O cineasta Roman Polanski está enfim preso na SUÍÇA, acusado de estuprar uma garota de 13 anos em 1977 na Califórnia.
Eu e o diretor ALE PRIMO, a pedido da TV-SESC, fizemos um documentário sobre este que foi um dos cineastas mais completos- pai do filme de terror-psicológico [BEBÊ DE ROSEMARY], que trafegou entre a NOUVELLE VAGUE, as experiências de vanguarda e o BLOCKBUSTER.
Seu filme CHINATOWN era um dos preferidos de Paulo Francis.
O documentário se baseia numa rara entrevista de mais de uma hora que POLANSKI deu quando veio ao Brasil. E deixou conosco cópias dos seus primeiros e raros curtas experimentais, realizados ainda na POLÔNIA, e autoriações para exibirmos.
O documentário estará na MOSTRA DE CINEMA DE SÃO PAULO agora em outubro.
Como roteirista, ao pesquisar tudo sobre o cineasta, me deparei com esse chocante documento: a transcrição detalhada do depoimento da ainda menina SAMANTHA JANE GEIMER no julgamento de 1977.

SAMANTHA AOS 13
De acordo com a garota, Polanski, aos 43 anos, num primeiro encontro, a embebedou com champanhe e depois pediu para ela posar para ele de topless. Com o consentimento da mãe, que via ali uma chance de ajudar a carreira da filha.
Depois, num outro encontro, ele convidou a modelo e candidata a atriz para conhecer a casa do ator Jack Nicholson, em Los Angeles, e tomarem um banho juntos numa jacuzzi.
Lá, segundo o forte e detalhado depoimento da vítima, apesar dos protestos, Polanski fez sexo oral nela e depois a penetrou. Ele perguntou se ela tomava pílulas. Como a resposta foi negativa, ele “introduziu seu pênis no ânus dela”, segundo a transcrição.
JULGAMENTO DE POLANSKI
Polanski se declarou culpado diante do juiz. Ficou mais de 40 dias preso e pagou fiança.
Foi julgado, condenado e, horas antes de ser conduzido à prisão, fugiu dos EUA, para aonde nunca mais voltou- nem para receber o OSCAR pelo filme O PIANISTA.
Aqui estão trechos traduzidos [por mim] do depoimento da menina diante do júri. A íntegra em inglês e o documento original transcrito do tribunal encontram-se neste site:
http://geekslovesex.com/roman-polanski-u…
O POVO DO ESTADO DA CALIFÓRNIA CONTRA ROMAN RAYMOND POLANSKI. QUINTA-FEIRA, 24 DE MARÇO DE 1977.
P. Samantha, quantos anos você tem?
R. 13.
P. Você mora com sua mãe e irmã em Woodland Hills?
R. É.
P. Por favor responda sim ou não.
R. Sim.
P. Em 13 de fevereiro de 1977, você encontrou Roman Polanski na residência dele?
R. Sim.
P. O sr. Polanski indicou que queria fotografá-la?
R. Sim. Ele me mostrou a Vogue que ele tinha feito e me perguntou se eu queria ser fotografada.
P. Você já tinha o encontrado na residência dele antes?
R. Sim.
P. O que você fez?
R. Eu tirei a minha camisa.
P. Você falou para a sua mãe que vocês tiraram fotografias de topless?
R. Não.
P. Na casa de Jack Nicholson, em algum momento, o sr. Polanski ofereceu bebidas?
R. Sim, eu disse que estava com sede. Fomos para a cozinha e abrimos a geladeira, tinha suco, cocas, vinho. Ele pegou uma garrafa de champanhe. E perguntou se deveria abrir. Eu disse que tudo bem.
P. O que aconteceu depois que ele abriu?
R. Ele encheu as taças.
P. Você bebeu?
R. Sim.
P. Quanto?
R. Não tenho ideia.
P. O sr. Polanski tirou fotos?
R. Sim.
P. Quando você estava com a taça na mão?
R. Não.
P. Você tirou a sua camisa ou foi o sr. Polanski?
R. Eu tirei.
P. Por que ele requisitou ou foi por vontade própria?
R. Porque ele pediu.
P. Você posou?
R. Sim.
P. Ele dirigiu as suas poses?
R. Sim.
P. O que aconteceu depois?
R. Ele foi me mostrar a jacuzzi do Jack Nicholson.
P. O que aconteceu depois?
R. Ele disse que queria tirar umas fotos minhas dentro.
P. A que horas você tirou a sua roupa?
R. Eu tirei pouco antes de entrar na jacuzzi.
P. Por que você tirou?
R. Porque eu não queria entrar na jacuzzi com ela.
P. O que aconteceu quando você entrou na jacuzzi?
R. Ele tirou fotos.
P. Em algum momento ele parou de tirar fotos?
R. Sim.
P. O que ele fez depois?
R. Disse que iria entrar nela.
P. Ele estava vestindo alguma coisa?
R. Não.
P. O que ele fez quando entrou?
R. Ele ficou na parte mais funda.
P. E você?
R. Fui para o outro lado.
P. O que aconteceu depois?
R. Ele ficou me chamando. Eu dizia, não, quero sair. Ele dizia, vem cá só um segundo. Então eu fui. Então ele perguntou se eu não me sentia melhor. Então eu saí.
P. O que você fez depois?
R. Me enrolei numa toalha.
P. O que você fez quando ele disse para irem para o quarto?
R. Eu estava pensando que era melhor eu ir embora, porque eu estava com medo. Então, fui lá e me sentei no colchão.
P. Do que você tinha medo?
R. Dele.
P. Mesmo assim você foi lá e se sentou no colchão.
R. Sim.
P. O que aconteceu quando você se sentou?
R. Ele se sentou atrás de mim perguntou se estava tudo bem.
P. O que você respondeu?
R. Que não.
P. E o que ele disse?
R. Que eu ia ficar melhor. Mas eu disse que queria ir embora. Então ele me abraçou e me beijou. Eu dizia, não, fique longe. Mas eu tinha medo dele, porque só estávamos nós dois lá.
P. O que ele fez depois?
R. Ele colocou a boca na minha vagina. Ficou lambendo, e eu estava prestes a chorar, eu estava tipo, “não, pare”, mas eu estava com medo.
P. E o que ele dizia?
R. Não me lembro, ele dizia coisas, mas eu não escutava.
P. Quanto tempo ele ficou com a boca na sua vagina?
R. Poucos minutos.
P. O que aconteceu depois?
R. Ele começou a me penetrar.
P. O que você quer dizer com “penetrar”?
R. Ele colocou o seu pênis na minha vagina.
P. O que você disse para ele?
R. Eu apenas murmurava “não, pare”, mas eu não estava lutando contra, porque não tinha para aonde ir.
P. O que ele disse?
R. Ele não me respondeu quando eu disse “não.” Depois, ele perguntou se eu estava fértil. Eu disse que sim. Ele perguntou se eu usava pílulas. Eu disse que não. Então ele me perguntou se queria que ele penetrasse por trás. Eu disse não.
P. Você já tinha se relacionado com outros homens, antes.
R. Sim, duas vezes. Então ele levantou as minhas pernas bem alto e penetrou no meu ânus.
P. O que você quer dizer com “penetrou no meu ânus”?
R. Ele colocou o seu pênis no meu…
P.Você disse alguma coisa pra ele?
R. Não.
P. Você resistiu?
R. Um pouco. Mas não muito.
P. Por quê?
R. Eu estava com medo. Então ele parou.
P. Você acha que ele atingiu o clímax?
R. Sim.
P. Quando você diz isso, é porque acredita que ele chegou ao clímax no seu ânus?
R. Sim. Seu sêmen saiu.
P. Você viu ou sentiu o sêmen?
R. Senti.


