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Marcelo Rubens Paiva

31.agosto.2009 12:27:57

Agosto Louco

No Legislativo: Comissão de Ética engaveta processo contra Sarney- apesar da mansão não declarada, parentes empregados e atos secretos

PT racha e mostra que a governabilidade está acima da ética. Líder da bancada do Senado é desautorizado e entra em estágio ioiô: renuncia, não renuncia, renuncia, não renuncia..

No Executivo: Encontro suspeito entre ministra e secretaria da Receita não pode ser comprovado; apagaram a fita que controla o entra-e-sai, suspeita-se.

No Judiciário: Ex-ministro da Fazenda não vai a julgamento por quebra de sigilo bancário de um caseiro que o denunciou. Sobrou para o bancário subalterno. Votação apertada. Ministro do Supremo que bateu-boca meses antes no plenário não compareceu. Não se pegaram na saída, nem no recreio.

Receita afirma que multa a grandes sonegadores caiu 20%. Prepara-se o caixa da campanha de 2010? Muitos funcionários decidem se afastar em protesto. Está sobrando emprego na iniciativa privada.

Estadão sob censura. Estabelecida pelo Desembargador amigo do rei, em que pesam denúncias.

Argentina descriminaliza a maconha. Segura, Maradona.

Rede Globo entra com tudo na campanha da descriminalização da mesma.

Igreja Universal é processada. Descobriram que o dinheiro da TV Record vinha do dízimo. Ah, vá…

O Brasil é o país em que mais se morre de gripe suína

Divulgados dados que indicam que a violência aumentou no Estado de São Paulo

Juliana Paes, estrela global, enquadra sob censura o jornalista José Simão.

Mundial de atletismo: Brasil termina sem medalhas.

Mundial de judô: Brasil termina sem medalhas, o que não acontecia há anos

Felipe Massa leva uma “molada” na cabeça a mais de 200 km/h. Peça que se soltou do carro do melhor amigo.

Ronaldo Fenômeno se recupera das lesões dos dois joelhos, entra em forma, volta a fazer gols decisivos e assistências. Cai e fratura a mão

Lei antifumo entra em vigor. Fiscalização avança sobre bares e restaurantes. Clima tenso em baladas.

Michael Jackson morre. Descobre-se que ele não é o pai biológico de seus filhos lorinhos. E que só dormia com anestesia.


CABO ANSELMO EM 1964

Para completar, Cabo Anselmo [ex-líder da revolta dos sargentos, que foi o estopim do Golpe de 64, entrou para clandestinidade, treinou guerrilha em Cuba, voltou ao Brasil como líder de uma organização de luta armada, a VPR, foi preso, mudou de lado, fez acordo com o DOPS, delatou todos que conhecia, inclusive a namorada, grávida dele, que morreu em confronto, fez plástica, desapareceu de vista e surgiu agora, para pedir indenização para o Estado por serviços prestados- reaparece e dá entrevista história no CANAL LIVRE [BAND]. Em que afirmou, na cara dura, que é religioso: “Não levei ninguém à morte, eles que escolheram morrer.”

Faltam mais algumas horas para entrarmos em Setembro.

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Muito louco é o filme ANTICRISTO, de LARS VON TRIER. Ou muito ruim? Foi vaiado em Cannes. Crítica se divide. Até aí…

Casal faz amor, enquanto filho engatinha, cai da janela e morre. Mãe surta. Pai, psiquiatra experiente, decide tratá-la. Vão para um lugar isolado. Parece a abertura de um filme psicologicamente elaborado. Tá bom…

Entramos então num suspense com todos os clichês de filmes B de horror. Inclusive aquele: vilã parece morta no final, depois de bater e apanhar muito, mocinho respira aliviado, mas câmera revela que ela segura uma faca, então, ela se levanta e ataca de novo.

É um filme ideal para os fãs de JASON. Uma mistura de PÂNICO com ATRAÇÃO FATAL.

Aliás, o cara que acha que toda mulher é louca, ou que reclama do temperamento sensível da esposa, deveria assistir ao filme. Chegará em casa com flores e dirá: “Perto de outras, você é a mulher mais equilibrada que já conheci. Até na TPM…”

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27.agosto.2009 13:32:27

leitura obrigatória?

Ontem conheci, na Livraria da Vila, uma professora de Português do EQUIPE, Luana, escola em que quis ter estudado na adolescência, pois tinha shows, filmes, debates, todos organizados pelo amigo Serginho Groisman, umas meninas com fama de “liberais” [termo da época], em que os alunos fumavam maconha no pátio.

Durante a ditadura, Serginho era o agitador cultural do Equipe, enquanto o medo e o silêncio dominavam as ruas.

Organizava sessões de filmes proibidos ou esquecidos, películas que pegava na Boca do Lixo. Junto, para abrir, shows de resistência com o que havia de melhor na MPB, dos “malditos” Luis Melodia, Tom Zé, a Cartola e Gilberto Gil. Por vezes, havia palestras para entendermos o que se passava com o mundo- um dos palestrantes, Luis Carlos Prestes. Tudo dentro de um teatro ou no pátio da escola “alternativa” do centro de São Paulo.

No meu colégio, Santa Cruz, era expulso quem fosse pego com algum tipo de droga [meu amigo Ito foi], as meninas eram osso duro de roer e tinha shows muito cabeçudos. Era uma escola forte. Fábrica de intelectuais revoltados, seminerds, que estudavam sem parar.

Eles discutiam a Tropicália. A gente, Irmãos Karamazovski, leitura obrigatória do primeiro colegial! Eram artistas. Nós, produtores culturais e de grana.

Na vitrine da livraria, uma cópia de Franny & Zooey, um dos meus livros favoritos de Sallinger. Luana disse que o indicou para seus alunos do ginásio, pois acharam Apanhador no Campo de Centeio, clássico de Sallinger e leitura obrigatória em todas as escolas americanas, meio deprê.

Como assim? O moleque Holden Caulfield, protagonista de Apanhador, que foge da escola aos 15 anos e vai sozinho pra Nova York, foi o ícone da minha e de muitas gerações. Seu sarcasmo e sentimento de inadaptação são a essência de um adolescente. Os garotos de hoje não são mais revoltados?

Ela contou que muitos livros que indica são criticados em aula, por não trazerem esperanças. Um aluno chegou a dizer que Caulfield, além de reclamão, deveria tomar Prozac.


FOTO RARA DO RECLUSO SALLINGER, QUE COMPLETOU 90 ANO

Outro livro que indicou, MEMÓRIAS DO SUBSOLO [ou NOTAS DO SUBSOLO], do Dostoievski, causou indignação entre seus alunos, pois era muito pessimista.

Interessante. A garotada de hoje quer histórias felizes. Não se identifica mais com aqueles que abordam os temores e conflitos da alma humana. Talvez porque o conflito de gerações hoje em dia seja algo que apenas seus pais viveram. Os adultos de hoje se assemelham muito aos garotos.

