caem lá do céu?”
“Tem a gravidade.”
“Tem?”
“É.”
Ela volta a comer a sua pipoca colorida. Não dá dez segundo, e, lógico, pergunta, com a boca cheia.
“Tio, o que é gravidade?”
“Eu sabia que você ia perguntar.”
Ela ri, tímida.
“Como você sabia?”
“Intuição.”
“O quê?”
“Nada. Adivinhei.”
“Eu também adivinho muita coisa.”
“Eu também.”
“É? Adivinha no que tô pensando agora?”
Ela abaixa as sobrancelhas, aperta os olhinhos, faz um bico e o encara firme.
“Adoro quando você faz essa carinha.”
Ela sorri e faz de novo. Ele faz uma careta pra ela. Ela faz outra pra ele, que faz outra mais exagerada. Ela abre a boca, coloca a língua pra fora com pipoca mastigada. Ele faz cara de nojo. Ela ri e engasga. Ele bate nas costas dela. Ela tosse. Continua a dar tapinhas nas costas dela, até ela parar.
“Bebe a Coca.”
Ela o olha com os olhinhos lacrimejados e vermelhos, enfia o canudinho na boca e bebe tudo num gole só. Suspira aliviada, com gosto. E sorri.

Ele aproveita, dá um gole no uísque da garrafinha de bolso e acende um cigarro.
“Éca, que nojo!”
Ela abana a fumaça e faz uma extravagante cara de nojo.
“Por que você fuma?”
“Porque eu gosto.”
“Mas fede.”
“Você também é fedida.”
“Não sou, não.”
“É sim.”
“Não sou.”
“É”
“Você que é fedido.”
“Você que é.”
“É você.”
“É você.”
“É você.”
“É você.”
Ficaram nesse jogo até ele terminar o cigarro, encaixá-lo entre o dedão e o indicador, pressionar e jogar a bituca na grama, longe. Ela olha a bituca acesa na ponta voar como um cometa até se espatifar no gramado e espalhar minúsculas brasas ao redor. E exclama:
“Uau! Como você faz isso.”
“Muito treino.”
“Faz de novo.”
“Teria que acender outro cigarro.”
“Acende.”
“Não quero fumar agora.”
“Mas você disse que gosta.”
“Quer outra Coca?”
“Não.”
“Quer mais pipoca?”
“Não.”
“Quer saber o que é gravidade?”
“Não.”
“Mas você queria antes.”
“Não quero mais.”
“Quer um beijo?”
“Não.”
“Quer um sopro na bochecha?”
Ela ri:
“Quero.”
Ele inclina, enche os pulmões com ar, encosta a boca na bochechina dela e assopra, urrando como um peido alto. Ela gargalha. Adora quando ele faz isso e pede outro. Ele dá outro beijo assoprado, urrando como um urso. E faz cócegas nela, que se contorce toda, rola pelo banco. E gargalha de novo. Ele para, e ela pede:
“Faz de novo.”
“Não.”
“Faz de novo.”
“Já disse, não.”
Ela se senta na mesma posição de antes e faz uma cara emburrada. Ele bebe o seu uísque da garrafinha particular. Ficam ambos emburrados. Ela, porque não fez de novo. Ele, porque a vida não o favorece.

“Tá com sono?”
“Não.”
“Mas tá ficando tarde.”
‘Não.”
“Não quer ir embora?”
“Não.”
“Quer saber o que é gravidade?”
“Não.”
“Você só sabe falar não?”
“Não.”
Ela ri. E o olha. Pergunta o que ele teme:
“O que que é gravidade?”
“Por que quer saber?”
“Porque quero saber.”
“Por que pergunta sobre tudo?”
“Porque sou curiosinha.”
“E chatinha.”
“Sou nada.”
“É sim.”
Ela de novo mostra a língua. Sem pipoca colorida nela.
“Saco! Gravidade é uma coisa difícil de explicar. É uma força invisível que atrai os corpos. Por exemplo, se eu jogo o cigarro, ele cai, porque a gravidade da Terra puxa a bituca pra ela. Se a gente pula, a gente volta, porque a gravidade não deixa a gente sair voando. Só se tivermos motores fortes, potentes, como um foguete.”
Olha, dá uma bicada no uísque e se surpreende: ela está super atenta.
“A lua gira em torno da Terra por causa da gravidade, se não, ela sairia voando. A Terra gira em torno do Sol. Os planetas giram em torno do Sol, que não deixa escaparem. Tem as galáxias. Tudo se atrai. Fica conectado. Assim por diante. Sacou?”
Ela demonstra não ter entendido muito.
“É como um imã. Uma cordinha invisível que segura as coisas. Um elástico. É difícil explicar. Quando você crescer, você vai entender.”
“Eu não quero crescer.”
“Por quê?”
“Porque gosto de ser criança.”
“Você é feliz?”
“Hum-hum”, afirma com a cabeçinha.
“Pois sinto lhe informar, mocinha, que todo mundo cresce, vira adulto e depois morre.”
Se arrepende no ato desta frase mal colocada e apocalíptica. Ela continua pensativa. Por que desconta nela angústias pessoais? Bebe.
“Você não gosta de criança, né?”
“Gosto sim. Adoro você. Amo você. É a minha sobrinha querida.”
“Então por que não tem filhinhos?”
Bebe mais.
“Porque não sou mais casado.”
“Mas já foi.”
“Mas não tivemos filhos.”
“Mas podia.”
“Mas não rolou.”
“Por que você não quis?”
“É difícil explicar.”
“Que nem a gravidade?”
“Mais ou menos.”
“Você é triste?”
Não consegue responder. Ela coloca a mão no rosto dele e faz um carinho.
“Eu posso ser sua filhinha de vez em quando.”
“Pra quê?”
“Pra te deixar contente.”
“Você me deixa contente.”
“Jura?”
Ele não responde. Mata o uísque. Ela se deita com a cabecinha no colo dele e diz:
“Eu também amo você.”
“Tá com sono?”
“Tô.”
Ele joga com força a garrafinha no lago, assustando os patos, que batem as asas se afastando. Se levanta, acende outro cigarro e diz:
“Bora.”

