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Governo já considera CPI irreversível e quer tentar controlar seus rumos

Marcelo Moraes

quinta-feira 27/03/14

O governo federal já considera irreversível o processo de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dentro do Congresso para investigar irregularidades na Petrobrás. A avaliação é que a sucessão de operações nebulosas envolvendo a empresa tornou impossível impedir sua abertura. Por conta disso, o governo decidiu priorizar agora outro tipo de articulação política. [...]

O governo federal já considera irreversível o processo de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dentro do Congresso para investigar irregularidades na Petrobrás. A avaliação é que a sucessão de operações nebulosas envolvendo a empresa tornou impossível impedir sua abertura.

Por conta disso, o governo decidiu priorizar agora outro tipo de articulação política. O objetivo agora é uma espécie de operação para redução de danos. O primeiro passo é defender que a CPI seja mista, ou seja, reunindo deputados e senadores. O governo acha que se a comissão ficar restrita aos senadores, será muito mais difícil controlar seus passos e seus principais postos – presidência, relatoria e você-presidência. Na Câmara, a base governista é maior e pode compor com o Palácio do Planalto com menos dificuldades.

O segundo passo é ganhar tempo. Atrasar o máximo possível a instalação da CPI e dilatar prazos para convocações de dirigentes da estatal e de integrantes do governo. A aposta é que o assunto possa perder força com a redução de novidades sobre o caso e aproveitar a proximidade da Copa do Mundo para diminuir a atenção em relação a essa crise.

Historicamente o Congresso já se comportou de todas as maneiras possíveis em relação a CPIs. Algumas foram literalmente sufocadas por ações governistas, outras fugiram totalmente ao controle. Nesse último caso, pode ser incluída a CPI dos Correios, que deu origem ao processo do mensalão.

O governo Lula operou para mantê-la sob controle, dividindo suas operações num condomínio do PT com o PMDB. O senador petista Delcídio Amaral foi o presidente e o peemedebista Osmar Serraglio foi o relator. Em nenhum momento, seguiram qualquer orientação dos líderes governistas e o processo acabou resultando na condenação pelo Supremo Tribunal Federal da maioria dos envolvidos.

Aliados da presidente Dilma Rousseff dizem que o governo aprendeu muito desde então sobre como administrar CPIs e acham possível evitar danos eleitorais em potencial. A questão, agora, é ver se essa estratégia não foge ao controle.