SAMANTHA HOJE. PERDOOU
Em cartaz, enfim, CHE 2 – A GUERRILHA, a segunda parte do épico de 4 horas sobre Guevara, do cineasta norte-americano Steven Soderbergh. A Crítica se dividiu. O público não se animou muito- o filme já foi deslocado pelas distribuidoras para salas menores, apesar de ter estreado há uma semana.
Se a primeira parte retratou a tomada de Havana, do início, no México, quando Che Guevara- interpretado por Benicio Del Toro – conhece Fidel Castro, desembarca na Ilha, se instala na Serra e começa a revolução, a segunda parte mostra a decadência do seu projeto na BOLÍVIA, onde lidera uma guerra de guerrilha sem apoio popular, nem do PC boliviano, e onde é fuzilado e enterrado.
O interesse pela segunda parte despertava ansiedade entre os fãs da história e do personagem controverso. Haveria isenção? Quem seria retratado como mocinho ou bandido?
Afinal, Che aparecia de volta à luta armada quando Cuba já demonstrava a faceta stalinista da sua revolução: pelotões de fuzilamento, censura, prisão e exílio dos opositores e filiação ao bloco soviético.
Seduzia os jovens revolucionários dos 4 cantos. Inspirava outros movimentos revolucionários. E uniu a direita.
O filme começa com Che chegando disfarçado em LA PAZ- semicareca, cabelos grisalhos, óculos e dentadura postiça. Aliás, ele atravessou o Brasil com apoio de um grupo da ALN, organização brasileira de luta armada, liderada por MARIGHELA, cujos componentes treinaram táticas de guerrilha em Cuba e receberam o aval de Fidel para iniciarem a revolução patropi, apesar de não contar com o apoio do PCB.
Interessante como CHE não se instalou no Brasil. Por que escolheu a BOLÍVIA? Porque acreditava que os movimentos dos mineradores se levantariam contra o governo local. Não rolou. Como não rolaria por aqui.
Logo ele vai para a mata, instala o seu campo de treinamento, com a ajuda de outros cubanos. Revela-se, enfim, que o Partido Comunista local, assim como todos os PCs espalhados pelo continente, também não apóia a opção pela luta armada. O projeto é só deles. Com financiamento cubano [ouro de Moscou?] e o apoio de guerrilheiros locais.
Sobrava dinheiro. Faltava convicção ideológica. Os camponeses da região, ao invés de aderirem, deduravam.
A guerrilha não dura mais do que 350 dias. É massacrada por forças de repressão, treinadas pelos americanos. O filme se baseia nos diários de Che. E, como ocorreu em outros campos, a população não se levantou contra o sistema.
É um filme isento, sim. Che, que liderou um pelotão de fuzilamento em Havana, até foi cobrado por um cubano que auxiliava a repressão: “Você matou o meu tio.” “Era um traidor”, responde de batepronto um Guevara doente, magro, rendido e amarrado.
Parece uma história de outro planeta. Jovens que largam tudo, entram para a clandestinidade, circulam por montanhas que não conhecem, passam fome e frio, adoecem, enfrentam tropas numerosas e mais bem armadas, em busca de um projeto longínquo, de uma liberdade utópica, platônica, ingênua [juvenil], que seguia os manuais leninista e funcionou no Vietnã e na Ilha.
Mas são massacrados por uma violência desproporcional.
Che sobrevive. Pôsteres, camisetas, bandeiras. Até no bíceps tatuado de Maradona. Para alguns, era um bandido comunista impiedoso. Para outros, o romântico que largou o conforto para ajudar outros povos. Virou símbolo POP.
Personagem bom é aquele contraditório, complexo, conflituoso. E CHE é um tremendo personagem.
Os cinemas estão vazios, pois no Brasil até a esquerda quer ser capitalista, defende o mercado aberto, quer produtos de consumo às massas, ocupar a Amazônia, para exportarmos soja e carne, vender e vender. Tal projeto dá lucro aos bancos, pecuaristas e industriais. É quase uma unanimidade a privatização dos serviços- inclusive do serviço público, que se terceiriza ou vende ações nas bolsas.
No Brasil, poucos dão bola atualmente para os ideais de CHE. Ou para qualquer ideal- até nos unimos ao Irã, que nega o holocausto, assusta o mundo com suas ambições nucleares, mas compra nosso frango congelado.
CHE está mais anacrônico do que nunca.
E nunca esteve tão barato comprar carros, eletrodomésticos e viajar para o exterior, para comprar camisetas com o seu rosto estampado.
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Olha que mesinha mais safada na BIENAL DO LIVRO do RIO DE JANEIRO, discutindo… OS MACHOS. Quem viu, viu.


