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Macaco elétrico

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Com a aproximação da estréia do filme de Tim Burton sobre Alice, fica cada vez mais difícil se safar da avalanche de informações relacionadas à menina de vestido azul criada por Lewis Carroll em 1865. Mas, exatamente no espaço de uma semana, uma sequência incrível delas veio até mim, culminando no vídeo acima, capaz de tirar o fôlego de qualquer pessoa que adore tecnologia e consiga enxergar possibilidades incríveis onde a maioria dos mortais não vê nada (ou pior: vê “perdas de tempo”).

Vou colocar os fatos em ordem cronológica, para explicar a construção desta minha tese. Há uma semana, comprei um desses “livros-brinquedo” muito interessante para apresentar Alice a meus filhos. Enquanto lia e explorava as “surpresas” em cada página, pensava: “caramba, por que não existe algo digital aqui? Seria uma experiência muitíssimo mais rica e ajudaria ainda mais a entender essa obra tão louca!”

Corte para quinta passada, para um fato não relacionado a Alice: o Jornal da Globo fez uma reportagem muito competente sobre como o recém-lançado iPad está sacudindo o mercado editorial, não apenas por se apresentar como a primeira ameaça real ao domínio do Kindle, mas por unir todas as virtudes do modelo de negócios desse último com um hardware muito superior e a devoção à marca da Apple. Mas o que mais me chamou a atenção na reportagem foi justamente como algumas editoras lá fora estão usando os e-readers para promover autores desconhecidos ou revitalizar antigos sucessos: elas oferecem de graça o download de obras inteiras dessas pessoas, na esperança de captar “e-leitores” que depois poderiam eventualmente pagar por outras obras do mesmo autor. Ainda segundo a reportagem, sempre se encontra livros gratuitos no alto da lista dos mais baixados e, de fato, as pessoas compram depois livros da mesma fonte. Ou seja, a estratégia está dando certo.

No dia seguinte, Alice voltou à minha história. Fiz uma pesquisa informal sobre os temas dos dois parágrafos acima com diretores de algumas editoras de livros do país. Como já sabia, ouvi que existem discussões internas se as empresas devem ou não investir em livros digitais como o que eu tinha pensado. Mas também ouvi, com muita tristeza, casos de alguns arautos do ostracismo contrários à iniciativa, que argumentam que isso estaria pervertendo a experiência leitora, ao transformar o livro em “outra coisa”.

Oras, francamente: sei que algumas dessas pessoas pensam com uma cabeça da época de Gutenberg, mas até esses produzem livros que já são “outra coisa” em relação à famosa Bíblia, primeiro exemplar que saiu da prensa do referido tipógrafo alemão. Por que então resistem a evoluir o seu produto para algo realmente melhor, que vai oferecer uma experiência incrivelmente mais rica a seus leitores. Será que é porque têm medo da tecnologia digital ou porque simplesmente não sabem como fazer isso? Em qualquer um dos casos, esses diretores não merecem os salários que recebem mês após mês: impedem que sua empresa prospere e causam um grande desserviço a seus consumidores (que cada vez mais procurarão a concorrência, felizmente).

Escutem o Chapeleiro Louco: ele sabe como os novos livros devem ser

Escutem o Chapeleiro Louco: ele sabe como os novos livros devem ser

E então, dois dia depois, cheguei onde esse post começou: ao vídeo com o teaser do produto Alice for the iPad, da empresa Atomic Antelope. Assisti o vídeo. Assisti de novo! E de novo! E mais uma vez! Caramba, eu tinha “pedido” isso há menos de uma semana e, de repente, estava ali vendo exatamente o que eu queria: um livro (sim, aquilo ainda é um livro, apesar de ser um app para o iPad) que amplia enormemente a experiência cognitiva do consumidor permitindo que ele efetivamente interaja com a obra, atuando quase como um co-autor. Ah,e tudo isso custa apenas US$ 9. Ah, se você quiser uma versão demo, o download é grátis.

Um viva aos rapazes da Atomic Antelope e uma sonora vaia aos vetustos diretores locais! Qual desses dois grupos vai prosperar nesse novo cenário? Deixo que o camarada ao lado, Johnny Depp na pele do Chapeleiro Louco de Tim Burton responda: “dizem que para sobreviver, você tem que ser louco como um chapeleiro, o que, por sorte, eu sou.”

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O vídeo acima demonstra o suposto primeiro contato de uma menina de 2,5 anos de idade com um iPad. Ok, pode-se argumentar que a menina já sabia como usá-lo, pois era acostumada a brincar com o iPhone do pai. Ainda assim, é muito interessante observar a sua linguagem corporal, envolvendo completamente o produto (que, aliás, tem um tamanho comparável ao da usuária), com o absoluto sucesso da sua interface.