Pensando bem, meus amigos punks hoje têm filhos de mais de 20 anos. Sem falar dos hippies, ou da Geração Anos 60, que já devem ser avós.

Então, qual livro seria apropriado para essa geração?

Ela disse que FELIZ ANO VELHO é um, pois traz mensagem de esperança, além de humor. Ao seu lado, minha amiga NINA LEMOS confirmou. Leu na escola em JUIZ DE FORA. Sei que ainda é adotado. É, para essa geração, o que OS MENINOS DA RUA PAULA foi para a minha: a porta de entrada do universo da literatura.

Quais outros livros?

Na minha escola, indicavam KAFKA [CARTA AO MEU PAI, PROCESSO], SARTE [NÁUSEA, SURSIS], DOSTOIEVSKI [KARAMAZOVSKI], CAMUS [A QUEDA], contos de TOLSTOI, DURRENMATT, THOMAS MANN, além da leitura obrigatória para o vestibular, OSWALD e MARIO DE ANDRADE, MACHADO, GUIMARÁES, JORGE AMADO, MÁRIO PALMÉRIO, GRACILIANO, LIMA BARRETO, BANDEIRA, DRUMMONT e outros.

Soube, pela nova geração de PAIVINHAS, quase nada disso é mais lido no Santa Cruz, tirando a leitura para o vestibular. O que me deixou revoltado.

Aliás, Luana contou que CAPITÃES DE AREIA, de AMADO, é um dos livros que a garotada do Equipe curte. Além de Clarice [A HORA DA ESTRELA].

Professores não deveriam abandonar os clássicos. Nem se intimidar pelas “preferências” juvenis. Deriam obrigar e pronto! Leiam! Quem não ler, repete! Ou mude de escola. Mal não faz.

Para contribuir para o futuro do País, aqui deixo uma lista de livros que eu obrigaria a leitura, caso fosse dono de uma escola. Pela ordem:

ILÍADA, DE HOMERO [claro, começaria pelo começo de tudo]
MIL E UMA NOITES
ÉDIPO REI
DOM QUIXOTE [o começo do romance]
HAMLET
CELINE [cuja parte da história se passa no Brasil]
MADAME BOVARY
OS MORTOS [do livro mais digerível de JOYCE]
CRIME E CASTIGO
CARTA AO MEU PAI
POR QUEM OS SINOS DOBRAM [de HEMINGWAY, o pai do diálogo moderno]
PÉ NA ESTRADA
CEM ANOS DE SOLIDÃO
CONTOS DE BORGES
APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO
COMPLEXO DE PORTNOY

Claro, evitaria PROUST e tantos outros que poderiam “assustar” a garotada, como MONTANHA MÁGICA. Mas incluiria EDGAR ALAN POE, DASHIEL HAMMET, a peça ESPERANDO GODOT, BRECHT. Isso sem falar dos autores brasileiros, que, por enquanto, ainda são lidos, pois caem no vestibular.

Me esqueci de alguém? Aberto a sugestões…

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Esse papo rolou, porque fui ao lançamento do novo livro [RELÓGIO SEM SOL], do amigo e meu veterano na ECA-USP, CADÃO COLPATO. Cabeça da banda FELLINI, de que já falei aqui e fez shows no começo do mês, no STUDIO SP, uma raridade, pois a banda se reúne só quando THOMAS PAPPON, o motor da banda, que mora em Londres, vem passar férias no Brasil.

CADÃO contou que, entes de Thomas voltar para o Reino Unido, eles entraram num estúdio e gravaram um disco do FELLINI- as mesmas músicas que marcaram os anos 80, só que com uma levada mais punk.

Ueba!!! Em breve, estará no mercado.

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25.agosto.2009 17:23:15

O maluco e o gigante

Raulzito: 20 anos da sua morte.

Maluco Beleza. Maluco?

Foi um dos caras mais inteligentes e engajados da MPB. Correu paralelo aos movimentos da moda de sua época- bossa nova, tropicalismo, jovem guarda, canções de protesto.

Conheci Raul Seixas no final dos anos 80 num hotel de quinta, em Copacabana. Um pulgueiro em que morava sozinho, recém-separado. Estava um caco.

Falava sem parar. Mas eram frases confusas, pensamentos desconexos. Estava viciado em éter. E, claro, cheirou na minha frente. Molhava um pano imundo, cheirava e falava. Até nisso, ele nadava contra a corrente, já que era a cocaína e heroína que passeavam pelas veias do rock brasileiro naquele tempo.

É um dos pais do rock brasileiro. Misturou baião, forró, música erudita com guitarras. Enfrentou a censura e a ditadura com esperteza: se dizia maluco, excêntrico, mas tinha muita metafísica em sua performance e, como todo filósofo, política. “Eu não sou louco, é o mundo que não entende minha lucidez.”, disse.

Redefiniu o conceito de regionalismo: um baiano antenado, mais próximo de John Lennon do que de Dorival Caymmi. Não trocou os tambores pelos amplificadores. Na música MOSCA EM SUA SOPA, há uma levada de samba-de-roda.

Falou ao jovem e deu esperanças ao País oprimido. Há muita contestação política em todas as suas letras. “Quero a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persistir na sua loucura, acabará sábio”, disse.

No entanto, viveu o ostracismo dos gênios. Com a explosão do rock brasileiro nos anos 80, ficou excluído. Era o “chato”, “anacrônico” e “bêbado” que todos evitavam. Respeitavam, mas não o convidavam para as festas.

Como ocorreu com tantos outros, que só com morte recuperou a vida, como Tim Maia [excluído da Globo], Plínio Marcos [excluído da grande imprensa e até da TV Cultura], autênticos que não mediam palavras e não abriam mão de seus ideais: “A desobediência é uma virtude necessária à criatividade”, falou.

Paralelamente, seu grande parceiro, Paulo Coelho, brigado com ele, iniciava a carreira de “grande escritor”.

Marcelo Nova e a banda Camisa de Vênus, baianos e de alma roqueira, o resgataram. Fizeram uma parceria não muito bem-sucedida. Enquanto Cazuza e Renato Russo se transformavam na voz de uma geração. E Lobão imprimia atitude e verdade no rock.

Ironicamente, seu último disco com Marcelo Nova, A PANELA DO DIABO, lançado um dia após sua morte [21 de agosto de 1989, aos 44 anos], vendeu 150 mil cópias e rendeu um disco de ouro póstumo- foi um dos discos de maior sucesso de Raulzito.

Mas sua vingança foi sutil. De repente, depois da sua morte, em algum show de rock, alguém da platéia gritou: “Toca Raul!” Ele, sim, é nosso representante. Hoje, imortalizado, virou um bordão de todos os shows. Quando o público está entediado ou incomodado com o adoçamento da rebeldia que vê num palco, grita: “Troca Raul!”

