Vi a entrevista da grande-pequena diretora e iluminadora Cibele Forjaz no Jô. No final, ela comentou rapidamente que há 6 meses cancelou o Speedy, mas a Telefonica continua cobrando na sua fatura mensal, apesar de ligar diversas vezes.
Li no blog do grande e feliz torcedor do Sport Xico Sá que ele há dias tem problemas com o Speedy, pois mudou de casa, e não consegue postar.
Cancelei o Speedy em janeiro. Fui pro Virtua: mais barato [eu já tinha a NET digital] e mais rápido o upload. No mesmo dia, cancelei o Speedy. Me deram um número de protocolo, depois de tentarem me demover da ideia. Marcaram de pegar o modem, mas nada.
Em março, vi que continuavam me cobrando. Liguei. Me passaram para outro setor e me deram outro número de protocolo.
Em abril, continuaram me cobrando. Liguei. Me passaram para um terceiro setor, e ganhei mais um protocolo. É uma mensalidade de R$ 110,97. Cem paus por protocolo. Já me vejo sustentar essa empresa por muito tempo.
Comentei com uma amiga, que também teve problemas com a Telefonica. A resposta dela me surpreedeu: “Você tem um advogado?” Ela entrou com uma ação de pequena causa, e só assim recuperou o que não consumiu.

ARTE QUE VEM DA ESPANHA
A empresa é a campeã de queixas no PROCON. E aí? Vai ficar por isso mesmo?
*
O comando antidivertimento da Capital, apoiado na lei do PSIU, fechou diversos bares e boates dos Jardins, bairro residencial e de muitos condomínios familiares. Até aí, nada demais. Já fui morador dos Jardins, e o bairro não combinava com aquela balbúrdia.
Descobriram o Baixo Augusta, que já tinha tradição de tolerância com os boêmios. O VEGAS foi o pioneiro. A circulação da rua mudou. É agitada. Colorida. Ligeiramente pacífica.
Nos últimos meses, fui à inauguração de muitos bares e um teatro: CARNICERIA (Rua Augusta), VOLT (Rua Haddock Lobo), MINITEATRO (Pça Roosevelt) e SONIQUE (Bela Cintra). De todos eles, apenas o SONIQUE tinha acesso para deficientes físicos, como exige uma lei de 1996.
O que acontece? Não culpo os donos dos locais, alguns amigos, empreendedores que lutam para trazer diversão à cidade, pagam caro, enfrentam a burocracia. Mas seus arquitetos e engenheiros precisam reciclar. E a prefeitura, orientar.
A lei do acesso universal é motivo de orgulho da cidade e de movimentos dos deficientes, que há décadas batalharam por ela. Foi rigorosamente cumprida na gestão MARTA, SERRA e até na do MALUF. Já na atual… Perdemos uma batalha.
O caso mais gritante é do ZAHI CLUB (Rua Ignacio Pereira da Rocha, 520). Por quê?
A casa é no antigo BLEN BLEN, espaço que marcou época e era dirigido pelo Alemão e Guga Stroiter. E que, antes mesmo da lei de 1996, por pura solidariedade, se adaptou todo. Até instalou um elevador improvisado para cadeira de rodas, desenhado por eles mesmos.
Era uma casa que usávamos como modelo, para convencermos outras casas de como deve ser o desenho universal, quando ainda não havia uma norma técnica.
Os atuais donos do ZAHI são do Paraná, gastaram uma boa grana na reforma, eliminaram o acesso e desmontaram o elevador. Fiquei chocado, quando tive que ser carregado para subir uma escada, para ver o show de Gero Camilo e Chá de Boldo [love, love, love...].


Os donos ficaram envergonhados e prometeram mudanças. Vou ficar de olho.
Militância é um movimento sem fim.
Se nasci um guerrilheiro, morrerei um.
*
Dilma, a Ministra-Chefe da Casa Civil, NEGA a sua suposta participação no suposto plano de sequestro do Ministro Delfim Netto, nos anos de chumbo, boato que circulou pela internet, através de uma ficha do DOPS falsa.
Teve jornalista que caiu no conto e divulgou a notícia.
A tal ficha foi preenchida por uma máquina de escrever elétrica, que não existia na época. E, quem conhece a história, sabe que Dilma, a guerrilheira Wanda [ou Estela], foi presa antes.
Dilma era do Colina (Comando de Libertação Nacional). Em 1969, se uniu à VPR, de Carlos Lamarca, resultando daí o VAR-Palmares. Mas a nova organização durou 3 meses. O Colina defendia uma luta com a massa. A VPR, ações armadas. O resultado foi um racha num congresso tumultuado. Em meses, a repressão caiu em cima.
O próprio responsável pelos arquivos do DOPS, depois de ver a ficha original, afirmou que não tinha essa ficha por lá e desconfiava que era falsa.