CONSEGUI FAZER MARCELO MIRISOLA RIR
Fui ao Bixiga ver o show da banda SACO DE RATOS, do amigo Mario Bortolotto, que cantou em minha homenagem a música que mais gosto: “Faço acordo com o diabo, mas não faço com mulher…” No Café Aurora [rola todas as terças].
Parei o carro num estacionamento familiar: os atendentes jogavam truco, uma criançada pequena brincava [pequena tipo 5 ou 6 aninhos, menininhas que corriam]. Numa mesinha, uma galera tomava uma breja ao som de hip-hop.
O recibo do estacionamento era um papel, em que estavam anotados a caneta a placa do carro e o valor a ser pago.
O sujeito avisou que fechava às 3h. Beleza. Era meia-noite, daria pra ver o show, beber 1 uisquinho e rever os amigos, colocar o papo em dia e atualizar as fofocas.
Meia hora depois, estou lá no show papeando com o MARCOS LOUREIRO, que é do bairro, quando aparece o cara do estacionamento com um cadeado gigante.
Me disse que ia fechar, pois só estava o meu carro, mas que iria deixar o portão aberto e uma luzinha acesa. Era só eu empurrar o portão e sair com o meu carro a hora que quisesse. Podia ser até depois das 3h. E depois eu mesmo trancaria com o cadeado. Firmeza…
Cara, como eu gosto desse País! Como conseguimos ser simples e, através da nossa notória capacidade de improvisar, eficientes.
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Aliás, SACO DE RATOS fará uma pausa nos shows das terças. Culpa minha.
É que levo a minha peça A NOITE MAIS FRIA DO ANO para o Rio de Janeiro, terças e quartas, ao charmosíssimo TEATRO POEIRA, em Botafogo, das gatas ANDRÉA BELTRÃO E MARIETA SEVERO, que fizeram de tudo para que ficássemos em cartaz lá. E Marião é do elenco.
Se preparem boêmios, quiosques de COPACABANA e MARCELO MIRISOLA. Marião está pra chegar.
Estreamos dia 13 de outubro. Ficamos 6 semanas [21h, ingressos R$ 30 - R$ 15]. Sem patrocínio, apoio, quase nada. Na raça. Até o dia 18 de novembro. Maneiro…
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Amanhã estarei no MUSEU DO FUTEBOL, no ESTÁDIO DO PACAEMBU, para debater o filme FIEL, com meu companheiro de roteiro SERGINHO GROISMAN.
A paradinha começa às 18h30, com exibição do documentário, e depois haverá o debate. É parte da programação CINEMA NO MUSEU, em que já foram exibidos filmes que tratam do tema:
http://www.museudofutebol.org.br/histori…
Pra quem é fiel…
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Muita gente me pergunta se vi peças, shows, filmes ou exposições bacanas em Nova York. Não. Fiquei na boemia, hospedado do SoHo, revendo amigos, passeando, aproveitando o verão, conhecendo bares e restaurantes.
Mas, sim, vi uma exposição diferente, quase mórbida, no museu do Discovery Channel [no Times Square]. Coisa de maluco. Nada chique, nada vanguarda. Pop.
O nome é genial: FINALMENTE O TITANIC CHEGA A NOVA YORK.
Bem, você viu o filme, sabe que o TITANIC vinha a toda do Reino Unido para os EUA, quando bateu, a milhas de NY, no iceberg- dava para verem as luzes da cidade, na noite de céu estrelado.
Você também sabe que era a viagem inaugural deste navio, cujo lema era INFUNDÁVEL. E que matou parte da elite americana.
A exposição é bem bolada. Na entrada, recebemos uma réplica do bilhete de viagem. E nos tiram fotos numa réplica da entrada do navio.