“A formiga é pequena, mas elas são um exército quando juntas”, escreveu. Pense em suas letras:

Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Eu quero dizer
Agora, o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

Raul exprimia as contradições dos movimentos sociais, especialmente da esquerda, que mudava a linha ideológica a cada 6 meses, enterrava ícones e ressuscitava outros, que contraditoriamente defendia a luta e a paz, contestava as guerras e o autoritarismo com protestos de ruas. Dizia: “Todos os partidos são variantes do absolutismo. Não fundaremos mais partidos; o Estado é o seu estado de espírito. Só há amor quando não existe nenhuma autoridade.”

Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor
É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante

Era o pensamento reinante de uma geração perdida entre a luta armada e a alienação.

Se fazendo de bobo, e censurado eventualmente, encontrou formas de ironizar a ditadura e o incomodo que causava:

Eu sou a mosca
Que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca
Que pintou pra lhe abusar.
Eu sou a mosca
Que perturba o seu sono

Mesmo censurado, conseguia espaço e popularidade, inclusive entre as crianças, para passar um recado aos censores e à repressão, e dar esperança a aqueles que perdiam seus heróis assassinados:

E não adianta
Vir me dedetizar
Pois nem o DDT
Pode assim me exterminar
Porque você mata uma
E vem outra em meu lugar…

No mais, a poesia regia a sua alma ["eu sou os olhos do cego, e a cegueira da visão"]. Imagens incríveis, da sua mais marcante música, GITA, mexiam com a nossa imaginação, num diálogo com Deus, ou superego, ou pai, ou mundo, ou amor. Você a conhece de cor. Mas vale lembrar:

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar…
Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou..
Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição…
Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada…
Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra “A” tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor…
Eu sou a dona de casa
Nos pegue-pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo…
Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão…
Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio

Maluco?!

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O filme uruguaio GIGANTE, em cartaz, que ganhou o prêmio de melhor roteiro na última edição do Festival de Gramado, merece ser visto, especialmente por aqueles envolvidos com a indústria cinematográfica brasileira.

Baixíssimo orçamento- o filme só foi lançado graças ao apoio do indústria de cinema cubano, que fez a cópia em película da versão digital.

Roteiro brilhante- que economiza nas falas e consegue contar a história de Jara [Horacio Camandule], o alto, gordo e tímido segurança de um supermercado e de uma boate de heavy metal, de que é fã, que segue com os olhos Julia (Leonor Svarcas), faxineira recém-contratada, e pelas câmeras de vigilância, e se apaixona por ela.

Elenco afinadíssimo- nem todos são atores profissionais, que esbanjam sutileza e humor.

Camadulle, de 1,93m, é conhecido no Uruguai por suas “stand up comedies”, e se apresenta em restaurantes e bares de Montevidéu, Uruguai [país que produz dez filmes por ano e cujos lançamentos surpreendem].

A trama- como um sujeito comum, sem charme, infantilizado [joga videogame com o sobrinho], conseguiria conhecer e se aproximar de uma paixão.

Apesar de fã de Motorhead, Metallica e bandas que cultuam o demônio, o cara é do bem. Ingênuo, seu melhor amigo é o sobrinho anos mais novo. Só parte pra violência quando é acuado. Delicado, presenteia a paixão com flores- um cacto.

O filme também ganhou o Urso de Prata em Berlim.

Chama atenção a economia de diálogos. Se cinema é mais imagem que fala, nós, do Brasil, talvez impregnados pela teledramaturgia, ou sob a influência da estética do cinema novo, discursivo e político, ainda não conseguimos nos livrar dos extensos blablablás em nossos roteiros.

Há exceções, como Céu de Suely, Aspirinas e Urubus. E não que o cinema de diálogo seja inferior. No entanto, se a imagem fala por mil palavras, que tal economizá-las.

E, sim, dá pra fazer obra-prima sem grana. Que toca o coração do público. Faz rir e, sobretudo, faz pensar.

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24.agosto.2009 12:20:00

O banho

Renata andava radiante. Em seu primeiro casamento. Amava e amava acima de tudo.

Sua casa era sua casinha. Passava mais tempo nela do que ele. E arrumava os livros e CDs. Trocou a capa do sofá, reconfigurou o computador, separou roupas novas, doou as velhas, acendia incenso todas as tardes, fazia a feira, flores e frutas [cores e cheiros], pendurou quadros, um porta-retratos com fotos dele e amigos, dela e amigos, trocou a cortina do banheiro, ficou amiga dos porteiros, dos vizinhos, íntima do padeiro, arrumou o fogão, comprou uma geladeira nova, uma adega, trocou luminárias e o sorriso: todas as noites, ela o esperava ansiosa e apaixonada.

Ele era mais velho, no terceiro casamento, trabalhava muito, até à madrugada, não ligava para flores e frutas, mal ligava o computador, não entendia de cozinha, de amigos, de luminárias, de cheiros, de cortes. Tocava a vida alucinadamente, cheio de planos, projetos, propostas. E andava radiante: tinha Renata com ele, linda, lindinha, feliz, apoiando, aliada, torcendo, amada.

Mas no amor não há lógica. O amor não se explica, não é previsível, não é fácil, nem transparente, não se conhece. Surpreende, é reescrito todos os dias, tem atalhos e abismos, vem com o medo, com ternura, com receio e tonturas.

Renata dormia certa noite quando ele chegou tarde, como sempre. Renata acordou sorrindo, como sempre. Ofereceu um chá, como sempre. Ele não a beijou, como antes. Nem sorriu, como sempre sorria.

Entrou no banheiro e tomou um banho, como nunca. Renata sentiu uma tesoura cortando a linha da rotina. Ele nunca tomou banho antes de se deitar, nunca entrou no banheiro assim que chegou, nunca deixou de me beijar. Por que quer se lavar? De que sujeira quer se livrar?

Encostou-o na parede. Fez as perguntas de praxe, utilizando armas que só as mulheres conhecem: “Não gagueje, está escrito na sua testa. Por que você não olha nos meus olhos?”.

Ele se distanciou dos fatos, afirmou que seu banho era apenas um banho, e Renata, a mulher da sua vida.

Tudo mudou. Ela abriu os olhos. Seus sentidos se apuraram. Desconfiou de cada gesto, palavra, olhar, história, hábito. Foi à luta, defender o seu: descobrir a verdade.

Ela xeretou sua agenda, ligou para aqueles números dispersos e sem nome, inventou desculpas, investigou onde ele trabalhava, com quem e como. Procurou cheiros forasteiros, faturas de cartão. Até encontrar o que queria. Ele tinha outra. Com quem passava às madrugadas.

Renata pirou. Largou o que estava fazendo, saiu andando pela cidade e só parou quando se perguntou por quê. E repetia sem parar: É injusto, é injusto. Não voltou mais. Nunca mais. Nem olhou para trás.

E só voltou a sorrir quando se lembrou: Quem mandou tomar um banho na hora errada?

