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Luiz Zanin

Provavelmente também estarei por lá. A Lume, de Frederico Machado, de São Luis, além de lançar DVDs alternativos, promove agora a nova edição deste festival de filmes com pouca oportunidade no circuito comercial, tomado por Vingadores e Batalhas dos Mares da vida. Quem ainda não ficou de miolo completamente mole pela exposição aos block busters, faria bem em experimentar esses filmes.

FESTIVAL LUME DIVULGA A LISTA DOS SELECIONADOSLONGAS-METRAGENS INTERNACIONAIS (MOSTRA COMPETITIVA)

AMNESTY
Diretor: Bujar Alimani
Albânia – Grécia – França. 2011 – Ficção – 83 Min.

CLIP
Diretor: Maja Milos
Sérvia. 2012 – Ficção – 102 Min.

CRULIC – THE PATH TO BEYOND
Diretor: Anca Damian
Romênia – Polônia. 2011 – Animação / Documentário – 73 Min.

HERMANO
Diretor: Marcel Rasquin
Venezuela. 2010 – Ficção – 97 Min.

I WANT TO BE A SOLDIER (De Mayor quiero ser soldado)
Diretor: Christian Molina
Espanha. 2010 – Ficção – 100 Min.

MOACIR
Diretor: Tomás Lipgot
Argentina. 2010 – Documentário – 75 Min.

POLICEMAN
Diretor: Nadav Lapid
Israel. 2011 – Ficção – 105 Min.

THE CHRISTENING
Diretor: Marcin Wrona
Polônia. 2010 – Ficção – 86 Min.

AS ONDAS/THE WAVES ( Las oslas)
Diretor: Alberto Morais
Espanha. 2011 – Ficção – 95 Min.

WITHOUT
Diretor: Mark Jackson
Estados Unidos. 2011 – Ficção – 87 Min.
CURTAS-METRAGENS INTERNACIONAIS (MOSTRA COMPETITIVA)

ALL THAT SHE SURVEYS
Diretor: Gary Mairs
Estados Unidos. 2011 – Experimental – 16 Min.

ETIENNE’S HAND
Diretor: Richard Tuohy
Austrália. 2011 – Experimental – 13 Min.

HISTÓRIA MUERTA
Diretor: Fran Mateu
Espanha. 2011 – Ficção/Fantástico – 15 Min.

MUY CERCA
Diretor: Ivá Caso
Espanha. 2011 – Ficção – 16 Min.

NORMAL PEOPLE
Diretor: Piotr Zlotorowicz
Polônia. 2011 – Ficção – 24:40 Min.

LA GRAN CARRERA
Diretor: Kote Camacho
Espanha. 2011 – Ficção – 07 Min.

8 (Ocho)
Diretor: Raul Cerezo
Espanha

ZEINEK GEHIAGO IRAUN
Diretor: Gregorio Muro
País Basco. 2011 –Animação – 12 Min.

LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS (MOSTRA COMPETITIVA)

AS HORAS VULGARES
Diretor: Rodrigo de Oliveira e Vitor Graize
2011 – Ficção – 123 Min.

ESTRADEIROS
Diretor: Sérgio Oliveira
2011 – Documentário – 79 Min.

HU (Hospital Universitário)
Diretor: Pedro Urano e Joana Traub Csekö
2012 – Documentário – 75 Min.

MENTIRAS SINCERAS
Diretor: Pedro Asbeg
2011 – Documentário – 75 Min.

NO LUGAR ERRADO
Diretor: Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti
2012 – Ficção – 70 Min.

ONDE BORGES TUDO VÊ
Diretor: Taciano Valério
2012 – Ficção – 77 Min.

RÂNIA
Diretor: Roberta Marques
2011 – Ficção – 85 Min.

AUGUSTAS
Diretor: Francisco César Filho
2012 – Ficção – 83 Min.

CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS (MOSTRA COMPETITIVA)

22 (Vinte e dois)
Diretor: Diego Lisboa
2012 – Doc. experimental – 10:47 Min.

A FÁBRICA
Diretor: Aly Muritiba
2011 – Doc. experimental – 15 Min.

A NOITE DOS PALHAÇOS MUDOS
Diretor: Juliano Luccas
2011 – Ficção – 15 Min.

A SOLIDÃO DE DOM QUIXOTE
Diretor: Vinícius Vasconcellos e Márcio Vasconcellos
2012 – Ficção – 15 Min.

APHASIA
Diretor: Cainan Baladez
2011 – Ficção – 18 Min.

AURORA
Diretor: Roney Freitas
2011 – Ficção – 20 Min.

CAJAÍBA
Diretor: João Borges
2011 – Documentário – 17:57 Min.

CORPO PRESENTE
Diretor: Marcelo Pedroso
2011 – Ficção – 22 Min.

DA ORIGEM
Diretor: Fábio Baldo
2011 – Ficção – 18 Min.

DIZEM QUE CÃES VEEM COISAS
Diretor: Guto Parente
2012 – Ficção – 12 Min.

DUELO ANTES DA NOITE
Diretor: Alice Furtado
2010 – Ficção – 20 Min.