Desse vídeo, quero tirar duas constatações. Primeiramente, a mais simples e quase um lugar-comum hoje: para jovens e crianças (mesmo as muito pequenas), gadgets como iPad, Nintendo DS, Kindle, smartphones e afins são artefatos tão corriqueiros quanto uma televisão (e certamente mais corriqueiros que um liquidificador). A outra, menos óbvia, é que essas coisas não são mais o que eles se propunham ao ser lançadas. E, na combinação dessas duas afirmações, reside uma maneira extremamente eficiente de se transmitir conhecimento –portanto mais que apenas informação.

Já discutimos aqui o desejo de os estudantes usarem seus gadgets, incluindo games, na escola. E eles não querem usar os games para jogar na sala de aula: eles os querem inserir no processo educacional! E eles estão certos! Educadores e editoras precisam olhar para o caminho que seus clientes estão lhes apresentando com a devida atenção, ao invés de continuar negligenciando o fato largamente.

Imagem do eSmart rodando em um Nintendo DS - Foto: reprodução

Tela do eSmart, software desenvolvido pelo McDonald's japonês para treinar seus funcionários com o Nintendo DS

O uso de consoles de games em processos educacionais traz uma série de vantagens. Além da facilidade inequívoca para entregar grande quantidade de informação, de toda natureza, eles falam a linguagem (e aqui me refiro ao uso amplo do termo) do aluno, cognitivamente. Recentemente vazou a iniciativa do McDonald’s japonês de investir US$ 2,2 milhões em um software para treinar seus funcionários com Nintendo DS. Batizado de eSmart, a expectativa da empresa é, graças a ele, reduzir pela metade o tempo necessário para o treinamento, o que representa um enorme ganho de eficiência e economia para a empresa, valendo-se de um aparelho amplamente conhecido por aqueles que compõem a sua força de trabalho.

Shigeru Miyamoto, principal criador de games da Nintendo - Foto: Sklathill

Shigeru Miyamoto anunciou que a área que mais ocupa seu tempo atualmente é o desenvolvimento de produtos educacionais para os consoles da Nintendo

A própria Nintendo já percebeu isso. Há alguns dias, Shigeru Miyamoto, principal criador de games da empresa e pai de personagens como Mario Bros, Donkey Kong, Zelda e Samus, declarou que a criação de produtos educacionais para serem usados com os consoles da empresa, especialmente o Nintendo DS, é a área que tem recebido mais a sua atenção atualmente. Isso definitivamente não é pouca coisa.

Esbarramos então nos professores, que resistem à adoção de tecnologia na sala de aula, por diferentes motivos. Entre as explicações para isso, estão a falta de material educacional desenvolvido para essas plataformas, a sua incapacidade de usar a tecnologia no processo pedagógico, a falta de intimidade com a tecnologia e o medo de os alunos a dominarem mais que eles mesmos. Todos elas são verdadeiras. Mas que isso não sirva de desculpa para protelar desenvolvimentos nessa área. A Nintendo (e pode apostar que os demais players também) já deixou claro suas intenções. Mas ela não é produtora de conteúdo educacional. Quem faz isso melhor ainda (AINDA!) são as editoras. Porém elas precisam se mexer com mais celeridade, antes que se tornem obsoletas demais para a nova geração de estudantes.

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07.abril.2010 17:16:55

Somos todos jornalistas?

Dilbert e o negócio de notícias na Internet - Imagem: reprodução

No Dia do Jornalista, vale discutir o papel do jornalista na sociedade

Hoje, 7 de abril, é Dia do Jornalista. Resgatei a tirinha acima porque ela me parece muito representativa do momento em que “nossa categoria” está passando. Entendo que os jornalistas –e o jornalismo, pois deles é feito– vêm passando por um “ponto de inflexão estratégico”, como diria Andrew Grove, um dos fundadores da Intel, atualmente seu conselheiro-sênior. Estamos em um momento em que somos forçados a abandonar velhos conceitos e modelos: se formos bem sucedidos, passaremos a um novo e promissor patamar de qualidade e produtividade; se fracassarmos, o futuro será sombrio.

Encaro três principais “forças” que empurram os jornalistas a essa situação. Primeiramente, a Internet esmagando os modelos de negócios das empresas de comunicação, exemplificado na tirinha. Há também os governos populistas que, nunca antes na história desse continente, se organizaram de maneira tão sistemática para se opor à imprensa. E, por fim, a discussão nacional em torno da malfadada obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista.