Na nossa fantasia, vinham as imagens de uma guerrilheira jovem, estudante, sequestrando o todo-poderoso Ministro gordinho, braço civil da ditadura, empurrando-o para dentro de uma Kombi de placa fria, empunhando um 3-oitão enferrujado, imaginando lutar pelo socialismo, gritando “ousar lutar, ousar vencer! abaixo a ditadura!”, e que esse gesto seria aplaudido pela massa, que iniciaria uma revolução; o estopim de uma era que traria liberdade e justiça.
Puro fetiche…
Tenho que enviar às quartas minha coluna para o Caderno 2, que é publicada sábado sim, sábado não. Terça é o dia em que me fecho, para prepará-la. Às vezes, o tema já está na cabeça há dias. Às vezes, vem na hora.
Luis Fernando Veríssimo me disse, uma vez, que costuma escrever em cima do prazo. Já me aconteceu. Quando morreu o Renato Russo, tive que escrever um texto para a Ilustrada, em que trabalhei 13 anos, antes de vir para o Estadão, em 50 minutos. Chorando, pois soubera da morte do amigo naquele instante.
A ginástica jornalística é uma grande escola para os escritores. Aprende-se a ser conciso, rápido, direto, objetivo. Aprende-se que um texto de 3 páginas pode ser resumido em 2 parágrafos. Aprende-se que é preciso ter algo a dizer. Não que seja sinônimo de boa literatura. Textos imprecisos, longos ou digressivos podem ser lindos.
Na última terça, me deu um branco. Me sentei no computador e fiquei horas olhando a tela sem saber sobre o que escrever. O cronômetro corria. Na quarta, eu não tinha nada. Apenas um prazo para enviar a coluna. Não me vinha nada. Então, decidi escrever sobre como foi dirigir A NOITE MAIS FRIA DO ANO, como você já deve ter percebido aqui, minha nova obsessão.
Foi um texto pessoal, sem censura.
Passeando pela Praça Roosevelt no fim de semana, em que se reúne gente de teatro, vieram me cumprimentar. Pediram para eu postar aqui. Os pães-duros e duros que não compram o jornal. Tudo bem, vai…
A peça termina nesse fim de semana no SESC PAULISTA. Iremos para VITÓRIA 7 e 8 de maio, no Teatro Universitário. Depois, Suzano, na Grande São Paulo, para reestrearmos no ESPAÇO PARLAPATÕES em 9 de junho, para uma temporada de 2 meses.

Herr Direktor
Ela trocou tabefes com o marido e se refugiou na casa do ex, que é louco por ela até hoje. Relembram sua história. Lamentam o presente. Discutem se o amor acaba. Quando o ex vai para a cozinha, ela fica na sala, sentada no sofá, olhado pelo espelhinho as marcas no rosto.
Toca o celular dela no fundo da bolsa. Pode ser o marido desesperado, arrependido ou furioso.
“Não olha para a bolsa. Levanta, vai até a estante, toma uma bebida. Quando parar de tocar, você olha para a bolsa”, eu disse para a atriz Paula Cohen num dos primeiros ensaios de A Noite Mais Fria o Ano.
Não havia planejado aquilo. Assistindo-a, me veio a marca. Claro. A personagem quer evitar aquele celular, quer cortar, pelo menos naquela noite fria, em que revive uma paixão que não se apaga, o contato com o marido atual. Quer adiar a decisão: voltará para casa, perdoará?
Eu dirigia, depois de acompanhar ensaios de muitos textos meus, dirigidos por outros, sem intervir, palpitando pouco, respeitando suas decisões. Agora, eu era o controlador de voo. E toda vez que vejo a personagem aflita, no palco do Sesc Paulista, evitar a bolsa com o celular tocando, penso orgulhoso: sua primeira marca.
Os ensaios duraram três meses. Nas primeiras semanas, lemos o texto numa mesa da sala de estar do apartamento da produtora. Até aí, nenhum mistério; como autor, participei de muitas leituras, regi a dinâmica, expus os conflitos de cada personagem, dei dicas sobre suas intenções.
Então, fomos para uma sala de ensaios da Funarte. Chamei Fernanda D’Umbra para me assistir. Ela ajudou a marcar as primeiras cenas, passou tarefas, cobrou empenho. Mas não pode continuar.
Diante de mim, o novato, quatro atores experientes- dois deles autores-diretores, Mário Bortolotto e Hugo Possolo, premiados, escolado. Alguns já com o texto decorado, outros com ele na mão, esperavam minha regência. Pânico. Será que sou um diretor marronzinho, aquele que indica “entra pela esquerda, vira à direita, em frente, sai”? Por onde começar?
Eu tinha já pensado em algumas soluções. Coreografado nas insônias alguns momentos. Porém, a missão é levantar o espetáculo.
Uma vez, Andréa Beltrão me disse que seu método para construção de personagem é observar anonimamente pessoas nas ruas. Passei dias no metrô, sequestrando manias.