Olha, tinha num brazuca entre os passageiros. Boa viagem. Tá rindo do quê, mané?

Ao entrar, conhecemos detalhes da construção do navio, podemos passear por réplicas dos quartos da terceira, segunda e primeira classe, assim como pela famosa escada que dava acesso ao salão de jantar.
Há pertences dos passageiros resgatados no leito do oceando [a 4 mil metros] pelas expedições de JAMES CAMERON: louças, pias, dinheiro, jóias, roupas e peças importantes do navio.
Há uma réplica do bote salva-vidas. Sabia que muitos deles foram ao mar quase vazios, pois os passageiros achavam que a barca não afundaria, apesar de alertados pelo próprio capitão e pelo projetista do navio, que estava a bordo e, depois de uma vistoria, constatou que 8 porões estavam alagados- depois do casco ter sido rasgado pelo iceberg-, e que o navio só resistiria se 2 portões estivessem alagados?
Até um iceberg foi montado. Puro gelo, sob o céu de brigadeiro. O áudio? O som do gelo rompendo o casco.
Esse aí é JUCA, meu sobrinho, ao lado do apito original do navio, resgatado do fundo do mar:

Ao final, uma bonita homenagem a todos os mortos.
Mexe com a gente. Afinal, um ícone da pretensão, tecnologia e revolução industrial foi derrotado por uma simples e solitária pedra de gelo, enviada pela natureza, num dia calmo, matando ricos e pobres. É, humanidade, há limites para as suas ambições.

Truque pra enganar turista. Uns negos em Nova York montam bancas em lugares estratégicos e vendem “cópias” de roteiros de séries e filmes famosos [Seinfeld, Tarantino, Scorcese].
Na real, alguém teve a idéia de digitar, digo, datilografar aquilo que viu e ouviu dos filmes, num formato que não se usa mais, tirar cópia, encadernar e falsificar, induzindo que ali estão as palavras do original, em caracteres de máquina de escrever.
Pois é, PULP FICTION foi escrito numa máquina de escrever? Tá… E custa 20 dólares cada um.
A coisa é tão bem feita, que é um xerox meio apagadinho, como se tivesse sido tirado às pressas, afanado do cofre das produtoras. Poderiam ter anotações nele. Aí, sim, daria mais credibilidade. Tais como: “Travolta sucks…”
Funcionaria aqui também. Cópias de TERRA EM TRANSE, CIDADE DE DEUS, CENTRAL DO BRASIL, TROPA DE ELITE, vendidas no Pão de Açúcar. Quem se habilita?

Vale uma visitinha à ONU, com guia que te leva até o plenário, aquele em que o BRAZIL abre os trabalhos, por tradição, e explica, afinal, pra que serve a organização.
Este monumento é uma santa. Foi das poucas coisas que restarem de Hiroshima, depois da Bomba. Foi encontrado nos escombros da catedral. Repare que a frente parece intacta, mas as costas recebeu o calor e a radiação da bomba.
Na ONU, Sebastião Salgado tem uma ala especial de exposição permanente. Assim como Portinari, cujos painéis gigantes dão as boas vindas aos líderes mundiais.

Olha a guia aí, falando sem parar por uma hora.
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A “pelada” dos caras é mega profissa. Na verdade, é um basquete [de várzea], com 3 juízes [uniformizados], técnicos e… narrador!!!
É isso mesmo. Esse mané com megafone narra o jogo, entrevista a platéia, faz anúncios, dá apelido aos jogadores. Pois é, tem nego que gosta de brincar de Galvão num domingo de sol.
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De NY vim direto pro Rio, participar de uma mesa sobre o papel do HOMEM nos novos tempos, na BIENAL DO LIVRO.
Imaginei que me perguntariam sobre a crise do MASCULINO. Foi a primeira pergunta.
Pensei bem e disse: “Crise? Nunca foi tão bom ser homem. Afinal, as mulheres agora dão em cima, a corte é democrática, elas finalmente perderam a timidez e também xavecam. Sem contar que nossa vida sexual está quimicamente garantida na velhice.”
Reinaldo Moraes, meu parceiro de debate, foi além: “E agora a gente racha a conta, porque muitas delas ganham mais do que nós.” Crise?
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LEVAM muita molecada nessas feiras de livro, para formar público. Mas é o velho e bom gibi que mais seduz. Há décadas é assim, feiras lotadas de crianças e adolescentes, uniformizados ou não, em excursões. Realmente forma público? O hábito de leitura do brasileiro se consolidou?
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Não é obra minha.
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Montaram um espaço reservado só para mulheres tricotarem e discutirem o FEMININO. Por que no cartaz a mulher aparece sem rosto [olhos e nariz], é uma incógnita.
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Ah, minha obra estava lá, na entrada do estande da EDITORA OBJETIVA, que ganhou na Bienal passada o prêmio de o mais bonito. Com esse bigode, quem resiste?
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Faltarei hoje ao compromisso em FLORIPA na SEMANANA DO JORNALISMO. Estou acamado. O grande amigo [e divertido] JOÃO PAULO CUENCA irá me substituir. Não poderia ser melhor. Sairão ganhando todos.
Fica a promessa de eu ir em Novembro. Sem febre.
Tem cidades que têm ideias maravilhosas para criar espaços públicos de convivência [como Buenos Aires, Barcelona, Belém e agora o Rio fizeram com docas abandonadas em parte do porto].
Em Nova York, ao invés de demolirem um elevado dos anos 30 que servia ao metrô, no Distrito da Carne, os caras montaram um parque em cima dele. Com elevadores para cadeirantes. É um sucesso. É lindo. É a novidade do verão. Com vista para o rio.