Afinal, somos todos jornalistas? Qualquer um pode ser jornalista? Do meu ponto de vista, a reposta é: claro que não! Mas, com igual certeza, não é o diploma que separa os “bons” dos “maus”. Foram colegas diplomados que perpetraram as barbaridades na cobertura do caso da menina Isabella Nardoni, do assassinato ao julgamento.

Tive a oportunidade de levantar a questão do diploma em conversa com Alberto Dines, José Maria Mayrink e Pedro Ortiz, no último dia 25. Eles defendem a formação de jornalistas nas faculdades. Concordo com eles: a boa formação é essencial para se ter um bom profissional de qualquer área. Mas isso é muito diferente de defender o diploma, justamente porque as faculdades infelizmente não vêm cumprindo o papel de formar jornalistas de qualidade. Por conta disso, vemos coisas grotescas como a cobertura do caso Nardoni e tantos outros, produzidas por coleguinhas despreparados, dirigidos por editores sem escrúpulos ou ética.

Se esse antijornalismo já não fosse muito ruim por si só, colocando em cheque o bem mais precioso do ofício –a credibilidade–, com isso, os jornalistas deixam a bola quicando na área para a segunda “força contrária”: a campanha de desmoralização da mídia pelo governo, que se fortalece com essas mancadas. Esse movimento tem no fanfarrão bolivariano, Hugo Chávez, seu principal expoente. Na republiqueta em que ele está transformando a Venezuela, nasceu o conceito do “terrorismo midiático”, que prega que a imprensa é nociva ao povo por lhe fazer oposição (leia-se: oposição ao governo estabelecido). O conceito do “terrorismo midiático” é bem estruturado, para que se possa apoiar racionalmente as suas besteiras. Tanto é assim que, em maior ou menor grau, vem sendo amplamente adotado por patéticos governantes dos vizinhos da Venezuela, e isso inclui o presidente Lula, que não mede esforços para sistematicamente jogar a opinião pública contra a imprensa.

E tem ainda a Internet, que está longe de ser uma “inimiga” do jornalismo ou dos jornalistas, mas que oferece as ferramentas para a maior mudança nas formas de trabalho e dos produtos jornalísticos desde o surgimento da transmissão via satélite ou talvez até mesmo do telex. Minha carreira começou poucos anos antes da liberação da Internet comercial, então posso afirmar categoricamente que ela é uma benção ao nosso trabalho: permite produzir mais e melhor, com menos esforço e mais rapidamente. Por outro lado, do pronto de vista das empresas de comunicação, seus modelos de negócios foram para o ralo com a explosão da Web. Às que quiserem sobreviver, não lhes basta simplesmente transpor para a nova mídia aquilo que já conhecem, pois isso não funciona mais. Já era! É preciso criar algo realmente novo. Mas não vou entrar nesse mérito aqui, pois isso é amplamente discutido neste blog (como aqui, aqui e aqui).

Por tudo isso, a melhor maneira de se comemorar este Dia do Jornalista é fazendo bom jornalismo. Isso não é para qualquer um: é para jornalistas (com ou sem diploma). E isso, ao contrário do que andam dizendo por aí, é absolutamente crucial para o fortalecimento da sociedade. Nas minhas andanças pela América Latina, vi claramente que, quanto mais enfraquecida a sociedade local, pior a sua imprensa (ou será que a relação é inversa?).

Como escreveu Gabriel García Márquez, Nobel de Literatura e jornalista (não formado), “ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir em um ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra acaba depois de cada notícia, como se fosse para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não volte a começar com mais ardor que nunca no minuto seguinte.”

Feliz Dia do Jornalista aos coleguinhas e a toda a sociedade.

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Capas de Veja, O Globo e Folha sobre o resultado do julgamento dos Nardoni, e de Veja, condenando-os dois anos antes - Imagem: reproduções

Capas de Veja, O Globo e Folha sobre o resultado do julgamento dos Nardoni, e de Veja, condenando-os dois anos antes

“Agora, Isabella pode descansar em paz”. Alguém pode me dizer exatamente o que quer dizer a capa da Veja desta semana, reproduzida ao lado? É mais um exemplo do grotesco antijornalismo praticado por esse semanário que insiste em desonrar continuamente a sua própria história.

Mas, agora que o casal Nardoni finalmente foi condenado pela Justiça, passando de acusados a culpados perante os olhos da lei, como Veja poderia agir diferentemente, se ela própria já os havia condenado na capa de 23 de abril de 2008, também reproduzida ao lado. Porém agora ela não está sozinha: O Globo destinou obscenos 47% de sua capa do dia seguinte ao assunto, com uma manchete espalhafatosa e uma foto dos populares comemorando o resultado como a conquista da Copa do Mundo.  Chamadas semelhantes abriram publicações por todo o país. Apenas como comparação, a Folha, apesar de chamada de seis colunas no alto da capa, conseguiu ser um pouco mais “equilibrada”.