Lhasa de Sela
Dan e Carol se conhecem numa aula de ioga. A atriz já fez ioga. Facilitou. Depois, dançam Lhasa De Sela. Lucy, a amiga que indicou a música, sempre me disse que, se eu a usasse, teria que ser numa peça boa. Será que essa é boa suficiente? Aliás, a única marca que eu tinha era o casal dançando Lhasa. Me lembrei de Pina Bausch e Felipe Hirsh, em que dois casais dançam, em Som e Fúria, Cesaria Évora. Está aí: dirigir é buscar referências. Ou chupar?


Dançavam Lhasa rindo. Não. É a primeira dança de vocês. É a música das suas vidas. Dancem sérios. Sem tirar o olho do outro. Porque está nascendo um amor diferente entre vocês. Daqueles que nunca terminam.
Então, a personagem Carol diz: “Sabe que gosto do seu humor, do seu cheiro, do seu jeito de lavar as mãos, abrir um vinho, me tocar. Me beija.” Beijam-se. Ela continua: “Sabe que gosto do jeito que me olha. Me come!”
Sugeri, na semana da estreia; “Tire ‘sabe que gosto do jeito que me olha’ e vai do ‘me beija’ pra ‘me come’.” Era o diretor negando o autor. Eu mesmo cortando a minha peça, me enxugando. Porque, agora, só raciocinava o diretor. Eu dormia e acordava diretor, num mergulho fascinado, dopado por um soro que gotejava minuto a minuto.
A peça se ergue. Hugo, como Dan, diz algo para Carol e sai andando. A marca me incomodava. Afinal, ele está na sala do seu apê. Parei o ensaio, disse no seu ouvido. “Para onde você está indo?”
“Vim dar um rolê pelo apê”, respondeu o ator-palhaço. Rimos. “Não. Você se senta. Não sai andando pelo apê”, pedi.
A intimidade com o texto facilitava. Testemunhar décadas do fazer teatral ajudava. Toda a minha vida no e com o teatro regurgitou.


Me veio Zé Celso dirigindo meu amigo Otavio Muller num Beckett, pontuando cada fala, criando imagens para o jogo teatral. Lembrei de José Lewgoy, me contando pouco antes de morrer, que Glauber dirigiu Terra em Transe ao lado dos atores, na orelha deles, exigindo o controle de músculos, indicando cada expressão. Lembrei de um ensaio em que vi de Gerald Thomas dirigir Bete Coelho, pedindo para ela entrar mancando. No dia da estreia, virei para o Hugo e disse: “Entra mancando.” O personagem cresceu como um trem chegando na estação.
O personagem Renato (Alex Gruli) aponta a arma para Caio (Bortolotto), que gritava: “Me mata, cara. Se você tem amor por você mesmo, me mata. Vai! É fácil!” Do nada, sugeri para não gritar, e sim falar com toda a tristeza que vive. Alguém que quer morrer sofre.
Renato fica atrás de Mário, sentado num banco de praia. Sente ódio. Pedi: “Faz uma massagem nele.” Anos de massagens recebidas favoreceram a composição. Ao ter a arma apontada contra sua cabeça, Renato se apavora. “Chora, grita”, pedi. Diferentemente do outro, Renato quer viver.
“Eu estava com saudades de você”, diz Carol, aliviada por poder desabafar com o ex. “Vai até ele engatinhando. Todo homem sonha em ver a mulher que foi embora engatinhar e dizer que estava com saudades”, pedi. Agora, era eu, o homem já abandonado, que se vingava através de uma marca. Para isso serve o teatro?


Ao final, Dan sente raiva. “Joga o banco contra a parede”, determinei. Alguém comentou que quebraria o banco. “Se quebrar, melhor”, respondi. E me veio a última cena de No Retrovisor, minha peça dirigida por Mauro Mendonça Filho, em que os personagens destruíam o cenário num acesso de fúria, desespero e anarquia, obrigando os remendos com fita crepe para a próxima sessão. O banco não quebrou ainda.
Jogo com o elenco. Caio dança uma música que toca no radinho do quiosque. “Quando danço, veem me acudir, acham que estou sendo atacado por vespas. Sou muito travado, não tenho ritmo”, diz. Pedi para o Bortolotto escolher a música da sua dança. Escolheu um Dr. Hook que marcou a sua adolescência. Dança com alma.
Se é boa a peça, Lucy? Não tenho ideia. Bom foi fazê-la. É bom fazer algo em que se acredita e desopila.

