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Aliados de Dilma minimizam escolha de Aloysio e dizem ser plano B de Aécio

Marcelo Moraes

segunda-feira 30/06/14

Governistas comemoram fracasso dos tucanos na tentativa de atrair Henrique Meirelles e o PSD para a vaga de vice-presidente

A opção feita pelo PSDB com a escolha do senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP) para ocupar a vaga de vice presidente na chapa encabeçada pelo senador Aécio Neves foi vista com otimismo e alívio pelos aliados da presidente Dilma Rousseff. Para os governistas, Aécio sai mais fraco do processo porque tentou e não conseguiu atrair o nome que considerava ideal para compor a chapa com ele, que era o do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.
Ex-tucano e presidente do BC de 2003 a 2011 nos governos dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Meirelles hoje está filiado ao PSD.
Essa hipótese sempre trouxe muita preocupação para o Palácio do Planalto porque tiraria o PSD da chapa de apoio a Dilma – levando para o lado tucano o tempo de televisão e rádio do partido – e também ampliaria a credibilidade da candidatura de Aécio, já que Meirelles atrairia a confiança do setor empresarial.
Por conta disso, os petistas monitoraram intensamente as negociações do PSD e de seu presidente, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, para evitar que ambos mudassem de lado. Apesar das tentativas de Aécio, Kassab e Meirelles acabaram permanecendo ao lado de Dilma.
Na avaliação governista, Aloysio representa o plano B de Aécio, mas traz vantagem ao adversário por conseguir consolidar o apoio do PSDB de São Paulo à campanha nacional do senador mineiro. Não é segredo para ninguém que desde 2002, as campanhas presidenciais tucanas têm sido minadas pelas divergências internas, especialmente entre os grupos de São Paulo e Minas Gerais. Dessa vez, com a presença de Aloysio na vice, os diretórios paulista e mineiro marcharão juntos e os governistas registraram isso.
Mas, por outro lado, os aliados da presidente lembram que a entrada de Aloysio diretamente na chapa de Aécio fará com que os petistas tentem nacionalizar no debate eleitoral a investigação do escândalo do cartel de trens em São Paulo, no caso Alstom Siemens.
O lobista Jorge Fagali Neto, apontado como lobista da Alstom, chegou a mandar um e-mail para Aloysio Nunes em 2006 sugerindo linhas de atuação para o governo tucano no setor metroferroviário. Na época, Aloysio coordenava a campanha de José Serra para o governo de São Paulo.
Aloysio,que sempre reconheceu ser amigo de Fagali desde a juventude, nega qualquer envolvimento em irregularidades e afirma que a mensagem mostrava apenas um alerta feito por um amigo, que notou que as propostas de Serra para o setor poderiam não ter recursos orçamentários suficientes e, por isso, deveria ser pedida a ajuda ao Banco Mundial para cumpri-las, o que nem acabou acontecendo.
Apesar disso, os governistas tentarão vincular o novo vice tucano ao escândalo na estratégia de vincular à campanha de Aécio ao cartel de trens. Aloysio acha que não haverá qualquer problema por entender que as denúncias não têm credibilidade e que nunca colaram.