
Não aguento mais ouvir uma voz feminina afirmar com amargura e rancor que não quer mais se casar. As muitas seguidoras de Paulo Mendes Campos acreditam que, se o amor acaba, para que começar outro.
São aquelas que se casaram de branco, no dia mais feliz de suas vidas, apaixonadas e entregues, mas que depois enfrentaram a ira de um ciumento, as neuras de um obcecado, as fraquezas de um viciado, se envolveram com famílias alheias intolerantes, conheceram a frigidez na rotina, a traição injusta seguida pelas mentiras incabíveis, e decidiram pôr um fim no sonho de eternizar aquele instante em que tudo parecia fazer sentido, as estrelas estavam próximas, em que nasceram um para o outro e morreriam grudados, na alegria e na doença.
Aquelas que já passaram por um ou dois casamentos e mergulharam no tombo da separação, em que a decepção troca de lugar com o amor, e o futuro vira pó.
Eu não aguento mais replicar: “Se o amor nos enlouquece, imagine a loucura que é ficar sem ele.”
Para aquelas que dizem não acreditar mais no amor, proponho então experimentarem outros e apostarem nesse bilhete só de ida.
Uma noite de prazer acaba. Um banquete acaba. Uma viagem inesquecível acaba. O fim de semana na ilha paradisíaca, um campeonato, o dia, o ano, o gozo, um livro, um disco, um banho de banheira acabam. Não por isso, evitamos outros.
Ah, foi o dia internacional delas, que amamos tanto, que nos deram à luz, intuição, formas alternativas de pensar, mostraram detalhes que passavam despercebidos, exigiram atenção, dedicação, carinho, nos fizeram ser românticos, abafar a vergonha e nos inspiraram música, poesia, até guerras.
Mas sua descrença com os novos tempos e o velho homem nos deixa desesperados, órfãos. Nostradomus previu isso? Está escrito nos céus?
Se vocês não acreditam mais, quem acreditará? Lembrem-se de Nietzsche, que nos últimos dias numa vila italiana, com o calor na pele, viu alegria no niilismo e esperança no desamparo: “Cada passo mínimo dado no campo do pensamento livre, da vida moldada no seu formato pessoal, foi desde sempre conquistado com martírios espirituais ou corporais.”
Trégua. Que venham os clichês. Cá está o ombro para o choro da mudança de humor inexplicável e inesperada. Quer que eu apague a luz na enxaqueca? Explico com toda a paciência a regra do impedimento, quem joga contra quem, e o que significa aquele quadro no alto da tela, em que três letras, COR, vencem por 2 X 1 as três letras PAL.
Fique na cama na TPM. Trarei uma bolsa de água quente e o jantar. Sim, vamos comprar sapatos. Eu espero. Levo um livro, enquanto você experimenta a loja.

Adorei a cor do esmalte, o corte do cabelo. Batom vermelho te deixa mais bonita. Não, a calcinha não está marcando. Ah, põe o tubinho preto, se bem que gosto quando você coloca aquele vestidinho colorido. Não, o sutiã não está aparecendo.
Eu ligo para o despachante, faço um rodízio nos pneus, troco a bateria, reconfiguro seu computador, mando lavar o tapete, o forro do sofá, também adoro ele com almofadas indianas em cima.
Cuido de você na velhice, não te trocarei por uma adolescente que cheira a tutti frutti, nem pela secretária vulgar da firma, amarei a sua pele um pouco mais flácida, seus seios naturalmente instáveis, seu corpo maduro, seus joelhos frágeis. E tomaremos vinho tinto todas as noites. Prefere branco? Que celulite?
Porém a maioria de vocês conhece agora as teclas atalhos, a pressão nos pneus, sabem chamar o seguro, para uma pane elétrica, e que carrinho por trás dá cartão vermelho. Tornam-se independentes.
Pesquisa da Serasa Experian até mostrou que as mulheres são a maioria entre os mais ricos do País- segundo o estudo, cerca de 4,9 milhões de mulheres e 4,7 milhões de homens participam do grupo dos mais prósperos do Brasil, as classes A e B, e que as mulheres “ricas” somam cerca de 1 milhão, e 611 mil mulheres são executivas bem-sucedidas.