Agora é a grande Daniela Thomas quem pede para divulgar a campanha que, pelo visto, vem do Rio. Desiludidos pela distribuição de passagens a amigos/familiares feita pelo Gabeira, o último ético?
Não sei se concordo com ela. Não acho que o problema seja pessoal, mas estrutural. Tirem os 500 e tantos, e virão outros 500 e tantos com os mesmos vícios e privilégios, vivendo numa ilha de fantasia de orçamento sem controle e ilimitado. E escolheríamos corretamente os 500 e tantos da próxima eleição? Se não escolhemos na anterior, por que seria diferente?

Poder é entorpecente. Gabeira e tantos outros vivem viajandão, dopados por um poder que dissipa a fronteira entre certo e errado, moral e amoral. Os gabinetes fechados e a gastança histérica os trasformam em seres mutantes, semideuses, que se afastam de nós.
Aliás, não fomos nós quem os colocamos lá? Bem, não tenho moral alguma. Votei no Zé Dirceu em 2002. Fritarei no inferno.
O problema do Brasil é que os 3 Poderes não têm fiscais. Onde eles estão? Ah, sim, somos nós, o povo. Quem escolhe nossos líderes. E somos inelegíveis. Não se vota em nós, o povo. Não podem nos trocar a cada 4 anos. Essa matemática não fecha: executivo + judiciário + legislativo = povo.
Nosso porta-voz DOMINGOS OLIVEIRA pede que DIVULGUEMOS este manifesto que escreveu. Quando ele pede, a gente obedece. Concordo 100%. Aliás, como sempre, quando se trata de DOMINGOS OLIVEIRA.

