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Luiz Zanin

06.março.2012 12:00:35

Coices e pontapés

O futebol quando bem jogado pode transformar o chute numa forma de arte. Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, preferiu uma modalidade mais truculenta do chute e declarou que o Brasil precisava de “um pontapé no traseiro (tradução delicada)” para tocar com mais rapidez as obras da Copa de 2014.

 

O coice não foi bem assimilado. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, diz que não aceita mais Valcke como interlocutor. O Ministro das Relações Internacionais, Marco Aurélio Garcia, subiu o tom e devolveu a bola: chamou o francês de “vagabundo”. Ou seja, sobrou pontapé para todos os lados.

Existem análises mais sutis do affair. Uma delas afirma que Valcke teria provocado esse incidente como forma de tirar a atenção sobre Ricardo Teixeira, o eterno presidente da CBF, alvo de denúncias e pressionado a renunciar.

Ora, no mundo dos homens, e ainda mais, dos homens ligados ao futebol, nada é impossível. Não excluo a hipótese de que a frase de Valcke seja mais uma manobra política do que falta de educação, pura e simples.

Mas existe uma explicação mais singela, e, às vezes, é melhor optar pela simplicidade. A frase de Valcke pode ter saído como puro reflexo da atitude colonialista que alguns europeus ainda têm em relação ao Brasil. Passou um pito por entender que “povos inferiores” trabalham melhor sob chicote. Não é surpresa que essa visão colonial extemporânea encontre boa repercussão aqui mesmo no País e, numa espécie de servidão voluntária, entre pessoas que se autointitulam “formadoras de opinião”.

O mundo mudou, Valcke não percebeu e, quando se deu conta da gafe, ela já tinha sido cometida. Saiu. Por reflexo. Mas é só isso? Um ato falho, inofensivo? Claro que não: a frase exprime perfeitamente aquilo que Valcke pensa do Brasil e de outros países como o nosso. Ao agir com delicadeza de senhor de engenho na época da colônia, o bom Jérôme nos concedeu uma instrutiva lição involuntária: ou o Brasil assume a postura que lhe cabe, de país grande e soberano, ou ninguém o respeitará. É preciso baixar a bola dessa gente, porque eles não o fazem por conta própria.

Paulista x Libertadores. O Corinthians poupou metade da equipe para seu compromisso na Libertadores contra o Nacional do Paraguai. O Santos, que tem uma pedreira maior pela frente, o Inter de Porto Alegre, botou todos os titulares em campo no domingo. Quem teve razão? Essa, como outras perguntas do futebol, só se respondem por suas consequências. Os resultados dos jogos darão razão a Tite ou a Muricy. A ambos ou a nenhum. Seja como for, o Santos ganhou o clássico e subiu na tabela. Todas as estratégias são discutíveis e podem ser olhadas de mais de um ângulo. Só não concordo com quem diz que nenhum dos times, em especial o Santos, têm o que ganhar com mais um título do Paulistão. Ora, se o Peixe vencer, será tricampeão paulista, o que não acontece desde o tempo de Pelé. Quer motivação maior?

(Coluna  Boleiros)

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Amigos, tem muita gente querendo saber se a infraestrutura (estádios, aeroportos, comunicação, etc.) ficará pronta para a Copa de 2014. Justo. Eu também me preocupo em saber se a seleção estará pronta. Não dá indícios. A não ser nos primeiros jogos promissores da era Mano, tem se apresentado mal. Não consegue obter bons resultados contra seleções “grandes”, de primeira linha. Perdeu para França e Argentina; empatou com a Holanda. É começo de trabalho? Sim. Mas não parece muito promissor. O jogo com a Holanda é exemplo. Com exceção de uns 20 minutos de bom futebol no início do segundo tempo, o time travou. Tomou vaia em Goiânia.

A alegação de Mano parece consistente: “Prefiro a dura realidade que resultados ilusórios”. Verdade. Melhor pegar logo de vez as carnes de pescoço do que se enganar com vitórias contra adversários inofensivos. Mesmo assim, não se percebe uma linha evolutiva da seleção. E, para permanecermos na tal da realidade, melhor não levar muito em conta o resultado hoje contra a Romênia que, além de não pertencer ao andar de cima do futebol, ainda vem desfalcada. Trata-se de jogo festivo, a despedida de Ronaldo, etc. No entanto, se a seleção não vencer e der show, as vaias do Serra Dourada poderão se repetir no Pacaembu.