Foi uma semana cheia de dados e números sobre elas, vocês. E nós. Último censo do IBGE: o número de divórcios triplicou, enquanto o de casamentos formais, de papel passado, caiu 12%.
O amor se tornou líquido, não é, Zygmunt Bauman? “Se hoje vivemos em redes virtuais, que aproximam e afastam as pessoas, somos capazes de manter laços fortes e relações verticais?”, pergunta.
Eu entendi, deixamos de preservar o passado e começamos a viver um presente perpétuo, a era do hedonismo e consumo desenfreado, vazio difícil de saciar.
Desistimos da sede pelo amor? Não, mulher não é o apêndice do homem, mas a fonte original da vida e a nossa razão de ser. Não nos deixem desamparados. E aprendam com as nossas fraquezas e com todos os erros.

Amar ainda é a única maneira de convivermos com a sua delicadeza e alimentar nossa vocação de proteger e cuidar. Não façam do homem uma noite sem vento, um mundo sem gravidade. Parecemos tolos e infantis, controladores e insensíveis. Mas as amamos tanto…
Acaba mesmo? Comece outro. Antes que a amargura substitua o brilho dos seus olhos. E a pieguice, a rima e as metáforas sejam extintas.
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Revelado o segredo da incrível e comentada cena do estádio [um plano sequência] do filme O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, Oscar de Filme Estrangeiro de 2010.
Pelo próprio diretor. Incrível esses argentinos:
http://freak4tube.blogspot.com/2010/03/como-se-hizo-el-plano-secuencia-de-el.html

Os três pediram café; um curto, um carioca e um descafeinado. Rodrigo, homem de poucas e sábias palavras, manteve-se calado a maior parte, enquanto os outos dois…
“Quem é o seu melhor amigo?”, Marcos perguntou.
“Você?”
“Quem livra a tua cara de situações embaraçosas, te resgata à meia-noite quando o carro pifa, dorme com você em hospitais, paga a tua fiança, se for necessário, vira o teu fiador, teu guarda-costas, teu pára-raio.”
“Você, você, você.”
“Me conhece, quem é o teu amigo mais fiel?”, insistia Marcos.
“Você.”
“O mais contraditório?”
“Você”
“O mais doido, insatisfeito, incoerente?”
“Você”
“E o mais sedutor?”
“Você. Disparado.”
Chega o café e a conta. Marcos oferece pagar. E narra: “Não sou sedutor ortodoxo convicto, nem tenho o dogma como ideal de vida. Passei a praticar depois que a ex me largou. É um comportamento dúbio: querer me vingar, sair com o maior número de mulheres, e ao mesmo tempo sofrer de escassez amorosa. Nasceram rancores, depois de eu ter sido largado por duas mulheres que eu amo. Amava. Aquelas… Agora, procuro em cada mulher um novo atalho, que me tire desse estado.”
“Que estado?”
“De carência induzida. Procuro uma mulher que me faça esquecer. Como não encontro, testo, e me comparam a um galinha. Só existe uma pessoa que pode me salvar.”
“Quem?”
“A tua mulher.”
“A Lúcia? O que tem a Lúcia?”
“Tudo.”
“Tudo o quê?”
“Tenho pensado nela. Eu queria ter algo com ela.”
“Com a Lúcia?!”
“Você é meu amigo, não fique ofendido.”
“Ter o quê?”
“Uma relação.”
“De amor?”
“Sexual. Eu queria ter um caso com a tua mulher.”
Olharam o garçom passar o cartão e retirar o boleto. Olharam a fumaça do café. Como se nela, um futuro possível.
“Eu queria ir pra cama com…”
“Tá, tá, não precisa repetir. E será a única pessoa que pode te tirar do estado de carência?”
“Ah, você concorda com ele”, disse então Rodrigo.
“Cala a boca! Estou chocado.”
“Comigo?”, perguntou Marcos.
“Com a Lúcia. Não imaginava que ela tinha este poder.”
