Há uma semana, uma estudante do 1º ano de Turismo do período noturno da unidade da Uniban de São Bernardo do Campo teve que sair da faculdade escoltada pela PM.
Motivo, vestia uma minissaia vermelha. Iria a uma festa depois.
Ela foi xingada e acuada por um grupo de estudantes, quando subia uma rampa. Ficou trancada numa sala com a ajuda de um professor, que lhe deu um avental e chamou a polícia.
Apesar de ter acontecido no dia 22, só ontem ganhou repercussão, já que as imagens do tumulto foram postadas no YouTube
“Ela veio com um vestidinho rosa da pesada, daqueles que se usa com calça legging, só que sem a calça”, disse o estudante de Matemática Pedro Adair, de 23 anos, para o Estadão. “Os três andares da faculdade subiram atrás dela. O pessoal parecia estar no tempo das cavernas, só faltou arrastá-la pelos cabelos”, disse.
O fato parou a faculdade. Uma aluna afirmou que os colegas ficaram gritando “puta” para ela. O coral de gritos de “puta” a acompanhou até que deixasse o prédio.
Uma catarse masculina exigiu à força que os padrões que eles consideram corretos fossem respeitados. Submeteram uma mulher ao humilhante papel de obedecer.
No dia seguinte, não houve manifestação ou passeata. O caso seria esquecido se não causasse alvoroço na internet. Garanto que suas colegas, em protesto, não apareceram todas de minissaia nas aulas seguintes. Ao contrário, muitas delas devem ter dito: “Essa puta mereceu.”
Há um traço conservador da sociedade brasileira que é fácil de detectar e difícil de entender. Diferentemente do que acontece nas praias da Europa, aqui as mulheres não se atrevem a fazer topless. As poucas que tentaram foram expulsas. O Brasil ainda é um dos poucos países do mundo em que o aborto é crime. E garanto que a maior parte das mulheres apoia a proibição.
“Ela é um poço de bondade. E é por isso que a cidade vive sempre a repetir: Joga pedra na Geni, joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni!”
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Há 4 dias, uma adolescente da CALIFÓRNIA foi estuprada coletivamente por alguns colegas da escola, numa festinha regada. As testemunhas que assistiam não fizeram nada para impedir.
Seu corpo foi jogado numa mesa de piquenique no parque vizinho e abandonado. A polícia só a encontrou desacordada, casualmente. Prendeu 5 moleques. Um deles tinha 14 anos. A repercussão negativa do caso foi tamanha, que talvez eles peguem prisão perpétua.
No dia seguinte, a comunidade, pais e alunos da escola fizeram uma passeata em protesto contra a violência. No coments…
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Estreia na MOSTRA DE CINEMA de SÃO PAULO um filme por quem tenho muito carinho e me sinto responsável: CARMO, do diretor MURILO PASTA, meu colega de faculdade.
É uma produção BRASIL, ESPANHA, POLÔNIA. Falado em português e espanhol. Legendas em inglês. Legendas eletrônicas em português.
CARMO foi selecionado para a Competição Internacional do Festival de Sundance este ano, bem como para vários outros festivais – Seattle, Guadalajara, Praga, Varsóvia, Raindance (Londres), Hollywood (Los Angeles). O filme será distribuído nos EUA em 2010.
No elenco, Seu Jorge (fazendo o papel de um bandido gay enlouquecido),
Rosi Campos (no papel de uma beata ninfomaníaca), Fele Martinez (um dos
atores favoritos de Almodóvar), Márcio Garcia (bronco, com dentes
podres, desfigurado e desconstruído, como nunca se viu antes) e Mariana Loureiro (de Abril Despedaçado).
A música é de ZECA BALEIRO. Mas tem também Cesária Évora e Lila Downs.

Por quer tenho carinho por ele?
MURILO era o meu melhor amigo da faculdade. Enquanto eu escrevia FELIZ ANO VELHO, ele escrevia também um romance, que nunca foi publicado, e acho que ele nunca terminou. Éramos os escritores da turma e grudados. Líamos e palpitávamos cada capítulo levantado.
Rodávamos a cidade juntos. MURILO era o primeiro a tirar a minha cadeira de rodas do porta-malas do carro, a me ajudar a subir as escadas da ECA e cinemas da cidade.
Muitos achavam que era meu irmão, já que, por vezes, com outros colegas, PAULO RICARDO e RUI MENDES, me subia escadas no colo, inclusive a da casa da minha namoradinha dos tempos de facu, FERNANDA.
MURILO se formou em cinema e se mudou para LONDRES. Lá, dirigiu episódios de séries de TV e seu primeiro longa, financiado pela MTV.
Voltou para o BRASIL há poucos anos e escreveu e dirigiu CARMO, um road movie que se passa na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Nos primeiros tratamentos, ele não estava satisfeito. Até me reencontrar. Eu lhe contei sobre os deficientes mais loucos que conheci, entre eles, um ladrão de carros de BH, que arrombava a porta, sentava no banco de motorista, jogava a sua cadeira de rodas no banco de trás e, com tocos de vassoura encaixados nos pedais, dirigia.
Então, MURILO teve a ideia de ouro, que engrandeceu o roteiro: o personagem de Fele Martinez, um contrabandista, seria paraplégico.
Aliás, o espanhol Fele esteve em São Paulo antes das filmagens. Dei algumas dicas e emprestei uma cadeira de rodas manual, que ele ficou usando, para se acostumar, durante os ensaios e a pré-produção.
E é essa minha antiga cadeira de rodas que está no filme, a mesma que MURILO tantas vezes guardou e segurou. O mundo dá voltas [em si].
Ele estará em cartaz na MOSTRA e entra em cartaz no circuito comercial daqui a uns meses. Quem quiser conferir antes:
UNIBANCO ARTEPLEX 3
31/10/2009 – 18:20 – Sessão: 862 (Sábado)
RESERVA CULTURAL 1
01/11/2009 – 20:00 – Sessão: 1022 (Domingo)
ESPAÇO UNIBANCO POMPÉIA 10
02/11/2009 – 18:10 – Sessão: 1146 (Segunda)
ESPAÇO UNIBANÇO POMPÉIA 2
03/11/2009 – 14:00 – Sessão: 1227 (Terça)
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Ah, já estava me esquecendo.
Amanhã mediarei o debate A POÉTICA DA IRREVERÊNCIA com CONTARDO CALLIGARIS, REINALDO MORAES e outros, ao meio-dia, no TEATRO SATYROS 1 [faz parte das SATYRIANAS, agitação que acontece nesse fim de semana na capital].
E EU e MÁRIO BORTOLOTTO estaremos no palco da SATYRIANAS, atuando na peça ROURKE SONG, à 1h, de sábado para domingo, na Tenda Tendências, em plena Praça Roosevelt.
Um trechinho:
os homens se perdem nessa luta contra um moinho e, no fim, nem sabem mais por que mesmo estavam se martirizando pela infidelidade intrínseca, se nunca sequer traíram a namorada. é a grande conspiração feminina pra dominar os homens pela culpa. desde criancinhas incutem dia noite as avós e tias e mães nas cabecinhas a mistificação da infidelidade masculina. reclamam de precisar cuidar dos filhos, mas faz tudo parte do grande plano. querem manter os homens trabalhando o maior tempo possível, pra que eles não possam criar os filhos de acordo com os valores masculinos da honestidade e da honra. os menininhos crescem já culpados por um crime que talvez nem cheguem a cometer.
Uma nova tomada se torna obrigatória no Brasil.
Por questões de segurança, diz a Associação Brasileira de Normas Técnicas [ABNT], que criou junto com o Inmetro o modelo de 3 pinos aterrados em baixo relevo de 8 a 12 milímetros, em formato de hexágono, onde será encaixado o plugue.