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19.agosto.2009 21:53:48

A garota e os caras

Ela era feliz a doidado. Seus vestidos, floridos, soltos, seu sorriso, bonito, seu corpo, lindo como poucos, seu desejo, excessivo, tenso, tesão intenso, ela queria sempre, sempre, queria amar todos os homens, gostava de homem, gostava de tudo neles, de quase tudo, gosta ainda: de barba, do cheiro, de ombros largos, gosta de peito com pêlos, de pernas longas, gosta de alisar, esfregar, arranhar, lamber e beijar. Gosta de gostar, porque muitas delas se atrapalham, com medo de se entregar. Mas ela, não. Adora se dar, adora se excitar e excitar.

Com o cara 1, ela foi pra cama no primeiro dia. Ele se jogou, ela lhe beijou, ele tirou a camisa, ela tirou seu vestido, ele olhou seu corpo, que lindo, disse, e ela adorou o elogio, tira tudo, ele disse, ela adiou, ficou de calcinha e sutiã, mas mergulhou nele, pegou nele, que lindo, ela disse, como ele é lindo, repetiu, examinou, tocou, beijou, chupou, e o cara disse, tira tudo, ela, calma, esfregou-se, amassou, rolou, subiu, tira tudo, calma, chupou, lambeu, apertou, tira, tá, ela tirou, e se comeram, trocaram tudo, totalmente.

Mas ele não ligou depois. Nem depois. Nenhum e-mail. Sumiu. Nunca mais ouviu falar dele. Que pena. Era o pau mais bonito da cidade. Que droga! O que fiz de errado dessa vez?

Com o cara 2, ela nem esperou chegar em casa. Agarrou-o já no carro. Pulou nele quando estacionaram. Subiu, beijou-lhe, mordeu seu pescoço, lambeu sua orelha, sentiu ele se excitar, tirou a sua camisa, beijou seus ombros, seu peito, seus braços, suas mãos, suas costas, ele estava duro, ela tirou a calça dele e seu vestido num gesto único e nem esperou ele dizer, tirou a calcinha e o sutiã. Ele ficou doido de tesão, que corpo, ele disse. Ela nem registrou o elogio, porque já o chupava, esfregava, lambia, massageava, que lindo, ela disse, o mais lindo que já viu, muito mais lindo que o outro. Ele perguntou: Que outro? Ela nem deu ouvidos, nem enrolou mais, e transaram ali, no banco do motorista, passaram pro do passageiro, depois pro de trás, de frente, de lado, por trás.

Mas ele não ligou no outro dia. Nem no outro. Nem na outra semana. Nem carta, e-mail, telegrama. Sumiu. Que merda! O que foi dessa vez?!

Com o cara 3, ela entrou em seu apê. Bebeu, bebeu, foi agarrada, ela disse não, foi arrastada, ela disse para! Ele pediu, pediu, pediu, ela disse só um beijinho. Ela deu um, mas ele logo veio apalpando, ela disse aí, não! Ele pediu mais beijos, ela, mais vinho. Mais bêbados. Ela se insinuou, ele queria vê-la nua, ela só mostrou a tatuagem na virilha, ele implorou, vamos pra cama, ela chamou um táxi. Nem esperou a confirmação, chamou o elevador, deu um beijo longo, sorriu e se foi.

Este ligou no dia seguinte. E no outro. Mandou flores, e-mails e um CD de presente. Liga todos os dias. Como homem é babaca, ela descobriu.

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17.agosto.2009 23:16:33

No set


LUIZ [MARCELO SERRADO] E MALU [FERNANDA FREITAS]

Luiz Mário, paulistano, era um dos maiores galinhas da cidade. Dono de uma casa noturna, Espaço 1929, desde criança revelou um dom para a sedução. Cultivava o seu estilo de vida: solteirão convicto. Não questionava os dilemas morais da sua necessidade de conquistar o maior número de garotas. Saía, dispensava, saía, dispensava.


CRIS [MARIA MANUELLA] NO ESPAÇO PARA ESFAQUEAR LUIZ

Até um dia ser quase esfaqueado por uma conquista, que não se conformou quando levou um fora.

Assustado, decidiu dar um tempo, passar uns dias no Rio. Conheceu Malu, que ia para a terapia de bicicleta pela orla.


Apaixonou-se. Vieram morar em São Paulo. Até ele alimentar um ciúme doentio pelos mistérios da carioca. Fotos dos amigos dela num quadro de cortiça, que ela trouxe na mudança, motivou a discussão:
“Quem são?”
“Amigos”, ela respondeu.
“Todo amigos?”
“Todos.”
“Quantos amigos…”
“Muitos amigos.”
“Pra que tanto amigo?”
“Existe um limite de amigos?”

O diálogo está no roteiro de Malu de Bicicleta, filme que acabamos de rodar, baseado no meu romance Malu de Bicicleta. Não tem no livro, de 250 páginas, publicado em 2003.

Apesar de eu mesmo ter escrito o roteiro, não fui totalmente fiel à obra. A trama está lá. Muitas cenas se foram. Algumas nasceram. Personagens se transformaram. O foco se concentrou no ciúme.

Ora, livro é livro, cinema é cinema. Um se alimenta do outro. Um gera o outro. Que, como todo filho, se rebela e ganha rumo próprio. Tanto que o final do filme é diferente do livro. Quem ousou tamanha heresia? Eu mesmo, o roteirista. E, confesso: o do filme é melhor.


O AMOR ACABA?

Está no roteiro. Luiz, com ciúmes das constantes idas da mulher ao Rio, resolve segui-la. Ela, na calçada diante do prédio em que moram em São Paulo, espera um táxi, com uma mala pequena. Faz sinal. Para um carro. Ela entra. Vão. Ele aparece, olha para o caminho que tomaram. Chama outro táxi, que para. Entra, aponta para o carro à frente.

Luiz segue o táxi de Malu pelas ruas da cidade. Entram pela avenida Rubem Berta, que vai ao aeroporto. Luiz se perde do táxi. Não sabe se ele seguiu para o aeroporto ou foi reto. São muitos táxis naquela hora, naquela avenida.

Filmamos na semana passada numa rua arborizada de Higienópolis- concidentemente, no prédio em que moram dois dos maiores roteirista brasileiros, o casal Fernanda Young e Alexandre Machado, que passeavam com o filho pequeno.

Armamos a câmera na calçada. Dois táxis na esquina esperavam o comando que viria por rádio. A rua não foi interditada. O trânsito de um domingo ensolarado fluía normalmente.
“Ação”, gritou o diretor, Flávio Tambellini. Entrou em quadro Fernanda Freitas (Malu). “Podem vir os carros”, comandou a assistente de direção. A atriz fez sinal para o primeiro, que parou. Ela entrou. Sairam do quadro. Apareceu Marcelo Serrado afobado (Luiz Mário). Olhou para o carro da mulher. Fez sinal para o primeiro táxi que apareceu. Ele parou. O ator entrou, apontou e disse: “Segue aquele carro.” O táxi arrancou.

A assistente interrompeu: “Não é o nosso táxi”. Gargalhadas. Em seguida, estacionou o carro combinado e contratado. Marcelo entrara no táxi errado. Teve que se explicar para o motorista que tudo não passava de uma mentirinha (ficção).