Não estou defendendo os Nardoni. Eles foram julgados e condenados pela Justiça e, para mim, isso é tudo o que preciso saber, mesmo diante da trágica morte da menina. Meu objetivo aqui não é discutir o processo, e sim como a mídia, como um todo, transformou o caso em um verdadeiro circo de horrores, iniciado com as primeiras conclusões da investigação policial (que não condena ninguém) e teve seu ápice ao longo dessa semana, com os acontecimentos ocorridos no fórum de Santana.

Veja e toda a turma de coleguinhas agiu de maneira irresponsável ao espetacularizar o caso (que, diga-se de passagem, acontece aos montes nas periferias das grandes cidades, sem que “ninguém” fique sabendo), antecipando-se ao resultado da Justiça. Provocando a massa cinzenta: alguém já pensou o que seria a vida desses dois no caso de uma improvável absolvição? Mais que isso, apesar de todo o trabalho da promotoria e da defesa, os jurados, que são “gente como a gente”, já chegaram ao tribunal com uma enorme carga de “informação” sobre os acusados, pois foram bombardeados com isso pela mesma mídia. Não seria exagero, portanto, dizer que a imprensa teve papel determinante na condenação do casal.

“Vim do Estado do Piauí para ver a justiça ser feita no Estado de São Paulo!” “Vim da minha cidade do interior, porque lá não tem essas coisa (sic) de morte, de assassinato!” “Ora, ora, ora! O júri é aqui fora!” “Pega lá, pega lá, pega lá! Pega lá para nóis linchá (sic)!” “Vamos arrancar o pescoço desse desgraçado!” Frases ditas pelos populares à porte do fórum de Santana… Os mesmos que avançaram sobre os camburões que conduziram os já condenados a presídios em Tremenbé e –pasmem!– sobre o carro de familiares dos condenados.

Quem são essas pessoas e por que elas estão se prestando a isso? Por que Veja e os demais veículos não respondem isso e explicam também o seu papel na redução da nossa sociedade à barbárie? Em nome da liberdade de imprensa e do direito à informação, valores que –sim– devem ser preservados, transformam cidadãos em animais para vender mais exemplares.

Capa do Notícias Populares em que chama a Escola Base (inocentada pela Justiça) de "escolinha do sexo" - Imagem: reprodução

Capa do Notícias Populares em que chama a Escola Base (inocentada pela Justiça) de "escolinha do sexo"

Seria menos pior se algo assim nunca tivesse acontecido antes. Mas infelizmente não é a primeira, nem a segunda (nem a décima) vez que isso acontece. Pelo jeito, os coleguinhas não aprendem com os seus erros, nem mesmo os mais bizarros, como o do caso da Escola Base, que aconteceu a exatos 16 anos. Assim como agora, todos os veículos (exceto o extinto Diário Popular, justiça seja feita) noticiaram, julgaram e condenaram seis pessoas por suposto abuso sexual de crianças que estudavam na escolinha de classe média do bairro da Aclimação (São Paulo), que chegou a ser chamada, em manchete do finado Notícias Populares, de “escolinha do sexo” (reproduzida acima). Assim como agora, a fonte da imprensa foi a polícia. Mas, diferentemente de agora, os acusados foram inocentados: as fissuras anais infantis não foram causadas por abuso sexual, e sim por diarréia. Exatamente o que meus coleguinhas repetiram de novo nesse caso: uma grande cagada!

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Evento da Associação Brasileira de Letras discutiu -uma vez mais- a pseudo-ameaça aos direitos autorais pela Internet

O Jornal da Globo desta terça (9) mostrou uma reportagem sobre discussão sobre direitos autorais na ABL (Academia Brasileira de Letras). O teor do encontro foi encontrar alternativas de cobrança para um mundo em que as pessoas cada vez menos estão dispostas a pagar para consumir obras culturais, como músicas, filmes, livros.

Para o compositor Fernando Brandt, se isso não se resolver, “os autores vão deixar de ser autores, vão morrer, não vai haver autor mais no mundo.” Desculpe, mas sou obrigado a discordar, por dois motivos.

Primeiramente porque, por princípio, não compomos músicas, escrevemos poemas ou criamos nossos filmes domésticos para ganhar dinheiro: fazemos isso porque fazemos parte da raça humana. E essas são manifestações da paixão que nos move. Qualquer adolescente sabe disso. Mesmo Camões ou Drummond não escreviam para ganham alguns cobres, por mais que isso lhes fosse brindado depois.

