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Quem faz

PAULO SILVESTRE é gerente de e-commerce da Samsung. Jornalista apaixonado por mídia e tecnologia, está online desde 1987 e trabalha com mídias digitais desde 1995. Participou da criação da FolhaWeb -que se transformou no Universo Online- e da AOL Brasil. Foi também editor de produtos digitais da revista Exame, gerente sênior de conteúdos digitais da Editora Saraiva, gerente de produtos digitais do Grupo Estado e editor de produtos digitais da Microsoft. Lecionou as disciplinas Jornalismo Digital e Tecnologias da Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo e atualmente é professor do curso “Redes sociais, colaboração e mobilidade” da PUC-SP.
terça-feira 22/10/13 09:26

Sobre beagles, comunistas, orixás e ameaças à democracia

Imagem: divulgação

Imagem: divulgação Três iniciativas, sem relação entre si, chamaram a minha atenção por carregar elementos de desobediência civil. Na madrugada da última sexta (18), ativistas invadiram o Instituto Royal, em São Roque (SP), e levaram quase 200 cães que eram usados em testes para as indústrias farmacêuticas e de cosméticos. No mês passado, um estudante catarinense autodeclarado "de direita até a ...

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terça-feira 01/10/13 07:19

A crise das empresas de comunicação também é de representatividade

Composição mostra a diferença entre a cobertura do discurso da presidente Dilma Rousseff na ONU feita por veículos estrangeiros e pela Veja - Imagem: reprodução

[caption id="attachment_967" align="alignnone" width="600"]Composição mostra a diferença entre a cobertura do discurso da presidente Dilma Rousseff na ONU feita por veículos estrangeiros e pela Veja - Imagem: reprodução Composição mostra a diferença entre a cobertura do discurso da presidente Dilma Rousseff na ONU feita por veículos estrangeiros e pela Veja[/caption]   Na semana passada, a imagem acima inundou as redes sociais. Invariavelmente, ela era acompanhada de comentários criticando a postura da Veja, como ...

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terça-feira 17/09/13 14:38

Devemos formar as crianças para o mundo em que elas vivem

Crianças usam notebooks educacionais em escola nos EUA - Foto: divulgação

[caption id="attachment_962" align="alignnone" width="600"]Crianças usam notebooks educacionais em escola nos EUA - Foto: divulgação Crianças usam notebooks educacionais em escola nos EUA[/caption]   Recentemente entrei em um debate com uma mãe que se vangloriava de, nessa ordem, ter "tirado o computador" do filho de dez anos e que, por conta disso, ele estaria fazendo coisas “que uma criança deve fazer”, como jogar bola e subir em árvores. Perguntei a ela para que mundo ela ...

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sexta-feira 13/09/13 17:35

A importância do caviar para o jornalismo

Exemplos de capas do Estadão e da Folha de um mesmo dia: dois veículos de uma mesma empresa, feito de jornalismo palaciano, agências e assessorias? Imagem: reprodução
Exemplos de capas do Estadão e da Folha de um mesmo dia: dois veículos de uma mesma empresa, feito de jornalismo palaciano, agências e assessorias? Imagem: reprodução

Exemplos de capas do Estadão e da Folha de um mesmo dia: dois veículos de uma mesma empresa, feito de jornalismo palaciano, agências e assessorias?

 

No dia 10, durante o 7º Fórum da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), em meio às discussões sobre a crise das empresas de comunicação impressa, Juan Giner, presidente do Innovation Media Group, sugeriu que os veículos precisam investir na produção de um jornalismo de alta qualidade, relevante e exclusivo, se quiserem que alguém pague pelo seu produto. Parece óbvio, mas não é, pois isso não se vê por aí.

“Temos que produzir um ‘jornalismo-caviar’, que seja nobre, raro e sofisticado, e principalmente que não seja encontrado em qualquer lugar”, disse Giner aos participantes do evento. “Mas 80% dos veículos de todo o mundo ainda não atingiram esse nível de sofisticação, exclusividade e relevância em seu noticiário. Precisamos produzir caviar”, alfinetou Giner.

Ele está certíssimo: as pessoas pagam pelo conteúdo que consomem, desde que ele mereça isso. O assunto já foi debatido neste mesmo blog mais de uma vez. Mas é uma pena constatar que a maioria do jornalismo por aí está mais para fast food que para caviar. É como se as empresas de comunicação, asfixiadas pelos seus balanços desfavoráveis, estivessem esquecendo como fazer bom jornalismo, preferindo as fórmulas fáceis, baratas e ruins. Não sabem mais onde está o caviar (e não procuram), e se contentam em oferecer hambúrguer de baixa qualidade. E isso não é uma exclusividade dos veículos impressos: permeia diferentes mídias.

Mas, agora discordando de Giner, apenas produzir jornalismo-caviar não é mais suficiente para salvar esses veículos. Para tornar a situação mais dramática, existe muita gente que despreocupadamente produz jornalismo (às vezes bom) de graça simplesmente porque aquilo não é o seu core business, mas precisa desse tal “conteúdo” para sustentar o que realmente lhe dá dinheiro. Isso não é nenhuma novidade: em 1996, quando o UOL foi lançado, as teles não queriam saber de oferecer acesso. Coube aos então chamados “provedores de acesso” criar a infraestrutura e oferecer a conexão. Naquela pré-história da Web, o conteúdo jornalístico da casa (no exemplo do UOL, vindo dos veículos da Folha e da Abril) era um “brinde” para convencer alguém a pagar pelo “acesso”, seu verdadeiro negócio.

