1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Posse coletiva de ministros disfarça demissão do titular da Ciência e Tecnologia

Marcelo Moraes

segunda-feira 17/03/14

Quando der posse por atacado, nesta segunda-feira, a um lote de novos ministros do seu governo, a presidente Dilma Rousseff estará conseguindo disfarçar a insatisfação que a levou a demitir Marco Antônio Raupp da pasta de Ciência e Tecnologia. Enquanto as outras pastas substituições de sua equipe tiveram como motivação o fato de os antigos [...]

Quando der posse por atacado, nesta segunda-feira, a um lote de novos ministros do seu governo, a presidente Dilma Rousseff estará conseguindo disfarçar a insatisfação que a levou a demitir Marco Antônio Raupp da pasta de Ciência e Tecnologia. Enquanto as outras pastas substituições de sua equipe tiveram como motivação o fato de os antigos titulares precisarem se desincompatibilizar dos cargos para concorrerem a mandatos eletivos, Raupp sai porque seu desempenho não agradava Dilma.

Aos 76 anos e respeitado no setor científico, Raupp teve seu desempenho considerado insatisfatório pelo Palácio do Planalto. Ficou dois anos à frente da pasta e agora será substituído pelo atual reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Clélio Campolilla, um economista ligado ao ex-ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel, muito próximo de Minas.

Dentro do governo existe a avaliação que a pasta poderia estar rendendo muito mais do que hoje, quando praticamente não tem ações de visibilidade. O ministério ficou tão escondido nós últimos tempos,que a presidente chegou até a aceitar que a pasta fosse oferecida para que aliados políticos a assumissem no processo de acomodação de sua base de apoio dentro do Congresso. O problema é que nenhum aliado se interessou, achando que o ministério – que deveria ser uma área nobre de qualquer governo pelo tema envolvido – não era atraente.

Curiosamente, nem sempre foi assim. Durante os governos petistas, a pasta foi considerada interessante por nomes importantes. Antes de Raupp, o ministro era o petista Aloizio Mercadante, hoje poderoso chefe da Casa Civil. No governo Lula, o atual governador de Pernambuco e agora candidato a presidente, Eduardo Campos, ocupou o cargo. Antes dele, o vice presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, chefiou a pasta.

A mudança na Ciência e Tecnologia acontece a um mês da realização do evento internacional que o Brasil patrocinará sobre discussão da internet internacional. Bandeira pública da presidente, depois dos problemas envolvendo espionagem, a questão vem sendo tratado como tema de Estado. E a atuação do ministério nesse setor – e em outros, como a parceria no lançamento de satélites com a China, por exemplo – vinha sendo considerada “muito devagar”, como citada por vários interlocutores da presidente.