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Luiz Zanin

08.janeiro.2013 09:15:01

Um tango para Messi *

Depois da quarta Bola de Ouro, superando Zidane e Ronaldo, o que falta ainda a Lionel Messi? Nada, dirão os tietes que, ouso supor, constituem a imensa legião de fãs de futebol (profissionais ou não) espalhados pelo mundo. Messi atravessou fronteiras, ou melhor, pulverizou-as. Tem torcedores em todos os países. E essa torcida se justifica. Entre todas as suas qualidades, não falta nem mesmo uma inesperada modéstia. “Não foi o meu melhor ano no futebol”, disse, apesar de ter feito 91 gols em 2012. Justifica: apesar da façanha individual, os títulos do time não vieram como ele gostaria. O Barcelona foi desclassificado pelo Chelsea e ficou sem o título de campeão europeu. Não pôde, por consequência, disputar o Mundial no Japão. Este homem, então, além de tudo, tem pensamento coletivo! Não é o cúmulo?

De minha parte, e sem querer estragar a festa da unanimidade, acho que falta ainda uma coisa a Messi: ser campeão do mundo pela seleção argentina. Trata-se de um desafio que virá apimentar ainda mais a Copa do Mundo de 2014. Já pensaram (batam na madeira, por favor!) a Argentina vencer a Copa no Brasil, em pleno Maracanã? Eu só não digo que seria uma tragédia pior do que a de 1950 porque já não se fazem mais tragédias como antigamente. Ninguém vai cortar os pulsos. Mas que vai ser um estrago, isso vai. E que vai despertar o nosso sempre presente complexo de vira-latas, disso não tenho dúvida.

Deixando de lado esse pensamento sombrio, entendo que este passa a ser o principal desafio de Messi. A Copa é, para ele, aquela meta sem a qual os grandes craques não conseguem se motivar. Depois de ganhar tudo, bater todos os recordes, jogar no melhor time do mundo, o que mais resta? Pois bem, no fundo da consciência de Messi, ou, talvez, enterrado lá em seu inconsciente, deve incomodar essa proeza não realizada: dar a volta olímpica numa Copa do Mundo com a seleção do seu país natal, ser lá reconhecido como o digno sucessor de Maradona. Tornar-se, talvez, alvo da mesma idolatria de Diego Armando, ele, Lionel, de perfil tão oposto, tão avesso aos excessos (verbais e outros) do grande mito argentino?

Será isso possível? Maradona, que ganhou uma Copa para o seu país, parece argentino até a caricatura. É fácil visualizá-lo cantando Cambalache, por exemplo. Já Messi, com sua discrição, senso de economia de gestos e palavras, a finesse com que vai acumulando gol sobre gol, é mais minimalista. Vai à essência, depura movimentos, opta sempre pelo mais simples. Difícil imaginá-lo bailando um tango, essa dança tão cheia de arabescos e paixão. Se há uma argentinidade em Messi é a de um Jorge Luis Borges, tão portenho quanto inglês, com sua prosa sóbria e precisa.

Mas, quem sabe uma Copa, vencida no terreno do arquirrival Brasil, não seja capaz de entronizar Messi no imaginário dos seus patrícios? Cabe a Felipão e família exorcizar esse sonho de Messi – um pesadelo, do nosso ponto de vista.

* Coluna Boleiros, publicada no Caderno de Esportes do Estadão

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02.janeiro.2013 15:13:36

Gols de letras

Nem no Brasil nem no exterior o futebol costuma ser bem tratado pela literatura. Não que não haja livros sobre futebol. Há, e muitos. O raro é que sejam bons. E mais raro ainda que dois ótimos exemplares sejam publicados quase ao mesmo tempo como Páginas sem Glória, de Sérgio Sant’Anna, e O Barça – Todos os Segredos do Medlhor Time do Mundo, de Sandro Modeo.

À parte a boa qualidade e terem o futebol como foco, são em tudo diferentes. Sant’Anna é um dos nossos melhores ficcionistas. Modeo, um jornalista italiano que costuma escrever sobre futebol, mas de maneira toda particular, evitando os clichês dos seus colegas de ofício.

Páginas sem Glória, na verdade, é um livro que inclui três relatos, entre eles o mais extenso – e o que nos interessa – e dá título ao volume. É tão superior aos outro dois, os contos Entre as Linhas e O Milagre de Jesus, que mereceria um volume autônomo. Pequeno, também, pois tem apenas 107 páginas. Mas elas estão entre o que de melhor já se produziu neste país tendo o futebol como tema. São, na verdade, páginas gloriosas.

Para traçar o perfil do seu personagem – o jogador José Augusto Fonseca, o Conde –, Sant’Anna se vale de memórias de infância e juventude e de toda a sua experiência como frequentador do assunto – é dele, também, outra excelente ficção sobre o jogo da bola, Na Boca do Túnel (in 22 Contistas em Campo, Flávio Moreira da Costa (org.), Ediouro).

