Amigos, talvez influenciado por colegas do colunismo esportivo, minha obsessão atual se chama Barcelona. Não perco um jogo. E sempre estou à espera de um recital, que não tem vindo. Tenho visto o time catalão empatar ou sofrer para ganhar, como no sábado, contra a Real Sociedad.
Observo a superioridade manifesta do Barcelona em relação ao adversário, traduzida na posse de bola sempre muito mais expressiva. Mas não tenho visto esse valor numérico ser transformado em gols. O próprio Messi anda em maré baixa, ou andava, já que no sábado conseguiu fazer o seu. Vi-o complicar a defesa da Real Sociedad, mas, ao mesmo tempo, sofrer para vencê-la. Duas ou três vezes me pareceu que bota pouquíssima fé em sua perna direita, tanto como tem confiança em sua destreza de canhoto. Heresia falar isso?
Noto que existe um certo pudor dos comentaristas em abordar possíveis deficiências do astro. Compreensível. Como apontar insuficiências em quem já teve a candidatura lançada a maior de todos os tempos? O melhor tem de ser perfeito nesse mundo idealizado dos ídolos absolutos.
Aliás, tenho total compreensão com essa necessidade de erguer o ídolo da hora ao trono máximo e fazer com que o Barcelona pareça um começo absoluto do futebol. Faz parte da vida: toda geração precisa de referências atuais e um ídolo que lhe seja contemporâneo. Para quem começou a ver a bola rolar nos anos 1990 nada mais justo que eleger o Barcelona o maior time de todos os tempos, mesmo sem ter visto os outros. .
A mesma coisa em relação a Lionel Messi. O ídolo do passado é como um intruso, um fantasma que vem de outro tempo para nos assombrar com seus feitos e seus números. No fundo é um indesejado; um chato, que não abre espaço para o sangue novo.
Daí me parecerem um tanto estapafúrdias as comparações entre Messi e Pelé. E profundamente injustas com Messi. Como estabelecer paralelos entre uma carreira já encerrada há tantos anos e outra em pleno andamento? Para compará-las, precisaríamos esperar que Messi pendurasse as chuteiras, quando então seria possível avaliar os feitos de um e de outro, tanto do ponto de vista qualitativo como quantitativo. Quem pode duvidar que Messi termine sua trajetória fulgurante com três Copas do Mundo e mais de mil gols no currículo? Antes disso, me parece, não dá para falar nada. Só dá para tietar.
Clássico. Palmeiras e Santos fizeram um clássico equilibrado, a meu ver. O Santos tem mais talento, o Palmeiras, mais dedicação e coerência tática. O calor insano de Presidente Prudente pesou igual para ambos, mas atingiu menos o time com mais tempo de preparação. O Santos começou a pré-temporada mais tarde, por causa do Mundial. É o calendário. Não há desculpas. O Palmeiras se encorpa com as novas contratações e vai melhorar ainda mais com Barcos e com Wesley, se vier. O Santos manteve Neymar e tem alguns outros destaques em seu elenco. Ganso, por exemplo, se resolver jogar bola ao invés de fazer marola. Agora, com a defesa do Santos nenhum adversário deve se desesperar ou descrer da vitória – ela pode vir a qualquer momento do jogo. É um castelo de cartas.
(Coluna Boleiros)
Zanin, você já viveu algumas primaveras e sabe que esse negócio de chamar Messi de “maior de todos os tempos” faz parte desse joguinho da mídia acéfala, ávida por criar super astros, e de moleques dos tempos da Internet, ou seja, de gente que não viu Pelé, Maradona, Falcão, Zico, Tostão e Zidane, por exemplo, jogarem. É simplesmente ridículo.
Tem gente burra que usa como parâmetro para consagrar a “supremacia” de Messi o fato de, hoje, o futebol ser mais corpo a corpo, de ter mais marcação. Mas, ora, se o que consagra um craque é justamente sua habilidade, inventividade e capacidade de improvisação, como usar como parâmetro a brutalidade? Com a bola nos pés, ouso dizer que Messi não é melhor que Djalminha. Recomendo à geração que acha que o mundo começou com a Internet e youtube -ou seja, àqueles/as carinhas que são fissurados/as em videos e que acham que o que está registrado é que dá o valor definitivo às coisas- que assistam alguns videos do Djalminha. Infelizmente, há pouca coisa de Falcão, um dos maiores jogadores que assisti, ainda criança. Idem Ademir da Guia etc. Se não, ouso ainda mais dizer: Messi come pó diante desses jogadores.