Os fabricantes têm até janeiro de 2010 para se adaptarem aos novos padrões.
Os técnicos dizem que este formato geométrico evitará os choques. Choques? Nunca tomei um choque por causa de uma tomada.
Não está em curso mais um grande estelionato ao bolso do consumidor brasileiro?
O caso lembra o do Kit Primeiros Socorros, que todos os motoristas foram obrigados a comprar em dias, e se revelou ser ineficiente.
No mais, ao invés de copiar um padrão já existente, como o americano, a que todos nós somos familiarizados, já que até os computadores nacionais têm a saída de 3 pino do padrão ianque, ou o europeu, também em baixo relevo, mas redondo, escolherem um novo, diferente. Mais um. Síndrome de protecionismo.
E é sempre assim. Para não nos sentirmos colonizados, criamos padrões, complexo de país grande. A ditadura inventou o padrão PAL M, que só há no Brasil, para TV em cores, enquanto a América usava o NTSC, e a Alemanha o PAL, sem o M.
Nossos vídeos cassetes eram em PAL-M, e dava uma trabalheira para incluirmos outros sistemas e assistirmos a vídeos importados. Através de nossos DVDs não assistimos a filmes europeus e americanos, precisamos adaptá-los.
Mundo globalizado? A discussão sobre o padrão da TV digital durou anos, japoneses e americanos disputavam, decidiu-se aos 45 minutos do segundo tempo que inventaríamos um padrão único e próprio.
Com o fim do monopólio da Embratel e a privatização da telefonia, inventou-se um sistema complicado, que nenhuma avó ainda entendeu, que atrapalha as ligações interubano por celulares e a operação dos aparelhos, que dá um nó em todos, o kafkiano e indigesto “zero + operadora + código da cidade”, ou o padronizado pela imprensa, 0/XX/código, algo que só existe no Brasil.
Agora, as tomadas! Dei um role pela minha casa. Encontrei apenas um plugue que se encaixaria na nova tomada, o de um abajur. A maioria é americano.
E os americanos não se encaixam na nova tomada brasileira. Ninguém pensou em facilitar?

Lá vamos nós atrás de benjamins, extensões, adaptadores para a nova realidade. Tem muita gente que vai faturar alto por causa dessa mudança. E ao viajarmos teremos que sair com uma mala extra de adaptadores.
Obrigado ABNT.
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Ontem, o ministro da Justiça, Tasso Genro, se reuniu enfim com o governador do Rio de Janeiro, para falar da violência na cidade. Dez dias depois que começou a guerra no Morro dos Macacos. Quanta agilidade…
Outra perguntinha. Por que as mulheres do tempo são sempre MORENAS? E são sempre gatas.
Não confiamos nas suposições climáticas de uma LOIRA? Elas não transmitem segurança? Já houve uma japinha gata que dava o tempo pela TV GAZETA [por onde andará?].
Pensando bem. Não há nenhuma LOIRA nas bancadas dos telejornais. O padrão MORENA CABELOS CURTOS JOVEM E GATA se expandiu pelo Brasil. O que eles têm contra as LOIRAS, RUIVAS, NEGRAS, JAPAS, GORDAS, GRISALHAS?
A elas, os programas de culinária e infantil. Não as querem dando [ou lendo] NOTÍCIAS.

Essa é a gata da BAND, TICIANA VILLAS BOAS, baiana que começou fazendo reportagem em SALVADOR, veio para ser a mulher do tempo e agora divide a bancada do JORNAL DA BAND com Boechat. A descoberta mais bem-vinda.
Tinha uma voz nasalada estridente. Agora, fala pausadamente, com calma. Deve ter feito fono. É a mais gata da TV BRASILEIRA. E era SURFISTA além de tudo. Difícil prestar a atenção nas notícias da BAND, se concentrar na previsão do tempo. Ela deve ter algum defeito, não é possível. Será que ronca? Vai ver é fã de Paulo Coelho. Pior, o CD da IVETE não sai do seu carro…

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Opa. Acabei de ver FLÁVIA FREIRE, moça do tempo do Jornal Hoje. Não sei se artificial, mas loira. É, toda a regra tem a sua… Você sabe.
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HOJE NO CINE SESC, SÃO PAULO. E passa de novo nos dias 29/10 no Cine Olido [19h30], e 31/10 na Cinemateca [19h50].

HOJE E AMANHÃ NO TEATRO POEIRA, RIO DE JANEIRO

SÁBADO PARA DOMINGO, 1H DA MANHÃ, NA TENDA DAS SATYRIANAS, PRAÇA ROOSEVELT
Eu a MÁRIO BORTOLOTTO estaremos no palco para levar a peça ROURKE SONG, do gaúcho TRÄSEL; direção de FERNANDA D’UMBRA. Em que dois amigos, ENCICLOPÉDIA e RANGEL, numa mesa de bar, discutem sobre a infidelidade masculina.
Uma palhinha:
ENCICLOPÉDIA: eu tento, rangel, mas não consigo ser fiel à minha mulher. é uma merda. é só passar uma bunda rebolando e meu olho vai atrás. eu posso até não fazer nada, mas eu penso. eu penso em fazer, entende? só me seguro porque gosto muito da minha mulher. e a verdadeira traição, pra mim, é em pensamento.
RANGEL: os homens são muito tapados, mesmo. alguém já viu uma mulher ter preocupações existenciais com a fidelidade? não. porque fidelidade só existe pros homens. eles são infiéis por natureza, por isso precisam buscar a fidelidade. se dedicam a isso, mas só porque as mulheres
reclamam. então sentam em mesas de bar com amigos, bebem e reclamam de sua incapacidade pra ser fiel. pra ir contra sua natureza, sua necessidade impressa em ácido nucléico de ir atrás de qualquer bunda gostosa, aliada a um gosto pelo desconhecido e pelo novo, aquela inclinação masculina pela exploração da terra incógnita.
Fui ver o filme novo do BETO BRANT, O AMOR SEGUNDO B. SCHIANBERG, em cartaz na MOSTRA DE CINEMA.
Passou sábado. Passará de novo 30/10 [sexta-feira], 15h50, no Cine Bombril, e 03/11 [terça-feira], 15h10, no Espaço Unibanco Augusta.
Fala de um casal que começa uma relação amorosa e que não sai do apê [dela]. Em que falam de vida, relações, arte, rotina, com diálogos aparentemente improvisados.
Ele, GUSTAVO MACHADO, é um ator que está numa peça de PLINIO MARCOS, NAVALHA NA CARNE. Ela, MARINA PREVIATO, uma videoartista que prepara, filma e edita um vídeo. O convidou para ser personagem de sua obra. E, irresistível, começaram uma história.
Curiosamente, GUSTAVO estava levando a peça NAVALHA NA CARNE no CENTRO CULTURAL [com GERO CAMILO e PAULA COHEN]. E MARINA é uma artista que, sim, montava seu vídeo.