Páginas sem Glória é narrado em primeira pessoa. O narrador conhece o Conde através de um tio que teria privado da intimidade do jogador. Paulista exilado no Rio, Zé Augusto era filho de família rica, pai advogado influente. Começou a brilhar em peladas de praia, foi notado por olheiros e levado para o Fluminense, clube da elite (estamos nos anos 50) no qual pouco fica devido à postura arrogante e indisciplinada. Vai parar no Bonsucesso, onde escreve essas páginas sem glória que dão título à novela.

A história – real – do futebol brasileiro é composta de personagens magníficos, desde os ídolos que deram certo, no campo e na vida, como Pelé e Zico, até os trágicos, como Garrincha e Heleno de Freitas. Na figura ficcional de Zé Augusto, vemos um pouco de cada um deles, e de nenhum. No universo ágrafo do futebol, o Conde era culto, refinado, educado. Vinha de família rica. Lembra em muitos aspectos, Heleno (que é citado no relato). Mas o destino do Conde nem de longe se assemelha ao trágico de Heleno que, depois de ter tido tudo, morreu louco num asilo de Barbacena, atingido pela sífilis.

O Conde talvez nem grande vocação para o futebol profissional tivesse, não fosse o toque de gênio que fazia, em duas ou três jogadas, o destino pender para o time cuja camisa vestia na ocasião. Não era atleta. Insubmisso e boêmio, mostrava um excesso de personalidade para as atividades de grupo. E o futebol, queira-se ou não, é uma prática coletiva. A desgraça do Conde, a sua híbris, é o excesso de confiança: um pênalti cobrado de forma tão surpreendente, com tanta categoria e sutileza, que faz a suspeita crescer sobre suas reais intenções.

O engenho e arte de Sérgio Sant’Anna permitem centrar sua narrativa não numa final de Copa do Mundo, mas num humilde Olaria e Bonsucesso na rua Bariri. Como a dar razão a Nelson Rodrigues, para quem as possibilidades dramáticas do jogo aparecem tanto num Brasil x Argentina que decide taça quanto na mais sórdida das peladas. É nesse ambiente suburbano que o Conde encontrará a sua hora da verdade. Atacante contra goleiro, touro contra toureiro, um lance único, único toque, estocada solitária, o tudo ou o nada.

Bem diferente é a narrativa futebolística de Sandro Modeo, que escreve para o Corriere della Sera e outros veículos. É autor de outro livro excelente, ainda não traduzido para o português, Il Alieno Mourinho (O Alienígena Mourinho), sobre o temperamental técnico do Real Madrid, tido por muitos especialistas como o melhor profissional do ramo no mundo, embora esteja em baixa no momento.

Modeo admira Mourinho porque o técnico português é figura intelectualmente destacada no mundo do futebol. Tem interesse por literatura, música, pintura e uma infinidade de disciplinas artísticas e científicas – e faz todo esse conhecimento confluir para a construção de um projeto para o futebol. Essa admiração é compreensível. De certa maneira, Modeo realiza, com a narrativa futebolística, o mesmo que Mourinho tenta fazer com o treinamento de uma equipe. Serve-se de uma série inesperada de referências de outras áreas do conhecimento humano para escrever sobre o esporte – e tentar, através desse cruzamento de saberes, iluminá-lo.

A bola da vez, digamos assim, é o Barcelona, atual fenômeno mundial do futebol. Na opinião quase unânime, o Barça é o melhor time da atualidade. Mas dizer isso seria pouco. É um dos melhores de todos os tempos e, talvez, o melhor de todos os tempos, como já andaram decretando por aí e por aqui. Não apenas por que tem em seu quadro o melhor jogador do mundo da atualidade, Messi, mas porque possui algo mais forte do que uma individualidade, ainda que genial – tem um conjunto que atua de forma coesa, precisa, e inusitada.

Como chegou a essa “forma perfeita”? Modeo ensaia vários ângulos de abordagem. Desde o histórico, associando-o a determinadas características especiais da Catalunha, até a explicação quântica, que explicaria como o Barça expressa o suprassumo do “futebol total”, expressão associada à famosa seleção holandesa dos anos 70. Todos atacam, todos defendem, todos atuam de forma integrada. Vale até para os monstros sagrados, como Crujiff, no passado, e Messi, no presente. Todos são solistas e acompanhantes, o todo é maior que a soma das partes. O livro de Modeo é esclarecedor, embora não evite o tom superlativo que acompanha em regra os textos sobre o Barcelona. Admiração é uma coisa; deslumbramento, é outra. Mas os méritos são muitos e a ótica interdisciplinar da abordagem enriquece a leitura do futebol.

