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Há um mês, desde que a presidente Dilma Rousseff admitiu ao Estadão que a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás foi autorizada com base num parecer técnico impreciso, o governo não vive um momento de sossego político. Desde então, se desdobra para tentar explicar a sequência de denúncias com supostas irregularidades cometidas em negócios da Petrobrás e luta para impedir que o Congresso instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o assunto.

Para piorar, a Operação Lava Jato, feita pela Polícia Federal, foi responsável pela prisão do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. O ultimo personagem acabou comprometendo o vice-presidente da Câmara, o deputado petista André Vargas (PR). Em conversas gravadas pela PF, os dois aparecem supostamente tratando de negócios que ajudariam o doleiro a conseguir vantagens junto ao Ministério da Saúde.

Hoje, com dois movimentos, o governo tenta começar a sair das cordas do canto do ringue e tomar a iniciativa das ações. Sem condições políticas de sustentar sua situação, André Vargas vai renunciar hoje ao mandato. Aconselhado por petistas e por integrantes do governo, Vargas foi convencido que manter o mandato de deputado só serviria para continuar sangrando em praça pública, sem conseguir impedir a cassação dentro da Câmara. De quebra, ainda contribuiria para continuar desgastando também a imagem do governo, já que sempre foi quadro destacado do PT, partido da presidente Dilma Rousseff. Fora do Congresso, Vargas pode cuidar de sua defesa e reconstrução política.

Politicamente, mais importante do que isso, será a participação da presidente da Petrobrás, Graça Foster, em audiência pública no Senado. O governo espera que a fala da dirigente da estatal seja suficiente para reduzir a pressão política pela abertura e instalação da CPI da Petrobrás. Dentro do Palácio do Planalto, é consenso que a sucessão de denúncias contra a companhia não ajudam em nada ao governo, especialmente num período em que as campanhas eleitorais começam a se acirrar. Pior: não deixa espaço para que Dilma possa assumir o andamento normal de sua campanha, ficando refém de uma agenda negativa.

O problema é que as denúncias de irregularidades cometidas na Petrobrás! especialmente envolvendo o ex-diretor Paulo Roberto Costa, são extremamente sérias. O governo sabe disso e vai tentar convencer parlamentares e a opinião pública que pode conduzir as investigações sobre o caso utilizando os mecanismos oficiais, como Polícia Federal, Ministério Público, CGU, além de auditorias internas na própria estatal. O governo também vai argumentar que a oposição deseja abrir a CPI apenas com motivação eleitoral.

Até agora, o governo teve pouco sucesso nas tentativas que fez para retomar as rédeas do jogo político. Quanto mais demorar a conseguir isso, maior poderá ser o dano eleitoral para a presidente Dilma Rousseff.

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Enquanto o governo federal é obrigado a se concentrar na tentativa de superar a agenda negativa deflagrada pela crise da Petrobrás, os palanques regionais de seus aliados vão se consolidando. O problema é que os acertos começam a se distanciar dos interesses do Palácio do Planalto. Hoje, na Bahia, o PMDB de Geddel Vieira Lima anunciou oficialmente a aliança com DEM e PSDB na disputa pelo governo do Estado. O ex-governador Paulo Souto (DEM) será o cabeça de chapa, Joaci Góes (PSDB) será o vice e Geddel candidato ao Senado.

O discurso final do evento foi feito por Aécio, que não perdeu a chance de elogiar Geddel por ter aberto mão da cabeça de chapa em favor de Paulo Souto, garantindo a consolidação da aliança. “Essa é a mais bem sucedida aliança feita em todo o Brasil até agora. O gesto de despreendimento de Geddel escreve uma das belas histórias políticas do País”, afirmou o tucano.

No Rio, o presidente do PMDB local, Jorge Picciani, também anunciou o apoio da legenda para Aécio, embora o ex-governador Sérgio Cabral e governador candidato Luiz Fernando Pezão garantam que pedirão voto pela reeleição de Dilma. Possivelmente, ocorrerá um jogo duplo na campanha do Rio, fato que, para Aécio, continua sendo vantajoso já que o PSDB não tem nome indicado para concorrer ao governo local.

Na prática, as dissidências na Bahia e no Rio já eram contabilizadas pelos aliados da presidente Dilma Rousseff. O problema é que sem ter tranquilidade política para operar essas alianças regionais, os governistas ficam com pouca margem de manobra para tentar dissuadir esses e outros dissidentes do principal partido aliado do PT no governo. Em vários outros Estados, são grandes as chances de o PMDB se alinhar com Aécio ou com o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, diminuindo o poderio de Dilma nos palanques regionais.