“De despertar desejos? De cura? Não me leve a mal.”
Ele olhou para Rodrigo, que bebericava o seu carioca.
“O que foi?”, perguntou Rodrigo.
“Você ouviu o que ouvi?”
“Lógico.”
“E você não vai falar nada?”
“O que eu posso fazer?”
“Me ajude a esganá-lo!”
“Mas é o seu melhor amigo. Se não rolar sinceridade entre amigos, não é amizade. E, ora, a Lúcia é um mulherão. Dos três, você é o mais sortudo”, disse Rodrigo.
Era o pacto. Dos três, ele era o único casado. E vivia desdenhando a mulher, Lúcia. Reclamava do seu temperamento, seus temperos, suas tendências, suas crenças. Os amigos Marcos e Rodrigo chegaram antes e combinaram. Porque são os seus melhores amigos. Resolveram provocar e demonstrar interesse em Lúcia, para que o amigo parasse de invejar aquela vida de solitários desquitados quarentões amargurados que, acredita, é mais inspiradora do que a sua de casado.
Rodrigo retomou: “Lúcia sempre foi a melhor e é ainda a mulher mais deslumbrante da cidade. Você não sabe o que ela provoca com aquele sorriso? Ela é interessada em tudo, conversa, faz perguntas, fala de assuntos sem o menor constrangimento, tem humor, uns dentes lindos, sabe se vestir com discrição, sabe como andar, os olhos mel que, quando bate sol, ficam verdes, fora aqueles braços com pelinhos loiros, ela é maluquinha…”
“Tá, tá, tá!”
“É uma coisa, mesmo!”, concluiu Marcos.
“Não fala assim!
“Melhores amigos falam tudo.”
Ele se levantou tonto. Nunca imaginara que Marcos comunicasse uma declaração com proposta tão indecente.
“Nem por um milhão de dólares!”, ele disse e saiu fora.
Os amigos enfim riram da provocação:
“Também, não é a Dennie Moore”.
“Nem você o Robert Redford”.
Ele dirigiu a noite toda pela cidade. O celular tocava, ele via, era Lúcia, não atendia. Guiou por todas as ruas da infância e adolescência. Depois, cruzou viadutos com nomes de militares. Passou por floriculturas e joalherias. Até voltar tarde para casa. Bem tarde. De mãos vazias. Entrou na ponta dos pés, como se um ladrão invadisse uma casa desconhecida.
Lúcia dormia. Que lindo. Olhou para a mulher. Encanto. Ela é deslumbrante mesmo. Lembrou-se das afinidades. Tomou um banho sorrindo. Uma coisa. E se enfiou na cama sem acordá-la. Então, ao invés de abraçá-la com toda a força, virou-se para o lado e começou a tremer de medo. Pânico. Uma mulher daquela, ele não conseguirá segurar, logo o primeiro que usar as palavras certas a levará, os amigos, o chefe, o professor de meditação, um garçom do Ritz, do Spot, do Habib’s, um cineasta pernambucano, o Rodrigo Santoro, o Tato Malzoni, o Quincy Jones! Eu sou um nada e me casei com a mulher mais charmosa, atraente e discreta da cidade, e nem reparava mais em tanto brilho no olhar, nem nos pelinhos loiros, nem no humor, nos dentes, ela se tornara comum, Lúcia, a patroa, a rotina, o estorvo, o entrave de uma vida sexual variada e dinâmica, e não a divindade que inspira poesia em todos os cantos.
Ele se levantou da cama. Olhou para os lados. O pânico se tornou incontrolável, terror. Suava. Falta de ar. Você não a ama mais. E ela o largará logo, porque é muita areia para o seu caminhãozinho. Sem acordá-la, abriu as gavetas e começou a fazer as malas. Deixarei o caminho livre, musa! Quando escutou a voz meiga de Lúcia.
“Môr? Que tá fazendo?”
“Desculpe. É inevitável. Não adianta me impedir. Cedo ou tarde…”
A São Paulo Indy 300 foi um dos eventos mais emocionantes que já organizaram na cidade.