Páginas sem Glória e O Barça são provas vivas de que o futebol, além de ser o esporte mais popular do planeta, pode dar origem a narrativas extraordinárias.

 Trechos

Páginas sem Glória

“A cobrança foi uma obra-prima. O Zé tomou apenas três passos de distância, para não dar tempo ao goleiro de seguir seu raciocínio, ou , pelo menos, para simular isso; só olhou para o guardião no momento do chute, viu que ele mexeu levemente o corpo na direção do canto direito, para o qual fingia que iria, e iria mesmo, tentando enganar o Conde que, caminhando como iria chutar com a direita, só poderia chutar no canto direito da meta, pela posição de seu corpo e de seu pé, não houvesse ele, como o húngaro Puskas, maior craque da época, costumava fazer, trocado de pé no último instante, num indício indiscutível de que chutaria com o pé esquerdo no canto esquerdo do goleiro, que para lá se atirou, mudando sua intenção inicial, num reflexo perfeito”.

O Barça

“Como Bolt, como Federer, o Barça exaspera o adversário. Diante deste enxame – deste rebanho de pássaros – times poderosos, ou mesmo poderosíssimos, acabam ficando desorientados, gaguejantes, presos na rede hipnótica da posse de bola exemplar por precisão e ‘leveza’ (na conotação que Italo Calvino confere a esse termo no livro Lições Americanas – Seis Propostas para o Próximo Milênio). Ao adversários do Barça não conseguem entender por que as tentativas do ataque acabam desmoronando diante da oposição organizada de um grupo supostamente frágil, com a estrutura média abaixo dos outros times do mesmo nível. Eles experimentam um estupor parecido com aquele do grande físico Ernest Rutherford que lidando com as ‘poderosas’ partículas alfa desviadas por uma finíssima lâmina de ouro afirma: ‘É como se a artilharia de uma fragata fosse neutralizada por um lenço de papel’. E justamente, em consideração dos estados e das dinâmicas da matéria, o Barça parece, nos momentos melhores, uma equipe ‘quântica’ em comparação com os times baseados em leis da física ‘clássica’, como a gravidade”.

 

 

Serviço: O Barça – Todos os Segredos do Melhor Time do Mundo, de Sandro Modeo (Editora Qualitymark)

Páginas sem Glória, de Sérgio Sant’Anna (Editora Cia das Letras)

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25.dezembro.2012 13:06:12

No balanço da bola *

Amigos, no fim de ano, com exceção de alguns campeonatos estrangeiros, a bola para. E, quando a bola para, sobra tempo para pensarmos o futebol de maneira mais geral. Livres das preocupações do dia a dia, das paixões clubísticas, dos destinos da seleção, pensamos em abstrato. Isto é, pensamos melhor.

Por isso, outro dia chamaram minha atenção as palavras de Tostão, ainda refletindo sobre a vitória do Corinthians no Mundial de Clubes. Disse que havia três maneiras de jogar hoje em dia. A do Barcelona, que é um caso único. A dos demais europeus, na qual o Corinthians, em parte, se integraria (e isso explicaria porque venceu o Chelsea). E a dos sul-americanos, nosotros, de tática antiquada e precária técnica.

Bem, estranhei a ausência de menção a qualquer escola brasileira que fosse. Acabou-se, a tal “escola brasileira”? Esse era um ponto que queria discutir com vocês. Não temos mais um jeito brasileiro de jogar? Ele não conta mais na ordem das coisas? Já existiu, ou foi ilusão nossa? Dilui-se na geleia do mundo global? Foi miragem feliz que se desfaz em contato com a realidade? Existiu um dia e, como tudo que existe sobre a Terra, acabou por morrer? Quando o grande cineasta e ensaísta Pier Paolo Pasolini falava em “futebol de poesia”, referindo-se justamente à seleção de 1970, elogiava algo que não existia? O historiador Eric Hobsbawm, referindo-se à mesma seleção de 1970 disse que, depois de vê-la jogar, ninguém podia negar ao futebol a condição de grande arte. Estaria falando bobagem? Exagerando? Ou evocando um passado que não volta mais? Dúvidas…

No presente, o Barcelona pratica seu estilo único, que encanta a maioria. Posse de bola, marcação à frente, troca de passes, paciência para abrir espaços e esperar o melhor momento de fazer o gol. Parece, hoje, virtualmente insuperável. Embora perca de vez em quando, como todo time de futebol. Depois vêm os outros times, que alternam a forma de marcação, mas também defendem e atacam trocando passes e sem rifar a bola. E, por fim, o estilo tosco latino-americano, brasileiro em particular, feito de chutões, levantamentos de bola sobre a área, marcação lá atrás. Uma tristeza!

