Como em toda análise de números, podemos concluir que o copo está meio cheio ou meio vazio, dependendo do ângulo pelo qual se olha e da maneira pela qual se analisa.
No primeiro caso, cabe registrar que o número de ingressos aumentou muito de 2010 para 2011, e tem aumentado progressivamente de ano a ano, o que quer dizer que o negócio cinema melhorou. Boa notícia para os donos de salas, a ser atribuída, por certo, à melhoria da renda média do brasileiro, à entrada da classe C no circuito consumidor, etc. Mais gente tem grana para gastar com o lazer e parte desse dinheiro vai para o cinema.
No que toca ao cinema brasileiro, comemora-se o fato de sete filmes terem quebrado a barreira do milhão de espectadores. 2011 teria então escapado à sina de ter um ou dois blockbusters nacionais a puxar a fila e o resto da produção a vegetar em números desprezíveis. Certo.
Mas, olhando pelo lado vazio do copo, o número de ingressos caiu 30% em relação ao exercício anterior…justamente porque a produção de 2011 não dispunha desses blockbusters de 2010, o espírita Nosso Lar e, em especial, Tropa de Elite 2, só ele responsável pela venda de 11 milhões de ingressos. Comemora-se também o fato de termos chegado a 98 lançamentos em 2012, esquecendo-se de que boa parte desses filmes teve desempenho abaixo de pífio na bilheteria. Foram vistos pela família e círculo de amigos do realizador, se tanto.
Melhor então apurar a enumeração de dados pela análise de outras fontes. Olhando-se o repertório de filmes brasileiros lançados em 2011, vê-se uma quantidade razoável de títulos interessantes e dignos. Por outro lado, sobressaem na bilheteria quase só as comédias grosseiras e com elenco televisivo como Cilada.com e De Pernas Pro Ar. Dá para comemorar um fato desses? Filmes valiosos como Trabalhar Cansa e Riscado atraíram menos de 8 mil espectadores cada. Segundo dados do boletim Filme B, cerca de 20 longas-metragens tiveram menos de mil (mil!) espectadores. Os diretores se acham gênios e seus amigos estão de acordo. Só esqueceram de avisar o público. De outras onze produções nada se sabe pois as distribuidoras sequer informaram seus números.
O lado vazio do copo é alarmante. (Luiz Zanin)
Abaixo, o informe da Ancine
Informe Anual da ANCINE mostra que público e renda cresceram em 2011
Sete lançamentos nacionais superaram a marca de 1 milhão de espectadores
Os números finais das bilheterias dos cinemas em 2011 confirmaram a tendência de alta verificada desde o início do ano no mercado brasileiro. O número total de ingressos vendidos chegou a 143,9 milhões, e a renda bruta nas bilheterias dos cinemas alcançou o valor de R$ 1,44 bilhão, estabelecendo novos recordes e colocando o Brasil entre os mercados cinematográficos mais importantes do mundo. Esses e outros dados integram o Informe Anual de Acompanhamento de Mercado de 2011, divulgado nesta segunda-feira pela ANCINE.
A bilheteria dos filmes brasileiros, com quase 18 milhões de ingressos vendidos e mais de R$ 163 milhões de renda bruta, ficou entre as três melhores dos dez últimos anos, em números absolutos.
“O número de filmes de longa-metragem brasileiros lançados, 99 no total, foi o maior dos últimos 10 anos”, sublinha o diretor-presidente da ANCINE, Manoel Rangel. “Também vale destacar que sete filmes brasileiros venderam mais de 1 milhão de ingressos, o que indica uma concentração menor de público em poucos títulos nacionais.”
O ano de 2011 também rendeu recordes para os filmes estrangeiros exibidos no Brasil. A renda bruta de bilheteria dos filmes estrangeiros foi de R$ 1,27 bilhão, tendo dobrado de valor em cinco anos. Isso reflete um crescimento do número de ingressos vendidos de cerca de 60% e um aumento do preço médio dos ingressos de 30%, no mesmo intervalo.
Em relação a 2010, a queda da bilheteria dos filmes brasileiros em cerca de 30%, tanto em termos de ingressos vendidos como em renda bruta, é resultado da ausência, em 2011, de megassucessos de bilheteria comparáveis a ‘Tropa de Elite 2’ ou ‘Nosso Lar’, maiores responsáveis pelos excelentes resultados no ano anterior. A participação dos filmes brasileiros no mercado de exibição em salas (market share) em 2011 ficou em 12,4%.
Três filmes brasileiros ficaram entre as 20 maiores bilheterias do ano: ‘De Pernas pro Ar’, ‘Cilada.com’ e ‘Bruna Surfistinha’. Também se destacaram ‘Assalto ao Banco Central’, ‘O Palhaço’, ‘O Homem do Futuro’ e ‘Qualquer Gato Vira-Lata’, todos com resultados de público acima de um milhão de ingressos.
As distribuidoras brasileiras independentes mantiveram a sua tendência de crescimento, tendo assegurado uma participação de mercado de 27,5% no total de filmes exibidos e de 69,0% na exibição de filmes brasileiros.
O Preço Médio do Ingresso (PMI) foi de R$ 9,99, sendo que os filmes brasileiros apresentaram PMI de R$ 9,14 e os filmes estrangeiros apresentaram PMI de R$ 10,11. A diferença se explica pelo ingresso mais caro cobrado nas salas 3D, onde predominam lançamentos estrangeiros.
O Informe Anual consolida assim os dados de mercado no período de 31 de dezembro de 2010 a 5 de janeiro de 2012.
adorei a frase: ” Os diretores se acham gênios e seus amigos estão de acordo. Só esqueceram de avisar o público. “
O brasileiro assiste muito à filme brasileiro. O problema é que não existem roteiristas, não há um projeto – por parte dos festivais de cinema – de algo como “meninos da vila”. Não há essa cultura de criarem pessoas (que não frequentem faculdades de cinema, mas que estudem por conta própria sobre roteiro) que sejam roteiristas. Pessoas “normais” que vivem diferente dessas que vão para as faculdades caras ou difíceis.
Aí fica nisso, o diretor acha que é gênio e faz o roteiro. Não quer ser só diretor, quer ser roteirista também. Aí é bom no roteiro e ruim na direção ou vice versa.
Sem contar os dinossauros com mentalidades ultrapassadas. Como muitos técnicos de futebol.
O brasileiro ama ir ao cinema ver brasileiro neles. Só que apresentam uns brasileiros desregulados na tela do cinema.
Um exemplo simples: Cansei de ver jovens com pais divorciados nos filmes. Será que todo cara mais rico tem pais divorciados?
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