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O vídeo acima não é resultado de uma pesquisa acadêmica de pedagogos. As frases que aparecem nos cartazes exprimem desejos verdadeiros das crianças que aparecem na tela, alunos da Robin Hood School, de Birmingham, Inglaterra. Desejos relativos a como querem estudar, e como pensam que a escola deve ser.
Uma coisa que salta aos olhos: todos eles se envolvem tecnologia! E muito do que esses estudantes querem implica em trazer para a sala de aula a sua experiência pessoal com as novas mídias e gadgets. Os alunos dizem que usam o computador todos os dias, surfam no seu PlayStation Portable, amam seus iPods e questionam por que não podem fazer isso na escola. Não como fator de dispersão, e sim como parte do processo de aprendizagem!
Esses alunos, totalmente familiarizados com sistemas de produção colaborativa, como wikis, Twitter, blogs e afins, desafiam seus professores a fazer o mesmo. Mais que isso: eles abandonam completamente sua postura “clássica” de alguém que apenas absorve conteúdos ditados por adultos, em favor de uma posição em que eles compartilham o que sabem, inclusive com os professores, que passam a aprender também.
Os estudantes querem participar da criação do próprio processo de aprendizagem, mesclando estudo com diversão. E não querem ser confinados aos limites físicos da sala de aula ou da escola: querem compartilhar isso com outras pessoas de todo mundo, que estão aprendendo a mesma coisa. E não querem se restringir às disciplinas tradicionais: o processo de aprendizagem deve ser amplo, completo, formando cidadãos.
O “curioso” é que, apesar de o vídeo e as crianças serem inglesas, tudo o que foi dito acima se aplica ao Brasil. E não é algo restrito às classes sociais mais altas (apesar de obviamente ser mais forte ali): mesmo crianças de camadas inferiores já apresentam essa demanda.
Assim como acontece na Inglaterra, os professores por aqui, por diferentes motivos, estão levando uma surra de seus pupilos na questão tecnológica. Como consequência, por medo ou ignorância, não conseguem atender a todos esses pedidos, legítimos e incríveis. É uma pena, pois as crianças estão nos dizendo o que precisamos fazer para levar a educação a um novo patamar.
Elas querem aprender mais! Estão prontas e esperando!
Pergunte a qualquer grande empresário se ele gostaria de ter uma operação na China e a resposta provavelmente será sim. Entrar no gigante vermelho é quase como uma medalha de mérito, pois representa acesso a um mercado gigantesco e ainda com muito espaço, com custos de produção muito baixos que levam também a exportações para todo mundo de maneira muito competitiva.
Mas, há seis dias, David Drummond, principal executivo jurídico do Google publicou o post “uma nova abordagem para a China” no blog oficial da empresa, informando que a empresa e dezenas de outras foram alvos de ataques de hackers chineses. Até aí, nada demais. Mas o vice-presidente afirmou categoricamente que os ataques tinham, como alvo, contas de e-mail de ativistas de direitos humanos daquele país. Ainda que não tenha dito explicitamente, ficou no ar a ideia de que o governo chinês poderia estar por trás daquelas ações.
O Google afirma que, diante disso, mudará a postura de sua operação local, não mais aceitando a interferência e as regras do governo de Pequim, que obriga a empresa, por exemplo, a censurar os resultados de seu buscador, eliminando links para páginas que o governo considera contrárias a seus interesses. Quando foi anunciada, essa censura causou grande desconforto entre os usuários, inclusive maculando o mote informal do Google, “don’t be evil” (“não seja mau”).
Algumas empresas declararam apoio ao Google –como o Yahoo!– e outras nem tanto –como a Microsoft. E, apesar de a secretária de Estado do EUA, Hillary Clinton, ter dito que as acusações do Google “motivam preocupações e questionamentos muito sérios”, é pouco provável que o incidente provoque alguma crise política entre Washington e Pequim.
Vamos aos fatos! Qualquer empresa que quiser operar no mercado chinês tem que aceitar as regras e a interferência do governo local, e isso não vai mudar. Yao Jian, porta-voz do ministério do Comércio chinês já reiterou isso, após negar que o governo tenha relação com os ataques. Todas as empresas, de qualquer indústria, aceitam essa regra e os computadores vendidos no país vêm com um software-espião, batizado de Green Dam (“barragem verde”).
MAS… será que a China é a única “malvada”? Com toda essa gritaria, alguém se lembrou que as mesmas empresas também colaboram com o governo americano, especialmente depois dos atentados de 11 de setembro de 2001? O próprio CEO do Google, Eric Schmidt, sugeriu publicamente, no fim do ano passado, que ninguém deve colocar na Internet algum tipo de informação da qual possa se arrepender, pois a privacidade total não existe. No final das contas, há mesmo uma diferença nas investidas dos governos dos EUA e da China contra a privacidade? E tem ainda o nosso senador Eduardo Azeredo e seu famigerado projeto de lei, que quer “regular” a Internet brasileira.
Como se pode ver, tá todo mundo com o rabo preso.
Voltei de férias pelo interior dos Andes (vide foto), onde pude realmente me desligar do mundo, e me deparei com um clima enlouquecido, Daniel Dantas livre, tentativas de cerceamento da imprensa e ideia loucas de mexer no vespeiro da anistia. É também o momento em que o Google assume que sofreu ataques de hackers chineses, com seu advogado sugerindo que teriam sido patrocinados pelo próprio governo chinês e ameaçando encerrar a operação local (falarei sobre isso mais tarde).
Mas é também o momento em que a maior fusão -e um dos maiores fracassos- da história acaba de completar dez anos: a compra da Time Warner pela America Online. E desde que eu deixei a operação brasileira, poucos meses antes do seu fechamento, ouço recorrentemente duas perguntas: por que o negócio não deu certo no Brasil e como a fusão acima fracassou.
Realmente a coisa tinha tudo para dar certo… mas deu errado. A explicação extra-oficial da época -e ela realmente explica muito- é que o negócio ruiu devido a diferenças culturais entre as duas empresas e seus respectivos funcionários e a uma crescente animosidade entre os grupos, que não só não foi controlada pela direção do grupo, como foi amplificada por ele.
Mas agora, passada uma década, podemos ver com mais facilidade que havia um outro fator decisivo: a Internet, que era quase como uma concorrente da “velha AOL”, que aglutinava seus assinantes em torno de seu gigantesco serviço proprietário, estava começando a virar de pernas para o ar os modelos de negócios vigentes tanto do lado da AOL quanto da Time Warner. Para piorar tudo, a bolha ponto-com estourou justo naquela época e a AOL ainda se viu envolvida em escândalos financeiros.
Aquilo foi praticamente a semente do tsunami que vem varrendo a mídia tradicional nos últimos anos, destruindo empresas de comunicação centenárias. E pode-se dizer que o epicentro disso é o Google, a empresa que soube mover-se com rapidez e habilidade sobre os escombros do gigantesco fracasso.
O The New York Times publicou uma excelente reportagem sobre os motivos do fracasso da fusão, depois de ouvir praticamente todas as pessoas-chave do acordo. Vale a pena a leitura!
Dos escombros, as duas empresas finalmente se separam em dezembro. A AOL tenta se reinventar para recuperar pelo menos parte do brilho que teve no passado. As empresas da Time Warner têm seus próprios problemas. Em ambos os casos, a Internet, que jogou água na festa de Steve Case e Gerald Levin, é quem agora impõe os desafios para que ambos sigam adiante.
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