CARTA ABERTA AOS ARTISTAS DE VERDADE OU OS OPERÁRIOS DA CATEDRAL
Se você tem certeza que é um artista de verdade, que sua razão de ser é a Arte, que sem a Arte você morreria, leia isso: É um chamado, uma convocação. Pouca gente sabe o que é a Arte. E, no poder, quase ninguém. Por isso acontecem absurdos como essa badaladíssima discussão. Juca Ferreira versus Lei Rouanet. E a coisa da OS (Organizações Sociais). São movimentos atuais que em resumo consistem em entregar o dinheiro disponível para a Cultura, através de várias Leis e processos, para o Governo. Aumentar o Poder do Governo, confiando em seus critérios para julgar. De que modo deve ser usado o dinheiro público (isenção de impostos ou outras coisas).. É claro que os destinos do cinema e teatro brasileiros não devem continuar sendo regidos por diretores de departamentos de marketing (embora eles tenham se comportado, até hoje, razoavelmente bem). Como este ponto é indubitável, J Ferreira ganha sempre as discussões, posto que está com a razão. O dinheiro público deve ter a tutela do governo, para que possa ser aplicado no bem comum. E nesse tipo de teoria, perdemo-nos todos em reuniões infindavelmente monótonas e vazias de conteúdo. Claro que o dinheiro da Arte e da Cultura deve ser comandado pelo Governo. A propósito, deve ser dito que já é. Posto que os maiores patrocinadores são estatais (Petrobrás e outras). Não é importante saber se o dinheiro fica com o Juca Ferreira ou com a Petrobrás. O importante é saber o que eles vão fazer com isso. E eis que chega a pergunta que ninguém faz, por falta de coragem:
- Que tipo de filme ou peça o ministro JF acha que deve ser produzido? Quem vai levar o dinheiro? É isso que interessa. O ministro imediatamente argumentará que essa decisão não é dele, e sim das comissões que constituirá. Será uma inverdade quando ele disser isso. Perigosa inverdade. As comissões são controladas por quem as nomeia. Sendo sempre altamente manipuláveis. De modo que é preciso saber qual é o gosto pessoal do Juca. Que concepção ele tem da Arte e da Cultura. Observemos que começa aqui a fatal confusão. A Arte faz parte da Cultura, mas não é a Cultura. É maior e mais importante que a Cultura, ou pelo menos pertence a outro departamento. Cultura é Educação. É uma coisa que se preocupa, que aprende, que bebe na fonte do passado. A Arte é a locomotiva da Cultura. É o arauto que anuncia o futuro. A Arte diz respeito àquilo que não existia ainda, e está sendo criado. A Arte defende a humanidade.
Quando escrevo essas palavras estranhas, pressinto a incompreensão. São transcendentes, confesso. A Arte é transcendente. É a mais forte arma de comunicação, recurso didático para tornar os homens civilizados. A Arte ensina aos homens seus maiores valores. O amor, a dignidade, a honra, o patriotismo, a cidadania, a solidariedade. Por causa deste nobre alcance, a Arte jamais é citada em debates públicos. A massa burguesa da maioria encarregou-se nos últimos séculos a desmoralizar a palavra Arte. Segundo estes tolos, a Arte é uma coisa desnecessária, fútil, em geral exercida por gente que não gosta de trabalhar. Quando, na verdade, a Arte é o único trabalho verdadeiro. Se você não entende essas palavras ou se elas irritam, pare de ler esse artigo já. Ele não é pra você. Você pode ser um bom sujeito e até um pensador lúcido, mas não é um artista.
Juca Ferreira é um homem forte. De um carisma notável, eloqüência, e, por que não dizê-lo, simpatia irresistível. É preciso saber de um homem desses o que ele entende por Arte.
Repito. Que filmes e peças deveriam ser feitos com o dinheiro público, segundo a opinião pessoal dele?
Para exigir a resposta dessa pergunta, convoco meus pares, os artistas, a repercutir esse artigo. Faz anos que preconizo a existência de um Ministério da Arte. Todos tem medo de mim e preferem me achar ridículo, pensar que estou brincando. Não estou. Penso que a Arte é o que sustenta a Cultura, o que a leva para frente. Não existiria o cinema e o teatro brasileiro sem Glauber Rocha e Nelson Rodrigues. É o artista que tem que ser protegido pelos governos.
Não pensem que puxo a sardinha. Os bons artistas, como eu e muitos, sobreviverão de qualquer jeito. Com Ministério ou sem, não importa as reuniões de Juca Ferreira.
É a Arte que vai abrir os mercados internacionais. É a Arte que nos dará o respeito do público. A Arte é o retrato do país. Um país pobre como o nosso não pode gastar dinheiro público com filmes e peças ruins. Somente devem ser feitos peças e filmes bons! E quem vai decidir o que é bom ou ruim, pergunta o leigo incauto. Ele responde: Isto não pode ser posto em Lei, é subjetivo. Engano fatal. O único que pode julgar a arte é o artista. E não é difícil reconhecer um artista, a primeira vista. É aquele que ama realmente a humanidade e constrói uma obra sobre esse amor.
Atualmente, a palavra “diversidade” sacralizou-se. Quem duvidar disso, morre. Concordo com a diversidade. Mas ela está abaixo do critério da Arte.
Todas as comissões propostas são mistas: minoria dos artistas, maioria de burocratas ou técnicos interessados no assunto ou no prestígio. Isto está errado. Os verdadeiros artistas devem ter a maioria de qualquer comissão, porque somente eles entendem o que é a Arte. É pretensão de outros querer julgar a atividade artística.
Enfim, as palavras cansam.
Sei que somente serei entendido pelos artistas de verdade. Para eles que escrevo e peço que não me deixem sozinho e repercutam, a seu modo, esse meu artigo. Tenho certeza que vocês concordarão, sendo artistas verdadeiros.
Na prática, confesso que sou a favor do Juca e das OSs. Um homem deve lutar pela Lei correta. E depois lutar, mais agressivamente ainda, contra aqueles que aplicam mal a Lei. Essa é uma briga que vem depois. Apesar de que eu, artista, não tenho tempo pra isso. Minha obra me espera. Tenho pouco tempo. A eternidade seria pouco…
Somente a Arte salva, sem a Arte não há salvação.
“Oh, minha alma! Não aspira a vida imortal, porém esgota o campo do possível” (Píndaro)
Por favor, repercutam, companheiros.
Com todo respeito ao ministro, e até confiança,
Domingos Oliveira.
Dois filmes mexeram comigo nessa semana.
1. SYNECDOCHE, NEW YORK, o primeiro longa do roteirista que arrasta admiradores, Charlie Kaufman (QUERO SER JOHN MALKOVICH, BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS), que decidiu acabar com intermediários e arriscar na direção.