Pista escorregadia, ondulada, poeira, sujeira, vários problemas… Mas lá estavam os carros a 330 km/h na Marginal do Tietê, o pesadelo da cidade, cruzando a pista de samba, sob uma tormenta de granizo, que chegou cedo demais.
Tudo montado em tempo recorde. Ninguém se feriu.
No entanto, a corrida foi ignorada pelo jornalismo da Rede Globo. Pois era um evento organizado por outra emissora, a Band, que por sinal é parceira da Globo na transmissão de jogos de futebol.
A guerra da concorrência falou mais alto, em detrimento da missão jornalística: informar. É uma antiga prática global que fere a ética e soa como mal-educação. No mais, o público da Indy poderia tomar gosto e migrar pra Fórmula 1, exclusividade da emissora, não?
Se um produtor tem um filme que não vem com o rótulo GLOBO FILMES, não consegue divulgá-lo nos programas de entrevista da emissora.
Muitos se queixam. A diretora Ana Muylaert reclamou publicamente. Gloria Pires, estrela do seu longa É PROIBIDO FUMAR, deu longas entrevistas para a emissora. As referências sobre o filme LULA, O FILHO DO BRASIL apareceram, já que é produção GLOBO FILMES. As sobre É PROIBIDO FUMAR foram cortadas.
Atores globais falam de seus filmes nas entrevistas. Tudo é cortado se não tem parceira global. Uma grosseria. No mais, ajudando a divulgar o cinema independente ou de outras distribuidoras, ajuda a levar público ao cinema, que pode se interessar pelos filmes da GLOBO, aquece o mercado, e todos saem ganhando.
O ridículo não tem fronteiras.
Atores que têm contrato com a emissora não podem participar das séries da HBO produzidas na AL. No entanto, a NET, braço de TV paga da Globo, retransmite a HBO, fatura com ela.
Teve um tempo que até comerciais de produtos estrelados por atrações de outras emissoras, como HEBE, ADRIANA GALISTEU, ELIANA, eram vetados na Globo. O mercado reagiu, ameaçou retaliar, e voltaram atrás.
Se você é de outra emissora, e quer entrevistar um ator global, vetado. Insanidade, pois tais atores estarão divulgando produtos da empresa que os contrata.
Quem vê David Letterman, da CBS, se cansa de assistir a entrevistas com apresentadores de emissoras concorrentes ou até atores divulgando séries das outras redes. Isso é liberdade de imprensa. Este é o dever de uma concessão pública.
No passado, a Globo se queimou. Demorou para cobrir as Diretas Já, o movimento de impeachment contra Collor. Manipulou informações, como a eleição para governador de Brizola [Caso Proconsult], e a edição desvirtuada do debate entre Collor e Lula de 1989. Pagou um preço alto, a falta de credibilidade jornalística
Como será a cobertura dos Jogos Olímpicos de 2012, de Londres, cujos direitos pertencem à TV Record?
Uma empresa com a grandeza da Globo se comporta como a velhota ranzinza do bairro. Não é apenas teimosia. É burrice.

Estreia hoje o filme HISTÓRIAS DE AMOR DURAM APENAS 90 MINUTOS, escrito e dirigido por PAULO HALM.
E tem muita gente que acha que só dura isso mesmo.
Outro dia, no caderno em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, do ESTADÃO, diziam que uma paixão dura em média 9 meses, como um parto. Houve até uma explicação darwinista: para que os genes se espalhem entre a tribo com mais eficiência.
Casamentos hoje em dia duram aproximadamente 9 anos. Quer dizer, se passar pela crise dos 7, a de Saturno.
O fato é que ninguém mais acredita que, aos 90 anos, estará ainda dividindo o andador com a primeira e única paixão da sua vida, aquela com quem teve filhos, netos, gatos, cachorros e muletas.
Quando começa HISTÓRIAS DE AMOR DURAM APENAS 90 MINUTOS, a impressão que se tem é: já vi este filme antes.
Escritor em crise não consegue terminar um livro. Perambula perdido pelas ruas da LAPA do Rio. Sua mulher, envolta por uma tese, é quem movimenta a relação.