A linha dramática do filme é simples e cruel, como é simples [e cruel] começar e terminar uma relação:
o casal se conhece; o casal ganha intimidade; o tesão é enorme; explosão de carinho e gentileza; um aprende com o outro; cozinham juntos aquele omelete básico; um conhece os amigos do outro; aprendem a controlar o ciúme pelo desconhecido; aprendem a respeitar as manias e a conhecer o timing do outro; o tédio aparece; eventualmente, ela não quer transar; as brincadeiras dela, que antes não incomodavam, agora machucam, como se tocassem em feridas mal cicatrizadas; ele explode e inicia uma discussão de relação, para colocar pingos no i; inseguro, quer saber onde está se metendo, se é pra valer, se estão na mesma sintonia, se vai haver limites e regras; por fim, decidem, vão ficar juntos ou, bye-bye, foi só uma historinha, mais uma entre tantas.
Ao final, vemos na tela o vídeo que ela preparava [em que ele atuava] durante toda a trama. Enquanto antes não entendemos direito o que ela estava fazendo, por que editava aquilo no seu MAC, o que era aquele espelho que ela quebrara, aquelas maluquices que ela fazia no apê.
É um filme diferente, que surpreende, prende a atenção. Fui sem saber detalhes de como foi feito. Diversos tipos de câmeras o filmam, algumas bem definidas, outras toscas.
No final da sessão, um papo com o diretor. Então, ele contou. Surpresa:
O filme foi feito com o apoio da TV CULTURA, para passar na tevê. Mas ganhou outro tratamento. O casal ficou alguns dias preso no apê, em que foram espalhados microfones [mais de 20] e diversas câmeras fixas, entre elas, câmeras de segurança.
Como num Big Brother, não havia um técnico no set de filmagem. A equipe monitorava tudo do apartamento vizinho, durante 24 horas, como num reality show. O diretor comandava uma mesa com um joystick, escolhendo a câmera e microfone certos.
Não interferia nos diálogos, nas cenas. Eventualmente, mandava um email ou uma mensagem pelo celular, indicando e sugerindo. O roteiro foi rasgado. Tudo o que foi dito veio dos próprios atores, inclusive o DR bombástico e tocante.
A história tão verdadeira de uma paixão foi contada por um casal que não é casal na vida real. Mas viveu aquilo que se estivesse, sim, iniciando uma história.
Filme que ficamos torcendo para não terminar.
E deu química. GUSTAVO é um ator de primeira, divertido e inteligente, tem respostas rápidas e entende do ofício. MARINA é uma das mulheres mais lindas, é uma artista, está concentrada no seu vídeo [que é exibido no final].
E BETO é esse diretor que não faz concessões, que trafega entre o teatro e as artes plásticas, que poderia ser um dos grandes diretores do cinema comercial do Brasil, já que foi bem sucedido em OS MATADORES e O INVASOR, mas que filma como poucos, nunca repete os mesmos truques, inova a cada obra, se afasta do chicletinho básico, incomoda, arrisca, vai ao limite e, parece, não se importa com o saldo da sua conta bancária.
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Mudando de assunto completamente, alguém sabe me explicar por que as mulheres brasileiras pararam de REBOLAR quando andam?
Quem é mais velho se lembra desse jeitinho de caminhar da brasileira, que seduzia e chamava a atenção, e era comentado em todo o mundo.
Será que é culpa da Yoga ou Pilates? Será que reprimiram o movimento suingado do quadril depois da emancipação feminina? Para as mulheres não parecerem objeto? Foi a dancinha da garrafa que levou as mulheres a se recatar? Ou foi o funk carioca que desqualificou o saracoteio tão brasileiro?
Não querem mais se expor? Só vale quando dançam? Se cansaram do assédio nas ruas, trens e praias?
Vou perguntar ao meu amigo e colega ROBERTO DAMATTA se há explicações para a mudança desse costume tão tropical.
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Festinha hoje para arrecadar fundos para um projeto teatral, como rola às segundas-feiras no STUDIO SP, ideia genial que pegou e incentiva o teatro e o cinema. Uma maneira de se divertir e contribuir, ou dar 1 sentido para a sua balada.
A grana dessa vez vai para a produção da peça MENINAS DA LOJA, e tem show do meu querido amigo JUNINHO BARRETO, um dos compositores que estão na lista top rated do meu iTune.