ELEGANTE E FURIOSO
Diretor: Ana Paula Guimarães
2011 – Documentário – 15 Min.

ELOGIO DA GRAÇA
Diretor: Joel Pizzini
2011 – Documentário – 25 Min.

JIBÓIA
Diretor: Rafael Lessa2011 – Ficção – 18 Min.

LAMBARI
Diretor: Márcio Soares
2012 – Ficção – 14 Min.

MEDO DE SANGUE
Diretor: Luciano Coelho
2011 – Ficção– 20 Min.

MEMÓRIAS EXTERNAS DE UMA MULHER SERRILHADA
Diretor: Eduardo Kishimoto
2011 – Ficção – 15 Min.

NA SUA COMPANHIA
Diretor: Marcelo Batista Caetano
2011 – Ficção – 21 Min.

O BRASIL DE PERO VAZ DE CAMINHA
Diretor: Bruno Laet
2012 – Documentário – 17:40 Min.

O CÃO
Diretor: Abel Roland e Emiliano Cunha
2010 – Ficção – 09:39 Min.

OMA
Diretor: Michael Wahrmann
2011 – Documentário – 22 Min.

PRAÇA WALT DISNEY
Diretor: Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira
2011 – Documentário – 21 Min.

QUAL QUEIJO VOCÊ QUER
Diretor: Cíntia Domit Bittar
2012 – Ficção – 11:15 Min.

QUANDO MORREMOS A NOITE
Diretor: Eduardo Morotó
2012 – Ficção – 20 Min.

SALA DE MILAGRES
Diretor: Marília Hughes e Cláudio Marques
2011 – Documentário – 14 Min.

SÉCULO
Diretor: Marcos Pimentel
2011 – Ficção – 11 Min.

TRAVESSIA
Diretor: Kennel Rógis
2011 – Documentário – 13:50 Min.

UMA, DUAS SEMANAS
Diretor: Fernanda Teixeira
2012 – Ficção – 17 Min.

UMA PRIMEVERA
Diretor: Gabriela Amaral Almeida
2011 – Ficção – 15 Min.

VEREDA
Diretor: Diego Florentino
2012 – Ficção – 20 Min.

ZULENO
Diretor: Felipe Peres Calheiros
2012 – Documentário – 19:38 Min.

MOSTRA BRASIL ESPECIAL (NÃO COMPETITIVA)

AS BATIDAS DO SAMBA
Diretor: Bebeto Abrantes
2012 – Documentário musical – 82 Min.

HOMENS COM CHEIRO DE FLOR
Diretor: Joe Pimentel
2012 – Ficção – 90 Min.
MARCELO YUKA NO CAMINHO DAS SETAS
Diretor: Daniela Broitman
2011 – Documentário – 95 Min.

O CARTEIRO
Diretor: Reginaldo Faria
2011 – Ficção – 103 Min.

FILME DE ENCERRAMENTO

KAREN LLORA EN UN BUS
Diretor: Gabriel Rojas Vera
Colômbia. 2011 – Ficção – 98 Min.

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Filmes da competitiva de longas-metragens:
- Bertsolari. Asier Altuna. Documentário. 35mm. 90’. Cor. Espanha. 2011
- Distancia (Distância). Sergio Ramírez. Ficção. 75’. HDV. Guatemala. 2011
- En el Nombre de la Hija (Em Nome da Filha). Tania Hermida. Ficção. 102’. 35mm. Cor. Equador. 2011
- Febre do Rato. Cláudio Assis. Ficção. 35mm. 90’. Preto e Branco. Brasil. 2011
- Fecha de Caducidad (Data de Vencimento). Kenya Márquez. Ficção. 100’. 35mm. Cor. México. 2011
- Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now! Ninho Morais. Documentário. HD. 76’. Cor. Brasil. 2011
- Rânia. Roberta Marques. Ficção. 85’. 35mm. Cor. Brasil. 2011
- Un amor (Um Amor). Paula Hernández. Ficção. 35mm. 100’. Cor. Argentina. 2011
- Violeta se Fue a los Cielos (Violeta se foi para o céu). Andrés Wood. Ficção. 110’. 35mm. Cor. Chile. 2011

Filmes da competitiva de curtas-metragens:
- A Galinha que Burlou o Sistema, de Quico Meirelles (SP, fic/doc, 15min, 35mm, 2012)
- Dia Estrelado, de Nara Normande (PE, ani, 17min, 35mm, 2011)
- Disque Quilombola, de David Reeks (SP, doc, 13min, HDV, 2012)
- Dizem que os Cães Veem Coisas, de Guto Parente (CE, fic, 12min, outro, 2012)
- Lambari, de Márcio Soares (MG, fic, 14min, fic, HDV, 2012)
- Os Lados da Rua, de Diego Zon (ES, fic, 15min, 35mm, 2012)
- Os Mortos-Vivos, de Anita Rocha da Silveira (RJ, fic, 19min, outro, 2012)
- Querença, de Iziane Filgueiras Mascarenhas (CE, fic, 19min58seg, 35mm, 2012)
- Realejo, de Marcus Vinicius Vasconcelos (SP, ani, 12min47seg, HDV, 2012)
- Santas, de Roberval Duarte (RJ, exp, 15min, HDV, 2012)
- Século, de Marcos Pimentel (MG, fic/exp, 11min, 35mm, 2011)
- Três Vezes por Semana, de Cristiane Reque (RS, fic, 15min, 35mm, 2011)

O Cine Ceará acontece de 1º a 8 de junho. Estarei lá, mais uma vez, cobrindo para o Caderno 2. E para o blog, naturalmente.