Ela conhece uma argentina bailarina, a atriz LUZ CIPRIOTA, com um corpo digno de um comercial de cerveja QUILMES [deixaria muita carioca bombada no chileno Havaianas], e aparentemente tem um caso com ela.
O ciúme do marido traído resulta numa retaliação: dá em cima da amante, até conquistá-la.
No entanto, o charme de Caio Blat e as ironias do personagem ganham o filme. Pouco a pouco, a trama surpreende. O pai, o sempre genial DANIEL DANTAS, apenas num olhar, define a enrascada em que todos se envolveram.
Filme moderno, ágil, divertido, que dignifica o rótulo de independente.
Uma estreia ótima para um primeiro longa de HALM, veterano em curtas e conhecido na indústria.

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Em homenagem ao filme, decidi colocar aqui uma crônica [na íntegra] minha de 2006: O AMOR NÃO ACABA
O amor acaba?
O cara disse. Numa esquina, num domingo, depois do teatro e do silêncio, na insônia, nas sorveterias, como se lhe faltasse energia. Ele não volta? Não deixa rastro ou renasce? Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está, na sombra apagada pela luz, na poeira suspensa, na revolta da memória inconformada. Na solidão, lá vem ele, volta, com lamento, um quase desespero, e penso nos planos perdidos, que vida sem sentido… Na insônia, o amor cai como uma tonelada de lápide, e se eu tivesse feito diferente, e se eu tivesse sido paciente, e se eu tivesse insistido, suportado, indicado, transformado, reagido, escutado, abraçado? Na sorveteria, ele volta, o amor, em lembranças. Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida dela, aquela sorveteria era a preferida dela, aquela esquina, aquele bairro, aquele clima, aquela lua, aquele mês, aquela temperatura, aquela raça de cachorro, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos… No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, rirem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, escreverem ao lado do Atlasado: “Eu te amo”. Saudades é amor. Não se tem saudades do que não se amou. O amor não acaba, porque tenho saudades, me lembro dela, me preocupo com ela, torço por ela, e se sonho com ela, meu dia está feito. O amor não pode acabar, porque sem ela ou sem a esperança de revê-la, até a chance de tê-la de volta, não vejo a paz. Ela é uma trégua na minha guerra pessoal contra a minha paixão por ela. Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou. Passei meses amando como se não tivesse acabado. Ficaria anos amando mesmo se não tivesse voltado. O amor não acaba, muda. O amor não será, é. O amor está. Foi. Nas tantas músicas que ouvimos, que dançamos colados, trilhas das noites frias em que você sentava em mim nua, enquanto os meus braços imobilizavam os seus. Amor. O não-amor é o vazio. O antiamor também é amor. Eu te amava quando você respirava no meu ouvido. Lembra do meu dedo dentro de você? Amo-te, amo-te, amo-te. Instante secreto, sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz: Eu te amo! O amor acabou quando você se foi? Você sentiu saudades das minhas paredes, das cores das minhas camisas, da umidade da minha boca, do cheirinho do meu travesseiro, da minha torrada com mel, das noites pelados assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol, do café da manhã com jornal, você sentiu falta de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, de eu te indicar um livro, do cinema gelado em que vimos o filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, você sentiu falta da minha risada, inconveniência, de eu ser seu amante, noivo, amigo e marido, dos meus olhos te espiando, dos meus dentes mordendo e mastigando, ficou tanto tempo longe e pensou em nós especialmente bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever, meu cheiro aparecia de repente, meu vulto estava sempre ali, acaba? Diz que acaba. Como acaba? Não acaba. Diz, não acaba. Repete. Falei? Não acaba. Pode virar amor não correspondido. Pode ser amor com ódio, paixão com amor. Tem o amor e o nada. Ah, mais uma coisa. Antes que eu me esqueça. O amor não acaba. Vira. Se acabar, não era amor.
A loucura que nos inspira é a mesma que nos mata.
Ela nos faz cada vez mais defendermos a paz.
E sugerirmos as saídas.
Tentamos rir da loucura, para ver se damos um jeito no mundo.