Cadem (Philip Seymour Hoffman) é um diretor de teatro hipocondríaco. Sua mulher parece entediada. A filha assimila o pânico do casal. Ele dirige uma peça de teatro (A MORTE DO CAIXEIRO VIAJANTE, de Arthur Miller), colocando dois atores jovens para fazer papéis idosos. Ela pinta quadros minúsculos. Pouco a pouco, doenças aparecem nele. Sua pupila indica problemas neurológicos. Passa a não salivar nem a produzir lágrimas. Depois, tem espasmos e apnéia.
A mulher se manda com a filha para Berlim, abandona o cara, não dá notícias e vira celebridade. Cadem recebe uma grana para criar um espetáculo de grandes proporções. Escala um elenco gigantesco, se instala num armazém e passa o resto da vida ensaiando uma peça hipernaturalista, que fala de todos os momentos da sua vida, inclusive das duas recentes separações e do seu caso sem fim com uma bilheteira de teatro, que mora numa casa sempre em chamas.
O filme foi mal recebido pela crítica. Eu esperava encontrar um cinema vazio. Mas abarrotou- voltava gente. Muitos curiosos para ver mais uma trama desse roteirista que sempre surpreende, fala dos dilemas humanos como poucos e traz um protagonista que procura, até a velhice, entender porque seu primeiro casamento, “o casamento”, não funcionou.
O filme é longo e pretensioso. A trama dá um nó. Mas vale a pena. Sou suspeito. Porque me identifiquei do começo ao fim. Como Cadem, sou hipocondríaco, tive uma vida amorosa incomum [eu ia escrever "atribulada", mas qual vida amorosa não é?] e escrevo sobre a minha vida ou uma simulação dela, buscando naturalismo, explicações, maneiras de me desculpar.
Outro dia, conversando com uma amiga atriz recém-separada, nos perguntamos se o comum é estar casado com a namorada da faculdade, ter filhos e uma aposentadoria planejada, ou viver como a maioria das pessoas com quem convivo, que tem muitos casamentos, profissões de risco, de altos e baixos, que prefere abandonar um casamento do que mergulhar numa crise em busca de soluções. Sim, invejo casais casados há mais de 20 anos. Sou um romântico abestalhado. Apesar de viver no [e do] caos. Quem está certo, se é que ele existe? Ando piegas pacas… É a idade. Ou o inferno astral. Bem, quem fala “pacas”, tem uma bem avançada.
E adoraria ter um mega elenco representando todos os passos conturbados que vivi, para me exibir meus sentimentos contraditórios, complexos e doloridos. E ensaiá-lo até o fim da vida. Eita ego… Kaufman mergulhou na própria carreira, para entender o sentido do que faz. Vive da sua vida. Isso é ser escritor: viver da vida.

2. O outro filme foi O EQUILIBRISTA, de James Marsh, vencedor do Oscar de documentário de 2009, que relembra a aventura do francês Philippe Petit, artista de rua performático, que há 35 anos se equilibrou sobre um cabo de aço estendido entre as torres gêmeas do World Trade Center (Nova York).
Planejou a empreitada assim que soube que os dois prédios seriam construídos. Arregimentou amigos, foi diversas vezes a NY, falsificou documentos, burlou a segurança, treinou (já tinha andado sobre um cabo em Paris, na Notre Dame, e numa ponte de Sidney). Era uma operação de guerra, quase um atentado sem vítimas contra o empreendimento destruído no 11 de Setembro.
E pra quê? Ele mesmo não soube explicar, indagado pela imprensa depois do feito. Não queria chamar a atenção para nenhuma causa, não vendia um produto; ao contrário, gastou uma grana para apenas andar sobre um cabo de aço a 450 metros do solo, num símbolo da engenharia e de um País. Até o guarda que o prendeu se maravilhou com o feito. E pra quê? Pra se equilibrar, arriscando a própria vida. Algo que nos toca, nós é comum, nos remete à liberdade, como uma travessura infantil. É uma provocação contra a normalidade, o equilíbrio sobre o desequilíbrio.
Tenho um ENORME quadro em casa chamado O Equilibrista, pintado para mim pela minha amiga de infância Cacau. Ela disse que o quadro é a minha cara. Almoço todos os dias diante dele, me perguntando se sou realmente um. Quem não é?

Minhas amigas atrizes Lua e Cacá me pediram uma crônica, para enquadrarem assinada e leiloarem na exposição BRUTAL, que abre hoje em São Paulo no Coletivo Galeria (Rua dos Pinheiros, 493). Me senti honrado e curioso. Alguém comprará?
Ela faz parte de um projeto mais amplo: montagem a peça BRUTAL, de Mario Bortolotto (direção Marco Loureiro). A lista dos colaboradores é grande, de cartunistas, poetas, fotógrafos, atores, desenhistas a escritores: Kitagawa, Carcarah, Daniel Galera, Pereio, Mutarelli, Bortolotto, Xico Sá. Ale Youssef deixa temporariamente seu STUDIO-SP de lado para discotecar. A noite promete; até a polícia ou o PSIU aparecerem.