Por coincidência (ou não), li há pouco o excelente livro O Barça – Todos os Segredos do Melhor Time do Mundo (Editora Qualitymark), escrito pelo jornalista italiano Sandro Modeo. O cabra é muito bom. Já havia lido dele um livro sobre o técnico José Mourinho. Modeo sabe do que fala. E usa vários recursos intelectuais e artísticos para entender – e explicar – o fenômeno do futebol. Até física quântica. De acordo com ele, o futebol de ponta praticado no mundo oscila entre o modelo holístico do Barcelona e o flexível proposto por Mourinho. Nada mais. Excluída dessas alternativas, estaria a “galáxia sul-americana”, cujo DNA seria avesso ao “futebol total” adotado no mundo civilizado. Seria o Corinthians de Tite a primeira exceção? Assunto vasto: voltaremos a ele.

Um ótimo Natal a todos.

* Coluna publicada no Caderno de Esportes do Estadão

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04.dezembro.2012 10:01:16

Ideias fora do lugar *

Para a opinião pública, Felipão é um acerto. Para a opinião publicada, um retrocesso. Para os torcedores comuns, o Brasil precisa de um líder que conduza ao hexa. Os especialistas preferem quem leve a seleção pelo caminho da modernidade. Do que julga ser a modernidade, o paradigma atual do Barcelona. Daí o desencontro. Como a substituição de Mano por Scolari foi política e não técnica, a dupla Marin-Del Nero, que de boba não tem nada, olhou na direção da popularidade, que tira o foco de outras e mais graves questões. Daí o nome de Guardiola, tão insistentemente lembrado, não ter passado de leve devaneio de primavera.

Essa, como outras decisões no mundo do futebol, está aberta a controvérsias. Ninguém nega experiência à dupla Scolari-Parreira. Em certa medida, experiência é importante mesmo, ainda mais em situação-limite como costuma ser uma Copa do Mundo, quando qualquer descuido ou perda de concentração podem ser fatais. Lembrem o que aconteceu, por exemplo, na Copa de 1998, quando tínhamos tudo para ganhar a final e perdemos para um caso até hoje muito mal explicado. Enfim, um líder carismático (como Felipão) pode ser muito útil numa hora dessas.

Pensando de maneira menos pontual, parece lógico que a dupla não pode oferecer grande perspectiva de renovação tática. Embora tenham sido os dois últimos técnicos brasileiros campeões do mundo (Parreira em1994, Felipão em 2002), não têm convencido em seus últimos trabalhos. Parreira parecia ter um time de sonho na Copa de 2006 e deu com os burros n’água de maneira até patética. Depois do Penta, Felipão foi bem na direção de Portugal, mal na do Chelsea e acaba de contribuir para o rebaixamento do Palmeiras.

Os críticos têm alguma razão em colocarem um pé atrás – alguns já colocam os dois pés atrás em relação à dupla. Quem viu o Palmeiras jogar ultimamente sabe que o estilo não recomenda o técnico. Com outro elenco ele poderia ter feito algo diferente? É bem provável, mas indemonstrável. E Parreira? Quem não se lembra do seu Corinthians, muito bem treinado, e que tinha na posse de bola seu ponto forte, antes que essa característica fosse elevada a dogma com a ascensão do Barcelona? No entanto, aquele Corinthians forte, racional e experiente foi demolido por um Santos adolescente e ofensivo em dois jogos nas finais o Brasileiro de 2002.

O que tudo isso quer dizer senão que não existem fórmulas prontas para vencer ou perder no futebol?

O Barcelona seria o mesmo sem os jogadores que lhe dão suporte? Por que então tomá-lo como modelo absoluto? Alguém elegeu como paradigmas o Santos de Pelé, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Cruzeiro de Tostão ou o Flamengo de Zico? Não, porque esses modelos se esvaziariam sem os jogadores que lhes emprestaram corpo e alma.

O Barcelona tem sido considerado mais que um clube (é seu slogan). O Barça seria uma ideia. Um modelo absoluto. Para um futebol sem ideias, como o brasileiro atual, parece mais fácil importar uma, já pronta. Sem lembrar que existem problemas de aclimatação e execução. Sem isso, ideias não passam de abstração. Ou deslumbramento tolo.

* Publicada na Coluna Boleiros, do Caderno de Esportes do Estadão *

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Houve uma quase coincidência de datas entre a primeira conquista da Libertadores pelo Corinthians e os 30 anos de uma derrota histórica da seleção brasileira. Dia 4 de julho de 2012 o Corinthians ganhava do Boca Juniors no Pacaembu e levantava a taça continental pela primeira vez. Trinta anos antes, no dia 5 de julho de 1982, o Brasil perdia para Itália por 3 a 2 e era desclassificado da Copa do Mundo da Espanha.