É, a abertura da MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO ontem foi um repeteco das anteriores.
Mas anunciaram a novidade.
A MOSTRA deste ano é O Primeiro Festival Online do Mundo. Fechou um acordo com THE AUTEURS www.theauteurs.com) e se tornou o primeiro festival a exibir filmes em streaming- alguns filmes estarão na internet, depois de serem exibidos. De graça! Pra todo Brasil.
A THE AUTEURS é a maior comunidade online de filmes independentes e clássicos. É parceira exclusiva da World Cinema Foundation, a fundação para a preservação de filmes do Scorsese.
Olha os títulos e as datas de exibição online:
13 MINUTOS, de Felipe Briso, Gilberto Topczewski (Brasil) – 24/10
AMOR EM TRÂNSITO, de Lucas Blanco (Argentina)- 24/10
BR3 (FICÇÃO), de Evaldo Mocarzel (Brasil) – 24/10
BR3 (DOCUMENTÁRIO), de Evaldo Mocarzel (Brasil) – 24/10
UM LUGAR AO SOL, de Gabriel Mascaro (Brasil) – 28/10
TIKIMENTARY, de Duda Leite (Brasil) – 24/10
À MARGEM DO LIXO, de Evaldo Mocarzel (Brasil) – 25/10
CORTEJANDO CONDI, de Sebastian Doggart (EUA, Reino Unido) – 26/10
DENTRO DA LEONERA, de Nicolas Bénac e Cedric Robion (França) – 25/10
MOMENTOS DE JERUSALÉM, vários diretores (Israel) – 27/10
NÓS QUE AINDA ESTAMOS VIVAS, de Daniele Cini (Itália, Argentina) – 24/10
FUTEBOL BRASILEIRO, de Miki Kuretani e Tatiana Vilela (Japão, Brasil) – 26/10
HUGO REI E SUA DONZELA, de Franco de Peña (Polônia, Venezuela) – 01/11
O PEQUENO INDI, de Marc Recha (Espanha, França) – 27/10
AQUILES E A TARTARUGA, de Takeshi Kitano (Japão) – 30/10
A CANTORA DE TANGO, de Diego Martinez Vignatti (Bélgica, Argentina, França, Holanda) – 28/10
O JOGO DO PAI, de Michael Glawogger (Alemanha, Áustria) – 28/10
TUDO QUE NOS CERCA, de Hashiguchi Ryosuke (Japão) – 24/10
SIRI-ARA, de Rosemberg Cariry (Brasil) – 02/11
REIDY, A CONSTRUÇÃO DA UTOPIA, de Ana Maria Magalhães (Brasil) – 29/10
O CERCO, de Toshi Fujiwara (Japão) – 01/11
VENCER, de Marco Bellocchio (Itália) – 29/10
SEGUINDO EM FRENTE, de Hirokazu Kore-Eda (Japão) – 24/10
KALANDIA, HISTÓRIA DE UMA FRONTEIRA, de Neta Efrony (Israel) – 26/10
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Marcada para às 21h, a abertura começou lá pelas 22h30. No hall do teatro, quase todos do meio. Era um tal de “tá pronto o roteiro?”, “finalizamos”, “vi o primeiro corte”, “falta ainda uma grana”, “telecinamos”, “começamos a rodar”…
Encontrei o diretor e produtor CAITO ORTIZ, da Prodigo, que vai filmar o meu livro BLECAUTE. Soube por acaso que o roteiro está levantado. Finalmente. Este livro já foi vendido para outras produtoras, todas tentaram, mas não conseguiram. É meu segundo livro mais famoso e que mais vende. Será que dessa vez sai?
Encontrei meu diretor Alexandre Stokler, que monta o seu filme LINHA DE FUGA, em que atuei, junto com dezenas de atrizes e atores- já falei dele aqui. Me disse que num dado momento sou o que mais aparece no filme. Vixê…
Eu fiquei completamente bêbado nas filmagens, exatamente como o personagem pedia. E não era chazinho na garrafa de uísque. Era o próprio, um 12 anos. Lembro que a minha língua não me obedecia muito no final. Até inventei um caco enorme, absurdo, podre, pornográfico, imundo, que não estava no roteiro. Me empolguei, e que eles não desligaram a câmera. Espero que a minha mãe não o assista.
Minha amiga ALESSANDRA NEGRINI, que vai fazer o meu filme NO RETROVISOR e se mudou para São Paulo, de onde nunca deveria ter saído, estava um arraso de vestidinho curto azul piscina.
E, pra variar, nosso grande homem de cultura e especialmente do teatro, o fomentador DANILO DE MIRANDO, do SESC, foi o mais aplaudido. Uma pena que ele não queira ser ministro de jeito nenhum, apesar de sempre convidado. Bem, não é uma pena. Deixa ele no SESC. Todos saem ganhando.
SERGINHO GROISMAN soltou a piada da noite. Perguntado no palco qual o filme mais marcante de sua vida, ele soltou: MAZZAROPI CORINTIANO.
Depois, RIMOS JUNTOS, e me lembrou que eu queria iniciar o filme FIEL, de que somos roteiristas, com imagens do MAZZAROPI CORINTIANO. Não rolou. Mas seria demais…
Falaram representantes do Estado, Prefeitura e União [ministro dos Esportes]. Falou-se até no pré-sal [o representante da Petrobras].
A representante da SABESP, empresa que é a terceira que mais investe em cinema no Brasil, foi curta e soltou o lema: “Pra quem tem sede de cultura.” Genial. Valeu SABESP! Pena que não investem também em teatro.
Depois, caímos no arrasta-pé lá na THE WEEK. Bebida e comida de graça. Porém, MACARENA e IVETE SANGALO nas caixas. Lamentável… Os DJs de agora redescobriram a MPB. Sim, ainda bem, enterraram a indigesta música eletrônica. Mas IVETE é f*&#a! Nada a ver. Toca Raul!
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Hoje passa o filme PONTO DE VIRADA. Do diretor FRANK MORA. “Dez personalidades do mundo dos esportes, como Raí e Eder Jofre, e da cultura, como Marcelo Rubens Paiva, Kiko Zambianchi, José Celso Martinez Correa, Tata Amaral, Milhem Cortaz, Julio Medaglia, Laerte e Daniel Daibem, são convidadas a responder a questão: qual o dia que mudou sua vida?”

Adivinha quem teve um dia que mudou a sua vida completamente?
É, estou no filme. LEON CAKOFF disse que estou bem. Ainda bem… Este, minha mãe pode assistir. CINE BOMBRIL, 22H30.
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E hoje é dia de cinema, mas tem a peça LA MUSICA, no TUCA ARENA. Hoje, sábado e domingo. Com XUXA LOPES e HÉLIO CÍCERO, dois mestres.
Texto da conturbada e sensível Marguerite Duras, que nasceu no Vietnã- o que está no livro O Amante, adaptado para o cinema por Jean-Jacques Annaud-, e que explora todas as facetas da perturbação da sexualidade feminina empastelada pela sociedade conservadora pré-emancipação.
DIREÇÃO do Marcos Loureiro, fala do reencontro de um casal, casados durante 15 anos, que se separara e decide, num hotel da vila francesa em que morava, fazer os últimos acertos do divórcio.

Descobre-se que o tédio do relacionamento os levaram a ter casos. Ela não suportou o papel da subjugada, quando intuiu que o marido a traía. Ele demonstra um patético arrependimento.
Peça cruel, para aqueles que acreditam em redenção. O amor de hoje é fluido, diria BAUMAN, o sociólogo de Amor Líquido e Vida Líquida.
Bauman sugere que as relações humanas estão cada vez mais flexíveis, alimentando insegurança, e pergunta: se hoje vivemos em redes virtuais, que aproximam e afastam as pessoas, somos capazes de manter laços fortes e relações verticais?
O mundo utópico faliu, dos ideias ao coletivismo. O prazer e o dinheiro molda o indivíduo contemporâneo, movimenta as relações. Estamos na era da diversão e novidade, do hedonismo e consumo. O mundo moderno emite sinais confusos, que mudam com rapidez e de um jeito imprevisível. Dorme-se num mundo, acorda-se em outro. O casamento resiste?
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Curiosamente, o mesmo texto, com outro nome, A MÚSICA SEGUNDA, em cartaz também no TEATRO VIVO, direção de JOÃO POSSI NETO [com o mestre da sutileza LEO MEDEIROS e a linda HELENA RANALDI].
Pura coincidência. Ambos os grupos descobriram que montavam o mesmo texto durante os ensaios. Acontece. Tudo bem. Duas versões em dois lados dessa cidade gigantesca.
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E hoje tem BRUTAL, peça do meu amigo MÁRIO BORTOLOTTO, meia-noite nos PARLAPAS. Um texto que começa engraçado, pouco a pouco passeia pelas entranhas e expõe um lado da crueldade humana, da alienação, recorrente e de que somos vítimas e agentes.
Trata-se de uma seita que, como tantas outras, trafega entre a loucura e o abuso de poder. Seu líder seduz mulheres com um papo-furado em que só as desesperadas caem. Ou somos todos desesperados por uma causa? Basta usar a palavra certa pra dominar um povo?
Vê-se ali nossa maior fraqueza, a busca pelo amor e por uma fé, e como ela pode ser manipulada. Grande peça, grandes atuações, dá-lhe MARIÃO!
Amanhã começa a MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA de SÃO PAULO. É o maior evento cultural da cidade, junto com a BIENAL. É imperdível.
A cidade ganha outros ares. O cinema, a paixão do paulistano, vira tema em todas as rodas. Surge uma ansiedade incomum, já que não se pode perder “o” filme “daquele” baita cineasta.
Você viu? Não viu?! Como não?!
Debates, festas, sessões, filas, tudo gira em torno do cinema. Garanto que até em sessões de psicanálise, os pacientes devem debater sobre os filmes que viram, deitados no divã.
Alguns, como eu, preferem aqueles de países distantes, cujas capitais não sabemos soletrar, sem legenda [com legenda eletrônica].
Aqui está a seleção para ser estudada com carinho, mas o que vale mesmo é trocar ideia com os amigos cinéfilos, pedir dicas das barbadas, e sacar quais estarão em breve em cartaz, para se evitarem filas e desperdício de tempo:
MARCELO TAS é meu amigo há tantos anos. Ele tinha franja ainda quando o conheci no OLHAR ELETRÔNICO e trabalhamos juntos. Foi inesquecível a nossa visita ao PRESÍDIO, em que entrevistamos o Bandido da Luz Vermelha, matéria que foi pro ar pela antiga TVA, lá pelos anos 80.