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Depois de passar os últimos três meses tentando fazer o secretário estadual de Infra-estrutura, Luís Fernando Silva, decolar como candidato à sucessão da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, o clã Sarney foi obrigado a refazer toda sua estratégia. Mesmo depois de se desincompatibilizar do cargo, Luís Fernando, o “poste” escolhido pelo grupo político para concorrer ao governo, não será mais o candidato. A ideia agora é lançar o senador Édison Lobão Filho (PMDB), filho do ministro das Minas e Energia, Édison Lobão (PMDB), na corrida pelo governo.

A tarefa do senador não é das mais fáceis. O grupo da governadora Roseana enfrenta enorme desgaste político no Estado e tem um duro oponente pela frente, o ex-presidente da Embratur Flávio Dino (PCdoB). Além disso, o clã Sarney tem enfrentado resistências dentro do governo federal para garantir apoio para manter sua hegemonia. Embora ninguém confirme oficialmente, Palácio do Planalto e o PT nacional preferiam apoiar exclusivamente a campanha de Dino, cujo partido também integra a base de sustentação da presidente Dilma Rousseff. Para não desagradar o senador José Sarney (PMDB-AP), líder político do clã, o governo sinaliza com apoio (ou pelo menos neutralidade) para ambos.

A desistência de Luís Fernando teria acontecido depois que Roseana desistiu de disputar o Senado, preferindo completar seu mandato à frente do governo. O ex-secretário teria achado muito difícil enfrentar a campanha majoritária sem ter Roseana Sarney como candidata ao Senado, o que poderia alavancar seu nome.

Com a mudança de planos, se for confirmada, a candidatura de Lobão Filho complica para o Planalto a forma de tratar a campanha do Maranhão. Filho de um dos ministros mais próximos de Dilma, será difícil para o governo não participar diretamente de sua campanha, o que empurraria Flávio Dino para os braços da oposição nacional. Por coincidência ou não, PSDB e PSB locais deverão estar no palanque do candidato do PC do B.

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O governo sofreu uma inesperada derrota hoje no Senado, com a rejeição do regime de urgência para a votação da indicação do senador Gim Argelo (PTB-DF) para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). Gim é um dos mais ativos integrantes da base governista e tem relação muito boa com a presidente Dilma Rousseff. Faz parte também do núcleo de aliados mais próximos do presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que sai também derrotado na votação. Mas Gim carrega no currículo seis inquéritos que correm contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), o que preocupava muitos senadores que se sentiam desconfortáveis em apoiar a indicação justamente para um órgão responsável por investigações.

Com a indicação de Gim para o TCU, o governo quer aumentar sua influência na corte, responsável por relatórios que têm levantado suspeitas sobre obras consideradas estratégicas. Hoje, o tribunal tem uma composição ainda recheada de ex-parlamentares que pertenceram à oposição.

O resultado mostra que o Palácio do Planalto e Renan se descuidaram da votação e subestimaram o humor da base governista. Nem todos os aliados da presidente Dilma estão confortáveis com o clima político atual. Precisam fazer campanha tendo que dar explicações sobre o escândalo da Petrobrás, sobre o envolvimento do deputado federal André Vargas (PT-PR) com o doleiro Alberto Youssef e agora teriam que lidar com o apoio polêmico à indicação de Gim.

Assim, a urgência caiu por apenas um voto, com o resultado de 25 votos contra 24 e duas abstenções. O problema é que a base governista praticamente abandonou o plenário para não apreciar a matéria e deixando Gim entregue à própria sorte. Foram 30 senadores que deixaram de votar, número expressivo que indica que a votação era extremamente polêmica.

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Um dos movimentos mais importantes para a composição final do cenário de disputa presidencial está praticamente definido. Nessa sexta, termina o prazo para que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, se desincompatibilize do posto se quiser concorrer a algum cargo eletivo. Segundo interlocutor próximo do ministro, ele decidiu que não vai concorrer a nada em 2014.

Se quisesse ser candidato ao Palácio do Planalto ou a uma vaga para o Congresso, Joaquim precisaria sair do Supremo hoje e se filiar a algum partido até amanhã, dia 5, quando se completa o prazo de seis meses antes da data de votação.

A saída de Joaquim da disputa elimina uma candidatura que inquietava o Palácio do Planalto. Além de não saber até onde a popularidade do ministro seria capaz de levá-lo depois de toda a projeção garantida durante o julgamento do Mensalão, o governo tinha certeza que com sua presença na cédula eleitoral seria impossível definir a eleição já no primeiro turno. Sem Joaquim, os adversários competitivos para a reeleição da presidente Dilma Rousseff se restringem, agora, ao senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e ao agora ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que se desincompatibilizou ontem do cargo.