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Claro que Conspiração Americana, de Robert Redford, é um filme um tanto esquemático. Mas não partilho a ideia de alguns colegas de que seja desprezível. Me parece um filme entre razoável e bom. Vi-o com atenção.

A conspiração de que trata é aquela que vitimou o presidente Abraham Lincoln (1809-1865), assassinado no Ford Theater, em Washington, por um ator sulista, John Wilkes Booth. Este foge (morre dez dias depois, em tiroteio), mas várias pessoas implicadas no complô são presas e julgadas. Entre elas, Mary Surratt (Robin Wright), dona de uma pensão na qual os conspiradores se reuniam, entre eles John Surratt, seu filho. Todos os indícios são contra ela, mas um jovem advogado decide apostar em sua inocência.

Sim, é um drama de tribunal, baseado em fatos históricos. Como tal, tem muito de previsível, inclusive pelo que já sabemos sobre o funcionamento de tribunais americanos vendo filmes. Aliás, sabemos muito mais sobre o rito jurídico norte-americano que sobre o brasileiro. Mas, passemos sobre esse ponto, que renderia um tratado.

Também parece bem claro (embora isso, a meu ver, em nada diminua o filme) que Redford quer recordar fatos passados porém com um olho no presente.

Quando os conjurados foram julgados, a Guerra Civil estava no fim, mas não havia terminado. Era preciso dar uma lição exemplar aos implicados. Sentenciar sem piedade os assassinos (ou supostos assassinos) para satisfazer a sede de vingança da população (a parte vencedora da guerra) e virar a página da História. Dessa maneira, a defesa não tinha mesmo muita chance.

Redford olha para a História, para a Realpolitik que, naquele momento, se sobrepõe à justiça, e vislumbra o presente, Guantânamo, onde muitos presos, sem culpa formada, aguardam julgamento. Há uma aproximação subliminar entre o ato terrorista contra Lincoln, no século 19, e o ataque às Torres Gêmeas no século 21.

E é verdade: assim se trabalha com a história. Vendo o passado pelos olhos do presente, mesmo porque não existe outra maneira de fazê-lo. É o único jeito da fazer o passado atravessar o fosso dos séculos e “falar” a nós. É o que faz Redford, com um estilo acadêmico, às vezes maneirista, porém correto.

Honesto – o que hoje não é pouca coisa.

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08.maio.2012 09:37:29

Craque na Europa? *

Quanto mais Neymar brilha, mais “especialistas” torcem para que ele vá logo jogar na Europa. Como explicar esse enigma? Em lugar de se regozijarem por termos um jogador desse nível no Brasil, querem vê-lo pelas costas o quanto antes. Resolvi entender as motivações dessa turma. Ou pelo menos tentar. Há três tipos muito claros entre eles.

1) O tecnocrático. Ele desfila boas razões (técnicas, claro) para fundamentar a opinião. Neymar não teria mais adversários à altura. O jogador só progride quando encontra desafios crescentes. Esses desafios aqui seriam impossíveis pois, como se sabe, é na Europa que se concentram os talentos. Se ficar por aqui, o craque acabará por se repetir e não desenvolverá suas potencialidades como o faria se estivesse jogando em um dos gigantes do continente europeu. Há nomes respeitabilíssimos que defendem esse ponto de vista, entre eles Mano Menezes, até agora o técnico da seleção brasileira. Para eles, a saída de Neymar seria boa para o jogador e, sobretudo, para a seleção brasileira, que então teria um atleta já tarimbado pela excelência europeia na Copa de 2014.

2) O torcedor enrustido. Esse, para não dar muito na vista, saca do bolso argumentos racionais, como os expostos acima, mas não consegue disfarçar o ressentimento. No fundo sabem que jogadores fora de série desequilibram as disputas (sobretudo contra o seu time). Aspira ao nivelamento por baixo, à mediocridade geral que transformaria os campeonatos em emoção pura, “pelo equilíbrio” das equipes. Neymar destoa dessa pasmaceira travestida de competitividade. Assim como destoam Ganso, Lucas e poucos outros. O ideal seria que fossem todos para os quintos dos infernos, ao invés de ficarem perturbando por aqui com seu futebol de qualidade.