O que uma coisa tem a ver com a outra? Mais do que se pensa. O Corinthians, em sua conquista, tornou vitoriosa uma concepção de jogo pragmática, de resultado, que não encanta mas resolve. Trinta anos antes, com a derrota da exuberante seleção de Júnior, Falcão, Cerezo, Zico, Sócrates e Éder, abria-se uma discussão que ainda não terminou, entre o futebol que encanta, mas não vence, e o futebol de resultado, sem graça, mas que acaba por se impor.

A discussão permanece porque, para a nossa geração, a derrota do Brasil em 1982 teve o peso simbólico da perda da Copa de 1950 para a geração anterior. Cada qual com sua tragédia. Entre as mil interpretações para a derrota de 1950, ficou uma, como a versão mais fidedigna: o excesso de confiança (a síndrome do já ganhou) aliado à falta de raça. Os brasileiros teriam tremido diante da combatividade de Obdulio Varela e seus companheiros da seleção uruguaia. Da derrota de 1982 ficou a impressão inicial de pura fatalidade. E, para outra facção, a de que futebol bonitinho já era: num tempo de supremacia física e tática rígida, é preciso ser pragmático se quisermos chegar a algum lugar.

As duas derrotas deixaram os brasileiros pasmos. Paulo Perdigão disse que, após o Maracanazzo de 1950, deixara de crer em Deus. Nós, os de Sarriá, em 1982, perdemos a fé no equilíbrio das estrelas e na ordem do universo. Ficamos órfãos, nus, na chuva.

Vivemos essas décadas sob pressão psicológica: a de que o futebol arte seria algo do passado, romântico e, no limite, irresponsável. Algo como o futebol de exibição, de focas amestradas, malabaristas da bola, mas que nada mais conseguem diante da solidez de outras escolas. Nesse ínterim, ganhamos duas Copas jogando de modo prático, com momentos esparsos de brilho, em 1994 e 2002.

Daí se entende que essa geração traumatizada por 1982 se sinta gratificada quando vê ressurgir o futebol arte em sua forma vencedora – por exemplo, no Santos de 2002 e 2010, e, em especial, no Barcelona de Xavi, Iniesta e Messi. Esses times seriam provas empíricas de que a beleza vence. Ou que também pode vencer. Mas o que tivemos este ano foi nova reversão de expectativas. O Santos, apesar de ter mudado seu estilo de jogo, era ainda o time da moda no Brasil. Perdeu inapelavelmente do Corinthians nas semifinais da Libertadores. O Barcelona, o modelo de futebol para o mundo, foi desclassificado pelo Chelsea. Corinthians e Chelsea, dois times aparentados, como o são Santos e Barcelona, disputarão o Campeonato Mundial de clubes no Japão.

É o futebol de resultado dando as cartas? Ou aprenderemos de vez que existe mais de uma maneira de vencer, e que algumas são apenas mais belas do que outras?

* Coluna publicada no Caderno de Esportes do Estadão

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03.julho.2012 08:57:53

Jogo totalitário?

Cada um de nós tem suas preferências. Mas fica difícil não admitir a superioridade do futebol espanhol depois do chocolate de 4 a 0 aplicado nos italianos na final da Eurocopa. Foi uma dessas vitórias acachapantes que se impõem como demonstração definitiva de superioridade. Lembrou-me o passeio do Barcelona em cima do Santos, curiosamente pelo mesmo placar impiedoso.

E isso num momento em que o estilo espanhol já vinha sendo contestado. Muita gente, entre as quais me incluo, acha o estilo espanhol meio chato, obcecado pela posse de bola, paciente demais, à espera do melhor momento para dar o bote. Aceitamos isso no Barcelona por que há a genialidade de Messi, aquele toque inesperado dos poetas, a jogada surpreendente, hoje tão rara no futebol pasteurizado. Sem Messi, a Espanha parece um Barcelona mais rotineiro. Mas nenhuma outra seleção se mostra capaz de derrotá-la. E, verdade seja dita, jogou bonito contra a Itália.

O engraçado é que não se trata de estilo retranqueiro, daqueles que, mesmo vencedor, acaba despertando má vontade dos apreciadores do futebol arte. Não. A Espanha joga o jogo. Troca passes e trata a bola com gentileza. Ou não é bonito ver como Iniesta ou Xavi jogam? No entanto, há quem chame esse estilo de “totalitário”, na medida em que joga sem que o adversário consiga ver a bola. Instaura uma desproporção em campo.

Existe algo de moral nesse tipo de observação. Supõe que o futebol seja um jogo de alternância, em que um ataca, depois cede a bola ao adversário, que passa a atacar, e assim por diante. Quando um dos times praticamente monopoliza a posse de bola, subverte essa equação justa. Passa a ser jogo de um lado só. Se perguntarem a um adversário da Espanha como era a bola, de que cor, que desenhos tinha, ele não vai ser capaz de responder, porque não a viu. A observação sobre o totalitarismo do Barcelona e, por extensão, da Espanha, tem seu sentido.