Aqui fizeram até um teatrinho ao ar livre, cuja a grande atração é observarmos o quê? O trânsito, seus conflitos e a ação dramática, nada aristotélico [sem peripécia e revelação]. Que sacada… Mais animado que muito Peter Brook.

Encontrei minha amiga Paula Azulgaray e o maridão Ricardo dando um rolê pelo parque. Era a segunda vez que os encontrava por acaso, pelas ruas da cidade. NY é um ovo.


Fizeram com que os bancos corressem pelos trilhos.


Aliás, as atividades nele podem ser encontradas aqui:
http://www.thehighline.org/
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Se você conhece alguém que tenha atirado num tira, denuncie: há uma recompensa de 10 mil dólares. É o que diz o cartaz num ponto do busão. Dá pra fazer uma festa… O PCC-americano que se cuide.
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Por que fotografar hidrantes? Tédio? Não, há algo mais profundo… Será que preciso fazer terapia? Ou sou um fotógrafo amador tão conceitual, que nem entendo a minha obra.
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Estarei sábado, 19h, com REINALDO MORAES e MARCELO MIRISOLA numa mesa na BIENAL DO LIVRO do RIO DE JANEIRO. Discutiremos o papel do MACHO. Olha, vai ser divertido…
Corrigindo, é lá pelas 15h
Pinta lá.

Esta foto me fez pensar: qual o papel da literatura, afinal? Este sujeito, William, vende poemas escritos na hora na praça Washington Square, no coração do Village, em Nova York.
Tem uma cara triste. Estava solitário no último domingo [de sol e calor, depois de dias de chuva] num canto escondido, em que a praça estava repleta.
Tímido. Me perguntou se eu queria um poema. Imaginei se ele rimaria Marcelo com Violoncelo.
Ele escreveria na hora na sua máquina de escrever “vintage”. Olhando a minha cara de turista brazuca. Então, você faz poesia para vender? Como aquele ali, que vende hot dog? Ou são tormentos que vêm da alma que devem ser expelidos sobre um papel, independente das relações de mercado?
Eu disse não obrigado, mas me arrependi.
Ora, somos todos comerciantes, sim, nada de ilusões platônicas, escrevemos para aliviar as dores do coração e para sermos lidos.
Fora que morro de curiosidade até agora para ler o que ele escreveria à minha frente.



Já no outro canto da praça essas negas dançavam alegremente o som sucesso anos 60-70 que esses caras faziam.
Neste momento, rolava Credence Clearwater, banda que adoro, e que remete às origens da praça, tomada por hippies, no bairro berço da contracultura.

Já nesse outro canto, um jazz comia solto, dois sax, trompete, nada de fusion, coisa tradicional, bem Village, bem Charlie Parker.
Esse corintiano dando um trocado pros caras é meu sobrinho. Corintiano sabe apreciar [e recompensar] um bom jazz…

O público curtia. Outro corintiano no gramado? Não, é o mesmo maloqueiro-sofredor.

Por alguma razão, há uma estátua do Garibaldi, o “herói de dois mundos”, herói da unificação italiana, guerrilheiro republicano que lutou até no Brasil [marido da nossa Anita].
No meio da praça. Está para tirar a espada. Furioso. É, tem a ver…

Parece uma estátua. Mas repare na estica do tiozinho. Roupa de domingo, pra passear na praça, dar uma pinta. Malando é malandro, mané é mané.

Ó o cara aí, também dando uma pinta, na entrada da praça, com a Quinta Avenida atrás. Malandro ou mané?

E o que o Fio La Guardia, 3 vezes prefeito de Nova York [de 1934 a 1945], conhecido como “Little Flower”, está fazendo em bronze numa ruazinha transversal. Aplaudindo? Ah, sim, ele nasceu no bairro. Valeu, prefeito.
Depois continuo o diário de bordo.
+++
Caramba, esse blog tem 7 meses e ganhou um prêmio do Top Blog: foi o Top 1 na categoria “comunicação” do Júri Acadêmico. É mané? Olha o resultado aí.
http://www.topblog.com.br/top.php
Ficaram de me enviar o troféu. Quero só ver… Já que não pude ir na cerimônia de entrega, no último sábado, lá vai: Queria agradecer a minha mãe, família, amigos, pelo apoio recebido, etc etc.