Ambos somos ligados em teatro, tv, seu sarcasmo se parece com o meu. Deve ter sido ele quem pautou o CQC para cobrir a estreia na minha peça, A NOITE MAIS FRIA DO ANO, na última terça-feira lá no Rio de Janeiro, no Teatro Poeira.
Achei bacana. Fiquei honrado. Raro um programa de tevê aberta cobrir uma estreia de uma peça. Passa daqui a pouco na BAND. Veremos se falei muita besteira, sob os nervos alterados de uma estreia tão importante e badalada.
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Aliás, eu e o Mário Bortolotto estaremos no palco da próxima Satyrianas, com a peça ROURKE SONG, que fizemos na edição do ano passado. São dois amigos na mesa de um bar bebendo e falando de… Lógico, de mulheres.
Não é meu debute como ator, já que fiz teatro amador nos anos 70, no grupo de teatro do CLUBE PAULISTANO. Mas agora é outra praia, digo palco.
Fomos escalados para sábado, dia 31, depois da meia-noite. Quem se arrisca?
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Aliás, meu amigo ALE PRIMO manda avisar que nosso documentário sobre o POLANSKI vai estar na MOSTRA DE CINEMA, dia 27/10, no CINE SESC, 20h30. Enfim! Olha a ficha:
Roman Polanski, documentário de Alê Primo, estréia na Mostra
filme é uma realização da Gerência Audiovisual do SESC SP
uma longa entrevista com o diretor foi feita em 2004, no Brasil
além do próprio, há depoimentos de Hector Babenco, Cacá Diegues, Ugo Giorgetti, Caetano Veloso e Gilberto Gil
há trechos de grande parte da filmografia do diretor
Marcelo Rubens Paiva é coautor do roteiro
Nascido em Paris e filho de poloneses, Roman Polanski voltou à cidade natal de seus pais com apenas três anos. Na época, Stalin e a Rússia comunista cerceavam viagens, contato com o Ocidente e a liberdade de expressão. Talvez por isso, o hoje reconhecido e multipremiado Polanski enxergava a capital francesa como “um lugar que era obrigado a reconquistar”. E aquele foi de fato o seu destino imediato depois da morte de Stalin e do início de um processo de flexibilização política.
No documentário de Alê Primo há uma longa entrevista com o diretor, feita no Brasil. Aquela não foi a primeira viagem de Polanski ao País, como ele mesmo coloca em determinado trecho. Ele e Jack Nicholson já passaram o carnaval em terras brasileiras, nos anos 70. Caetano Veloso lembra de um episódio em que eles se encontraram, na Bahia, num dia em que a energia elétrica falhou. Ugo Giorgetti coloca que o grito mais impressionante que já ouviu no cinema foi em um filme do diretor. Cacá Diegues diz como ficou impressionado logo com o primeiro filme de Polanski, Faca na Água, e sua modernidade.
O filme reúne trechos de quase toda a filmografia do cineasta. Segundo o diretor Alê Primo, “de toda filmografia de Polanski, apenas quatros curtas não estão no documentário, por isso talvez esse seja o trabalho biográfico mais completo feito até hoje sobre a vida do cineasta franco-polônes. E, vale frisar, feito aqui no Brasil”.
Polanski fala de sua trajetória – pessoal e profissional. Conta sobre a Escola de Lodz, que freqüentou na Polônia, e seus primeiros exercícios cinematográficos. Assassinato (1957), sua primeira experiência com a câmera, é exibido na íntegra no documentário de Alê Primo; há ainda imagens de Sorriso (1957), Vamos Arrombar a Festa (1957), Dois Homens e um Guarda-Roupa (1958). Foram sete filmes realizados por ele enquanto ainda era estudante de cinema.
O cineasta fala também da sua mudança para Londres, numa época em que Beatles e Rolling Stones estavam no auge. Comenta sobre a realização de Repulsa ao Sexo (1965) e a participação de Catherine Deneuve; fala sobre Armadilha do Destino (1966) – “como nós jovens cineastas imaginávamos aquela época” – e sobre A Dança dos Vampiros. O diretor comenta também sobre O Bebê de Rosemary, Macbeth, Chinatown, O Inquilino, todos rodados nos anos 70. Trechos de todos esses trabalhos são exibidos.
Até mesmo sobre a morte de Sharon Tate, Polanski fala. Comenta sobre a tragédia da volta de sua mulher (e atriz) para Los Angeles alguns dias antes dele (ambos estavam filmando em Londres) pelo fato dela estar quase no oitavo mês de gravidez. Tate e outras três pessoas foram esfaqueadas e mortas pelo serial killer Charles Manson, em 1969.
E, já na parte final da entrevista, Polanski coloca o quanto de memória e lembranças afetivas suas estão em O Pianista (2002). Apesar do diretor não ser exatamente da Cracóvia, onde se passa o longa, ele sentiu e sofreu, assim como os personagens, os horrores do Holocausto. De família judia, esteve nos campos de concentração junto com seus pais. Sua mãe faleceu num deles.
Roman Polanski estréia na 33ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Ficha Técnica
Brasil, 52 min, 2009
Direção e entrevista: Alê Primo
Texto: Marcelo Rubens Paiva
Realização: SESCSP Gerência de Audiovisual
Idealização: Silvana Morales Nunes
Produção executiva: Regina Gambini
Produção: Jane Sucena
Direção de fotografia: Edson Bello
Edição e finalização: Anderson de Freitas
Produção de finalização: Danilo Concilio
Depoimentos: Roman Polanski, Hector Babenco, Ugo Giorgetti, Cacá Diegues, Caetano Veloso e Gilberto Gil.
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Aliás, sobre a peça A NOITE MAIS FRIA, o amigo MARCELO MIRISOLA escreveu na sua coluna do site Congresso Em Foco.
http://congressoemfoco.ig.com.br/coluna….
Tantas observações… Gostei, MM. Reproduzo aqui alguns trechos. E coloco uma foto da PAULA COHEN em foco, pra todos se deliciarem.