Porém, teimoso, ele reage mostrando que a raiz é mais profunda.
Nosso papel?
Enxugar as lágrimas.
E continuarmos…
Com a revolta de agora nos inspirando.

Retomamos a vida.
De onde paramos.
Aprendemos lições.
Mas não sabemos se não repetiremos os mesmos erros.
Ou se evitaremos os confrontos.
Que nos fazem mais vivos.
Talvez mais sábios e prudentes.
Alguma coisa muda.
As cicatrizes estão aí para provar.
Mas se continuamos por aqui, que tal festejar?
Como fazíamos, quando um incidente quase nos tirou
O rei da ralé


É um caminho que ainda pretendo seguir.
Mas já usaram o meu nome.
Inventarei um pseudônimo.
Quer checar?
http://radialistacleisonferreira.blogspot.com/2009/04/marcelo-paiva-e-santiago.html
Humilharam o povo de Pandora, planeta com vastas florestas, os avatares, de pele azulada, monogâmicos e herdeiros dos hippies, ecologicamente corretos, que dormem em árvores que têm sentimentos e repousam sobre grandes jazidas.
O Oscar foi para aquele filme chato que dói, GUERRA AO TERROR, dirigido por uma mulher, K. Bigelow, alta como uma avatar, a primeira diretora de saias a ganhar uma estatueta de direção.
Filme de guerra tudo a dever aos grandes clássicos como PATTON, CANHÕES DE NAVARONE, A GRANDE ESCAPADA, APOCALIPSE NOW, FULL METAL JACKET e tantos outros que angariam fãs e nos fazem pensar.
Um episódio de BAND OF BROTHERS ou GENERATION KILL, da HBO, é mais intenso e bem dirigido do que GUERRA AO TERROR.
Mas e a culpa?
Ah, sentimento que estrangula os americanos e membros da Academia, e que os obriga a sempre passar a história a limpo, reafirmar seus princípios, repensar seus métodos, e a homenagear os heróis que tombarem pelos erros dos outros e o direito de todos desfrutarem as delícias do mundo livre.
Erraram ao exigir em histeria a guerra. Perceberam tarde demais. É mais fácil entrar numa guerra do que sair dela.
E homenageiam o filme que humaniza o soldado desmontador de bombas, com narrativa bacana, longo demais, nada surpreendente, filme que quase passou desapercebido.
Não se avaliou o cinema, as ousadias, mas os pobres coitados que salvaguardam o direito de livre expressão, e premiaram uma mulher pela primeira fez.
Por que não deram antes para Sofia Copolla?
Ora, não me façam perder quase 3 horas.
Então mudem o nome da estátua para OLGA e convidem os fuzileiros para a cerimônia. Mas foquem a premiação no cinema. “A Olga vai para…”
E esses argentinos hein?
Não bastam invadir Búzios e Floripa.
Já ganharam 2 Oscar, 1 Nobel, 22 Libertadores. E nós, com 4 vezes mais de gente?
Ganhamos mais Grammy. Mais copas do mundo. E nossas praias e frutas são mais exóticas.

O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, do Campanella, é um filmaço. Uma história intrincada, perturbadora, com uma produção impecável.
Repare na cena do estádio. Explique seus efeitos e o voo da câmera. Como fizeram aquilo?
Perceba o olhar do assassino para o decote da promotora, o que a leva a condená-lo, no momento em que estava quase convencendo da sua inocência.
Filme de amor eterno. Com pitada de História.
Até o melodrama, como a cena do trem, fantasiosa e exagerada, é desmontada em seguida.
Não vou falar muito. Só uma coisa. Esses argentinos são bons de carne, doce de leite e cinema…
Tem dia que nada dá certo.
Mas ao menos, é preciso buscar uma distração e esperar.
Como diria o amigo Rui Mendes: “Até creio em Deus, mas acho que ele não dá a mínima pra mim.”

Esperar por uma ajuda insesperada.
E colo.
Ele sempre aparece de quem menos se espera

E a vida continua.

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“Carla Bruni?”
