Aos 87 anos, se foi o escritor português, prêmio Nobel de Literatura. Saramago tem grandes momentos como O Evangelho Segundo Jesus Cristo e outros menos bons, como A Caverna e Caim (o último), um tanto esquemáticos. Mas foi um belo escritor, bastante hostilizado por parte da crítica simplesmente por ser comunista. Essa discriminação ideológica não o faz melhor nem pior. Tem seu lugar garantido nas letras mundiais.
Em termos de cinema, devemos lembrar que duas de suas obras foram transpostas para a tela – Jangada de Pedra, por George Sluizer, e Ensaio sobre a Cegueira, por Fernando Meirelles. A de Meirelles é, de longe, a melhor. As duas histórias, fieis ao estilo mental de Saramago, baseiam-se em metáforas “duras”, às vezes até abusivas. Na primeira, a pensínsula ibérica descola-se do continente e sai navegando por aí. Na segunda, a humanidade é acometida de uma súbita cegueira e, nessa condição, entrega-se à barbárie.
Para Saramago, a humanidade está cega pela competição e pelo consumo. Perdeu-se de si mesma. Quem há de lhe tirar a razão?
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[...] Luiz Zanin comenta a morte do escritor [...]
Tive a honra e a satisfação de adaptar um texto de José Saramago (prefácio ao livro Terra de Sebastião Salgado) para o filme de curta-metragem ‘Por Longos Dias’ (http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=1036).
Durante as negociações da adaptação, ficávamos dias preparando cartas para Saramago, enviávamos por fax para sua ilha (Lanzaroti) já tarde da noite e na manhã seguinte sua resposta já nos aguardava. Ele permitiu-me total liberdade em recortar e ordenar o texto e fez apenas uma única exigência: que as palavras que entrariam no filme teriam que ser as dele e “somente as dele”. Em nosso breve encontro em Brasília, fiquei muito impressionado com sua lucidez e objetividade. O curta ganhou muitos prêmios e correu mundo (mais de 20 festivais internacionais).
Sou muito grato pela oportunidade de ter interagido com um artista de sua magnitude e trabalhado com uma pequena parte de sua produção. Aprendi muito com essa experiência. Estou triste com sua morte, mas conformado pela crença de que ele imortalizou-se pela importância de sua obra.
Cito isso em minha matéria escrita para o jornal. abs
responder este comentário denunciar abusoCarlos, Saramago, com todos os problemas que apresenta em alguns dos seus livros, ficará. Quanto a você, não sei. Dou-lhe a oportunidade de ficar: explique com lucidez e profudidade porque Saramago “foi tarde!”. Não sou um entusiasta do escritor, mas essa sua atitude é rasteira.
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