3) O eterno vira-latas. Sempre que alguma coisa começa a dar certo, ele ressurge, e com força redobrada. Ele tem um pressuposto: o Brasil é um país que não presta. Se algo positivo surge por aqui, deve ser logo desqualificado. Se isso não for possível, dada a sua qualidade inegável, deve-se recomendar que saia logo do País e vá brilhar em palco digno do seu talento. Se o tal cidadão fora de série for um cientista, por exemplo, recomenda que se mude para os Estados Unidos, país onde se faz pesquisa a sério. No caso do futebol, o destino é sempre a Europa. A expressão complexo de vira-latas, você sabe, foi inventada por Nelson Rodrigues para definir o aparentemente invencível sentimento de inferioridade do brasileiro. É pior ainda: esse personagem alimenta o desejo secreto de que nada dê certo, nada funcione ou prospere, para que assim possa exultar: “Viu? Eu tinha razão”. Sentir que sua opinião é a correta parece ser uma das maiores paixões do ser humano. Ainda mais quando essa opinião se confirma como negativa. Vá entender… Mas a alma humana comporta esses desvãos.

Por sorte há também os que ficam muito contentes com a presença do talento entre nós. Acham positivo o desafio que representam e entendem que qualidade chama qualidade. O desafio de superar o melhor é que faz seus pares crescerem. Quanto mais craques houver, melhor o nível da competição e maior a probabilidade de que outros craques surjam.

* Coluna Boleiros, publicada no Caderno de Esportes do Estadão

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05.maio.2012 14:20:26

Cinema Olympia 100 anos

 

 

BELÉM – Os tempos eram outros. Quando o Cinema Olympia foi inaugurado, dia 24 de abril de 1912, as damas foram de chapéu, vestidas de gala e com elaborados penteados. Os cavalheiros puseram seus melhores ternos de linho branco inglês e chapéus de palhinha. Na tela, as “fitas” eram mudas e acompanhadas por pequena orquestra ou piano. Ir ao Olympia era tão elegante quanto frequentar o seu vizinho na Praça da República, centro de Belém – o Theatro da Paz, palco das melhores óperas da temporada. Ao lado do Olympia havia o igualmente chique Grande Hotel, no terraço do qual um jovem Mário de Andrade “chupitava” um gelado para atenuar o calor tropical e dizia-se completamente apaixonado pela cidade.

Vale a pena citar o texto: “Porém, me conquistar mesmo a ponto de ficar doendo no desejo, só Belém me conquistou assim. Meu único ideal de agora em diante é passar uns meses morando no Grande Hotel de Belém. O direito de sentar naquela terrace em frente das mangueiras tapando o Teatro da Paz, sentar sem mais nada, chupitando um sorvete de cupuaçude açaí.”

 

Cem anos depois, o velho cinema ainda está lá, na mesma Praça da República onde o modernista paulistano curtia, lânguido, seu amor ao Brasil. O Theatro da Paz também continua ativo e, do passado, guarda a ótima acústica, a altivez arquitetônica e a grafia antiga, theatro, com “Th”. Já o Grande Hotel foi derrubado e deu lugar a um hotel vertical e moderno. Nada que lembre os anos de ouro da borracha, fonte da fortuna do baronato amazônico.

O próprio Olympia já não exibe a fachada de outrora. Foi refeita, por alguém que teria pouca familiaridade com ideias como a preservação do patrimônio histórico. De qualquer forma, alterado e reformado, é o mesmo cinema que está lá, naquele mesmo local, há um século, com o mesmo nome, sem interrupções de atividades, a não ser para reformas pontuais. Essas condições de existência o transformam no cinema mais antigo do País, ainda em atividade. Antes do Olympia, existiram outras salas de exibição, mesmo em Belém; porém, há muito já fecharam as portas, viraram templos evangélicos, estacionamentos, ou foram demolidas e seus terrenos deram lugar a espigões. No Rio, o Cine Íris foi fundado em 1909, mas com o nome de Soberano e hoje se dedica a shows eróticos de strip tease. O Olympia segue fiel à sua função original.

A persistência da sala é um desafio vivo à especulação imobiliária, ao crescimento predatório e desordenado das cidades brasileiras e às próprias mudanças de hábito da população. Essa resistência tem sua origem, em especial, no amor das pessoas de Belém ao seu velho cinema. Amor que sofreu modificações e testes duros ao longo das décadas. Dos tempos áureos da borracha aos nossos dias, o Olympia sofreu grandes transformações. Da fase muda, passou galhardamente para a época sonora. Popularizou-se com a chanchada, depois de adquirido em 1946 pelo grupo de Luiz Severiano Ribeiro, maior exibidor do Nordeste e até hoje o mais importante grupo exibidor de capital brasileiro.

Em 2006, a empresa resolveu fechar as portas do cinema, alegando prejuízo financeiro. Parecia o fim. Mas aquela que seria a última sessão transformou-se em ato político para a preservação do cinema, liderada pelo cineasta Januário Guedes, que subiu numa das cadeiras vermelhas do cinema, na primeira fila, e leu apaixonado manifesto. O ato público sensibilizou a prefeitura, que assinou contrato de aluguel com o grupo Severiano Ribeiro, transformando a sala em Espaço Municipal.

Hoje, o Olympia é o que se poderia chamar de “cinema de arte”, com cardápio de programação alternativa. O programador é Marco Antonio Moreira, presidente da Associação de Críticos do Pará. Sob a inspiração do cinéfilo Moreira, pela tela do Olympia passam cinematografias que em geral não têm vez no circuito comercial. “Realizamos há pouco um ciclo do cinema polonês, com títulos inéditos no País”, diz. Moreira faz questão, também, de lançar e exibir no Olympia obras da cinematografia local, como os curtas Matinta, de Fernando Segtovick, e Ribeirinhos do Asfalto, de Jorane Castro.