Mas, ora, o futebol não se propõe ser ético ou justo, ou mesmo democrático, no sentido do senso comum desses termos. Cada um busca a vitória e o máximo a esperar é que ela se dê dentro das regras. E ponto. De modo que é melhor ir procurando um jeito de enfrentá-los, e dentro das 17 regras: 2014 está aí e a Espanha é favorita ao bi mundial.

Corinthians. Será a semana da vida do Timão. Um amigo corintiano me perguntou o que eu achava da decisão com o Boca. Respondi a ele o que aqui escrevo: acho que o Corinthians tem todas as condições de ganhar sua primeira Libertadores. O mais fanático dos torcedores sabe que não será fácil. O Boca, mesmo não sendo o mesmo de outros anos, é sempre o Boca. Joga bem fora de casa. É o mais copeiro dos times. O Corinthians só não pode se apavorar. Deve jogar com a seriedade de sempre. O gol do Romarinho foi fundamental. Deixou tudo pau a pau. Agora é jogar, e sofrer.

* Coluna publicada no Caderno de Esportes do Estadão

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22.maio.2012 17:29:21

Questão de gosto *

Só espero que depois do chato endeusamento do Barcelona não surja agora um ainda mais tedioso elogio ao futebol-força do Chelsea. Só por que ganhou? E isso é motivo suficiente?

Se alguma lição há a tirar da vitória do time inglês sobre o Bayern é a de sempre – os caminhos do futebol são múltiplos. Pode-se vencer ou perder jogando bonito; pode-se perder ou vencer jogando feio. Há times empolgantes que perdem e times monótonos que vencem. Não existem garantias, seja como for e, claro, esse é o encanto maior do futebol.

O outro encanto é que, mesmo de um jogo feio, podemos tirar emoção como aconteceu na própria decisão da Champions. A partida, em si, foi pífia. Mas como negar o encanto na maneira como ela se decidiu – com o gol de última hora de Drogba, que a levou para a prorrogação; o pênalti cometido pelo mesmo Drogba e perdido por Robben; a decisão por pênaltis, na qual a última cobrança coube … a quem senão a Drogba? Quer dizer, o marfinense virou salvador ao empatar o jogo; candidatou-se a vilão ao cometer o pênalti; confirmou-se herói ao terminar com imensa categoria a série de pênaltis. Foi de arrasar. Já o jogo, visto tecnicamente, a frio, não foi nada de mais.

Tudo isso aconteceu porque se tratava de uma partida final, em que vale o tudo ou o nada. Mas o que aconteceu na Alemanha se deve também à própria estrutura do jogo, errática, propensa a paradoxos insondáveis e permeável aos acasos. Não por outro motivo Nelson Rodrigues dizia que a mais sórdida pelada era de uma complexidade shakespeariana. É que, artista antes de cronista, Nelson via o drama, quando não a tragédia que se oculta atrás do jogo.

Esse potencial dramático se expressa de qualquer forma – no jogo feio ou no jogo bonito; com craques em campo ou sem eles; num gramado perfeito ou num charco, como aconteceu por exemplo na mitológica virada do Santos sobre o Milan, 4 a 2, em 1963, num Maracanã de polo aquático, palco da provavelmente mais emocionante partida de todos os tempos.

Mas é claro que, mesmo sendo tão generoso o futebol, podemos preferi-lo em sua modalidade mais estética. Mais divertida. A que mais se aproxima a uma das belas artes. Em suma, o futebol consolidado e consagrado aqui no Brasil já há tantos anos, e agora em desuso, transformado em raridade. A velha escola brasileira, que ressurge de tempos em tempos no jogo ousado de alguns moleques geniais que ousam desafiar a rigidez de esquemas táticos dos “professores”.

A escola brasileira é uma questão de estilo. E estilo vencedor. Porém, não imbatível. A questão a ser vista é a aposta nessa, digamos assim, identidade futebolística, um jeito de jogar, uma maneira de expressar o que somos, ou talvez o que desejaríamos ser, uma insistência nessa marca registrada, mesmo sabendo que ela não é imbatível, como as outras também não o são. Para mim, o encanto maior do futebol está no encontro entre escolas de jogo radicalmente opostas, cada qual com suas virtudes e pontos frágeis. E o pesadelo maior, a uniformização de todos os estilos divergentes num estilo único, numa espécie de fast food futebolístico. Nada a imitar, portanto, no Chelsea. Nem na forma de jogo e, muito menos, no modelo de negócio, por favor.

* Coluna Boleiros, publicada no Caderno de Esportes do Estadão

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10.abril.2012 09:02:45

A base, o Barça e nós

Junto algumas leituras de ontem para compor minha coluna de hoje. A primeira refere-se à coluna do colega “boleiro” Paulo Calçade, que toma o caso do Corinthians para falar da insuficiência da renovação dos elencos profissionais pelas categorias de base.