A noite mais fria do ano, no palco e na vida
“Mulher é um bicho complicado. Nasceu – eu acho, e o Marcelo Rubens Paiva sabe disso – para a metalinguagem, para o além… E viva Nelson Rodrigues!”
Metalinguagem levada a sério é um porre. O legal é desacreditar nos grilhões, tanto faz se forem físicos ou metafísicos: viver é um absurdo, atravessar ruas e amar as mulheres também. É um pouco disso que resulta a peça de Marcelo Rubens Paiva. Vale dizer que ele não correu risco nenhum de se desfazer na geléia metalinguística porque, em primeiro lugar, soube escolher um elenco muito engraçado (tão ou mais descomprometido do que ele nessa viagem dentro da Noite mais fria do ano) e, depois, porque ele não seria besta de se meter a Pirandello nessa altura do campeonato. Me senti em casa. Quase na coxia jogando pôquer com os atores: aliás, aqui vai uma sugestão, essa “cena” poderia ser incorporada nos próximos espetáculos.
Bem, vou falar um pouco da peça dentro das peças. A primeira parte, se é que podemos fazer essa divisão, acontece num quiosque localizado provavelmente no Leblon, posto 12. Trata-se do diálogo dos cornos. Caio, ou Mário Bortolotto, é o recém-demitido editor de fotografia apaixonado pela linda mulher do bundão interpretado por Alex Grulli, imediato subalterno que foi promovido de uma só vez a corno do ex-chefe e ao cargo do mesmo, se é que entendi direito.
De qualquer forma, não importam os cargos e as chefias, mas os chifres da história. Ao fundo, temos o quiosque e os grunhidos do quiosqueiro mais engraçado das praias da Zona Sul, Hugo Possolo. E ao fundo do fundo, o barulho do mar e os ecos da mulher, Paulinha Cohen ou Carol que, desde antes de entrar em cena, já subtrai os corações, as mentes e os testículos de quem os têm e se dispõe a imaginá-la através do embate marido versus amante, cama versus alcova. Vejam só.
Eu nunca havia reparado no quanto a Paulinha Cohen é boa atriz, além de ser muito gostosa. Carol beija mal. Esse detalhe é a marca do autor. E, além de beijar mal e presumivelmente trepar feito uma diaba, Carol foi pensada para habitar a supracitada metalinguagem com desenvoltura, graça e conhecimento de causa. Porque, afinal é uma mulher, e o terreno delas é este: o enfumaçado, o vago, o lugar nenhum e a confusão, o lusco-fusco e a incontinência, o lá e cá.
No decorrer da peça ela vai ganhar um olho roxo. Merecido. E “sem querer-querendo”, Carol pede mais porrada, o tempo todo.
Não seria exagero se eu dissesse que Carol é a síntese das fêmeas que Marcelo Rubens Paiva arregimentou nos seus livros e – imagino – ao longo de sua vida de Don Juan. A pergunta é: o que o autor, nesses tempos gays e politicamente corretos em que vivemos, poderia pretender com essas espécies, macho e fêmea, ambas em extinção?
A resposta é: MRP ateia fogo no que sobrou do cirquinho da razão masculina, bate no peito e devolve a banana para os gorilas priápicos, animais em extinção (eu me incluo) que agonizam na plateia. De onde se conclui que essa é, sobretudo – antes de ser metafísica –, uma peça mamífera. E deliberadamente machista, naquilo que esse ultrapassado conceito poderia ter de mais engraçado, datado e, pasmem, humano. Vai fazer o quê? Tentar entender a mulherada?
Só o Marcelo Paiva que se atreve – além de autor, também dirige a peça. Na segunda parte, a adúltera ressuscita de um tiro acidental e macarrônico levado no final do primeiro ato. Vou chamar de primeiro ato, mas não é. Enfim, vale que Carol volta em carne e osso e trajes sumários ao palco, dessa vez como a mulher do ex-quiosqueiro. Que agora, por sua vez, se transforma em fotógrafo e editor de fotografia (dois em um), além de ser o Hugo Possolo. Nesse instante delicado do espetáculo, quem “entende” as mulheres dá uma colher de chá para a ontologia e para a metalinguagem.
Um dado. O ramo central da metafísica chama-se ontologia. De um ponto de vista feminino, digamos assim, essa excentricidade filosófica tenta decifrar em quais categorias as coisas estão no mundo e quais as relações dessas coisas entre si. Uma voltinha no shopping com uma mulher do tipo da Carol é o suficiente para esclarecer a existência e a natureza do relacionamento entre essas coisas (bolsas, sapatos, perfumes) e suas propriedades. Nem vou falar da musse de chocolate. Mulher é um bicho complicado. Nasceu – eu acho, e o Marcelo Paiva sabe disso – para a metalinguagem, para o além.
No caso da Carol (um tipo verossímil, diga-se de passagem), esse “além” inclui obrigatoriamente o gosto de levar umas bolachas. Há muito desisti de entendê-las. Mas o Marcelo Rubens Paiva sabe que os elementos “mulher” e “outras dimensões” estão diabolicamente imbricados. E é aí que a Noite mais fria do ano esquenta pra valer.
No momento mais perigoso, quando os laços da metalinguagem estão afrouxados, soltos, na hora em que a peça corre um risco iminente de virar uma chatice pirandelliana, bem, nesse momento, Hugo Possolo abre a champanhe da Noite mais fria do ano, que, para o alívio da macacada, vira uma festa dos atores e da atriz em cena. Teatro. Ou melhor, circo. O habitat de Possolo por excelência. Marcelo Rubens Paiva, insisto, caprichou na escolha do elenco. Caramba, Possolo é perfeito para esse papel, como ele é engraçado! Por Deus, como Paula Cohen é gostosa.
Tenho de confessar: tive 45% de ereção na cena em que Paula-Carol vai e volta do banheiro – cada vez mais nua no seu retorno, fazendo um strip nada metafísico e completamente disléxico, ah, que delícia quando ela paga umas tetas para a plateia e desafia, com suas conjecturas histéricas e inapelavelmente femininas, a suposta rival, uma advogada criminalista que existe/não existe do outro lado da linha do telefone. A cada vitória no campo das chantagens, uma lingerie a menos.
Taí a grande engenharia do Marcelo Paiva, o falso machista que entende de mulheres como poucos. A meu ver, o strip disléxico de Carol-Paulinha Cohen é o ápice do espetáculo. Tenho a impressão de que a mulherada vai adorar essa Noite mais fria do ano, sobretudo as histéricas, porque as normais irão para casa com a sensação de que ainda podem – e devem e precisam – levar mais umas bolachas. Viva Nelson Rodrigues!
Por incrível que pareça, a primeira vez em que andei num táxi adaptado para cadeirantes foi em CURITIBA, cidade pioneira no transporte acessível para cadeiras de rodas, no começo dos anos 90.
Era uma KOMBI branca, com um elevador da ORTOBRAS, plataforma hidráulica que eleva a cadeira, feita no Rio Grande do Sul. Nem nos EUA havia o serviço. Era um rolo para os deficientes turistas ou locais se virarem por lá. Como era em todo lugar.
Pouco a pouco, o serviço se tornou um fato no mundo. Lógico, tem demanda, dá grana, todos saem ganhando. Até em Buenos Aires existem vans adaptadas. Qual a única cidade que não tinha? São Paulo.
Em Londres, sacaram que cabia uma cadeira de rodas em todos os táxis. Liberaram os carros para acoplarem rampas improvisadas em suas portas traseiras.
São Francisco inovou. Vans adaptadas servem aos deficientes e também pegam passageiros comuns. E esse modelo foi copiado pelas grandes cidades.
O cadeirante pode esperar passar uma van, esticar o dedo e parar o táxi, como qualquer passageiro. Ou telefonar para uma central, agendar e esperar.
Em Barcelona, eles chegam em meia hora. O passageiro de cadeira de rodas entra por trás. Fica bem encaixado no porta-malas. Nem é preciso amarrar a cadeira.

Em Madrid, também. O próprio motorista estica a rampa. E, ah, como em todos os lugares, a tarifa é a mesma de uma corrida comum.

Em Nova York, a rampa é lateral e traseira. O passageiro cadeirante fica entre o banco de passageiros e a divisória que o separa do motorista. Basta discar para o número 311, que eles vêm em uma hora. No aeroporto, nem é preciso agendar. Na fila de táxi, de cada dez carros, um é a tal van. Sim, eles pegam passageiros comuns e cadeirantes.