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02.outubro.2009 17:10:01

Nós

Apesento-lhes VOVÓ ARDI. Feínha. Mas com potencial e inteligente. Em milhões de anos, inventou o depilador e a plástica.

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Parabéns Rio. Parabéns Brasil. Quem não se emocionou?

O COI tinha cidades mais preparadas [com infraestrutura adequada]. O Brasil cancelou o Mundial de natação por falta de grana. Sem contar o caótico transporte público carioca. Mas seduziu o discurso do Lula: “Nos deem uma chance.” Agora, mãos à obra.

Os esportes “bala perdida”, “o mais rápido sequestro relâmpago”, “arrastão”, “escolas fechadas pelo tráfico”, “a mais corrupta das polícias” e “baía mais poluída” não são Olímpicos.

Nos deram a chance de mudar este País. Não vamos perdê-la. E nem passem a mão no dinheiro, como passaram no do PAN. “Roubalheira política” e “orçamentos superfaturados” não são esportes. Quebrem essa…

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Parabéns MTV. Parabéns aos organizadores do VMB 2009.

Finalmente encontraram um apresentador, o talentoso MARCELO ADNET, que canta, dança, tem timing de humor e repertório, e conseguiu conduzir o show com inteligência. Nem deu aquela vergoínha que deram outros apresentadores.

Tentaram no passado com apresentadoras gostosas, carismáticas, como FERNANDA LIMA e DANIELA CICARELLI, mas que não tinham humor. Tentaram com VJs da casa, com globais, como PEDRO CARDOSO E SELTON MELLO, bem melhores do que os citados.

Mas ADNET parece ter nascido para isso. O cara vai longe. Carioca, tem a língua afiada e sacadas rápidas.

Valeu o hilário show da banda MASSACRATION com o FALCÃO. Que letra sensacional, sobre múmias taradas. Que ironia bem bolada do mundo do rock. Ironia também em ERASMO CARLOS, cantando “sou cover de mim mesmo”.

Porém, a MTV não premia a música brasileira, mas a música da MTV. Os escalados giram em torno do umbigo da emissora do Sumaré.

Ao abrir as votação para o público, injustiças são cometidas. Ganham os que tem o fã-clube mais aguerrido. Não a toa, bandas vencedoras dedicavam aos fãs, que “passavam as madrugadas votando”.

Com isso, ganhou o twitter do Marcos Mignon, que agradeceu às “bloguetes”, em detrimento dos de Mano Meneses a Danilo Gentili.

A “Aposta MTV” ganhou uma banda tosca teen, VIVENDO DO ÓCIO, que não toca tanto quanto as outras, mas são bonitinhos e deixam as garotas com a libido à deriva. Revelação foi LITTLE JOPY? Nada disso. Foi CINE, uns molequinhos de roupas coloridas. E melhor artista estrangeiro? Britney Spears. Sim, aquela lá. Da SONY.

A emissora abriu o leque de categorias [Web Hit do ano, Blog, game, twitter, melhor documentário]. Aliás, estava difícil escolher o melhor documentário de música. Concorriam LOKI, TITÃS e SIMONAL, três filmes ótimos. Ganhou Titãs.

Artista do ano? Fresno, sempre eles. Pitty cantou. Skank ganhou de novo melhor clipe.