Os portais de hoje não são muito diferentes disso. Talvez a maior ironia seja o fato de eles lucrarem muito distribuindo (pagando ou por parcerias) jornalismo da chamada “mídia tradicional”, que não aprendeu até hoje a lucrar nessa nova modalidade. E o problema reside em insistir em um modelo que foi criado no século 19, quando o leitor precisava pagar pelo jornal inteiro, mesmo que quisesse ler apenas uma notícia. Isso acontecia porque não era possível vender o jornal fatiado. Mas hoje isso é perfeitamente factível.

Não estou propondo micropgamento, algo difícil de implantar do ponto de vista técnico e financeiro. Mas o modelo “pague para levar tudo ou não receba nada” não se sustenta mais. Sim, é possível cobrar uma assinatura, mas por outro tipo de produto jornalístico que tire real e amplo proveito do que a tecnologia oferece, ao invés de simplesmente transpor o impresso para a tela. É isso que as pessoas não querem e que as empresas insistem em empurrar ao mercado. Para consumir notícia dessa forma, melhor ficar com a revista em papel mesmo.

E aí voltamos à história do tal jornalismo-caviar. Os novos leitores não consideram a hipótese de consumir notícias em papel. E os leitores antigos não querem mais pagar pelo jornalismo rasteiro e desqualificado que lhes é oferecido. As pessoas incensam o paywall do The New York Times, mas suas análises simplistas não vão além da exigência de pagamento para quem quiser ler mais conteúdo.

É uma visão míope e limitada do trabalho que a turma da “velha dama cinzenta” fez. Esquecem que o conteúdo gratuito é suficiente para atender às necessidades mensais de leitura de 90% dos visitantes de seu site, leitores eventuais (portanto, cobram apenas dos que realmente veem valor no produto e o consomem mais). Esquecem também que quem chega a uma notícia de buscadores ou de redes sociais não tem a leitura computada em sua quota, fortalecendo assim a sua relevância nessas importantes portas de entrada. Esquecem que os produtos digitais da casa são muito bons e não se resumem a transpor o impresso para a tela. Por fim, esquecem que quem assina o jornal impresso leva todos os produtos digitais de graça. Sobre tudo isso, uma generosa cobertura de jornalismo-caviar.

E continuamos com o nosso cachorro quente.

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quarta-feira 07/08/13 08:24

O que Jeff Bezos quer com The Washington Post

Jeff Bezos, fundados e CEO da Amazon, que acaba de comprar The Washington Post - Foto: Steve Jurvetson/CC

[caption id="attachment_939" align="alignnone" width="600"]Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, que acaba de comprar The Washington Post - Foto: Steve Jurvetson/CC Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, que acaba de comprar The Washington Post[/caption]   A semana começou com uma notícia que sacudiu a indústria de mídia. Na segunda, The Washington Post, um dos mais respeitados jornais do mundo, Ler post

domingo 14/04/13 23:46

Mais um round entre a mídia míope e o futuro

Logos da Rede Globo em 1965 e hoje

[caption id="attachment_920" align="alignnone" width="600"]Logos da Rede Globo em 1965 e hoje Logos da Rede Globo em 1965 e hoje: o grupo está perdendo a capacidade de olhar para o futuro?[/caption]
 
Os profissionais dos diferentes veículos das Organizações Globo estão proibidos de colocar links nas fan pages dos próprios veículos no Facebook. Continuam fazendo chamadas, mas nada de link, apenas frases toscas como “Leia a reportagem no site de ÉPOCA”. O G1 radicalizou: usa ...

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domingo 24/03/13 22:05

A nova pressa do jornalismo

De “GOTCHA!” a “They Didn’t Do It”: a mesma notícia, a mesma foto, o mesmo veículo, porém com mais ética e menos pressa - Imagens: reprodução

[caption id="attachment_905" align="alignnone" width="600"]Duas versão da primeira página do fictício The Sun - Imagens: reprodução De “GOTCHA!” a “They Didn’t Do It”: a mesma notícia, a mesma foto, o mesmo veículo, porém com mais ética e menos pressa[/caption]   Vivemos um momento de riqueza e pobreza simultâneas no jornalismo. Riqueza no volume de notícias, e pobreza na qualidade da maioria do material publicado. Esse paradoxo pode ser, pelo menos em parte, explicado pela pressa ...

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sexta-feira 22/02/13 09:32

Jogador, gostaria de lhe apresentar George Washington

Cenas de O Patriota e de Assassin's Creed III - Imagens: divulgação e reprodução

[caption id="attachment_898" align="alignnone" width="600"]Cenas de O Patriota e de Assassin's Creed III Que melhor maneira de estudar sobre a Revolução Americana, que assistindo a um filme como O Patriota, ou -melhor ainda- atuando diretamente nos seus eventos históricos, como em Assassin's Creed III?[/caption]   Há alguns dias, tive o prazer de conhecer “pessoalmente” George Washington, quando frustrei uma tentativa de assassiná-lo. Também andei ...

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