No Rio, o serviço já existe há 4 anos. Começou com um carro. Montaram uma cooperativa. A cada ano, mais carros foram comprados. Hoje, são quase 30, que fazem em média oito corridas por dia. E funciona 24 horas. Só ligar para (21) 3295-9606. No aeroporto, fica um carro de plantão. Estão adquirindo mais carros.



A diferença é que eles têm permissão de pegar apenas passageiros cadeirantes, e a tarifa é a de um táxi especial. A plataforma é mais elaborada, também made in brazil. A cadeira do passageiro é toda atada. Pode levar no máximo 2 acompanhantes. Mesmo assim, a demanda é grande.
Há anos, eu vinha fazendo pressão para que o serviço fosse regulamentado em São Paulo. Escrevi artigos, falei na minha coluna, me reuni com prefeitos, com o governador, dei sugestões.
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FAZENDO LOBYZINHO NO PALÁCIO
Finalmente, neste ano, começou a funcionar o chamado TÁXI ACESSÍVEL em São Paulo. O processo foi mais complicado. Decidiram dar alvarás para algumas cooperativas e outros autônomos. Não existe um número de telefone que concentre as operações. É preciso ligar para vários números e ver qual tem um carro livre. A classe é desunida.
O serviço é mal divulgado. Pelo site da prefeitura, se descobre para quem ligar. São vários:
Paulo 8343-7998
Batista 9733-3374 ou 7832-1366
Associação das Frotas de Táxis Fone.: 3229-7688 / 3228-1400 / 3326-0505
Associação Fuji Táxi 2 Fone.: 5073-3600 / 5077-3999
Associação Delta Comum Rádio Táxi 1 Fone.:5072-4499
Metrópole SP Rádio Táxi Ltda. – ME 1 Fone.: 5575-6681
Associação Super Táxi dos Taxistas Autônomos 1 Fone.: 3982-6414
A coisa é tão mal feitinha, que alguns números acima, que peguei do site, nem funcionam. É preciso gastar um bom tempo para agendar um carro.

CARRO PAULISTA SENDO MONTADO NA OFICINA
A tarifa é a de táxi comum. O que traz prejuízo para os motoristas, que pagam uma fortuna pelo carro [R$90 mil com a adaptação] e não têm isenção. Nem podem andar na faixa de ônibus, como os táxis comuns.
O que tem levado alguns deles a questionar se vale a pena trabalhar com deficientes. Enquanto na maioria das cidades todos estão satisfeitos, aqui deu tilt. Alguns motoristas ameaçam devolver o alvará e passar os carros pra frente.
Já avisei as autoridades, tentei me reunir com o secretário de Transporte do Município, mas não deu certo. Esperamos que encontrem uma solução. Torcemos.
Bem que eu queria ir
Este é o nome do livro de Allen Shawn, que a editora Companhia das Letras me mandou pelo correio: Bem Que Eu Queria Ir. Se queria, por que não foi? Porque o subtítulo explica: Notas de Uma Vida Fóbica.
Me assustou a editora mandar justamente esse. Por quê? Notam que sou perturbado, leem as minhas colunas, me veem por aí e intuem que sou fóbico? Tudo bem que meu lema é na dúvida continue em dúvida. Mas sou um fóbico sem admitir ou sem saber?
Está nas entrelinhas do que escrevo os medos mais variados? Tirando receio de avião, animais peçonhentos [já fui atacado], alguns críticos de teatro [os peçonhentos], pau no Windows, acordar sem pasta de dente, sem jornal na porta e considerando uma leve hipocondria, como desconfiaram? Sou neurótico ou fóbico? A fobia é uma espécie de neurose? Será que também enviaram o livro para o Contardo? Ele escreverá sobre fobias? Mandaram pro Jabor? Pra quem mais mandaram? Tenho fobia de livros sobre fobias?
Claro que abri o livro no minuto seguinte. Allen, que assume que não é especialista, mas vítima, pesquisou tudo sobre o assunto. Revelou sua desesperadora agorafobia, fobia de espaços, considerada uma “neurose de ansiedade”, que herdou do pai, mas que consegue controlar através do trabalho criativo.
Chegou a conhecer uma mulher que, ao dirigir, era incapaz de fazer curvas para a esquerda. Para evitar a ansiedade, ela dava um jeito de chegar aos lugares só com curvas à direita. Maluca…
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Editoras me mandam livros. Caridade? Numas. Sou um veterano já em jornalismo cultural [25 anos].
Meus primeiros empregos foram varrer quintal do vizinho por cinco cruzeiros e dar aula particular de Física para alunos do Pio XII, colégio da elite campineira.
Para sustentar meus vícios universitários, que eram poucos e baratos.
A vontade mesmo era de enforcar cada aluno que não entendia as leis de Newton e a minha didática anárquica [ou a minha nenhuma didática], que mais parecia um conto de Joyce. Apesar de todos da minha família trafegarem pelo meio acadêmico, eu não nasci para dar aulas. Sou adotado?
Vendi artesanato de prata com dois peruanos que moravam comigo, fiz espionagem industrial para um tio que mexia com portos e containers, toquei violão em praças e barzinhos, já traduzi uma peça em alemão sem saber falar uma palavra dessa língua, mas me encontrei e comecei a trabalhar pra valer na imprensa escrita.
Aos 22 anos de idade fui crítico literário da revista Leia Livros, do falecido editor Caio Graco, quem depois me encomendou um livro [que nomeou]: Feliz Ano Velho.
Aos 23 anos a Veja me contratou. Apesar de alertá-los que eu não tinha idade nem para ser comentarista de jogo de botão. Mas era isso que queriam, sangue novo, espírito juvenil. E seduzia a minha linguagem coloquial e despretensiosa, a única que eu dominava.
Eu ainda frequentava o curso de Comunicações da USP, quando resenhei livros de Anatole France, Dalton Trevisan, Dionélio Machado, J. J. Veiga. Uma heresia. Daí, chega-se à conclusão que a crítica jornalística não é séria. E não é mesmo. Porque não parei mais.
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Eu tinha um defeito grave. Não conseguia falar mal de um livro. O que era notado em reuniões de pauta. Ninguém nas redações me levava a sério.
Por conhecer o mercado literário, as dificuldades pelas quais passavam os autores, e o tempo que gastavam em busca de um estilo, uma trama, as palavras exatas, desenhando conflitos e personagens, eu tinha pena de detonar o trabalho de anos. Crítico com pena é como um pombo sem asas.
No mais, diante da pilha de lançamentos que as editoras me enviavam, eu escolhia os que gostava. Meus princípios eram simples e lógicos: por que escrever [e indicar] ao leitor, nosso consumidor, sobre o livro que não valia a pena, se na mesma pilha havia outros que valiam?
O mais enigmático era entender por que os departamentos de divulgação das editoras me enviavam tais e tais livros. Sim, numa reunião semanal, os divulgadores apontam: “esse livro é a cara do Marcelo”, “esse é a cara do Bira”, “esse aqui vamos mandar pro Contardo”…
Alguns até telefonam: “Cara, estamos lançando um livro que é a sua cara.” Esse gesto já alimenta a curiosidade daquele que tem dezenas de livro ao lado e espaço para falar de um ou dois apenas. Ou será que dizem isso para todos? Profissionais sacam o gosto da maioria dos colunistas e críticos, pesquisam sobre eles?
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Depois que virei colunista dessa página que já foi de Raquel de Queiroz [já faz cinco anos, negão], fiz poucas resenhas e exercitei as minhas muitas neuroses. As editoras pouco a pouco deixaram de me mandar livros. Como qualquer cidadão digno, eu os compro agora.
No entanto, a Cia. das Letras me mandou o exemplar de Bem Que Eu Queria Ir, escrito por um compositor- filho de William Shawn, lendário editor da New Yorker, e irmão do dramaturgo Wallace Shawn. Um cara que nunca tinha escrito um romance, mas que, aconselhado por amigos, resolveu delatar as suas fobias, que não eram poucas.
Ele cresceu em Nova York e admite que adquiriu diversos medos urbanos. Não dirige por autoestradas, apenas pelas vicinais. Ao dirigir numa estrada vazia, ele cai sem perceber num estado semelhante ao de um sono, no qual a passagem de tempo fica dolorosamente lenta.
Não gosta de altura, estar na água, atravessar estacionamentos, parques ou campos abertos, evita pontes e túneis, quando vai ao teatro se senta no corredor, evita o metrô e elevadores, até os museus causam problemas. Tem medo de espaços abertos e fechados e de qualquer forma de isolamento. Que mala. Como diria John Milton, “a mente é seu próprio lugar, e em si própria pode fazer do inferno um paraíso, do paraíso um inferno.”
Allen descobriu que, como a dor, o medo é um sinal; um sinal de que há algo errado. Para ele, uma fobia é uma dor na alma.
Lembra fóbicos notórios, como Freud [medo de viajar de trem], Darwin [que adquiriu no Brasil Doença de Chagas], Emily Dickinson ["eu pisava de tábua em tábua, um caminho lento e cauteloso, sentia as estrelas perto da cabeça, o mar perto dos pés"] e o ator Richard Burton, que não podia ficar num cômodo em que tivesse um pote de mel.
Enumera algumas das mais de 500 fobias, como por estrelas [siderofobia], nudez [gimnofobia], sexo [genofobia], desorganização [ataxofobia], som da própria voz [fonofobia], espelhos [isotreofobia], ficar parado [estasifobia], ficar sentado [tasofobia], compulsão de arrancar os cabelos [tricotilomania].
E, para o cúmulo do movimento cíclico, o medo de adquirir fobias [fobofobia]. Ôpa, achei a minha.
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Estreia hoje aqui no Rio minha peça A NOITE MAIS FRIA DO ANO. No TEATRO POEIRA, em Botafogo. Ficamos terças e quartas, 21h, durante 6 semanas. Rola uma fobiazinha de ninguém aparecer. Essa não tem cura.
Quem controlará os gastos do COMITE OLÍMPICO? Atenção Brasil, alô contribuinte. As contas do PAN não foram investigadas. Ia custar R$ 500 milhões, e ficou por R$ 4 bilhões. Até furadeiras elétricas foram superfaturadas.