“Belo.”
“Fala, ragazza mia.”
“Io ti voglio tanto…”
“Anche io.”
“Senti. Precisamos conversar.”
“DR agora?!”
“Nem.”
“Relaxa, gata. Não liga pro ki eles dizem.”
“Tomei veneno, mas de mentirinha.”
“Cumâ?”
“Vou acordar daqui a pouco.”
“Pirou, Julieta?”
“Idéia do cara aí.”
“É falso?”
“É 1 truke.”
“Tu não morreu?”
“Nem. Durmo. Rsrsrsrs.”
“Não tem graça.”
“Pq, amore mio?”
“Putz, dancei.”
“O ki aprontou dessa vez, meu Romeu.”
“Só agora vc me diz?”
“Pq?”
“Não sei como te dizer.”
“Não recebeu minha msg anterior?”
“Nem.”
“Te expliquei tudo nela.”
“Este celula é uma droga.”
“Diz. Ki tá pegando?”
“Espera vc acordar.”
“Agora diz.”
“Tarde demais.”
“Kd vc?”
“…”
“Kd vc?”

“Independência ou morte.”
“Kd vc?”
“Margem do Ipiranga”
“Onde fica?”
“SP.”
“Fazendo o quê?”
“Proclamando a independência.”
“Pra quê?”
“Pra sermos livres.”
“Não zoa”
“Não tô zoando. Tô de boa.”
“Sério?”
“Tô com a espada embainhada.”
“Vc sempre tá. Kkkk.”
“Kkkk. Agora é a de aço.”
“Picaço? Kkkk.”
“Rsrsrsrs.”
“Teu pai não vai gostar.”
“Dane-se.”
“Nem tua mãe.”
“Ki mêda.”
“Tá falando sério?”
“Pó’dexá ki me entendo com eles.”
“Óia, pois…”
“É nóis na fita.”
“Tu é portuga rapaz.”
“Já é. Sou brazuca agora.”
“Tô fora.”
“Pode ir. Eu fico.”
“Tá doido?”
“Tô de boa.”
+++
“Não pergunte o ki seu país pode fazer por vc…”
“E?”
“Pergunte o ki vc pode fazer pelo seu país.”
“?!”
“Meu discurso.”
“Curti.”
“Ki tá fazendo?”
“Casa.”
“Vestindo?”
“Só chanel 5.”
“Humm…”
“Vem aki.”
“Não dá.”
“Rádio patroa t’aí?”
“Na Casa Branca.”
“Mala.”
“Keria tá aí.”
“Vou dormir.”
“Agora?”
“Pra sempre.”
“Não seja dramática. Atrizes…”
“Happy birthday, mister president.”
“De novo?”
“Mande bjs pro irmão.”
“Vou ficar com ciúmes.”
“Pode ficar. Ele gosta de mim.”
“Galinha…”
“Ó kem fala?”

“Kd tu?”
“Na caverna.”
“Qual?”
“Alá é gde.”
“Alá é gde? Não conheço.”
“Não posso falar o nome dela, anta.”
“Kkkkk, sorry.”
“Alá é gde.”
“Alá é gde. Tá frio aí?”
“O que vc acha?
“Precisamos de 1 homem-bomba. Pra ontem.”
“Tamo sem.”
“Serve uma mina-bomba.”
“Ki mina? Só tem cabra aqui.”
“Tem alguma bomba?”
“Só herô. Da boa. Ta’fim?”
“Nem. Keremos fazer 1 atentado.”
“Alá é gde.”
“Alá é gde.”
“Mto boa idéia. Mas tô sem bomba, sem contato, isolado.”
“Não tem nada aí, Bin?”
“Só Alá. Mais ng.”
“Putz.”
“Fica pra próxima.”
“Valeu.”
“Pega um avião.”
“?”
“Explode ele num prédio.”
“Jesus, como não tinha… Quer dizer…”
“Alá é gde.”
“Valeu a dica.”
“Dê notícias.”
“Pega Al Jazeera aí?”
“Nem.”
“Falô.”
“Valeu.”
“OK.”

“Kd vc?”
“Índia.”
“Tem certeza.”
“Si, hombre.”
“Ki tal?”
“Praia, azul do mar, calor, coquetel de frutas.”
“Kkkk.”
“Sussa.”
“Tem mina com turbante?”
“Nem. Todas peladas.”
“Rsrsrsrs.”
“É nóis!”
“Tem homem fazendo ioga?”
“Nem. Todos dançando na fogueira.”
“Tão comendo o quê?”
“Deix’eu ver. Putz, nojo. Um pé.”
“De alface?”
“De gente.”
“Putz. Na Índia não comem carne.”
“Si.”
“Errou de caminho.”
“Será?”
“Rsrsrsrs.”
“Errei feio.”
“Tá onde?”
“Sei lá.”
“Ki mais eles comem.”
“Braços.”
“Sai fora.”
“Disseram ki tem ouro mais pra lá.”
“Bora?”
“Bora.”
“Como chama esse lugar aí?”
“Tem nome não.”
“Dá um.”
“Como chama aquele nosso navegador?”
OK
Sei que estou em falta.
Mas dou um duro danado ha 30 anos, e agora um role por Nova York e, caramba, ficar postando e deixar de ver a cidade e os amigos…
Prometo que na volta coloco fotinhas e batuques. Nesse meu novo NETBOOK [the future], 320 bucks, do tamanho de um livro, bateria de 6 hs, que sera um novo parceiro.
Antes preciso aprender a acentuar e cedilhar. Kiss, baby.
“Tora, tora, tora.”
“What?!”
“Surprise…”
“Vc por aki, japonês?”
“Yes.”
“Kd vc?”
“Olha pra cima.”
“Desviou da rota novamente?
“Desta vez, não.”
“Tá longe de casa.”
“Vc tb.”
“Passeando?”
“Nem. Dia bonito.”
“Veio surfar?”
“Cê ki pensa.”
“Havaí é nosso território.”
“Quem disse?”
“Abre o olho, japa.”
“Abre vc.”
“Tem certeza?”
“Tenho.”
“Sai fora, japoronga!”
“Bum.”
“What?”
“See u.”