O problema não são tanto as vaias, embora elas não possam ser ignoradas. É que elas são sintoma de algo mais grave, o estranhamento do brasileiro com sua seleção, que não se atenuou. É verdade que agora existem no time alguns jogadores que atuam no País, mas esse fato (positivo) não foi ainda capaz de familiarizar o torcedor com a sua seleção. Ele ainda a sente como corpo estranho, uma equipe prestigiada por ele caso forneça bom espetáculo, hostilizada quando o decepciona. O apoio incondicional não é automático. Por isso, diz o treinador, “teremos de educar” a torcida para que, durante a Copa, jogue junto com o time, esteja este bem ou mal, na frente ou atrás no placar.

O que me pergunto é se esse projeto pedagógico proposto pelo técnico vai colar. Há quem diga que o apoio incondicional virá de maneira natural assim que a Copa começar. Mas pode não vir, em função desse longo afastamento entre torcida e seleção, que já vem preocupando até mesmo a insensível CBF. Data de muito tempo, a meu ver, mas ficou mais explícita no fiasco da Copa de 2006. Dunga foi escalado para estreitar esse relacionamento. Deu no que deu.

Agora a situação é diferente. A próxima Copa será aqui e Mano Menezes, desde o começo, deu mostras de preocupação com o problema. Sabe que, para ganhar a Copa, será preciso um time consistente em campo, mas o apoio da torcida também ajuda. E muito. Como ganhar de volta esses corações e mentes? De várias maneiras, supõe-se. Não fazendo distinção muito rígida entre os jogadores que atuam na Europa e os que continuam no Brasil, como era a filosofia dos seus antecessores, para os quais os atletas que aqui ainda jogavam eram considerados de segunda classe. Outra medida: fazer a seleção jogar mais no País durante a fase de preparação, o que implica menos lucro e mais risco, como se viu em Goiânia.

O nó da questão é esse: parece que o torcedor estabeleceu com a seleção uma relação de consumidor diante de um serviço. Ele paga caro e, se não recebe o que lhe é prometido, chia. O Procon do torcedor é a vaia. Desse modo, a única saída viável para a seleção ter apoio é começar a jogar bem. Tivesse enfiado dois ou três gols na Holanda, e sairia consagrada de Goiânia. Melhor ainda se tivesse vencido e dado show. É o que dela se espera. Eu não me iludiria com essa história de apoio incondicional. Ele não virá, pelo menos nesses jogos preparatórios. Na Copa, graças ao clima de competição, pode até ser diferente. Mas é melhor não confiar.

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04.julho.2010 14:29:50

Gracias, hermanos!

A verdade (e a verdade deve ser dita) é que o chocolate de 4 a 0 que a Argentina levou da Alemanha ajudou a curar a ressaca brasileira pela desclassificação diante da Holanda. Digo isso sem a menor maldade. Mas é o que pude observar por aí, e em mim mesmo. Não me lembro de um trabalho de luto por uma derrota na Copa ser feito em tão pouco tempo. 24 horas, exatas.

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É sempre muito chato escrever um texto sobre a desclassificação do Brasil, porque se tem de evitar que um bode expiatório seja eleito, como foi o caso de Roberto Carlos, em 2006, quando da eliminação diante da França. Agora, em 2010, esse personagem óbvio seria Felipe Melo. Ele conseguiu ser o nome do jogo, para o bem e para o mal. No primeiro tempo deu o passe maravilhoso para Robinho colocar o Brasil em vantagem. No segundo, fez o gol contra que desestabilizou a equipe e foi expulso, deixando o time com dez o resto do jogo. Foi o grande responsável individual para a derrota e a desclassificação, mais uma vez nas quartas de final.

 

Erros individuais podem determinar uma derrota assim como acertos individuais podem levar a uma vitória. Felipe Melo foi um problema, mais que uma solução. Um problema anunciado, e sabido por todo mundo, menos justamente por Dunga. É isso. Mas não é apenas isso.

Há o lado coletivo, que é ainda mais enigmático. O que causa mais pasmo é o fato de o Brasil ter desmoronado quando tomou o gol de empate. Desorganizou-se por completo diante dessa Holanda, que não é nada brilhante como a de 1974 ou a de 1978. Faltou alguém para colocar a bola no chão e tentar reeditar o belo primeiro tempo que o Brasil havia feito. Esse fator psicológico é fundamental. Em 1958, na decisão contra a Suécia, o Brasil tomou o gol logo de início. Didi pegou a bola no fundo do gol, caminhou com ela na mão até o meio de campo, acalmando os outros jogadores. Deu a saída e logo o Brasil empatava e abria caminho para a vitória e para a sua primeira Copa do Mundo.

Não existe um Didi neste seleção que fracassou. Parecia tão sólida e não aguentou o tranco. Para usar uma metáfora do pugilismo, é como um daqueles gigantes com queixo de vidro, que não aguentam um único soco.