Joaquim preferiu preservar sua imagem pública a tentar uma candidatura ao Planalto. Se virasse candidato, sua isenção durante o julgamento do Mensalão seria automaticamente questionada, já que deixaria claro, com a candidatura presidencial, que tinha interesses políticos no caso que condenou vários integrantes da cúpula do PT. Sem concorrer, poderá se preparar, se for o caso, para uma disputa em 2018 sem ficar exposto a esse tipo de crítica.

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O governo federal passou os primeiros meses do ano brigando em praça pública com o PMDB, principal partido aliado dentro do Congresso. Os peemedebistas se queixavam – e muitos seguem reclamando – do tratamento ruim que recebiam do Palácio do Planalto, seja na liberação de emendas parlamentares, na ocupação de cargos ou na formação de alianças regionais para as próximas eleições. Depois de a parceria quase romper, o governo conseguiu atender algumas das demandas mais urgentes dos peemedebistas e conteve a crise.

Como o mundo da política é dinâmico e dá sempre muitas voltas, menos de um mês depois dessa crise de relacionamento, o governo se vê agora nas mãos do aliado para conseguir barrar, ou pelo menos controlar, a CPI da Petrobrás no Congresso.

Na sessão de ontem do Senado, o apoio do partido foi decisivo para impedir que a oposição conseguisse instalar a comissão para investigar exclusivamente a estatal, algo que o Planalto quer impedir para evitar um eventual prejuízo eleitoral na campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), jogou como aliado do governo e sem precisar fazer o papel explícito de “coveiro” da CPI, aceitou abrir a comissão ampliada, incluindo itens como o cartel de trens de São Paulo e o porto de Suape, em Pernambuco, como desejava o governo para tentar pressionar a oposição, a quem, em tese, os novos itens afetariam.

Para não assumir o ônus de bancar a CPI “do fim do mundo”, Renan jogou a decisão para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. É um jogo jogado. Lá, o governo tem maioria e aprova o que quiser e dá a Renan a desculpa que precisa para não arcar com o custo de barrar sozinho a CPI da Petrobrás nos moldes que a oposição quer.

E, de quebra, o processo mantém o governo sob a dependência do PMDB. Renan já tinha sido contemplado pelo Planalto com a indicação do novo ministro do Turismo. Vinicius Lages. Agora, na CCJ, o governo volta a se encontrar com um velho conhecido das negociações da reforma ministerial. Indicado pelo PMDB e por Renan para o ministério da Integração Nacional e esnobado pela presidente Dilma Rousseff, o senador Vital do Rego (PMDB-PB) é o comandante justamente da CCJ. Ou seja, será o principal interlocutor dos governistas durante o processo de apreciação da abertura ou não da CPI.

Como precisará, de agora em diante, do PMDB para evitar que a CPI funcione ou, caso seja aberta, fuja do controle, a presidente Dilma Rousseff ficará cada vez mais dependente dos humores do partido aliado, conhecido por suas habituais pressões políticas.

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A presidente Dilma Rousseff deu hoje posse ao deputado federal como ministro das Relações Institucionais de seu governo. Na prática, caberá a ele fazer a ponte do Palácio do Planalto com o Congresso e garantir que a articulação política funcione. Parece simples, especialmente com a imensa base de apoio que Dilma possui. Só que a tarefa talvez seja a mais difícil de todas dentro do primeiro escalão presidencial.

Berzoini é o terceiro ministro que recebe essa incumbência desde a posse da presidente em 2011. O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) durou cinco meses no cargo. A ex-senadora Ideli Salvati (PT-SC) resistiu mais tempo, mais de dois anos e meio, mas está sendo substituída na função porque a relação do governo com seus aliados não está funcionando.

Especialmente porque sua atuação esbarrou no estilo Dilma de governar, onde as decisões são centralizadas por ela. Para os aliados, o governo tem sido ineficiente na liberação de emendas, acerto de palanques regionais, atendimento pelos ministérios, entre outras coisas. Pode até ser uma agenda com cara de fisiologia. Mas o governo, como seus antecessores, se dispôs a manter esse tipo de relacionamento com o Congresso. Portanto, não pode se queixar quando ele vira tema central das negociações.

Embora seja parlamentar há 15 anos e tenha presidido o PT, Berzoini só tem uma chance de ver sua missão ter sucesso. Se Dilma lhe der autonomia para negociar com os parlamentares e receber poder para cumprir os acordos acertados, aí sim terá chance de criar um canal de comunicação. Do contrário, poderá até sobreviver no cargo, mas será um interlocutor de baixa funcionalidade.