Em segundo lugar… bem, Fernando, desculpe, mas os autores vão –sim– morrer, pelo menos os que esperam continuar sendo remunerados pelos modelos de negócios vigentes “fora” da Internet. Eles simplesmente não funcionam no mundo digital. Não dá para simplesmente tentar migrá-los para essa nova realidade, pois ela exige modelos completamente novos.

Isso não significa, em absoluto, que as pessoas não serão remuneradas pelo seu trabalho. Apenas isso acontecerá de outra maneira, totalmente inovadora, onde apenas o que realmente traz valor ao processo terá valor. É isso que essa “turma da resistência” se recusa a querer ver.

O caso das músicas é o mais emblemático, pois está mais avançado. Nesse cenário, a grande vítima é a indústria fonográfica, que se tornou completamente obsoleta e desnecessária, tanto para os autores e intérpretes, quanto para o público. Como não acrescenta mais nada ao processo, não tem valor, e não deve ser remunerada. Os primeiros podem realizar todo o seu trabalho, incluindo composição, produção, distribuição e divulgação, sem as gravadoras. E as grandes culpadas por esse ostracismo são as próprias empresas, por tentar resistir ao inevitável, sem se adaptar à nova realidade.

O público, desnecessário dizer, consome esse produto de maneira completamente diferente hoje –e não necessariamente de graça. Isso só acontece no download das faixas, apesar de que a Apple revolucionou o mercado permitindo que as pessoas comprem (ou sejam, paguem!) a música que desejem a preços irrisórios, graças ao iTunes. Outro exemplo de pagamento por música é o download de novas faixas em games, como no Guitar Hero, da Activision.

Claro que isso implica em mudanças na rotina dos artistas, mas –sinto lhes dizer– eles não têm escolha, pois seu público já alterou os seus hábitos de consumo. A indústria fonográfica se recusou a mudar e, por conta disso, hoje é um morto-vivo do capitalismo.

Se os medalhões que dominam a indústria cultural há tantos anos ainda assim resistirem,serão substituídos por uma nova geração de autores, adaptadas ao mundo que nos rodeia. Nada mais que puro darwinismo aplicado aos negócios.

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No dia 1º de março, cinco dos publishers mais importantes do mundo, Charles Townsend, da Condé Nast, Cathie Black, da Hearst Magazines, Jack Griffin, da Meredith Corporation, Ann Moore, da Time Inc., e Jann Wenner, da Wenner Media, anunciaram um campanha publicitária para mostrar ao seu público –e ao mercado publicitário– que as revistas não morreram e que ainda são um excelente negócio para os anunciantes.

A iniciativa, batizada de Magazines: the power of print, foi lançada durante a conferência da Associação Americana de Agências de Publicidade, que aconteceu em San Francisco (EUA). A um custo de US$ 90 milhões, circulará durante sete meses em cerca de uma centena de revistas desses grupos e seus sites, além de publicações de terceiros. O vídeo acima é parte dessa campanha, estrelado pelos executivos das revistas.

O objetivo da campanha é claro: dizer que as revistas trazem o melhor custo-benefício publicitário. O “inimigo” também está bem definido: a Internet, praticamente materializada em torno do Google. E a mensagem gira em torno do fato de que uma nova tecnologia não mata a anterior. Ou seja, as revistas continuam existindo, apesar da Internet, contrariando os arautos do apocalipse.

Puxa vida, eles descobriram isso sozinhos ou precisaram ajuda? Ok, claro que a ideia é sensibilizar as agências de publicidade, mas o tom da campanha chega a ser revanchista, colocando as revistas em franca defensiva. Apresentam várias métricas (de entidades ligadas à mídia impressa) que indicam aumento do leitorado, mas, em nenhum momento citam que revistas e jornais perdem, ano após ano, fatia do bolo publicitário, enquanto a Internet aumenta a sua. Será que precisa de tudo isso? Além do mais, se a coisa está tão boa assim, por que tanta preocupação em mostrar ao mundo tamanha obviedade?

Todas essas publicações possuem a sua versão online. Mas o fato é que essas empresas têm sido, até agora, incapazes de conter o rombo no budget de suas revistas –a cash cow de todas elas– com os crescentes (porém ainda proporcionalmente minguados) ganhos com suas iniciativas digitais. E isso acontece especialmente porque elas insistem em migrar para uma nova realidade o mesmo modelo de negócio que funcionava tão bem para o papel.