A GATINHA QUE ESPIRRA [CACA MANICA]

Já frequentei o set das filmagens de Feliz Ano Velho, de que não participei do roteiro. Já escrevi roteiros que não vingaram, como um de ficção, com Sérgio Rezende. Saí de projetos que vingaram, como Bicho de 7 Cabeças- fiz apenas os dois primeiros tratamentos, quando ainda se chamava Canto dos Malditos, nome do livro que serviu de base. Já vendi os direitos de livros e peças para filmes que não rolaram.

Mas nunca tinha acompanhado intensamente o dia a dia de uma filmagem. Muito menos como “o roteirista”.

Em quatro semanas, se levantou o filme. Em torno de 50 pessoas envolvidas, num ritmo frenético, que começava às 6h. Cada um tem um papel fundamental, da mocinha da claquete ao figurinista, fotógrafo, maquiador, equipe do som e luz.

É um time que se une, para se contar uma história, que todos conhecem. E aprendi algo: é fundamental a presença do roteirista num set.

Sugeri cortes, mudei cenas, conversei com os atores sobre a intenção do personagem, indiquei locações, até planos. Metido demais.


ROTEIRISTA ENTRE DIRETOR E ATOR, DANDO PITACO

Não era a minha intenção. Comecei a ir ao set no Rio de Janeiro, curioso e feliz por ter, enfim, uma obra filmada, para ganhar almoço grátis. O diretor me convidou para se sentar ao seu lado. Senti que havia muitas formas da atriz fazer uma cena de impacto. Ela falou muito da personagem comigo e me deu novos elementos. Ajudei-a a compor a tal cena, seguindo os seus palpites. E o diretor, generoso, nos deu ouvido.


GALINHA!

Tambellini conta que Spike Lee, certa vez, pediu para uma assistente anotar quantas perguntas ele respondia num dia de filmagens. A média deu 600. Por outro lado, um filme nunca é feito na ordem cronológica. É a locação que rege o que deve ser filmado. O roteirista é aquele que tem o todo na cabeça, enquanto, na maioria das vezes, os profissionais do set estão concentrados com as cenas que devem levantar.

Quando Malu percebe a frieza do marido, que sofre silenciosamente de ciúmes, diz:
“O que está acontecendo? Larguei tudo pra vir morar com você. Não estou te cobrando. Quer dizer… estou sim. Qual é, Luiz? Você mudou.”
“Nunca fui casado. Estou tentando me acostumar.”
“Tentando? Se arrependeu? Você está distante.”
“Estou com medo de te perder.”

Segundo o roteiro, ela se deitaria com ele e o abraçaria carinhosamente. Para a atriz, a personagem ficaria furiosa com a desculpa “estou com medo de te perder”. Se levantaria decepcionada e deixaria o cara falando sozinho.

Ganhou a versão da atriz. Mudamos a cena. Ela se levantou e saiu. Bem melhor.
O roteirista, eu, humildemente reconheceu o erro. O diretor permitiu. Sim, é preciso ouvir os atores. Nem sempre- aprendi isso no teatro, já que muitas vezes os preocupam o personagem, não a cena ou o conflito. Mas, eventualmente, eles acertam.
Pois é, a partir de então, estarei presente em todas as produções em que estou envolvido. Não só para filar o rango.



As fotos acima são de DAVID PEIXOTO, curitibano, leitor desse blog, que postou um comentário há meses, quando soube que o mesmo estava na fase de pré-produção, pediu para fazer o still [tirar fotos durante as filmagens]. Achei que a produtora, TAMBELLINI FILMES, tivesse já o seu. Tinha. Mas o cara não podia. Contrataram o leitor. Está aí o resultado. Já disse: para alguma coisa, este blog serve.

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Nuevas Historias de Hombres Casados, de Marcelo Birmajer:

Si, como sostiene uno de los personajes de este libro, el matrimonio es la única odisea posible para el hombre contemporáneo, y el adulterio, su descanso, estas historias se sitúan en el momento preciso en que los héroes se debaten entre continuar la aventura del matrimonio o entregarse al remanso de la infidelidad.Ni la religión ni la cultura ni la filosofía pueden ayudarlos en esa decisión que, por otra parte, está sujeta a los caprichos del destino y las personas: un gesto inadecuado, un encuentro azaroso, una revelación fatal.

O matrimônio é a odisséia do homem contemporâneo, e o adultério, seu descanso? Depois reclamam que sou obcecado pelo tema “traição”?

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14.agosto.2009 12:30:17

O kassabismo

O kassabismo é uma doutrina ideológica muito popular em São Paulo. Fundada em cima dos preceitos de que uma cidade deve ser limpa e respeitar o sono dos seus cidadãos, desenvolveu-se através de teorias que garantem que, se baixar a fiscalização, os problemas se resolvem.

Como todo desenvolvimento prático de uma teoria, o kassabismo necessita de um aparelho repressivo bem organizado, as sub-prefeituras, dividido em grupos táticos, Fiscais do PSIU, Guarda Municipal, que usam de todos os instrumentos para que se cumpram as leis.

Caso tais ações não resultem em resultados efetivos, uma tática mais eficiente é empregada: lacram-se os ambientes dolosos com placas de concreto, os “kassabinhos”.

Alguns feitos do kassabismo são notáveis, como o fechamento de bingos, postos clandestinos e lojas de contrabando, combate a pirataria e puteiros, e o encerramento das atividades de baladas de jovens arruaceiros.

No entanto, o kassabismo está apenas começando. Há muito ainda a ser feito. E para contribuir para o seu desenvolvimento, faço uma lista de sugestões do que falta ser proibido:

1. A chapinha, que gerou um verdadeiro holocausto da minoria cacheada.
2. Shows começarem depois da 1h.
3. Bandanas.
4. Camisas para dentro das calças.
5. Cuecas aparecerem em cinturas masculinas.
6. Celulares em elevadores.
7. Sabiás que cantam antes do sol nascer.
8. Buzinas em motos.
9. Seguranças se despedirem com: “Bom descanso”.
10. Assaltarem a Soninha.
11. Portas giratórias travarem.
12. Leitores que xingam blogueiros.
13. Proibir a proibição de cinzeiros nas calçadas.
14. O trânsito.

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Eu não ia tocar mais no assunto GAMBIARRA, festa que ocorre aos domingos num hotel fechado, no centro de São Paulo. Mas um leitor postou um comentário, exigindo a minha retratação, quanto à repressão que ocorreu no último domingo, criou polêmica e foi o assunto da semana [leia post abaixo para saber dos detalhes]

Reproduzo aqui o texto do(a) leitor(a) ANDREA, que coincide com a nota oficial da prefeitura.