Ocupando a mesma página do Caderno de Esportes do Estadão de ontem está a ótima reportagem de Jamil Chade sobre o “futebol absoluto” do Barcelona. A nova forma de jogar, essa que vem desafiando rivais de todo mundo, e que seria uma espécie de evolução do futebol total holandês, cunhado no Ajax e exportado por Johan Cruyjff para o próprio Barcelona. O Barça atual seria a evolução desse futebol total, um patamar novo que é justamente burilado nas categorias de base do clube catalão.

Um texto complementa o outro.

Os garotos, na “cantera” do Barcelona, são educados desde cedo em torno de três princípios fundamentais: controle e posse de bola, qualidade técnica do jogador e um sentimento coletivo de busca da vitória a cada jogo.

Esses princípios são o que são: dogmas, martelados dia após dia nas cabeças dos jovens em formação. Uma verdadeira lavagem cerebral – no bom sentido da expressão. E, pode-se apostar, foi apenas com base nessa teimosia, nessa coerência, que o clube criou seu futebol vistoso e classudo, capaz de condenar à obsolescência o futebol-força e impor sua marca ao nosso presente futebolístico. É o clube da moda, o time a ser batido, mas também o xodó da mídia e o modelo a ser imitado.

Tudo bem, mas o paradigma do Barcelona, que parece tão fácil de seguir, no fundo é inimitável, ou, pelo menos, muito difícil de ser mimetizado.

Para fazê-lo, seria preciso mudar por completo toda uma filosofia de trabalho das categorias de base brasileiras, ainda viciadas em produzir atletas fortes e rapidamente vendáveis no mercado. Há exceções, é claro, mas, como aponta Calçade, existem também ameaças vindas de outros fatores, externos. Um deles, a voracidade de empresários e investidores, que não têm qualquer interesse em que o jogador em evolução permaneça por muito tempo no clube que o forma. Pelo contrário, mercadoria que é, o jogador precisa circular, e rápido, para que dê lucro. Enquanto esse problema não for resolvido, ou amenizado, não vejo como jovens promessas possam abastecer o time principal do clube em que se formam.

E há, claro, a questão da filosofia de trabalho. Ou melhor, a ausência dela. A proverbial falta de convicção do brasileiro em si mesmo tem sido responsável pela imitação acrítica de modelos exteriores. Se a onda é o futebol-força, busca-se jovens com saúde de vaca premiada, na imortal expressão de Nelson Rodrigues.

Mas, assim como a imitação do futebol-força criou apenas um simulacro de futebol europeu, com jogadas toscas, entradas viris e chutões, a imitação pura e simples do Barça não produzirá senão times com obsessão pela posse de bola, sem saber o que fazer com ela.

Por enquanto é o que se vê por aí. É pouco. Seria preciso um pouco mais de pensamento no futebol brasileiro. E fé em seu próprio futuro. Não podemos esperar que essas virtudes venham por si sós. Cabe a nós.

(Coluna Boleiros)

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21.fevereiro.2012 13:10:11

Futebol cabeça

O Palmeiras está em primeiro lugar no Paulistão e todos conhecem a sua principal jogada, a bola parada de Marcos Assunção. Seja batendo um escanteio, chutando direto a gol ou cobrando faltas e levantando a bola para seus companheiros na área adversária, Assunção tem sido decisivo para o Palmeiras.

Embora nem todo mundo tenha o seu “Assunção”, o recurso tornou-se generalizado no futebol brasileiro. Não é de hoje, convenhamos. No passado recente, o São Paulo cansou de ganhar jogos – e títulos – com as bolas levantadas de Jorge Wagner. O técnico era Muricy Ramalho, hoje no Santos.

O curioso com a “bola parada” é que, quem sofre o gol costuma dizer que houve falha. Quem faz, elogia a habilidade técnica do cobrador ou o êxito da jogada ensaiada. No futebol, como em outras coisas da vida, as verdades são relativas. O que não quer dizer que não possamos ter algum ponto de vista objetivo para analisá-lo.

Em seu ótimo livro O Universo Tático do Futebol – Escola Brasileira, o técnico Ricardo Drubscky dedica um capítulo ao estudo da origem dos gols. Os gols podem acontecer de várias formas: por mérito tático de quem ataca, por jogadas individuais, por erros da defesa, etc. E também pelas benditas bolas paradas. Analisando gols de várias competições e cruzando resultados, Drubscky notou que 34,5% dos gols da Copa da França (1998) se originaram de bolas paradas. No Campeonato Brasileiro do mesmo ano foram 30%. E, na Copa da Coréia-Japão (2002), vencida pelo Brasil, 33,5% dos gols se originaram de jogadas desse tipo.