“Adolfo, tá maluco, cara? E nosso acordo?”
“Ki acordo, Josef?”
“Não se faça de bobo. O secreto.”
“Não sei do ki tá falando.”
“Polônia, tudo bem, mas vc passou dos limites.”
“Não existem limites para o terceiro reich.”
“Vou quebrar a sua cara, malando.”
“Vem. Atravessa a fronteira.”
“Vou raspar seu bigode, pintor recalcado.”
“Pelo menos, é mais aparado ki o seu.”
“Manda os chucrutes recuarem já.”
“Ninguém manda em mim.”
“Prepotente.”
“Comunista.”
“Racista.”
“Bêbado.”
“Brocha.”
“É com xis, ignorante. Se liga, Josef.”
“Tem um inverno chegando. Vai se atolar.”
“Não conhece a tecnologia alemã?”
“Isso aki não é a França. Moscou é bem mais longe ki Paris.”
“E mais feia.”
“Então, o que quer por aki?”
“Te encher, te dominar.”
“Bicha enrustida.”
“Não seja politicamente incorreto.”
“Ó quem fala.”
“Intolerante.”
“Pensa que é quem?”
“O fuhrer. E você não é nenhum czar.”
“Fuzilamos ele, fuzilamos vc.”
“Me queimo antes.”
“Covarde.”
“Vou acabar com a tua raça, comuna vermelho.”
“Vem se é macho, psicopata de fanja.”
“Me aguarde.”
“Tô tremendo de medo.”
“Conhece Blitzkrieg?”
“Ki mêda.”
“Te vejo em Moscou.”
“Tem Stalingrado antes. Kd vc?”
“Já nas estepes.”
“Vou pixar uma foice e martelo no seu traseiro.”
“É com cê agá, anta bolchevique.”

“Cuidado com essas egípcias, Marco.”
“Mulher de amigo meu é homem.”
“Sei… Tá rolando mó fofoca.”
“Júlio, ela q deu mole.”
“Conheço.”
“Ela q caiu matando.”
“Sei…”
“Confesso, tá rolando.”
“Falei.”
“Vc tá com ciúmes?”
“Nem.”
“Foi mal, imperador.”
“Tô noutra.”
“Ela disse.”
“Mas vale a pena, né?
“Gostosa, cheirosinha, maluca.”
“Topa tudo.”
“De repente, nós três…”
“Tá me estranhando? Tenho um nome a zelar.”
“Ninguém precisa ficar sabendo.”
“Só as cobras.”
“Kkkkk.”
“E aí, catou?”
“O que vc acha?”
“Kkkkk.”
“Rsrsrsrsrs.”
“Quero detalhes.”
“Vc lê hieróglifos?”
“Kkkkkk.”
“Rsrsrsrsrs.”

“Pequeno passo para o homem, grande salto para humanidade.”
“?!”
“É a minha frase.”
“Ki frase, me’rmão?”
“De efeito.”
“Kd vc?”
“Na lua.”
“Ki parte?”
“Superfície.”
“Já?”
“Liga a TV.”
“Tá cheia de chiado e umas imagens borradas.”
“Põe Bombrill na antena.”
“Péra.”
“Tá vendo?”
“+ ou –.”
“Se liga.”
“Tô ligado.”
“Curtiu?”
“+ ou -.”
“Tá zoando.”
“Rrrrrrrr. Tá frio aí?”
“Ô. E escuro. Rsrsrsrs.”
“Curtiu?”
“Mó tédio.”
“Ki mais?”
“Poeira.”
“Volta.”
“Vou dar um role e volto.”
“Inté.

Deus fez a luz, o homem e a fofoca.
Cientistas creditam o sucesso da raça humana à fala. Descobriu-
se que os neandertalenses, mais fortes, peludos, assustadores e resistentes ao frio, perderam para nós, pois a sua laringe não tinha a mesma variação tonal que a nossa. A tagarelice humana, portanto, criou pirâmides, cidades, espaçonaves e até o funk carioca.
Porém, só há poucas décadas duvidou-se da nossa inteligência, não por culpa de análises das letras do dito funk. Basta testemunhar a ocupação desordenada e o caos climático, resultado do progresso, do lixo, do combustível fóssil e do peido do rebanho que nos alimenta.
Se olharmos com atenção, vêm de muito tempo as demonstrações
de que a raça humana parece esperta, mas não é tanto assim.
Qual foi o primeiro povo que deu um salto no estágio inicial da civilização? Bem, todos sabem: os egípcios. Foram seres notáveis, que criaram as primeiras cidades, a língua escrita, os
primeiros deuses, grandes monumentos, e que dominaram a astronomia, a matemática, a agricultura e montaram um exército imbatível por milênios.
Os egípcios acreditavam na vida após a morte. O espírito precisaria de um corpo para ressuscitar. Portanto, quem tinha poder e grana era embalsamado.
Funerais grandiosos duravam dias. Tumbas e pirâmides foram construídas
para os faraós. Quando morriam, levavam o rei ao seu sarcófago, com toda pompa e o o seu tesouro – utensílios, móveis, comida, bebida, até barcos. E a múmia era bem preservada, com técnicas sofisticadas e milenares de embalsamento.
Assim, no retorno à vida, o faraó teria um corpo e a sua riqueza de volta.
No entanto, construíam pirâmides em cima, com corredores labirínticos, e lacravam as tumbas, para evitarem os saqueadores.