Sobre as acusações infundadas que vocês fazem sobre a ação, este texto esclarece o quão equivocados, ao questionar identificações e mandatos, vocês estavam. Uma operação de fiscalização não precisa disso. Informem-se sobre o assunto, para não falarem levianidades. E, se ainda assim, vocês se sentem injustiçados, sugiro passar na prefeitura e colher informações sobre como proceder de maneira a regularizar os casos em que vocês estão sendo falhos, para que a festa continue, sem problemas: A subprefeitura da Sé enviou uma nota, onde explica que a blitz foi gerada por denúncias dos próprios frequentadores, que reclamaram ao Contru “sobre excesso de lotação e dificuldade para transitar pelo espaço em eventos realizados anteriormente.” Sobre o alvará de funcionamento, a nota explica que o documento “autoriza a realização de eventos, em apenas uma das áreas do local, de 328,69 m², para uma capacidade de 510 pessoas.” Os organizadores da Gambiarra, alegam, no entanto, que a festa nunca tinha sido anteriormente notificada pela Prefeitura. Ainda de acordo com a assessoria da subprefeitura da Sé, o Hotel Cambridge não foi interditado, “fato que caberia ao Contru em razão da capacidade superior a 500 pessoas, se a casa continuasse a funcionar com excesso de lotação.” A subprefeitura conclui a nota dizendo que “não há diferenciação no tratamento entre os estabelecimentos” e que “no mesmo fim de semana, mais de 70 estabelecimentos foram fiscalizados em ações da subprefeitura Sé, algumas delas em conjunto com o Psiu.” Confira abaixo a nota na íntegra: Nota à imprensa Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Coordenação das Subprefeituras Com relação à ação fiscal ocorrida na madrugada desta segunda-feira no Hotel Cambridge (Avenida 9 de Julho, 216), onde ocorria o evento denominado “Gambiarra”, a Subprefeitura Sé esclarece que, a pedido do Contru, foi até o local após receber diversas denúncias, feitas por freqüentadores, sobre excesso de lotação e dificuldade para transitar pelo espaço em eventos realizados anteriormente. A ação teria de acontecer necessariamente no momento da festa para constatar se de fato havia a irregularidade denunciada. Após solicitação pelos agentes da Prefeitura – feita primeiramente do lado externo e depois, com condução pelo proprietário, no escritório da casa, para evitar confusão na entrada -, o responsável pelo estabelecimento apresentou o alvará nº 2009/21195/00, expedido pelo Contru, com validade de 25/05/2009 a 13/10/2009. Este documento autoriza a realização de eventos, em apenas uma das áreas do local, de 328,69 m², para uma capacidade de 510 pessoas. O próprio responsável informou que, naquele momento, a casa contava com a presença de aproximadamente 950 pessoas, o que já caracterizava desrespeito ao estabelecido pelo documento apresentado. Solicitou-se, então, a contagem precisa dos clientes, que foram orientados a deixar a casa. A checagem apontou a presença de 1.693 pessoas, mais de três vezes a capacidade máxima permitida. Não houve interdição do local – fato que caberia ao Contru em razão da capacidade superior a 500 pessoas, se a casa continuasse a funcionar com excesso de lotação. O alvará que a casa possui é claro sobre a permissão para evento em um ambiente que comporte e ofereça segurança a, no máximo, 510 pessoas. Os outros dois ambientes possuem apenas licença de funcionamento para a atividade de exposição de obra de arte e não estão autorizados a realizar eventos como festas. Na prática, constatou-se o uso dos três ambientes interligados. A Prefeitura cumpriu a lei ao realizar fiscalização após recebimento de denúncias. Se houvesse algum incidente no local durante a realização dos eventos aos domingos, a casa não teria condições de proporcionar segurança a todos os presentes. Também não há diferenciação no tratamento entre os estabelecimentos. Tanto que, no mesmo fim de semana, mais de 70 estabelecimentos foram fiscalizados em ações da Subprefeitura Sé, algumas delas em conjunto com o PSIU. Secretaria das Subprefeituras e Subprefeitura Sé.

A nota da prefeitura e o comentário levantam algumas questões:

1. Como se chegou ao número de 1.693 pessoas, se as portas foram abertas pela própria PM, que temia uma tragédia e liberou os participantes, que saíram em massa?

2. Se havia denúncias de superlotação, por que a fiscalização não chegou antes e controlou a entrada? Não seria a melhor forma de evitar “um incidente no local”? Ou aparecer de madrugada com 13 viaturas, lacrar portas, ordenar “ninguém entra e ninguém sai”, desligar o som, obrigar as centenas de pessoas a entrar em filas, para pagarem as suas comendas, é o jeito mais seguro de se fiscalizar?

3. É verdade que, de acordo com denúncias, um dos fiscais era frequentador da festa? E é verdade que, na semana anterior, ele se envolveu numa briga local? E saiu aos berros gritando: “Vou fechar esta po%$a”?

4. É verdade que a mesma equipe esteve na noite anterior na Praça Roosevelt e multou bares com mesas nas calçadas, bares que estão há 20 anos no local?

5. É verdade que no mesmo dia entraram às 2h no ESPAÇO PARLAPATÕES. O chefe fiscalizou o barulho com medições e a presença de fumantes e, como não encontrou nada irregular, ameaçou prender por “desacato à autoridade”, mandou abrir o teatro e o notificou por falta de acesso a cadeirantes, teatro em que não há uma barreira arquitetônica em suas instalações, onde dirigi uma peça e ia quase todas as noites, instalado no espaço para cadeiras de rodas, e de onde, na última quarta, dois cadeirantes, eu e o diretor Maurício Paroni, assistiram ao Curta na Praça instalados comodamente?

6. Aliás, se é para se far algo construtivo, por que não começaram ainda a reforma da PRAÇA ROOSEVELT? O dinheiro já foi há anos liberdado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Esvaziou-se a praça, que virou terra de ninguém e um puxadinho da cracolâncdia. Fecharam o estacionamento dela, o supermercado e até uma crechê.

7. Como andam os projetos que tentam transformar a região num polo de cultura, lazer, negócios, educação e turismo? E os planos de revitalização, como o Procentro, com financiamento de R$ 100,4 milhões do BID?

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Estréia hoje em todo país TEMPOS DE PAZ, filme baseado na obra de Bosco Brasil, NOVAS DIRETRIZES EM TEMPO DE PAZ, que nem é citado na divulgação [que anuncia "um filme de Daniel Filho"].

A obra teatral de Bosco é um marco na dramaturgia brasileira contemporânea. A peça, elogiada e de grande sucesso, começou pequena, com um jeito underground, e chegou ao mainstream, apresentando ao mercado uma nova dramaturgia brasileira, que já vinha sendo feita em locais alternativos.

Talvez seja a peça mais emblemática do renascimento dessa dramaturgia, a comovente história de um fugitivo de guerra que é barrado no porto de Santos.

Quem sabe não inspira todos nós, que precisamos de tempos de paz.

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Ontem, 3 NA MASSA fez um show inesquecível na Rua Augusta [STUDIO SP]com os baderneiros de plantão. Tocou até Barry White. Hoje tem EDDIE. Tocando EDDIE. O que rola de melhor nos palcos das noites paulistanas. Bora, juventude transviadas?