Quando me pediram a crônica, pensei logo numa que escrevi há uns anos e que repercutiu, O AMOR NÃO ACABA, uma resposta otimista e apaixonada [não muito convicta, confesso] à famosa crônica O AMOR ACABA, de Paulo Mendes Campos, que foi citada enquanto eu levava um surpreendente, desesperador, aviltante, torpe e indigno pé-na-bunda. O paradoxo dos paradoxos aconteceria se ELA aparecesse e comprasse o quadro!!!

Diz o original de Mendes Campos: “O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos…”
Cá está minha versão resumida, para caber numa lauda:
O amor não acaba
O amor acaba? O cara disse. Numa esquina, num domingo, depois do teatro e do silêncio, na insônia, nas sorveterias, como se lhe faltasse energia. Ele não volta? Não deixa rastro ou renasce? Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está, na sombra apagada pela luz, na poeira suspensa, na revolta da memória inconformada. Na solidão, lá vem ele, volta, com lamento, um quase desespero, e penso nos planos perdidos, que vida sem sentido… Na insônia, o amor cai como uma tonelada de lápide, e se eu tivesse feito diferente, e se eu tivesse sido paciente, e se eu tivesse insistido, suportado, indicado, transformado, reagido, escutado, abraçado? Na sorveteria, ele volta, o amor, em lembranças. Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida dela, aquela sorveteria era a preferida dela, aquela esquina, aquele bairro, aquele clima, aquela lua, aquele mês, aquela temperatura, aquela raça de cachorro, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos… No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, rirem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, escreverem ao lado do Atlasado: “Eu te amo”. Saudades é amor. Não se tem saudades do que não se amou. O amor não acaba, porque tenho saudades, me lembro dela, me preocupo com ela, torço por ela, e se sonho com ela, meu dia está feito. O amor não pode acabar, porque sem ela ou sem a esperança de revê-la, até a chance de tê-la de volta, não vejo a paz. Ela é uma trégua na minha guerra pessoal contra a minha paixão por ela. Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou. Passei meses amando como se não tivesse acabado. Ficaria anos amando mesmo se não tivesse voltado. O amor não acaba, muda. O amor não será, é. O amor está. Foi. Nas tantas músicas que ouvimos, que dançamos colados, trilhas das noites frias em que você sentava em mim nua, enquanto os meus braços imobilizavam os seus. Amor. O não-amor é o vazio. O antiamor também é amor. Eu te amava quando você respirava no meu ouvido. Lembra do meu dedo dentro de você? Amo-te, amo-te, amo-te. Instante secreto, sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz: Eu te amo! O amor acabou quando você se foi? Você sentiu saudades das minhas paredes, das cores das minhas camisas, da umidade da minha boca, do cheirinho do meu travesseiro, da minha torrada com mel, das noites pelados assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol, do café da manhã com jornal, você sentiu falta de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, de eu te indicar um livro, do cinema gelado em que vimos o filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, você sentiu falta da minha risada, inconveniência, de eu ser seu amante, noivo, amigo e marido, dos meus olhos te espiando, dos meus dentes mordendo e mastigando, ficou tanto tempo longe e pensou em nós especialmente bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever, meu cheiro aparecia de repente, meu vulto estava sempre ali, acaba? Diz que acaba. Como acaba? Não acaba. Diz, não acaba. Repete. Falei? Não acaba. Pode virar amor não-correspondido. Pode ser amor com ódio, paixão com amor. Tem o amor e o nada. Ah, mais uma coisa. Antes que eu me esqueça. O amor não acaba. Vira. Se acabar, não era amor.
Será?
Sou aterrorizado pela ideia de que muitas coisas que nos acontecem são obras do acaso. Toda a evolução da espécie pode ter sido obra do acaso. Uma bactéria que sofreu mutação. Um peixe que resolveu caçar na praia. Um asteróide que eliminou os dinossauros e abriu espaço para o domínio dos mamíferos. O macaco que fez de um osso uma arma. Hitler que não conseguiu desenvolver a Bomba Atômica antes dos americanos.
O Universo pode ter sido obra do acaso: forças gravitacionais e quânticas se romperam numa grande explosão, o Big Bang, e cá estamos nós, numa escada rolante do metrô, na fila do bilhete único, discutindo se este disco do Caetano é melhor ou pior do que o anterior.
Minha avó Cecy conheceu meu avô Paiva num trote. Ele gostou da voz da inoportuna, que ligou no meio do expediente, e cá estou, em dúvida entre o Halls azul e o preto.
Conheci minha primeira mulher numa lanchonete, Frevinho. Se ela não estivesse lá naquele dia, eu não teria convivido 9 anos com ela.
NO DESERTO MOJAVE