Ora, ninguém se perguntou se, caso realmente o faraó voltasse
do reino dos mortos – e incorporasse aquele corpo, comesse e bebesse aquelas oferendas, ficasse feliz ao ver a sua riqueza intacta –,como sairia daquele muquifo abafado, claustrofóbico e escuro? Conseguiria remover aquele pedregulho que colocaram sobre o sarcófago? E para
achar a saída da câmara? Como remover aquela montanha de
pedras que formavam uma pirâmide literalmente faraônica?
Bem, para não ficarem com a fama de os megalomaníacos mais burros do planeta, os egípcios desencanaram das pirâmides. Passaram a enterrar seus faraós em tumbas discretas e subterrâneas.
No entanto, chamaram o lugar de Vale dos Reis, o que despertou a atenção dos mais espertos ladrões de tumbas e gatunos
da redondeza, que deram um sumiço nas múmias em que os mortos reencarnariam.
A alma de algum Ramsés pode até ter voltado à Terra. Mas, ao chegar, seu corpo mais parecia um amontoado de gaze suja.
Se ao menos se chamasse Vale Do Que Não Tem Aonde Cair
Morto…
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Os gregos também não primavam assim pela sua dita inteligência platônica. Sim, fundaram a democracia, desenvolveram a filosofia e o teatro, toleravam a união civil entre seres do mesmo sexo.
No entanto, algum espertalhão resolveu construir um cofre, o Parthenon, bem no alto, bem chamativo, e guardar
lá toda a riqueza do Estado.
Ora, a riqueza era vigiada pelo cidadão grego. E, lógico, pelos
povos vizinho, que em pouco tempo, digamos alguns séculos, invadiram aquele pedaço cheio de bêbados, que ficavam filosofando, assistindo a peças cabeçudas e infindáveis, e passaram a mão no tesouro.
Sem contar que cultuamos uma estátua de Afrodite, Vênus
de Milo, representante da beleza e do amor sexual, que não
tem braços.
Os romanos, bem, os romanos…
Seu império durou um pouco mais, mas claro que seus dias estavam contados, já que os senadores davam expediente enrolados em lençóis, e os soldados lutavam de saia e sandálias, e não davam a mínima para
os índices de colesterol e triglicérides, já que abusava de uma dieta
rica em carboidratos.

Os chineses, caramba, como eram burros. Inventaram a pólvora, o papel, a pipa, o macarrão e se esqueceram de patentear. Só agora correm atrás do tempo perdido e resolveram piratear tudo o resto.
Os astecas construíram a sua capital num vulcão, em cima
de um pântano. E entregaram o império de graça para um espanhol a cavalo e com um chapéu ridículo, Hernán Cortez, pois acreditavam que ele fosse um deus.
Os incas construíram cidades de difícil acesso, que nem
mesmo eles as encontravam. Só em 1911, um professor de Yale achou Machu Picchu. Os espanhóis nem mandavam mais.
Nos tempos mais recentes, os franceses quase dominaram
toda a Europa. Mas discutam tanto entre si sobre o sentido da existência, que a neve das estepes russas os atolou.
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Bem, nós, os brasileiros, não chegamos a
constituir um império, nem temos muita relevânciana história da humanidade; apesar do sucesso de Paulo Coelho, Cidade de Deus, futebol e Nasci Para Ser Sexy.
Para começar, aos nos descobrirem, achavam que estavam em outro lugar e passaram a chamar brasileiros de índios. Em seguida, nossa independência foi proclamada pelo próprio rei, que depois se tornou rei da corte e da ex-colônia ao mesmo tempo. E se mandou, nos deixando uma criança como
seu substituto.
A república foi proclamada por generais, num golpe de estado, que em anos se transformou numa ditadura. Sem contar que criaram um hino que ninguém entende, nem sabe cantar, além de uma bandeira que até dá para
desenhar o losango e o círculo, mas vai colocar as estrelinhas no lugar
certo.
Fora que os outros povos não acertam o nome da nossa capital nem a pau.
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Muitos objetos corriqueiros demonstram a nossa deficiente capacidade intelectual. A bebida mais cultuada e popular do mundo, o vinho, é a mais difícil de abrir.

Não há uma garrafa de leite ou iogurte que, ao ser aberta, não lambuze nossa roupa. Não existe coisa mais complicadado que dar um laço num sapato. Porque inventamos algo que pode dar nó.
Computador dá dor nas costas, tendinite e vista cansada.
Pacote de camisinha parece que foi inventado para não ser aberto. Pastas de dentes vêm com tampas que são perdidas em dias. Chaves e chaveiros foram criados para serem perdidos. Pão mofa. Casamento acaba. Filho um dia nega os pais. E tudo o que é bom engorda.
Somos assim inteligentes?
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