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Hoje tem festa da GAMBIARRA. Mas é na The Week. Comparecer é um ato de resistência. O kassabismo entrará em ação?


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Dias 1 de 2 de setembro, o GAZZIE A DIO, casa de shows da Vila Madalena, celeiro dos novos talentos da MPB, e em que “tudo” começou, comemora dez anos. Com 2 shows da banda cubana BUENA VISTA SOCIAL CLUB.

Presentão pra cidade. Os ingressos já estão disponíveis.

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“Marcelo, sei que você gosta de arte, mas eu gosto mesmo é de mulher”. Frase do meu amigo MARCELO COPPOLA, ainda sóbrio, ontem no Studio SP.

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13.agosto.2009 15:42:06

1 ditado

Quem se importa em ser uma pessoa comum? Já reparou como os gênios são infelizes? Excêntricos, passam a vida incompreendidos e morrem tragicamente.

Deixe para o gênio a tarefa de inovar e o dever de nos inspirar. Fique com o ato de copiar

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12.agosto.2009 12:29:24

Baderna

A exposição sobre a ANISTIA, no antigo prédio do DOPS, em São Paulo, vale uma visita.

Conta-se a história dos movimentos sociais que pediam o fim da ditadura e lutavam pela anistia política. Há uma cronologia precisa dos fatos relevantes. Pode-se até entrar numa das celas em que presos políticos ficaram trancados.


cela do dops


está preso, comunista terrorista


espaço para o banho de sol de 1 hora

Há trechos em áudio da emblemática missa de Sétimo Dia da morte de Wladimir Herzog, momento de virada no combate à ditadura, quando a sociedade civil se uniu, enfim, numa mesma luta, e houve um racha dentro do regime, que culminou na sua queda.

Estive, com meus 15 anos, nessa missa, um protesto político realizado dentro da Catedral da Sé, já que estavam proibidas as manifestação de rua.

Não há muitas fotos e filmes do período. Expliquei as razões para a garotada em volta.

Havia um pacto entre os manifestantes e os fotógrafos. Tais registros poderiam ser utilizados pelos aparelhos de repressão, para identificarem os que chamavam de subversivos. Aliás, quem fotografava era a polícia. Inclusive havia uma equipe do DOPS filmando dentro da igreja, rostos em close, para seus arquivos. Por onde andará este filme?

No mais, a maioria das emissoras de TV não aparecia nessas manifestações, já que ainda apoiava o regime.

Há registros de que a resistência atuava fora do Brasil e da importância da imprensa alternativa, já que a grande imprensa estava silenciada pela censura ou por convicções ideológicas.


capas dos jornais alternativos


cartaz da anistia denunciando os desaparecidos [meu pai está nele]


cartazes estrangeiros apoiando a luta no brasil

Procurei visitar a sala em que minha irmã Veroca, líder estudantil, foi presa e interrogada. Sala em que minha mãe deu uma dura no delegado de plantão. Escolada, a velha não temia ninguém.

Porém, desmontaram parte das instalações. Inclusive a famosa sala do delegado Fleury, em que havia na parede um brasão do ESQUADRÃO DA MORTE, e, em outra, fotos riscadas com xis dos “subversivos” eliminados pessoalmente por ele.


folheto enviado pelo ccc ao pasquim

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Amanhã, quinta, tem show da banda 3 NA MASSA, que lançou o melhor CD brasileiro do ano passado- e faz um show surpreendente-, integrantes da NAÇÃO ZUMBI que convidaram cantoras e atrizes [Karine Carvalho, CEU, Leandra Leal, Thalma de Freitas, Pitty, Nina Beker, Alice Braga, Simone Sploladore, entre outras] para cantar sobre dilemas e lamentos femininos.

Show na Rua Augusta, território de baderneiros depravados e, como comentaram no post anterior, da “juventude transviada”. Sinta-se um James Deans e apareça.

Venha fumar na calçada, com stripers em trajes íntimos nas portas das boates, e jogar a bituca no chão, já que estão proibidos os cinzeiros.

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E hoje tem UM ANO de CURTA NA PRAÇA, projeto organizado no ESPAÇO PARLAPATÕES, em que se exibem curtas e oferecem bebida de graça.

Se a tropa de choque do PSIU, que esteve lá e invadiu com truculência no último sábado, deixar, mostraremos um pouco da cultura produzida nessa cidade.

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Alguns leitores se revoltaram com o meu post anterior. Mais de 230 comentários. Muitos me criticaram. Declaram guerra contra a vocação boêmia e cultural de São Paulo. Querem-na quieta, bem comportada, limpa e saudável.

Me chamaram de metrossexual, baderneiro, egocêntrico. Um leitor disse que eu só fui publicado porque sou “aleijado”.

Apoiam a lei antifumo [que, por sinal, também apoio] e as ações de Kassab quanto à lei do silêncio [que, por sinal, também acho justa, se for bem aplicada].

Um leitor sentiu falta das ações da ROTA.

Muitos reclamam que acordam cedo para trabalhar, enquanto uma minoria faz baderna nas ruas, atrapalha o sono dos bons cidadãos.

Outro leitor disse que São Paulo não deve ser a baderna que é o Rio e Salvador.

Um leitor ficou indignado com a foto do Movimento Integralista para ilustrar o post e a denúncia do ocorrida na festa Gambiarra, no último domingo. Explico.

O integralismo é um movimento brasileiro de inspiração nazifascista.

A doutria do nazismo defendia a uniformização do indivíduo.

Pregava a limpeza da raça e a intoleância contra as minorias.

Acreditava no super-homem saudável, preservava os bons valores familiares.

E apenas um Estado forte e repressor garantiria seus princípios.

Seres viciados e com deficiências deveriam ser banidos.

O homem se espelhava na perfeição física dos exemplares da Grécia antiga.

Alcoólatras, fumantes, drogados devem ser execrados- Hitler, por sinal, foi um dos primeiros grandes antitabagistas.

Nada deve estar acima da lei do Estado

Está no programa do Partido Nacional Socialista Alemão:

O primeiro dever do cidadão é trabalhar, física ou intelectualmente. A atividade do indivíduo não deve prejudicar os interesses do coletivo, mas integrar-se dentro desta e para bem de todos. É por isso que pedimos:

A supressão do rendimento dos ociosos e dos que levam uma vida fácil, a supressão da escravidão do juro.

Pedimos uma luta sem tréguas contra todos os que, pelas suas atividades, prejudicam o interesse nacional. Criminosos de direito comum, traficantes, agiotas, etc., devem ser punidos com a pena de morte, sem consideração de credo religioso ou raça.

Pedimos que o Direito romano seja substituído por um direito público alemão, pois o primeiro é servidor de uma concepção materialista do mundo.

O Estado deve preocupar-se por melhorar a saúde pública mediante a proteção da mãe e dos filhos, a introdução de meios idôneos para desenvolver as aptidões físicas pela obrigação legal de praticar desporto e ginástica, e mediante um apoio poderoso a todas as associações que tenham por objetivo a educação física da juventude.
Pedimos a supressão do exército de mercenários e a criação de um exército nacional.