Infelizmente não funciona. A Web desafia a todos a criarem modelos totalmente novos. Ao invés de combater o Google, deveriam aprender algo com ele. E isso significa parar de querer adaptar o que já fazer e pensar MESMO fora da caixa.

Há alguns dias, estava conversando em off com o diretor de uma editora de livros didáticos, e ele disse que esse grupo –que ainda está com um pouco mais de tempo que as editoras de revistas e jornais para cair de cabeça na Internet– precisa agora começar a se aventurar com seriedade em produtos verdadeiramente digitais. Inclusive porque ainda têm fôlego para cometer erros. Na sua análise, se começarem a tentar –e errar– apenas daqui a dez anos, poderão ser postos para fora do negócio, pois então ninguém mais precisará deles. Exatamente a situação em que a indústria fonográfica está hoje: quem precisa deles ainda?

Acho que esses US$ 90 milhões poderiam ser mais bem usados estudando modelos de negócio alternativos. Afinal, a Internet não vai matar as revistas, mas certamente fará com que elas mudem sua forma, em um sentido bastante amplo.

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Já discuti aqui antes se o diploma de Jornalismo serve para algo, principalmente depois que ele deixou de ser obrigatório para o exercício da profissão. Mas tenho lido com apreensão, nos últimos dias, uma sequência de notícias sobre o fechamento de cursos de Jornalismo pelo país: o Senac e Facamp (Faculdade de Campinas) sumariamente os suprimiram, enquanto a UMC (Universidade Mogi das Cruzes) e Uniube (Universidade de Uberaba) suspenderam as turmas desse semestre.

A justificativa de todos é a mesma: depois que caiu a obrigatoriedade do diploma, aconteceu um êxodo de alunos desses cursos, chegando a superar os 50%, o que os inviabilizaria. No caso do Senac, restaram apenas 10 gatos pingados.

É uma lástima tanto a desistência desses alunos quanto o fechamento dos cursos. Mas pior que tudo isso é essa turma ter abandonado a graduação porque o diploma não serve mais de passaporte para as Redações. Em minha opinião, isso apenas corrobora minha tese de que boa parte dos estudantes não está nem aí para os conhecimentos que poderia adquirir no curso, estando apenas interessada em botar a mão no famigerado canudo. Isso explicaria também a gritaria toda em torno do fim da obrigatoriedade do diploma: afinal, se, para essa turma, a única coisa que presta no curso é receber o certificado após passar quatro anos pagando as mensalidades, permitir depois que qualquer cidadão possa lhe roubar (por mérito) o lugar no mercado de trabalho é mesmo de lascar!

Por outro lado, se os cursos fossem realmente bons, se estivessem acrescentando algo aos futuros jornalistas para que pudessem ser classificados verdadeiramente como “cursos superiores”, os alunos talvez “resistissem”, mesmo diante da desobrigatoriedade do diploma. Mas infelizmente esse não é o caso. Os cursos de Jornalismo no Brasil são rasos, perdendo tempo precioso para ensinar (mal) técnicas (muitas vezes desatualizadas) em detrimento de disciplinas que poderiam realmente fazer diferença na formação do profissional, como história, geopolítica, ética.

É uma pena. Todos esses acontecimentos deveriam servir de motivação para melhorar os cursos, não para fechá-los. Sabemos que a educação há muito virou um negócio, especialmente para essas faculdades desqualificadas que vêm pipocando por todo o Brasil, mas seria demais pedir algum investimento em melhorias, antes de simplesmente jogar a toalha?

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A Dra. Clare Wood, da Coventry University - Foto: divulgação

Para Clare Wood, o "internetês" não só não corrompe o idioma, como funciona como um poderoso instrumento para desenvolver habilidades ligadas à leitura e à escrita

A agilidade típica de conversas pela Internet (como em mensagens instantâneas) e em SMS popularizou de vez o uso de abreviaturas, acrônimos, siglas, neologismos embutidas nas frases, o que deixa educadores e pais de cabelo em pé. Para eles, expressões como “vc”, “tc”, “LOL” distorcem o idioma, produzindo uma geração de semianalfabetos.

Essa preocupação não existe apenas no Brasil. Tanto que pesquisa realizada por Clare Wood, na Coventry University (Reino Unido), procurou avaliar o que há de verdade nesses temores. E o resultado foi incrível: o uso de “texting” -como essa prática é conhecida em inglês- não apenas não representa uma ameaça, como paradoxal e surpreendentemente auxilia as crianças a desenvolver habilidades necessárias para a leitura e a escrita.