Um dos indicadores que pode ser muito complicado esse trabalho é que, a princípio, Berzoini vai concentrar sua atuação com os deputados, deixando os senadores para o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Ou seja, se isso for confirmado, começará seu papel já com limitações.

Apesar da restrição, o governo aposta na capacidade política de Berzoini para azeitar a relação com sua base. O momento é estratégico para conseguir algo desse tipo. Afinal, a oposição conseguiu as assinaturas necessárias para instalar a CPI da Petrobrás e o governo precisa organizar sua estratégia para evitar que a comissão se transforme num palco eleitoral, o que poderia contaminar, de quebra, a campanha pela reeleição de Dilma. Mas, para que sua movimentação tenha sucesso, o novo ministro precisará ter a chancela da presidente sob pena de ser mais um articulador sem força para atuar nesse tabuleiro.

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Políticos são capazes de fazer tudo, menos cavar a própria sepultura. Essa lógica vai valer para se ter uma noção de quanto a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás vai poder avançar ou não nas suas investigações. A presidente Dilma Rousseff tem hoje uma base aliada que representa maioria absoluta no Congresso. A questão é saber se essa turma, cada vez mais insatisfeita com o governo federal, manterá a fidelidade ou se vai entregar a presidente à própria sorte.

A chave para entender o que vai acontecer passa pela campanha eleitoral e pela expectativa de poder que Dilma terá ou não a partir do próximo ano. Líder absoluta nas pesquisas de intenção de voto até agora, a presidente tem uma vantagem sobre seus adversários que lhe garantiria sossego para atravessar 2014 sem grandes sustos e rumo à reeleição. Só que esse cenário hoje não é mais tão seguro. A pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta o crescimento preocupante para Dilma dos indicadores de insatisfação e desaprovação de sua administração, incluindo áreas importantes como Saúde e Educação.

Se a queda da aprovação do seu governo começar a se reproduzir nas pesquisas de intenção de voto, Dilma corre o risco de sofrer uma crise de confiabilidade que pode influenciar na administração da CPI.

A pesquisa feita pelo Ibope registra um cenário anterior à crise da Petrobrás, ao rebaixamento da nota de risco do Brasil pela Standard & Poor’s e à possibilidade da recomendação de economia de energia pelo ministro das Minas e Energia, admitida pelo ministro de Minas e Energia, Édison Lobão, em entrevista ao Wall Street Journal. Assim, será natural se essa sequência de fatos negativos desgastar a imagem da presidente e faça com que perca pontos na disputa presidencial.

Se sua imagem permanecer blindada, apesar dos problemas, e Dilma se mantiver absoluta nas pesquisas, a CPI pode se tornar uma cidade fantasma, esvaziada pela falta de interesse da maioria e assombrada apenas por uns poucos parlamentares de oposição. Mas se essa expectativa de poder de Dilma se reduzir, como parece provável, não será surpresa ver deputados e senadores governistas demonstrarem um grande empenho na condução das investigações, já espichando o olho para um eventual governo de oposição em 2015.

Dilma passa por um período muito difícil do seu mandato especialmente porque o timing não lhe permite muito tempo para reação. Assim, se conseguir atravessar o próximo trimestre sem perder pontos ou apenas caindo ligeiramente, tem tudo para liderar a campanha sucessória e se reeleger. Mas se a agenda negativa que hoje tomou conta do seu governo não se desfizer, a presidente vai precisar de muito esforço para renovar seu mandato presidencial.

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O governo federal já considera irreversível o processo de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dentro do Congresso para investigar irregularidades na Petrobrás. A avaliação é que a sucessão de operações nebulosas envolvendo a empresa tornou impossível impedir sua abertura.

Por conta disso, o governo decidiu priorizar agora outro tipo de articulação política. O objetivo agora é uma espécie de operação para redução de danos. O primeiro passo é defender que a CPI seja mista, ou seja, reunindo deputados e senadores. O governo acha que se a comissão ficar restrita aos senadores, será muito mais difícil controlar seus passos e seus principais postos – presidência, relatoria e você-presidência. Na Câmara, a base governista é maior e pode compor com o Palácio do Planalto com menos dificuldades.

O segundo passo é ganhar tempo. Atrasar o máximo possível a instalação da CPI e dilatar prazos para convocações de dirigentes da estatal e de integrantes do governo. A aposta é que o assunto possa perder força com a redução de novidades sobre o caso e aproveitar a proximidade da Copa do Mundo para diminuir a atenção em relação a essa crise.