“Trubufu! Calhau!”
“Fala sério…”
“Se me ligar, digo que sou um monge em retiro e meu francês é péssimo.”
“Ela não vai te ligar.”
“Quem garante?”
“Ela não vai te ligar.”
“Ei! Sou eu o do contra.”
“Maria Sharapova?”
”Mocréia!”
“Como é que é?”
“Baranga! Bagulho! Xonga! E ainda urra como um urso quando bate na bola. Já ouviu? Não joga nada.”
“Mas e a paralela?
“É na paralela que você presta a atenção?”

“Gisele?”
“A Bündchen? Xô! Que pergunta… Magrela sem-sal. Anda toda torta, como aquelas pessoas no farol vendendo canetas. Dá-lhe umas muletas.”
“É uma gata!”
“Uma coisa patética.”
“Luana?”
“Nem sei quem é.”
“Penélope Cruz?”
“Credo! Muda, vai.”
“Samba jazz?”
“Que chatice!”
“Como é que é?”
“Agora, só se fala nisso?!”
“Não gosta?”
“Música de frases feitas.”
“Frases feitas?”
“E dois acordes! Tô fora!”
“Seu Jorge?”
“Detesto. Mala, chatinho, com músicas chatinhas. E faz propaganda de cerveja. Que mala!”
“Tá bombado no mundo.”
“Problema dele.”
“Zeca Pagodinho?”
“Outro. Fez a mesma propaganda. Agora, todos fazem propaganda de cerveja. Até aquele cantor do Rappa, mala metido a preocupado com a injustiça social. São os malas mais malas.”
“Você não está exagerando?”
“Aquele Carlinhos Brown também fez a mesma propaganda. Mas esse é mala unânime. Qual é? Malas, todos! Tudo mudou, reparou? Antigamente, artista não fazia propaganda. Ainda mais de cerveja. Artista era artista, defendia uma causa nobre, morria na dureza, mas não entregava o maior bem, a inspiração, a liberdade de criação, não se vendiam. Noel Rosa fez propaganda de xarope? E Cartola, de ótica? Olha, esse comentário dá até samba.”
“Ivete Sangalo?”
“Logo quem… Desengonçada!”
“Que grosseria…”
“Você perguntou. Faz propaganda da outra cerveja e de carro, telefone, sandálias, sei lá. A mina é um outdoor dançante.”
“Mas e a música?”
“E gritar ‘levantou a poeira’ é lá música?”
“Ronaldinho Gaúcho?”
“Perna-de-pau.”
“Fenômeno?”
“Gordo.”
“Kaká?”
”Bambi.”
“Cidade de Deus?”
“O filme? Fora de foco, descontínuo, sem pé nem cabeça, com um monte de ator ruim, que nem era profissional, como esse tal de Seu Jorge, que mala…”
“Nelson Rodrigues?”
“Machista.”
“Machado de Assis?”
“Racista.”
“Lima Barreto?”
“Caso de hospício.”
“Mário de Andrade?”
“Outro. E homofóbico.”
“Oswald?”
“Comuna!”
“Plinio Marcos?”
“Analfabeto.”
“Paulo Autran?”
“Canastrão.”
“Fernanda Montenegro?”
“Sem voz, sem voz…”
“Respeito!”
“Você quem provoca.”
“Você não pode estar falando a sério.”
“Não?”
“Glauber?”
“Direitista!”
“Os Sertões?”
“Chatinho.Tentou ler?”
“Grande Sertão: Veredas?”
“Não entendi nonada. Tô fora!”
“Os serviços telefônicos de atendimento ao cliente?”
“Perfeitos. Bem treinados e educados.”
“Mas no Procon…”
“Malas, malas.”
“O uso do gerúndio das atendentes?”
“Um charme, não acha?”
“Dilma e Serra?”
“O amor não é lindo? Simpáticos.”
“George Bush?”
“Grande estadista!”
“O filho?”
“Ambos!”
“A Guerra no Iraque?”
“O mundo não está melhor sem Saddam?”
“Puxa, mas você é do contra, mesmo.”
“Não sou, não!”