Segundo as conclusões da pesquisadora, a prática ajuda o “conhecimento fonológico”, que permite a uma pessoa detectar, isolar e manipular padrões sonoros na fala. Esse mecanismo é necessário, por exemplo, para saber se uma palavra rima com outra, ou o que sobra dela se removermos uma de suas letras. Para Wood, o “texting”, na verdade, ajuda as crianças a aumentar o seu contato com o idioma escrito.

“Esperamos instigar uma mudança na atitude de professores e pais, reconhecendo o potencial de exercícios baseados em texto para envolver crianças em atividades de conhecimento fonológico”, diz Wood. E vai mais longe: “se estamos vendo um declínio nos padrões literários de nossas crianças, isso acontece apesar de mensagens de texto, e não devido a elas.”

Por mais que isso possa se chocar com o senso comum, a pesquisadora está correta. E, se não for por qualquer outro motivo, já bastaria dizer que a língua é uma coisa viva, sempre disposta a ampliar os limites rígidos impostos pela norma culta. Peguemos o exemplo de “vc”, provavelmente o neologismo derivado dos chats mais popular em português. Ele significa “você”, palavra dicionarizada há muito, muito tempo. Mas alguém se lembra que “você” é uma evolução de “vosmicê”, que, por sua vez, derivou-se de “vossa mercê”? Não por acaso é um pronome de tratamento. Pois é, “vc” vem de “vossa mercê”, e isso está em linha com o que Wood afirma.

Por isso, apoio a sugestão dada dois parágrafos acima. Mas cabe a pergunta: quem vai capacitar os professores para isso? Sim, pois infelizmente lhes falta muito para abraçar uma causa linguística-tecnológica desse porte. Inicialmente porque precisam se despir de alguns preconceitos pedagógicos que há muito já deveriam estar enterrados. Depois porque precisam entender (no sentido amplo da palavra) que a tecnologia é uma enorme aliada pedagógica que eles possuem, e não uma ameaça. E finalmente eles precisam aprender a criar as tais atividades valendo-se da tecnologia e do que dela deriva, como o próprio “texting”.

Mas fica a pergunta: quem vai cumprir esse papel de educar os educadores? As editoras? Os governos? Os sindicatos? Honestamente, esse é um trabalho que toda a sociedade precisa abraçar. Nossos mestres estão tomando uma surra de inovação de seus discípulos, que acabam sendo as grandes vítimas desse processo, pois todo esse seu potencial acaba sendo desperdiçado em escolas que ainda estão no século passado (e não nas suas últimas décadas). Basta ver os exemplos da pequena Abbey e das crianças da Robin Hood School, nos posts anteriores.

As crianças podem ser muito mais (e elas querem isso), se forem adequadamente conduzidas. E esse é justamente o trabalho do professor moderno. Flw?

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Já virou lugar-comum dizer que os modelos educacionais vigentes não mais atendem as necessidades cognitivas das crianças de hoje, as assim chamadas “nativas digitais”. Enquanto educadores discutem como resolver isso -o que implica também em minimizar o fosso de comunicação que existe entre eles e seus alunos- as crianças continuam avançando.

O vídeo acima é bastante emblemático, pois ele mostra que as necessidades da turminha não se referem apenas a escolas e sim a qualquer instituição ou processo relacionado a aquisição de conhecimento. No exemplo, o que uma criança espera de uma biblioteca? Ok, as palavras ditas pela pequena Abbey não são dela: ela mal as consegue pronunciar para a câmera. Mas não se enganem: o que ela está dizendo SIM é dela. Ela não sabe formalmente o que é, por exemplo, realidade aumentada, mas provavelmente já estará apta a usar isso de maneira natural e positiva assim que se deparar com isso.

E, se as palavras (ainda) não são dela, é porque, por mais “digital” que seja, Abbey ainda tem três anos de idade. Mas ela crescerá, e todos esses conhecimentos serão formalizados e naturalmente organizados em seu cérebro. E aí sim ela exigirá com propriedade isso das escolas, a exemplo das crianças da Robin Hood School, de Birmingham, Inglaterra, vistas no post anterior (“O que os alunos querem dos educadores”).

Bem, o que os educadores e as bibliotecas (e toda a sociedade) estão fazendo para atender a essas demandas prementes?

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[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=ZokqjjIy77Y]

O vídeo acima não é resultado de uma pesquisa acadêmica de pedagogos. As frases que aparecem nos cartazes exprimem desejos verdadeiros das crianças que aparecem na tela, alunos da Robin Hood School, de Birmingham, Inglaterra. Desejos relativos a como querem estudar, e como pensam que a escola deve ser.