Historicamente o Congresso já se comportou de todas as maneiras possíveis em relação a CPIs. Algumas foram literalmente sufocadas por ações governistas, outras fugiram totalmente ao controle. Nesse último caso, pode ser incluída a CPI dos Correios, que deu origem ao processo do mensalão.

O governo Lula operou para mantê-la sob controle, dividindo suas operações num condomínio do PT com o PMDB. O senador petista Delcídio Amaral foi o presidente e o peemedebista Osmar Serraglio foi o relator. Em nenhum momento, seguiram qualquer orientação dos líderes governistas e o processo acabou resultando na condenação pelo Supremo Tribunal Federal da maioria dos envolvidos.

Aliados da presidente Dilma Rousseff dizem que o governo aprendeu muito desde então sobre como administrar CPIs e acham possível evitar danos eleitorais em potencial. A questão, agora, é ver se essa estratégia não foge ao controle.

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Quando passou o cargo para Dilma Rousseff, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou também outros bens valiosos. O primeiro era uma sólida base de sustentação no Congresso, capaz de apoiar o governo federal e de cortar o oxigênio da oposição.

O segundo bem foi uma economia estável. Apesar de todas as críticas sobre o que poderia ter feito a mais e dos sinais de aparelhamento excessivo da máquina pública, Lula soube tocar a economia do País sem sobressaltos.

Menos de quatro anos depois, a presidente vê essas duas heranças correrem risco. Primeiro, com a rebelião de sua base de apoio no Congresso, contida apenas com o tradicional método do repasse de recursos e cargos. Agora, se vê obrigada a encarar o rebaixamento do rating brasileiro pela agência Standard & Poor’s, questionando a qualidade da economia do País.

Obviamente, a importância de medir a confiabilidade da economia nacional interessa muito mais aos mercados do que ao cidadão comum. Mas a verdade é que o rebaixamento brasileiro põe em xeque as medidas que vêm sendo adotadas pelo governo brasileiro.

A questão é que o mercado vive de credibilidade e apostas na solidez das economias pelo mundo afora. E o governo brasileiro sabe que precisa de investimentos externos para tentar alavancar seu crescimento para patamares maiores do que os modestos números que vêm apresentando. Assim, O rebaixamento do rating brasileiro passa uma mensagem de desconfiança justamente para esses investidores que o Brasil sonha em atrair.

O rebaixamento da nota brasileira, em si, não é uma tragédia e está longe de ameaçar jogar a economia do País em algum buraco profundo. Mas aponta que algo errado pode estar acontecendo. Para complicar ainda mais esse cenário, o governo da presidente Dilma Rousseff se mobilizou para conseguir convencer as agências de risco que a economia era sólida e representava um porto seguro para quem quisesse investir seus recursos por aqui.

Por conta disso, Dilma, pela primeira vez desde que assumiu o governo, aceitou comparecer ao Fórum Internacional de Davos e enviou vários ministros de sua equipe para encontros no exterior com um objetivo comum: bater o bumbo a favor da economia brasileira.

O plano era falar do pleno emprego, dos investimentos em Educação e Saúde, do bom desenvolvimento do programa de concessões no País e da tentativa, cada vez maior, de passar confiabilidade e transparência nas medidas econômicas anunciadas pelo governo.

Foi um movimento claro para apagar os efeitos negativos pela adoção recentemente das chamadas “manobras contábeis” – sempre negadas pelos governistas – e que passavam a impressão de que nem tudo era claro nas medidas tomadas pela equipe econômica.

Apesar de todo esse esforço, e dos vários road shows feitos pelos integrantes do governo, nada convenceu a agência Standard & Poor’s, que rebaixou a nota brasileira.

O anúncio não podia vir num momento pior. O governo atravessa uma séria crise por conta de denúncias envolvendo a Petrobrás e corre o risco de ver aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dentro do Congresso para investigar essas suspeitas.

Além disso, os problemas de relacionamento com a base aliada viraram um tormento para o Palácio do Planalto. E esse clima só favorece a estratégia crítica dos partidos de oposição, que querem aproveitar o rebaixamento para reforçar suas críticas ao governo, dizendo que seus atos não inspiram confiança. Com tantos problemas para administrar simultaneamente, tudo o que o governo não precisava era de mais uma dor de cabeça a lhe incomodar, especialmente quando o calendário eleitoral se torna cada vez mais presente.

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    Quem Faz

    Marcelo de Moraes

    Marcelo de Moraes participa da cobertura de política e economia em Brasília desde 1993. Atualmente é o diretor da sucursal de O Estado de S.Paulo na capital, tendo trabalhado em outros importantes veículos de comunicação do País, como O Globo, Veja, Jornal do Brasil, Valor Econômico, Correio Braziliense, entre outros.

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