Ou seja, o cinema está lá, ativo, altivo, em pé, e com boas perspectivas para o futuro. Mas a batalha por sua preservação ainda não terminou. “Precisamos obter o tombamento do imóvel”, diz Moreira. O primeiro passo já foi dado pela Câmara Municipal de Belém, que aprovou o pedido de tombamento por unanimidade. Mas outros passos precisam ser dados para que o imóvel seja de fato tombado como patrimônio cultural e arquitetônico. Será preciso desapropriá-lo, negociar seu valor com o grupo Severiano Ribeiro.

Em seguida, o passo talvez mais complicado – restaurar a fachada para que volte a ser como na belle époque da borracha. “Para isso será preciso formar parcerias, pois toda restauração é muito cara”, diz.

Todo esse desafio parece possível, a julgar pelas comemorações do centenário. Para expressar seu amor ao cinema, Belém preparou uma festa e tanto. Foram lançados um álbum que resgata fotos históricas do cinema e seus frequentadores e o livro Cinema Olympia – 100 Anos da História Social de Belém, organizado pelos críticos Pedro Veriano e Luzia Miranda. Depois da cerimônia no próprio cinema, os espectadores cruzaram a praça para assistir ao recital da cantora lírica Carmem Monarcha no Theatro da Paz. As roupas eram outras, mas a devoção das pessoas às suas salas de espetáculo parecia a mesma de cem anos atrás.

 

 

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Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios: esse título poético, tirado ipsis literis do romance de Marçal Aquino, dá a Beto Brant e Renato Ciasca a chance de abrir novos caminhos em sua parceria de cineastas.

Em certo sentido, dá seguimento à investigação de Beto Brant sobre as relações amorosas radicais, como em Cão sem Dono, Crime Delicado e O Amor Segundo B. Schianberg. Por outro lado, o triângulo amoroso, cujo vértice principal é a instável e envolvente Lavínia (Camila Pitanga) parece mesmo muito singular. Assimétrico, fecha-se com os outros dois polos da relação, muito diferentes entre si – o pastor Ernani (Zécarlos Machado) e o fotógrafo Cauby (Gustavo Machado).

O drama – porque se trata de um – dá-se na região amazônica. Mas nenhum dos três a ela pertence. Vieram de outra parte do País, o sudeste. Cauby, por motivos misteriosos, mas pode-se supor seja aventureiro da alma, um ser errante, desses que desejam ver coisas novas, pessoas diferentes, imergir numa cultura alheia. É um fotógrafo. Profissão repórter, poderíamos ajuntar, como a de Jack Nicholson no filme de Michelangelo Antonioni. Um desgarrado de si mesmo, e talvez, como o outro, em busca de nova identidade.

Também de outra parte – e de outras circunstâncias vêm Lavínia e Ernani. Essas serão em parte esclarecidas ao espectador no flash back que surge na metade do filme como um corte seco e súbito, quase brutal, que a princípio desconcerta, mas depois joga luz sobre os personagens. E, como joga luz, convém deixá-lo na sombra, em respeito aos que ainda não viram o filme.

Basta dizer que a Amazônia será palco de um encontro inusitado. As filmagens foram realizadas em parte no Pará, nos arredores de Santarém e Itaituba, às margens do Tapajós, afluente do Amazonas. Lá, encontramos esse personagem talvez romântico e desiludido: Cauby; uma mulher de passado misterioso e temperamento oscilante como as marés: Lavínia; um pastor que destoa do estereótipo em geral associado a esses religiosos: Ernani. Os três, vividos por intérpretes magníficos e entregues por completo aos seus papéis. Uma palavra sobre Ernani: “Não quisemos vincular a figura do pastor Ernani a nenhuma ideia de fanatismo religioso; ele é apenas um idealista”.

Outro personagem é o ambiente, o local, as gentes. A cidade amazônica, na qual Cauby alugou uma ampla casa e onde revela suas fotografias. Palco também das tórridas cenas de amor entre ele e Lavínia. E também dos concorridos sermões de Ernani, das reivindicações dos moradores, da luta pela terra e pela preservação da natureza. Tudo entra na costura do filme de maneira natural. É como se documentário e ficção dialogassem e se entrelaçassem. Um grande e dilacerado caso de amor tendo por pano de fundo um grande e dilacerado país. Alguns figurantes, como Magnólio de Oliveira, no papel de Chico Chagas, são notáveis. Antonio Pitanga, pai de Camila, faz uma pequena e marcante aparição, no papel de superior de Ernani.