Fosse outra a sua têmpera, teria assimilado o gol de empate, nascido de uma falha, e voltado a praticar o jogo que lhe dera a vitória no primeiro tempo. Como uma criança mimada, que não tolera ver seus desejos frustrados, entrou em parafuso.

Dunga segurou um projeto duvidoso por causa dos resultados que obteve até hoje. Agora, que perdeu, esse projeto tornou-se indefensável e anacrônico. Tem de ser repensado em sua filosofia de base, isto é, a tentativa de fazer do futebol brasileiro uma pobre sucursal do futebol europeu. Hora de voltar às origens, talvez. Não pode ficar pior do que está.

(Caderno da Copa, 3/7/10)

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Muito antes de terminar, a Copa da África já tem uma originalidade: pela primeira vez, desde a 1ª Copa do Mundo, chegam mais sul-americanos do que europeus às quartas-de-final. E isso, é bom lembrar, porque na 1ª Copa, realizada no Uruguai e vencida pela equipe da casa em 1930, foram várias as defecções européias, que não quiseram se expor à longa viagem de então. Treze equipes participaram; nove das Américas, apenas quatro da Europa.

São fatos da história das Copas, disponíveis em qualquer almanaque. Uma história que marca uma velha rivalidade entre a Europa e a América do Sul. Das 18 Copas realizadas, nove foram para europeus, nove para sul-americanos. Empate, que será quebrado agora na África do Sul, a não ser que a seleção de Gana saia campeã. Você apostaria?

Qualquer outra situação leva à quebra do equilíbrio. No seleto grupo que chega agora às quartas-de-final, há quatro países sul-americanos, três europeus e apenas um africano. E nisso se resume o mundo ecumênico da Fifa.

Essa rivalidade Europa-América do Sul vem sendo mantida ao longo dos 80 anos de história das Copas, com uma característica – os europeus vencem apenas em seu continente; os sul-americanos triunfam em casa e no resto do mundo. Perdem na Europa, com apenas uma exceção – o Brasil, que leva o seu primeiro título na Suécia em 1958.

A história das Copas caminha paralela a outras histórias, a dos povos, a da economia e a do próprio futebol. Num certo momento, essa oposição entre Europa e América do Sul era bastante clara. A maior parte dos jogadores permanecia em seus países e assim estilos locais eram nítidos. Com a abertura econômica, a criação da da União Européia e a globalização do esporte, todo esse sistema foi posto em xeque. A Europa abriu seu mercado e passou a absorver craques de todo o mundo – em particular da arquirrival América do Sul. Assim, mesmo que as seleções sul-americanas prevaleçam, deve-se lembrar que a maioria dos seus jogadores atua em clubes europeus.

Com essa realidade econômica, os estilos mesclaram-se, fundiram-se e confundiram-se. Não é tão fácil encontrar uma equipe europeia “puro sangue”, de cintura dura, como as de antigamente. Nem uma equipe sul-americana cheia de ginga e criatividade. Os extremos aproximaram-se. Ficam os sul-americanos com algumas individualidades inimitáveis, para fazer a diferença. Por que a Espanha, que desclassificou Portugal, não é tão boa quanto o Barcelona? Porque é um Barcelona sem a magia de Messi. Por que o Brasil não é uma sólida seleção europeia? Porque tem no improviso de um Robinho (que, aliás, ainda não brilhou), o seu possível diferencial.

(Caderno da Copa, 30/6/10)

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Um gol originário de bola parada e dois de contra-ataque. Assim o Brasil liquidou o Chile. Certo. Um placar e a descrição dos gols dizem muita coisa. Não dizem tudo. É preciso ver qualitativamente. Quem viu o jogo assistiu ao Brasil fazer a sua melhor partida desde que começou a Copa da África.

Foi genial? Não. Mas é claro que o time apresentou uma consistência muito maior do que nos três jogos anteriores, muito fracos, em especial aquele contra Portugal. Claro, se pode dizer que neste prevaleceu o pragmatismo, pois o importante era garantir o primeiro lugar para não cair do lado da chave onde se concentram os cachorros grandes. Despachamos Portugal para lá e a primeira missão deles será hoje contra a Espanha. Nada de se invejar.

De qualquer forma, contra o Chile, o Brasil, repito, sem ser genial, apresentou futebol mais leve, solto no meio de campo e com alguns momentos que lembraram o nosso melhor jogo, em particular nos dois últimos gols.

Melhor que isso, mostrou firmeza no setor defensivo, dando muito poucas chances ao ofensivo Chile do Loco Bielsa. Lúcio, mais uma vez, foi um gigante.