Acho que estou bem por fora. Daquilo que gosto e acompanho [EDDIE, 3 NA MASSA, MOMBOJÓ, JUNIO BARRETO, OTTO, BEBEL GILBERTO, INSTITUTO], nada foi citado. Meu gosto não é o gosto da MTV. Já foi. Já é, tiozão.

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Hoje estreia BRUTAL, dirigida por Mario Botolotto [texto seu], com um time de amigas gatas [MARIA MANOELA, CACÁ MANICA, LUICIANA CARUSO, ÉRIKA PULGA, MARTINHA NOWILL], com o LAERTE e o BATATA dividindo o palco. No ESPAÇO PARLAPATÕES, à meia-noite [todas as sextas].

Merda!

Brutal, não vou perder nem a pau…

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Recebo convites pra tudo quanto é evento. Mas esse me fez rir:

Olá,

Gostaria de sugerir uma nota sobre a participação do CQS [sic.] no II Data Venia Music Fest, um festival de música das melhores bandas de escritórios de advocacia e departamentos jurídico de empresas.

A banda é formada, entre outros integrantes, por Fábio Cesnik e Fernando Quintino.

Abraços, Daia Leide
Foco Jornalístico Assessoria de Imprensa
 

Destaques: Sou surdo e não sabia, da França, e Vozes de El Sayed, de Israel, sobre surdez. Somos todos Daniel, do Canadá, filme que nos apresenta uma turma de adolescentes autistas que cantam, dançam e interpretam.

As políticas públicas de inclusão e acessibilidade estão em filmes como Ofensas verbais, dos Estados Unidos, Omar, você aceita minha deficiência?, da França e As autoridades estão sempre certas, do Reino Unido.

O humor em Blues da Moça Cega, dos Estados Unidos e em Os Marginais, do Reino Unido.

E mais. Filmes da Coréia do Sul, Armênia, Noruega, Rússia e Argentina, além de quatro filmes brasileiros selecionados: Sentidos à Flor da Pele, de Evaldo Mocarzel, Pindorama, de Roberto Berliner, Lula Queiroga e Leo Crivellare, Dreznica, de Anna Azevedo e O Vôo da Cegonha, de Laly Cataguases.

Todas as sessões terão ENTRADA FRANCA.

A programação no site: www.assimvivemos.com.br

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01.outubro.2009 00:34:24

Olimpíada Tropical

Sexta-feira decidirão qual país será a sede da Olimpíada de 2016. Rio de Janeiro é uma das cidades candidatas.

Se vencer, poderíamos inovar, afinal, as Olimpíadas revelam um preconceito inaceitável contra pessoas sedentárias ou adeptos de jogos praticados em fins de semana chuvosos na praia.

Vivemos tempos de tolerância. Por isso, inicio a campanha para a criação dos Jogos Paradosolímpicos, competição com modalidades como:

1) War – competição multinacional em torno de tabuleiros do War, jogo de dados popular da Grow, em que seis jogadores disputam nada menos do que o mundo. Dura horas. O ideal seria que fosse jogado às madrugadas. Sim, haverá a categoria War II e o recém-lançado War III. O interessante desse jogo é que um atleta haitiano pode derrotar um representante de uma superpotência e conquistar o mundo. Nos dados.

2) Tranca – jogo de baralho descendente do buraco, cujo três vermelho vale cem pontos, e o preto, menos cem, além de trancar a compra. Antes que fiquem todos nervosos debatendo sobre as regras polêmicas, falando coisas como “minha avó joga no Monte Líbano e diz que isso não vale”, serão criadas categorias.

2.1) Tranca sem lavadeira.
2.2) Tranca que vale lavadeira de 4 e de ás.
2.3) Tranca que vale qualquer lavadeira.
2.4) Tranca que só vale pegar o morto com canastra real.

3) Truco – também haverá variações do truco: com manilha fixa ou variável. Os gritos de “truco”, “seis” e “nove” podem ser na língua do jogador, mas ele terá de reproduzi-los mimicamente com as mãos. O problema será o grito “chupa, negão!” Ele deverá ser reproduzido também pelos árbitros, na língua dos adversários.

4) Palitinho – o popular porrinha. Será preciso alertar os competidores que os palitos são itens do jogo. Não podem colocar na boca durante as competições, pois há risco de ingestão inadvertida e lesões.

5) Detetive – jogo de tabuleiros da Estrela, para se revelar quem matou o senhor Body. Se é que há algum interesse em saber quem matou o tal Body.

6) Banco Imobiliário – o problema será ensinar a delegação cubana regras básicas do capitalismo, como a de que há propriedade privada que pode ser comprada.

7) Porco – jogo de baralho com vários competidores. O problema é decidir em qual língua todos chamariam o perdedor de “porco”. Ou cada um chamaria na sua própria língua?

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