Esses personagens são vistos ora de perto, ora mais afastados, para que o contexto se imponha. A câmera “escreve” essa relação. Ora muito próxima aos personagens, em seguida se afasta para abarcar o entorno. Há um fluir suave das imagens, na contracorrente da estética publicitária dominante no cinema brasileiro. O efeito se explica pelo método: “Filmamos sempre em planos sequência (sem cortes), até o final de cada bobina de oito minutos”, explicam Beto Brant e Renato Ciasca, os diretores parceiros. Pergunto se a parceria não coloca muito problemas a eles, mas Beto diz que o costume de trabalhar em equipe torna tudo muito natural. É a segunda parceria entre os dois como diretores (a primeira foi em Cão sem Dono) e a quinta, tendo Beto como cineasta e Renato como produtor. É uma velha amizade e uma antiga colaboração, que torna a “sociedade” autoral algo simples e complementar.

Há que se falar também do surpreendente registro visual do filme. Já se disse que ele em nada se parece como a pouco inspirada estética dominante do cinema brasileiro atual. O que não se disse é que ela se deve ao fotógrafo Lula Araújo, descoberto por Beto depois de ver o longa documental Tamboro, ainda inédito comercialmente, dirigido pelo cineasta Sérgio Bernardes. “É um fluxo de imagens, um mergulho no Brasil absolutamente lisérgico”, elogia Beto. Sérgio Bernardes (1944-2007), autor de Desperato, faz em Tamboro um mergulho vertical no Brasil, através dos seus sons e imagens multifacetados. Pode-se dizer que forneceu não apenas o fotógrafo, mas também uma inspiração a Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios.  “Não gosto muito de falar em influências”, diz Beto, mas no caso não posso negar: fui profundamente influenciado por Tamboro”.

É, portanto, a partir tanto do romance como de sua inspiração cinematográfica, que Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios se constrói como um mergulho radical no Brasil, um país de felicidade e dores extremas, de cores e sombras, de pulsão pelo novo e conservadorismo. País de contrastes – como já escreveu alguém. Para retratá-lo um filme perfeito e certinho não bastaria. Melhor uma pintura imperfeita, mas como imagens tão vívidas que nunca nos saem da memória.

 

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Muito interessante esta 16ª edição do Cine PE. A mais interessante, talvez, desde antigamente, quando comecei a ir (vou desde o primeiro, chamava-se Festival do Recife, fui júri, junto com Janaina Diniz Guerra, e conheci o pessoal do Árido Movie). Isso para dizer que, sem forçar muito a memória, foi provavelmente a melhor edição, em termos de filmes concorrentes.

Edição equilibrada, dentro da proposta do festival, de mesclar filmes mais populares (porém de qualidade) a outros mais “fechados” e autorais.

Neste ano conviveram filmes românticos como À Beira do Caminho, de Breno Silveira (venceu o festival) e o experimental Estradeiros, de Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro (levou o prêmio da crítica).

É possível ver qualidades em ambos, embora, do meu ponto de vista, o primeiro se perca um pouco por excesso de sentimentalismo e Estradeiros invista mais no trabalho formal. Na entrevista, respondendo a uma pergunta minha, Renata Pinheiro disse estar farta de filmes que trabalham com determinado tipo de personagem, mas não o incorporam à sua linguagem, o que seria um equívoco ético, mais que estético. Tendo a concordar, embora tenha de pensar melhor na questão. Em Estradeiros, os personagens são seres à deriva (o sentido não é pejorativo, ao contrário) e de vida fragmentária. O linguagem do filme adere a essas característivas.

Ao lado desses dois extremos, muitas etapas intermediárias, como o etnográfico Na Quadrada das Águas Perdidas, de Wagner Miranda e Marcos Carvalho, tendo como único ator Matheus Nachtergaele. Vive o sertanejo que sai de sua casinha para vender um animal e, com o dinheiro, comprar o que precisa. Rapadura, fumo de corda, feijão, pregos, essas coisas. A viagem é uma verdadeira iniciação na natureza da caatiga, da qual o sertanejo tira o essencial para sobreviver, nas mais áridas condições. Já o tinha visto no Cine Ceará do ano passado; revi com gosto. Acho algumas críticas de colegas injustas para com o filme. É um documentário sobre a caatinga, que veste a roupa da ficção e conta com um ator que tudo diz sem pronunciar uma única palavra. Não me parece pouca coisa.

Houve também o documentário de Jorge Mautner, dirigido por Pedro Bial. Um belo trabalho, com pesquisa de imagens de arquivo, resgate de um antigo filme dirigido por Mautner nos anos loucos em Londres e uma exposição do personagem sob a forma de um espetáculo, como se estivéssemos num palco. Enriquece a figura de Mautner, com seqüências muito legais. Por exemplo, o diálogo entre ele e a filha Amora, com a moça cobrando do pai coisas passadas em sua infância. A começar pelo nome, que os pais achavam muito lindo e original, mas que valeram à garota as previsíveis gozações na escola. Ela também não gostava que o pai andasse nu pela casa. É, ser filha de maluco beleza não deve ser mole mesmo.

Tudo somado, o documentário é revelador e comovente. Tem coisas a dizer mesmo para quem pensa que conhece tudo de Mautner. E é uma boa apresentação a quem não o conhece. Na entrevista, falei com Bial, que não conhecia pessoalmente. Me pareceu alguém simpático e inteligente. Não se furtou a responder perguntas mais complicadas sobre a sua persona pública de Mr. Big Brother e mostrou familiaridade ao falar sobre cinema. Foi legal.