Kassab não é integralista. O Serra muito menos. Mas baladeiros não são inimigos do Estado. Nem a boemia, um câncer. Deveria haver um pacto.

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10.agosto.2009 17:38:51

Festejar o quê?

O que está acontecendo na cidade de São Paulo?!

Tudo bem, não se pode beber, fumar, fazer barulho até antes da meia-noite. Muitas baladas dos Jardins foram fechadas. Em blitze, tratam pessoas que querem se divertir como se fossem criminosas. Fiscais e policiais caçam com sangue nos olhos o lazer que consideram ilegal.

Arrumam-se motivos para acabar com a diversão alheia. Burocratas engravatados decidem o que se pode ou não fazer. A cidade, que quer cultura e se entreter, conhecer e festejar, enfrenta a tropa de choque da caretice.

Kassab & Cia limpam a cidade, até de diversão. Quem são esses caras? Saem à noite, têm amigos, vida social? A TFP tomou o poder?

Se fumamos dentro de um espaço público, vem a lei antifumo. Se todos saem à calçada para fumar, vem a lei do silêncio. Não há cinzeiros, porque a lei proíbe. Se batemos papo, vem o PSIU. E tem autoridade que quer proibir a bebida para depois das 23hs.

Até com quanto decibéis podemos rir? Serenatas, nem pensar. Podemos olhar a lua e uivar?

Deveriam ir ao divã, para se perguntarem por que detestam ver outros mais felizes.

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Recebi este comunicado dos amigos que produzem a festa GAMBIARRA. Me solidarizo.

GAMBIARRA INFORMA SOBRE OS FATOS OCORRIDOS NA NOITE DE ONTEM – 09 DE AGOSTO DE 2009:

A Gambiarra caiu na boca, e no coração, do povo. E, infelizmente, nos olhos de ganância de invejosos. Ontem, por volta das 2h da manhã, cerca de 10 viaturas da Guarda Civil Metropolitana, lideradas por dois fiscais da Subprefeitura da Sé (Tiago Augusto Inácio Gomes da Silva e Rafael – que não quis revelar o sobrenome), que não portavam identificação, cercaram as 3 entradas da festa, armados, e sem portar nenhum mandato ou coisa parecida, e bloquearam todas as portas da casa contra a vontade dos organizadores da festa. “Ninguém mais entra nem sai da casa”, disse o Rafael a um dos organizadores, impedindo inclusive a entrada do mesmo, que estava no momento na rua orientado os clientes que acabavam de chegar, e causando conflito com os clientes que já haviam pagado e queriam simplesmente ir embora.

Sem conversarem ou darem qualquer satisfação, arrancaram e confiscaram à força os banners das 3 portarias (inclusive agredindo um dos funcionários), sendo que todos os banners foram feitos dentro dos limites impostos pela própria prefeitura no Cidade Limpa.

A Gambiarra obedece ao PSIU (o nível de som que ultrapassa as pistas é muito pequeno), ao Cidade Limpa (todos os banners têm metragem muito menor do que o máximo permitido) e agora à Lei Anti-Fumo (no final de semana anterior à entrada em vigor da lei o cigarro já foi proibido na casa e foi criada uma alternativa para as pessoas entrarem e saírem da festa para fumar). Além disso, a casa, que conta com 3 pistas distintas, tem alvará de funcionamento para cada uma delas.

Ainda sem informar o motivo da “fiscalização”, os fiscais e os policiais invadiram a festa. Depois de verificarem que não havia fumantes nas pistas de dança, e exigirem que o som fosse desligado à força, fizeram o primeiro pronunciamento: “Queremos ver o alvará de funcionamento da casa”. Imediatamente, claro, foram encaminhados pela produção ao escritório onde tiveram em mãos os 3 alvarás de funcionamento.

Não satisfeitos, ordenaram o imediato desligamento do som e a retirada de todas as pessoas da festa para que fosse feita a contagem de quantos freqüentadores estavam presentes naquela noite, um por um.

Pressionados, por policiais armados, os produtores foram aos microfones das pistas para comunicar os clientes de que eles infelizmente tinham que sair.

O dj da Pista 1 ainda tentou resistir tocando algumas músicas da época da Ditadura, já com um volume bem baixo, embalado por um coro dos próprios freqüentadores, mas logo teve que ceder por ameaça policial.

Neste momento, as 1.400 pessoas presentes na festa se encaminharam para os caixas. Não bastando, e bloqueando todas as saídas, os policiais, inconseqüentemente, abriram uma das portas da festa, sem autorização e controle dos proprietários, permitindo a saída de várias pessoas ao mesmo tempo sem o pagamento da comanda, causando tumulto, gritaria e prejuízo à casa.

Terminada a contagem exigida pelo fiscal e totalizadas quase 1400 pessoas (o que estaria dentro da normalidade, caso ele considerasse o alvará das 3 casas utilizadas conjuntamente), os fiscais da prefeitura deram a primeira e única satisfação para os donos da festa: ” Vocês não podem juntar 3 casas diferentes numa só festa. Nós só aceitamos 1 dos seus alvarás, com capacidade para 510 pessoas. Vocês precisam de 1 alvará coletivo para as 3 casas”. Informação esta nunca notificada anteriormente pela própria Prefeitura.

Com a casa já vazia, os fiscais abandonaram o local sem efetivar uma notificação do ocorrido – ação esta que deve vir antes da multa e muito antes de uma expulsão arbitrária e ditatorial.

Com prejuízos inumeráveis, tanto para os organizadores da festa como para os clientes, tamanha irresponsabilidade, que poderia ter provocado tumulto de proporções catastróficas, acabou com uma noite de uma das festas que mais respeitam todas as leis impostas por esse governo, sempre pensando no bem da população.

Alertamos a imprensa que tal fiscalização não teve relação direta com a Lei Anti-Fumo, conforme publicado em alguns veículos. Não havia nenhuma pessoa fumando dentro da festa e os agentes em nenhum momento se identificaram como fiscais da nova lei.
Independente do acontecido, a Gambiarra continuará alegrando nossos domingos e desabando água, pra lavar o que tem que limpar.

“Nós lamentamos o fato ocorrido e pedimos a todos os amigos e freqüentadores presentes na noite de ontem que entendam nossos esforços no sentido de adequar sempre a festa às leis e ao conforto de nosso público”.

Os freqüentadores que tiveram os ingressos devolvidos poderão utilizá-los para entrar gratuitamente na festa numa próxima edição de domingo
(não válido para a Edição Especial na The Week, no dia 14 de agosto).

Qualquer manifestação no sentido de repugnar tal ato ditatorial deve ser enviada para  gabinetedoprefeito at prefeitura.sp.gov…., diretamente para nosso prefeito Gilberto Kassab.

Grande abraço,
Produção Gambiarra – A Festa
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