Uma coisa que salta aos olhos: todos eles se envolvem tecnologia! E muito do que esses estudantes querem implica em trazer para a sala de aula a sua experiência pessoal com as novas mídias e gadgets. Os alunos dizem que usam o computador todos os dias, surfam no seu PlayStation Portable, amam seus iPods e questionam por que não podem fazer isso na escola. Não como fator de dispersão, e sim como parte do processo de aprendizagem!

Esses alunos, totalmente familiarizados com sistemas de produção colaborativa, como wikis, Twitter, blogs e afins, desafiam seus professores a fazer o mesmo. Mais que isso: eles abandonam completamente sua postura “clássica” de alguém que apenas absorve conteúdos ditados por adultos, em favor de uma posição em que eles compartilham o que sabem, inclusive com os professores, que passam a aprender também.

Os estudantes querem participar da criação do próprio processo de aprendizagem, mesclando estudo com diversão. E não querem ser confinados aos limites físicos da sala de aula ou da escola: querem compartilhar isso com outras pessoas de todo mundo, que estão aprendendo a mesma coisa. E não querem se restringir às disciplinas tradicionais: o processo de aprendizagem deve ser amplo, completo, formando cidadãos.

O “curioso” é que, apesar de o vídeo e as crianças serem inglesas, tudo o que foi dito acima se aplica ao Brasil. E não é algo restrito às classes sociais mais altas (apesar de obviamente ser mais forte ali): mesmo crianças de camadas inferiores já apresentam essa demanda.

Assim como acontece na Inglaterra, os professores por aqui, por diferentes motivos, estão levando uma surra de seus pupilos na questão tecnológica. Como consequência, por medo ou ignorância, não conseguem atender a todos esses pedidos, legítimos e incríveis. É uma pena, pois as crianças estão nos dizendo o que precisamos fazer para levar a educação a um novo patamar.

Elas querem aprender mais! Estão prontas e esperando!

O vídeo acima não é resultado de uma pesquisa acadêmica de pedagogos. As frases que aparecem nos cartazes exprimem desejos verdadeiros das crianças que aparecem na tela, alunos da Robin Hood School, de Birmingham, Inglaterra. Desejos relativos a como querem estudar, e como pensam que a escola deve ser.

Uma coisa que salta aos olhos: todos eles se envolvem tecnologia! E muito do que esses estudantes querem implica em trazer para a sala de aula a sua experiência pessoal com as novas mídias e gadgets. Os alunos dizem que usam o computador todos os dias, surfam no seu PlayStation Portable, amam seus iPods e questionam por que não podem fazer isso na escola. Não como fator de dispersão, e sim como parte do processo de aprendizagem!

Esses alunos, totalmente familiarizados com sistemas de produção colaborativa, como wikis, Twitter, blogs e afins, desafiam seus professores a fazer o mesmo. Mais que isso: eles abandonam completamente sua postura “clássica” de alguém que apenas absorve conteúdos ditados por adultos, em favor de uma posição em que eles compartilham o que sabem, inclusive com os professores, que passam a aprender também.

Os estudantes querem participar da criação do próprio processo de aprendizagem, mesclando estudo com diversão. E não querem ser confinados aos limites físicos da sala de aula ou da escola: querem compartilhar isso com outras pessoas de todo mundo, que estão aprendendo a mesma coisa. E não querem se restringir às disciplinas tradicionais: o processo de aprendizagem deve ser amplo, completo, formando cidadãos.

O “curioso” é que, apesar de o vídeo e as crianças serem inglesas, tudo o que foi dito acima se aplica ao Brasil. E não é algo restrito às classes sociais mais altas (apesar de obviamente ser mais forte ali): mesmo crianças de camadas inferiores já apresentam essa demanda.

Assim como acontece na Inglaterra, os professores por aqui, por diferentes motivos, estão levando uma surra de seus pupilos na questão tecnológica. Como consequência, por medo ou ignorância, não conseguem atender a todos esses pedidos, legítimos e incríveis. É uma pena, pois as crianças estão nos dizendo o que precisamos fazer para levar a educação a um novo patamar.

Elas querem aprender mais! Estão prontas e esperando!

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  • Quem faz

    Paulo Silvestre é gerente de e-commerce da Samsung. Jornalista apaixonado por mídia e tecnologia, está online desde 1987 e trabalha com mídias digitais desde 1995. Participou da criação da FolhaWeb -que se transformou no Universo Online- e da AOL Brasil. Foi também editor de produtos digitais da revista Exame, gerente sênior de conteúdos digitais da Editora Saraiva, gerente de produtos digitais do Grupo Estado e editor de produtos digitais da Microsoft. Lecionou as disciplinas Jornalismo Digital e Tecnologias da Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo e atualmente é professor do curso “Redes sociais, colaboração e mobilidade” da PUC-SP.

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