Paraísos Artificiais, de Marcos Prado, me pareceu o mais…artificial deles todos. Penso nele e sua ousadia (com drogas,  sexo e música techno) e me parece um pouco radicalismo de boutique, estetizada. E devidamente apaziguada no fim. No entanto, não é indigno de maneira nenhuma. E há quem goste dele, tanto assim que foi muito bem premiado pelo júri oficial. Não me convenceu. A foto (de Lula Carvalho, premiado) me parece melhor do que o projeto em seu todo.

Melhor, a meu ver, e completamente ignorado pelo júri foi o infanto-juvenil Corda Bamba, de Eduardo Goldenstein. Onírico, circense, felliniano, trata de forma poética as fantasias do luto de uma garota. Muito bonito visualmente, lembra demais o mundo de imagens de Fellini, embora as referências também sejam variadas. Mas, quer saber?, referências são importantes para nós, muito menos para o público. Interessa mais a maneira inspirada como o filme é construído.

Por fim, Boca, de Flávio Frederico, uma bela imersão na São Paulo noturna dos anos 50 e 60 através da biografia do criminoso Hiroito de Moraes Joanides, o chamado “rei da Boca do Lixo”. Pois foi com esse título – Boca do Lixo – escrito na cadeia, que Hiroito se tornou conhecido de muitos paulistanos, de mim, inclusive.

Lembro-me de haver lido o livro na adolescência e algumas passagens ficaram na memória. Uma delas, a fuga de Hiroito, frenética, pois ele não podia parar para dormir e descansar, pois seria preso. À base de Pervetin na veia, passou semanas sem praticamente parar o carro, vagando de um lado a outro, dentro de São Paulo, como um tubarão sem repouso.

Frederico usa um pouco essa sequência no filme. Abre e fecha com ela. Talvez pudesse ter absorvido esse tom lisérgico na narrativa, mas ela já é, de fato, muito frenética, em boa parte devido a interpretação de Daniel de Oliveira, muito boa, um camaleão, que se altera de personagem a personagem. Sua parceira também parece saída de um autêntico noir – Hermila Guedes, como a prostituta que se converte em companheira do bandido.

Gosto muita da fotografia (Adrian Teijido) e do clima geral do filme, um baixo orçamento que disfarça muito bem suas dificuldades de produção.

Entre os curtas, alguns destaques:

Até a Vista, trabalho inteligente e bem humorado de Jorge Furtado. Graça, informação literária, boa construção de personagens, na história do rapaz que procura o autor argentino para lhe adaptar um romance. O cachê é ser ciceroneado numa viagem ao Brasil para se reencontrar com um antigo amor. Uma delícia.

Isso não É o Fim, de João Gabriel, ambientado no Baixo Augusta, sobre o homem que aluga seu banheiro por um real. Basfond paulistano, filmado por um baiano, capta bem o espírito (se o termo cabe) da nossa querida Augusta, para os lados do Centro, não dos Jardins. Foi o escolhido pela crítica.

Na Sua Companhia, de Marcelo Caetano (o mesmo de Bailão), uma imersão na cena gay que produziu incômodos no cinema. Enfim, preconceitos estão aí e o cinema apenas os põe a nu. Não há nenhuma grosseria, mas o tema ainda parece tabu.

Di Melo – o Imorrível, de Alan Oliveira e Rubens Pássaro, sobre a trajetória de Di Melo, o cantor que tendo gravado apenas um disco nos anos 70, tornou-se uma lenda. Submersa, mas lenda. Di Melo é uma figuraça, irreverente como Tim Maia, mas o filme não se apoia apenas nele. Muito bem construído, filmado e montado levou a galera ao delírio.

Deixo de comentar alguns curtas, pois já passaram por vários outros festivais, como são os casos de Qual Queijo você Quer?. A Fábrica e L. Têm qualidades, mas já estão muito repetitivos.

Por fim, gostaria de ressaltar o destaque dado pelo festival ao nosso júri da crítica. Ao longo do evento o prêmio foi anunciado pela apresentadora, junto com os outros. No dia da premiação, a crítica teve lugar de destaque, os nomes dos vencedores sendo lidos no mesmo segmento dos ganhadores do júri oficial e do público da respectiva categoria. Isso valoriza demais tanto a premiação da crítica quanto a do público. Quanto a esta, o Cine PE também inovou: foram escolhidas 42 pessoas, que votaram nos filmes de sua preferência. Isso evita o problema de outros anos, quando se votava indiscriminadamente nos totens dispostos para esse fim no saguão. O critério valoriza o prêmio.

Todos eles, aliás.

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À Beira do Caminho, de Breno Silveira, é o grande vencedor do Cine PE 2012. Foi seguido por Boca, de Flávio Frederico, e Paraísos Artificiais, de Marcos Prado, no volume de premiação. Abaixo, a relação completa dos troféus. Melhores comentários, amanhã.