A promessa de transformar o Rio de Janeiro [despoluir rios e lagos, levar o metrô até a Barra, deixar de herança para a comunidade uma cidade melhor] não se concretizou. O Rio de hoje tem os mesmos problemas do Rio de antes do PAN.
Na coletiva de segunda-feira, CARLOS NUZMAN, presidente do COB e, ao que tudo indica, o chefe do projeto olímpico, se irritou com a pergunta de jornalistas sobre o superfaturamento do PAN, acusou-os de antipatriotas e não respondeu, encerrando a entrevista.
O governo Lula não demonstra interesse em analisar as contas e só fala em gastos. O Congresso está nas mãos do COB. As televisões não tocam no assunto, já que disputam os direitos de transmissão dos jogos. Em seus telejornais, otimismo, obras prometidas e alegria.
Quem sobra? Parte da imprensa escrita. Alô colegas do ESTADÃO, FOLHA, VEJA, JB. Está sob nossa responsabilidade impedir que uma roubalheira destrua esse País.
Dicas de pauta. Foi mesmo uma roubalheira ou é normal o orçamento de jogos olímpicos fugir do controle? Como foi em outros países? É possível instalar uma comissão independente para segurar os gastos?
Quem é NUZMAN, ex-jogador de vôlei, que se torna um dos homens mais poderosos do Rio de Janeiro? Como ficou o seu patrimônio depois do PAN? Quem mais manda no COB? Quais empreiteiras estavam envolvidas? Por que custou tão caro?
A pauta está quicando…
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Ontem, num mesmo evento, uma promessa foi colocada em dúvida. DILMA prometeu o PAC da Copa do Mundo em outro da Olimípiada do Rio.
A segunda custará, estimam, mais de R$ 80 bilhões.
Haverá metrô, saneamento, trem bala, hotéis, estádios novos. Só na ressaca da festa, começamos a fazer as contas. De onde virá tanto dinheiro? O governo deve ter noção dos balanços.
Ao lado dela, GUIDO MANTEGA revelou para uma nação pasma que não será possível restituir o imposto de renda recolhido na fonte neste ano, pois faltou caixa. Precisam o dinheiro de milhões de contribuintes para tapar rombos.
Então, a matemática denuncia: estamos sem grana. Já vi tudo…
Promessas são fáceis de serem anunciadas. Os egípcios observaram a repetição dos fenômenos naturais, o ciclo da Lul e do Sol, e inventaram um calendário, não apenas para a agricultura -determinar as datas para o plantio e a colheita.
Inventaram também para as egípcias saberem o dia ideal para cortar os cabelos, para lerem o horóscopo às manhãs e, sobretudo, para fazerem previsões nas festas de Réveillon que embalavam as margens do Rio Nilo e, para os VIPs, as pirâmides.
Pensando nisso, imagino qual teria sido o desejo de Cleópatra no Réveillon de 42 a.C., antes de pular as sete ondas na orla de Alexandria? “Eu, filha de Ptolomeu XII, prometo parar de dar em cima desse gostoso do Marco Antônio. Os romanos só me dão dor de cabeça.”

Claro que Marco Antônio, no Réveillon do ano anterior, depois de se deitar com três romanas e quatro legionários bem gatos, prometeu: “Neste ano, vou ao Egito descobrir por que César voltava de lá sorridente e falante.”
Milhares de anos antes, a previsão do Faraó Quéops, vestido de branco, fumando charuto e molhando os pés no Nilo, todos conhecem: “Prometo, depois da meia-noite, começar a maior pirâmide de todas, custe o que custar.”
Promessas nunca são 100% satisfeitas. Quer provas? Na Grécia antiga, seres mitológicos também tinham as suas promessas de ano novo.
Hércules: “Começarei a fazer os 12 trabalhos, nada de preguiça. Preciso apenas acordar mais cedo.”
Prometeu Acorrentado: “Ano que vem, juro que vou arrebentar estas correntes. Não aquento mais estes pássaros me bicando a barriga.”
Helena de Tróia: “Vou cuidar da pele, malhar bastante, deixar o cabelo crescer, ficar bem gata. Quero ser a mais bela de todas. É a chance de um troiano me tirar do tédio que é o meu casamento…”
Sísifo: “Deu meia-noite. Prometo levantar esta pedra até o topo e arrumar um calço nela, para ela não rolar novamente.”

Na história da humanidade, a maioria das promessas não se concretiza.
Ora, vai dizer que você não sabia que o Paul McCartney jurou tratar melhor aquela japonesinha mala e calada, que não saía do lado do John, pelo bem do rock inglês, e que Mick Jagger prometeu andar sempre com um envelope de camisinhas no bolso?
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