Números notáveis, não?  E que, de certa forma, relativizam aquela certeza mais imediata – a de que só agora o futebol brasileiro resolveu apostar nesse tipo de jogada como forma de compensar sua deficiência técnica crescente. A ideia é que começamos a depositar  nossa fé nas bolas paradas porque não sabemos mais trocar passes como antigamente e os craques que resolvem jogos sozinhos em lances geniais são cada vez mais raros nos nossos gramados. Quem há de negar essas evidências?

Mas cabe fazer outra pergunta: se isso acontece há mais  tempo, por que só agora começamos a nos espantar? Tenho uma teoria: como todo mundo está jogando mais ou menos do mesmo jeito, o futebol caminha para uma monotonia progressiva. Acabamos nos habituando a ela. Ou seja, ficamos embotados. Antes era mais fácil distinguir escolas e tendências. Os ingleses davam chutões, os italianos eram implacáveis na marcação, os holandeses brilhavam no conjunto e os sul-americanos resolviam na base de individualidades insuperáveis. Na geleia geral do mundo globalizado tudo se misturou e qualidades se mesclaram.

Só despertamos do nosso sono quando algum time de exceção brilha nesse mundo cinzento. Há o caso breve do Santos do primeiro semestre de 2010 e o fenômeno mais permanente do Barcelona. Essas exceções, para serem exemplares, precisam encantar e vencer. Sem títulos, nada feito. Como os números sugerem, o mundo da bola anda chato há muito tempo.

O Barça é prova de que outro futebol é possível.

(Coluna Boleiros)

 

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20.dezembro.2011 09:26:39

Faltou um Almir Pernambuquinho

Amigos, vamos dizer logo de cara: não havia a menor chance de o Santos derrotar o Barcelona. O desnível tático e técnico é abissal. O Barcelona igualou, no campo, o Santos ao Al-Sadd. Engoliu os dois da mesma forma. Parecia jogo de time de primeira divisão contra aspirantes da quarta. Mesmo no mais imprevisível dos esportes coletivos, que é o futebol, podemos dizer que, em dez jogos, o Barça ganharia os dez. Em cem, ganharia os cem. Poucas vezes, no futebol profissional, vi desnível parecido. Então, é preciso reconhecer o mérito do Barcelona e do seu jogo preciso, belo e implacável.

Não dava mesmo para ganhar. Mas há derrotas e derrotas. A do Santos foi a do pior tipo: derrota sem qualquer resistência, sem luta, sem briga, no melhor sentido do termo. O time já entrou em campo vencido e, em nenhum momento, chegou a ameaçar o adversário.

Para dificultar um pouco as coisas para o Barcelona faltou talvez ao Santos um jogador desses que não aceitam a derrota de jeito nenhum. Lembro de um Zito, que impunha respeito ao próprio Pelé. Lembro de Almir Pernambuquinho, a alma do Santos na conquista do bicampeonato diante do Milan em 1963. Pelé estava contundido e Almir entrara em seu lugar. Ouvira dizer que Amarildo, jogador do Milan, falara que Pelé estava em decadência. “Não se diz isso do Rei”, rosnou Almir. E, na primeira dividida com Amarildo, deixou claro que aquele era um jogo de vida ou morte. Amarildo sumiu em campo.

Ok, hoje as coisas não são mais assim. Todo mundo é amiguinho e tiete, e coisa e tal. Só faltou pedirem autógrafo aos jogadores do Barcelona, ou talvez nem isso tenha faltado. O fato é que não havia em campo (ou fora dele) alguém que lembrasse aos jogadores do Santos que aquilo era uma disputa de título mundial. Parecia uma partida amistosa, um casados x solteiros de luxo, um daqueles jogos de fim de ano, “Amigos do Messi x Amigos do Neymar”. Coisa assim. Festiva. Leve. Uma brincadeira.

De resto, cabe ao Santos se preparar melhor para o próximo ano. Continuar o trabalho iniciado, reforçar seus pontos frágeis e dispensar quem não tem apreço pela camisa do clube. Deve lutar pela Libertadores e voltar ao Mundial mais “sábio”, segundo as palavras de Neymar. Enquanto isso, é bom aprendermos a lição, junto com o craque santista: vamos colocar as barbas de molho para 2014 porque o futebol sul-americano não está com nada. Depois de décadas de modelo extrativista-exportador, chegou ao fundo do poço e não consegue mais enfrentar os europeus. São cinco títulos mundiais consecutivos para os clubes do Velho Continente. As duas últimas participações brasileiras foram vexatórias: a desclassificação do Internacional pelo Mazembe e a humilhante goleada sofrida pelo Santos. Vamos repensar a vida?

Férias
A bola para e eu também. Desejo a todos um Feliz Natal e ótimo 2012. Esta coluna retorna dia 17 de janeiro. Até a volta.

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