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS

Melhor Filme: À Beira do Caminho (Diretor: Breno Silveira)
Melhor Diretor: Flávio Frederico ( Boca)
Melhor Roteiro: Patrícia Andrade (À Beira do Caminho)
Melhor Fotografia: Lula Carvalho (Paraísos Artificiais)
Melhor Edição de Som: Alessandro Laroca, Eduardo Virmond Lima e Armando Torres Jr. (Paraísos Artificiais)
Melhor Montagem: Quito Ribeiro (Paraísos Artificiais)
Melhor Trilha: Bid (Boca)
Melhor Direção de Arte: Alberto Grimaldi (Boca)
Melhor Ator Coadjuvante: Vinícius Nascimento (À Beira do Caminho)
Melhor Atriz Coadjuvante: Divina Brandão (Paraísos Artificiais)
Melhor Ator: João Miguel (À Beira do Caminho)
Melhor Atriz: Hermila Guedes (Boca)

Prêmio Especial do Júri Oficial: Ao compositor e músico Jorge Mautner
Prêmio Especial da Crítica: Estradeiros
Prêmio Gilberto Freyre: À Beira do Caminho
Prêmio do Júri Popular: À Beira do Caminho
Prêmio Federação Pernambucana de Cineclubes: Na Quadrada das Águas Perdidas

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS

Melhor Filme: Até à Vista (Diretor: Jorge Furtado)
Melhor Diretor: Thais Fujinaga (Filme: L)
Melhor Roteiro: Jorge Furtado (Até à Vista)
Melhor Fotografia: André Luiz de Luiz (Filme: L)
Melhor Montagem: Bruno Bini (Depois da Queda)
Melhor Edição de Som: Pablo Lamar (Dia Estrelado)
Melhor Trilha: Everton Rodrigues (Até à Vista)
Melhor Diretor de Arte: Amanda Ferreira (Filme: L)
Melhor Ator: Felipe de Paula (Até à Vista)
Melhor Atriz: Sofia Ferreira (Filme: L)

Prêmio Especial do Júri: A Fábrica (Diretor: Aly Muritiba)
Prêmio Especial da Crítica: Isso não é o Fim (Diretor: João Gabriel)
Prêmio do Júri Popular: Depois da Queda (Diretor: Bruno Bini)
Prêmio Aquisiçao do Canal Brasil: Di Melo-O Imorrível (Diretores: Alan Oliveira e Rubens Pássaro)
Prêmio ABD-APECI: Na sua Companhia, de Marcelo Caetano, e L, de Thais Fujinaga
Prêmio Federação Pernambucana de Cineclubes: Qual Queijo você Quer?

MOSTRA DE CURTAS PERNAMBUCANOS

Melhor Filme da Mostra Pernambuco: Poeta Urbano (Diretor: Antônio Carrilho)
*Por revelar as sinceras entranhas da poesia urbana

-2 menções honrosas para o filme Koster: ao ator Sérgio Menezes e ao diretor de Arte Dantas Suassuna (pela erudição da pesquisa e pela fantasia nas soluções).

-1 menção honrosa para Sandra Possani, atriz do filme Canção para Minha Irmã

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RECIFE – Partimos daqui a pouco para uma maratona, que começa com a repetição de Boca, o filme de Flávio Frederico que teve sua exibição interrompida por uma troca de bobinas. Uma falha humana como outra qualquer, mas que produziu esse acúmulo de concorrentes de última hora.

Depois de Boca, veremos ainda três curtas e dois longas concorrentes: Na Quadrada da Águas Perdidas, de Wagner Miranda e Marcos Carvalho, e Estradeiros, de Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro. Vai ser duro aguentar, mas estamos aqui para isso.

Amanhã faço um balanço do que vi por aqui.

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RECIFE – Interessante o filme infanto-juvenil de Eduardo Goldenstein, baseado no livro de Lydia Bojunga. A sinopse de Corda Bamba é básica: Maria é uma garota nascida no circo, filha de equilibristas, que, por uma determinada circunstância, precisa ir morar com a avó. Por algum motivo, ela se esquece do seu passado, que irá refazer aos poucos.

O universo é onírico e, por ser circense, felliniano. Investe na travessia de fantasias e medos infantis e é muito bonito visualmente. Um pouco soturno, como costumam ser as fábulas infantis. Quem acha que a infância é um paraíso cor de rosa é porque esqueceu da sua.

Na entrevista, perguntei a Goldenstein a que público Corda Bamba se destinava e ele respondeu que o filme se via em camadas. Quer dizer, adultos podiam fazer uma leitura, e crianças, outra. Acredito nisso. Mas não basta eu acreditar. Aliás, não vale nada. A prova dos noves será no circuito comercial, com um público já viciado em obras menos sutis e refinadas que esta.

Acho que, com a quantidade de referências espalhadas (Fellini, Bergman, etc), Corda Bamba pode satisfazer a cinéfilos. Crianças ou jovens nem têm esse repertório e nem mesmo se preocupam em decodificar as coisas. Mergulham nelas (se for o caso) e gostam ou não conforme as sentem. Acho que, como o filme toca em fantasias inconscientes relativas a um trabalho de luto, pode dar certo.

Veremos. A vida anda dura no Brasil para quem procura ser sutil.

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