Viajo porque Preciso Volto porque Te Amo, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, tem recebido toda a admiração crítica possível aqui no Brasil. Não foi assim nos Cahiers Du Cinéma. Comentando de forma sumária o filme, que participou e ganhou o Grand Prix do Jury no Festival de Toulouse, o crítico Nicolas Azalbert liquidou-o em duas linhas.
“(O filme) nos arrasta pelo caminho de um geólogo que percorre o sertão, no Norte (sic) do país: o clichê, o pitoresco e o folclore reinam soberanos com cinismo e complacência”, escreveu, no número de junho da revista.
E é só. Me pergunto: para fazer tal afirmação, quanto esforço foi necessário ao crítico para nada compreender, nem o mínimo que fosse, deste filme?
Como a produção de qualidade no Brasil é rala, aqui no Brasil certos cineastas são premiados e elogiados pela crítica de forma estranha. Alguns ganham prêmios em festivais, são elogiados por críticos, sendo que esses alguns não conseguem nem ficar em exibição e o grande público nem liga. Também acontece o contrário, caso dos filmes comerciais e oportunistas de Daniel Filho / Globo Filmes, mas também de baixa qualidade. Como crítica pessoal, destaco como os melhores filmes nacionais dos últimos tempos: Narradores de Javé e O Cheiro do Ralo. Esses filmes indicados para representar o filme no Oscar e esses ganhadores de Festivais de Brasília, Gramado, Paulínea – tudo fraco. Cidade de Deus virou uma referência até mundial, ok é um filme bem feito, mas sua linguagem de vídeo clip e seu favelismo sob a ótica de um diretor pequeno burguês colocam um tom artificial que os gringos nam sacam. Torço para o cinema nacional, mas jurados de festivais e editais de cinema estão corroborando e ratificando péssimos filmes.
Zanin, concordo com os franceses neste caso. Não consegui captar o que os senhores críticos brasileiros enxergaram de positivo neste filme tão fraco. O personagem narrador é um tolo e o texto é pobre. As imagens são mal captadas e óbvias. O som é ruim, a trilha sonora é horrível.
Uai. Obviamente “Viajo porque preciso…” não conseguiu criar no crítico francês nem a vontade de se esforçar para entendê-lo. E isso, sem dúvida alguma, é uma fraqueza do próprio filme. Honestamente, também esperava muito mais da dupla responsável por dois dos melhores filmes dos últimos anos (“Cinema, Aspirinas e Urubus” e “O Céu de Suely”). “Viajo porque preciso…” me pareceu uma espécie de colagem de cenas extras de algum filme inexistente.
Bem, só porque ele não gostou do filme, não significa que a opinião dele seja inválida.
Claro, claro. Críticos respeitáveis (como Jean-Claude Bernardet) gastaram páginas e páginas falando desse filme. Será que dá para liquidá-lo em duas linhas? Foi o que me espantou. Ainda mais nos Cahiers, revista que assino há muitos anos (e pago uma fortuna pela assinatura!). Abs.
Affe!
Jean-Claude Bernardet gastando paginas e paginas? Acredite, é o “néant” em busca do nada.
Honestamente, pra mim, são esses tipos de críticos que estão levando o cinema brasileiro ribanceira à baixo!
É, Zanin… Parece que a era-Twitter atingiu até mesmo a Cahiers. Abraço!
responder este comentário denunciar abusogente, também não gostei do filme! O cinema brasileiro entrou numas de exotimos made in nordeste que já deu o que tinha que dar!
O site da “Cahiers du Cinema” não é atualizado desde abril. Brincadeira…
Isso acontece bastante aqui no Brasil. Filmes que são cultuados no país e origem a aqui criticados.
O exotismo made in nordeste no cinema, é culpa de muitos “teóricos” que fecharam os olhos para um “certo” cinema novo à cata de um herói popular, camponês e revolucionário, não encontraram em nossa História.
Então resolveram reciclar Lampião, o cangaceiro, assassino e cruel bandido nordestino e um velho maluco e proprietário de uma seita, de nome Antonio Conselheiro para os papeis de Pancho Villa tupiniquim. O engôdo pegou muito bem e até hoje não falta quem acredita que os dois, foram “heróis” popular.
Vira e mexe, alguém à cata de um novo cinema novo, elege o sertão, sua miséria, sua fome, sua prostituição para falar de não importa o que.
Em uma linha entao:
Melhor filme do ano. Melhor filme do Karim.
O filme é genial. Saí do cinema extasiado. Mas pra gostar, tem que entender um tiquinho sobre linguagem cinematográfica.
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