Aí, vêm uns jornaizinhos vagabundos ou sitezinhos meia-boca, com enquetes de “Quem é o melhor?” Aí, a molecada inculta -sim, também existe analfabetismo e incultura no futebol, e essa ‘enfermidade’ acomete aqueles que teimam em desconhecer a história e as tradições do nobre esporte bretão- vota no quê? No que viu no youtube ou naquilo que alguns ufanistas dizem ser o “melhor”.
Messi se destaca hoje em dia porque a safra de jogadores é medíocre. E não porque seja um suprassumo. Mesmo que ele termine a carreira com três Copas do Mundo e mais de 1.000 gols, não terá sido sequer a sombra de Pelé. No máximo, como se dizia de Zico, um Pelé pálido.
Abs
Zanin,
Muito bom o seu texto. Agora, essa comparação entre Pelé e Messi é também alimentada pelo ex-jogador, que, entre outras coisas, já disse (e mais uma vez) que só iria “começar a conversar com Messi” depois que este chegasse aos mil gols. Uma coisa, no entanto, o espanhol leva vantagem sobre o brasileiro: é calado, não procura os holofotes, e, por isso, não fala as bobagens que Pelé muitas vezes diz. Um abraço.
Insisto que as duas trajetórias só podem ser comparadas quando Messi encerrar a dele. abs.
responder este comentário denunciar abusoMárcio,
Tomara que esteja enganado, mas o seu comentário me deu a impressão de que você faz parte daquela turma que não gosta de argentino. Nunca li, ou ouvi, nenhum comentarista de futebol dizer que Messi é o melhor de todos os tempos (estou falando dos imparciais, como os da ESPN, para ficar em um só exemplo). Quem diz isso deve ser internado em um manicômio. Agora, não dar o devido valor que o argentino merece, achando-o quase um jogador comum, é assumir uma postura .no mínimo,incorreta.
Fico imaginando se Messi fosse brasileiro. Saudações, Francisco Sobreira
Francisco, não tenho nenhum preconceito contra argentinos, inclusive, já morei na Argentina e tenho amor pelo país. Não se trata disso. Se trata de denunciar uma geração (de)formada pela Internet, que só é capaz de reconhecer o que está registrado por essa megamídia, que é realmente Big Brother (no sentido orwelliano): está em todo lugar, todo o tempo. Se não foi registrado pela Net, não existe. Ademir da Guia não existe; nem Falcão; nem Sócrates. Melhor dito, eles existem em função apenas de alguns registros, ao passo que Messi é jogador de época online/real time. Mas eu vi lances de Sócrates e Falcão que nunca vi em Messi. E cadê as gravações? Estão em minha memória, e de outros torcedores que viram aqueles. E aí? Então, como dizer que esse cara é “o maior de todos os tempos”? Pode ser o melhor de agora. Mas numa linha de tempo, jamais.
Esse é o ponto crucial do meu comentário.
Messi é um craque mediano, em minha opinião. Considero piada de mau gosto compará-lo a Maradona, Pelé ou mesmo Zidane. Ele não tem 1/10 da habilidade de nenhum desses. Títulos, os tem apenas pelo Barcelona e um pela Argentina (Olimpíadas). Assim como Zanin diz que é preciso que ele tenha seu talento avaliado após o término de sua carreira, proponho outro tipo de avaliação: quero ver Messi jogar 30% do que joga FORA do Barcelona, em outro time. Quer um comparativo? Ronaldinho Gaúcho, que no tempo de Barcelona foi comparado a Pelé (navegue pela Net e pegue matérias da época e confira por si mesmo o ufanismo). Saiu de lá, RG ganhou o quê? NADA.
Messi não é um jogador comum. Só que, em tempos medíocres como os atuais, ele foi elevado a uma estatura que não tem, nem nunca terá. Basta ver o cara com a bola nos pés. E nisso grande parte da mídia -que só quer gerar notícias, polêmicas, audiência etc.- tem responsabilidade direta. A quantidade de asneiras, de enquetes estúpidas -como aquela que colocou Messi como melhor do mundo e Pelé em 4o lugar- só pode ser levada a sério por gente ou burra ou analfabeta, no que tange à história do futebol.
responder este comentário denunciar abusoGostei da maneira educada, serena, equilibrada com que respondeu ao meu comentário. ´É assim que devem interagir.na Net, as pessoas que defendem seus pontos de vistas. Infelizmente, não é esse o comportamento de muitas pessoas que, além disso, não possuem o dom da boa escrita, nem o domínio do idioma..
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