Fui fazer teatro no CPT, porque encontrei um amigo da escola na Avenida Paulista, que me sugeriu fazer um curso de dramaturgia com o Antunes Filho. Meu primeiro livro foi uma encomenda de um editor. Se ele não tivesse me sugerido, sabe-se lá o que eu estaria fazendo.
O acaso e a sorte deu origem ao novo filme do meu amigo cineasta-surfista Mauro Lima. Há anos, trocamos e-mails com roteiros, peças, livros, opiniões e sugestões anexadas. É a tal amizade em que um lê a obra ainda inacabada do outro, para palpites.
Há dez anos, ele me mandou um dos seus roteiros engavetados, REIS E RATOS, um história policial divertida que se passa às vésperas do Golpe de 64. Há meses, ele teve a ideia de filmá-lo, aproveitando os cenários e figurinos de outro filme, BEM AMADO, de que foi co-produtor e se passa na mesma época. Só que tinha perdido o roteiro.
Me ligou desesperado. Não estava mais no meu computador nem no dele; diferentes dos de dez anos atrás. Busquei nos meus disquetes antigos. Encontrei-o casualmente num disquete de 3″1/2 jogado num fundo de gaveta. Mandei para ele.
O filme foi rodado em 13 dias (com Selton Mello, Rodrigo Santoro e outros), em preto e branco, com externas e cenas de estúdio, aproveitando a produção anterior de Guel Arraes. Mauro brincou comigo: “Você foi literalmente o script doctor desse filme…” Ou o script saver. A vida não é séria… Você também é vítima dos acasos decisivos?
DUAS PRIMEIRAS PÁGINAS DO ROTEIRO


Descobri que quase sempre sobra lugar na peça A NOITE MAIS FRIA DO ANO. O SESC bloqueia alguns ingressos, mas nem sempre seus convidados vão. Hoje, havia 9 lugares vagos na platéia. A lotação é em termos. Portanto, rola, se der sorte. Minutos antes, tais ingressos são colocados a venda. Ou então nos vemos no ESPAÇO PARLAPATÕES a partir de 9 de junho.
Só minha ex-mulher acertou. Ex-mulher tem um olho…
Aproveitando…
Muitos leem que A NOITE MAIS FRIA DO ANO não tem mais ingresso. É verdade. Não sei como aconteceu. Na segunda semana de estreia, esgotaram os ingressos. E ficamos até maio. Eu nunca tinha visto isso. Deve ser o prestígio do elenco e o preço do SESC.


Mas a partir do dia 9 de junho ficaremos em cartaz às terças e quartas no ESPAÇO PARLAPATÕES, 21h. Ingresso a R$ 30 e R$ 15 (meia, que é como 80% das pessoas pagam). Então, é só chegar chegando, aqueles que quiserem assistir.

Para aqueles que reclamam que só falo da programação cultural de São Paulo. A produtora-curadora Melina Valente está há um mês lá no fim do mundo preparando esta Bienal do Fim do Mundo, INTEMPERIE, que será exibida até na Antártica, onde tem mais pinguins do que gente.
Brinquei com ela que nem será preciso pedir que apareçam de black-tie na abertura. Se você passar por lá…
Já minha amiga Luciana Burlamaqui ficou 7 anos acompanhando a história da Sophia Bisilliat, que foi voluntária 20 anos no sistema carcerário e empresária do grupo de rap 509-E, formado na cela 509 do Carandiru. O resultado é o documentário ENTRE A LUZ E A SOMBRA, que será exibido sábado dia 25/04 no CCBB-SP.
Assisti ao material bruto. É imperdível. Uma história de amor sem precedentes.
E o filme FIEL já teve até ontem 20.963 pagantes. Esse fim-de-semana será muito importante, com a entrada de praças grandes como Santos, São Bernardo e São José do Rio Preto e o aumento do número de salas na capital. Todas as salas em que o filme estreou no estado de SP ficarão por mais essa semana, sinal de que o filme pegou.
A lista atualizada do circuito em que o fime está em cartaz está disponível no site:
Meu amigo Max, colega da Unicamp do final dos anos 70, me mandou esta foto através do Joca e jurou que estou nela. Tirada em 1979, numa ida a um congresso de estudantes a Campina Grande (PB) de busão. Foram 3 dias de viagem. Violão e pinga. Cruzando o sertão. Tudo para lutar contra a ditadura e pelo fim da repressão. “Abaixo a repressão, mais justiça e feijão!”, gritávamos.
Esses encontros eram as oportunidades para se conhecer o País, cruzar ideias e criar laços. Esses encontros existem ainda. Eu queria saber contra ou a favor do que eles lutam.
Demorei para me encontrar nesta foto. Irreconhecível. Magro, como um bambu. Onde estou?

2012
2011
2010
2009