Gostei, acho que todos gostamos. A pergunta que se impõe – porque a nossa profissão obriga a lucidez – é se o futebol mostrado tem condição de superar o da Holanda, que vem aí liquidando os adversários, um a um, com seu jogo preciso, frio, cirúrgico. Entendo que dá, sim, mas será muito sofrido, com muita dificuldade. Prevejo algo do tipo daquele Brasil x Holanda de 1998, no Vélodrome de Marselha, uma semifinal imprópria para corações sensíveis.

A Copa chegou àquele ponto em que os mais frágeis já foram embora. Daqui para a frente, tudo será sofrimento e júbilo.

A distância entre a euforia e a depressão estará sempre por um fio.

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Amigos, se os posts rarearem neste blog, não se preocupem: não saí de férias sem avisar, não estou doente e nem desanimado: é o efeito Copa do Mundo. Fui destacado para escrever sobre os jogos no blog Bate-pronto, revezando com os colegas Roberto Baschera e Marcos Guterman. Assim, vai sobrar menos tempo para cuidar dos outros assuntos, pois pretendo ver todos os jogos. Mas farei um esforço hercúleo (ops!) para manter o blog em funcionamento. Aos interessados em futebol, recomendo a leitura do Bate-pronto. Acho que vai ser legal. Abraços a todos e todas. E boa Copa, para quem for do ramo. Zanin

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Depois de conquistar as Copas América e das Confederações, ganhar da Argentina e ficar em primeiro lugar nas Eliminatórias, faltava à seleção de Dunga um último ingrediente para fazer uma grande campanha na África do Sul: uma certa dose de ceticismo da torcida brasileira. Pronto: agora não falta mais nada. Diz a lenda que toda vez que a seleção sai como favorita, perde o título. Em 2010, ela não corre esse risco.
A onda negativa chegou com o esquecimento dos craques que gozam de bom ibope junto à torcida, como o veterano Ronaldinho Gaúcho e as revelações Neymar e Paulo Henrique Ganso. Dunga ficou na dele e vai à Copa com o time em que confia. Se ganhar, confirma-se como homem de personalidade. Se não, vai carregar o rótulo de teimoso, limitado, sem visão. É um risco.

Objetivamente, os brasileiros sabem que o time pode ganhar. Mas, pelo que tenho ouvido pelas esquinas, ninguém se entusiasma com a equipe, apesar de tão vencedora. Não desperta paixão.

Mas não se pode negar que a seleção é um bom time, pelo menos pelos padrões atuais do futebol – ou vocês não viram de que jeito a Internazionale de Milão ganhou a Champions League? Com metade da defesa da Inter na equipe, o Brasil vai se segurar bem lá atrás. Tem um meio-campo marcador e, se os deuses da bola quiserem, pode contar com a inspiração de um Robinho ou de um Luís Fabiano para marcar os gols necessários. Duvido que nos encantemos com os jogos, mesmo que Kaká se recupere. O hexa até pode vir. Mas, quem quiser futebol bonito mesmo, faz melhor em acompanhar os jogos da Espanha.

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A atuação de Messi, que ontem enfiou quatro gols no Arsenal, é prova de que o futebol-arte está bem vivo e não é coisa de saudosistas, como assinala Fernando Calasans em sua coluna de O Globo. O fato, também, é que a Argentina chega à Copa com um grande craque, vivendo um momento de esplendor. Esse jogador, a seleção brasileira, certinha e bem ajustada, não tem. O confronto – se existir – será interessante. Não digo que será feliz para nós, apenas interessante.

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Não adianta chiar. Com uma ou outra mudança, a seleção que vai à Copa é essa mesma que derrotou a Irlanda por 2 a 0, dois gols de Robinho (o primeiro seria melhor descrito como gol contra). Eficiente, dura na marcação, boa no contra-ataque. Foi chato jogar contra essa Irlanda de cintura dura e, ainda por cima, treinada por Trapattoni. E a seleção teve dificudades. Ainda acho que falta mais criatividade no meio de campo. Kaká é bom de arranque, tem virtudes, mas não é um “pensador” de meio campo como foi um Gérson no passado mais remoto e Alex, no passado mais próximo. Falta um meia. Por instável que seja, talvez Ronaldinho desse um certo brilho, uma certa imprevisibilidade nesse setor vital. Mas não adianta ficar uivando para a Lua. Dunga montou um time à sua imagem e semelhança. Como naqueles versos de Caetano, “Narciso acha feio o que não é espelho” (Sampa). Tirando Robinho, um “fantasista”, como dizem os italianos, essa será a seleção brasileira mais européia de todos os tempos. Talvez ganhe a Copa, quem sabe?

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